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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

10 antigos cartazes de vinhos espanhóis: a criatividade gráfica ajudando a construir a imagem de marca há mais de 100 anos

Por Rogerio Ruschel (*)

Nestes tempos de internet 24 horas e de oferta amplamente disseminada em supermercados e lojas especializadas, a escolha de um vinho pode ser uma tarefa influenciada especialmente pelo preço (como informam as pesquisas), mas certamente a decisão de compra também será influenciada pelo que sabemos ou imaginamos saber sobre o produto, a região de produção, a safra ou seu fabricante.

Como todo e qualquer produto a primeira impressão e a percepção da identidade que temos sobre um vinho pode ser fundamental para uma escolha no momento ou no futuro. O processo de criação da identidade de um vinho é feito por atividades de comunicação e marketing, mais ou menos sofisitcadas, mais ou menos complexas.
Algumas décadas atrás cartazes de ponto de venda (em armazéns, lojas, comércio de alimentos e bebidas e nas vinícolas) eram peças fundamentais na criação desta imagem de marca ou de identidade do produto. Os cartazes eram feitos em vários formatos, desde posteres até como cartões postais. Alguns deles são da escola artística Art Noveau, das primeiras décadas do século XX, um estilo inspirado por formas e estruturas naturais, flores e plantas, linhas curvas e ambiente natural amplamente adotado na propaganda, como abaixo.

A Art Nouveau (nome francês) foi muito popular na Europa, onde ficou conhecida como Jugendstil na Alemanha, Arte Moderna na Rússia, arte Secessão na Áustria-Hungria e como Stile Liberty na Itália e entre seus expoentes estavam o tcheco Mucha, com peças como o cartaz do conhaque Benedictine de 1898, abaixo. 
Algumas empresas vendem estes cartazes para decoração e o portal Vinopack reuniu alguns cartazes de vinhos espanhóis, dos quais In VIno Viajas apresenta alguns para sua alegria.
Meu caro leitor, um brinde a isso!

Para saber mais sobre a Art Noveau na arquitetura de Praga acesse

Rogerio Ruschel é editor deste blog e gosta de comunicação visual.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Caminho dos Prodígios: a surpreendente land-art nos bosques da Serra de Francia em Salamanca, Espanha.


Por Rogerio Ruschel (*)
Na região da Serra de Francia, no sul da província de Salamanca, Castilla y Leon, Espanha, existe uma atração turística única no mundo que vai realmente surpreender você: os “Caminhos das Maravilhas”, quatro roteiros de caminhadas em uma floresta preservada, enriquecida cuidadosamente com dezenas de obras de arte.


 Os roteiros combinam a natureza com esculturas surpreendentes como gaiolas sobre o vale, sirenes ao longo do caminho, penas com folhas de bronze em pedra, asteróides em uma ermida com uma curva impossível, portas abertas no campo, camas prontas no bosque, pedras costuradas com agulhas.

Os criadores do projeto (as prefeituras e as comunidades da região) associaram elementos-surpresa e oportunidades de reflexão com intervenções de artistas plásticos. Esta é a chamada land-art e os artistas são espanhóis como Félix Curto, Alfredo Omaña, Marcos Rodrigues, Fernando Casas, Alfredo Sáez, Florencio Maíllo, Lucy Loren, Luque López, Manuel Perez de Arrilucea e Pablo Herrera.

Os quatro roteiros são o Caminho dos Prodígios (o principal), entre os vilarejos de Chestnut Miranda e Villanueva del Conde; o Caminho da Floresta dos Espelhos, ligando as vilas Sequeros, Las Casas del Conde e S. Castanha de Martin; o Caminho das Raízes nos arredores de La Alberca; e o Caminho da Água, ligando Mogarraz e Monforte de la Sierra. Como os caminhos são circulares, podem ser iniciados em qualquer uma das cidades.

As quatro rotas (com 7 a 10 Km cada) estão dentro do parque Batuecas-Natural Sierra de Francia, um labirinto de vales escondidos de grande valor ambiental declarados como Reserva da Biosfera pela UNESCO juntamente com a Sierra de Béjar.


Colinas, vales e riachos se sucedem em meio a uma vetegação surpreendente com castanheiros, carvalhos, oliveiras, videiras, samambaias, matas ciliares e até mesmo pequenos bosques de morango. Os visitantes também têm a oportunidade de ver o patrimônio etnográfico escondido na região como moinhos e capelas. Adultos, crianças e até mesmo idosos podem participar das caminhadas.

E por falar em patrimonio, os cinco municípios da região são reconhecidos como Conjunto Histórico da Espanha: O valioso patrimônio arquitetônico da região reflecte-se nos cinco municípios reconhecidos como um histórico: La Alberca, San Martín del Castañar, Sequeros, Mogarraz e Miranda del Castañar.

Na região se pode experimentar os deliciosos vinhos regionais – tintos, jovens e com personalidade própria – que têm uma Denominação de Origem Protegida exclusiva, chamada D.O.P. Serra de Salamanca, que no mapa de vinhos com DOs de Castilla y Leon (mapa abaixo), fica próximo das retiões Terra del Vino e Toro.   

Além do vinho - produzido aqui desde os tempos dos romanos e chamados também de vinhos de Sierra de Francia - a região é conhecida também por seus azeites, queijos, patês, jamón ibérico e outras especiarias.

 A cidade de Salamanca surgiu cerca de 2.700 anos atrás, durante a Primeira Idade do Ferro e desde então o lugar foi testemunha da passagem de váceos, vetões, romanos, visigodos e muçulmanos. É uma das cidades espanholas mais ricas em monumentos da Idade Média, Renascimento e das épocas clássica e barroca. Abaixo, uma ponte romana da cidade e sua famosa Catedral. Um brinde aos romanos e espanhóis.

(*) Rogerio Ruschel é jornalista de turismo, enófilo, ambientalista e acha, como dizia Joãzinho Zinho Trinta, que até pobre gosta de arte.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Na rota do vinho Txakoli de Getaria: especialidades, encantos e delícias do surpreendente País Basco


Por Rogerio Ruschel e Oihana Eraso (*)
Caríssimo(a) leitor(a). Neste post tenho o prazer de lhe apresentar três exclusividades: os encantos de uma região surpreendente da Espanha, um vinho exclusivo e uma reportagem de uma jornalista especializada, moradora da região. Embarque nessa: In Vino Viajas vai levar você para conhecer a rota do vinho Txakoli de Getaria (região da foto acima) que fica no coração de Gipuzkoa, no surpreendente País Basco, Espanha. E a repórter é Oihana Eraso, que escreve para a internet e para a televisão.

O Txakoli de Getaria é um vinho branco seco, jovem e frutado, espumante, com alta acidez e baixa quantidade de álcool, geralmente servido como aperitivo. É produzido no Pais Basco com uvas Hondarribi Zuria (branca) e Hondarribi Beltza (tinta bem escura, veja na foto abaixo) que crescem em vinhedos aromatizados pelo ar marinho como este de Ametzmendi, na foto acima.

Muito apreciado para acompanhar pintxos (um tipo de “tapa”, pequenos sanduichinhos sofisticados do pais Basco) ou as tapas espanholas. Getaria é um pequeno município da Provincia de Guipúzcoa, no Pais Basco espanhol. Veja no mapa abaixo a região com as indicações das tabernas produtoras ou vendedoras de Txakoli de Getaria. Em outro post aqui no In Vino Viajas você vai conhecer tudo sobre os pintxos - aguarde.

En 1989 o Txakoli de Getaria foi considerado uma Denominação de Origem - D. O. conhecida como Getariako Txakolina; e em 2007 a D.O. se espalhou por todo o território de Gipuzkoa. Como os espanhóis aprenderam a valorizar seus recursos, para permitir que visitantes conheçam este vinho típico, a cultura e as belezas regionais, foi criada a Rota do Vinho Txacoli, que tem cerca de 30 produtores classificados.

A repórter basca Oihana Eraso apresentou esta região para seus leitores no site  AgroViajeros e In Vino Viajas tem o prazer de oferecer a seus leitores estas especialidades em uma matéria sobre enoturismo de primeira classe. Com a palavra, Oihana Eraso (abaixo).

 “La Ruta del Txakoli de Getaria”
Por Oihana Eraso (*)
“Gipuzkoa es, según muchos viajeros enamorados del verde de la naturaleza, la brisa del mar y los aromas de una buena cocina, uno de los destinos estrella. Sus espesos valles, surcados por ríos que nos abren camino a lo largo de su abrupta orografía, su costa de afiladas rocas, sus pintorescos pueblos; de mar, de montaña, de tierra y también de hierro. Y su gastronomía variada y afamada, hace que el agroviajero, no pueda resistirse a detenerse aquí una y otra vez.  Esta vez la escapada al corazón de Gipuzkoa la vamos a maridar con un vino blanco refrescante y chispeante,…. su vino, el txakoli de Getaria.”

“La costa de Guipuzkoa casi en su totalidad es un abrupto acantilado, pero de vez en cuando alguno de sus rios nos abre paso a lo largo de los verdes valles de la provincia y nos permite ver más allá de las afiladas rocas. Es el caso del rio Oria que desemboca en el coqueto pueblo de Orio. Que cómo no podía ser de otra manera está muy vinculado a la pesca. Suelten amarras, que zarpamos!”

“Además, las aguas del Oria han creado un lugar de gran valor natural que merece la pena conocer, paseando por su ribera te puedes topar con todo tipo de aves marinas entre las vegas y marismas que se forman en este remanso. Que están además muy bien conservadas aunque gravemente amenazadas por el desarrollo urbanístico de la población. Esta incorporado dentro de la Red Natura 2000.”

 “A un lado de la desembocadura se encuentra la población, que como cabía esperar cautiva con su encanto marinero. Balcones de colores, casas de piedra que parecen cobijarse unas a otras de los vientos de Cantábrico y divididas por callejuelas empinadas de piedras... perderse un rato por Orio es, sin duda, de obligado cumplimiento.”

 “Colgada a la ladera se encuentra su iglesia que aunque nace aquí, para acceder a ella hay que subir hasta lo alto del pueblo. Además, se encuentra en pleno Camino de Santiago, el conocido como el Camino del norte, que cada vez tiene más adeptos. A lo largo de la historia es así como Orio fue ganando importancia como localidad. Los peregrinos llegaban hasta aquí a través del camino que iba desde San Sebastián por Igueldo y vadeaban en barca el río Oria a la altura de Orio.
“En la parte superior del tempo encontramos un estrecho balcón, sin duda una iglesia de lo más especial, y donde se ha quedado bien marcada la originalidad de sus constructores. A un lado de la iglesia transcurre la calle San Nicolas donde se alza una de las casonas más antiguas de Orio, su contrucción se remonta a la edad media. Algo que se puede apreciar a simple vista, las vigas de madera tienen el encanto y la forma que solo da lo antiguo.”

“Y ahora si, ¡zarpamos! Porque nos dirigimos a otro enclave,... La ferrería de Agorregui, en pleno Parque Natural de Pagoeta, en Aia que está a escasos kilómetros de Orio. “

“Es una de las muestras más importantes del pasado industrial de la costa cantábrica. Se trata de un conjunto de ferrerías y molinos, que sorprende por su ubicación, ya que se encuentra “escondido” en un tupido y húmedo bosque que sorprende al viajero que toma este camino. Estos increíbles saltos de agua forjaban antaño el hierro, los envites del agua movían los molinos que daban fuerza necesaria para trabajar esta materia prima, antes claro está, de la aparición de los altos hornos.”

“La ferrería de Agorregi fue construida en el siglo XVIII, sobre una anterior, por el señor del palacio de Laurgain. Contó para ello con el arquitecto Francisco Ibero, quien diseñó un ingenioso entramado de canales, presas y depósitos para aprovechar al máximo los limitados recursos hidráulicos de la cuenca. Además, si os acercáis hasta aquí podréis verlo en pleno funcionamiento! Todo un espectaculo."
“Y muy cerca de este conjunto de ferrerías, eso si, dejando atrás helechos, hayas y robles del cerrado valle, llegamos a la claridad de las tierras de las laderas de los montes de Aia. Estamos en los términos de plantación de la Denominación de Origen Txakoli de Getaria. Viñedos emparrados de las variedades Hondarrabi zuri (95%) y hondarribi beltza. También podemos encontrar viñedos de esta DO en las localidades de Getaria y Zarauz, y cada vez más habitual, en otros muchos puntos del territorio de Gipuzkoa.”

“La mayoría de las cepas que se cultivan aquí, están emparrados o en expaldera. Las bodegas en su mayoría, son encantadoras y de pequeña producción. Existen decenas de ellas, muchas ofrecen visitas y catas. En el siguiente enlace tenéis decenas para elegir la que más os guste - www.getariakotxakolina.com

“Estos viñedos con sus primeros brotes son el comienzo de todo un proceso que después nos dara un rico vino blanco, joven y afrutado. De graduación moderada (9,5º - 11,5º) y con una leve acidez característica. Os invitamos a acercaros hasta aquí a que conozcais sus bodegas, pasear por sus laderas de viñedos, deleitarse con su paisaje de mar y cómo no probar su rica gastronomía junto a un buen Txakoli de Getaria. En definitiva, os invitamos agroviajeros, a recorrer la Ruta del Txakoli de Getaria.”

A reportagem de Oihana Eraso foi publicada originalmente em: http://agroviajeros.blogspot.com.es/2013/04/agroviajers-la-costa-de-guipuzkoa-casi.html
(*) Rogerio Ruschel é jornalista e editor de In Vino Viajas. Oihana Eraso é uma jornalista espanhola de Bilbao, Espanha, especialista em informação agrícola, enoturismo e natureza, editora da revista digital Agroviajeros.com e de programas de televisão com o mesmo nome. Fotos: Iker J. Eraso (Agroviajeros) e serviços informativos oficiais






domingo, 4 de agosto de 2013

Viela Dourada do Castelo de Praga: 500 anos de mistérios, soldados, alquimistas, bandidos e intelectuais


Por Rogerio Ruschel (*)
O maior castelo do mundo, segundo o Guiness Book, é o Castelo de Praga, com 72,5 mil m² - declarado Patrimonio Mundial da Humanidade pela Unesco. Pessoalmente creio que é também uma das construções mais interessantes do mundo, porque é muito mais do que um castelo – vamos dizer assim, convencional - como tantos que você conhece na Europa: é uma coleção de atrativos muito loucos. Na foto abaixo o Castelo de Praga no alto da colina.

Construído em torno do ano 850 depois de Cristo pela Família Premysl (que dominaria a região por séculos) no alto da colina de Hrad como uma fortificação para proteger a margem esquerda da cidade em relação ao rio Vltava, ao longo dos séculos foi sendo ampliado e serviu de moradia para reis e rainhas; atualmente é o palácio do governo da República Tcheca.
 
A estrutura do castelo foi sendo ampliada e modificada ao longo dos séculos e hoje é composto por três páteos interiores que misturam todos os estilos arquitetônicos da cidade. E nestes páteos do Castelo de Praga estão inúmeras construções, entre as quais o Palácio Real e a Catedral de São Vito (veja abaixo).
 
Estão também a Torre da Pólvora, o Convento de São Jorge, o Palácio Lobkowicz, a Viela Dourada (ou Viela do Ouro) e a Torre Daliborka, uma prisão medieval, hoje um museu de memória das casinhas e de outras áreas do Castelo de Praga, inclusive, é claro, equipamentos de torturas e armaduras.
 
Em outros posts você vai conhecer o Castelo de Praga e estas construções em detalhes, mas agora quero falar sobre a Viela Dourada – veja abaixo.

A Viela Dourada foi construída no final do século 16 para servir de moradia aos 24 membros da guarda do Imperador Rodolfo II: era, vamos dizer assim, uma pequena senzala para que os guardas pudessem estar próximos do Imperador – veja lembranças destes guardas nas fotos abaixo. 


Mais ou menos um século depois as ruas foram tomadas por artesões e ourives que modificaram os prédios para poder instalar seus equipamentos. 

No século 19 a área entrou em decadência e as casinhas acabaram sendo tomadas por miseráveis e criminosos. No começo do século 20 o perfil dos moradores foi mudando, e boêmios e intelectuais acabaram se instalando por lá. 

Dois intelectuais nascidos na cidade que moraram na Viela Dourada foram o poeta Jaroslav Seifert, Premio Nobel de Literatura de 1984 e Franz Kafka, um dos escritores tchecos mais reconhecidos, que morou com a irmã por alguns meses na hoje identificada casa 22.
Originalmente as casas não tinham números, eram identificadas por símbolos e brasões e conhecidas pelos nomes como Casa do Carneiro de Pedra, Casa do Pobre Infeliz, Casa da Madona de Pedra, Casa da Estrela Azul e Casa das Cegonhas. Veja abaixo alguns dos brasões expostos no pequeno museu.
Muitas lendas cercam a Viela Dourada, até mesmo de fantasmas que movem coisas. Um das histórias é que a viela teria sido um local de prática de magia e de misteriosas pesquisas sobre Alquimia, o ramo da ciência ou bruxaria que pretendia transformar as coisas em ouro. 
 
Atualmente a Viela Dourada é um conjunto de pequenas lojas de lembranças para turistas e na parte superior das casinhas foi montado um pequeno museu de armaduras, roupas, brazões e outros equipamentos da idade média da região, a Boêmia central. Como é um lugar escuro propositalmente, as fotos não ficaram lá grande coisa, mas servem como registro. Eu mesmo, como vistante (abaixo), tinha que olhar bem de perto para poder ver detalhes.

Por enquanto é isso. Em outro post você vai conhecer um pouco mais sobre o Castelo de Praga. Até lá, um brinde à criatividade humana.

(*) Rogerio Ruschel rruschel@uol.com.br - é jornalista de turismo e consultor especializado em sustentabilidade e foi a Praga por conta dele mesmo.