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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Vinhedo de São Venceslau, nos jardins do Castelo de Praga: o discreto charme do vinho, na terra dos inventores da cerveja


 
Por Rogerio Ruschel (*)
A República Tcheca é conhecida como “o país da cerveja” porque foi lá mesmo, na cidade de Lager que um frade inventou esta bebida – mas hoje vamos falar sobre os vinhos do pais, especialmente do vinhedo de São Venceslau. Aliás, só para você ter certeza, a primeira cerveja com a marca Budweiser é de lá – veja abaixo.

Um dos mais interessantes Patrimônios Mundiais da Humanidade da Unesco, o Castelo de Praga, com 72,5 mil m² é também o maior castelo do mundo, segundo o Guiness Book. Construído em torno do ano 850 DC pela Família Premysl no alto da colina de Hrad como uma fortificação para proteger a margem esquerda da cidade em relação ao rio Vltava, ao longo dos séculos foi sendo ampliado e serviu de moradia para reis e rainhas; atualmente é o palácio do governo da República Tcheca. De onde você fotografa, o Castelo sempre fica bonito – veja abaixo.


Entre as atrações do Castelo de Praga estão o Palácio Real, a Catedral de São Vito, a Torre da Pólvora, o Convento de São Jorge, o Palácio Lobkowicz, a Viela Dourada, a Torre Daliborka, uma prisão medieval, hoje um museu – e o Vinhedo de São Venceslau. Veja abaixo um detalhe da fachada da Catedral de São Vito.


 Implantado no século X pelo homem que se tornaria o padroeiro da nação tcheca, o próprio São Venceslau, o vinhedo do Castelo de Praga tinha como propósito original a produção de vinhos para uso nas igrejas de Praga e arredores. Segundo pesquisadores, o vinhedo (fotos abaixo) foi implantado em um local onde já existiam resquícios do cultivo de uvas na região feito pelos romanos no tempo do imperador Marcus Aurelius Probus, nos anos 276-282 DC, ali e também na região da Morávia Eslovaca (leia mais abaixo). 

Mas se é um dos mais antigos do país, o vinhedo de São Venceslau, com seus 2.100 pés de videiras, é também um dos menores: em 2011 a safra rendeu apenas 2.200 garrafas, grande parte das quais foi oferecida a visitantes estrangeiros pelo presidente da República (que tem sua sede no Castelo de Praga) e o restante foi consumido nos restaurantes do vinhedo.

Atualmente o vinhedo tem um papel turístico, porque debruçado sobre a cidade é realmente lindo; e também educativo-cultural, porque representa a vinicultura do pais. No coração do vinhedo está uma bonita vila, a Villa Richter construída por volta de 1830 (e que foi sede do partido comunista durante os anos difíceis), e que hoje sedia três restaurantes: o Piano Nobile (de cozinha gourmet e criativo), o Piano Terra (de cozinha tradicional tcheca) e o Panorama Pérgola, um bistrô vinho de onde é possível conhecer o melhor vinho do país desfrutando o cenário maravilhoso da cidade (abaixo). Aliás, na cidade se come muito bem!

O vinhedo tem duas variedades de uvas, a branca Riesling do Reno e a tinta Pinot Noir francesa, que são vinificadas. Mas ao longo da estrada panorâmica que desce para a cidade (veja abaixo), também são cultivadas exemplares das 35 castas autorizadas para cultivo na República Checa para a produção de vinho, entre as quais a Veltelin, Müller, Thurgau, Reno Riesling, Sauvignon Blanc, Riesling italiano branco, Pinot, Traminer, Muscat Morávia, Chardonnay, Pinot Gris, Saint- Laurent, Pinot Noir, Zweigeltrebe, Cabernet sauvignon, Limberger, Merlot, e Azul Português. 

A República Tcheca tem duas regiões vinícolas, com um total de seis sub-regiões. A região da Bohemia, com 4% da produção, tem duas sub-regiões (o Melnik e a Litomerice. A região mais importante, a Morávia, produz 96% do pais em quatro sub-regiões: Znojmo, Mikulov, Velké Pavlovice e Morávia Eslovaca. A maior cidade vitícola é Velké Bílovice, com 1.062 produtores que ocupam 803 hectares de vinhas. Nesta região estão muitos hotéis bacanas, como o Baroque Chateau, abaixo.

A produção vinícola do pais foi de 580 mil hectolitros em 2011, produzidos em um total de 16 mil hectares, mas pode chegar a 750 mil hectolitros em anos bons. Os tchecos bebem pouco vinho - aproximadamente 23 litros/pessoa – porque o negócio deles mesmo é beber cerveja: com um consumo anual de 156,9 litros por pessoa, por ano, o maior do mundo, é três vezes mais do que os brasileiros. Tim-tim para os tchecos, com vinho ou cerveja!


Saiba mais sobre a arquitetura Art Noveau das ruas de Praga aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/06/a-surpreendente-arquitetura-art-nouveau.html

A art noveau nas ruas de Praga pode ser vista aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/06/a-art-noveau-nas-ruas-de-praga.html


(*) Rogerio Ruschel – rruschel@uol.com.br - é enófilo, jornalista de turismo e foi a Praga por conta dele mesmo. E vai voltar.











domingo, 4 de agosto de 2013

Viela Dourada do Castelo de Praga: 500 anos de mistérios, soldados, alquimistas, bandidos e intelectuais


Por Rogerio Ruschel (*)
O maior castelo do mundo, segundo o Guiness Book, é o Castelo de Praga, com 72,5 mil m² - declarado Patrimonio Mundial da Humanidade pela Unesco. Pessoalmente creio que é também uma das construções mais interessantes do mundo, porque é muito mais do que um castelo – vamos dizer assim, convencional - como tantos que você conhece na Europa: é uma coleção de atrativos muito loucos. Na foto abaixo o Castelo de Praga no alto da colina.

Construído em torno do ano 850 depois de Cristo pela Família Premysl (que dominaria a região por séculos) no alto da colina de Hrad como uma fortificação para proteger a margem esquerda da cidade em relação ao rio Vltava, ao longo dos séculos foi sendo ampliado e serviu de moradia para reis e rainhas; atualmente é o palácio do governo da República Tcheca.
 
A estrutura do castelo foi sendo ampliada e modificada ao longo dos séculos e hoje é composto por três páteos interiores que misturam todos os estilos arquitetônicos da cidade. E nestes páteos do Castelo de Praga estão inúmeras construções, entre as quais o Palácio Real e a Catedral de São Vito (veja abaixo).
 
Estão também a Torre da Pólvora, o Convento de São Jorge, o Palácio Lobkowicz, a Viela Dourada (ou Viela do Ouro) e a Torre Daliborka, uma prisão medieval, hoje um museu de memória das casinhas e de outras áreas do Castelo de Praga, inclusive, é claro, equipamentos de torturas e armaduras.
 
Em outros posts você vai conhecer o Castelo de Praga e estas construções em detalhes, mas agora quero falar sobre a Viela Dourada – veja abaixo.

A Viela Dourada foi construída no final do século 16 para servir de moradia aos 24 membros da guarda do Imperador Rodolfo II: era, vamos dizer assim, uma pequena senzala para que os guardas pudessem estar próximos do Imperador – veja lembranças destes guardas nas fotos abaixo. 


Mais ou menos um século depois as ruas foram tomadas por artesões e ourives que modificaram os prédios para poder instalar seus equipamentos. 

No século 19 a área entrou em decadência e as casinhas acabaram sendo tomadas por miseráveis e criminosos. No começo do século 20 o perfil dos moradores foi mudando, e boêmios e intelectuais acabaram se instalando por lá. 

Dois intelectuais nascidos na cidade que moraram na Viela Dourada foram o poeta Jaroslav Seifert, Premio Nobel de Literatura de 1984 e Franz Kafka, um dos escritores tchecos mais reconhecidos, que morou com a irmã por alguns meses na hoje identificada casa 22.
Originalmente as casas não tinham números, eram identificadas por símbolos e brasões e conhecidas pelos nomes como Casa do Carneiro de Pedra, Casa do Pobre Infeliz, Casa da Madona de Pedra, Casa da Estrela Azul e Casa das Cegonhas. Veja abaixo alguns dos brasões expostos no pequeno museu.
Muitas lendas cercam a Viela Dourada, até mesmo de fantasmas que movem coisas. Um das histórias é que a viela teria sido um local de prática de magia e de misteriosas pesquisas sobre Alquimia, o ramo da ciência ou bruxaria que pretendia transformar as coisas em ouro. 
 
Atualmente a Viela Dourada é um conjunto de pequenas lojas de lembranças para turistas e na parte superior das casinhas foi montado um pequeno museu de armaduras, roupas, brazões e outros equipamentos da idade média da região, a Boêmia central. Como é um lugar escuro propositalmente, as fotos não ficaram lá grande coisa, mas servem como registro. Eu mesmo, como vistante (abaixo), tinha que olhar bem de perto para poder ver detalhes.

Por enquanto é isso. Em outro post você vai conhecer um pouco mais sobre o Castelo de Praga. Até lá, um brinde à criatividade humana.

(*) Rogerio Ruschel – rruschel@uol.com.br - é jornalista de turismo e consultor especializado em sustentabilidade e foi a Praga por conta dele mesmo.