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sexta-feira, 16 de julho de 2021

Mais um, mais um, mais um: Vinhos de Altitude de Santa Catarina obtêm selo de Indicação Geográfica

 

Por Rogerio Ruschel

Meu prezado amigo ou amiga, está frio na serra catarinense, mas temos notícias quentes de lá. Como eu vinha monitorando aqui no  In Vino Viajas desde fevereiro em dois artigos, os Vinhos de Altitude de Santa Catarina conquistaram o selo de Indicação Geográfica (IG), concedido dia 29 de junho de 2021, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

 

Veja os artigos aqui:

·      Brasil vai ter mais três regiões vinícolas com certificação de origem; solicitações aceleram no INPI - https://www.invinoviajas.com/2021/02/brasil-vai-ter/

·      Livro da Epagri desvenda os segredos do terroir dos Vinhos de Altitude de Santa Catarina - https://www.invinoviajas.com/2021/02/livro-da-epagri/  

A qualidade dos vinhos finos produzidos na região foi identificada em amplo e rigoroso estudo da Epagri (veja matéria acima identificada) e reconhecida devido às características de solo, altitude, clima, variedades de uvas e por técnicas de cultivo. Inicia-se agora o prazo de 60 dias estabelecido pelo INPI para interposição de recurso da sociedade – o que certamente não vai acontecer. Ao final deste período a IG estará efetivamente estabelecida.

A conquista de Indicação Geográfica destaca que os Vinhos de Altitude produzidos na região são diferenciados dos outros produzidos no país, valorizando sua história e características únicas. Por meio do selo, os Vinhos de Altitude têm mais potencial de agregar valor econômico e conquistarem novos mercados. O registro da IG é dado aos produtos que apresentam uma qualidade única e características do seu local de origem. É o caso, por exemplo do “Vinho do Porto”, de Portugal e da “Champagne”, da região de Champagne, na França.

Os produtos reconhecidos são os vinhos finos, vinhos nobres, vinhos licorosos, espumante natural e vinho moscatel, e o brandy de Santa Catarina. São mais de 300 hectares de área cultivada, e mais de 1 milhão de garrafas produzidas anualmente. Esse reconhecimento começou há cerca de oito anos, quando o Sebrae/SC, em parceria com a AMURES, UFSC, Epagri, Embrapa, Secretaria Estadual de Agricultura da Pesca e do Desenvolvimento Rural e a Vinhos de Altitude – Produtores e Associados iniciaram o processo para conquista do selo de Indicação Geográfica para o produto. Foram desenvolvidas pesquisas por diferentes instituições que comprovaram o potencial das regiões de altitude de Santa Catarina para a produção de vinhos finos, agora comprovados pelo INPI.

Motivados por tradições familiares e paixões pessoais, há três décadas, empreendedores iniciaram a implantação da cadeia produtiva dos vinhos de altitude em Santa Catarina. Esse momento foi fomentado pelas pesquisas iniciadas pela Epagri naquela época, que permitiram o cultivo de uvas viníferas no Estado.  O resultado desta iniciativa vem produzindo vinhos com intensa coloração, definição aromática e equilíbrio gustativo, características reconhecidas pelo mercado consumidor. O Vale do Contestado e a Serra são as duas grandes regiões produtoras.

O selo do INPI reconhece os Vinhos de Altitude produzidos em área delimitada, que engloba municípios como Rancho Queimado, Anitápolis, Alfredo Wagner, Bom Retiro, Urubici, Bom Jardim da Serra, São Joaquim, Urupema, Painel, Lages, Capão Alto, Campo Belo do Sul, São José do Cerrito, Vargem, Brunópolis, Curitibanos, Frei Rogério, Monte Carlo, Tangará, Fraiburgo, Pinheiro Preto, Videira, Rio das Antas, Iomerê, Arroio Trinta, Santo Veloso, Treze Tílias, Macieira, Caçador, Vargem Bonita e Água Doce. São mais de 22 vinícolas associadas, e mais de 80 viticultores, que produzem os vinhos de uvas viníferas, que fazem parte do território delimitado.

O presidente da Vinhos de Altitude – Produtores e Associados, Humberto Conti, está muito feliz com o resutado de oito anos de estudos e afirma que a conquista para o selo foi possível graças a um esforço conjunto. “Foi um trabalho muito interessante, e que só vem para valorizar os produtos catarinenses, realizado em conjunto com vários parceiros e coordenado pelo Sebrae/SC com muita competência. É um reconhecimento de que produzimos um produto especial e de qualidade. Essa é uma grande conquista para Santa Catarina, diferenciando e mostrando o valor de nossos produtos”, ressalta.

Já o diretor técnico no Sebrae/SC, Luc Pinheiro, afirma a respeito que “Pensando em valorizar a gastronomia e a agricultura familiar catarinense, o Sebrae/SC, com outros parceiros, desenvolve ações que buscam valorizar produtos e serviços típicos e tradicionais das diferentes regiões do estado. Essa é a quarta Indicação Geográfica registrada em Santa Catarina, e conquistas como essa nos deixam muito orgulhosos, provando o valor que esse reconhecimento nacional e internacional tem para o desenvolvimento da economia local e para a sustentabilidade dos pequenos negócios. Com essa certificação, o produto deve ganhar ainda mais valor de mercado, promovendo a cadeia produtiva da região e estimulando o turismo e o desenvolvimento territorial”.

“A indicação geográfica é um processo belíssimo, que reúne várias contribuições. É um reconhecimento nacional e internacional, de que aquele produto é único e possui características únicas. Ficamos contentes quando um produto é reconhecido e os produtores podem se apropriar daquilo que sempre foi deles, apresentando Santa Catarina como referência de excelência em sua produção”, afirma Mara Rúbia Romeu Pinto Muller, da Secretaria Estadual de Agricultura da Pesca e do Desenvolvimento Rural.

“A concessão da IG coroa um trabalho de mais de 30 anos de pesquisa em torno da produção de vinhos finos em Santa Catarina”, lembra Edilene Steinwandter, presidente da Epagri. Ela destaca o trabalho multidisciplinar desenvolvido ao longo deste período, envolvendo experimentos com variedades de uvas viníferas, estudos ambientais, entre outros, que culminou no estabelecimento de uma cadeia produtiva organizada no Estado. Aliás, reforço a sugestão do leitor de bom gosto de In Vino Viajas conhecer este estudo em https://www.invinoviajas.com/2021/02/livro-da-epagri/ 

Além da conquista de Indicação Geográfica para os Vinhos de Altitude, o estado está representado por Indicações Geográficas de produtos como os Vinhos e Espumantes de Uva Goethe, dos Vales da Uva Goethe, a Banana da Região de Corupá e o Queijo Artesanal Serrano, no Campos de Cima da Serra.

A pesquisadora e engenheira agrônoma da Epagri, Cristina Pandolfo, reforça a importância da iniciativa. “Esse trabalho foi muito importante, envolvendo a cooperação de várias instituições, e demonstrando a competência da equipe da Epagri no desenvolvimento do trabalho de Indicação Geográfica. Foi um trabalho muito especial, que reuniu uma grande quantidade de informações, que também poderão ser utilizadas para outros tipos de estudos, demonstrando a riqueza das pesquisas e estudos realizados”, comenta.

“Essa conquista representa um avanço muito significativo, na medida em que teremos um selo que garante o padrão de qualidade do produto, e que também possibilita um grande avanço na gestão e estabelece um padrão da viticultura do território de Santa Catarina. A Indicação Geográfica também representa a organização de vinhateiros do território que se empenham a explorar o alto padrão dos vinhos produzidos na região”, afirma José Fernando da Silva Protas, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, uma das parceiras no processo que resultou nessa conquista.

Brindo a isso com Humberto Conti, Presidente da Vinhos de Altitude – Produtores e Associados. Parabéns!!!

sábado, 3 de julho de 2021

União de vinícolas, trade de turismo e poder público de 2 cidades cria produto turístico diferenciado na serra gaúcha.

Por Rogerio Ruschel

Meu prezado amigo ou amiga, hoje você vai conhecer mais um exemplo do que venho repetindo em palestras, artigos e no meu livro “O valor global do produto local” sobre o valor do turismo com indentidade: a união da comunidade em torno de objetivos comuns - como a valorização dos patrimônios locais do território - agrega um importante diferencial de marketing, cria uma maior percepção de valor para os produtos oferecidos e reduz custos de promoção e gestão.

No caso de hoje vou apresentar a Rota dos Vinhos dos Altos Montes, localizada na Encosta Superior do Nordeste do Rio Grande do Sul (Serra gaúcha), entre os municípios de Flores da Cunha e Nova Pádua, cujos vinhos tem registro de Indicação de Procedência (IP) dos Altos Montes. Esta região abriga a maior extensão de plantação de uvas e produção de vinhos do Brasil, colhendo até 80 milhões de quilos de uva e produzindo 45 milhões de litros de vinho numa só safra, entre vinhos de mesa e vinhos finos. 

Pois este coletivo regional está oferecendo “uma charmosa viagem de inverno para a Serra Gaúcha para observar belas paisagens, visitar vinícolas, degustar vinhos e uma boa gastronomia italiana, mas quer fugir das cidades mais conhecidas e conhecer novos destinos” no dizer de Filipe Panizzon, Presidente da Associação de Produtores dos Vinhos dos Altos Montes. E sabe o que mais? Eles se associaram com as 12 vinícolas da região e criaram o Passaporte Altos Montes para este inverno.

É um modelo similar ao do Passaporte do Caminho de Santiago, na Europa. A cada vinícola que o turista visitar, receberá um carimbo no Passaporte. Somando o mínimo de 7 carimbos, o turista já poderá submeter seu Passaporte para o sorteio de um kit com 12 garrafas de Vinhos dos Altos Montes, sendo um rótulo de cada vinícola associada. Não é necessário somar todos os carimbos em uma mesma viagem, o turista poderá fazer várias viagens a nossa região e ir visitando aos poucos nossas vinícolas.  

O Passaporte terá validade de dois anos a contar da data do primeiro carimbo. Mas  os sorteios serão realizados a cada seis meses, gerando ainda mais motivação no turista. Os passaportes preenchidos poderão ser depositados em urnas distribuídas em qualquer uma das 12 vinícolas associadas ou na sede da própria associação. 

As Vinícolas dos Altos Montes são:

  1. Boscato Vinhos Finos - http://www.boscato.com.br/ 
  2. Casa Venturini Vinhos & Espumantes - http://www.casaventurini.com.br/ 
  3. Cave de Angelina Vinhos & Vinhedos - https://cavedeangelina.com.br/ 
  4. Fante Bebidas - http://www.fante.com.br/ 
  5. Luiz Argenta Vinhos Finos - http://www.luizargenta.com.br/site/ 
  6. Terrasul Vinhos Finos - http://www.vinhosterrasul.com.br 
  7. Valdemiz Vinhos Finos - https://www.montereale.com.br/valdemiz-vinhos-finos 
  8. Vinhos Fabian - https://vinhosfabian.com.br/ 
  9. Vinhos Viapiana - https://vinhosviapiana.com.br/ 
  10. Vinícola Bebber - https://www.familiabebber.com.br/Home/ 
  11. Vinícola Mioranza - https://www.mioranza.com/ 
  12. Vinícola Panizzon - https://www.panizzon.com.br/institucional 

Mapa Turístico da Região - https://cutt.ly/jn6dHcn  

Informações turísticas - https://cutt.ly/7n6dL4J  

Brindo a isso.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Muçulmanos produziam e exportavam vinhos na Sicíia nos séculos IX a XI – embora a religião não permita seu consumo

 

Baseado em texto de Ana Gómez, publicado em Vinotur; editado por Rogerio Ruschel

El vino, cujo consumo está prohibido por en el Islam, pero se ha descubierto que en la "Sicilia islámica" entre los siglos IX y XI, se producía y exportaba vino desde el puerto de Palermo hasta las tierras cristianas, convirtiendo a Sicilia en el centro del comercio del vino del mediterráneo.

Los investigadores de la estructura BioArCh de la Universidad de York, han demostrado que los musulmanes de Sicilia apreciaban el vino, tanto por su valor económico como por su relevancia agrícola. Tanto es así, que crearon un negocio de exportación de vino desde Palermo, antes del siglo IX d.C. Las ánforas utilizadas han sido analizadas por las universidades de Roma, York y Catania, entre otras, donde se han podido analizar las trazas orgánicas presentes en ellas.

Análisis químicos realizados en 109 ánforas utilizadas entre los siglos V al XI muestran una continuidad en el transporte del vino en Sicilia, durante el periodo islámico. Los estudios afirman que debido a la relación entre el ácido tartárico (uno de los principales elementos presentes en la uva. Los estudiosos no tienen pruebas que sugieran que el vino también era consumido por los miembros de la comunidad islámica.

Este componente realiza una acción fundamental durante la vinificación y el ácido málico (uno de los ácidos más abundantes de la naturaleza, presente en multitud de verduras y frutas, entre ellas las uvas) se han podido distinguir los residuos de vino de otros productos con un alto grado de certeza.

A historia empeza mucho antes. La producción, el comercio y el consumo de productos vitivinícolas tuvieron mucho éxito entre los fenicios. Prueba de ello son los numerosos hallazgos de ánforas en Mozia y Lilybaeum (la actual Marsala, Sicilia). Con los griegos en Sicilia (siglos VIII - III a.C.), la viticultura alcanzó un gran desarrollo, también porque estaba estrechamente relacionada con los rituales, así como con las fiestas dionisíacas. Se dice que el culto a Dionisio se originó aquí.

Con los romanos (siglo III a.C. - siglo VI d.C.), la viticultura y el vino en Sicilia recibieron una gran consideración. Con la caída del Imperio Romano la viticultura pasó a otras manos, y se incrementó su comercialización. Comienza la época de la dominación islámica hasta el siglo reforçando el Emirado da Sicília criado el e año 965.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Vinhos com Denominação de Origem da Espanha debatem online como aplicar fundos de recuperação de 120 milhões de Euros

  

Por Rogerio Ruschel, com informações de Vinetur e do jornal El Economista

Dia 2 de Julio la Conferencia Española de Consejos Reguladores Vitivinícolas, la organización que representa a las denominaciones de origen de vino, organiza un seminario web para informar a denominaciones de origen y bodegas sobre como utilizar los fondos de recuperación de la Comisión Europea.

El 2 de julio, de 10h a 11.30h (hora peninsular), tendrá lugar el seminario web "Fondos de recuperación: claves para la transformación de nuestro modelo productivo". Organizado por la Conferencia Española de Consejos Reguladores Vitivinícolas (CECRV), el webinar tendrá como objetivo informar a bodegas y denominaciones de origen, principales destinatarios de la acción, sobre los ejes de actuación, políticas palanca y componentes del plan de aplicación de los fondos en nuestro país que están directa o transversalmente relacionados con el sector agroalimentario y con el desarrollo rural, así como de los aspectos clave de la ejecución de estos fondos: procedimientos de tramitación y acceso a estos fondos, niveles de co-financiación, instrumentos de colaboración público-privada.

España va a ser el segundo país de la Unión Europea que más fondos reciba del Mecanismo de Recuperación y Resiliencia de la UE, la principal línea de financiación del programa NextGenerationEU, instrumento de estímulo económico para impulsar la recuperación de los Estados Miembros aprobado por las instituciones de la Unión Europea en junio de 2020, como respuesta a la crisis generada por el coronavirus. A través de este mecanismo, España va a acceder a un total de 140.000 millones de euros entre 2021 y 2026, de los que alrededor de 70.000 millones serán en forma de transferencias y el resto en forma de préstamos. La ejecución de estos fondos en nuestro país se va a realizar siguiendo el Plan de Transformación, Recuperación y Resiliencia, elaborado y presentado por el Gobierno y aprobado la pasada semana por la Comisión Europea.

El seminario web se estructura en tres bloques. El de apertura, Plan de Transformación, Recuperación y Resiliencia: fundamentos y objetivos, será impartido por Francisco Javier Adell Almazán, Vocal Asesor de la Dirección General de Desarrollo Rural, Innovación y Formación Agroalimentaria del Ministerio de Agricultura, Pesca y Alimentación. En él se informará de las líneas de financiación para la ejecución del plan, de las áreas del mismo relacionadas con el sector agroalimentario y del papel de las Comunidades Autónomas y de los Ayuntamientos.

A continuación, bajo el título El sector agroalimentario, el desarrollo rural y los fondos de recuperación, José Moisés Martín, director de la consultora Red2Red, profundizará en las oportunidades que ofrecen los fondos en los ámbitos del sector agroalimentario y del desarrollo rural y abordará los retos que plantean a las empresas y los aspectos que, como potenciales beneficiarias, estas deben plantearse para el posible acceso y aprovechamiento de estos fondos.

Por último, el seminario se centrará en la Ejecución del Plan: periodo de programación, beneficiarios y formas de solicitud, acceso y ejecución de proyectos, ponencia con la que Enrique Coronas, Esther García y José Luis Fernández, expertos en ámbitos de digitalización, innovación y formación empresarial de la consultora Barrabés, informarán de los procedimientos de tramitación y acceso a estos fondos, de lo que las empresas deben tener en cuenta para planificar, solicitar y/o participar en posibles proyectos financiados con este mecanismo y aportarán claves para el diseño de proyectos que puedan optar a estos fondos, de acuerdo a los procedimientos mediante los cuales se van a ejecutar.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Ambev lança cervejas de aipim, com identidade territorial caipira, e ganha prêmio internacional

 

Por Rogerio Ruschel

A maior cervejaria do mundo lançou 5 cervejas locais, produzidas com aipim e caju de 10.000 agricultores familiares em cinco estados brasileiros, e engrossa o grupo de corporações globais que investem em produtos com identidade territorial.


Meu caro amigo ou amiga: quando escrevo aqui no In Vino Viajas, no meu Webcanal TNFDQ, nos meus livros ou em palestras sobre a importância dos produtos locais com identidade territorial, desenvolvidos a partir de patrimônio do território, muitas pessoas pensam que isso só se refere a pequenos produtos de pequenos produtores – tipo bananinha, paçoquinha, doce de batata. Pois este é um grande engano: gigantes globalizados também estão caminhando nesta direção, e a passos bem largos. A Ambev é agora mais um gigante neste grupo e – veja só - utilizando a popularíssima e boa mandioca!

A mandioca (Manihot esculenta) é uma planta nativa da America do Sul, a terceira maior fonte de carboidratos nos trópicos, depois do arroz e do milho. Muito simpática e popular, ela sempre foi cultivada por indígenas que tem diferentes lendas sobre sua origem; o folcorista Câmara Cascudo registra algumas delas e acredita que o nome mandioca vém de um mito da nação tupi sobre a Mani + oca, significando "casa de Mani".

A espécie “mansa” da mandioca alimenta mais de meio bilhão de pessoas no continente sulamericano e no Brasil tem vários nomes regionais como macaxeira, aipim, castelinha, uaipi, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, pão-de-pobre… Pois foi nesta planta que a Ambev foi buscar matéria-prima para fazer uma cerveja artesanal, de base local, com sabor exclusivo, para enfrentar a guerra das cervejas. Aliás, como você deve lembrar, antigamente a guerra das cervejas era entre a “Número 1” e a “cerveja para quem veio aqui pra beber e não pra conversar” – lembra? Pois agora é entre produtos globais, industrializados e pausterizados, e cervejas artesanais, locais, com sabores diferenciados.


A Ambev é a principal fabricante de cerveja do Brasil - e sua matriz, a Inbev, é a maior do mundo. Cada brasileiro consume em média seis litros de ceva por mês, o que nos dá o troféu de ser o terceiro país que mais consome cerveja no mundo, atrás da China e Estados Unidos. A Skol é a marca mais vendida, seguida pela Brahma e Antarctica, todas três marcas da Ambev que tem cêrca de 100 marcas em diferentes categorias. E agora passou a ter cervejas com identidade territorial. Sou suspeito para falar orque sou gaúcho, mas creio que a Cerveja Polar, criada no Rio Grande do Sul em 1929, e desde 1972 controlada pela Ambev, pode ser considerada com identidade territorial por causa da linguagem gauchesca que ela utiliza. Já escrevi sobre isso, veja aqui: https://wpconseld.com.br/invinoviajas/2018/04/conheca-a-polar/


Pois para completar o portfólio – e também para enfrentar o crescimento das cervejass artesanais - a Ambev investiu no desenvolvimento de cervejas de aipim, criando quatro rótulos de bebidas regionais: Magnífica, do Maranhão; Nossa, de Pernambuco; Legítima, do Ceará; e Esmera, de Goiás. Além do aipim, o caju também entrou na mira da Ambev e fez o quinto rótulo regional: a Berrió - do Piauí.

Para manter o ritmo de produção adequado, a empresa estea contando com uma rede de 10 mil produtores agrícolas gamiliares nesses estados, que vão garantir o fornecimento dos ingredients. E de quebra conseguiu movimentar a economia local, contribuindo com a redução da desigualdade social em áreas rurais. Por causa destes produtos a Ambev ganhou o prêmio Pandemic Response 2021 do World Changing Ideas Awards, promovido pela publicação americana de tecnologia, negócios e design Fast Company.

O projeto comprovou que as lavouras de cada região podem ser valorizadas e ao contrário da agricultura de exportação – o agribusiness – na agricultura familiar e no extrativismo os agricultores podem cultivar ingredientes nativos de sua região, permitindo a criação de novos produtos com origem e identidade local, como para estas cervejas. Aliás, estas cinco marcas de cervejas serão vendidas apenas nas regiões de produção.
 

Pois é: cervejas com aipim e caju – patrimônios territoriais e ancestrais – estão modernizando o sabor das cervejas da Ambev. E seguindo a trilha das cervejas artesanais, geram emprego e renda para pequenos produtores.

Isso não foi por acaso, a Ambev não é o único gigante global que está de olho na mega tendência de apostar nos produtos locais, mesmo sendo grandes players locais. A Sadia – maior produtor de proteina de frangos do mundo – lançou em 2019 o Bio, da Série Origens, o primeiro frango com nome e endereço do Brasil; veja aqui: https://www.invinoviajas.com/2020/03/sadia-bio-conheca-o-primeiro-frango/ ou aqui: https://invinoviajas.blogspot.com/2020/03/brasil-ja-tem-o-primeiro-frango-com.html


A Três Corações, talvez o maior produtor brasileiro e um dos gigantes da exportação de cafés, está investindo em produtos bem pequeninos, com a marca Rituais Cafés Especiais, uma clara declaração de amor à valorização da identidade territorial – veja aqui: https://www.invinoviajas.com/2020/09/porque/

O Pão de Açúcar, o maior varejista da America Latina, investe na comercialização de produtos pequenos e desconhecidos como a pimento Jiquitaia, produzida por cerca de 80 mulheres da tribo Baniwa, da Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas. E também vendee m algumas lojas o tucupi preto, a farinha de baru, pequenos queijos regionais, geléias de frutas amazônica e outros produtos territoriais minúsculos, produzidos por agricultura familiar, extrativistas ou grupos comunitários, que representam menos de 0,00000001 % da oferta do supermercado. Veja aqui: https://www.invinoviajas.com/2020/05/indias-baniwa-da-amazonia/ ou aqui: https://invinoviajas.blogspot.com/2020/05/porque-o-maior-varejista-da-america.html

Então, meu caro leitor ou leitora, não se espante ao ver cada vez mais produtores globais lançando produtos locais. E continue a ler In Vino Viajas – o blogue brasileiro que está à frente desta tendência – há muitos anos!!!!

terça-feira, 25 de maio de 2021

Arqueólogos e chefes de cozinha vão recriar o garum, um molho de peixe da Roma Antiga, desaparecido há 15 séculos

 

Por Rogerio Ruschel

Meu prezado amigo ou amiga, arqueólogos e chefes de cozinha portugueses vão recriar um molho de peixe muito utilizado na Antiguidade, e que desapareceu há cerca de 15 séculos: o garum, garo ou liquamen. O dia do início do processo preodutivo que pode levar até tres meses, é hoje: 26 de maio de 2021.

O garo (também chamado de garum, nome romano de um tipo de peixe) era um molho muito apreciado na Antiguidade, especialmente na Roma Antiga, de onde chegou na Peninsula Ibérica: na região do Alentejo Litoral, onde estão as ruínas romanas da cidade portuguesa de Tróia - o maior centro industrial de salgas de peixe do Império Romano - foram encontrados lagares para fazer o tal molho de peixe.

O garo era também muito requisitado em mesas chiques de outas regiões do mundo conhecido na Antiguidade, como em Atenas, na Grécia, onde foram encontrados vestígios de garo datadas do ano 5 a.C. Pesquisadores dizem que o garo era feito de sangue, tripas e outras partes de atum ou cavala, misturadas com sobras de outros peixes, crustáceos e moluscos esmagados. Esta preciosa mistura era deixada em salmoura durante cerca de dois meses, fedendo muito – tanto que o local da salga era bem distante dos centros urbanos!

Era um produto de alto luxo: registros mostram que 6,5 litros de garo foram vendidos por 1.000 denários – e saiba que um denário dava para comprar até 8 quilos de pão!

Pois na Península de Tróia, a menos de uma hora de Lisboa, região de badaladas praias e muitos hoteis charmosos, também está um conjunto de ruínas romanas onde foram encontrados lagares de produção do tal tempero. Neste local a equipe de arqueologia, do Tróia Resort, e do restaurante Can the Can vão realizar, depois de quinze séculos, uma produção de garo num dos tanques de salga de peixe deste complexo arqueológico.

O projeto se insere no Selo de Mar do Can the Can — conduzido pelo designer e investigador Victor Vicente e o chef Pedro Almeida — que visa estudar e recuperar as técnicas de conservação de pescado e inovar a partir da tradição. A equipe de arqueologia do sítio arqueológico de Tróia é liderada por Inês Vaz Pinto e conta com a participação das pesquisadoras na área alimentar Marisa Santos, Catarina Prista e Anabela Raymundo, do Centro de Investigação em Agronomia, Alimentos, Ambiente e Paisagem do Instituto Superior de Agronomia, e da zooarqueóloga Sônia Gabriel e da palinóloga Patrícia Mendes, do Laboratório de Arqueociências da Direcção Geral do Património Cultural.

O produto a ser recriado será um garo de sardinha num dos tanques das Ruínas Romanas de Tróia, na margem sul do estuário do Sado, a poucos quilómetros de Setúbal, um sítio arqueológico reconhecido como Monumento Nacional desde 1910 e inscrito, desde 2016, na Lista Indicativa Portuguesa do Patrimônio Mundial da Unesco,

O molho começará a ser feito no dia dia 26 de Maio, mês da deusa Maia, deusa romana da fertilidade, e será feito com 400 kg de sardinha fresca de Setúbal e sal produzido no vale do Sado – todos produtos com identidade local. Os cerca de 200 a 300 litros de molho produzido serão comercializados, embora não se saiba ainda detalhes.

Altamente protéico, o garo era usado como condimento e para aumentar a intensidade do sabor dos alimentos, sendo muito apreciado. Podia ser feito a partir de diversos tipos de peixe como sardinhas, anchovas, cavala, atum, moreias e outros tipos de pescado, que determinavam a sua qualidade e o seu preço. Em Tróia foram encontrados principalmente vestígios de sardinha, razão da escolha desta espécie para esta produção, além do simbolismo que a mesma representa para Portugal.

Fonte: Agricultura e Mar Actual

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Os 20 benefícios de produtos e turismo com identidade territorial para o desenvolvimento local

 

Por Rogerio Ruschel*

 

Prezado leitor ou leitora, Muitos de nossos municípios foram duramente atingidos pela pandemia, especialmente os pequenos, porque práticamente todos os setores econômicos entraram em crise ao mesmo tempo: o comércio, a agricultura familiar, o turismo e as cadeias produtivas associadas a eles. Pois agora os potenciais consumidores dos produtos e serviços destas atividades estão ansiosos pela volta ao “normal” e começam a reaprender a trabalhar, a viajar, a consumir. Então dirigentes e gestores das cadeias produtivas do comércio, turismo, gastronomia, hotelaria, agricultura, industrialização e das indústrias criativas dos municípios precisam reaprender a viver. Vai ser difícil, mas em marketing se sabe que toda crise gera oportunidades – e neste caso muitas delas estão próximas, em casa, na sua rua, estocadas ao seu lado, só é preciso enxergá-las com as lentes da criatividade e – como se diz de maneira bem adequada – “fora da caixinha”.

 

Mas antes anote: a mensagem de mobilização que mais se ouve é “Prefira o comércio local”, mas eu sugiro que ela seja substituída por outra muito mais adequada: “Prefira o Produto local no Comércio local”. Sim, porque produtos locais tem um efeito multiplicador na geração de renda e emprego que amplia o comércio. E aí vai outra mensagem: para que fiquem mais competitivos, podemos agregar valor aos produtos locais por sua origem, sua identidade territorial, isto é valorizando o fato de que ele utiliza patrimônios disponíveis no SEU território e na SUA comunidade. Com isso eles se tornam Produtos ou Serviços de Base Local, os únicos que tem uma identidade territorial e os únicos que podem agregar valor de mercado diferenciado por causa disso. Sabe porque? Veja no quadro que abre este atigo.

 

Exemplos bastante conhecidos estão em agroalimentos, onde vários produtos tem uma percepção de valor ampliada no mercado global exatamente porque tem um “credenciamento” que vem do território onde são produzidos (como queijo Gruyére, vinho Bordeaux, Café da Colombia, Café do Cerrado Mineiro, chá Darjeeling, cachaça de Paraty, sapato de Franca, espumante de Champagne, presunto de Parma, etc.) ou pela matéria-prima ou processo utilizado para produzi-los (como Presunto Pata Negra da Extremadura, vinho de talha do Alentejo, própolis vermelho de Alagoas).

 

Estes são típicamente produtos Locais, de Agricultura Familiar, de pequenas indústrias, ou extrativismo, são produzidos em regiões delimitadas (territórios não necessáriamente limitados políticamente) e certificados com uma Identidade Geográfica - IG. Eles são produtos Locais mas se tornaram Globais, agregando valor de até 270% a mais no preço, conforme o relatório “European Commission - “Study on economic value of EU quality schemes, geographical indications (GIs) and traditional specialities guaranteed (TSGs)” de abril/2020.

 

Mas um produto que tem como “sobrenome” um território respeitável agrega valor não só a agroalimentos, mas a qualquer produto como por exemplo mármore de Carrara e a seda da China; ou a pessoas, como Leonardo da Vinci, Isabel de Castela ou Jesus da Galileia.

 

Porque isso acontece? Porque produtos locais não são padronizados e têm valores endógenos que derivam de sua origem, território, modo de fazer ou prática comunitária, de sua história, cultura, herança social – e isso cria um diferencial de marketing. Estes valores se tornam diferenciais exclusivos que não podem ser trocados, vendidos, ou modificados porque fazem parte de sua identidade. Por exemplo, o fabricante de outra região pode copiar seu produto mas não pode copiar o clima da sua cidade. A gestão do marketing de produtos locais o chamado brandingse baseia em valorizar estes diferenciais exclusivos e inimitáveis, o que valorize também o território que é seu “sobrenome”.

 

Ao contrário, a força de um produto global, similar e padronizado - como seu celular, pasta de dentes, um automóvel - está na produção em escala; sempre que o fabricante agrega um diferencial a um produto de linha (feature, matéria-prima, função, etc.), este diferencial é adotado para o produto ser produzido em todas as fábricas - e é imediatamente copiado pela concorrência. Assim, o valor do produto global está na marca (brand) que é um elemento externo, que pode ser trocado, copiado, falsificado, vendido. A gestão do marketing - o branding – de produtos globais se baseia em defender a marca contra similares e cópias.

 

O quadro abaixo resume a importância dos diferenciais competitivos no branding de marketing de diferentes épocas.


E quais são os patrimônios do território e da comunidade que podem estar associados a seu produto ou serviço? Vários, muitos, entre os quais recursos tangíveis e intangíveis de diferentes dimensões como:

 

·      Produtivos: como terras, plantios, maquinaria, infra-estruturas

·      Naturais: paisagens, solo, minerais, fauna, flora, água, ambiente natural

·      Intelectuais: o saber fazer, conhecimento, experiências, criatividade

·      Culturais: patrimônio histórico e cultural, acervo cultural comunitário

·      Sociais: valores, estruturas sociais, união, herança social comunitária, entre outros.

 

Um bom exemplo: as cervejas artedsanais (isto é, Locais) simplesmente estnao ocupando os espaços comerciais das cervejas industriais.

 

Outro exemplo: plantar lavanda é uma atividade agrícola na França (e em vários países), com o objetivo de produzir essências para perfumes e outros insumos industriais.

Um dia alguém resolveu transformar a lavanda em flor em uma atração turística e surgiram produtos como “romance na Provence”, “lua de mel com lavadas em flor” e outros.

Chega? Não, porque outro “alguém” teve a ideia de personalizar o lavandário francês com outro patrimônio francês, realizando desfiles de moda entre as flores.

 


Apostar nos produtos locais exige primeiro que a comunidade entenda o valor disso e perceba que precisa se unir; exige das liderancas do território promover a união de forças em vez da concorrência, para ampliar os poucos recursos financeiros disponiveis. Esta sinergia gera vários benefícios coletivos, entre os quais:

 

·      Aumenta a auto-estima dos moradores

·      Compartilha despesas com promoção e divulgação

·      Compartilha esforços de gestão

·      Contribui para a estruturação de cadeias produtivas de base local

·      Estimula a organização de grupos produtivos locais – APL

·      Facilita o desenvolvimento de novos produtos e sub-produtos

·      Valoriza a cultura local e Valorizar as propriedades rurais.

 

Mas a aposta em produtos locais com identidade territorial e comunitária também ajuda a alavancar o marketing, e entre os beneficios de marketing de uso do patrimonio territorial estão:

 

·      Aproveita oportunidades de nicho – cria produtos sem concorrência

·      Ganha espaço e visibilidade nas redes sociais – porque é novo

·      Enriquece o portfólio de ofertas do município – porque não precisa parar com os produtos antigos

·      Se beneficia da identidade do território

·      Evita comparação direta de preços

·      Atrai compradores pioneiros - que lideram tendências, postam e são seguidos

 

O turismo é uma atividade que se beneficia enormemente com uma identidade territorial e com isso mobiliza muitas cadeias produtivas na agricultura, industrialiazação e no comércio locais. Por exemplo a identidade territorial pode estar em atrações exclusivas, em Roteiros baseados na história, Roteiros baseados na geografia, Roteiros baseados na etnia e folclore, na natureza diferenciada, em sabores peculiares, em suvenirs com identidade.

 

Na Gastronomia a identidade vai estar em Pratos fpicos, Pratos étnicos, Receitas locais, Temperos exclusivos, Produtos exclusivos, Associando pratos à história e geografia, Associando pratos à cultura e arte.

 

Para encerrar, lembro duas coisas: a primeira é uma frase do “papa” mundial do marketing, Philip Kotler, que diz com sabedoria óbvia: “Os problemas de mercado de um produto só podem ser resolvidos de um jeito: atuando no mercado”.  A segunda mensagem também é óbvia: não adianta ter o melhor produto e a mehor estratégia, se o mundo não souber que seu produto existe. Então anuncie, divulgue, promova, se comunique para afugentar a bruxa da pandemia.

 

Porque os seus concorrentes vão fazer o mesmo, e podem engolir todos os clientes que planejavam conhecer o seu território e comprar os seus produtos e serviços.

 

Vamos em frente, porque quem fica parado é poste.

 

*Rogerio Raupp Ruschel é jornalista, consultor, professor e editor. Leia artigos sobre o valor dos produtos locais em “In Vino Viajas” (https://wpconseld.com.br/invinoviajas/) e veja 27 pequenos e divertidos vídeos de casos de sucesso de produtos globais que se tornaram globais no WebCanal TNFDQ – Tesouros no Fundo do Quintal em (https://www.youtube.com/channel/UCc4c2FU6Z88_XU_2I2lFbmA )