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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Vinho português aposta na Copa do Mundo, no sucesso da seleção e em Cristiano Ronaldo para aumentar as vendas no Brasil

Por João Monge Ferreira (*)

Os produtores de vinho português querem usar o Mundial de Futebol de 2014 para promover a imagem de Portugal no Brasil e incrementar as vendas – e começaram participando da ExpoVinis 2014, o principal evento do setor na América Latina, realizada de 22 a 24 de abril em São Paulo - SP. (Abaixo, uma imagem do Douro).
“O Mundial é importante porque ajuda a falar de Portugal no Brasil, e haverá muitos estrangeiros no país que bebem vinhos portugueses”, afirmou João Machado, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e produtor de vinho. Por outro lado, a visibilidade de Cristiano Ronaldo também poderá ajudar à promoção dos produtos portugueses, considerou João Machado, esperando que a claque da equipa vencedora “comemore o título com vinho português”.
O produtor vinícola e diretor da Federação Nacional das Adegas Cooperativas de Portugal (Fenadegas) Victor Damião acrescentou que haverá também mais portugueses no Brasil durante o evento, entre turistas e profissionais, o que irá também ajudar à promoção. (Na foto abaixo cais no Alentejo em foto de Antonio Laranjeira).
No total, 47 produtores portugueses de várias regiões demarcadas (veja imagem abaixo) participaram este ano na Expovinis Brasil, em torno da entidade ViniPortugal, a associação interprofissional privada que promove no exterior a imagem de Portugal enquanto produtor de vinhos. Entre os participantes estiveram produtores ligados a entidades como CAP, Fenadegas, Vinhos do Alentejo, Vinhos de Lisboa, Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, e empresas já com sede no Brasil, como a Adega Alentejana. A expectativa dos produtores é aumentar a exportação para o Brasil, após um tímido crescimento em 2013, de 1%.
A gestora de mercado da ViniPortugal, Sónia Vieira, afirmou que o resultado do ano passado teve como principal causa o crescimento também tímido da economia brasileira, mas que o país ainda tem espaço para uma maior presença de vinhos portugueses. O consumo per capita de vinho no Brasil é de apenas dois litros por ano, enquanto em Portugal chega a 42 litros. Por isso, o país tem potencial crescimento, salienta Sónia Vieira. Neste ano, a ViniPortugal esteve presente na Expovinis com uma área dedicada a seminários e educação de profissionais. Os produtores da CAP pela primeira vez contaram com o auxílio de dois fundos públicos de financiamento, da União Europeia e de Portugal, que suportaram 75% do custo de participação no evento. Produtores ligados à Fenadegas afirmaram que aproveitaram a presença no Brasil para participar de outros eventos de promoção do vinho, no interior de São Paulo e no Rio de Janeiro.
Dois vinhos portugueses foram escolhidos para o “top ten” da Expovinis, que reúne os dez melhores vinhos expostos, segundo jurados profissionais. Um deles é o Scala Coeli, eleito como o melhor tinto da península Ibérica, produzido pela Adega Alentejana. No Brasil, ele é vendido a 560 reais (180 Euros). O escolhido como melhor vinho fortificado e doce foi o Andresen Porto White 10 Years, da região do Douro, distribuído pela Lusovini, que é vendido no Brasil a 207 reais (66,6 Euros).

Outros posts da série Taças na Copa:
Os vinhos do craque espanhol Andrés Iniesta:
http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/04/conheca-iniesta-campeao-do-mundo-pela.html
Sobre o Faces, o vinho oficial da Copa do Mundo 2014 da FIFA: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/05/um-brinde-copa-do-mundo-2014-com-o.html
Sobre o vinho do craque Leonel Messi:

(*) João Monge Ferreira é português, editor do blog “João Sem Vinho”, Diretor Geral das organizações Pequenos Produtores Portugueses, Novos Rurais/Farming Culture e EcoCasa Portuguesa.
Saiba mais sobre vinhos protugueses no site João sem Vinho -  http://joaosemvinho.blogspot.com.br

domingo, 11 de maio de 2014

A cultura do vinho e seus rótulos criativos: cartas na mesa, espantalhos no vinhedo e lenha na lareira

Por Rogerio Ruschel (*) 
Apostando na mão - House of Cards
Para os enólogos em geral a produção de uvas e vinho é sempre uma espécie de jogo, porque nunca se sabe como vai ser o clima, qual a temperatura, a quantidade de chuva na colheita, a presença de pragas e outras dúvidas – e isso sem falar nas flutuações do mercado e se o governo não vai aumentar os impostos...

Mas isso fica pior ainda quando você se propõe a andar na contra-mão da correnteza e decide produzir vinhos orgânicos, o que é mais caro e mais inseguro como investimento. Os produtores e enólogos Margaret River Liz e Travis Wray confiaram em seu trabalho e na boa localização de seus vinhedos – em Caves Road, na extremidade norte da região vinícola do Rio Margaret, no oeste da Austrália.

Eles recuperaram a terra utilizando apenas princípios da biodinâmica e fizeram uma aposta alta em vinhos orgânicos. Os vizinhos disseram que era um jogo que eles iam perder, mas eles não perderam. E para comemorar a vitória sobre o azar, deram o nome de House of Cards ao vinhedo, à empresa e aos vinhos produzidos

Espantalhos, os guardiões do vinhedo





Propriedade de antiga família de produtores de vinho de prestígio, com laços estreitos com a terra, com os vinhedos e até mesmo com os edifícios históricos de Mantinea Nemea no Peloponeso, Grécia, a vinícola Spiropoulos-Meliastro mudou para métodos de agricultura biológica com um objetivo claro: para produzir uvas e vinhos de alta qualidade com o máximo de atenção à proteção do ecossistema e do meio ambiente.

Tudo isso acabou inspirando uma figura simpática, protetora da agricultura e provavelmente universal: o espantalho. O espantalho (ou The Guardianas, em inglês) é um elemento de arte popular que tem sido objeto de fascínio para os artistas e pessoas da cidade também. Festivais são organizados em todo o mundo para celebrar a imaginação e criatividade das pessoas envolvidas na sua preparação. 

A agência Mousegraphics contratou um artista grego conhecido por desenhar e projetar espantalhos, para representar três rótulos diferentes. A marca "Os Guardiões" é acompanhado de uma pequena frase: "Para servir e proteger os segredos de um bom vinho", que resume o conceito de projeto e suas referências. Um livreto acompanha o produto (veja acima).

Um vinho na lareira 


Ao criar um presente de fim de ano para seus clientes e amigos, a agência de publicidade Cole & Weber utilizou vinhos produzidos por um cliente e decidiu fazer dois presentes em um. Colocou uma garrafa do vinho tinto dentro de uma embalagem imitando um pedaço de pinho (madeira para lareira), junto com uma caixa de fósforos, acompanhado de um folheto com instruções informando sobre como levar o pacote para a lareira, acendê-lo com os fósforos e desfrutar de uma taça de vinho e boa companhia junto ao fogo. É claro que  estas instruções parecem desnecessárias, mas na verdade são necessárias para ter alguma mensagem de quem está doando o presente.



(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e gosta de jogar cartas – e de ganhar!.




segunda-feira, 5 de maio de 2014

Messi vai levantar a taça - mas vai ser uma taça do vinho "Leo" em Avilés, na Espanha, no Famous Wine Festival


Por Rogerio Ruschel (*)

Entre 12 de junho e 16 de julho de 2014 o craque Lionel Messi estará no Brasil tentando levantar a taça da Copa do Mundo para a Argentina, mas não vai conseguir por duas razões: primeiro porque o Brasil será penta-campeão e em segundo lugar porque do jeito que andam as coisas no Barcelona, este ano Messi não vai ganhar mais nada... Mas o craque, pelo menos em pensamento, estará em Avilés, cidade da Asturias, na Espanha, onde na mesma época milhares de pessoas vão levantar taças com vinhos de sua marca – a Leo – durante a quinta edição do Famous Wine Festival (FWF).Que, aliás, é um grande sucesso.

O Famous Wine Festival é realizado no contexto do “Plan de Competitividad de Turismo Gastronómico de Asturias”, que associa cultura, arte, vinho e gastonomia na região do Principado de Astúrias. O festival é realizado há 4 anos e tem uma característica interessante: usa personalidades para fazer o lançamento de vinhos com suas marcas, como já o fez com Gerard Depardieu, Brad Pitt e Angelina Jolie, Iniesta (veja em outro post), Francis Ford Coppola e Julio Iglesias, entre outros. Neste ano de 2014 os produtos mais badalados serão os das marcas George Clooney (sim, o bonitão multi-premiado por Hollywood) e Lionel Messi – mas nenhum dos dois já confirmou presença.

Aliás, o Messi é mesmo um cara esperto: todo mundo estranhou o terno vermelho cor de vinho tinto (foto abaixo) utilizado por ele no evento da Bola de Ouro em janeiro deste ano, quando o português Cristiano Ronaldo ganhou o prêmio de melhor jogador de futebol do mundo.

Messi se destacava na multidão de ternos pretos (veja na foto abaixo ele está do ladoe esquerdo), por causa do terno cor de vinho criado pela Dolce & Gabbana e que, segundo dizem, Messi utilizou pela módica quantia de 1 milhão de Euros. Quer dizer: além de ganhar esta grana toda da Dolce & Gabbana, ainda conseguiu uma foto muito adequada para a vinicola argentina promover seu produto. O cara é bom mesmo!

Os vinhos com a marca Leo, o apelido de Lionel Messi, foram lançados pela Vinicola Bianchi, de San Rafael, Mendoza, Argentina, em 2012, e estão sendo vendidos em 35 paises; parte do lucro das vendas é destinado à Fundação Lionel Messi, para projetos sociais como o atendimento a crianças pobres da Argentina que o craque faz questão de realizar.

Os vinhos Leo tem preços acessíveis – pelo menos na Argentina: o vinho branco e o tinto malbec custam em torno de R$ 14,50; o espumante Extra Brut foi lançado custando R$ 26,40 e a a linha mais sofisticada, com a cepa Malbec Premium foi lançado custando pouco mais de 30 Reais. Os produtos da Vinicola Bianchi podem ser encontrados com facilidade no Brasil – pelo menos o vinho Don Valentín, um dos mais vendidos.

E quando você estiver em Avilés para comer e beber as atrações gastronômicas do Festival, aproveite e visite um pedacinho do Brasil que está lá: o Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer. Em 1989 o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias e anos depois criou e doou à cidade o projeto de um centro cultural que foi construído pelo governo espanhol e inaugurado em 2011- veja abaixo, é um legítimo Niemeyer.
O centro é o único projeto de Niemeyer na Espanha e inclui um Auditório para cerca de 1.100 espectadores; a Cúpula, que é um espaço de exposição com cerca de 4.000 m²; a Torre, que é um mirante sobre o estuário e a cidade, com 13 metros de altura, onde fica um restaurante, e o Film Centre, um conjunto de espaços para ensaios, reuniões, seminários e conferências.



Outros posts da série Taças na Copa:
Os vinhos do craque espanhol Andrés Iniesta:

Sobre o Faces, o vinho oficial da Copa do Mundo 2014 da FIFA: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/05/um-brinde-copa-do-mundo-2014-com-o.html

(*) Rogerio Ruschel mora e trabalha em São Paulo, é jornalista, enófilo e vai ter o prazer de ver o Brasil levantar a taça Copa do Mundo 2014

 


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Um brinde à Copa do Mundo 2014 com o Faces, o vinho oficial da FIFA, um vinho brasileiro que revela o Brasil.


Por Sonia Denicol (*) 
Semana passada estive na Expovinis, uma feira internacional de vinhos que estava sendo realizada em São Paulo, e vivi um momento bem especial. Há 10 anos atrás eu conheci um pequeno projeto da Vinícola Lidio Carraro, de Bento Gonçalves, no sul do Brasil, que chamava atenção do mercado por sua ousadia de produzir vinhos com uma proposta purista, sem uso de barricas de madeira, sem intervenções ou correções e sem filtragens. Tudo em prol de revelar um vinho com identidade brasileira. (Abaixo, parte dos vinhedos da Lidio Carraro).

Uma identidade que para esta família (veja na foto abaixo) sempre esteve focada no trabalho no campo, no solo, estudado minuciosamente por sua carismática e competente enóloga, a Monica Rossetti, com quem tive o privilégio de andar pelos vinhedos, pelas parcelas demarcadas por ela, de acordo com tipo de solo e inclinação, para conhecer a fundo o que cada uma delas era capaz de revelar em cada um dos vinhos. Que trabalho lindo, naquele momento confesso que chorei! E foram estes vinhos que me fizeram enveredar na busca pelos caminhos das pequenas produções mais puras e autênticas, e que me fizeram descobrir um outro Brasil produtor de vinhos, diferente daquele que a gente conhecia até então.

Que ousadia foi esse projeto, bem vinda ousadia! Lembro que na época choveram críticas dos defensores dos vinhos super-encorpados, amadeirados e alcoólicos, de preferência de origem não nacional. Natural, afinal tudo que é diferente causa impacto e rejeição. Mas a Lídio Carraro não se deixou abater, seguiu em frente, sem se render aos padrões. E valeu a pena! O projeto cresceu e se consolidou, a ponto da vinícola ser escolhida pela FIFA para produzir o vinho representante da Copa do Mundo de 2014. (Abaixo, a fonte do vinho da Copa do Mundo: os vinhedos da Lidio Carraro em Bento Gonçalves, sul do Brasil)


Pois semana passada reencontrei a querida Monica Rossetti (veja na foto abaixo) pelos corredores da Expovinis, algo raro nos últimos anos, já que atualmente ela se divide entre a produção dos vinhos da Lídio aqui no Brasil e seus estudos na Itália. Ela me convidou para assistir a palestra que estava indo ministrar naquele momento para contar sobre o projeto Faces, o vinho da Copa. Foi muito interessante conhecer como foi pensado todo esse projeto - pena não ver nenhum formador de opinião ou crítico de vinhos na sala...

Quando a Lídio foi convidada para produzir o vinho da Copa logo a ideia foi a de buscar um vinho que revelasse o Brasil para o mundo, um país marcado pela diversidade. O desafio era então produzir um vinho especial, em volume suficiente, com qualidade, que revelasse a identidade do vinho brasileiro para o mundo e, muito importante, que pudesse ser bebido e entendido facilmente por todos os consumidores, iniciantes e iniciados, brasileiros e estrangeiros. Fazendo uma analogia com o evento a que este vinho se destinava, a proposta foi então de buscar uma seleção de uvas que pudesse compor um time equilibrado e expressivo para representar o vinho do Brasil. O Rio Grande do Sul foi o terroir eleito para a seleção das uvas, já que o estado é responsável por 90% da produção nacional, e onde estão plantadas todas as variedades mais representativas.

Foram elaborados 3 vinhos, um branco, um rosé e um tinto (veja o tinto, acima), todos com a proposta de expressar a diversidade, a descontração e a alegria dos brasileiros. (Veja na foto abaixo a embalagem com os produtos finais sendo apresentados para a presidenta do Brasil,  Dilma Rousseff). O branco é um assemblage das uvas mais representativas: Moscato Bianco, Chardonnay e Riesling Itálico, cada uma aportando ao vinho suas características mais peculiares, com os aromas deliciosos da Moscato, a elegância da Chardonnay e o frescor da Riesling. Um vinho para contar um pouco da história e trazer a alegria. O rosé foi pensado para homenagear a descontração e a sensualidade dos brasileiros, com um vinho versátil e gastronômico, capaz de harmonizar com a vasta culinária brasileira. Para esta seleção foram escaladas a Pinot Noir, a Merlot e a Touriga Nacional.

Depois de uma longa reflexão, o tinto veio de uma inspiração que a Monica teve enquanto assistia a uma partida de futebol: fazer uma seleção de 11 uvas. E aí veio o desafio: que time escalar? E qual seria a tática?  A estratégia foi selecionar uvas para, nas palavras da Monica “criar um vinho com intensidade de aromas, muita fruta, boca agradável e bom corpo.” Definida a tática ficou fácil escalar o time, composto Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Tempranillo, Pinot Noir, Teroldego, Tannat, Nebbiolo, Merlot, Ancelotta e Alicante Bouschet, com o arremate macio e doce da Malbec para finalização do paladar. (Abaixo, veja os diversos vinhos que “entraram em campo” para fazer o belnd final do Faces tinto).

Um vinho que sem dúvida mostra as belezas e os sabores da nossa diversidade, que não se define por um único povo, assim como nosso vinho não se define por uma única uva. É mais do que um simples símbolo produzido para a Copa, é um vinho para mostrar ao mundo um até então desconhecido Brasil produtor de vinhos. 



Para finalizar esta apresentação especial, fomos brindados com uma degustação em primeira mão do lançamento da vinícola, o Merlot 2008 comemorativo aos 10 anos da Lídio Carraro. Um vinho de incrível estrutura, mostrando a força e a raça das terras de Encruzilhada do Sul.  Com a presença tímida e emocionante do Sr. Lídio Carraro, que começou este projeto, brindamos a estes 10 anos de trabalho bem sucedido (na foto acima, Monica Rosseti, Lídio Carraro e Patricia Carraro). E eu, em silêncio com minha taça, comemorei com este vinho meus 10 anos de trabalho!  (Abaixo, Sonia Denicol em Verona, Itália.)


Outros posts da série Taças na Copa:
Os vinhos do craque espanhol Andrés Iniesta:

Sobre o Faces, o vinho oficial da Copa do Mundo 2014 da FIFA: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/05/um-brinde-copa-do-mundo-2014-com-o.html

 
 (*) Sonia Denicol é sommelier com grau 3 na Wine & Spirit Education Trust, trabalha com vinhos há 10 anos e registra suas descobertas no blog http://madamedovinho.blogspot.com.br/, com o pseudônimo de Madame do Vinho, uma autora com muita sensibilidade e apaixonada por vinhos brasileiros.