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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O enoturismo uniu a América Latina e a Europa no VI Congresso Latino Americano de Enoturismo em Mendoza, Argentina

Por Ivane Fávero, Vice-Presidente da Aenotur (*)
Meu caro leitor ou leitora, a Aenotur - Associação Internacional de Enoturismo, foi criada em maio de 2014 na Espanha e atualmente reúne mais de 200 municípios, diretamente ou através de entidades associativas nacionais, de sete países - Argentina, Brasil, Portugal, Espanha, Italia, França e Portugal. In Vino Viajas tem acompanhado os congressos internacionais da entidade para manter seus leitores bem informados. Leiaa seguir o relato das conclusões do 6o. evento em território da América do Sul, feito por uma de suas mais importantes lideranças, Ivane Favero, Secretária de Turismo de Garibaldi-RS e Vice-Presidente da Aenotur. Com a palavra, Ivane Favero.
 “Juntos somos fortes. Juntos somos melhores!” Essa é a frase que expressa a 6ª edição do Congresso Latino Americano de Enoturismo, realizado nos dias 17 e 18 de novembro, em San Rafael, Mendoza, Argentina. Isso pode ser expresso pela organização compartilhada entre diferentes entes, como o Ministério de Turismo da Argentina, a Província de Mendoza, o Município de San Rafael e as ‘Bodegas de Argentina’ que, juntamente com a Associação Internacional de Enoturismo – Aenotur, trabalharam sabiamente com os distintos saberes e poderes, realizando um excelente congresso. Na foto abaixo uma das atrações turísticas de San Rafael: los 'Reyunos'.
A participação de diferentes países (Argentina, Brasil, Chile, Estados Unidos, França, Portugal e Uruguai) compartilhando experiências exitosas e também dificuldades no enoturismo, demonstra o quanto a união pode fortalecer o setor do enoturismo. Não somos concorrentes no enoturismo, somos parceiros, e, desde agora, trabalharemos em algumas frentes conjuntas. Neste sentido, os participantes e dirigentes do evento fizeram 12 encaminhamentos:
1) Criação e comercialização de roteiros integrados, unindo o Brasil, Uruguay, Argentina e Chile, com a iniciativa assumida por agências e operadoras destes países, conforme apresentação feita pela Diretora da Ketek Eventos & Turismo, Romanella Paggi;
2) Implantação das ‘Cidades do Vinho’, em parceria com a Recevin – Rede Europeia das cidades do Vinho, a exemplo do que acontece na Europa, tendo o apoio do Presidente da entidade, José Calixto, que reforçou o apoio da Aenotur através de videoconferência;
3) Adoção do ‘Dia Mundial do Enoturismo’ por todos os associados da Aenotur, a ser comemorado no 2° domingo de novembro. (O Governador da Província de Mendoza, Alfredo Cornejo, prestigiou o evento – foto abaixo);
4) Ampliação dos associados da Aenotur, sendo que a Argentina deverá associar suas regiões vitivinícolas, conforme expressado pela Subsecretária de Desenvolvimento Turístico do Ministério de Turismo, Silvana Arrieta. O Chile também deverá se associar, por meio da Rota de Vinhos do Vale de Colchagua, encaminhamento que terá Rodrigo Alcalde como articulador;
5) Realização de duas edições do Congresso de Enoturismo em 2017, sendo a primeira na Europa (Portugal e Espanha), possivelmente a ser realizado em maio, e na América Latina, no Chile, provavelmente sendo realizada em setembro. José Arruda, diretor da AMPV – Associação dos Municípios Portugueses do Vinho, de Portugal e Rodrigo Alcalde, do Chile, respectivamente deverão articular a realização das duas edições;
6) Realização das festividades em comemoração ao aniversário de três anos da Aenotur, em maio de 2017, com a inauguração da sede, em Viana do Castelo – Portugal, e a eleição da nova diretoria;
7) Promoção de um encontro de Rainhas das Festas da Vinha e do Vinho, a ser articulada pela Argentina;
8) Encaminhamento com a Recevin e Città del Vino – Associação Italiana das Cidades do Vinho, para realização do concurso internacional "La Selezione del Sindaco”, incluindo os municípios associados à Aenotur. (Na foto abaixo a participação de José Arruda, Diretor da AMPV – Associação dos Municípios Portugueses do Vinho.)
9) Disseminação do conhecimento sobre os museus do vinho, estimulando a implantação de novas ofertas, além da participação no próximo congresso promovido pela Recevin;
10) Promoção e participação na 2ª Conferência de Enoturismo, promovida pela Organização Mundial do Turismo – OMT, que será realizada em Mendoza - Argentina, de 22 a 24 de outubro de 2017;
11) Promoção e participação no III Simpósio Internacional Vinho e Saúde, a ser realizado em Bento Gonçalves – Rio Grande do Sul – Brasil, de 1° a 3 de junho de 2017;
12) Fortalecimento dos canais de comunicação (Fan Page, Grupo de Trabalho no Facebook, Site, e-mails e outros). Além da programação técnica de palestras, debates e reuniões, os participantes fizeram visitas técnicas a vinícolas como à Bodegas Roca; na foto abaixo, Alfredo Roca, Ivane Fávero e Silvina Arrieta.
Acima de tudo, enoturismo é convivência, para que o grupo siga unido e imbuído do espirito de construção conjunta. No âmbito das conclusões desta edição do congresso, temos:
1) Necessidade de compartilharmos experiências e realizarmos trabalhos em conjunto, para que possamos ampliar a competitividade dos destinos enoturísticos;
2) Novos destinos enoturísticos estão surgindo no mundo e estes precisam investir em inovação e criatividade, reforçando a identidade local, sua cultura e paisagem. Tal posicionamento também deve ser tomado pelos destinos já existentes;
3) Ser necessário que os destinos enoturísticos invistam em qualificação e capacitação profissional. Cursos de extensão e pós-graduação são os indicados, no momento, visando à agilidade nos processos e o envolvimento de profissionais, em diferentes níveis de educação e campos de atuação. (A Recevin – Rede Europeia de Cidades do Vinho apoiou o evento através de mensagem especial de seu presidente José Calixto exibida em um telão no auditório - foto abaixo).
4) Buscarmos a adequação das formas de promoção, adequando os destinos e empreendimentos enoturísticos aos novos tempos, com o advento da internet, utilizando-se de planos de marketing que privilegiem estratégias planejadas, integradoras, inovadoras e contínuas. A ‘inteligência de mercado’ deve ser aplicada;
5) Enfatizar mais a valorização da agricultura, da viticultura, do trabalho do engenheiro agrônomo, do território, o que deverá se refletir no vinho, na arquitetura e na gastronomia; ‘O vinho pode ser mais que uma indústria’;
6) Trabalharmos para o desenvolvimento do enoturismo (planejamento, desenvolvimento, promoção e monitoramento), contribuindo com a economia global e para o compartilhamento entre o setor público, privado e entidades. É fundamental que os governos destas nações, províncias ou estados e municípios apoiem o segmento, como estratégia para o desenvolvimento social e econômico. ‘Associativismo é um conceito de crescimento’. (Palestrantes e participantes de oito países compartilharam experiências e confraternizaram no evento - foto abaixo).
7) Buscarmos entender o perfil do enoturista e diferenciar seu atendimento, minimamente entre os ocasionais, interessados e conhecedores ou apaixonados;
8) Desenvolvermos combos, roteiros, produtos complementares e reforçar a complementação da oferta;
9) Promovermos a preservação do patrimônio e da paisagem vitivinícola, base da oferta enoturística.
Ao final de mais esta edição do Congresso Latino (ou Ibero) Americano de Enoturismo, a Aenotur agradece a hospitalidade de San Rafael – Mendoza – Argentina, a Terra do Espumante, e cumprimenta o município pela assinatura do ‘hermanamiento’, acordo de cooperação, com Garibaldi – Rio Grande do Sul – Brasil, a Capital Brasileira do Espumante. Garibaldi já possui protocolos de geminação com a cidade italiana de Conegliano, com a cidade portuguesa de Anadia, ambas capitais do espumante.
Saudamos a todos os congressistas e participantes do Congresso. Até a próxima edição!
(*) Ivane Fávero é Vice Presidente da Aenotur para a América Latina, e Secretária de Turismo e Cultura de Garibaldi - RS - Brasil e Consultora em Turismo

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Messi vai levantar a taça - mas vai ser uma taça do vinho "Leo" em Avilés, na Espanha, no Famous Wine Festival


Por Rogerio Ruschel (*)

Entre 12 de junho e 16 de julho de 2014 o craque Lionel Messi estará no Brasil tentando levantar a taça da Copa do Mundo para a Argentina, mas não vai conseguir por duas razões: primeiro porque o Brasil será penta-campeão e em segundo lugar porque do jeito que andam as coisas no Barcelona, este ano Messi não vai ganhar mais nada... Mas o craque, pelo menos em pensamento, estará em Avilés, cidade da Asturias, na Espanha, onde na mesma época milhares de pessoas vão levantar taças com vinhos de sua marca – a Leo – durante a quinta edição do Famous Wine Festival (FWF).Que, aliás, é um grande sucesso.

O Famous Wine Festival é realizado no contexto do “Plan de Competitividad de Turismo Gastronómico de Asturias”, que associa cultura, arte, vinho e gastonomia na região do Principado de Astúrias. O festival é realizado há 4 anos e tem uma característica interessante: usa personalidades para fazer o lançamento de vinhos com suas marcas, como já o fez com Gerard Depardieu, Brad Pitt e Angelina Jolie, Iniesta (veja em outro post), Francis Ford Coppola e Julio Iglesias, entre outros. Neste ano de 2014 os produtos mais badalados serão os das marcas George Clooney (sim, o bonitão multi-premiado por Hollywood) e Lionel Messi – mas nenhum dos dois já confirmou presença.

Aliás, o Messi é mesmo um cara esperto: todo mundo estranhou o terno vermelho cor de vinho tinto (foto abaixo) utilizado por ele no evento da Bola de Ouro em janeiro deste ano, quando o português Cristiano Ronaldo ganhou o prêmio de melhor jogador de futebol do mundo.

Messi se destacava na multidão de ternos pretos (veja na foto abaixo ele está do ladoe esquerdo), por causa do terno cor de vinho criado pela Dolce & Gabbana e que, segundo dizem, Messi utilizou pela módica quantia de 1 milhão de Euros. Quer dizer: além de ganhar esta grana toda da Dolce & Gabbana, ainda conseguiu uma foto muito adequada para a vinicola argentina promover seu produto. O cara é bom mesmo!

Os vinhos com a marca Leo, o apelido de Lionel Messi, foram lançados pela Vinicola Bianchi, de San Rafael, Mendoza, Argentina, em 2012, e estão sendo vendidos em 35 paises; parte do lucro das vendas é destinado à Fundação Lionel Messi, para projetos sociais como o atendimento a crianças pobres da Argentina que o craque faz questão de realizar.

Os vinhos Leo tem preços acessíveis – pelo menos na Argentina: o vinho branco e o tinto malbec custam em torno de R$ 14,50; o espumante Extra Brut foi lançado custando R$ 26,40 e a a linha mais sofisticada, com a cepa Malbec Premium foi lançado custando pouco mais de 30 Reais. Os produtos da Vinicola Bianchi podem ser encontrados com facilidade no Brasil – pelo menos o vinho Don Valentín, um dos mais vendidos.

E quando você estiver em Avilés para comer e beber as atrações gastronômicas do Festival, aproveite e visite um pedacinho do Brasil que está lá: o Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer. Em 1989 o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias e anos depois criou e doou à cidade o projeto de um centro cultural que foi construído pelo governo espanhol e inaugurado em 2011- veja abaixo, é um legítimo Niemeyer.
O centro é o único projeto de Niemeyer na Espanha e inclui um Auditório para cerca de 1.100 espectadores; a Cúpula, que é um espaço de exposição com cerca de 4.000 m²; a Torre, que é um mirante sobre o estuário e a cidade, com 13 metros de altura, onde fica um restaurante, e o Film Centre, um conjunto de espaços para ensaios, reuniões, seminários e conferências.



Outros posts da série Taças na Copa:
Os vinhos do craque espanhol Andrés Iniesta:

Sobre o Faces, o vinho oficial da Copa do Mundo 2014 da FIFA: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/05/um-brinde-copa-do-mundo-2014-com-o.html

(*) Rogerio Ruschel mora e trabalha em São Paulo, é jornalista, enófilo e vai ter o prazer de ver o Brasil levantar a taça Copa do Mundo 2014

 


terça-feira, 11 de março de 2014

Toscana, Mendoza e Côtes du Rhône: conheça 3 dos 10 melhores hotéis para quem gosta de vinho, segundo a revista Wine Enthusiast


Por Rogerio Ruschel (*)

O turismo relacionado à cultura do vinho a cada ano se torna mais importante do ponto de vista econômico (porque o turismo complementa a venda dos vinhos e pode até ser tão lucrativo quanto), arquitetônico (a concepção arquitetônica das vinícolas deixou de ser utilitária para ser visualmente atraente), operacional (porque o lay-out das instalações agora considera a presença de visitantes a pé, de bicicleta e até de onibus) e o modelo institucional de reunir vinicultores, viticultores, restaurantes, locadores de veículos, lojistas em geral e prestadores de serviços turísticos em roteiros do vinho organizados - as rotas de vinhos. A foto acima é uma imagem do L’Andana, na noite da Toscana e abaixo, veja um por do sol em um vinhedo espanhol - duas delícias do enoturismo.

Isto é o que se encontra na Europa (especialmente Espanha, França, Portugal, Itália e Alemanha) e no Novo Mundo do vinho (Argentina, Chile, África do Sul, Austrália e Estados Unidos) e começa a ser visto no Brasil, embora ainda sem vontade política e investimentos adequados. Muitas vinícolas adaptaram seus espaços para hospedar turistas, como castelos e propriedades antigas na França; outros operadores são casas rurais pequenas e atenciosas, tocadas pelos próprios donos, especialmente nos países ibéricos; e outras vinícolas estão construindo espaços próprios com arquitetura futurista para impressionar o turista e valorizar sua experiência, como espanhóis e norte-americanos. Mas se estas estruturas de receptivo tiverem bom gosto, todas as soluções para hospedar turistas são bem-vindas porque o objetivo é propiciar a experiência da vida nos vinhedos (como na foto abaixo) como você pode ver nesta primeira parte da lista da revista Wine Enthusiast de 10 hotéis encantadores para apreciadores de vinhos. 

 

L’Andana – Toscana, Itália

 


O L’Andana está situado no coração de Maremma, na Toscana, a 7 quilômetros de Castiglione della Pescaia e da costa do Mar Tirreno, dentro dos 500 hectares da propriedade La Badiola Estate (Tenuta La Badiola – veja mapa abaixo). 

O hotel é da empresa do badalado chef de cousine francês Alain Ducasse, tem a sua própria adega, onde os hóspedes podem participar de degustações, aulas de vinho e aulas de culinária.  
O hotel tem 33 quartos e suites e é parte da rede de hotéis de luxo “The Leading Hotels of the World”. 
O L’Andana, que tem outras mordomias como um spa e uma capela, já foi uma villa Medici, onde o Grão-Duque Leopoldo II e sua corte ficaram durante muitos verões. Além da beleza cênica da região, a antiga vila de Castiglione della Pescaia recebeu a pontuação máxima de 5 Velas Azul do guia Legambiente e Touring Club Italiano, para a transparência da água, a limpeza das praias e o valor histórico do lugar. E, é claro, tudo isso está na Toscana...


Cavas Wine Lodge - Mendoza, Argentina


Situada no sopé da Cordilheira dos Andes (Agrelo, no Vale Lujan de Cuyo, foto acima) dentro de um vinhedo de 35 hectares, esta pousada com 14 suites oferece aos hóspedes a oportunidade de explorar uma vasta adega de vinhos com 250 dos melhores vinhos de Mendoza, a principal região vinífera da Argentina e onde estão 70% das vinícolas do pais. 
O hotel é pequeno, luxuoso e oferece serviços personalizados, entre os quais provas e degustações de vinhos e jantares privados na adega e também fornece serviços de terapia com vinho no spa próprio, onde o turista pode “sofrer” com esfoliação e banho com vinho tinto, programas nutricionais e massagens relaxantes - enfim, caro amigo (amiga), um sufoco!

O restaurante oferece carnes, pescados, massas e frutas e verduras orgânicas. E as suites são confortáveis e luxuosos – algumas tem até piscina e adega privativas - com preços que começam em US$ 665 e podem atingir até US$ 3.200 + taxas.

Domaine de la Noria, Côtes du Rhône, France

 


As vezes o luxo estea na simplicidade, meu caro leitor. Domaine de la Noria é uma casa de campo com vinhedo próprio em Chusclan, perto de Nimes e de Avignon, região de vinhedos da DO Côtes du Rhône Villages, na Provence francesa. Construida no finail do século XIX, a propriedade foi completamente renovada em 2003 e oferece aos hóspedes acomodações simples e autênticas de um Bed & Breakfest com preços que começam em 60 Euros. 

É indicada para os que querem viver a experiência de acompanhar (e ajudar) o trabalho em um vinhedo e na adega durante a colheita ou fora dela – e entre os mimos, permitem que os clientes escolham suas próprias uvas. 

Oferece conforto, autenticidade e simplicidade, mas não abre mão de uma piscina, adega atraente, sala com mesa de bilhar, wi-fi, área de leitura e outras mordomias, como comida natural. Você pode pegar seu carro, bicicleta ou sair a pé e fazer passeios revigorantes na região de Provença-Languedoc, e se pesquisar no calendário de eventos pode acompanhar o Festival de Avignon, feiras em Nimes e festivais culturais e enogastronômicos na região de Côtes du Rhône. Um horror de programa, não? Se gostou, espere as próximas, aqui em breve.

 (*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo, gosta de ser bem tratado em hotéis – e acha que luxo não significa garantia de bom tratamento