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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Petra Winery, Suvereto, Toscana: a vinícola com uma escadaria que une a terra e o céu, harmonizando uvas, terroir e segredos milenares de gregos e etruscos


Por Rogerio Ruschel (*)
“Uma vinícola única em um lugar único, Petra recebe do céu e da terra um misterioso segredo, e a terra e o céu retransmitem este segredo através da produção de vinhos que tem a alma Toscana de Maremma e o espírito que fala dos segredos de uma língua antiga dos etruscos”. 


Meu prezado leitor ou leitora, você pode achar essa frase de apresentação da empresa um pouco exagerada, mas tudo que cerca a Petra Winery (ou Vini Petra, em italiano) é mesmo diferenciado – incluindo suas caves, como se pode ver nas fotos abaixo. 

 
A vinicola está localizada perto da pequena e antiga cidade toscana de Suvereto (cerca de 3.000 habitantes) na província de Livorno, nas colinas de Val di Corniama na Toscana, Itália, olhando para o Mar Tirreno – veja foto abaixo. Sabe-se que nesta região o comércio de vinhos em ânforas já era realizado no tempo dos etruscos, que introduziram o vinho na Europa no século VII Antes de Cristo. 
Segundo os proprietários, Vittorio e Francesca Moretti, “o vinho tinha que estar em sintonia com as vozes e a presença mágica de antigos e misteriosos moradores da região, os etruscos e gregos. E tinha também que estar harmonizado com as forças do terreno acidentado e em sintonia com a paixão de juntar a terra e o céu.”

Foi isso que os Moretti pediram ao arquiteto suíço Mário Botta quando decidiram construir uma vinícola nova. Concluída em 2003, a vinícola Petra tem características arquitetônicas realmente surpreendentes, com muito acabamento em pedra rosa de Verona. Aliás, por falar em pedra rosa, como In Vino Viajas é cultura, lembro que a cidade de Petra, Patrimônio da Humanidade pela Unesco encravado em montanhas da atual Jordania tem seu Templo Qasr Al-Bint dedicado a Dushara, o deus do vinho dos Nabateus - que é todo em pedra rosa (veja abaixo).
  O projeto de Botta me lembra o espírito religioso dos antigos egípcios, que com as pirâmides queriam chegar aos deuses. O arquiteto observou o contraste entre os desenhos geométricos das vinhas e da natureza orográfica ondulado do solo (veja abaixo); em seguida, acrescentou o seu próprio design aerodinâmico que destaca a medida, a beleza e a profundidade da paisagem.
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E para harmonizar tudo fez uma escadaria com 141 degraus (fotos abaixo) que permite que a terra encontre o céu – que as uvas do terroir toscano se realizem encontrando segredos etruscos e gregos milenares (e que o visitante contemple toda a beleza da região). O arquiteto disse que “Cultivar vinhedos requer uma visão ampla, que se prolonga no tempo durante um período de muitas décadas, e requer monitoramento da paisagem onde o território não tolera a incerteza ou aproximações”.
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Segundo Moretti, “Como nossa empresa se propõe a produzir vinhos de qualidade com profundo respeito à natureza, nos sentimos obrigados a ter um projeto de longo prazo que excluisse qualquer forma de especulação, de curta duração. A terra é um ativo a ser salvaguardado e é também a base sólida sólida sobre a qual crescem habilidades, emoções e sonhos. É por isso que o nosso grupo é chamado Terra Moretti e por que, aqui na Toscana, escolhemos locais antigos para os vinhedos, sem procurar lugares que estejam na moda, mas sim locais onde possamos construir o nosso futuro e de nossa comunidade.” Veja abaixo detalhes do projeto, incluindo o acesso aos barris de envelhecimento e área de degustação.


-->O especialista Attilio Scienza fez um estudo cuidadoso do terroir e zoneou três tipos principais de solo que permitem adequar a alta mineralidade com as uvas, o clima e a presença de correntes marítimas do Mar Tirreno. A partir disso a Petra produz o Alto, com uvas 100% Sangiovese; o Potente, um Cabernet Sauvignon muito escuro e agradável; e o Quercegobbe, um Merlot 100%, todos IGC Toscano Rosso. Além destes, são produzidos rótulos destas uvas com cortes que incluem Syrah, Petit Verdot e Malbec, além de um vinho doce e azeites. Veja os vinhos na foto abaixo.
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, e acredita que bons vinhos podem ajudar a encontrar o caminho dos deuses da alegria

sábado, 2 de agosto de 2014

O Galo Negro do Chianti Clássico agora canta em um convento de Radda e num bar de Florença, ajudando turistas na Toscana


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado leitor, o Galo Negro – simbolo do vinho Chianti Clássico, da Toscana, Itália – anda bem agitado neste começo de verão de 2014. O Consórcio do Chianti Clássico (associação dos produtores deste tipo de vinho) investiu na restauração do antigo Convento de Santa Maria al Prato em Radda in Chianti (foto abaixo), do século XVI, para transformá-lo na Casa do Chianti Clássico e oferecer experiências de enoturismo como aulas de degustação, programas de culinária (incluindo cursos rápidos), piqueniques nos vinhedos, mas também eventos e mostras de arte. 

A inauguração da Casa do Chianti Clássico é mais uma iniciativa para ampliar as vendas, tanto de vinhos quanto de serviço de turismo que atrai milhóes de pessoas para suas paisagens e vinhedos todos os anos (abaixo), e foi realizada três meses depois que a organização abriu também um bar de vinhos no centro de Florença.

Tudo está sedo feito para romper a pasmaceira nas vendas que vem assolando os produtores de vinho da Europa de modo geral: as vendas globais dos vinhos Chianti Clássico subiram apenas 0,5% em termos de volume em 2013 contra 2012 e o investimento é para crescer mais em 2014. Por isso suas adegas terão a maior coleção de rótulos de Chianti Clássico do mundo, para degustar e comprar.

Cerca de 80% produção do Chianti Clássico é exportada: os EUA foram responsáveis ​​por 31% das importações, seguido pelo Reino Unido para 10% e China e Hong Kong com 3% das exportações cada. Porisso a Casa do Chianti Clássico tem como foco os amantes do vinho e turistas de todo o mundo que visitam a Toscana, e isso fica claro quando se vê que uma das exposições iniciais é 'Chianti através dos olhos chineses', que mostra fotografias a região fotografada por profissionais chineses. Mas o local vai oferecer também cursos e treinamento para moradores da região. A foto abaixo, de uma viela toscana, é de Mário Ventura.

O Chianti Clássico é produzido com um mínimo de 80% da uva Sangiovese e também as uvas canaiolo, trebiano e malvasia como o Chianti “comum” - mas o “comum” usa menos Sangiovese, até um máximo de 75%. O Chianti Clássico é produzido apenas em uma área restrita dentro da região de Chianti e somente por alguns fabricantes de vinho dentro dessa área - veja o mapa abaixo.

Uma das atrações da Casa do Chianti Clássico no Convento de Santa Maria al Prato, em Radda, é uma butique de produtos esportivos, enogastronômicos e de “lifestyle” com o símbolo do Gallo Nero, como você pode ver abaixo.

O galo negro é o símbolo do Chianti Clássico pelo menos desde 1716 (veja abaixo a evolução dos logotipos) e existe uma lenda bem divertida sobre o origem disso, embora não exista uma confirmação histórica. Anote aí a história do galo negro.

Em tempos medievais Florença e Siena combatiam muito entre si – e com batalhas sangrentas - sobre extensão territorial, isto é, sobre quem deveria governar mais colinas de Chianti e ter mais vinhedos. Muito sangue foi derramado até que, segundo a tal lenda, no século XVII os políticos finalmente decidiram resolver isso de uma vez por todas com uma competição bastante curiosa. 
Decidiram que dois cavaleiros viajariam entre Siena e Florença (cerca de 70 Kms) partindo ao mesmo tempo de cada uma das cidades; o primeiro que chegasse na outra cidade seria o vencedor. Passariam por colinas e vilarejos como os fotografados por Mário Ventura, abaixo e acima. Como eles não tinham como sincronizar os relógios para saírem ao mesmo tempo, decidiram que o primeiro canto de um galo definiria a hora de partida em cada cidade.

Os moradores de Siena escolheram um galo branco e o alimentaram bem na noite anterior, na esperança de que um galo bem alimentado iria cantar com mais determinação e força. Os florentinos, em vez disso, escolheram um galo preto e mantiveram o pobre coitado com fome, na esperança de que um galo com fome iria se levantar mais cedo e cantar mais alto. Pois é, de fato, os florentinos estavam certos: o galo preto estava tão esfomeado que bem antes do amanhecer já cantava desesperadamente, dando a partida na corrida do cavaleiro. Diz a lenda que o cavaleiro florentino acordou tão cedo que já estava chego a quase 12 km fora dos muros de Siena antes e esta cidade fosse acordada pelo galo banco e liberasse seu cavaleiro. Por causa disso o galo preto se tornou símbolo de Chianti até hoje. Um brinde a ele!
A programação completa da nova Casa do Chianti Clássico pode ser encontrada aqui: www.chianticlassico.com
Para ver outros posts sobre a Toscana, use o espaço ‘Pesquisar” abaixo do logotipo do blogue. Um dos posts pode ser acessado aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/01/10-fotos-supreendentes-da-toscana-veja.html
 
(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo, mora em são Paulo, Brasil, mas não se incomodaria de morar na Toscana
 



 




sexta-feira, 4 de abril de 2014

Batalha de sabores França X Itália confronta iguarias, gastronomia e degustação às cegas: é a Copa do Mundo da Confraria do João!


Por Rogerio Ruschel (*)

São Paulo, Brasil - Se não fossem todos muito educados, os “italianos” da mesa da minha frente poderiam jogar polenta nos “franceses” da última mesa da sala, que por sua vez poderiam retaliar com pedaços de terrine – mas tudo foi uma grande festa! 

Eu era um dos cerca de 30 felizardos que participaram do evento de degustação “França Versus Itália” realizado na loja da Decanter, em São Paulo, dia 27 de março. Os participantes tiveram uma noite animadíssima tendo que comparar e votar em massas, carnes, iguarias, doces, queijos, vinhos e pratos típicos da França ou da Itália, no primeiro evento da Série Batalhas entre países participantes da Copa do Mundo 2014, da Confraria do João. Foi minha primeira Batalha de Sabores – e certamente não vou perder as próximas.

O "João" da Confraria é João Renato da Silva, formado em hotelaria, pós-graduado em marketing de serviços e qualificado em nível 3 em vinhos, licores e destilados pela WSET; foi sócio dos restaurantes Lola Bistrot e Anita e gestor de alimentos e bebidas de hotéis internacionais em São Paulo. Atualmente João é o gerente da Enoteca da Importadora Decanter, o melhor wine bar da cidade pela revista Veja em 2012/2013. O local da batalha foi cuidadosamente preparado – veja abaixo…

Em parceria com Taís de Souza, administradora em hotelaria pós-graduada em marketing e com grande experiência em mercados de luxo, João comanda a Tintin! Vinhos & Entretenimento, empresa que aproxima pessoas e vinhos na forma de eventos, cursos, brindes corporativos e programas de incentivo – além de organizar a Confraria do João. Na foto abaixo o casal Tintin!

Com a aproximação da Copa do Mundo, a Confraria do João bolou as Batalhas de sabores entre países que pretendem erguer a taça - digo, a Copa. O evento foi organizado como se fosse um campeonato de futebol, com regulamento similar ao da Copa do Mundo. Primeiro passamos por uma Fase de Grupos, onde comparamos e demos notas para aspectos de produção (área de cultivo, tipos de uvas, regiões vinícolas) e de enoidentidade dos dois países – veja abaixo um dos quadros de avaliação. 


Na sequência enfrentamos uma fase “mata-mata”, na qual tivemos que comparar rótulos, massas, carnes, iguarias, queijos e doces dos países. Foi uma fase muito difícil porque você tem que escolher entre escargots franceses ou presunto de Parma; entre queijos roquefort ou camembert francês VERSUS um pecorino ou um gorgonzola italiano. Ou ainda, entre carnes - veja as fotos abaixo…


Os ânimos ficaram até um pouco exaltados quando tivemos que comparar doces tartalletes e folhados franceses com profiterolis, nutelas e assemelhados de personalidade italiano – mas tivemos que escolher e votar em quadros como o que você abaixo.


Mas isso tudo foi só o aquecimento, porque então começaram as degustações às cegas – com e sem comida (veja o quadro de pontuação abaixo), seguindo o roteiro de avaliação pelos sentidos: os aspectos de cor, aroma e  sabor, na foto abaixo sendo relembrado pelo sommelier João.



Começando pelos brancos, tivemos que comparar um Cheverny OAC com um Soave Classico, tendo que adivinhar qual era o que e quais os aspectos similares ou diferentes das respectivas identidades. 


 

Depois degustamos dois grupos de tintos, comparados por faixas de preço: você sabe como é complicado comparar um Dolcetto d’Asti com um Côtes du Rhône? Ou um Bordeau Saint-Emillion Cheval Noir com um Brunello Rosso di Montalcino? Fizemos isso degustando antes e depois de harmonizar com uma terrine francesa e uma polenta italiana (abaixo) – uma delicia.

 


 

E finalmente “sofremos” tendo que comparar dois vinhos doces: um Château Ramon Monbazillac francês com um Moscadello di Montalcino. E para você ter uma idéia da dificuldade, veja abaixo a foto de todos rótulos degustados.

 


 

No fim somamos os pontos das diversas etapas para saber qual país levou a melhor na Batalha das delicias França X Itália. Mas não vou contar quem ganhou o confronto porque este é um segredo dos Confrades e Confreiras do João. Mas posso revelar que o João e a Taís estão planejando secretamente outras batalhas para breve - eu fico imaginando confrontos como Brasil X Argentina, Portugal X Alemanha, Chile X Espanha, Estados Unidos X Uruguai… Já pensou?

 


 

Se você quiser saber quem vai jogar contra quem e quando, acesse a página da Tintim Vinhos em https://www.facebook.com/tintinvinhos


Outros posts da série Taças na Copa:
Os vinhos do craque espanhol Andrés Iniesta:

Sobre o Faces, o vinho oficial da Copa do Mundo 2014 da FIFA: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/05/um-brinde-copa-do-mundo-2014-com-o.html

 
(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e trapaceou na Batalha de sabores, votando na França e na Itália - ao mesmo tempo!