Texto e fotos de Gustavo
Boemi; edição Rogerio Ruschel (*)
Esta é de
tirar o fôlego: escalar mais de 5.000 degraus para ter a vista que soldados
tinham da França e da Itália no século XVII - e ver o pequeno tapete de vinhedos lá em baixo... O médico e fotógrafo italiano
Gustavo Boemi esteve lá e mostra o que viu para os leitores do In Vino Viajas – mas
recomendo que você leia esta história bebericando um glorioso vinho do
Piemonte. Com a palavra, Gustavo Boemi.
“A Fortezza
di Fenestrelle, também conhecida como Forte de Fenestrelle, é um complexo
fortificado construído nos séculos XVIII e XIX no vilarejo de Fenestrelle (600
habitantes), Província de Turim, Itália. É a maior fortificação alpina da Europa, com
uma área of 1.300.000 m² e o segundo mais antigo edifício militar em
termos de tamanho (veja abaixo), perdendo apenas para a Grande Muralha da China.”
“Devido ao
seu tamanho a fortaleza é também conhecida como a Grande Muralha da Piemonte.
Construída inicialmente pelo rei francês Luís XIV a partir de 1694 contra um possível ataque do Duque de Savoy contra o
Piemonte durante a Guerra dos Nove Anos, a fortaleza foi projetada para
proteger a fronteira franco-italiana - na verdade para vigiar o acesso à cidade de Turim
pelo Vale Chisone - e só foi concluída no século seguinte.
A fortaleza nunca participou de nenhuma guerra, de cercos ou foi atacada - apenas
foi envolvida em pequenas escaramuças e em um breve confronto durante a Segunda
Guerra Mundial.”
“Depois de
um longo período de abandono entre 1946 e 1990, começou a ser recuperado (e
continua sendo), abriu para visitação pública e hoje recebe mais de 20.000
visitantes por ano. A partir de 1999 tornou-se o símbolo da província de Turim,
e em 2007 foi incluída na lista de 100 sítios históricos e arqueológicos de
importância mundial em risco pela World Monuments Fund.”
“A construção é na verdade
um conjunto de estruturas fortificadas contínuas de três quilometros, composta
por 3 fortes e 7 construções menores independentes umas das outras, mas
ligadas por terraços, muralhas, escadas e mais de 28 coberturas, com uma
mudança de altitude de cerca de 635 metros entre as partes mais alta e mais
baixa.”
“A fortaleza é lembrada
principalmente por seus dois longos lances de escada: a escada externa (veja acima), chamada de "Royal Flush ", porque foi utilizada
pelo rei quando foi visitar a construção, com 2.500 degraus. E a escada interna, chamada
de “escadaria coberta" (veja foto abaixo), com cerca de 4.000 degraus, que
permite chegar a todas as partes da fortaleza que compõem a estrutura.
“Fenestrelle
tem três roteiros turísticos diferentes para apresentar a fortificação do ponto
de vista histórico, arquitetônico ou turístico (mais leve e mais
fotogênica). Os roteiros tem entre 45 minutos (Royal Flush) e três horas.
Os visitantes visitam o forte San Carlo em detalhes, com sua preciosa Piazza d'
Armi, o paiol de armas; o Tre Denti até chegar à Guarita do Diabo, um
observatório com bela vista (foto que abre este post) – sempre com acesso a quadros e informações sobre
os episódios que caracterizam a vida do forte.”
Nota do Editor Rogerio Ruschel
Esse é o texto que Gustavo Boemi nos preparou. Grazie, Gustavo, molto. Mas eu tenho uma eventual contribuição a essa história que é apenas
uma suposição de repórter, sem nenhum base científica: já que a construção nunca teve utilidade militar, suspeito que na verdade a Fortaleza tenha
sido construída para proteger os vinhedos do Piemonte. Veja no mapa abaixo a
localização do Piemonte na Itália, fazendo fronteira com a França e Suiça.
Devido ao relevo montanhoso (o nome Piemonte
deriva de “pés dos montes”, isto é, ao pé dos Alpes), os vinhedos de uvas
Nebbiolo, Barbera, Dolcetto e Grignolino estão concentrados ao sudeste e
nordeste de Turim, bem “no caminho da França para a Itália” (veja a vista do
vale, abaixo, a França é "logo ali").
Assim, se os franceses entrassem pelo Vale
Chisone (marcado no retângulo vermelho, no mapa abaixo) tomariam os vinhedos e
as adegas das comunidades mais próximas (Sestriere, Pinerolo, Racconigi) e chegariam
facilmente a Asti, Bra, Alba, Aqui Terme, Monferrato e à região nobre dos
grandes vinhos piemonteses, abaixo de Turim.
Tudo bem,
isso pode não ser verdade, mas de qualquer maneira quando você for visitar a Fortaleza de Fenestrelle, não se esqueça de
fazer um brinde ao rei Luis XIV com um dos maravilhosos vinhos peimonteses: o Barolo, um vinho único, comparável aos melhores do mundo; o Barbaresco,
menos encorpado e com menos acidez; o Barbera, feito com a segunda uva tinta
mais glamorosa do Piemonte que gera um vinho excepcional; e o
Dolcetto com suas múltiplas personalidades (D’Alba, d’Asti, di Dogliani, di
Diano d”Alba), um vinho para se beber jovem, com aromas mais doces e baixa
acidez.
Veja vídeos
em 360 graus da Forteleza e região em http://www.provincia.torino.gov.it/multimedia/virtual/fenestrelle/index.htm
Para ver
outras fotos de Gustavo Boemi - http://www.flickr.com/photos/97150962@N07/
(*) Gustavo
Boemi (foto acima) nasceu em Linguaglossa, Sicilia, se formou em medicina pela
Universidade de Catania e mora em Turim, Itália. Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e não tem muito fôlego
para subir tantos degraus…








































