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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Cientistas australianos criam um tecido com vinho tinto: o brinde é feito na lavanderia?


Por Rogerio Ruscehel (*)

Uma equipe da Universidade da Austrália Ocidental adicionou uma bactéria ao vinho tinto e conseguiu criar um tecido parecido com o algodão, que pode ser usado para fazer roupas. Embora ainda em estágios iniciais de desenvolvimento, esta técnica de confecção de roupas de vinho poderia um dia virar moda. As pesquisas começaram em 2007 e não tem prazo para terminar.

O processo de criação de tecido de vinho começa pela adição de uma bactéria chamada Acetobacter a um lote de vinho tinto, para convertê-lo em vinagre. No processo se forma uma camada (como se fosse uma nata) sobre a superfície do vinho, que é colhida e seca sobre um manequim inflável para obter a forma desejada.

Depois que a camada seca, o manequim é esvaziado, mas o tecido mantém a sua forma. Parece muito simples, mas por enquanto o tecido de vinho ainda tem uma grande desvantagem: quando seca o tecido se torna tão frágil quanto papel de seda e porisso as roupas precisam ser mantidas úmidas durante o uso. Isso não vai ser um problema em dias quentes de verão, mas durante o inverno não dá para encarar.

Os cientistas por trás do projeto esperam juntar-se com outros especialistas, afim de tornar seu tecido vinho tinto mais resistente. Segundo o principal pesquisador, Gary Cass, a tecnologia está longe de ser perfeita, e provavelmente haverá um longo prazo antes que as pessoas possam vestir roupas feitas de Pinot Noir ou Merlot. Pessoalmente, tenho provado alguns vinhos tão ruins que eles seriam melhor aproveitados se fossem transformados em panos de chão…
Em novembro de 2013 três jovens designers da Catalunha, Espanha, desenvolveram uma tinta para uso em processos gráficos a partir de vinhos tintos. Conheça esta historia aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/01/inovacao-como-solucao-jovens-designers.html

(*) Rogerio Ruschel, editor deste blog, mora e trabalha em São Pauo, Brasil, onde é jornalista e consultor especializado em sustentabilidade.



terça-feira, 12 de agosto de 2014

Conheça a maior garrafa do mundo, no coração das caves de vinho do Porto, em Vila Nova de Gaia, Portugal


Por Rogerio Ruschel (*)

Vila Nova de Gaia – ou apenas Gaia – é um município português na região metropolitana da cidade do Porto. Com origem celta há mais de 3.000 anos atrás, a cidade com cerca de 300 mil habitantes está debruçada sobre a margem sul da foz do rio Douro e sedia as principais caves de vinhos do Porto. Na foto abaixo um azulejo típico e uma aspecto de Gaia, com o Mosteiro da Serra do Pilar Vila em foto de Pedro Fonseca.


No passado as famílias burguesas e nobres do Porto tinham suas quintas e casas de férias em Vila Nova de Gaia. Uma destas antigas propriedades é a Quinta da Boeira, um palacete do século XIX (veja abaixo) com três hectares de jardins centenários que desde começo de abril de 2014 sedia o Parque Cultural “Portugal in a Bottle” e a maior garrafa de vinho do mundo, com 32 metros de comprimento, 10 de largura e 27 toneladas de peso.



O Parque Cultural tem uma localização privilegiada – fica nos jardins da Quinta da Boeira, no centro da cidade de Gaia e a 5 minutos da zona histórica do Porto e das Caves do Vinho do Porto.  A “maior garrafa do mundo”, inaugurada dia 30 de maio de 2014, é um monumento português ao vinho e à vinha, cercada por 60 lojas com produtos regionais, tradicionais e culturais, tornando esse espaço num parque de promoção da cultura portuguesa, com seus vinhos, sua rica gastronomia, artesanato e dança.


A garrafa de 32 metros de comprimento foi construída sobre o gramado do jardim da quinta, e possui em seu interior uma sala de degustação de vinhos com capacidade para 60 pessoas. Veja abaixo aspecctos da construção da garrafa e seu espaço inerno em obras.

No piso foram colocadas imagens de um barco rabelo (veja abaixo, barcos rabelo em Gaia, em quadro de Armando Aguiar ) sobre o rio Douro, e fotografias das margens das cidades do Porto e Gaia nas laterais, para dar às pessoas a sensação de estar a bordo desta embarcação típica da região. Além disso, em seu interior também é possível "viajar" por quatro regiões vitivinícolas de Portugal (Douro, Alentejo, Dão e Minho) através de um filme em 3D.

Desde 1999 a Quinta da Boeira vem sendo recuperada e transformada em um local de arte e cultura. Localizada no coração da cidade de Gaia, junto à Casa Museu Teixeira Lopes, é um espaço com um auditório com capacidade para 150 pessoas, um salão com capacidade para 220 pessoas envidraçado com vista para os jardins, várias salas de reuniões, salas para prestação de serviços a instituições e exposições de pintura.

A próxima fase do projeto de transformação da Quinta da Boeira no Parque Cultural “Portugal in a Bottle” (logotipo abaixo) inclui a criação de um centro de negócios e a construção de um hotel com 102 quartos,  que vai exigir um investimento total de um milhão de euros.


(*) Rogerio Ruschel é jornalista e enófilo em São Paulo, Brasil, e não tem medo de entrar em uma garrafa para degustar vinhos portugueses.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Chile premiado: conheça os 1.368 vinhos de 175 vinícolas com prêmios internacionais no WRW&S 2014 – o ranking dos rankings


Por Rogerio Ruschel (*)

É muito importante para uma marca de vinhos conquistar prêmios, porque são indicadores de qualidade para o consumidor final e o reconhecimento de analistas especializados – como críticos, sommeliers, enólogos, fabricantes, chefs e jornalistas - certamente influencia as vendas dos produtos. No mundo do vinho existem muitos concursos, e a World Association of Wine Writers and Journalists - WAWWJ (Associação Mundial de Jornalistas e Escritores sobre Vinhos em livre tradução) organiza o World Ranking Wines & Spirit, um ranking dos rankings que soma a pontuação das empresas vinícolas e dos vinhos a partir dos prêmios conquistados em concursos internacionais durante o ano. 


Em 2013 foram realizados 490 concursos de vinhos no mundo; destes a WAWWJ coletou os dados de apenas 75 concursos considerados internacionais por terem concorrido fabricantes de pelo menos 5 países e de cuja Comissão Julgadora participou pelo menos um associado da entidade. Para a consolidação do World Ranking Wines & Spirit 2014 foram avaliados mais de 650.000 vinhos de todo o mundo. Os dados são fechados no fim de janeiro de cada ano posterior, e os resultados são divulgados no inicio de abril. 



O Chile foi o sétimo país mais premiado e teve 6 vinhos incluidos na lista dos Melhores Vinhos do Ano, da qual fazem parte todos os vinhos que tenham recebido uma pontuação mínima anual de 125 pontos, o equivalente a cerca de quatro medalhas de ouro em competições internacionais - veja a lista dos seis Vinhos do Ano abaixo.

 
O sétimo lugar no ranking se deve ao fato de que a indústria viníola do Chile conquistou 2.168 prêmios participando de 30 concursos em 2013, nos quais 1.368 diferentes rótulos de vinhos ganharam pelo menos um prêmio, acumulando 34.744,81 pontos para a classificação mundial de vinhos de 2014. Em 2013 o Chile havia obtido 1.679 prêmios em 31 concursos dos quais participou durante o an de 2012, alcançando a pontuação de 30.087,95 pontos. Trata-se de um crescimento de cerca de 12%. Veja o quadro abaixo com os países mais pontuados, até o 23o. lugar.


A Melhor Empresa Vinícola do Chile (The Best Wine Society WRWS 2014) foi a Viña Luis Felipe Edwards Ltda com 125 prêmios em 12 competições, alcançando a pontuação de 2.242,07 pontos. A Viña Luís Felipe Edwards repete e amplia o sucesso de 2013, quando havia conquistado 91 prêmios em 11 concursos realizados durante o ano de 2012, alcançando  um total de 1.908,60 pontos. Veja a colocação das 20 principais vinicolas chilenas no quadro abaixo.

O melhor vinho chileno em 2014 (Best WRWS Vinho 2014) segundo a World Association of Wine Writers and Journalists - WAWWJ foi o Luis Felipe Edwards 900 Blend 2010 com seis prêmios em seis competições, atingindo a pontuação total de 161,50 pontos. Na edição de 2013 (prêmios conquistados em 2012) o melhor vinho chileno foi o Pisco Reservado Bauza Doble Destilado 40º também com seis prêmios em seis competições realizadas durante 2012, atingindo a pontuação total de 240,16 pontos. Veja o quadro abaixo com os 20 vinhos chilenos mais premiados em 2013.


Para conhecer a metodologia, os critérios, os concursos considerados e ver detalhes da premiação de cada vinho, acesse http://www.wawwj.com/2014/_SP/home.php

Para conhecer o desempenho de outros países no mercado mundial acesse:

(*) Rogerio Ruschel é jornalista e editor do "In Vino Viajas", o mais internacional blogue de enoturismo, cultura do vinho e turismo de qualidade do Brasil, com leitores em 98 paises.
Acesse mais de 200 posts em http://invinoviajas.blogspot.com.br/



sábado, 2 de agosto de 2014

O Galo Negro do Chianti Clássico agora canta em um convento de Radda e num bar de Florença, ajudando turistas na Toscana


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado leitor, o Galo Negro – simbolo do vinho Chianti Clássico, da Toscana, Itália – anda bem agitado neste começo de verão de 2014. O Consórcio do Chianti Clássico (associação dos produtores deste tipo de vinho) investiu na restauração do antigo Convento de Santa Maria al Prato em Radda in Chianti (foto abaixo), do século XVI, para transformá-lo na Casa do Chianti Clássico e oferecer experiências de enoturismo como aulas de degustação, programas de culinária (incluindo cursos rápidos), piqueniques nos vinhedos, mas também eventos e mostras de arte. 

A inauguração da Casa do Chianti Clássico é mais uma iniciativa para ampliar as vendas, tanto de vinhos quanto de serviço de turismo que atrai milhóes de pessoas para suas paisagens e vinhedos todos os anos (abaixo), e foi realizada três meses depois que a organização abriu também um bar de vinhos no centro de Florença.

Tudo está sedo feito para romper a pasmaceira nas vendas que vem assolando os produtores de vinho da Europa de modo geral: as vendas globais dos vinhos Chianti Clássico subiram apenas 0,5% em termos de volume em 2013 contra 2012 e o investimento é para crescer mais em 2014. Por isso suas adegas terão a maior coleção de rótulos de Chianti Clássico do mundo, para degustar e comprar.

Cerca de 80% produção do Chianti Clássico é exportada: os EUA foram responsáveis ​​por 31% das importações, seguido pelo Reino Unido para 10% e China e Hong Kong com 3% das exportações cada. Porisso a Casa do Chianti Clássico tem como foco os amantes do vinho e turistas de todo o mundo que visitam a Toscana, e isso fica claro quando se vê que uma das exposições iniciais é 'Chianti através dos olhos chineses', que mostra fotografias a região fotografada por profissionais chineses. Mas o local vai oferecer também cursos e treinamento para moradores da região. A foto abaixo, de uma viela toscana, é de Mário Ventura.

O Chianti Clássico é produzido com um mínimo de 80% da uva Sangiovese e também as uvas canaiolo, trebiano e malvasia como o Chianti “comum” - mas o “comum” usa menos Sangiovese, até um máximo de 75%. O Chianti Clássico é produzido apenas em uma área restrita dentro da região de Chianti e somente por alguns fabricantes de vinho dentro dessa área - veja o mapa abaixo.

Uma das atrações da Casa do Chianti Clássico no Convento de Santa Maria al Prato, em Radda, é uma butique de produtos esportivos, enogastronômicos e de “lifestyle” com o símbolo do Gallo Nero, como você pode ver abaixo.

O galo negro é o símbolo do Chianti Clássico pelo menos desde 1716 (veja abaixo a evolução dos logotipos) e existe uma lenda bem divertida sobre o origem disso, embora não exista uma confirmação histórica. Anote aí a história do galo negro.

Em tempos medievais Florença e Siena combatiam muito entre si – e com batalhas sangrentas - sobre extensão territorial, isto é, sobre quem deveria governar mais colinas de Chianti e ter mais vinhedos. Muito sangue foi derramado até que, segundo a tal lenda, no século XVII os políticos finalmente decidiram resolver isso de uma vez por todas com uma competição bastante curiosa. 
Decidiram que dois cavaleiros viajariam entre Siena e Florença (cerca de 70 Kms) partindo ao mesmo tempo de cada uma das cidades; o primeiro que chegasse na outra cidade seria o vencedor. Passariam por colinas e vilarejos como os fotografados por Mário Ventura, abaixo e acima. Como eles não tinham como sincronizar os relógios para saírem ao mesmo tempo, decidiram que o primeiro canto de um galo definiria a hora de partida em cada cidade.

Os moradores de Siena escolheram um galo branco e o alimentaram bem na noite anterior, na esperança de que um galo bem alimentado iria cantar com mais determinação e força. Os florentinos, em vez disso, escolheram um galo preto e mantiveram o pobre coitado com fome, na esperança de que um galo com fome iria se levantar mais cedo e cantar mais alto. Pois é, de fato, os florentinos estavam certos: o galo preto estava tão esfomeado que bem antes do amanhecer já cantava desesperadamente, dando a partida na corrida do cavaleiro. Diz a lenda que o cavaleiro florentino acordou tão cedo que já estava chego a quase 12 km fora dos muros de Siena antes e esta cidade fosse acordada pelo galo banco e liberasse seu cavaleiro. Por causa disso o galo preto se tornou símbolo de Chianti até hoje. Um brinde a ele!
A programação completa da nova Casa do Chianti Clássico pode ser encontrada aqui: www.chianticlassico.com
Para ver outros posts sobre a Toscana, use o espaço ‘Pesquisar” abaixo do logotipo do blogue. Um dos posts pode ser acessado aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/01/10-fotos-supreendentes-da-toscana-veja.html
 
(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo, mora em são Paulo, Brasil, mas não se incomodaria de morar na Toscana