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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Fazenda dos Cayres, em São Bernardo do Campo: o elo perdido da vinicultura portuguesa no Brasil?


Por Rogerio Ruschel (*)

Arqueólogos encontraram resquícios de uma fábrica de vinhos artesanais da primeira metade do século XX no sítio arqueológico Chácara Cayres, no município de São Bernardo do Campo, distante 20 quilometros de São Paulo, a maior metrópole da America Latina. O proprietário Aurélio Fonseca Fernandes Cayres, português dos quatro costados, utilizava a chácara para lazer familiar mas produzia uva e vinho com tecnologias importadas: experiência portuguesa, barris de carvalho frances, rolhas do Alentejo e garrafas européias de grés. De acordo com os arqueólogos, a adega mostra resquícios de ter possuído até 32 barris e quatro tonéis (veja imagens acima) e os vinhos produzidos poderiam ser - pelo menos na intenção - do tipo "Douro" e também o famoso “Vinho Verde” português. Seria o elo perdido da vinicultura portuguesa no Brasil?
Pesquisa de Graciela de Souza Oliver (UFMG) publicado na Revista Brasileira de História no. 54 baseado em trabalhos do engenheiro Julio Inglez de Souza (livro “Origens do vinhedo paulista”, de 1959) e do médico e viticultor Luis Pereira Barreto (artigos técnicos publicados entre 1896 e 1900 na Revista Agrícola) - de onde retirei a ilustração acima de uma máquina de amassar uvas - identifica produção vinícola em cerca de 30 municípios paulistanos entre 1880 e 1900, especialmente ao longo das ferrovias Mogiana, Paulista e Sorocabana. Entre eles estão São Roque (que cresceu bastante em qualidade e importância) e São Bernardo do Campo, mas não se sabe se por causa da Chácara Cayres; por isso por enquanto podemos considerá-la como um “elo perdido”. 
 

Se você pensa que foram os italianos que “inventaram” a vinicultura no Brasil, anote: foram os portugueses. Os portugueses tinham tudo para ser os grandes produtores de vinho em nosso país, até porque tem grande experiência - se produz e consome vinho em Portugal há pelo menos 2.500 anos. E são grandes consumidores: nas treze caravelas que partiram de Portugal com Pedro Alvares Cabral e chegaram ao Brasil em 1500 (veja acima), estavam pelo menos 65 mil litros de vinho para consumo dos marinheiros!
Além disso fique sabendo que foram os portugueses que introduziram a uva em nosso país; considera-se o donatário da Capitania de São Vicente, o português Martim Afonso de Sousa em 1532 o primeiro vinicultor em terras brasileiras, ao plantar videiras vindas da Ilha da Madeira no litoral paulista - infelizmente com pouco sucesso devido às condições climáticas (veja as Capitanias na imagem acima). E cá prá nós: considerando a ilustração abaixo, do século XVII, seria mesmo um milagre conseguir produzir bons vinhos no então selvagem litoral paulista.

Não quero ser mórbido, mas numa época em que os moradores locais eram antropófagos, os indios poderiam "harmonizar" cozido de visitantes estrangeiros ou de indios de outras tribos com "vinho parecido com português". A ilustração abaixo mostra o aventureiro alemão Hans Staden ao fundo, de barba, observando os tupinambás fazendo um churrasquinho de inimigos no litoral paulista em torno de 1550 - mas parece que não tem ninguém fazendo um brinde com vinho...

 
Mas os portugueses optaram por cultivar cana de açúcar especialmente no Nordeste, com mão de obra escrava, não só porque existia grande mercado internacional para o açúcar e porque a cachaça era muito bemvinda nos eventos sociais, mas também por questões de estratégia de política interna. É que para garantir a comercialização de seu vinho para o Brasil e evitar uma eventual concorrência, Portugal proibiu a fabricação de vinhos na colônia entre 1789 até 1808, ano da transferência da coroa portuguesa para o Brasil. Isso permitiu que muitos nobres ficassem ricos exportando enormes toneis de vinho português para o Brasil, como mostra o desenho de Debret de 1830, abaixo.

Hoje pode-se considerar essa decisão um erro estratégico, mas como saber que o Novo Mundo (na época Tão, Tão Longe) poderia se tornar um grande produtor mundial de vinho nos idos de 1780? Como registro histórico deve-se dizer que desde 1650 os jesuítas produziam vinhos no Brasil, na região sul do país (e também nas Missões jesuíticas de países do atual Mercosul) mas básicamente para consumo religioso. E por falar em registro histórico, veja abaixo a capa de um folheto orientando os italianos que desejavam emigrar para o Brasil, em 1886. 


Mas foi isso que aconteceu: os italianos assumiram a liderança da produção de vinhos em terras tropicais a partir de 1870, mesmo tendo chegado ao Brasil mais de três séculos depois dos portugueses. Junto com a uva e o vinho os italianos trouxeram seu idioma, cultura, música e jeito de ser que caracterizam regiões do Brasil, especialmente a cidade de São Paulo e a serra gaúcha, onde, em Caxias do Sul é comemorada a Festa da Uva. E veja abaixo, uma das contribuições italianas ao Brasil, as beldades eleitas Rainha e Princesas da Festa da Uva de 1934 - um show, não?


Se a família Cayres tivesse continuado o trabalho do Sr. Aurélio depois de sua morte, talvez hoje pudéssemos ter um pequeno e charmoso vinhedo português na Grande São Paulo, algo assim como o pequeno e badalado vinhedo "Clos de Montmartre", no bairro boêmio e vizinho da igreja Sacre Couer em Paris, com míseros 1.556 m², “engolido” pelo crescimento da capital francesa e que hoje gera receita e prestígio para a Prefeitura de Paris - veja abaixo a foto e leia o post aqui, em http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/05/clos-de-montmartre-o-pequeno-vinhedo.htmll
O vinhedo poderia ser chamado de "Clos de Cayres". Ou, na melhor tradição portuguesa, poderia ser a "Quinta das Garrafeiras de São Bernardo do Campo", ou a "Quinta dos Cayres", ou ainda a "Quinta do Planalto Paulista"... E se você tiver uma sugestão melhor de nome para o vinhedo perdido, por favor envie para compartilhar com outros internautas, ok?

Mas o pequeno e simpático vinhedo português perdido no tempo, na memória dos brasileiros e portugueses e na poeira do progresso da gigantesca metrópole urbana teria uma grande vantagem: estaria ao largo da Via Anchieta, uma rodovia que recebe milhares de veículos por dia em direção ao mais importante porto brasileiro e a algumas das mais concorridas praias do Brasil. Já pensou na oportunidade turística disso? 

Para os amigos portugueses
Como In Vino Viajas é prestigiado por muitos leitores portugueses, publicamos a seguir alguns trechos curiosos do artigo que relata os resultados da pesquisa arqueólogica.  

“Adegas, garrafas, tinas e tonéis apontam notadamente para a função da Chácara Cayres enquanto vinícola, com a especificidade de que estava reutilizando garrafas portuguesas para engarrafar seus próprios vinhos, os quais, é possível, ganhavam novos rótulos em papel (veja abaixo).

As garrafas, por sua vez, deveriam ser adquiridas de um único fornecedor de usados (que as obtinha de fontes que importavam vinho do norte português), figura conhecida em outras épocas como 'garrafeiro', denominação que, no início do século XX, era atribuída às pessoas que se dedicavam a comercializar contentores de bebidas descartados - veja abaixo.



As marcas nas garrafas indicam que o importador no Brasil as comprava de fabricantes localizados no norte de Portugal, como Aveiro e o distrito de Vila Nova de Gaia, área conhecida mundialmente pela produção de vinho do Porto (veja abaixo).
Ressalta-se que a região de Aveiro, em cujo subsolo abundam jazidas argilosas, é também uma área tradicional de produção cerâmica em Portugal, quer no que se refere à olaria popular vermelha ou preta, quer no que toca à faiança e porcelana. Assim, as garrafas de 'grés salgado' (salt-glazed) foram produzidas para a demanda local de contentores de vinho, exportadas para diversas partes do mundo. Claro está que os produtores não concebiam, no entanto, as dimensões alcançadas na relação entre usos pretendidos e usos reais que estes artefatos alcançaram.
Os selos das garrafas também apontam para a produção e exportação do 'vinho verde', que advém de uma região ainda mais específica de fabrico, igualmente no norte português. O 'vinho verde', branco ou tinto, é assim denominado devido às características edafoclimáticas do local onde é produzido, tendo uma concentração de ácido málico superior ao que é frequente encontrar em outras regiões de Portugal.
Por que as garrafas, teoricamente destinadas ao consumo de um produto, estariam acumuladas às centenas na adega de um imigrante português em São Bernardo do Campo, no Brasil? A presença desses artefatos permite tecer considerações em torno do reuso de objetos e das táticas conjugadas pelos consumidores para burlar os problemas que surgiam no dia-a-dia. Permite, ainda, aventar questões sobre os desafios, para contextos brasileiros, das datações relativas a partir das barras cronológicas estabelecidas por South nos anos 1970.”

Para ler na íntegra o artigo que foi publicado no Volume 8, número 1 do Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi de Ciências Humanas, de Belém, Pará, em janeiro de 2013 acesse - http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1981-81222013000100003&script=sci_arttext#end
Imagens da Zanettini Arquelogia, Rogerio Ruschel ou pesquisadas em outras fontes.
Este post é dedicado ao jornalista de ciência e tecnologia Carlos Henrique Fioravanti, um dos profissionais brasileiros mais premiados, que nos honra como leitor do In Vino Viajas e enviou o link da pesquisa. 
(*) Rogerio Ruschel é enófilo, jornalista, viajante inveterado e aprecia muito - mas muito mesmo - vinhos portugueses.









quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Alentejo, Portugal: terra de vinhos bons, belezas mágicas e do primeiro hotel revestido com cortiça do mundo


Por Rogerio Ruschel (*)
Embora ainda não o conheça, o Alentejo mora no meu coração e está na minha lista de “locais a visitar o mais rápido possível”. E com certeza quero conhecer o cais palafítico de Carrasqueira, aldeia ribeirinha no Estuário do rio Sado, retratado na foto de António Laranjeira, acima. O Alentejo é uma região no sul de Portugal com planícies que se estendem do litoral até as serras de São Mamede e do Caldeirão, já na fronteira com a Espanha, ocupando cerca de um terço do território continental português – veja o mapa abaixo.

Com uma história de mais de 5.000 anos, o Alentejo tem inúmeros vestigios de ocupação pré-histórica – como o curioso Cromeleque do Xerex, perto de Monsaraz, construído cerca de 3.000 A.C., abaixo.

Alentejo foi um província romana importante – e do latim surgiu nosso idioma; foi ocupado pelos árabes que deixaram na região muitos depoimentos arqueológicos como castelos, pontes e mesquitas; foi reconquistada e se tornou independente, com grande participação da Igreja quando várias ordens religiosas se tornaram os maiores proprietários de terras onde produziam vinhos e sobreiros, árvore da qual se faz cortiça para tampar garrafas - abaixo, cena rural em Alqueva, com sobreiros. 

No Alentejo estão alguns dos atrativos turísticos mais interessantes de Portugal, tanto no litoral, com praias que sempre atraem portugueses, como as cidades de Évora (veja foto abaixo das muralhas da cidade) e Elvas - ambas tombadas como Patrimônio da Humanidade da Unesco. 

La estão também cidades que certamente estarão em qualquer roteiro de viagem na região como Santarém, Beja, Portalegre e Monsaraz – esta com uma de suas ruas retratada por Antonio Caeiro, abaixo.

Turistas brasileiros certamente vão perceber semelhanças arquitetônicas com cidades litorâneas brasileiras; como exemplo, veja abaixo uma foto de António Laranjeira da Praça Marquês do Pombal, na freguesia Porto Corvo, vilarejo litorâneo do concelho de Sines, no Alentejo – não poderia estar em Paraty-RJ ou em alguma praia de Florianópolis?
 
O Alentejo é terra de produção de azeites e de vinhos com identidade própria, produzidos em vindimas temperadas pelo clima do Mediterrâneo e com muita exposição ao sol, com uvas tintas como Alfrocheiro, Aragonez, Alicante Bouchet, Touringa Nacional e Trincadeira; Arinto e Antão Vaz (uvas brancas), além de cepas internacionais como Syrah, Cabernet Sauvignon e Chardonnay. Estes vinhos regionais bem aromáticos podem ser harmonizados com pratos típicos portugueses como a açorda alentejana, gaspacho, sopas de espargos, de poejos e de beldroegas e doces à base de amêndoas. Veja abaixo uma foto de um prato de carne de porco à lentejana, que leva mariscos (ameijôas).

Mas o Alentejo é também o maior produtor mundial de cortiça, que é feita a partir da casca do sobreiro, uma árvore de porte médio que é uma das riquezas naturais da região. Portugal, com 725.000 hectares de área plantada com sobreiros, produz cerca de metade da produção mundial que foi de cerca de 360.000 toneladas em 2011 - e quase tudo isso vem do Alentejo (veja abaixo uma foto da árvore e o mapa de plantio).

Pois foi nesta região, a menos de 20 minutos de Évora e 70 minutos do aeroporto de Lisboa, que foi implantado o Ecorkhotel - Évora, Suites & Spa, o primeiro hotel totalmente revestido com cortiça do mundo, que você vê abaixo.

Embora seja utilizada na decoração e como revestimento acústico e térmico em várias indústrias (como automobilística e de calçados), a cortiça nunca tinha sido aplicada na hotelaria deste jeito – e o local deveria realmente ser aqui, na fonte do produto, a região dos sobreiros.

O hotel foi todo pensando para ser sustentável no uso de energia, água, climatização e outros recursos. Com classificação 4 estrelas, oferece o que se deve esperar de um hotel moderno e teconológico: suites com Wi-Fi, frigobar e banheiro privativo - algumas com varanda e cozinha - e mordomias como piscina coberta, sauna, banho turco e massagens, ar-condicionado, TV de tela plana a cabo e restaurante de qualidade.

Então, meu caro leitor, se você ainda não conhece o Alentejo, agora tem mais uma razão. Junte-se a mim no desejo de em breve alentejar e façamos um brinde a isso: tim-tim.
Para ver mais fotos (maravilhosas) de António Laranjeira acesse http://www.facebook.com/antonio.laranjeira.127
Para saber mais sobre o Ecorkhotel acesse https://www.facebook.com/Ecorkhotel
Para saber mais sobre Portugal e Alentejo acesse

(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e adoraria conhecer o Alentejo; por enquanto apenas o conhece pela internet...







domingo, 4 de agosto de 2013

Viela Dourada do Castelo de Praga: 500 anos de mistérios, soldados, alquimistas, bandidos e intelectuais


Por Rogerio Ruschel (*)
O maior castelo do mundo, segundo o Guiness Book, é o Castelo de Praga, com 72,5 mil m² - declarado Patrimonio Mundial da Humanidade pela Unesco. Pessoalmente creio que é também uma das construções mais interessantes do mundo, porque é muito mais do que um castelo – vamos dizer assim, convencional - como tantos que você conhece na Europa: é uma coleção de atrativos muito loucos. Na foto abaixo o Castelo de Praga no alto da colina.

Construído em torno do ano 850 depois de Cristo pela Família Premysl (que dominaria a região por séculos) no alto da colina de Hrad como uma fortificação para proteger a margem esquerda da cidade em relação ao rio Vltava, ao longo dos séculos foi sendo ampliado e serviu de moradia para reis e rainhas; atualmente é o palácio do governo da República Tcheca.
 
A estrutura do castelo foi sendo ampliada e modificada ao longo dos séculos e hoje é composto por três páteos interiores que misturam todos os estilos arquitetônicos da cidade. E nestes páteos do Castelo de Praga estão inúmeras construções, entre as quais o Palácio Real e a Catedral de São Vito (veja abaixo).
 
Estão também a Torre da Pólvora, o Convento de São Jorge, o Palácio Lobkowicz, a Viela Dourada (ou Viela do Ouro) e a Torre Daliborka, uma prisão medieval, hoje um museu de memória das casinhas e de outras áreas do Castelo de Praga, inclusive, é claro, equipamentos de torturas e armaduras.
 
Em outros posts você vai conhecer o Castelo de Praga e estas construções em detalhes, mas agora quero falar sobre a Viela Dourada – veja abaixo.

A Viela Dourada foi construída no final do século 16 para servir de moradia aos 24 membros da guarda do Imperador Rodolfo II: era, vamos dizer assim, uma pequena senzala para que os guardas pudessem estar próximos do Imperador – veja lembranças destes guardas nas fotos abaixo. 


Mais ou menos um século depois as ruas foram tomadas por artesões e ourives que modificaram os prédios para poder instalar seus equipamentos. 

No século 19 a área entrou em decadência e as casinhas acabaram sendo tomadas por miseráveis e criminosos. No começo do século 20 o perfil dos moradores foi mudando, e boêmios e intelectuais acabaram se instalando por lá. 

Dois intelectuais nascidos na cidade que moraram na Viela Dourada foram o poeta Jaroslav Seifert, Premio Nobel de Literatura de 1984 e Franz Kafka, um dos escritores tchecos mais reconhecidos, que morou com a irmã por alguns meses na hoje identificada casa 22.
Originalmente as casas não tinham números, eram identificadas por símbolos e brasões e conhecidas pelos nomes como Casa do Carneiro de Pedra, Casa do Pobre Infeliz, Casa da Madona de Pedra, Casa da Estrela Azul e Casa das Cegonhas. Veja abaixo alguns dos brasões expostos no pequeno museu.
Muitas lendas cercam a Viela Dourada, até mesmo de fantasmas que movem coisas. Um das histórias é que a viela teria sido um local de prática de magia e de misteriosas pesquisas sobre Alquimia, o ramo da ciência ou bruxaria que pretendia transformar as coisas em ouro. 
 
Atualmente a Viela Dourada é um conjunto de pequenas lojas de lembranças para turistas e na parte superior das casinhas foi montado um pequeno museu de armaduras, roupas, brazões e outros equipamentos da idade média da região, a Boêmia central. Como é um lugar escuro propositalmente, as fotos não ficaram lá grande coisa, mas servem como registro. Eu mesmo, como vistante (abaixo), tinha que olhar bem de perto para poder ver detalhes.

Por enquanto é isso. Em outro post você vai conhecer um pouco mais sobre o Castelo de Praga. Até lá, um brinde à criatividade humana.

(*) Rogerio Ruschel rruschel@uol.com.br - é jornalista de turismo e consultor especializado em sustentabilidade e foi a Praga por conta dele mesmo.










sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Coisa de chines: um mega hotel ecológico e futurista numa pedreira desativada

 
Rogério Ruschel (*)
Uma gigantesca mina abandonada no distrito de Songjiang, região famosa por suas belezas naturais e um dos principais destinos turísticos da China, vai abrigar um complexo hoteleiro de luxo erguido segundo padrões de construção ecológica. 

Orçado em 528 milhões de dólares, o projeto da rede InterContinental (que terá o nome de Shimao Intercontinental Hotel) começou a ser construido em outubro de 2012 e terá 19 andares e 380 quartos embutidos uma cratera de quase 100 metros de profundidade (veja abaixo) localizada ao pé das montanhas de Tianmenshan, região próxima à Xangai.
 
Dois andares ficarão totalmente submersos e terão quartos, restaurantes e um aquário com vista para o fundo do lago. A água tem um papel fundamental no design, sendo destaque em muitas áreas, como você pode ver na fotos abaixo.
 
O projeto é de 2007 de uma empresa britânica e incorpora vários elementos ecológicos: a estrutura vaise integrar à paisagem; cachoeiras artificias serão incorporadas ao projeto; todo o complexo será coberto por um telhado verde; o edifício utilizará energia solar e geotérmica para eletricidade e aquecimento. E as condições da pedreira também irão fornecer uma boa fonte de controle térmico, mantendo a temperatura sempre amena. O hotel vai ter uma grande área de esportes radicais com bunge-jumping, alpinismo, caminhadas, mergulhos – tudo no contexto de esportes extremos. 
 
Os preços partirão de 300 dólares por noite e o hotel deve abrir no fim de 2014 ou começo de 2015. Como o cardápio oferecerá aos hóspedes especialidades chinesas e comida de padrão ianternacional, quando voice for lá vai poder escolher vinhos franceses, italianos, portugueses, espanhóis... E eventualmente até vinhos brasileiros, porque a China foi em 2012 o principal importador de vinhos do Brasil, embora tenha comprado produto por menos de 1 dólar o litro… Mas isso é outra história que vamos comentar em breve.

(*) Rogério Ruschel é enófilo, jornalista de turismo de qualidade e consultor especializado em sustentabilidade. Ainda não conhece a China, mas quem sabe poderá um dia se hospedar no Shimao Intercontinental Hotel