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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Conheça o sobreiro mais velho do mundo, que há 231 anos produz cortiça no Alentejo, Portugal, e mostra que dinheiro dá em árvores


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado leitor ou leitora, dizem que dinheiro não dá em árvore, mas conheça aqui a “The Whistler Tree”, uma árvore que está há mais de duzentos anos dando uma grande contribuição econômica (além de ecológica, social e cultural) ao negócio da vinicultura em Portugal: o mais velho sobreiro do mundo, há 231 anos produzindo cortiça!

O sobreiro (quercus suber) é uma espécie de carvalho de cuja casca se produz a cortiça (foto acima), um dos poucos materiais construtivos do mundo que é 100% natural, 100% ecológico e 100% reciclável. A cortiça tem sido utilizada para selar garrafas de vinho por quase cinco séculos e é produzida a partir da casca desta árvore (veja abaixo) que cresce em clima mediterrâneo na Espanha, Argélia mas especialmente em Portugal, que é produtor de 53% da cortiça do mundo, especialmente na região do Alentejo.

A cortiça é retirada de nove em nove anos das árvores mais velhas, e até de 12 em 12 anos quando são mais jovens. Os cientistas afirmam que um sobreiro muito produtivo rende cerca de 4.000 rolhas em cada colheita, em média. Pois bem: em Portugal fica a “The Whistler Tree” (árvore do assobio em livre tradução, porque em sua copa ficam muitos pásssaros), com 231 anos comprovados e ainda uma magnífica produtora de cortiça: na safra de 2000 ela rendeu 825 quilos de cortiça bruta, o suficiente para produzir 100.000 rolhas para garrafas de vinho! É espantoso: são  25.000 % a mais do que uma árvore comum! A próxima colheita da fantástica bi-centenária árvore será em 2018. Veja abaixo o processo de retirada da casca de cortiça e um depósito de cortiça bruta.

Espécie protegida por lei em Portugal desde a Idade Média, além de seu grande valor econômico, o sobreiro tem importantes funções ecológicas. Em Portugal cerca de 730 mil hectares de Montado de Sobro (nome do bioma que abriga o sobreiros) formam um santuário de biodiversidade que protege mais de 60 espécies de aves, 24 de répteis e anfibios, 37 mamíferos e centenas de espécies de plantas. – veja abaixo um bosque destes. 

Como é uma árvore grande e alta (chega a atingir 25 metros de altura) e tem uma longa vida, o sobreiro estabiliza os ciclos naturais, ajuda a preservar o solo, recicla nutrientes e água, produz matéria orgânica em bom volume, reduz a velocidade dos ventos e pelo fato da cortiça ser um ótimo isolante, ajuda a evitar incêndios florestais. Realmente esta árvore merece um brinde: tim-tim, dona Whistler.
Conheça a videira com 500 anos da Quinta do Louredo, na rota dos vinhos verdes, Portugal - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/09/conheca-videira-com-500-anos-da-quinta.html

Conheça um vinhedo com 200 na França que virou patrimônio cultural em http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/11/vinhedo-frances-de-200-anos-vira.html
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas desdeSão Paulo, Brasil, onde não existem bosques de sobreiros, mas cortiça não falta...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Alentejo, Portugal: terra de vinhos bons, belezas mágicas e do primeiro hotel revestido com cortiça do mundo


Por Rogerio Ruschel (*)
Embora ainda não o conheça, o Alentejo mora no meu coração e está na minha lista de “locais a visitar o mais rápido possível”. E com certeza quero conhecer o cais palafítico de Carrasqueira, aldeia ribeirinha no Estuário do rio Sado, retratado na foto de António Laranjeira, acima. O Alentejo é uma região no sul de Portugal com planícies que se estendem do litoral até as serras de São Mamede e do Caldeirão, já na fronteira com a Espanha, ocupando cerca de um terço do território continental português – veja o mapa abaixo.

Com uma história de mais de 5.000 anos, o Alentejo tem inúmeros vestigios de ocupação pré-histórica – como o curioso Cromeleque do Xerex, perto de Monsaraz, construído cerca de 3.000 A.C., abaixo.

Alentejo foi um província romana importante – e do latim surgiu nosso idioma; foi ocupado pelos árabes que deixaram na região muitos depoimentos arqueológicos como castelos, pontes e mesquitas; foi reconquistada e se tornou independente, com grande participação da Igreja quando várias ordens religiosas se tornaram os maiores proprietários de terras onde produziam vinhos e sobreiros, árvore da qual se faz cortiça para tampar garrafas - abaixo, cena rural em Alqueva, com sobreiros. 

No Alentejo estão alguns dos atrativos turísticos mais interessantes de Portugal, tanto no litoral, com praias que sempre atraem portugueses, como as cidades de Évora (veja foto abaixo das muralhas da cidade) e Elvas - ambas tombadas como Patrimônio da Humanidade da Unesco. 

La estão também cidades que certamente estarão em qualquer roteiro de viagem na região como Santarém, Beja, Portalegre e Monsaraz – esta com uma de suas ruas retratada por Antonio Caeiro, abaixo.

Turistas brasileiros certamente vão perceber semelhanças arquitetônicas com cidades litorâneas brasileiras; como exemplo, veja abaixo uma foto de António Laranjeira da Praça Marquês do Pombal, na freguesia Porto Corvo, vilarejo litorâneo do concelho de Sines, no Alentejo – não poderia estar em Paraty-RJ ou em alguma praia de Florianópolis?
 
O Alentejo é terra de produção de azeites e de vinhos com identidade própria, produzidos em vindimas temperadas pelo clima do Mediterrâneo e com muita exposição ao sol, com uvas tintas como Alfrocheiro, Aragonez, Alicante Bouchet, Touringa Nacional e Trincadeira; Arinto e Antão Vaz (uvas brancas), além de cepas internacionais como Syrah, Cabernet Sauvignon e Chardonnay. Estes vinhos regionais bem aromáticos podem ser harmonizados com pratos típicos portugueses como a açorda alentejana, gaspacho, sopas de espargos, de poejos e de beldroegas e doces à base de amêndoas. Veja abaixo uma foto de um prato de carne de porco à lentejana, que leva mariscos (ameijôas).

Mas o Alentejo é também o maior produtor mundial de cortiça, que é feita a partir da casca do sobreiro, uma árvore de porte médio que é uma das riquezas naturais da região. Portugal, com 725.000 hectares de área plantada com sobreiros, produz cerca de metade da produção mundial que foi de cerca de 360.000 toneladas em 2011 - e quase tudo isso vem do Alentejo (veja abaixo uma foto da árvore e o mapa de plantio).

Pois foi nesta região, a menos de 20 minutos de Évora e 70 minutos do aeroporto de Lisboa, que foi implantado o Ecorkhotel - Évora, Suites & Spa, o primeiro hotel totalmente revestido com cortiça do mundo, que você vê abaixo.

Embora seja utilizada na decoração e como revestimento acústico e térmico em várias indústrias (como automobilística e de calçados), a cortiça nunca tinha sido aplicada na hotelaria deste jeito – e o local deveria realmente ser aqui, na fonte do produto, a região dos sobreiros.

O hotel foi todo pensando para ser sustentável no uso de energia, água, climatização e outros recursos. Com classificação 4 estrelas, oferece o que se deve esperar de um hotel moderno e teconológico: suites com Wi-Fi, frigobar e banheiro privativo - algumas com varanda e cozinha - e mordomias como piscina coberta, sauna, banho turco e massagens, ar-condicionado, TV de tela plana a cabo e restaurante de qualidade.

Então, meu caro leitor, se você ainda não conhece o Alentejo, agora tem mais uma razão. Junte-se a mim no desejo de em breve alentejar e façamos um brinde a isso: tim-tim.
Para ver mais fotos (maravilhosas) de António Laranjeira acesse http://www.facebook.com/antonio.laranjeira.127
Para saber mais sobre o Ecorkhotel acesse https://www.facebook.com/Ecorkhotel
Para saber mais sobre Portugal e Alentejo acesse

(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e adoraria conhecer o Alentejo; por enquanto apenas o conhece pela internet...