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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Enoturismo de primeira classe: Napa Valley, Califórnia, Estados Unidos, comemora os 40 anos do Julgamento de Paris com 40 eventos em vinícolas, hotéis e restaurantes


Por Rogerio Ruschel (*)

Como você sabe, meu prezado leitor ou leitora, o dia 24 de maio de 1976 entrou para a história da vitinicultura mundial por causa do “Paris Wine Tasting” ou “O Julgamento de Paris”, como é mais conhecido. Neste dia Steven Spurrier, um comerciante de vinhos da Inglaterra convidou juízes franceses para fazerem duas degustações às cegas em Paris; uma para avaliar vinhos Chardonnays de qualidade superior franceses e norte-americanos e outra para comparar vinhos tintos - vinhos de Bordeaux, da França contra vinhos Cabernet Sauvignon da Califórnia. Os jurados foram Aubert de Villaine, proprietário do Domaine la Románee–Conti, Odete Kahn, editora da Revista Le Revue du Vin de France, a critica Patricia Galacher e alguns sommeliers de restaurantes renomados da época (foto abaixo).

Na época os Estados Unidos era considerado um mercado produtor secundário de vinhos, em um contexto genérico de Novo Mundo – os grandes produtores premiados e elogiados eram os franceses. Pois é meu caro leitor ou leitora: mesmo com juízes franceses, o resultado surpreendeu a todos: os vinhos californianos ganharam dos franceses. O vencedor na primeira categoria foi o Chateau Montelena Chardonnay 1973 e entre os tintos, o californiano Stag’s Leap Wine Cellars venceu os Bordeaux com seu Cabernet Sauvignon. Veja abaixo os vinhos vencedores.

Só por curiosidade: a ordem dos vinhos foi entregue ao Sr. George M. Taber, que foi o único jornalista que aceitou cobrir o evento (na época Spurrier, convidou vários jornalistas para o evento, mas todos recusaram). Outra curiosidade: em 2006 Spurrier repetiu o desafio: uma degustação foi feita em Londres e na Califórnia simultaneamente e com os mesmos vinhos, com profissionais escolhidos de cada região, e para surpresa geral novamente a Califórnia venceu a competição. Na foto abaixo, uma cena do evento pintada pelo artista Gary Myatt.

Em comemoração ao 40º aniversário do Julgamento de Paris, a Visit Napa Valley organizou o Flavor Napa Valley, um grande conjunto de eventos do qual participam vinícolas, restaurantes e hotéis,. Entre os dias 16 e 20 de março  serão realizados 40 eventos que começam como um jantar sofisticadissimo no Silverado Resort & Spa (US$ 295.00 por pessoa), jantares e almoços em restaurantes com cardápios especiais, visitas especiais a vinícolas (entre as quais open-days no Chateau Montelena Winery, em Calistora, um dos grandes vencedores em Paris) e pacotes especiais em hotéis.  Para detalhes visite o site http://flavornapavalley.com/events/
O Filme “Julgamento de Paris” (Bottle Shock, no original em ingles – veja acima uma cena do mesmo) é do diretor Randall Miller. É um filme leve, divertido e livremente inspirado no histórico evento, é perfeito para assistir acompanhado de uma taça de vinho. Algum tempio atrás era fácil de encontrar na internet ou na Netflix.


Em 2014 Steven Spurrier organizou um confronto cego de espumantes brasileiros contra franceses, veja aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/03/o-julgamento-de-sao-paulo-ibravin-traz.html

(*) Rogerio Ruschel é editor de In VIno Viajas a partir de São Paulo, Brasil, mas escreve para leitores de bom gosto que estão em 129 países 

domingo, 2 de março de 2014

O Julgamento de São Paulo: Ibravin traz Steven Spurrier ao Brasil para confronto cego de espumantes brasileiros contra estrangeiros


Por Rogerio Ruschel (*)
Marcel Miwa, do suplemento Paladar do jornal O Estado de São Paulo, informou esta semana que “o britânico Steven Spurrier (fotos acima e abaixo) aceitou convite do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) para conduzir uma degustação em que espumantes brasileiros vão enfrentar, às cegas, espumantes produzidos em diferentes países. A prova está marcada para 25 de abril, uma sexta-feira, em São Paulo, logo após a Expovinis. Os vinhos serão avaliados por cem especialistas, numa grande degustação às cegas, em que os degustadores não sabem quais são os vinhos.”

Miwa continua: “A degustação já está sendo chamada de Julgamento de São Paulo, em referência ao Julgamento de Paris, célebre degustação que colocou os vinhos californianos no cenário mundial, em 1976. Na prova às cegas, idealizada e conduzida por Steven Spurrier, brancos e tintos da Califórnia enfrentaram grandes Bordeaux e Borgonhas e, em alguns casos, foram avaliados como superiores. Detalhe: apenas um dos degustadores não era europeu.“ Na foto abaixo Spurrier com duas jornalistas no dia da prova, em maio de 1976.
No evento, o vinho branco californiano tinto Chateau Montelena (acima, à esquerda) ficou vários pontos acima dos franceses e o vinho tinto Stags’Leap (à direita) ganhou dos franceses por meio  ponto; Spurrier interpretou isso porque "como era um vinho jovem e fresco, o Stag’s Leap foi considerado frances pelos julgadores”. Veja abaixo cena do filme e mais abaixo ainda uma pintura de Gary Myat da mesma cena, com o nome das pessoas. 

A história – que praticamente colocou os vinhos norte-americanos no mercado mundial – se tornou um livro de sucesso no mercado dos vinhos e virou filme (veja cenas acima e foto do poster brasileiro do filme, abaixo). Informa Marcel Miwa que “Ao idealizar a prova, o objetivo do Ibravin é conquistar espaço para o espumante brasileiro e projetá-lo com destaque entre os rótulos do Novo Mundo, segundo afirma o gerente de promoção para o mercado interno do Ibravin, Diego Bertolini, para o Paladar.” In Vino Viajas procurou, mas o Ibravin não confirma a informação em seu site, nem respondeu a e-mails.


O Julgamento de Paris foi realizado novamente em 2006 simultaneamente em dois painéis, em Londres e na Califórnia, com nove juizes de altissimo padrão - e os resultados continuaram bem similares aos de 1976.  Steven hoje é um consultor de vinhos na Decanter, escreve sobre vinhos e se diverte como produtor no Spurrier’s Bride Valley Vineyard, na região ingles de Dorset (foto abaixo). 

Eu creio que foi uma boa idéia e que os espumantes brasileiros podem se sair bem nesta prova. Mas só por curiosidade, fique sabendo que por causa do resultado do Julgamento de Paris, Steven sofreu perseguições por cerca de dois anos e foi acusado de ter fraudado as notas pela jornalista Odette Kahn, na época badalada editora da Revue du Vin de France, a mais importante do mundo. Spurrier disse em uma entrevista a um jornal britânico no ano passado que “Odette Kahn ficou bastante chateada com o resultado. Ela percebeu a importância dramática dps resultados e exigiu suas notas de volta. Recusei-me a entregar, porisso ela foi embora num acesso de raiva e imediatamente escreveu um artigo dizendo que a votação tinha sido fraudada. Ela não podia ser vista como uma pessoa que foi a uma festa de degustação onde vinhos da Califórnia ficaram à frente de franceses - eventualmente com o voto dela...” 

Saiba mais sobre o Julgamento de Paris em um post da sommeliére Tania Canadá publicado no  In Vino Viajas que relembrou os 37 anos do fato histórico – acesse http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/06/o-julgamento-de-paris-faz-30-anos.html

(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e aposta na qualidade dos espumantes brasileiros.


Assunto atualizado em 28 de abril de 2014, com texto de Didu Russo


Didu Russo participou da “degustação às cegas” e fala sobre o que assistiu.

Veja a seguir o que Didu Russo, um dos sommelier brasileiros mais respeitados e certamente o que tem a opinião mais independente, escreveu no seu blog sobre a degustação às cegas com Steven Spurrier, realizada dia 25 de abril, durante a Expovinis 2014.

"Eu fui e vou dizer o que acho.


Por Didu Russo (*)

Estive no Evento Panorama dos Espumantes do Hemisfério Sul e “Secondo Me” não foi bom para os Espumantes brasileiros. Antes das críticas quero lembrar aos leitores, que sempre defendi os vinhos brasileiros, quem acompanha minha trajetória sabe bem disso, mas todos sabem também que não posso deixar  criticar o que considero merece ser repensado. A crítica neste caso é construtiva, pois acredito que temos muito a oferecer.

Primeiro quero elogiar o que gostei. Gostei por exemplo de ver a Andreia Gentilini Milan, que o Ibravin teve a decência de convidar, afinal o evento fazia parte de sua gestão e estava apoiado em sua tese de mestrado. Gostei de ver o Steven Spurrier avaliando, comentando e elogiando alguns espumantes brasileiros, até pedi que o Mauricio Tagliari me fotografasse com Mr Spurrier, o homem merece respeito pelo que fez e faz. além de ser educado, sério, elegante. Gosto de gente assim.

Gostei da temperatura de serviço dos Espumantes e da qualidade desse serviço também. Longe da competência do serviço da Avaliação Nacional, mas bom.
Gostei de ver os diversos jurados falando de cada espumante, ficava bem claro a competência ou não,  de cada um deles, a sinceridade ou não, de cada um deles, e a postura de cada um deles. Gostei de ver diversidade de opiniões e firmeza entre alguns desses jurados que considero pela competência.


Gostei também do espaço e do ar condicionado. Parou por aí o que gostei pois acho que o evento foi prematuro, não fez bem ao espumante brasileiro e teve algumas deselegâncias que não contribuíram em nada, ao contrário.
Vamos aos pontos:
1. Eu e todos os outros convidados, de maior estatura que eu, fomos convidados como avaliadores  e recebemos crachás de VIP, porém éramos uma platéia degustadora, nossas opiniões ou avaliações não foram consideradas e nem ouvidas. Foi grosseiro isso.
2. O juri que avaliou os espumantes ficou em outra sala (Para que isso?, ficou pedante e presunçoso), com transmissão ao vivo para nós que de avaliadores convidados pelo Ibravin passamos a platéia degustadora sem direito a palpite.
3. O juri foi escolhido com o objetivo claramente promocional, pois tinha gente de todas as revista lá só faltou a Gosto. Nada contra, mas ficou deselegante primeiro ignorar outras mídias, inclusive mais fortes e mais rápidas.
O que você está lendo agora por exemplo, vai esperar uns 40 dias para ler em uma revista. Sorry são os tempos modernos… Depois havia no grupo da platéia ao menos umas vinte pessoas de competência bastante superior a grande parte dos “escolhidos”. Cito apenas cinco nomes aboslutamente incontestes:
  • José Luiz Giorgi Pagliari
  • Silvia Mascela Rosa
  • José Maria Santana
  • Philippe Mevel
  • Carlos Abarzua

4. Cada avaliador dos “escolhidos”  proferiam ao final de cada uma das baterias suas tres amostras preferidas. Mas nós que nos tornamos platéia não fomos considerados, nem ouvidos. Nem por mera curiosidade.
5. O apresentador oficial do evento não era do setor e por conta disso cometeu gafes, errou nomes, coisas  desnecessárias. Produziu uma pompa que não cabia, não se usa mais há anos.
6. As amostras foram servidas sabendo-se de que País eram. Por tanto não se sabia as marcas mas a origem delas. Não gostei. Por que isso? Foi preconceituoso.
7. Foram separados os espumantes do método Charmat e do Tradicional, que erradamente foi chamado o tempo todo de Champenoise. Por que? O consumidor sabe a diferença?
8. Ninguém sabia exatamente qual o critério de seleção das amostras. Ouvi diversas versões e a oficial (acredito) do Diego Bertolini dava conta de que os espumantes teriam sido selecionados entre listas de espumantes já consagrados com menção ou prêmio em publicações do setor. Dessa lista o Jorge Lucki teria selecionado os Charmat e o Steven Spurrier as do método tradicional.
9. Foram selecionadas tres amostras brasileiras (isso mesmo 3 amostras) diante de tres argentinas, tres chilenas 1 da Nova Zelandia, 1 Sul Africana e 1 Australiana.  Por conta de qual raciocínio se chegou a essa proporcionalidade de amostras?
10. O resultado do painel Charmat teve como espumante preferido do juri dos “escolhidos” (ou seja o mais citado entre os tres preferidos de cada um), um espumante da Nova Zelândia. Ou seja 1 X 0 para a Nova Zelândia contra o Brasil. Para que isso?!…
11. No painel dos espumantes pelo método tradicional ganhou por 1 voto de diferença um espumante brasileiro, que obteve a preferência de 9 jurados contra 8 de outro da Nova Zelândia. Ufa!!… 1 X 1 Nova Zelândia e Brasil… como disse o Spurrier: “Ainda bem que eles não são bons nem no futebol e nem no marketing de seus espumantes…”
12. Não se sabia o preço ao consumidor de nenhum dos espumantes.
13. O que os “outros” avaliadores que se transformaram em espectadores preferiram nunca saberás…
A principal conclusão desse evento para mim foi mostrar que a Nova Zelandia faz excelentes espumantes que rivalizam com os nossos. Isso com toda a imprensa do vinho brasileiro lá! E nosso espumante é líder absoluto no mercado interno. Pra que levantar essa bola gente?!

O que eu acho:
Se eu trouxesse aquí o Steven Spurrier, o Patricio Tapia e o Dirceu Viana que são craques e que podem repercutir a qualidade de nossos espumantes lá fora, eu não preciso de juri daqui. Não preciso colocar nossos espumantes em comparação com nenhum outro, mas mostrar o que temos.

Eu faria um painel com os cinco espumantes mais vendidos, charmat ou não, os dez espumantes mais premiados ou citados na imprensa brasileira e alguns espumantes alternativos que mostrem caminhos ousados. Sirvo-os às cegas e então pergunto a eles:
  • O que acham?
  • São bons?
  • Têm personalidade?
  • O que falta?
  • Que caminho seria ideal seguir para exportar?

O que fizemos, secondo me, não ajudou em nada e não foi nem de perto representativo do que temos (posso citar de cabeça facilmente uns trinta espumantes que deveriam estar alí), inclusive o Marcus James Brut que custa R$ 20,00 e que sempre leva a melhor às cegas…

Pusemos poucos de nossos espumantes em comparação com produtos absolutamente irrelevantes em nosso mercado. Gente, existe um cara chamado consumidor, lembram-se? Aliás ele é a única saída para todos vocês."

(*) Didú Russo, que já fez mais de 200 palestras pelo Brasil, escreve sobre o vinhos desde 1992 é hoje vice-presidente da Confraria dos Sommeliers, colaborador da Revista 29horas, do Jornal Vinho & Cia, da Prazeres da Mesa onde cobre todas as degustações da Confraria dos Sommeliers, da Revista FECOMERCIO e do Corriere Vinicolo de Milão. Didú é coordenador do Comitê do Vinho FECOMERCIO, Editor do informativo What’s Up e Diretor e Apresentador do programa de entrevistas CELEBRE ! além de ser autor de dois livros “Nem Leigo, Nem Expert” em versão impressa e em áudio-livro e do “Vinho para o sucesso Profissional”.




 

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Julgamento de Paris faz 40 anos


Meu prezado leitor ou leitora, estou atualizando este post que publiquei em junho de 2013, agora que estamos comemorando 40 anos  do Julgamento de Paris. O sucesso do Napa Valley e dos vinhos da Califórnia vem crescendo desde este evento de tal maneira que se tornou fundamental para a economia da região e dos Estados Unidos. Veja só: produtores de vinho, hoteleiros, restauranters, guias, lojistas, gestores públicos e milhões de norte-americanos participantes de cerca de 60 setores da economia comemoram o faturamento de R$ 4,5 bilhões (US $ 1,27 bilhões) deixados por turistas no Napa Valley em 2015. Os visitantes suportaram a geração de 13.680 empregos e geraram US$ 116 milhões em receitas fiscais (R$ 412 milhões) para a Califórnia. Será que o evento foi importante? Comemoremos!
 
Por Tânia Canadá (*)
Olá amigos de Bacco, há alguns dias fui convidada pelo meu amigo, jornalista e enófilo Rogerio Ruschel, a escrever alguma coisa sobre o tema Julgamento de Paris; então seguem minhas observações sobre o acontecimento, dicas dos vinhos a serem degustados e alguma coisa sobre o famoso filme que vale a pena ser visto.
 
Em 1976 o inglês Steven Spurrier, um apreciador de vinhos e dono de loja de vinhos em Paris, decidiu fazer uma prova de vinhos da Califórnia (Região de Napa Valley) contra os vinhos franceses, já esperando que os vinhos franceses superassem de longe os vinhos da Califórnia. Afinal na década de 70 os vinhos californianos ainda não eram conhecidos mundo afora, ele aceitou essa ideia de uma amiga e funcionária de sua loja, acreditando também que teria um aumento em suas vendas de vinhos franceses. Porque Califórnia? Aquele era o ano do bicentenário da independência americana e como sabemos, a França e os EUA tem uma longa história nesta luta.
Em visita as poucas vinícolas de Napa Valley na época, o britânico ficou encantado com alguns rótulos degustados, comprou algumas garrafas e convidou alguns dos proprietários das vinícolas para uma viagem a França para acompanharem o evento de degustação (ocorrido em 24/05/76) que seria feita às cegas por alguns profissionais renomados do setor. Como nem todos os proprietários das vinícolas americanas tinham condições de viajar a França, os mesmos se reuniram e escolheram um representante que falaria em nome das vinícolas de Napa Valley. Veja abaixo uma cena do filme.
 
Na degustação em um Hotel no centro de Paris, foram reunidos os rótulos de Napa Valley  (branco Chardonnay e tinto Cabernet Sauvignon) e os Franceses  escolhidos um a um por Steven Spurrier, o Château Haut-Brion (representando a uva Cabernet Sauvignon) e o Puligny-Montrachet Les Pucelles -Domaine Leflaive's (representando a uva Chardonnay). 
Lacrados e demarcados para a escolha do melhor vinho, a ordem dos vinhos foi entregue ao Sr. George M. Taber, que foi o único jornalista que aceitou cobrir o evento (na época Steven, convidou vários jornalistas para o evento, mas todos recusaram). Em 2010 a cena do filme na qual os jurados descobrem que os vencedores não foram os franceses, foi pintada por Gary Myatt - veja abaixo.
Os convidados seriam o Sr. Aubert de Villaine, proprietário do Domaine la Románee – Conti, Odete Kahn, editora da Revista Le Revue du Vin de France, alguns sommeliers de restaurantes renomados da época e o jornalista George M. Taber.
Para surpresa de Steven Spurrier e de todos os profissionais, o vinho branco vencedor da degustação foi o Chateau Montelena de Nappa Valley  e o tinto vencedor também foi um californiano, o Stag's Leap Wine Cellars. (Abaixo, residência em Spring, Califórinia).
Segundo relato de George M. Taber houve uma discussão geral, os profissionais não conseguiam acreditar que tinham escolhido os vinhos californianos.

O evento teve tal repercussão que colocou os vinhos californianos na carta de inúmeros restaurantes e lojas no velho e no novo mundo. Algo irreversível tinha ocorrido. O mapa do mundo dos vinhos tinha mudado a sua geografia e nunca mais seria o mesmo. Pouco tempo depois uma garrafa do Chateau Montelena vencedor passou a fazer do acervo do Smithsonian Museum (que fica em Washington, DC).
 
30 anos depois, a Califórnia ganhou de novo
Em 24/05/2006, 30 anos após e famoso Julgamento de Paris o britânico e proprietário de Loja Steven Spurrier decidiu repetir a famosa degustação. Ela foi feita em Londres e na Califórnia simultaneamente e com os mesmos vinhos, com profissionais escolhidos de cada região, e para surpresa geral novamente a Califórnia venceu a competição com o vinho tinto Ridge Monte Belo. (Vinhedos em Napa Valley, abaixo).

Dicas

O Famoso Chateau Montelena (Ganhador de 1976) é comercializado no Brasil pela Smartbuy Wines. Eles possuem o branco e o tinto (safra 2010), preço bem salgado na faixa de R$ 400,00 a garrafa.
O Ganhador de 2006 o tinto Ridge Monte Belo e comercializado no Brasil pela Mistral, preço nas alturas na faixa de R$ 750,00.
O Filme Julgamento de Paris (Bottle Shock, no original em inglês) foi lançado em 2008, no Festival de Sundance, e o diretor é Randall Miller. Um filme leve, divertido e livremente inspirado no histórico evento, é perfeito para assistir acompanhado de uma taça de vinho. Lazer  prazeroso, fácil de encontrar em locadoras ou na Netflix.
O britânico Steven Spurrier, esteve algumas vezes no Brasil nos últimos anos, e degustou alguns dos nossos melhores vinhos. Será que em breve teremos uma nova degustação as cegas Brasil/Napa Valley/França? É esperar e torcer para ver. Sem nenhuma dúvida nossos espumantes do Vale Gaúcho (Vale dos Vinhedos) seriam bons representantes para o nosso país.

(*) Tânia Canadá é sommelière e coordena a Confratia 4 Est - contatos: taniacanada@gmail.com - Confraria: http://www.facebook.com/groups/196456527096203/