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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Evento mostra o que só a Bahia tem no campo: produtos de terroir com identidade territorial que conquistam o mundo.


Por Georgina Maynart, do jornal Correio, editado por Rogerio Ruschel. Fotos jornal Correio
Meu prezado leitor ou leitora, você sabe o que é que a Bahia tem? Tem tudo isso que nós já conhecemos, mas tem muito mais – inclusive muitos produtos com poderosa identidade territorial e que por causa disso crescem em prestígio, valor e aceleram o desenvolvimento regional. Entre estes tesouros no fundo do quintal baiano estão o cacau cabruca (do sul da Bahia), a cachaça de Abaíra, café verde em grãos do Oeste, cafés da Chapada Diamantina, o Cravo da índia do baixo sul, as Ostras do Recôncavo, zona rural de Cachoeira, às margens da Baía do Iguape, as mangas e uvas do Submédio Vale do São Francisco, os afamados charutos do Recôncavo, algodão de sequeiro do Oeste da Bahia e Vinhos da Chapada Diamantina. Aliás In Vino Viajas já apresentou a seus leitores os vinhos do Morro do Chapéu, com alma francesa, veja aqui: http://www.invinoviajas.com/2017/03/conheca-o-misterioso-morro/ )
Como meus leitores já sabem porque repito insistentemente, produtos de terroir valem além do preço que obtém no mercado, porque seu valor deve ser avaliado em termos de geração de empregos e renda, valorização cultural e social das comunidades e ainda quanto valem por divulgar seus territorios de origem atraindo turistas e investidores e por sua importância como produção inovadora e sustentável do agronegócio, com cadeias produtivas de base local.
Para dimensionar o valor destes produtos vai ser realizado dia 24 de outubro, o I Fórum de Inovação e Sustentabilidade para a Competitividade - FISC, uma realização do jornal Correio, Ibama e WWI, com o patrocínio da ABAPA, Fazenda Progresso e Suzano S.A e apoio institucional da FIEB e FAEB/SENAR.


Para você conhecer melhor estes tesouros baianos, In Vino Viajas convidou Georgina Maynart, repórter do jornal Correio, de Salvador, Bahia, para publicar aqui o que os leitores do Correio já sabem. Georgina lembra que além destes produtos, a Bahia tem muitos outros. Em meu livro “O valor global do produto local – A identidade territorial como estratégia de marketing” (Editora Senac, junho/2019), o primeiro do Brasil com este foco (veja a capa acima), publiquei um artigo exclusivo do professor Alcides dos Santos Caldas, da Universidade Federal da Bahia, sobre as Indicações Geográficas do Nordeste e o potencial da Bahia, entre os quais ele lembra os processos de registro da farinha de copioba, as rendas de Saubara, as cerâmicas de Maragogipinho, o sisal de Valente e o guaraná de Tapero. 

Com a palavra, Georgina Maynart, do jornal Correio.

Nossos terroirs, o que só a Bahia tem

Clima, solo, técnicas e tecnologias ajudam estado a produzir frutos e grãos únicos em todo o mundo.
Eles são únicos. Em nenhum lugar do planeta se produz algo com sabor parecido, textura similar, igual volume, tamanho ou cor. Produzidos em determinadas regiões, em condições climáticas exclusivas, eles vêm sendo relacionados até como “terroir” mesmo quando não se trata de vinho. Com características peculiares eles ajudam a dar uma cara especial à agropecuária baiana no cenário mundial. Podem até não ser produzidos em grandes quantidades, como as commodities soja e algodão do oeste da Bahia. Mas, sem dúvida, marcam presença definitiva na lista de muitos compradores internacionais que desejam um bocadinho deste diverso e saboroso pedação do Brasil.
São produtos do campo que vão ainda mais longe. 

Além de atiçar o paladar, geram empregos, influenciam na balança comercial, servem de insumos para agroindústrias ou se tornaram pilares econômicos de muitos municípios baianos. Com base em informações de órgão oficiais como IBGE, Ministério da Agricultura, Embrapa, prefeituras municipais, associações e sindicatos de produtos rurais, o CORREIO montou um mapa com dez destes 'terroirs' baianos. 


São produtos com identidade própria, distintos de outros existentes no mercado, e gerados a partir de características vinculadas ao local de origem, como clima, temperatura, altitude, técnica de preparo, entre outras. Cada detalhe faz a diferença. As amêndoas de cacau produzidas em 64 municípios do sul da Bahia estão nesta seleta lista. Em 2018 os cacauicultores desta região conquistaram o registro de Indicação Geográfica, conferido pela Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Também é única a cachaça produzida na microrregião de Abaíra, na Chapada Diamantina. A bebida, fabricada com aguardente de cana-de-açúcar em quatro municípios da região conquistou o registro do INPI em 2014.

“A associação conseguiu provar, entre outros pontos, que esta cachaça possui base e relevância histórica, manejo diferenciado, e até a levedura que compõe a bebida só se desenvolve em ambiente natural nesta região específica da Bahia”, afirma Felipe Toé, assessor jurídico da Associação de Produtores de Aguardente de Qualidade da Microrregião de Abaíra (Apama).

Se a Ásia é produtora de mangas, certamente as de lá não são iguais às frutas das mangueiras que brotam no Vale do São Francisco, no norte da Bahia. O clima da região semiárida, aliado às novas técnicas de produção, à ciência e ao empreendedorismo de centenas de agricultores fizeram surgir mangas diferenciadas. Hoje elas ajudam a tornar a Bahia uma das maiores produtoras de frutas do mundo. Em 2009, as mangas e as uvas de mesa do norte do estado foram os primeiros produtos da Bahia a conquistar o selo de origem. Dividimos a reputação com as frutas cultivadas no mesmo polo mas em pomares localizados em território pernambucano.


 
Também integram esta primeira lista vinte produtores rurais de 11 municípios do oeste baiano que cultivam o café verde em grãos, da espécie Coffea arábica. Este ano eles entraram para o grupo com indicação de procedência ao provar que os grãos são diferenciados.

“É um café de corpo acentuado, acidez positiva, leve doçura, sabor agradavelmente frutado, gosto remanescente prolongado e aroma floral com boa densidade. O clima do cerrado, os ventos, o modo como os cafezais são manejados e a forma como os grãos são descascados e desmucilados fazem a diferença. Além disso, todos os produtores adotaram procedimentos de respeito ao meio ambiente, de conformidade com a leis trabalhistas e de preservação das reservas ambientais”, afirma José do Espírito Santo, Presidente da Associação dos Cafeicultores do Oeste da Bahia (Abacafé).

Outros roteiros

Outros produtos gerados na Bahia estão a caminho de conquistar novos selos e projeções. Com projetos de reconhecimento oficial já em andamento, ou em fase inicial de discussão, eles são considerados importantes pela relevância social, cultural ou econômica.

Entre elas estão as fibras de sisal da microrregião semiárida de Valente, os cafés premiados internacionalmente de Piatã, os charutos nacionais produzidos apenas no Recôncavo baiano, e as ostras do Recôncavo, na zona rural de Cachoeira, as margens da Baía do Iguape. As especiarias do baixo sul também integram o nosso mapa. A Bahia é o único estado do país que produz e exporta cravo da índia. O estado também tem a proeza de produzir ainda a melhor fibra de algodão de sequeiro do mundo. Fortes, resistentes e de alta qualidade elas brotam em pleno cerrado baiano.


E vem mais por aí. Outros produtos típicos podem ganhar no futuro novos selos de distinção. Entre eles estão as frutas vermelhas de clima temperado cultivadas em plena Chapada Diamantina, a farinha do Vale da Copioba no recôncavo baiano, o azeite da Costa do Dendê, os derivados de licuri do semiárido, os cafés do Planalto da Conquista, os vinhos de Morro do Chapéu.

À lista promissora pode ser adicionada ainda a carne de fumeiro de Maragogipe, as frutas da microrregião de Gandu, as laranjas do agreste em Rio Real, as surpreendentes azeitonas de Rio de Contas e os derivados de coco do litoral norte. Todos com potencial de inserção futura no mapa de indicação geográfica e de procedência.

Evento discute campo sustentável

As peculiaridades dos ecossistemas baianos - responsáveis pelos nossos terroirs - são nossas riquezas. No Sul da Bahia, por exemplo, o clima e o solo característicos são responsáveis pela produção do chamado “chocolate da Mata Atlântica”. Do mesmo jeito, o  algodão baiano, plantado na região Oeste, foi reconhecido como a pluma de sequeiro de melhor qualidade no mundo. Estes e outros exemplos mostram que o aproveitamento responsável do potencial agrícola rendem à nossa economia.

As melhores estratégias para aproveitar o potencial ambiental do estado sem ferir o meio ambiente serão discutidas no próximo dia 24, no 1º FISC – Fórum de Inovação e Sustentabilidade para a Competitividade, no Senai Cimatec. O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama) na Bahia,  Rodrigo Alves, destaca a importância de se apresentar as boas práticas na relação entre o setor produtivo e o meio ambiente. “A apresentação daquilo que dá certo é uma vertente do que queremos trabalhar na busca de um meio ambiente equilibrado. E tem muita coisa sendo feita corretamente”.

 Segundo o superintendente, o Ibama pretende provocar uma discussão sobre o desenvolvimento sustentável. Além do evento em Salvador, ele diz que vai realizar outros  em Vitória Conquista e Luís Eduardo Magalhães, em 8 e 22 de novembro. 

O presidente da Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, ressalta que a sustentabilidade é um interesse de toda a sociedade, mas de especial interesse para o agronegócio. “A sustentabilidade, em toda a sua essência, econômica social e ambiental, é fundamental para a nossa sobrevivência. A gente não pode ser simplista em achar que é só proteger uma floresta ou uma nascente. É uma questão que envolve a sobrevivência humana”, defende. “ Obrigado Georgina.

Apenas reforçando, a agricultura tem que trazer desenvolvimento e ele precisa ser sustentável. Essa é uma das condições indispensáveis para qualquer tipo de atividade econômica no século XXI na opinião do diretor da WWI, Eduardo Athayde. Neste sentido, Athayde considera o I Forum de Inovação e Sustentabilidade para a Competitividade como um evento fundamental “para debater inovações disruptivas que estão acontecendo no mundo hoje e que estão influenciando diretamente a sociedade e a economia brasileira”. Ele estará participando do evento  falando sobre a “eco-nomia digital” para o Brasil, com um PIB de US$ 2 trilhões,  e sede da maior concentração de ativos ambientais do planeta. 

Brindo a isso.


terça-feira, 15 de outubro de 2019

O futuro das bebidas e as bebidas do futuro são os temas do Simpósio Senac de Bebidas 2019, dia 28 de outubro, em São Paulo


Por Rogerio Ruschel
Prezado leitor ou leitora, como definir o valor de uma bebida global e similar a outras de outra, artesanalmente produzida com matérias-primas locais e que tem uma identidade exclusiva? Como podemos agregar valor a bebidas com identidade territorial, caipiras, brasileiras? Como as mudanças nas relações sociais e as novas tecnologias influenciam o consumo de bebidas? Quais os grandes desafios da valorização de bebidas brasileiras? Que novos modelos de negócio estão surgindo no mundo das bebidas e como aproveitar isso? Quais as tendências para o segmento de bebidas que devemos prestar atenção? 

Estes são alguns dos temas que profissionais do varejo, restaurantes, bares, de turismo e interessados em geral vão discutir com especialistas, empresários experientes, formadores de opinião e jornalistas dos principais veículos de comunicação do país no segundo Simpósio Senac de Bebidas, no próximo dia 28 de outubro. Será um grande evento, que vai repetir o sucesso do primeiro Simpósio que lotou o Senac Aclimação em 2018. 

O Simpósio Senac de Bebidas vai ter uma ampla programação, das 13:00 hs as 21:00 hs do dia 28 de outubro. Estão planejados encontros com autores de livros especializados da Editora Senac, paineis temáticos, palestras com debates e uma Feira de Produtores, com o objetivo de destacar a importância das bebidas no contexto da alimentação, hospitalidade e turismo. Amigo ou amiga, é um dia inteiro para ver e ser visto, compartilhar conhecimentos, atualizar-se com as novidades e fazer networking de qualidade.

Estarei lá compartilhando e aprendendo. Das 13:00 às 13:50 vou participar com outros cinco profissionais da sessão de “Café com os Autores”, conversando sobre e autografando meu livro “O valor global do produto local - a identidade territorial como estratégia de marketing” (capa acima), publicado em maio e que tem tido muito sucesso. A partir das 14:00 hs vou mediar o primeiro painel da tarde que contará com tres profissionais que estão valorizando a identidade territorial de produtos na prática: 

·      Alberto Nascimento, sommelier das Cervejas Colombina, da Cervejaria Goyaz, de Goiania, famosa no Centro-Oeste, que está levando ingredientes do Cerrado como a rapadura Moça Branca, cagaita, murici, pimenta bode, castanha de baru, baunilha do cerrado e outros tesouros do fundo do quintal para consumidores da Europa
·      Evandro Weber, terceira geração no comando da centenária Weber Haus, a mais importante destilaria de cachaça do Rio Grande do Sul, colecionadora de prêmios (já tem mais de 100) e exportadora para Europa e Estados Unidos de cachaças, gins e outros produtos exclusivos a partir de uma pequena (e charmosa) comunidade gaúcha chamada Ivoti;
·      Fabrício Almeida, diretor da ZalaZ, que produz artesanalmente cafés especiais, cervejas, pitaya, feijão, maracujá, mandioca, gado de corte e suínos em Paraisópolis, MG – aliás, foi a primeira fazenda orgânica a ganhar o cobiçado prêmio internacional para cafés especiais Cup of Excellence e obteve a maior pontuação histórica no concurso


Terei a honra de ser o mediador de um painel com estes profissionais sobre O Valor da Regionalidade - produtores locais, cultura e turismo”, tema do meu livro que se propõe a agregar valor a produtos com uma identidade exclusiva, local. Como se sabe, a identidade territorial diferencia, qualifica e protege um produto; agrega valor econômico, cultural, político e social a ele, além de valorizar o território no qual é produzido, atraindo turistas, investidores e moradores que buscam qualidade. 

Pois vamos ver na prática como cervejas, cachaças, sucos, vinhos e outras bebidas vem fazendo isso, no Brasil e, sem perder os valores da essência local, exportando para o consumidores cansado da mesmice industrializada de bebidas similares e sem identidade própria. E durante todo o dia tem uma Feira de Produtores, onde você vai poder provar, degustar e saborear bebidas e agroalimentos, e conhecer de perto quem está valorizando os tesouros do fundo do quintal. Brindo a isso.

Veja a programação completa e faça sua inscrição rapidamente porque as vagas são limitadas: https://www.sp.senac.br/senac-eventos/senac-aclimacao/simposio-senac-de-bebidas/5363/946/962/NONE/

Serviço:
Simpósio Senac de Bebidas
Local: Senac Aclimação - Rua Pires da Mota, 838 - São Paulo
Data: 28/10/2019
Horário: 13:00 às 21:00
Preço: R$ 250,00

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Cricova, na Moldávia, que tem a maior adega do mundo com 120 Km, é a Cidade Europeia do Vinho Dioníso 2020

 
Por Rogerio Ruschel

Meu caro leitor ou leitora, a Moldávia, um pequeno país que ficou independente da União Soviética em 1991, mas que tem uma história de quase 5.000 anos sempre ligada ao vinho, foi declarada pela Rede Europeia de Cidades do Vinho - Recevin como Cidade Europeia do Vinho Dioníso 2020. O Presidente da Recevin, o português José Calixto – ele que é prefeito de Reguengos de Monsaraz, no Alentejo, uma cidade que foi Cidade Europeia do Vinho em 2015 – esteve lá não só para entregar o Diploma oficial, mas também para comemorar o fato. Já fiz uma degustação de vinhos da Moldávia em Portugal, liderada pelo meu amigo moldavo Simon Croituru, e posso garantir que merecem a fama que tem.

A Moldávia tem 4,6 milhões de habitantes; cerca de 25% de seu PIB é baseado no vinho e produzido em duas regiões vinicolas importantes: Cricova e Milestii Mici que discutem quem tem as maiores adegas do mundo. Pois é, e parece que é Cricova, que tem uma adega com mais de 120 Km de extensão. Isso mesmo, 120 quilometros. As “minas de Cricova” ficam perto da capital Chisinau e suas entranhas de calcáreo começaram a ser escavadas no século XV com o objetivo de fornecer calcáreo e cal para a construção de Chisinau, uma cidade bem moderna é que foram ocupadas por vinhateiros e se tornaram uma importante atração turística.



As adegas de Cricova tem até 7,5 metros de largura e 3,5 metros de altura e albergam cerca de 1,3 milhões de garrafas com 653 marcas diferentes. Nelas podem circular automóveis por ruas que são batizadas com nomes de uvas, como Praça Cabernet, corredor Pinot Noir, ruas Chardonnay, Sauvignon, Feteasca, praça Aligote ou avenida Muscat.

A Coleção Nacional de Vinhos de Cricova, que fica dentro da adega, é famosa e respeitada: as garrafas mais antigas datam de 1902 e entre elas estão algumas preciosidades que pertenceram ao general nazista Hermann Goring. Durante os períodos de guerras as minas da Cricova foram utilizadas como esconderijo de combatentes ou para estocagem de armamento – o que, aliás, também aconteceu na França durante a invasão nazista da segunda grande Guerra.



Milhares de visitantes visitam anualmente a Coleção Nacional e a adega desde que começou a ser usada para guardar vinhos nos anos 1950; registros mostram que os presidentes da China (Zian Ze Min), da França (Jacques Chirac), da Polonia (Alexander Kwasniewski), da Romania (Lon Iliescu) e da Russia (Vladimir Putin, que comemorou seus 50 anos lá dentro), além de russos como Leonid Brejnev e Mijail Gorbachov costumavam ir lá para degustar os vinhos. Aliás, moradores dizem que Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar para o espaço e voltar para o Planeta Terra se perdeu em Cricova durante dois dias em 1966 e quase não voltou…

Pois o Presicente da Recevin José Calixto fez a visita acompanhado pelo Presidente da Câmara Municipal de Cricova, Valentin Gutan, pelo Diretor Geral das Caves de Cricova, Constantin Bilici, e pelo Diretor de Cooperação Bilateral do Ministério dos Negócios Estrangeiros Moldovo, Igor Bodiu. Cricova deve começar a divulgar seu novo título em breve. Visitei caves subterrâneas em Saint Emillion - Bordeaux, no Uruguai e em Portugal. Espero um dia visitar estas caves lindas e bem cuidadas da Moldávia. Brindo a isso.

sábado, 5 de outubro de 2019

O patrimônio alimentar no turismo criativo é tema do Congresso Internacional INVTUR 2020 na Universidade de Aveiro, Portugal


Por Rogerio Ruschel

Estimado leitor ou leitora, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU) e adotada por todos os países-membros, tem o objetivo de erradicar permanentemente a pobreza no mundo, através do atingimento de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) com 169 metas. Como sabemos, o turismo é uma atividade econômica fundamental neste contexto – e em todos os países - porque de acordo com a Organização Mundial de Turismo, a atividade representa quase 10% do PIB mundial e 30% das exportações de serviços. Além disso, eu, você, seus amigos, todo mundo precisa se alimentar. Então, alimentos e turismo precisam estar alinhados com os ODS.

Por isso a edição de 2020 do INVTUR, uma conferência internacional de turismo de reconhecido importância, organizada pela Universidade de Aveiro, Portugal desde 2010, que vai ser realizado de 13 a 15 de maio de 2020, adotou como tema “Turismo e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: da teoria à prática”.

Várias universidades participam das comissões técnicas e dos diversos painéis. Um dos painéis sera sobre “A dialéticas dos patrimônios alimentares na experiência turística criativa” e será coordenado pela professor Josefina Salvado, do GOVCOPP da Universidade de Aveiro, minha particular amiga, em conjunto com o professor brasileiro Vander Valduga (da Universidade Federal do Paraná), e das pesquisadoras portuguesas Maria José Araújo e Susana Barata Gomes, da Universidade de Coimbra. Na foto abaixo, Aveiro.



Este painel vai debater as dialéticas entre os Patrimônios Alimentares (PA) nas Experiências Turísticas Criativas (ETC) e os impactos no Desenvolvimento Sustentável dos Territórios (DST). Parece complexo, mas na verdade é simples – e muito importante. Será uma uma sessão no idioma Português e pesquisadores dos nove países da Comunidade dos Países de Lingua Portuguesa estão sendo convidados a participarem ativamente com suas contribuições técnicas.
Podem ser enviados resumos alargados (até 6.000 caracteres), artigos completos ou posters, que devem ser enviados em formato digital até 31 de outubro de 2019, através da plataforma PROA (https://proa.ua.pt/index.php/rtd/ ).
Como diz um documento da Universidade do Aveiro do qual reproduzo partes, “É notório que os valores simbólicos da alimentação há muito que se cruzam com o turismo transformando-se em importantes veículos culturais e com efeitos catalisadores do desenvolvimento sustentável das regiões. Todos os territórios possuem uma identidade cultural e alimentar próprias, marcadas pela evolução histórica e social dos seus sabores e saberes tradicionais. Por vezes esses atributos identitários não estão visíveis, exigindo-se um maior envolvimento das comunidades locais, da academia, das entidades políticas e reguladoras, para a sua identificação, reconhecimento, explicitação e disseminação do conhecimento.” Abaixo, parte do campus da Universidade de Aveiro.

“Se por um lado a comida está ligada à construção de identidades, tanto individuais quanto coletivas, os sistemas culinários constituem por seu turno, espaços de inovação (criatividade) e de permanência (tradições), onde se valoriza cada vez mais o momento de preparar a comida e de partilhar a refeição. Esta dimensão cultural foi acomodada pelo turismo que a cunhou de turismo culinário, turismo gastronómico, e turismo gourmet”.

O painel vai discutir estes temas com os seguintes propósitos: assegurar a salvaguarda e a valorização do patrimônio cultural, material e imaterial existente nos territórios; criar diferenciação na oferta das experiências turísticas criativas; seguir as tendências mundiais de promoção das gastronomias locais e ser um influente domínio na Política Nacional.”
Para mais informações sobre as normas de submissão, taxa de inscrição, programa, alojamento, local da conferência e como chegar, ou formulário de inscrição, visite o website da conferência: http://www.ua.pt/invtur/

Meu caro leitor ou leitora, em 2011, a Universidade de Aveiro foi considerada uma das melhores universidades da Europa e a melhor de Portugal, pela revista britânica Times Higher Education. Aproveite a oportunidade e participe. Brindo a isso com meus amigos professores Josefina Salvado e Vander Valduga
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