Pesquisar neste blog

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Slow Food realiza evento internacional de seis meses para valorizar a identidade e a origem de alimentos saudáveis

 

Por Rogerio Ruschel

Meu caro amigo ou amiga, há males que vem para o bem. O mais importante evento de promoção e intercâmbio sobre alimentação saudável do mundo - o Terra Madre Salão do Gosto, realizado pelo Movimento Slow Food internacional - este ano, por causa da quarentena, vai ser ampliado e espichado: em vez de um congresso de 5 dias, vai se realizar durante 6 meses. Os eventos começam dia 8 de outubro de 2020 e terminam somente em Abril de 2021. Isso mesmo, seis meses! E será realizado em dezenas de locais do mundo, a maioria eventos online mas também alguns eventos físicos, onde for possível. E nesta edição histórica de 2020, o tema do evento será Nossa Comida, nosso Planeta, nosso Futuro” e vai se discutir também o impacto da Covid-19 nos sistemas produtivos da alimentação do planeta.

 

A identidade e a origem como valor

O Movimento Slow Food foi criado pelo italiano Carlo Petrini em 1986, e tem como objetivo promover uma maior apreciação da comida, melhorar a qualidade das refeições e uma produção que valorize o produto, o produtor e o meio ambiente. Atualmente a organização atua através de mais de 1 milhão de associados em 160 países. Por esta razão os militantes valorizam a identidade e a origem dos alimentos – e a força dees estea na valorizaçnao da biodiversidade. Exemplo: o Slow Food colocou nas Arca do Gosto do Brasil - 12 tipos de mel nativos do Brasil e que não são valorizados comercialmente, porque todo o sistema produtivo do capitalismo faz com que o Mercado prefira o mel das abelhas africanizadas, que não são nativas do Brasil. A Arca do Gosto é um catálogo mundial que identifica, localiza, descreve e divulga sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com potenciais produtivos e comerciais reais.

Pequeno produtor de mel de abelha Mandaçaia na Caatinga

 

Em 2019 centenas de milhares de pessoas de dezenas de países se reuniram durante 5 dias em Turim – foi um happening grandioso. O contato pessoal de um evento assim não vai ser possível, mas se ampliam as oportunidades de conhecer pessoas, alimentos e culturas locais e com identidade, porque será possível participar dos eventos digitais ao vivo ou vê-los à vontade depois de terem acontecido, como dos Fóruns, Conferências, Palestras sobre Alimentação, Como é Feito e muito mais.

Aos jornalistas credenciados será permitido utilizar todos os materiais em vídeo ou parte deles para publicação online, para acompanhar os artigos, ou como fonte das histórias. 

Por causa da quarentena, o Movimento Slow Food vai realizar a maior e mais ampla edição de todos os tempos em termos de número de países envolvidos (quase 160!), de participantes e de quantidade de “ações por mudança” que será posta em prática por um milhão de ativistas em todo o mundo. Além disso, na nova geografia do Terra Madre, o Slow Food colocará em segundo plano as fronteiras políticas entre estados e regiões e concentrará a atenção em quatro ecossistemas globais (terras de altitude, territórios aquáticos, baixadas e áreas urbanas).

Os ativistas do Slow Food analisarão as várias fragilidades, problemas, soluções e oportunidades compartilhadas por esses ecossistemas, enquadrando o debate como parte da luta contra a atual crise climática e ambiental, que continua sendo a maior ameaça ao futuro da humanidade. Nossas relações com nossos alimentos – como produzimos, distribuímos, escolhemos e comemos – têm enormes impactos em nosso planeta e, consequentemente, em nosso futuro.

No Terra Madre, a idéia é entender para onde estamos indo e identificar as ações corretivas necessárias para garantir um futuro melhor… porque estamos ficando sem tempo! Para piorar as ameaças das mudancas climáticas, da poluição e do uso excessive dos recursos naturais, o sistema alimentar foi profundamente afetado pela pandemia de Covid-19. Os impactos na oferta e demanda de alimentos estão ocasionando sérias consequências nos quatro pilares da segurança alimentar: disponibilidade, acesso, utilização e estabilidade. Então, como é possível alimentar o planeta e garantir alimentos bons, limpos e justos para todos?

O Slow Food tem a resposta: biodiversidade. O movimento sustenta que o único caminho a seguir é através da promoção da biodiversidade em todas as suas formas: desde bactérias invisíveis até as maiores espécies, bem como a diversidade de conhecimentos e culturas humanos. Esta missão é mais oportuna e urgente do que nunca. E para cumprir esta missão, é que o Terra Madre Salão do Gosto é necessário.

Acompanhe e participle dos eventos acessando aqui: https://terramadresalonedelgusto.com/en/event/

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Porque a Três Corações investe em cafés de terroir, com identidade territorial e cultura comunitária? Porque é um ótimo negócio 2


Por Rogerio Ruschel

 Prezado amigo ou amiga, a Três Corações, talvez o maior produtor brasileiro e um dos gigantes exportadores de café do Brasil, está investindo em produtos bem pequeninos, verdadeiramente de nicho, em paralelo às milhares de toneladas exportadas anualmente, que conquistaram o mundo. Afinal, porque faz isso? Porque é ótimo para os negócios – e vou explicar porque.

A Três Corações desenvolveu a marca Rituais Cafés Especiais para agregar valor a um produto que no mercado interno é vendido em seu maior volume como um produto generico, sem diferenciação aparente. Há uma boa probabilidade de que a iniciativa seja resultado da ótima experiência que a empresa vem obtendo com exportações, inclusive dentro do conjunto do trabalho da Denominação de Origem – D.O. Café do Cerrado Mineiro.

Trata-se de uma clara declaração de amor à valorização da identidade territorial, com foco na diferenciação dos terroirs.

Segundo o fabricante, os Rituais Cafés Especiais surgiram “para explorar sabores, aromas e texturas que envolvem e surpreendem, são uma jornada que conduz para um novo lugar.” E continua: “Para nós, a origem do café é seu próprio destino, e essa travessia transforma”. Trata-se de uma clara declaração de amor à valorização da identidade territorial, com foco na diferenciação dos terroirs. Neste caso a Três Corações já tem produtos de terroirs do Brasil (Cerrado Mineiro, Mogiana Pauista, sul de Minas, Orgânico) e de outros países com identidade geográfica consolidada como Java,  Etiópia, Kenia e Colombia.

Você pode dizer: OK, terroir já vem sendo explorado pelos vinhos, queijos e cafés. É verdade, terroir é fundamental para a Identidade Geográfico - IG ou Denominação de Origem - DO. Mas além da valorização destes terroirs, a empresa mantém uma linha vintage (excepcional e extemporânea) denominada “Microlotes do Projeto Florada”, com cafés criados para “reconhecer o trabalho de mulheres cafeicultoras de todo o Brasil”, como resultado de um concurso para agricultoras. É mesmo uma ótima ideia. E na sequência desta boa ideia, teve uma outra: contratou o Padre Fabio de Melo como embaixador do Projeto Floorada, em novembro de 2019. 

E olha o que ele diz: “Fui conhecer de perto o Projeto Florada no sítio da cafeicultora Luciene Mota, em Pedralva, e o que mais me encantou nesta imersão foi, além de conhecer a história e a família da Luciene, perceber a oportunidade que a 3 Corações proporciona a estas cafeicultoras. (…) Além disso, sou apaixonado por café, e saber quem produziu esta bebida e sua história, é o que o torna ainda mais especial”. De novo, uma declaração de amor à identidade territorial – ou, neste caso, uma oração…

O comercial pode ser visto aqui: https://www.facebook.com/cafe3coracoes/videos/1322746554571033/?v=1322746554571033

Para saber mais, sugiro a leitura de:

http://www.invinoviajas.com/2019/08/produtos-com-identidade/

 

Entregue em Santa Catarina o primeiro Selo Arte, que valoriza a autenticidade e a origem de queijos artesanais

 

Por Rogerio Ruschel

Prezado leitor ou leitora, no dia 16 de setembro, em plena pandemia econômica e de saúde, o casal Air e Jacinta Zanelato, do Sítio Santo Antônio, em Bom Retiro, recebeu uma boa notícia: foram os primeiros produtores de queijo artesanal Serrano de Santa Catarina a receber o Selo Arte, criado para valorizar produtos saudáveis e artesanais. Para ser considerado artesanal, o produto deve ser individualizado, genuíno e manter as características tradicionais, culturais ou regionais. Além disso deverá ser regulamentado e reconhecido como artesanal pelo Estado de Santa Catarina. O Selo Arte para produtos artesanais representa o reconhecimento de um Tesouro no Fundo do Quintal pelo governo de Santa Catarina e pode funcionar como um selo de marketing para ajudar a reduzir a penúria de pequenos produtores rurais.

O Selo Arte dos Zanelato foi um momento importante para o casal - pequenos produtores de queijos com cerca de apenas 2 Kgs de produtos por dia -  porque vai permitir que o produto agora seja comercializado em todo o país. Mas foi também importante políticamente falando, porque o casal recebeu o Selo do secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural de Santa Catarina, Ricardo de Gouvêa, e do secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, o catarinense Fernando Henrique Kohlmann Schwanke, além é claro de autoridades municipais e dirigentes setoriais.

Aliás, o Secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do MAPA, Fernando Schwanke, é um especialista em certificação e marcas coletivas com experiência internacional, inclusive na ONU (FAO) e tem percepção da importância das regras do mercado e certamente encontrará apoios para esta mobilização. O MAPA já havia criado em novembro de 2018, um selo próprio, o Selo Nacional da Agricultura Familiar (Senaf), para rastrear, identificar e promover produtos da agricultura familiar. Trata-se de uma espécie de IG – Identificação Geográfica; serão 6 tipos de Selos (Mulher, Juventude, Quilombola, Indígena, Sociobiodiversidade e Empresas) emitidos para cooperativas, associações agrícolas, agricultores e empresas com forte produção familiar, estabelecendo diferenciais.

 
Esse tipo de iniciativa está brotando em todo o Brasil nos últimos meses, muito por causa da crise financeira gerada pela pandemia de saúde que impactou fortemente pequenos produtores rurais com suspensão temporária de fornecimento para escolas públicas via PNAE; perdas de produção e quebras na estrutura de logística e distribuição; fechamento ou redução de muitas feiras livres nas cidades; quebra da entrega de produtos frescos em comércios ligados à gastronomia, restaurantes e bares e até mesmo a redução de compras de produtos não-alimentícios pelo setor de varejo e outros considerados “não-essenciais”.

Ao que parece produtores, sindicatos e entidades representativas de produtores se deram conta de que é preciso investir em marketing para diminuir a distância entre o produtor e o consumidor – e distâzncia não apenas física de logistica. Isso requer investir na qualidade, na origem e na rastreabilidade do produto, para que queijos artesanais com identificação de origem possam competir com queijos europeus certificados como IGs ou DOs, que tem longas histórias de tradição e origem para contar. A qualidade está sendo ampliada gracas ao esforço de organizações como a Embrapa, Epamig, Epagro e tantas outras – o que falta mesmo é percepção de marketing, do ciclo inteiro de marketing, da concepção à promoção nos mercados de destino, passando pela apresentação e embalagem, posicionamento, marca e conceitos e serviços pós-venda.  

As autoridades dos municípios, estados e do governo federal também se deram conta de que ficar constrangendo métodos produtivos com exigências excessivas para os produtores, só atrapalha a vida deles. É claro que questões de sanidade e saúde pública precisam ser seguidas e monitoradas, mas exigir instalacões caras para a produção de leite e queijo, por exemplo, pode ser um exagero – até porque os concorrentes europeus de queijos de leite cru também tem um pouco de “liberdade” para produzir seus produtos.

A história do Sítio Santo Antônio teve início em 2006, quando o casal Air e Jacinta Zanelato encerrou suas atividades no funcionalismo público e adquiriu uma área de 48 hectares no município de Bom Retiro. Os planos eram produzir vinhos e trabalhar com a criação de gado. A produção do queijo, trazida da cultura de seus antepassados, era um hobby para aproveitar o leite produzido, mas aos poucos foi se sobressaindo às demais atividades e se tornou um objetivo de vida.

“Somos pequenos, mas trabalhamos com muita qualidade. O Queijo Artesanal Serrano é feito com poucos ingredientes, mas tem muito da história e da tradição dos nossos antepassados. Eles nos deram de presente o bem fazer de um produto que atravessa gerações e é único para a nossa região. Apresentá-lo a mais pessoas e regiões é motivo de orgulho”, comemora o produtor Air Zanelato.

Todos ganham com a existência deste tipo de iniciativa como o Selo Arte catarinense, além do casal Zanelato que vai poder vender seu queijo fora da porteira sem correr o risco de ser preso por estar fora da lei. A chamada grande imprensa poderia ajudar valorizando isso – mas creio que não vai fazê-lo porque não é um big-business do agronegócio, daqueles que envolvem soja, carne e bilhões de dólares.  

Mas os leitores de canais inteligentes e sintonizados na realidade, como In Vino Viajas sabem que entendemos como arte do nosso trabaho aproximar este tipo de produto de valor artesanal do consumidor urbano, para que ele conheça nosso produtos – porque até hoje, por preconceito, falta de informação, falta de confiança ou esnobismo mesmo, continua preferindo produtos estrangeiros.

É por isso que escrevo aqui e gravo meus videos para a série Tesouros no Fundo do Quintal – TNFDQ (#tnfdq), onde mais de 25 vídeos contam historias de sucesso de pessoas que tem talento e investem em produtos e serviços saudáveis, com qualidade e com uma historia para contar.

Que sãoTesouros do Fundo do Quintal – como o queijo artesanal do casal Air e Jacinta Zanelato.

Fotos: Julio Cavalheiro / Secom; textooriginal: Assessoria de Comunicação – Cidasc
 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Pesquisa vai descobrir a identidade dos queijos artesanais paulistas

Quantos tipos de queijos você acredita que sejam produzidos no Estado de São Paulo?  50, 100? A Associação Paulista do Queijo Artesanal (APQA), criada há apenas quatro anos, estima que os 80 associados trabalhem com cerca de 200 tipos diferentes com leite de vaca, búfala, cabra, ovelha ou misto, boa parte feita com receitas trazidas do exterior. Mas, fora os dados da associação e de outras poucas fontes, pouco se sabe sobre a produção paulista, o que dificulta o aprimoramento de leis e a adoção de políticas públicas favoráveis ao setor.

A variedade de queijos artesanais produzidos no Estado de São Paulo é grande e por isso uma pesquisa está sendo feita para mapear o perfil da produção paulista de queijos artesanais. O trabalho, que vai levar cerca de 4 anos, está sendo feito pelo Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC) da Universidade de São Paulo (USP), por meio da Rede de Pesquisa em Queijos Artesanais Brasileiros (Repequab). O FoRC é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

À frente do projeto estão duas pesquisadoras: Gabriela Zampieri Campos e Mariana Medina Medeiros, pós-graduandas que atuam sob a orientação de Uelinton Manoel Pinto, professor do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, integrante do FoRC e um dos coordenadores da Repequab.

A FoRC fica aqui: https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/58574/forc-centro-de-pesquisa-em-alimentos

Os produtores podem acessar o questionário neste link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdoXM57d9jXT8_kZ3kgAAuT6V9FklwoHIq-pQdEpr42j45IFw/viewform

A informação é da Agência FAPESP. A foto é do Caminho Queijo Artesanal Paulista, que reúne oito produtores de SP. A edição é de Rogerio Ruschel

sexta-feira, 24 de julho de 2020

As vantagens dos vinhos com Denominação de Origem – e sua importância na Catalunha, Espanha

Por Rogerio Ruschel, com texto de Vinetur
Meu estimado leitor ou leitora, com muita frequência publico aqui no In Vino Viajas pesquisas, relatos e depoimentos mostrando a importância da identidade de um produto como agregador de valor. A União Europeia informa que pode chegar a mais de 350% no caso dos vinhos. O catalão Salvador Dali (na foto acima) amava os vinhjos de sua terra
Queijos, azeites, frios, doces, chás, biscoitos, cafés, mel, carnes que têm uma Indicação Geográfica (como Gruyére, Canastra, Pata Negra, Cerrado Mineiro, Bordeaux, Chianti) custam mais caro porque oferecem garantia de procedência e de processos produtivos que preservam sua qualidade. Vinhos são os principais beneficiários da agregação de valor com IPs – Indicações de Procedência ou DOs - Denominações de Origem.  O portal especializado Vinetur, da Espanha, publicou este texto que publico a seguir.
“O consumo de vinhos com Denominação de Origem tem inúmeras vantagens para o consumidor em relação à qualidade e garantias do produto que compra. O selo de uma Denominação de Origem garante o rigoroso controle e certificação dos vinhos protegidos, bem como a rastreabilidade do produto em todas as suas etapas de produção e elaboração.

As vinícolas registradas em uma Denominação de Origem comprometem-se a manter a mais alta qualidade possível, bem como a elaborar seus vinhos com as variedades de uvas admitidas em cada território e a Denominação de Origem, preservando a singularidade de cada região vinícola. No caso da Catalunha, eles preservam a diversidade das 11 denominações de origem de vinhos catalães. Dessa forma, o consumidor pode ter certeza de que os produtos adquiridos com o selo DO sempre terão padrões de qualidade estáveis ​​e características específicas que outros produtos sem essa distinção não possuem.

Mas, além da qualidade e rastreabilidade, as Denominações de Origem, com suas vinícolas, viticultores e viticultores, são uma ferramenta essencial para o equilíbrio territorial. Eles permitem que a população seja mantida no território - combatendo o despovoamento -, estimulam áreas mais desfavorecidas e mantêm o meio ambiente e a paisagem mediterrânea.
Na Catalunha, as 11 denominações de origem do vinho reúnem 10.000 viticultores e vinicultores de todo o território, além de 853 empresas de vinho que movimentam anualmente 1,6 bilhão de euros, segundo a agência da Generalitat Catalonia Trade & Investment.

Esses números dão uma dimensão aproximada da importância do setor vinícola na Catalunha, um setor que deve continuar se esforçando para ser o líder e líder da economia de um país onde o vinho DO catalão vende um total de 108.232.994 garrafas por um valor de € 332.601.929 nos mercados nacional e internacional, de acordo com o último relatório preparado pelo INCAVI com dados de 2018.
'Gaudeix del que es bo # ViCatalà'

Sob o lema Gaudeix de que é bo # ViCatalà, as 11 Denominações Catalãs de Origem do Vinho (DO Alella, DO Catalunya, DO Conca de Barberà, DO Costers de Segre, DO Empordà, DO Montsant, DO Penedès, DO Pla de Bages, DOQ Priorat, DO Tarragona e DO Terra Alta), com o apoio da Generalitat de Catalunya através do INCAVI, uniram forças para aproximar os vinhos catalães com denominação de origem do consumidor que mora na Catalunha.”

Texto publicado no portal www.vinetur.com dia 23 de julho de 2020
Saiba mais: Espanha investe na promoção da Denominação de Origem de seus vinhos - http://www.invinoviajas.com/2018/03/espanha-investe/

terça-feira, 7 de julho de 2020

Muita alegria e 2 mil anos de tradição esperam os visitantes nas festas da Abertura das Talhas e da Vitifrades, na Vidigueira, Alentejo, Portugal

Por Rogerio Ruschel
EXCLUSIVO – Entrevista com Luis Amado, ex-Presidente da Junta, vinicultor e  empresário de turismo de Vila de Frades.
Meu estimado leitor ou leitora, vou ajudá-lo a descobrir um precioso segredo que a aldeia de Vila de Frades, no Concelho (município) de Vidigueira, Alentejo, em Portugal, mantém preservado por 2.000 anos: o Vinho da Talha. É um segredo porque o vinho de talha que ainda é produzido como os romanos o faziam quando habitavam esta região da Peninsula Ibérica, só existe aqui. E é precioso porque se trata de um vinho fresco, saudável, com potente identidade territorial e por isso mesmo com muita agregação de valor, razão pela qual está na moda na Europa. Na foto de abertura, a alegria da abertura das talhas em uma das adegas familiares da região.
Vem comigo. E vou ajudá-lo a viver as duas melhores experiências turísticas que cercam o vinho de talha, em locais com o Selo Clean & Safe do Covid-19: o ritual festivo da Abertura das Talhas e a Vitifrades, a grande Festa do Vinho de Talha. Estes são eventos que integram o patrimônio cultural do vinho de talha que está sendo inscrito no Inventário Nacional do Patrimônio Cultural e Imaterial de Portugal e futuramente será candidato na Lista do Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade da Unesco.
Os leitores de In Vino Viajas sabem que gosto deste vinho e admiro o contexto cultural e patrimonial em que ele está inserido, razão pela qual tenho publicado vários artigos sobre o tema, cujos links você encontra no final desta entrevista. Para que você possa conhecer esta experiência como um turista privilegiado, entrevistei Luís José Roque Amado, produtor de vinho de talha em Vila de Frades e também diretor da Janelas do Turismo, agência de turismo. Presidente da Junta de Freguesia de Vila de Frades por três mandatos, Luis Amado foi também Membro da Assembléia Municipal de Vidigueira por quatro mandatos. Com a palavra, Luis Amado, o cidadão da foto abaixo.

In Vino Viajas - Existe alguma estimativa sobre o volume de produção de vinho de talha no Alentejo?
Luis Amado - A produção de vinho de talha divide-se em três gavetas diferenciadas, a primeira, dos produtores que nas suas adegas o produzem para consumo próprio e com amigos, numa vertente mais social; a segunda, dos produtores que com as suas adegas abertas vendem o vinho a garrafão, como aliás sempre foi costume; e a terceira, os produtores que já têm marca e vinho certificado e com rótulo próprio. Estes últimos, a estimativa de produção é calculada, já nos anteriores não é possível, porque depende muito das colheitas, e da vontade própria de cada um, por isso é muito variável.
In Vino Viajas - O que é a Abertura das Talhas e a celebração Vitifrades, as Festas Báquicas? É sempre na segunda quinzena de dezembro?
Luis Amado - A Abertura das Talhas é um ritual, ou costume popular que visa assinalar o vinho novo, o vinho de talha desse ano, que cada produtor ostenta com orgulho e assinala abrindo as talhas normalmente por altura do São Martinho, dia 11 de novembro, convidando amigos e brindando. Já a Vitifrades é a Grande Festa do Vinho de Talha e realiza-se em Vila de Frades há vinte e dois anos, realizando-se normalmente no segundo fim de semana de dezembro. O vinho de talha é servidom copos, como mostra a foto abaixo.
In Vino Viajas - Estas festas estão consideradas na calendário promocional do Turismo de Vidigueira, do Alentejo e do Turismo de Portugal?
Luis Amado - A Abertura das Talhas é um evento lançado e promovido pelas Janelas do Turismo há três anos, que tem tido como foco algumas adegas de Vila de Frades, com um programa cultural, provas de vinhos, petiscos e cante alentejano, mas só este ano irá integrar os canais de promoção do Turismo do Alentejo e do Turismo de Portugal, já que localmente tem sido muito difícil e é trabalhar mais por conta própria e sem os apoios necessários, mas com o tempo iremos fazer crescer o evento e coloca-lo em todos os calendários.
Já as Festas Báquicas, a Vitifrades, pela sua longevidade e enraizamento local é só por si uma fonte de referência e calendarizada na promoção dos eventos locais, embora eu ache que ainda um pouco ofuscada, atendendo à dimensão e importância do certame.


In Vino Viajas - Quais são as experiências e vivências dos quais os turistas podem participar?
Luis Amado - Além dos eventos que anteriormente foram mencionados, como a Abertura das Talhas e a Vitifrades, que já atraem muita gente a este território, o vinho de talha, a história e a tradição que está ligada ao seu processo de vinificação é só por si um veículo de chamamento e atrativo ao turista.
O facto de se proporcionarem momentos em pequenas adegas típicas, bebendo o vinho aparado da talha, ouvindo o próprio produtor a contar como produziu o seu vinho, a provar as melhores iguarias alentejanas, como uma linguiça caseira assada, umas azeitonas pisadas temperadas com orégãos e com pão da Vidigueira ainda cozido em forno de lenha, é um prazer que estas gentes não abdicam e que gostam de abrir a sua adega e por a melhor mesa para que os visita.
In Vino Viajas - Os turistas podem participar como jurados em concurso de vinhos de talha?
Luis Amado - Não. O concurso dos melhores vinhos de talha promovido pela Vitifrades já leva vinte e dois anos, abrangendo a região vitivinícola de Vidigueira, Cuba e Alvito e é o único concurso de vinhos de talha em todo o país. No mesmo participam todos os produtores que levam a concurso os seus vinhos em três categorias, o branco, o tinto e o palhete (rosé), ou petroleiro, como era vulgarmente conhecido esse vinho em Vila de Frades.
O concurso divide-se entre os três primeiros prémios e as menções honrosas e tem como jurados a organização do evento, alguns especialistas ligados aos vinhos, e todos os anos é escolhido um produtor local que daí constituem o júri numa prova cega que dá origem à atribuição dos prémios, que é um dos momentos altos da Feira e motiva aqueles que produzem vinho de talha.
In Vino Viajas - Existem pacotes turísticos organizados para esses eventos? A Janelas do Turismo organiza visitas de grupos a Vitifrades, saindo de Lisboa nesta época festiva?
Luis Amado - Sim, existem, muitos e variados programas durante o período do vinho de talha, entre novembro e janeiro, mas a Vitifrades, a Grande Festa do Vinho de Talha é promovida pela Associação de Desenvolvimento Local Vitifrades, que através da sua direção e promove o certame em dezembro.
 Já a Abertura das Talhas, é a agência Janelas do Turismo que promove, como atrás referi. Mas para os dois eventos, e restante época do vinho de talha, temos pacotes turísticos que vão brevemente ser apresentados através da nossa página de Facebook e que visam levar os grupos a conhecer a essência das adegas, os produtores e a diversidade dos vinhos de talha, sendo que a Abertura das Talhas, não é um evento de Feira, mas sim, um evento que permite uma rota vinhateira e turística pelas terras que ainda mantém viva a tradição deste vinhos.
In Vino Viajas - Qual a capacidade de recepção de alojamentos de Vila de Frades e na região?
Luis Amado - A capacidade de alojamento não é muito grande, mas no meu entender é suficiente, estendendo-se por Vila de Frades, Vidigueira, Cuba e Beja, sendo a mesma dividida entre os Hotéis e alojamentos locais, que permitem receber e alojar os turistas em ambientes distintos, tanto urbanos, assim como rurais, nalguns casos, com outras atividades lúdicas associadas ao período de estadia em Portugal.
In Vino Viajas - Quais as atrações complementares na região para um turista que venha de bem longe, como do Brasil? A Janelas do Turismo tem um pacote para este tipo de turista?
Luis Amado - Sem dúvida, nós temos esquematizados programas tanto para o visitante ocasional, como para o turista que vem por exemplo do Brasil. A região Alentejo é muito fértil em ofertas, que vai desde o vinho, como dos produtos locais de excelência, como o pão, os queijos de cabra e ovelha, os enchidos, o mel, o azeite e muitos outros. A gastronomia alentejana, a Villa Romana mais bem conservada do Mundo, São Cucufate, as figuras históricas de Vasco da Gama ou Cristóvão Colombo, que estão aqui separadas apenas por dez quilómetros de Vidigueira a Cuba, as paisagens vinhateiras, as aldeias históricas, o branco do casario, o cante alentejano, o dialeto alentejano e os passeios de barco no Grande Lago de Alqueva, o Maior Lago Artificial da Europa, fazem deste território, um destino predileto.
Saiba mais sobre o vinho de talha:
Rota turística do Vinho de Talhga: http://www.invinoviajas.com/2019/05/vinho-de-talha/