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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Junte-se aos parisienses para beber vinho em mamadeira de plástico – mas se prepare porque tem fila!

 
Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado leitor ou leitora: sugiro que na próxima vez que você for a Paris aproveite para mamar um pouquinho como as meninas da foto acima e os grandalhões da foto abaixo.
 
Calma que eu explico: é que vou sugerir que você conheça o bar-restaurante “Le Refuge des Fondus” (foto abaixo) em Montmartre, para poder tomar vinho (francês, logicamente) em mamadeiras de plástico.
 
Isso mesmo: na capital da França, o país mais chique e que mais faz questão de sofisticar o consumo do vinho, consumidores fazem fila na porta de um pequeno bar-restaurante para beber vinho em mamadeiras. Em fins de semana são tantas pessoas que o restaurante prepara filas de mamadeiras para atender a correria, veja abaixo. Por essa nem a Viúva Cliquot esperaria!

Esta ideia maluca obviamente está bombando na internet e daqui a pouco vai aparecer no Brasil como uma grande invenção tupiniquim, mas você vai lembrar que viu primeiro aqui no In Vino Viajas. Eu cumprimento quem teve a coragem de romper os paradigmas ao comunicar que vinho é uma bebida alegre e gostosa que deve ser consumida com alegria e por prazer, em ambiente descontraído com os amigos, e que pode até mesmo continuar a ser romântico, como você pode ver abaixo.

Esta ideia vai ajudar a criar mais consumidores para o vinho como um produto que compete no mercado com outras bebidas mais jovens e criativas – batalha, aliás, que o vinho vem perdendo nos últimos anos. O grande mérito - além é claro, de ser divertido ver seus amigos mamando num restaurante - é acabar com mitos e rituais que alguns especialistas pretensiosos ainda insistem em manter a respeito do consumo do vinho - atitude que está completamente fora de contexto no século XXI e assusta as pessoas, não ajudando a aumentar a base de novos consumidores da bebida.

O fondu-restaurante (que é como eles mesmo se identificam) fica no animadissimo bairro parisiense de Montmartre, conhecido pela igreja Sacre Couer, mas também pelos cabarés (entre os quais o Moulin Rouge) e por ser o principal bairro boêmio de Paris, onde moraram pintores como Picasso, Modigliani, Toulouse-Lautrec, Renoir, Van Gogh e Gauguin e escritores como Balzac, Emile Zola, Boudelaire, Max Jacob e Apollinaire. No bairro também fica o mini-vinhedo urbano mais charmoso do mundo, o Clos de Montamrtre. Veja no fim deste artigo como conhecer todas estas atrações de Montmartre sem ter que sair do “vinhedo global” de In Vino Viajas.

Mas para ser honesto com você, meu prezado leitor ou leitora, anote: 1) se você preferir, pode ser servido em taças; 2) é preciso fazer reserva e o ambiente é muito apertado; 3) dizem que a ideia foi copiada de um restaurante que existia em Nova Iorque - o La Cave de Fondues, no Soho; 4) vinho em mamadeira também já pode ser apreciado em outro restaurante de Paris, o  “Le Zéro de Conduite”, que simplesmente copiou a ideia. Um crítico francês escreveu que o vinho servido não é o de melhor qualidade da França (e povavelmente também não tão caro) e que o dono do restaurante o serve em mamadeiras para pagar menos impostos. Pode ser, mas o vinho é francês e o consumidor gosta.

Enfim, como estudioso de marketing sempre faço um brinde para uma boa ideia que aumente o mercado desde que issso não desqualifique o produto.
Conheça o Clos de Montmartre, o pequeno e charmoso vinhedo de Paris - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/05/clos-de-montmartre-o-pequeno-vinhedo.html
Conheça a mais charmosa igreja de Paris, a Sacre Coeur de Montmartre - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/10/sacre-coeur-de-montmartre-conheca-mais.html
Conheça os belissimos posteres que comemoram 80 anos da Fête des Vendanges em Montmartre - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/05/a-criativa-arte-grafica-da-festa-da.html
Fotos publicadas originalmente no site do restaurante: https://www.facebook.com/lerefugedesfondus/photos_stream
(*) Rogerio Ruschel edita In Vino Viajas em São Paulo, Brasil e gosta de vinhos em garrafa de vidro, tetra-pack ou – quem sabe? – mamadeira de plástico!


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sacré-Coeur de Montmartre: conheça a mais charmosa e fotografada igreja de Paris


Por Rogerio Ruschel (*)
Paris nasceu cerca de 4.000 anos A.C. como um povoamento na margem esquerda do rio Sena, no que hoje é o 12o. arrondisement. Em 6.000 anos de história a cidade foi romana, gaulesa, território dos hunos, enfrentou vikings – e chegou a ser a maior cidade européia no século XIV com 200 mil habitantes. E enquanto crescia, se expandia para além da Ilê de La Cité, engolindo as redondezas. (Abaixo, a Basílica Sacré-Coeur vista em sua colina de uma janela do Museu D'Orsay, na Ile de la Cité).

Montmartre – um vilarejo que já no tempo dos gauleses se destinava a cultos religiosos - foi uma das regiões engolidas e hoje é um bairros com mais personalidade de Paris. Montmartre quer dizer "monte dos mártires" porque no alto da colina onde hoje está a Basilica teria sido decapitado São Denis, o primeiro bispo de Paris, no século III, e lugar onde muitos cristãos teriam sido mortos por volta do ano 250. Outra herança religiosa: foi em Montmartre que a Companhia de Jesus (Padres Jesuítas) foi fundada por Santo Inácio de Loyola e seus companheiros em 1534. 

O atual bairro de Montmartre, no arrodisement 18, é uma das regiões mais bucólicas e charmosas da cidade por causa das ruazinhas arborizadas (e ladeiras), pintores de rua, seus cafés e cabarés – e, claro, muitos turistas. E como fica no alto de uma colina, com sua silhueta branca (porque foi construída com mármore travertino e calcita, que libera tinta branca), oferece uma das mais lindas vistas de Paris.

A Basilica foi construida com arquitetura romana e bizantina para levantar a moral da comunidade parisiense logo após a Guerra franco-prussiana (1870-1871), como um memorial aos 58.000 soldados mortos na guerra. Foi construída por dois milionários - Alexandre Legentil e Hubert Rohault de Fleury - que haviam prometido construir uma igreja caso a França sobrevivesse às investidas do exército alemão. Custou cerca de 6 milhões de Euros a valores de hoje e levou 46 anos para ser terminada, o que ocorreu 1923. 

As atrações são arquitetonicas e artísticas como o Mosaico e a estátua de Crristo, os arcos da Cripta, as Portas de bronze, a cúpula, os vitrais e fachadas e as estátuas equestres de bronze de Joana D’Arc e São Luis na fachada externa (veja abaixo).

Embora não seja antiga, a Sacré-Coeur é uma das imagens mais fotografadas em Paris atualmente. De longe ela fica bem visível, no alto da colina, e parece o Taj Mahal da Índia - eu pelo menos tive essa impressão. E quando você está lá em cima, pode ver a enorme escadaria com gramados, fontes e árvores, e ao fundo uma grande parte do sul de Paris; é realmente muito bonito. 

Mas é um passeio que exige um certo planejamento para chegar (use metro, onibus, funicular) e muita paciência, porque na frente e dentro da igreja parece que tem mais gente do que no Museu do Louvre.

Então, meu/minha caro(a) leitor(a) vai devagar, descansa, relaxa e aproveita para caminhar pelo bairro. Em Montmartre visite o Muro do Eu Te Amo (Le Mur des Je t’Aime, acima), uma parede onde a frase Eu te Amo está escrita em mais de 300 idiomas na Place Abesses; a estação Abesses do metrô, uma das poucas art-noveau que restaram na cidade (abaixo).
Passeie calmamente pelas vielas e praças (onde dá para descobrir escadas como esta abaixo) dê uma olhada nos museus (de Montmartre, de Salvador Dali e outros), e na Place des Tertres, um quadrado atrás da Basílica, sempre ocupada por pintores de rua e cercada por bares, cafés e restaurantes.





Descendo da colina, passeie pelas alamedas, fotografe a fachada do Moulin Rouge (abaixo) - um dos mais famosos cabarés de Paris, imortalizado pelos Impressionistas - e faça uma parada no café do filme “O fabuloso destino de Amelie Pouain, do diretor Jean-Pierre Jaunet, de 2002. 


Aproveite para visitar outra celebridade de Montmartre: o pequeno vinhedo Clos de Montmartre, com suas escadas que venceram o tempo e a especulação imobiliária (abaixo). É uma visita curiosa: em 1933 a prefeitura de Paris plantou uvas tradicionais da França em um terreno baldio que tinha virado moradia de desocupados e em 1995 contratou um enólogo e investiu em equipamentos vinificação modernos.

Atualmente os 1.762 pés de 27 castas diferentes de uvas (75% Gamay, 20% Pinot Noir e o resto Seibel, Merlot, Sauvignon blanc, Riesling, Gewurztraminer e outras) produzem cerca de 2.000 garrafas de 500ml cada vendidas por cerca de 40 Euros como lembrança para turistas que ajudam a manter o vinhedo. Conheça esta história em http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/05/clos-de-montmartre-o-pequeno-vinhedo.html

Na verdade o bairro inteiro é colorido e festivo e os franceses sempre arranjam uma razão para comemorar (e beber!). Uma delas é a Festa da Vendange – a Festa da Colheita das uvas do Clos de Montmartre  – veja como e porque ela acontece acessando http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/05/a-criativa-arte-grafica-da-festa-da.html
 
(*) Rogerio Ruschel é jornalista, especialista em sustentabilidade socioambiental e gosta muito de Montmartre.