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sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Espanhóis identificam 6 perfis de consumo entre os 22 milhões de bebedores de vinho; e no Brasil?

Por Rogerio Ruschel

Meu prezado leitor ou leitora, o Observatório do Mercado Vitivinícola Espanhol (OeMv) realizou um estudo sobre a "Caracterização do consumidor espanhol de vinho", uma radiografia dos mais de 22 milhões de consumidores de vinho espanhóis para determinar como são, como é o consumo, que tipos de vinhos preferem e como tendem a se aproximar do presente e do futuro. Leia a seguir e me diga: qual é o seu tipo, o seu perfil?

 

O principal grupo é o dos amante dos sabores atuais e requintados, os TRENDY (FASHION FOLLOWER). Este grupo é formado por 26,4% dos consumidores. Para os TRENDY, o vinho ocupa um lugar privilegiado. Ele é um consumidor que segue tendências e os vinhos que consome são uma projeção da sua imagem. Seu conhecimento e interesse pelo mundo do vinho lhe dão uma satisfação pessoal, à qual ele dá grande importância, porque o vinho satisfaz um aspecto importante de sua auto-avaliação e agrega valor de prestígio a ele. Assim, o TRENDY está disposto a pagar mais pelo vinho que consome, porque não é apenas uma bebida, o vinho representa valores. Este consumidor demonstra seu conhecimento em seus relacionamentos, mas mantém alguns padrões pré-estabelecidos. Ele prefere vinhos mais bem feitos e evita consumir vinhos frescos. (E acrescento eu: deve se exibir na internet...)

 

No segundo grupo mais expressivo, o INTERESSADO OCASIONAL, com 24,5% dos consumidores, o perfil é o de um consumidor de vinhos com interesse em experimentar coisas novas, mas o consumo de vinho não tem horários específicos, nem é tão importante assim para sua auto-imagem. Ele é um consumidor ocasional, mas mostra um alto grau de interesse nisso. As preferências deste tipo de consumidor vão para vinhos mais suaves e vinhos brancos de forma positiva. Além disso, está aberto à inovação e à introdução de mudanças nos conceitos atuais do mundo do vinho. (E acrescento eu: deve ser formado por novos consumidores que agora estão chegando agora ao mundo do vinho, e provavelmente deve ter muita representação feminina).

O terceiro grupo mais proeminente é aquele relacionado à ROTINA, composto por 21,5% dos consumidores. Trata-se de um consumidor ocasional que deixa a terceiros a escolha e a compra do vinho. A razão dessa atitude é que ele não se considera preparado ou não tem interesse em escolher e também mostra desinteresse por testes e degustações. Por outro lado, o preço é de grande importância. Este consumidor mostra preferência por um tipo de vinho mais macio, mas não inclui vinhos brancos ou rosés em suas preferências.   

 SOCIAL: Este grupo é formado por 13% dos consumidores. Para este consumidor, o vinho não faz parte dos seus hábitos de consumo e nem dos seus hábitos de compra. Ele apenas encontrou um momento de aproximação social com o mundo do vinho, mas isso pode não acontecer de novo. Isso significa que ele o consome dentro de um determinado contexto que não promove, pois não se interessa pelo mundo do vinho e admite sua ignorância. Seu baixo envolvimento com o vinho significa que ele não mostra relutância em novas idéias ou conceitos. O preço também não é muito importante, pois apresenta um baixo nível de interesse na compra. As suas preferências apontam para um tipo de vinho mais suave mas não valoriza os vinhos brancos ou espumantes.   

Uma pessoa cosmopolita, que gosta de mudanças e não hesita em experimentar novas experiências é o consumidor apelidado de URBANITA INQUIETO, que na Espanha representa 7,6% dos consumidores. Está altamente relacionado com o mundo do vinho e apresenta uma grande variedade de momentos de consumo. Da mesma forma, mostra um elevado nível de conhecimento e grande interesse pelo mundo dos vinhos e procura diferentes fórmulas para aceder ao mercado. Estes fatores estimulam a sua curiosidade, o que o torna um consumidor aberto às mudanças, à inovação na categoria e com uma certa tendência para os vinhos mais jovens. O seu interesse e curiosidade não são alheios ao problema do preço, mas isso implica introduzir uma racionalização sobre o vinho que escolhe e o seu tempo de consumo; quer dizer: ele até experimenta coisas novas, mas examina a relação custo-benefício.  

Fiel às marcas habituais e com pouco interesse inovador ... na última posição estão os espanhóis incluídos no grupo TRADICIONAL, composto por 6,9% dos consumidores. O TRADITIONAL apresenta uma elevada presença do vinho nos seus hábitos de consumo, mas é condicionada pelos preços. Tem hábitos de compra perfeitamente definidos quanto ao tipo de vinho, origem, marcas. Além disso, mantém ideias claras sobre os conceitos que se tratam no mundo do vinho. Dificilmente abre mão de ideias “veteranas” sobre consumo de vinho.  

Na verdade, meu caro leitor ou leitora, o que está ocorrendo é que – pelo menos na Espanha, mas acho que também no Novo Mundo – os consumidores mais tradicionais (que defendem campanhas elitistas e conceitos antiquados), são cada vez menos – como diz  um amigo meu, os velhos consumidores estão morrendo.... E estão cedendo lugar aos TRENDY, muito ajudados pela internet que permite  exibicionismos, onde se fala mais do que se escuta.   

Considerando esta pesquisa, me parece correto imaginar que se a indústria buscar uma simplificação na comunicação do vinho, poderá atrair mais de 35% de consumidores que hoje apenas gravitam em torno do vinho, mas não são atraídos por ele, porque se sentem “despreparados” para beber coisas complexas; ou simplesmente não trocam sua cerveja por ele. E aqui no Brasil, onde não educamos o consumidor, apenas investimos em propaganda para vender por volume, será que conhecemos nossos consumidores? 

Cartas para a redação...  

Fonte: Portal Vinetur, Esencia Wines 

 

 


sábado, 2 de janeiro de 2021

Espanha anuncia faturamento de 23,7 bilhões de euros com a indústria do vinho em 2019

 

Por Rogerio Ruschel

 

Prezado amigo ou amiga, em novembro passado, a Interprofisional del Vino de Espana – OIVE (a entidade representativa das cadeias produtivas do vinho espanhol, tanto na produção quanto na comercialização) divulgou um relatório sobre “A importância económica e social del setor vitivinícola na Espanha”. Os números são espantosos – como um VAB (Valor Acrescentado Bruto) de 23,7 bilhões de euros. Mas talvez a grande conclusão seja essa: a cada Euro investido ou movimentado pelo setor vitivinícola, a economía espanhola gera mais 1,75 euros de valor acrescentado direto e indireto.  E como se sabe, em qualquer lugar civilizado do mundo o vinho agrega valor imediato à gastronomia, ao turismo e à cultura e às suas enromes cadeias produtivas.

 

O estudo espanhol é muito rico e detalhado sobre vários aspectos de interesse de produtores com pretensão global - e sei que profissionais assim no Brasil são leitores de In Vino Viajas. Muitos destes dados sobre o nosso país nunca estão disponíveis – e quando estão, não se tem muita certeza sobre eles. O Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho, que durante 21 anos recebeu recursos para fazer este papel, neste período não deixou nenhuma contribuição fundamental para o setor em termos nacionais, e em outubro de 2019 foi melancólicamente extinto com uma duzia de suspeitas e processos de malversação de recursos públicos. Desculpe, leitor, apenas me lembrei quando li este estudo espanhol...

Veja um resumo da atividade da vitivinicultura na Espanha em 2019:

  • 938.000 has. de vinhedos
  • 8.000 empresas – das quais 4.000 são produtores de vinho
  • 546.000 viticultores, sendo 220.365 na Galicia e 388 em Asturias
  • 90 Denominações de Origen vitivinícolas
  • 41 Indicações Geográficas vitivinícolas
  • 1,5% PIB espanhol
  • 23,7 bilhões de euros (diretos e indiretos)
  • 20,1 milhões de hectolitos exportados em 2018  

A pesquisa, realizada por uma empresa de consultoria Analistas Financieros Internacionales (AFI), revela volumes e valores de produção por região, o papel da vitivinicultura ecológica no país, a relação entre vitivinicultura e produção agricola por região, fluxos de comercialização e distribuição, movimento de investimentos no setor, evolução do consumo, números do turismo setorial e outros dados muito interessantes. Veja a seguir as conclusões do estudo, e no fim do artigo, o link para acessar todo o conteúdo (64 páginas).

 

·       La importancia económica de la cadena de valor del sector vitivinícola se constata en una aportación total en términos de Valor Añadido Bruto (VAB) estimada en más de 23.700 millones de euros, es decir, el 2,2% del VAB español. Además, contribuye a la generación o mantenimiento de más de 427.700 puestos de trabajo equivalentes a tiempo completo, de forma directa, indirecta e inducida. Y su aportación directa a las arcas públicas, en concepto de impuestos y cotizaciones sociales, supera los 3.800 millones de euros anuales.

 

·       Por cada euro de demanda final en el sector vitivinícola, la economía genera 1,75 euros de valor añadido directo e indirecto y algo más de 2 euros si se considera el efecto inducido.

 

·       La contribución económica del sector vitivinícola se distribuye a lo largo de toda la geografía española. En todas las Comunidades Autónomas hay presencia de viñedo y producción de vino, además de una nutrida red de distribución y comercialización del mismo. Así, por ejemplo, el peso de la viticultura alcanza el 1,4% del VAB de la economía castellano-manchega y el 0,7% de la riojana. En este último caso, el de La Rioja, la elaboración de vino contribuye con otro 3,9% al VAB regional.

 

·       Las adecuadas condiciones que ofrece el territorio español para el cultivo de la vid, así como la amplia tradición y conocimiento existentes en nuestro país en la elaboración del vino, redundan en un destacado posicionamiento internacional. Así, España ocupa una posición de liderazgo mundial en cuanto a superficie de viñedo y volumen de exportaciones de vino (tercer puesto en valor exportado, en 2019), además de ser el tercer mayor productor global de vino.

 

·       La contribución del sector vitivinícola a la internacionalización y proyección internacional de la economía española viene respaldada, entre otros, por un consolidado superávit comercial y tejido exportador, así como por la presencia de los productos vitivinícolas de origen español en cerca de 190 países. Además, el buen hacer de las bodegas españolas es reconocido con la recepción de galardones en los principales certámenes internacionales. No obstante, uno de los retos pasa por “sofisticar” esa presencia, con una mayor penetración en los segmentos premium, que atestigüe la calidad de los vinos producidos en España.

 

·       La importancia económica del sector vitivinícola traspasa la propia actividad, ya que existe una gran diversidad de operadores y sectores que tienen al vitivinícola como aliado y fuente de negocio. Entre ellos se incluyen las actividades suministradoras: industria de la madera, del vidrio, del corcho, y un largo etcétera; así como otras “Importancia económica y social del sector vitivinícola en España”

 

·       La importancia económica del sector vitivinícola traspasa la propia actividad, ya que existe una gran diversidad de operadores y sectores que tienen al vitivinícola como aliado y fuente de negocio. Entre ellos se incluyen las actividades suministradoras: industria de la madera, del vidrio, del corcho, y un largo etcétera; así como otras

 

·       Tanto la viticultura como la elaboración de vino (localización de las bodegas próxima a los viñedos) mantienen una fuerte vinculación con el territorio, siendo fuente de actividad e ingresos para muchos jóvenes y hogares españoles del medio rural (en julio de 2019 se contabilizaban unos 561.000 viticultores). Su aportación en términos de fijación de población al entorno rural también estaría contribuyendo a hacer frente a un importante reto para España como es el demográfico y, en particular, el despoblamiento territorial

 

·       La notable incidencia de los efectos del cambio climático sobre el sector vitivinícola lo hacen propulsor de soluciones innovadoras para mitigar dichos efectos y velar por el cuidado de los ecosistemas naturales, además de contribuir a la consecución de otros objetivos de sostenibilidad medioambiental.

 

·       El vino es un ingrediente de la esencia cultural y gastronómica, así como expresión social, españolas. Su presencia como acompañante gastronómico y su vinculación con los hábitos culinarios y las celebraciones en España también son parte del sustrato del valor social del vino.

 

Para saber mais acesse o link completo: https://www.interprofesionaldelvino.es/publicaciones-estudios/informe-importancia-sector-vitivin%C3%ADcola/

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Os vinhateiros brasileiros contra-atacam. Mas de novo, apenas com o jeitinho brasileiro.

Por Rogerio Ruschel
Meu caro leitor ou leitora, o que você vai ler a seguir se chama opinião – o compromisso do autor do texto em contribuir para o entendimento da realidade e para o aperfeiçoamento do cenário, mesmo se expondo a dizer coisas que nem todos gostariam de ouvir. Opinião é coisa rara na indústria dos vinhos, porque pouquíssimas pessoas pensam além dos elogios a “rótulos”, e menos ainda dizem aquilo que pensam, e sim, aquilo que pode agradar aos donos do mercado.
Pois não me pauto por isso, então anote: vamos errar de novo, cometendo os mesmos erros ainda não aprendidos, que é o jeitinho brasileiro de não fazer o certo. A indústria vitivinícola brasileira, que no segmento de vinhos finos de mesa atende apenas cerca de 20% do consumo dos brasileiros, tomou duas medidas de contra-ataque à concorrência estrangeira, mas mais uma vez negligenciando o caminho mais difícil (mas definitivo) do marketing e preferindo o caminho fácil (e superficial) do lobby.
Primeira medida: dificultar o acesso dos concorrentes. No final de 2019 o Brasil formalizou uma série de novos procedimentos para a importação (e exportação) de vinhos para o país, com a publicação no Diario Oficial, em 31 de dezembro de 2019, da Instrução Normativa 75. O objetivo é “proteger o consumidor”, mas não sei se o fará porque burocracia aumenta preços, embora de fato vá perturbar muitos chilenos, alguns argentinos e os grandes importadores de vinhos europeus. Concordo que utilizar a legislação é uma ferramenta útil na guerra por mercados e podemos utilizá-la porque perdemos a batalha dos impostos com os produtores do  Mercosul. Mas lembro que isso só aconteceu porque não estávamos mercadológicamente preparados para a concorrência, como continuamos até agora.
Segunda medida: utilizar recursos públicos para ajudar empresas privadas. No início de janeiro de 2020 “In Vino Viajas” divulgou (aliás, em primeira mão na imprensa especializada brasileira), que “o governo Bolsonaro planeja separar cerca de 130 milhões de Reais provindos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados para criar um fundo, chamado Modervitis, que será usado para apoiar vinícolas brasileiras por 5 a 10 anos”. Ou seja, vamos continuar doando dinheiro público (e vultoso!) para iniciativas privadas, ainda desconhecidas,e que provavelmente serão utilizadas para reduzir custos, e nnaopara melhorar mercados. Certo, esta também é uma ferramenta de guerra, a concorrência é altamente subsidiada, então podemos utilizar.
Estas duas iniciativas não são ilegais, mas o problema é que seu uso disfarça o problema real que é o fato de nnao temos uma visão estratégica nacional e um planejamento sério em marketing.
O pano de fundo de tudo isso é a tempestade que se aproxima, o Acordo Mercosul X União Europeia, que leva mais uns dois anos (ou três) para ser aprovado pelosCongresso Nacional.
Desde que começamos a pisar uvas para fazer suco e vinho aqui em Pindorama, no século XIX, nenhuma iniciativa memorável do setor incluiu o óbvio: planejamento de marketing, o uso de conhecidas ferramentas de guerra mercadológica do mundo ocidental, o be-a-bá do Philip Kotler e cia. Isso é io mínimo que se poderia esperar de um país que forma anualmente centenas de gestores de padrão internacional para diversos setores empresariais, que se diz uma economia aberta e que está entre os 10 maiores PIBs do mundo.
Meu paciente leitor ou leitora, vou repetir: falta visão da realidade e estratégias de marketing de médio e longo prazos (estratégia de verdade); promoção coordenada e inteligente (inteligente mesmo); associação de esforços com outros agentes de mercado com o mesmo objetivo (parceria de verdade). E comunicação – comunicação de verdade: o vinho brasileiro se comunica de maneira amadora, muito mal – e tudo isso ficou escancarado com o desmantelamento do Ibravin, um grupo de ação entre amigos que se perpetuou por mais de uma década, sem resultados.
Enquanto se buscam soluções artificiais de lobby, legislação e política que aliviam o cash-flow mas não atacam os problemas reais de posicionamento de mercado, os pequenos produtores continuam lutando por espaço nos mercados secundários, tentam se encaixar no lobby da compra obrigatória, ou se viram como podem, vendendo online. Já os grandes produtores aprenderam a praticar as regras com as quais vão competir e vencer no mercado de verdade, aquele que agrega valor, e não têm interesse em mobilizações cooperadas, receando, por incrível que pareça, a ajudar os menores a crescerem. Alguém tem que dizer aos produtores brasileiros que somente a união de todos é que vai fazer a indústria  nacional crescer e consequentemente reduzir as importações.
Precisamos urgentemente de uma visão que contemple inteligência de mercado para competir, e não de esperteza política. Temos conquistado alguma reputação positiva com nossos espumantes – parece que descobrimos um filão no qual somos competentes e competitivos. Parece também que não precisamos de lobby para vender nossos espumantes dentro e fora do Brasil. Vamos aproveitar e aprender com isso?