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sábado, 2 de janeiro de 2021

Espanha anuncia faturamento de 23,7 bilhões de euros com a indústria do vinho em 2019

 

Por Rogerio Ruschel

 

Prezado amigo ou amiga, em novembro passado, a Interprofisional del Vino de Espana – OIVE (a entidade representativa das cadeias produtivas do vinho espanhol, tanto na produção quanto na comercialização) divulgou um relatório sobre “A importância económica e social del setor vitivinícola na Espanha”. Os números são espantosos – como um VAB (Valor Acrescentado Bruto) de 23,7 bilhões de euros. Mas talvez a grande conclusão seja essa: a cada Euro investido ou movimentado pelo setor vitivinícola, a economía espanhola gera mais 1,75 euros de valor acrescentado direto e indireto.  E como se sabe, em qualquer lugar civilizado do mundo o vinho agrega valor imediato à gastronomia, ao turismo e à cultura e às suas enromes cadeias produtivas.

 

O estudo espanhol é muito rico e detalhado sobre vários aspectos de interesse de produtores com pretensão global - e sei que profissionais assim no Brasil são leitores de In Vino Viajas. Muitos destes dados sobre o nosso país nunca estão disponíveis – e quando estão, não se tem muita certeza sobre eles. O Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho, que durante 21 anos recebeu recursos para fazer este papel, neste período não deixou nenhuma contribuição fundamental para o setor em termos nacionais, e em outubro de 2019 foi melancólicamente extinto com uma duzia de suspeitas e processos de malversação de recursos públicos. Desculpe, leitor, apenas me lembrei quando li este estudo espanhol...

Veja um resumo da atividade da vitivinicultura na Espanha em 2019:

  • 938.000 has. de vinhedos
  • 8.000 empresas – das quais 4.000 são produtores de vinho
  • 546.000 viticultores, sendo 220.365 na Galicia e 388 em Asturias
  • 90 Denominações de Origen vitivinícolas
  • 41 Indicações Geográficas vitivinícolas
  • 1,5% PIB espanhol
  • 23,7 bilhões de euros (diretos e indiretos)
  • 20,1 milhões de hectolitos exportados em 2018  

A pesquisa, realizada por uma empresa de consultoria Analistas Financieros Internacionales (AFI), revela volumes e valores de produção por região, o papel da vitivinicultura ecológica no país, a relação entre vitivinicultura e produção agricola por região, fluxos de comercialização e distribuição, movimento de investimentos no setor, evolução do consumo, números do turismo setorial e outros dados muito interessantes. Veja a seguir as conclusões do estudo, e no fim do artigo, o link para acessar todo o conteúdo (64 páginas).

 

·       La importancia económica de la cadena de valor del sector vitivinícola se constata en una aportación total en términos de Valor Añadido Bruto (VAB) estimada en más de 23.700 millones de euros, es decir, el 2,2% del VAB español. Además, contribuye a la generación o mantenimiento de más de 427.700 puestos de trabajo equivalentes a tiempo completo, de forma directa, indirecta e inducida. Y su aportación directa a las arcas públicas, en concepto de impuestos y cotizaciones sociales, supera los 3.800 millones de euros anuales.

 

·       Por cada euro de demanda final en el sector vitivinícola, la economía genera 1,75 euros de valor añadido directo e indirecto y algo más de 2 euros si se considera el efecto inducido.

 

·       La contribución económica del sector vitivinícola se distribuye a lo largo de toda la geografía española. En todas las Comunidades Autónomas hay presencia de viñedo y producción de vino, además de una nutrida red de distribución y comercialización del mismo. Así, por ejemplo, el peso de la viticultura alcanza el 1,4% del VAB de la economía castellano-manchega y el 0,7% de la riojana. En este último caso, el de La Rioja, la elaboración de vino contribuye con otro 3,9% al VAB regional.

 

·       Las adecuadas condiciones que ofrece el territorio español para el cultivo de la vid, así como la amplia tradición y conocimiento existentes en nuestro país en la elaboración del vino, redundan en un destacado posicionamiento internacional. Así, España ocupa una posición de liderazgo mundial en cuanto a superficie de viñedo y volumen de exportaciones de vino (tercer puesto en valor exportado, en 2019), además de ser el tercer mayor productor global de vino.

 

·       La contribución del sector vitivinícola a la internacionalización y proyección internacional de la economía española viene respaldada, entre otros, por un consolidado superávit comercial y tejido exportador, así como por la presencia de los productos vitivinícolas de origen español en cerca de 190 países. Además, el buen hacer de las bodegas españolas es reconocido con la recepción de galardones en los principales certámenes internacionales. No obstante, uno de los retos pasa por “sofisticar” esa presencia, con una mayor penetración en los segmentos premium, que atestigüe la calidad de los vinos producidos en España.

 

·       La importancia económica del sector vitivinícola traspasa la propia actividad, ya que existe una gran diversidad de operadores y sectores que tienen al vitivinícola como aliado y fuente de negocio. Entre ellos se incluyen las actividades suministradoras: industria de la madera, del vidrio, del corcho, y un largo etcétera; así como otras “Importancia económica y social del sector vitivinícola en España”

 

·       La importancia económica del sector vitivinícola traspasa la propia actividad, ya que existe una gran diversidad de operadores y sectores que tienen al vitivinícola como aliado y fuente de negocio. Entre ellos se incluyen las actividades suministradoras: industria de la madera, del vidrio, del corcho, y un largo etcétera; así como otras

 

·       Tanto la viticultura como la elaboración de vino (localización de las bodegas próxima a los viñedos) mantienen una fuerte vinculación con el territorio, siendo fuente de actividad e ingresos para muchos jóvenes y hogares españoles del medio rural (en julio de 2019 se contabilizaban unos 561.000 viticultores). Su aportación en términos de fijación de población al entorno rural también estaría contribuyendo a hacer frente a un importante reto para España como es el demográfico y, en particular, el despoblamiento territorial

 

·       La notable incidencia de los efectos del cambio climático sobre el sector vitivinícola lo hacen propulsor de soluciones innovadoras para mitigar dichos efectos y velar por el cuidado de los ecosistemas naturales, además de contribuir a la consecución de otros objetivos de sostenibilidad medioambiental.

 

·       El vino es un ingrediente de la esencia cultural y gastronómica, así como expresión social, españolas. Su presencia como acompañante gastronómico y su vinculación con los hábitos culinarios y las celebraciones en España también son parte del sustrato del valor social del vino.

 

Para saber mais acesse o link completo: https://www.interprofesionaldelvino.es/publicaciones-estudios/informe-importancia-sector-vitivin%C3%ADcola/

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Com a volta das viagens, turismo rural, ecoturismo e enoturismo vão deixar o coronaviurus perdido na paisagem



Por Rogerio Ruschel

Prezado amigo ou amiga, um dos segmentos econômicos que mais sofreu impactos negativos com a pandemia foi o turismo, que representa 8% do PIB mobiliza mais de 50 segmentos da economia e responde por mais de 7 milhões de empregos diretos e indiretos no Brasil. Como existem diferentes desejos de viajantes, existem vários tipos de turismo. Entre os mais concorridos estão o turismo de “sol e praia” e o turismo urbano convencional, aquele que arrasta multidões para visitar atrações em centros urbanos. Mas por causa do Covid-19 os tipos de turismo com potencial para retomada mais rápida são aqueles que se realizam em ambientes rurais, sem algomeração e em contato com a natureza como o turismo rural, o agriturismo, o ecoturismo, o enoturismo, o turismo de aventura e de esportes na nautreza.

Isso porque a retomada das atividades turísticas pós-Covid19 tende a ser realizada em espiral: o turismo será retomado inicialmente por passeios em transporte privado (automóveis), em cidades mais próximas do turista (porque a economia também sofreu), em destinos com menos pessoas, e irá se ampliando, aumentando aos poucos, até chegar às viagens internacionais lotadas feitas com transporte aéreo, como acontecia antes da pandemia Covid-19.

Mas enquanto não existir uma vacina segura contra o Convid-19 terão mais sucesso os destinos que buscarem atender a quatro “S”s: Segurança, Sustentabilidade, Solidariedade e Saudabilidade. Mas antes veja onde encontrar informações sobre o cenário Covid-19, que muda constantemente:

·      Levantamento da Secretaria de Turismo de Sâo Paulo, APRECESP e AMITESP, analisa a publicação  de decretos municipais  com medidas de prevenção  do Covid-19.  Veja aqui: https://bit.ly/setursp_analise_decretos_covid19
·      Relatórios da OMT – Organização Mundial do Turismo sobre países e restrições ao turismo podem ser encontrados aqui: www.unwto.org/news/covid-19-restrictions-on-tourism-travel
E agora veja como os segmentos estão se organizando para a volta das atividades. Lideranças do turismo Rural, incluindo Agroturismo, Turismo Rural da Agricultura Familiar e Turismo Rural de Base Comunitária realizaram debates pela internet e propuseram a criação de um Projeto Nacional de Desenvolvimento do Turismo Rural Brasil. A iniciativa, liderada pela especialista Andreia Roque, propõe políticas públicas setoriais e normas nacionais de procedimentos e protocolos de retomada do turismo e ampla divulgação das oportunidades de se fazer turismo em lugares abertos, sadios, sem algomeração e em contato com a natureza. Participei dos debates; participe também - #turismoruralconsciente

Quem também quer propor protocolos e iniciativas é a Catraca Livre, um site de notícias com foco em eventos culturais e temas como cidadania, educação, carreira, bem-estar, etc. Em parceria com a Interamerican Network, uma agência de comunicação e representação especializada em turismo, está realizando uma  pesquisa em países da America Latina para apontar caminhos  seguros e confiáveis  para a volta das viagens. Até 15/junho a pesquisa está em bit.ly/pesquisa_ Catraca_livre_turismo  
Outro setor que pode se beneficiar do “turismo em espiral” é o Enoturismo. Sandra Carvão, diretora de Inteligência de Mercado e Competitividade da Organização Mundial do Turismo me disse em entrevista exclusiva que o enoturismo tem uma grande capacidade de levar pessoas urbanas e com bom poder aquisitivo a visitar, se hospedar e comprar produtos em ambientes rurais. Isto é o que precisamos e que pode ser facilitado pelo Convid-19.
No Brasil o Enoturismo pode ser importante para mais de 5 milhões de brasileiros em pelo menos 150 municípios de 40 regiões de 10 Estados do Brasil. Em 2018 mobiloizou cerca de 1.200,000 turistas – e não só na serra gaúcha, como muitos pensam. Infelizmente não temos nenhuma entidade nacional de organização do enoturismo. Eu tenho escrito sobre isso há muitos anos e em 2017 publiquei uma proposta de Agenda do Enoturismo no Brasil – veja aqui:  http://www.invinoviajas.com/2017/12/em-2018-o-brasil/
Pouca coisa foi feita sobre esta agenda, e recentemente fiz um video relembrando a importância disso, veja aqui:  https://youtu.be/tGxBjuZEJOY
Mas estamos buscando conhecimento sobre isso fora do Brasil. A consultora de turismo Ivane Favero, ex-presidente da Associação Internacional de Enoturismo - Aenotur participa de um grupo de especialistas em enoturismo denominado International Wine Tourism Think Tank que planejam fazer propostas concretas aplicáveis a qualquer vinícola e destino de enoturismo do mundo, sob a nova realidade pós-Convid-19. No grupo estão representantes da Itália, França, Portugal, Espanha, Brasil, Argentina, Chile, México, Estados Unidos e África do Sul e a primeira iniciativa é a realização de uma pesquisa para conhecer a realidade do mercado, que espero em breve poder compartilhar. Se você trabalha com enoturismo, ajude a iniciativa: acesse https://es.surveymonkey.com/r/CV3TLX2?lang=pt
Na Itália, país que sofreu muito com o Covid-19, o enoturismo gerou mais de 2,65 bilhões de euros com 15 milhões de turistas em 2019. Os italianos trabalham em várias frentes para retomar o enoturismo no país, como com financiamentos para reconstruir a acessibilidade aos territórios e a rolagem de dívidas dos gastos turísticos e do enoturismo em 2020 para 2021. O programa é liderado pela Associação Nacional de Cidades do Vinho (a Città del Vino), fundada em Siena em 1987, que reúne 460 municípios. Floriano Zambon, presidente, explica que a retomada "...implica a necessidade de reconstruir e criar novos caminhos, ciclovias, rotas de enoturismo, letreiros, itinerários e experiências culturais, mas também infraestruturas de serviços e conexões digitais adequadas para os territórios mais rurais e desfavorecidos pelo fosso digital”. Um relatório sobre a situação está aqui: http://www.today.it/partner/adnkronos/economia/lavoro/citta-del-vino-enoturismo-volano-per-la-rinascita-dei-territori.html
Foto de abertura: O publicitário e fotógrafo Rodrigo Ruschel surpreendeu a neblina matinal sobre o rio Silveira, em São José dos Ausentes, na serra gaúcha. Nesta época não tinha Covid-19. Mas se tivesse, o tal coronavirus estaria perdido na paisagem, confuso no meio da neblina; bem feito!!!!!