Por Rogerio Ruschel
Prezado
leitor ou leitora, no dia 16 de setembro, em plena pandemia econômica e de
saúde, o casal Air e Jacinta Zanelato, do Sítio Santo Antônio, em Bom
Retiro, recebeu uma boa notícia: foram os
primeiros produtores de queijo artesanal Serrano de Santa Catarina a receber o
Selo Arte, criado para valorizar produtos saudáveis e artesanais. Para
ser considerado artesanal, o produto deve ser individualizado, genuíno e manter
as características tradicionais, culturais ou regionais. Além disso deverá ser
regulamentado e reconhecido como artesanal pelo Estado de Santa Catarina. O
Selo Arte para produtos artesanais representa
o reconhecimento de um Tesouro no Fundo do Quintal pelo governo de Santa
Catarina e pode funcionar como um selo de marketing para ajudar a reduzir a
penúria de pequenos produtores rurais.
O Selo Arte dos Zanelato foi um momento importante para o casal -
pequenos produtores de queijos com cerca de apenas 2 Kgs de produtos por dia - porque vai permitir que o produto agora seja
comercializado em todo o país. Mas foi também importante políticamente falando,
porque o casal recebeu o Selo do secretário de Estado da
Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural de Santa Catarina, Ricardo de
Gouvêa, e do secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério
da Agricultura, o catarinense Fernando Henrique Kohlmann Schwanke,
além é claro de autoridades municipais e dirigentes setoriais.
Aliás, o Secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do
MAPA,
Fernando Schwanke, é
um especialista em certificação e marcas coletivas com experiência
internacional, inclusive na ONU (FAO) e tem percepção da importância das regras
do mercado e certamente encontrará apoios para esta mobilização. O MAPA já
havia criado em novembro de 2018, um selo próprio, o Selo Nacional da Agricultura Familiar (Senaf), para rastrear, identificar e promover
produtos da agricultura familiar. Trata-se de uma espécie de IG – Identificação
Geográfica; serão 6 tipos de Selos (Mulher, Juventude, Quilombola, Indígena,
Sociobiodiversidade e Empresas) emitidos para cooperativas, associações
agrícolas, agricultores e empresas com forte produção familiar, estabelecendo
diferenciais.
Esse tipo de iniciativa está brotando em todo
o Brasil nos últimos meses, muito por causa da crise financeira gerada pela
pandemia de saúde que impactou fortemente pequenos produtores rurais com suspensão temporária de fornecimento para escolas
públicas via PNAE; perdas de produção e quebras na estrutura de logística e
distribuição; fechamento ou redução de muitas feiras livres nas cidades; quebra
da entrega de produtos frescos em comércios ligados à gastronomia, restaurantes
e bares e até mesmo a redução de compras de produtos não-alimentícios pelo
setor de varejo e outros considerados “não-essenciais”.
Ao que parece produtores, sindicatos e
entidades representativas de produtores se deram conta de que é preciso
investir em marketing para diminuir a distância entre o produtor e o consumidor
– e distâzncia não apenas física de logistica. Isso requer investir na
qualidade, na origem e na rastreabilidade do produto, para que queijos
artesanais com identificação de origem possam competir com queijos europeus certificados
como IGs ou DOs, que tem longas histórias de tradição e origem para contar. A
qualidade está sendo ampliada gracas ao esforço de organizações como a Embrapa,
Epamig, Epagro e tantas outras – o que falta mesmo é percepção de marketing, do
ciclo inteiro de marketing, da concepção à promoção nos mercados de destino,
passando pela apresentação e embalagem, posicionamento, marca e conceitos e
serviços pós-venda.
As autoridades dos municípios, estados e do
governo federal também se deram conta de que ficar constrangendo métodos
produtivos com exigências excessivas para os produtores, só atrapalha a vida
deles. É claro que questões de sanidade e saúde pública precisam ser seguidas e
monitoradas, mas exigir instalacões caras para a produção de leite e queijo,
por exemplo, pode ser um exagero – até porque os concorrentes europeus de
queijos de leite cru também tem um pouco de “liberdade” para produzir seus
produtos.
A
história do Sítio Santo Antônio teve início em 2006, quando o
casal Air e Jacinta Zanelato encerrou suas atividades no funcionalismo público
e adquiriu uma área de 48 hectares no município de Bom Retiro. Os planos eram
produzir vinhos e trabalhar com a criação de gado. A produção do queijo,
trazida da cultura de seus antepassados, era um hobby para aproveitar o leite
produzido, mas aos poucos foi se sobressaindo às demais atividades e se tornou
um objetivo de vida.
“Somos
pequenos, mas trabalhamos com muita qualidade. O Queijo Artesanal Serrano é
feito com poucos ingredientes, mas tem muito da história e da tradição dos
nossos antepassados. Eles nos deram de presente o bem fazer de um produto que
atravessa gerações e é único para a nossa região. Apresentá-lo a mais pessoas e
regiões é motivo de orgulho”, comemora o produtor Air Zanelato.
Todos ganham com a existência deste tipo de
iniciativa como o Selo Arte catarinense, além do casal Zanelato que vai poder
vender seu queijo fora da porteira sem correr o risco de ser preso por estar
fora da lei. A chamada grande imprensa poderia ajudar valorizando isso – mas
creio que não vai fazê-lo porque não é um big-business do agronegócio, daqueles
que envolvem soja, carne e bilhões de dólares.
Mas os leitores de canais inteligentes e
sintonizados na realidade, como In Vino Viajas sabem que entendemos como arte
do nosso trabaho aproximar este tipo de produto de valor artesanal do
consumidor urbano, para que ele conheça nosso produtos – porque até hoje, por
preconceito, falta de informação, falta de confiança ou esnobismo mesmo, continua
preferindo produtos estrangeiros.
É por isso que escrevo aqui e gravo meus
videos para a série Tesouros no Fundo do Quintal – TNFDQ (#tnfdq), onde mais de
25 vídeos contam historias de sucesso de pessoas que tem talento e investem em
produtos e serviços saudáveis, com qualidade e com uma historia para contar.
Que sãoTesouros do Fundo do Quintal – como o
queijo artesanal do casal Air e Jacinta Zanelato.
Fotos: Julio Cavalheiro / Secom; textooriginal: Assessoria
de Comunicação – Cidasc