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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Portugal inova com concurso que premia vinhos e os territórios onde foram produzidos, promove as comunidades e vale por dois

 

Por Rogerio Ruschel

Veja porque o Concurso Cidades do Vinho 2020 de Portugal, da Associação de Municípios Portugueses do Vinho - AMPV mereceu a chancela da Presidência da República.

Meu prezado amigo ou amiga, existem muitos concursos para vinhos no mundo, dezenas deles, com ou sem quarentena. Mas você vai conhecer um concurso realmente diferente, que vale por muitos: o Concurso Cidades do Vinho 2020, da Associação de Municípios Portugueses do Vinho. Explico porque.

Quando um concurso premia um vinho, o destaque é dado ao rótulo (uva, safra e marca); depois à vinícola/adega, ao enólogo, ao produtor e bem depois de tudo isso poderá ou não ser apresentada alguma informação sobre o território no qual foi produzido.  E só vai ser citado se o território tiver uma IG – Identidade Goegráfica. E mesmo quando se destaca o vinho por causa do terroir, não se fala no território, só no clima, solo, vento, chuva, calor, etc..Quere dizer: mesmo que o terroir pertença, esteja inserido em um território, o território quase nunca é lembrado.

Pois o concurso da Associação de Municípios Portugueses do Vinho – AMPV é diferente. “O Concurso Cidades do Vinho é o único do mundo que associa vinhos e territórios, porque, para além dos produtores, estão também os municípios envolvidos. Esta ligação é importantíssima num setor onde a concorrência é enorme a nível mundial”, relata José Arruda, secretário geral da entidade e da Associação das Rotas dos Vinhos de Portugal (ARVP). Na foto abaixo, Pedro Ribeiro, presidente da AMPV.

Promover o território em conjunto com o vinho é uma das razões pelas quais o Concurso Cidades do Vinho 2020 de Portugal deu um passo para a frente em termos de inovação. Mas o concurso vai além disso: os participantes também vão se inscrever automáticamente (e de graça) no Concurso Internacional Città del Vino (com realização na tália, em maio de 2021) e os vinhos premiados vão integrar (de forma gratuita ) uma galeria exclusiva de vendas em uma platafroma de internet exclusiva, a smartfarmer.pt.

Mais ainda: o concuso português vai homenagear Paolo Benvenuti, criador e ex-diretor geral da Associação Città del Vino da Itália por muitos anos. Veja entrevista que fiz com Paolo em 2015 quando fomos palestrantes em um congresso internacional de enoturismo na Espanha: http://www.invinoviajas.com/2015/08/citta-del-vino/

Não satisfeitos, Pedro Ribeiro, presidente da AMPV, e José Arruda, secretário geral, criaram uma Comissão de Honra presidida por Vasco d'Avillez (ex-presidente da ViniPortugal e da Comissão Vitivinícola da Região dos Vinhos de Lisboa) composta por quase 90 prefeitos das cidades do vinho de Portugal e 30 personalidades ligadas ao setor do vinho, turismo, enoturismo e gastronomia.

Este show de integração e promoção da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) recebeu o apoio do presidente da Recevin - Rede Europeia de Cidades do Vinho, José Calixto, do presidente do Município de Lagoa, Luís Encarnação, e de Sara Silva, presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve – na foto acima.

Mas agora vem a cereja do bolo: a proposta é tão inteligente e universalizante dos interesses vitivinicolas portuqueses, que recebeu um apoio também inédito e altamente valioso: a chancela de Alto Patrocínio da Presidência da República, concedida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

José Arruda, secretário-geral da AMPV, Vice-presidente da Itir Vitis e presidente da Associação Mundial de Enoturismo (Ametur) dimensiona o valor desta gesto: “É com enorme satisfação que recebemos este valioso contributo de Sua Excelência o Presidente da República. Vem engrandecer ainda mais esta nossa iniciativa, reconhecer a importância deste concurso nacional para a promoção dos vinhos associados ao território e o trabalho que temos vindo a desenvolver em prol da afirmação de um setor tão fundamental para o nosso país, o setor do vinho, e de uma cultura associada ao vinho que está tão viva e presente e que é transversal a todo o território nacional”.

O concurso recebe inscrições até o dia 30 de outubro e vai ser realizado no Convento de São José, na cidade de Lagoa, Algarve, de 26 a 29 de novembro. A Comissão Técnica Científica é presidida pelo especialista e pesquisador António Curvelo Garcia e António Ventura será o presidente do Júri.

 

Cumprimento meus amigos portugueses e brindo a isso.

 


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Governo espanhol investe 26 milhões de Reais para promover alimentos da agricultura familiar no mercado externo

 


Por Rogerio Ruschel


Em setembro passado o governo da Espanha iniciou a campanha “Spain Food Nation”, um esforço promocional para promover e dar maior visibilidade aos alimentos espanhóis, principalmente azeitonas, azeite e vinho, que estão entre os produtos mais afetados pela crise da COVID-19 ou pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano.

Os Ministérios da Agricultura, Pesca e Alimentação e Indústria, Comércio e Turismo da Espanha se uniram em um acordo de 4 milhões de Euros para a realização de uma campanha promocional em cerca de vinte mercados internacionais para fortalecer a imagem externa do setor agroalimentar espanhol. O Brasil não é um dos alvos.

A campanha “Spain Food Nation” destaca a qualidade e excelência dos alimentos espanhóis e fornece aos agentes de mercado todas as informações necessárias para promover a comercialização internacional dos alimentos espanhóis.
Coordenada pelo ICEX (A cacex dos espanhóis), a campanha que começa esta semana e terá diferentes ações até junho de 2021, desenvolve a imagem da Espanha como um país que alimenta com segurança a Europa e o mundo.

 

Focado na promoção da azeitona e do azeite, do vinho ou do peixe, a campanha terá ainda atividades de destaque na qualidade diferenciada das carnes e produtos curados, frutas e legumes, vinagre, açafrão e outras especiarias espanholas. Será feita uma referência especial à sustentabilidade ambiental do país com a maior produção orgânica do mundo, à segurança alimentar dos produtos e à inovação aplicada à produção agroalimentar.

Além disso, serão destacados os valores empresariais do setor agroalimentar, revelados durante a crise da saúde. Valores que – segundo eles mesmos - têm estado evidentes no esforço que tem feito para garantir o corredor alimentar que tem assegurado o abastecimento na Espanha, na Europa e no resto do mercado externo, bem como na diversificação da sua produção em um momento de alta demanda global.

 

A campanha é dirigida a profissionais e consumidores de alto poder aquisitivo e terá como foco a geração de conteúdo para mídia internacional de grande prestígio (geral, estilo de vida e especializada) e a organização de eventos de relações públicas.


Os mercados onde a comunicação será mais intensa são Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Japão, Cingapura, China, Hong Kong e Coréia do Sul; seguido pela Suíça, Rússia, Holanda, países nórdicos, Irlanda, Taiwan e Oriente Médio. Para além da campanha publicitária, serão produzidos seis documentários para o canal de televisão Euronews, com veiculação em toda a sua plataforma digital, que transmite em 12 línguas e tem presença e alcance em 40 países de quatro continentes: Europa, América, África e na Ásia.

Também haverá ações em eventos organizados pelo ICEX, como o Foods from Spain Middle East and Southeastern Asia Tour, que será realizado no Vietnã, Indonésia, Malásia e Catar; Eat Spain, Drink Spain, no Reino Unido; as feiras de importadores Open Day 2020 Spanish Food & Wine Showroom, na China; ou a Semana do Vinho Espanhola, na Irlanda.

Pois é, meu caro leitor, é assim que se apoia a produção e venda de alimentos locais, pequenos, com identidade e orgiem. Tenho certeza que um dia o Brasil vai estar fazendo ainda melhor que os europeus.

Saiba mais sobre a Espanha em http://www.invinoviajas.com/?s=espanha

 


Conheça o curioso método ancestral de fazer pasta de tomate da Sicília

 


Por Giovanna Germani

 

Meu prezado leitor ou leitora, já imaginou fazer uma pasta de tomate utilizando como ingredientes principais os tomates e o Sol? Isso mesmo, o bom e velho Sol! Pois é o que Giovanna Germani nos apresenta aqui no In Vino Viajas. Giovanna, redatora para social mídia na agência bauc. é brasileira, mas ao que parece o sangue italiano da família Germani ainda se manifesta. Com a palavra, Giovanna.

 

“Recentemente viralizou nas redes sociais um vídeo feito pela autora italiana Elizabeth Minchilli em seu canal no Youtube sobre esse método tradicional (e muito curioso) de produzir pasta de tomate, ensinado na Escola Culinária Anna Tasca Lanz, da cidade de Vallelunga Pratameno, na Sicília. Esse método, por ser tradicional e encontrado apenas nesta parte do mundo, certamente é um produto com identidade e origem e pode ser considerado um grande tesouro no fundo do quintal dos italianos e um ótimo aliado para o comércio dessa parte da Itália. Confira abaixo um pouco do processo!

 

Assim que são colhidos, os tomates ficam de molho por dois dias inteiros (acima) antes de serem enxaguados em água fria e serem cortados ao meio para tirar qualquer impureza ou sujeira que possa ter ficado nas frutas. Logo em seguida, os tomates são colocados em um balde maior, são misturados com alguns temperos como cebola e folhas de louro e cozinhados para começarem a soltar o líquido que retém, o suculento molho de tomate. Essa é a parte mais simples do processo e muito provavelmente você mesmo já fez algo parecido nas deliciosas macarronadas de domingo com a família.

 

Mas é a partir daí que começa a parte diferenciada do processo de preparo de pasta de tomate siciliano. Logo em seguida, os tomates são deixados para secar por 20 minutos em vasilhas especiais como mostra a imagem abaixo.

 

Depois dos tomates serem passados por um moinho de alimentos que separam as peles e sementes da polpa e descansarem por um dia inteiro na sombra, o grosso da pasta é colocado, para a surpresa de todos, em cima de algumas mesas de madeira ao ar livre – veja mais abaixo.

 

Por três dias (isso mesmo, três dias!) o molho de tomate é deixado em cima das mesas e exposto à ação calorosa do Sol, enquanto os responsáveis pela produção espalham a pasta de tomate para drenar o restante da água que não foi retirada antes.

 

De acordo com Elizabeth, cinco mesas cheias de molho de tomate viram uma grande panela de pasta de tomate concentrado. Mesmo depois de já ter ficado três dias embaixo do Sol engrossando, a pasta de tomate final ainda é deixada de molho nas mesmas mesas de madeira por mais um dia antes de ser colocada em jarras e distribuídas para seus consumidores. Está terminado o mágico processo de colocar o calor do Sol dentro de um pote de tomate amassado para o saborearmos em nossas refeições!

 

Como você pode ter observado, este não é um processo comum de produção deste tipo de alimento e tem um valor intrínseco (e provavelmente das papilas gustativas, é claro) muito maior do que um extrato de tomate produzido em uma fábrica. Ele carrega a cultura da comunidade, talvez centenas de anos de saber-fazer. Ele realmente traz toda a história de sua manufatura, de quem fez o alimento e, em especial, onde foi produzido, o que faz toda a diferença para o consumidor.

 

Por isso, minha amiga e meu amigo, a pasta de tomate siciliana é um verdadeiro tesouro no fundo do quintal!”

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Slow Food realiza evento internacional de seis meses para valorizar a identidade e a origem de alimentos saudáveis

 

Por Rogerio Ruschel

Meu caro amigo ou amiga, há males que vem para o bem. O mais importante evento de promoção e intercâmbio sobre alimentação saudável do mundo - o Terra Madre Salão do Gosto, realizado pelo Movimento Slow Food internacional - este ano, por causa da quarentena, vai ser ampliado e espichado: em vez de um congresso de 5 dias, vai se realizar durante 6 meses. Os eventos começam dia 8 de outubro de 2020 e terminam somente em Abril de 2021. Isso mesmo, seis meses! E será realizado em dezenas de locais do mundo, a maioria eventos online mas também alguns eventos físicos, onde for possível. E nesta edição histórica de 2020, o tema do evento será Nossa Comida, nosso Planeta, nosso Futuro” e vai se discutir também o impacto da Covid-19 nos sistemas produtivos da alimentação do planeta.

 

A identidade e a origem como valor

O Movimento Slow Food foi criado pelo italiano Carlo Petrini em 1986, e tem como objetivo promover uma maior apreciação da comida, melhorar a qualidade das refeições e uma produção que valorize o produto, o produtor e o meio ambiente. Atualmente a organização atua através de mais de 1 milhão de associados em 160 países. Por esta razão os militantes valorizam a identidade e a origem dos alimentos – e a força dees estea na valorizaçnao da biodiversidade. Exemplo: o Slow Food colocou nas Arca do Gosto do Brasil - 12 tipos de mel nativos do Brasil e que não são valorizados comercialmente, porque todo o sistema produtivo do capitalismo faz com que o Mercado prefira o mel das abelhas africanizadas, que não são nativas do Brasil. A Arca do Gosto é um catálogo mundial que identifica, localiza, descreve e divulga sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com potenciais produtivos e comerciais reais.

Pequeno produtor de mel de abelha Mandaçaia na Caatinga

 

Em 2019 centenas de milhares de pessoas de dezenas de países se reuniram durante 5 dias em Turim – foi um happening grandioso. O contato pessoal de um evento assim não vai ser possível, mas se ampliam as oportunidades de conhecer pessoas, alimentos e culturas locais e com identidade, porque será possível participar dos eventos digitais ao vivo ou vê-los à vontade depois de terem acontecido, como dos Fóruns, Conferências, Palestras sobre Alimentação, Como é Feito e muito mais.

Aos jornalistas credenciados será permitido utilizar todos os materiais em vídeo ou parte deles para publicação online, para acompanhar os artigos, ou como fonte das histórias. 

Por causa da quarentena, o Movimento Slow Food vai realizar a maior e mais ampla edição de todos os tempos em termos de número de países envolvidos (quase 160!), de participantes e de quantidade de “ações por mudança” que será posta em prática por um milhão de ativistas em todo o mundo. Além disso, na nova geografia do Terra Madre, o Slow Food colocará em segundo plano as fronteiras políticas entre estados e regiões e concentrará a atenção em quatro ecossistemas globais (terras de altitude, territórios aquáticos, baixadas e áreas urbanas).

Os ativistas do Slow Food analisarão as várias fragilidades, problemas, soluções e oportunidades compartilhadas por esses ecossistemas, enquadrando o debate como parte da luta contra a atual crise climática e ambiental, que continua sendo a maior ameaça ao futuro da humanidade. Nossas relações com nossos alimentos – como produzimos, distribuímos, escolhemos e comemos – têm enormes impactos em nosso planeta e, consequentemente, em nosso futuro.

No Terra Madre, a idéia é entender para onde estamos indo e identificar as ações corretivas necessárias para garantir um futuro melhor… porque estamos ficando sem tempo! Para piorar as ameaças das mudancas climáticas, da poluição e do uso excessive dos recursos naturais, o sistema alimentar foi profundamente afetado pela pandemia de Covid-19. Os impactos na oferta e demanda de alimentos estão ocasionando sérias consequências nos quatro pilares da segurança alimentar: disponibilidade, acesso, utilização e estabilidade. Então, como é possível alimentar o planeta e garantir alimentos bons, limpos e justos para todos?

O Slow Food tem a resposta: biodiversidade. O movimento sustenta que o único caminho a seguir é através da promoção da biodiversidade em todas as suas formas: desde bactérias invisíveis até as maiores espécies, bem como a diversidade de conhecimentos e culturas humanos. Esta missão é mais oportuna e urgente do que nunca. E para cumprir esta missão, é que o Terra Madre Salão do Gosto é necessário.

Acompanhe e participle dos eventos acessando aqui: https://terramadresalonedelgusto.com/en/event/

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Porque a Três Corações investe em cafés de terroir, com identidade territorial e cultura comunitária? Porque é um ótimo negócio 2


Por Rogerio Ruschel

 Prezado amigo ou amiga, a Três Corações, talvez o maior produtor brasileiro e um dos gigantes exportadores de café do Brasil, está investindo em produtos bem pequeninos, verdadeiramente de nicho, em paralelo às milhares de toneladas exportadas anualmente, que conquistaram o mundo. Afinal, porque faz isso? Porque é ótimo para os negócios – e vou explicar porque.

A Três Corações desenvolveu a marca Rituais Cafés Especiais para agregar valor a um produto que no mercado interno é vendido em seu maior volume como um produto generico, sem diferenciação aparente. Há uma boa probabilidade de que a iniciativa seja resultado da ótima experiência que a empresa vem obtendo com exportações, inclusive dentro do conjunto do trabalho da Denominação de Origem – D.O. Café do Cerrado Mineiro.

Trata-se de uma clara declaração de amor à valorização da identidade territorial, com foco na diferenciação dos terroirs.

Segundo o fabricante, os Rituais Cafés Especiais surgiram “para explorar sabores, aromas e texturas que envolvem e surpreendem, são uma jornada que conduz para um novo lugar.” E continua: “Para nós, a origem do café é seu próprio destino, e essa travessia transforma”. Trata-se de uma clara declaração de amor à valorização da identidade territorial, com foco na diferenciação dos terroirs. Neste caso a Três Corações já tem produtos de terroirs do Brasil (Cerrado Mineiro, Mogiana Pauista, sul de Minas, Orgânico) e de outros países com identidade geográfica consolidada como Java,  Etiópia, Kenia e Colombia.

Você pode dizer: OK, terroir já vem sendo explorado pelos vinhos, queijos e cafés. É verdade, terroir é fundamental para a Identidade Geográfico - IG ou Denominação de Origem - DO. Mas além da valorização destes terroirs, a empresa mantém uma linha vintage (excepcional e extemporânea) denominada “Microlotes do Projeto Florada”, com cafés criados para “reconhecer o trabalho de mulheres cafeicultoras de todo o Brasil”, como resultado de um concurso para agricultoras. É mesmo uma ótima ideia. E na sequência desta boa ideia, teve uma outra: contratou o Padre Fabio de Melo como embaixador do Projeto Floorada, em novembro de 2019. 

E olha o que ele diz: “Fui conhecer de perto o Projeto Florada no sítio da cafeicultora Luciene Mota, em Pedralva, e o que mais me encantou nesta imersão foi, além de conhecer a história e a família da Luciene, perceber a oportunidade que a 3 Corações proporciona a estas cafeicultoras. (…) Além disso, sou apaixonado por café, e saber quem produziu esta bebida e sua história, é o que o torna ainda mais especial”. De novo, uma declaração de amor à identidade territorial – ou, neste caso, uma oração…

O comercial pode ser visto aqui: https://www.facebook.com/cafe3coracoes/videos/1322746554571033/?v=1322746554571033

Para saber mais, sugiro a leitura de:

http://www.invinoviajas.com/2019/08/produtos-com-identidade/

 

Entregue em Santa Catarina o primeiro Selo Arte, que valoriza a autenticidade e a origem de queijos artesanais

 

Por Rogerio Ruschel

Prezado leitor ou leitora, no dia 16 de setembro, em plena pandemia econômica e de saúde, o casal Air e Jacinta Zanelato, do Sítio Santo Antônio, em Bom Retiro, recebeu uma boa notícia: foram os primeiros produtores de queijo artesanal Serrano de Santa Catarina a receber o Selo Arte, criado para valorizar produtos saudáveis e artesanais. Para ser considerado artesanal, o produto deve ser individualizado, genuíno e manter as características tradicionais, culturais ou regionais. Além disso deverá ser regulamentado e reconhecido como artesanal pelo Estado de Santa Catarina. O Selo Arte para produtos artesanais representa o reconhecimento de um Tesouro no Fundo do Quintal pelo governo de Santa Catarina e pode funcionar como um selo de marketing para ajudar a reduzir a penúria de pequenos produtores rurais.

O Selo Arte dos Zanelato foi um momento importante para o casal - pequenos produtores de queijos com cerca de apenas 2 Kgs de produtos por dia -  porque vai permitir que o produto agora seja comercializado em todo o país. Mas foi também importante políticamente falando, porque o casal recebeu o Selo do secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural de Santa Catarina, Ricardo de Gouvêa, e do secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, o catarinense Fernando Henrique Kohlmann Schwanke, além é claro de autoridades municipais e dirigentes setoriais.

Aliás, o Secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do MAPA, Fernando Schwanke, é um especialista em certificação e marcas coletivas com experiência internacional, inclusive na ONU (FAO) e tem percepção da importância das regras do mercado e certamente encontrará apoios para esta mobilização. O MAPA já havia criado em novembro de 2018, um selo próprio, o Selo Nacional da Agricultura Familiar (Senaf), para rastrear, identificar e promover produtos da agricultura familiar. Trata-se de uma espécie de IG – Identificação Geográfica; serão 6 tipos de Selos (Mulher, Juventude, Quilombola, Indígena, Sociobiodiversidade e Empresas) emitidos para cooperativas, associações agrícolas, agricultores e empresas com forte produção familiar, estabelecendo diferenciais.

 
Esse tipo de iniciativa está brotando em todo o Brasil nos últimos meses, muito por causa da crise financeira gerada pela pandemia de saúde que impactou fortemente pequenos produtores rurais com suspensão temporária de fornecimento para escolas públicas via PNAE; perdas de produção e quebras na estrutura de logística e distribuição; fechamento ou redução de muitas feiras livres nas cidades; quebra da entrega de produtos frescos em comércios ligados à gastronomia, restaurantes e bares e até mesmo a redução de compras de produtos não-alimentícios pelo setor de varejo e outros considerados “não-essenciais”.

Ao que parece produtores, sindicatos e entidades representativas de produtores se deram conta de que é preciso investir em marketing para diminuir a distância entre o produtor e o consumidor – e distâzncia não apenas física de logistica. Isso requer investir na qualidade, na origem e na rastreabilidade do produto, para que queijos artesanais com identificação de origem possam competir com queijos europeus certificados como IGs ou DOs, que tem longas histórias de tradição e origem para contar. A qualidade está sendo ampliada gracas ao esforço de organizações como a Embrapa, Epamig, Epagro e tantas outras – o que falta mesmo é percepção de marketing, do ciclo inteiro de marketing, da concepção à promoção nos mercados de destino, passando pela apresentação e embalagem, posicionamento, marca e conceitos e serviços pós-venda.  

As autoridades dos municípios, estados e do governo federal também se deram conta de que ficar constrangendo métodos produtivos com exigências excessivas para os produtores, só atrapalha a vida deles. É claro que questões de sanidade e saúde pública precisam ser seguidas e monitoradas, mas exigir instalacões caras para a produção de leite e queijo, por exemplo, pode ser um exagero – até porque os concorrentes europeus de queijos de leite cru também tem um pouco de “liberdade” para produzir seus produtos.

A história do Sítio Santo Antônio teve início em 2006, quando o casal Air e Jacinta Zanelato encerrou suas atividades no funcionalismo público e adquiriu uma área de 48 hectares no município de Bom Retiro. Os planos eram produzir vinhos e trabalhar com a criação de gado. A produção do queijo, trazida da cultura de seus antepassados, era um hobby para aproveitar o leite produzido, mas aos poucos foi se sobressaindo às demais atividades e se tornou um objetivo de vida.

“Somos pequenos, mas trabalhamos com muita qualidade. O Queijo Artesanal Serrano é feito com poucos ingredientes, mas tem muito da história e da tradição dos nossos antepassados. Eles nos deram de presente o bem fazer de um produto que atravessa gerações e é único para a nossa região. Apresentá-lo a mais pessoas e regiões é motivo de orgulho”, comemora o produtor Air Zanelato.

Todos ganham com a existência deste tipo de iniciativa como o Selo Arte catarinense, além do casal Zanelato que vai poder vender seu queijo fora da porteira sem correr o risco de ser preso por estar fora da lei. A chamada grande imprensa poderia ajudar valorizando isso – mas creio que não vai fazê-lo porque não é um big-business do agronegócio, daqueles que envolvem soja, carne e bilhões de dólares.  

Mas os leitores de canais inteligentes e sintonizados na realidade, como In Vino Viajas sabem que entendemos como arte do nosso trabaho aproximar este tipo de produto de valor artesanal do consumidor urbano, para que ele conheça nosso produtos – porque até hoje, por preconceito, falta de informação, falta de confiança ou esnobismo mesmo, continua preferindo produtos estrangeiros.

É por isso que escrevo aqui e gravo meus videos para a série Tesouros no Fundo do Quintal – TNFDQ (#tnfdq), onde mais de 25 vídeos contam historias de sucesso de pessoas que tem talento e investem em produtos e serviços saudáveis, com qualidade e com uma historia para contar.

Que sãoTesouros do Fundo do Quintal – como o queijo artesanal do casal Air e Jacinta Zanelato.

Fotos: Julio Cavalheiro / Secom; textooriginal: Assessoria de Comunicação – Cidasc
 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Pesquisa vai descobrir a identidade dos queijos artesanais paulistas

Quantos tipos de queijos você acredita que sejam produzidos no Estado de São Paulo?  50, 100? A Associação Paulista do Queijo Artesanal (APQA), criada há apenas quatro anos, estima que os 80 associados trabalhem com cerca de 200 tipos diferentes com leite de vaca, búfala, cabra, ovelha ou misto, boa parte feita com receitas trazidas do exterior. Mas, fora os dados da associação e de outras poucas fontes, pouco se sabe sobre a produção paulista, o que dificulta o aprimoramento de leis e a adoção de políticas públicas favoráveis ao setor.

A variedade de queijos artesanais produzidos no Estado de São Paulo é grande e por isso uma pesquisa está sendo feita para mapear o perfil da produção paulista de queijos artesanais. O trabalho, que vai levar cerca de 4 anos, está sendo feito pelo Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC) da Universidade de São Paulo (USP), por meio da Rede de Pesquisa em Queijos Artesanais Brasileiros (Repequab). O FoRC é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

À frente do projeto estão duas pesquisadoras: Gabriela Zampieri Campos e Mariana Medina Medeiros, pós-graduandas que atuam sob a orientação de Uelinton Manoel Pinto, professor do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, integrante do FoRC e um dos coordenadores da Repequab.

A FoRC fica aqui: https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/58574/forc-centro-de-pesquisa-em-alimentos

Os produtores podem acessar o questionário neste link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdoXM57d9jXT8_kZ3kgAAuT6V9FklwoHIq-pQdEpr42j45IFw/viewform

A informação é da Agência FAPESP. A foto é do Caminho Queijo Artesanal Paulista, que reúne oito produtores de SP. A edição é de Rogerio Ruschel

sexta-feira, 24 de julho de 2020

As vantagens dos vinhos com Denominação de Origem – e sua importância na Catalunha, Espanha

Por Rogerio Ruschel, com texto de Vinetur
Meu estimado leitor ou leitora, com muita frequência publico aqui no In Vino Viajas pesquisas, relatos e depoimentos mostrando a importância da identidade de um produto como agregador de valor. A União Europeia informa que pode chegar a mais de 350% no caso dos vinhos. O catalão Salvador Dali (na foto acima) amava os vinhjos de sua terra
Queijos, azeites, frios, doces, chás, biscoitos, cafés, mel, carnes que têm uma Indicação Geográfica (como Gruyére, Canastra, Pata Negra, Cerrado Mineiro, Bordeaux, Chianti) custam mais caro porque oferecem garantia de procedência e de processos produtivos que preservam sua qualidade. Vinhos são os principais beneficiários da agregação de valor com IPs – Indicações de Procedência ou DOs - Denominações de Origem.  O portal especializado Vinetur, da Espanha, publicou este texto que publico a seguir.
“O consumo de vinhos com Denominação de Origem tem inúmeras vantagens para o consumidor em relação à qualidade e garantias do produto que compra. O selo de uma Denominação de Origem garante o rigoroso controle e certificação dos vinhos protegidos, bem como a rastreabilidade do produto em todas as suas etapas de produção e elaboração.

As vinícolas registradas em uma Denominação de Origem comprometem-se a manter a mais alta qualidade possível, bem como a elaborar seus vinhos com as variedades de uvas admitidas em cada território e a Denominação de Origem, preservando a singularidade de cada região vinícola. No caso da Catalunha, eles preservam a diversidade das 11 denominações de origem de vinhos catalães. Dessa forma, o consumidor pode ter certeza de que os produtos adquiridos com o selo DO sempre terão padrões de qualidade estáveis ​​e características específicas que outros produtos sem essa distinção não possuem.

Mas, além da qualidade e rastreabilidade, as Denominações de Origem, com suas vinícolas, viticultores e viticultores, são uma ferramenta essencial para o equilíbrio territorial. Eles permitem que a população seja mantida no território - combatendo o despovoamento -, estimulam áreas mais desfavorecidas e mantêm o meio ambiente e a paisagem mediterrânea.
Na Catalunha, as 11 denominações de origem do vinho reúnem 10.000 viticultores e vinicultores de todo o território, além de 853 empresas de vinho que movimentam anualmente 1,6 bilhão de euros, segundo a agência da Generalitat Catalonia Trade & Investment.

Esses números dão uma dimensão aproximada da importância do setor vinícola na Catalunha, um setor que deve continuar se esforçando para ser o líder e líder da economia de um país onde o vinho DO catalão vende um total de 108.232.994 garrafas por um valor de € 332.601.929 nos mercados nacional e internacional, de acordo com o último relatório preparado pelo INCAVI com dados de 2018.
'Gaudeix del que es bo # ViCatalà'

Sob o lema Gaudeix de que é bo # ViCatalà, as 11 Denominações Catalãs de Origem do Vinho (DO Alella, DO Catalunya, DO Conca de Barberà, DO Costers de Segre, DO Empordà, DO Montsant, DO Penedès, DO Pla de Bages, DOQ Priorat, DO Tarragona e DO Terra Alta), com o apoio da Generalitat de Catalunya através do INCAVI, uniram forças para aproximar os vinhos catalães com denominação de origem do consumidor que mora na Catalunha.”

Texto publicado no portal www.vinetur.com dia 23 de julho de 2020
Saiba mais: Espanha investe na promoção da Denominação de Origem de seus vinhos - http://www.invinoviajas.com/2018/03/espanha-investe/