Cultura do Vinho, Enoturismo e Turismo de Qualidade * O 8o. site de vinhos mais acessado do Brasil (Ranking EnoEventos/Alexa 2015) * O mais internacional blog de Cultura do Vinho e Enoturismo da América Latina, com leitores em 136 países
Pesquisar neste blog
segunda-feira, 15 de junho de 2020
domingo, 7 de junho de 2020
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Com a volta das viagens, turismo rural, ecoturismo e enoturismo vão deixar o coronaviurus perdido na paisagem
Por Rogerio Ruschel
Prezado amigo ou amiga, um dos segmentos
econômicos que mais sofreu impactos negativos com a pandemia foi o turismo, que
representa 8% do PIB mobiliza mais de 50 segmentos da economia e responde por
mais de 7 milhões de empregos diretos e indiretos no Brasil. Como existem
diferentes desejos de viajantes, existem vários tipos de turismo. Entre os mais
concorridos estão o turismo de “sol e praia” e o turismo urbano convencional,
aquele que arrasta multidões para visitar atrações em centros urbanos. Mas por
causa do Covid-19 os tipos de turismo com potencial para retomada mais rápida
são aqueles que se realizam em ambientes rurais, sem
algomeração e em contato com a natureza como o turismo
rural, o agriturismo, o ecoturismo, o enoturismo, o turismo de aventura e de
esportes na nautreza.
Isso porque a retomada das atividades
turísticas pós-Covid19 tende a ser realizada em espiral: o turismo será
retomado inicialmente por passeios em transporte privado (automóveis), em
cidades mais próximas do turista (porque a economia também sofreu), em destinos
com menos pessoas, e irá se ampliando, aumentando aos poucos, até chegar às
viagens internacionais lotadas feitas com transporte aéreo, como acontecia
antes da pandemia Covid-19.
Mas enquanto não existir uma vacina segura
contra o Convid-19 terão mais sucesso os destinos que buscarem atender a quatro
“S”s: Segurança, Sustentabilidade, Solidariedade e Saudabilidade. Mas antes
veja onde encontrar informações sobre o cenário Covid-19, que muda
constantemente:
·
Levantamento da Secretaria de
Turismo de Sâo Paulo, APRECESP e AMITESP, analisa a publicação de decretos municipais com medidas de prevenção do Covid-19.
Veja aqui: https://bit.ly/setursp_analise_decretos_covid19
·
Relatórios da OMT – Organização
Mundial do Turismo sobre países e restrições ao turismo podem ser encontrados
aqui: www.unwto.org/news/covid-19-restrictions-on-tourism-travel
E agora veja como os segmentos estão se
organizando para a volta das atividades. Lideranças do turismo Rural, incluindo
Agroturismo, Turismo Rural da Agricultura
Familiar e Turismo Rural de Base Comunitária realizaram debates pela internet e
propuseram a criação de um Projeto Nacional de Desenvolvimento do Turismo Rural
Brasil. A iniciativa, liderada pela especialista Andreia Roque,
propõe políticas públicas setoriais e normas nacionais de procedimentos e protocolos
de retomada do turismo e ampla divulgação das oportunidades de se fazer turismo
em lugares abertos, sadios, sem algomeração e em contato com a natureza.
Participei dos debates; participe também - #turismoruralconsciente
Quem também quer propor protocolos e
iniciativas é a Catraca Livre, um site de notícias com
foco em eventos culturais e temas como cidadania, educação, carreira,
bem-estar, etc. Em parceria com a Interamerican
Network, uma agência de comunicação e representação especializada em turismo,
está realizando uma pesquisa em países
da America Latina para apontar caminhos
seguros e confiáveis para a volta
das viagens. Até 15/junho a pesquisa está em bit.ly/pesquisa_
Catraca_livre_turismo
Outro setor que pode se beneficiar do “turismo
em espiral” é o Enoturismo. Sandra Carvão,
diretora de Inteligência de Mercado e Competitividade
da Organização Mundial do Turismo me disse em entrevista exclusiva que o
enoturismo tem uma grande capacidade de levar pessoas urbanas e com bom poder
aquisitivo a visitar, se hospedar e comprar produtos em ambientes rurais. Isto
é o que precisamos e que pode ser facilitado pelo Convid-19.
No Brasil o Enoturismo pode ser
importante para mais de 5 milhões de brasileiros em pelo menos 150 municípios
de 40 regiões de 10 Estados do Brasil. Em 2018 mobiloizou cerca de 1.200,000
turistas – e não só na serra gaúcha, como muitos pensam.
Infelizmente não temos nenhuma entidade
nacional de organização do enoturismo. Eu tenho escrito sobre isso há muitos
anos e em 2017 publiquei uma proposta de Agenda do Enoturismo no Brasil – veja
aqui: http://www.invinoviajas.com/2017/12/em-2018-o-brasil/
Pouca coisa foi feita sobre esta agenda, e
recentemente fiz um video relembrando a importância disso, veja aqui: https://youtu.be/tGxBjuZEJOY
Mas estamos buscando conhecimento sobre isso fora do Brasil. A consultora
de turismo Ivane
Favero, ex-presidente da Associação Internacional de Enoturismo - Aenotur participa de um grupo de especialistas em enoturismo denominado International Wine Tourism Think Tank que
planejam fazer propostas
concretas aplicáveis a qualquer vinícola e destino de enoturismo do mundo, sob
a nova realidade pós-Convid-19. No grupo estão representantes da Itália,
França, Portugal, Espanha, Brasil, Argentina, Chile, México, Estados Unidos e
África do Sul e a primeira iniciativa é a realização de uma pesquisa para conhecer
a realidade do mercado, que espero em breve poder compartilhar. Se você trabalha
com enoturismo, ajude a iniciativa: acesse https://es.surveymonkey.com/r/CV3TLX2?lang=pt
Na Itália, país que sofreu muito com o
Covid-19, o enoturismo gerou mais de 2,65
bilhões de euros com 15 milhões de turistas em 2019. Os italianos trabalham em várias frentes para retomar o enoturismo
no país, como com financiamentos para
reconstruir a acessibilidade aos territórios e a rolagem de dívidas dos gastos
turísticos e do enoturismo em 2020 para 2021. O programa é liderado pela
Associação Nacional de Cidades do Vinho (a Città del Vino), fundada em Siena em
1987, que reúne 460 municípios. Floriano Zambon, presidente, explica que a
retomada "...implica a necessidade de reconstruir e criar novos caminhos,
ciclovias, rotas de enoturismo, letreiros, itinerários e experiências
culturais, mas também infraestruturas de serviços e conexões digitais adequadas
para os territórios mais rurais e desfavorecidos pelo fosso digital”. Um
relatório sobre a situação está aqui: http://www.today.it/partner/adnkronos/economia/lavoro/citta-del-vino-enoturismo-volano-per-la-rinascita-dei-territori.html
Foto de abertura: O publicitário e
fotógrafo Rodrigo Ruschel surpreendeu a neblina matinal sobre o rio Silveira,
em São José dos Ausentes, na serra gaúcha. Nesta época não tinha Covid-19. Mas
se tivesse, o tal coronavirus estaria perdido na paisagem, confuso no meio da
neblina; bem feito!!!!!
quinta-feira, 21 de maio de 2020
Governo espanhol vai investir 540 milhões de Reais para apoiar o vinho espanhol afetado pela crise da Covid-19; conheça as medidas aqui
Por Rogerio Ruschel
O governo espanhol está preparando um plano de choque para apoiar o
setor vitivinícola, um dos mais afetados pela crise do Covid 19, conforme o
ministro da Agricultura, Pesca e Alimentação, Luis Planas, em entrevista à agência
EFE. Um decreto real está em fase final de aprovação. Como isso afeta o resto
do mundo e a produçãoo dos brasileiros?
O eixo do plano é um decreto real, que está sendo elaborado, no qual serão
propostas até cinco medidas diferentes muito importantes para o setor
vitivinícola, principalmente para vinhos de mais alta qualidade, os mais
afetados pelo efeitos da pandemia (porque 60% de suas vendas estão ligadas ao
setor de hospitalidade), pelo Brexit (que cancelou muitos negócios com a
Grã-Bretanha) e pelas sanções do governo dos Estados Unidos - o
maior consumidor dos vinhos do mundo, com 2,6 milhões de hectolitros em 2018, e que impôs super-taxas de até 125% aos vinhos premium da Europa, em
janeiro de 2020.
As diferentes medidas contempladas totalizam 85,9 milhões de euros (algo
como 540 milhões de Reais hoje) e a
maior quantidade corresponde a retirar do mercado até um total de dois milhões
de hectolitros (1,5 milhão de vinho de mesa e 0,5 com denominação de origem), o
que será financiado pelo Programa de Apoio ao Setor Vinícola. Outros 9,9
milhões de euros serão utilizados para facilitar medidas de armazenamento
solicitadas pelas vinícolas e denominações de origem, buscando administrar o
timing da redução de consumo do mercado do setor de restaurantes.
A terceira proposta será financiar a colheita da uva verde, no valor de
quatro milhões de euros no exercício financeiro de 2020 e mais seis do
orçamento de 2021. "Queremos
implementar essas três medidas imediatamente e é por isso que queremos aprovar
o decreto o mais rápido possível, proceder à distribuição dos fundos entre as
comunidades autônomas por meio de uma conferência setorial e iniciar os
pagamentos em 16 de outubro", antes do próxima safra, destacou o Ministro
da Agricultura, Pesca e Alimentação Luis Planas.
Para 2021, além de financiar a colheita verde, o Ministério da
Agricultura planejou a implementação de medidas de limitação de desempenho:
18.000 kg por hectare na produção de tinta e 20.000 em uvas brancas, como uma
ação regulatória adicional mercado.
O consumo de alimentos de mesa e produtos envelhecidos aumentou a preços
mais acessíveis no período de quarentena. Nestes vinhos, até 8 euros, houve um
aumento notável no consumo, mas isso não aconteceu nos rótulos de maior valor,
que são os mais afetados pelo canal de restauração. “O aumento do consumo doméstico do vinho em
torno de 20%, não pode compensar, nem em volume nem em valor, o que significa o
setor de hospitalidade, que representa 14% do que os espanhóis consomem em
alimentos e bebidas, o que em valor significa um terço dos gastos com
alimentos” disse o Ministro.
Embora os produtores europeus trabalhem em conjunto no que se refere ao
mercado mundial de alimentos (e lá vinho é considerado alimento), em tempos de
crise é cada um por si. Os franceses que foram os mais afetados pelos Estados
Unidos, devem estar planejando saídas semelhantes; In VIno Viajas vai pesquisar
este assunto para seus leitores.
Veja o que o governo brasileiro prometeu
fazer para ajudar os produtores de vinhos no Brasil aqui: http://www.invinoviajas.com/2020/01/os-vinhateiros-brasileiros-contra
Conhaça a supertaxacão dos vinhos europeus
pelos Estados Unidos aqui: http://www.invinoviajas.com/2020/01/trump-quer-detonar-os-vinhos/
sábado, 9 de maio de 2020
Campanha Gaúcha se torna a sétima Indicação Geográfica para vinhos e espumantes do Brasil; veja quem contribuiu para isso
Por Rogerio Ruschel, com
informações da Embrapa e do INPI
Meu
prezado leitor ou leitora, uma boa notícia para estes tempos de quarentena: o
INPI publicou dia 5 de maio de 2020 na Revista da Propriedade Industrial (RPI)
nº 2574, a concessão da indicação geográfica (IG) “Campanha Gaúcha”, na
espécie Indicação de Procedência, para vinhos finos brancos, rosados, tintos e
espumantes. Esta é a sétima IG do estado do Rio Grande do Sul para o segmento
de vinhos. Mais de 30 profissionais e técnicos trabalharam para isso ser
possível – e como “In Vino Viajas” faz jornalismo, estou publicando o nome
deles neste registro histórico. A foto de abertura é da Cooperativa Nova
Aliança.
A
partir de agora, todos os produtores de vinhos que estiverem dentro da região
demarcada (44.365 km²) e seguirem as normas contidas no regulamento de uso –
denominado Caderno de Especificações Técnicas – poderão utilizar a indicação
geográfica em seus produtos. A IG foi concedida em nome da Associação dos
Produtores de Vinhos Finos da Campanha Gaúcha e compreende os territórios dos municípios
ou distritos de Aceguá, Barra do Quaraí, Candiota, Hulha Negra, Itaqui, Quaraí,
Rosário do Sul, Santana do Livramento, Uruguaiana, Alegrete, Bagé, Piraí, José
Otávio, Dom Pedrito, Ibaré, Maçambará, Bororé, Encruzilhada, Torquato Severo e
Joca Tavares.
Atualmente,
existem 77 registros no INPI, sendo 56 indicações de procedência nacionais e 21
denominações de origem (12 nacionais e nove estrangeiras).
Memória do processo de concessão
Para perpetuar esta informação e ajudar
leitores estrangeiros a entenderem o processo, “In Vino Viajas” registra um
pouco da memória do processo do pedido, a começar pela nota da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), empresa governamental de
pesquisa em Agricultura 4.0, publicada em 2017. Naquele ano a Embrapa informou
que havia sido dado entrada dos documentos técnicos para registro da IG no
Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), organismo ficial
brasileiro de registros de patentes e propriedade industrial.
O pedido foi registrado no INPI dia 14
de dezembro de 2017, depois de um trabalho de mais de cinco anos envolvendo
diversas entidades – veja abaixo. A solicitação do reconhecimento da Indicação
de Procedência no INPI ocorreu com a entrega de um completo dossiê técnico que
foi elaborado ao longo de cinco anos por uma equipe interdisciplinar
de diferentes instituições, com a coordenação da Embrapa Uva e Vinho. A
documentação incluiu, dentre outros, a delimitação da área geográfica de IP, o
Regulamento de Uso para os vinhos da IP, o plano de controle dos produtos, a
caracterização geográfica - incluindo a geologia, o solo, o relevo e o clima, a
viticultura e as vinícolas produtoras, as características dos vinhos, os
processos de produção vitícolas e enológicos, além do descritivo histórico e do
renome da região.
Na foto abaixo, alguns destes profissionais dando entrada da solicitação do reconhecimento da Indicação de Procedência no INPI - Foto: Maria Francisca Canovas Moura, publicada no site da Embrapa.
Instituições envolvidas
O Projeto da IG Campanha Gaúcha foi
coordenado pela Embrapa Uva e Vinho e contou com a participação da Embrapa
Clima Temperado, Embrapa Pecuária Sul, Universidade de Caxias do Sul (UCS), Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), EPAGRI, Unipampa, Universidade Federal de
Santa Maria, Associação de Produtores Vinhos da Campanha, Instituto Brasileiro
do Vinho (Ibravin), Fapeg e Sibratec/Finep/MCTI - Recivitis – Rede de Centros
de Inovação em Vitivinicultura.Vinícolas que participam da Associação dos Produtores Vinhos da Campanha:
Batalha
Vinhas & Vinhos
Bodega
Sossego
Bueno
Bellavista Estate
Cooperativa
Agroindustrial Nova Aliança
Dunamis
Estância
Paraizo
Guatambu
Estância do Vinho
Rigo
Vinhedos e Olivais/Vinhos Dom Pedrito
Routhier
& Darricarrère
Seival
Estate
Vinhos
Salton
Vinícola
Almadén
Vinícola
Campos de Cima
Cordilheira
de Santana
Vinícola
Peruzzo
Vinícola
Vinhetica
Equipe do Projeto no campo temático da IG:
Embrapa Uva e Vinho: Celito Crivellaro Guerra, Henrique Pessoa dos Santos, Joelsio José Lazzarotto, Jorge Tonietto (coordenador das atividades do Grupo Temático da IP Campanha Gaúcha no projeto), José Fernando da Silva Protas (coordenador da Recivitis), Loiva Maria Ribeiro de Mello, Mauro Celso Zanus, Rosemary Hoff e Samar Velho da Silveira (coordenador geral do projeto).
Universidade de Caxias do Sul - UCS, Ivanira Falcade (coordenadora institucional).
Embrapa Clima Temperado - Carlos Alberto Flores (coordenador institucional).
Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS - Cláudia Alcaraz Zini, Eliana Casco Sarmento, Eliseu José Weber e Heinrich Hasenack (coordenador institucional).
Membros do Grupo de Trabalho (GT) do Regulamento de Uso da IP Campanha Gaúcha: Adriano Miolo, Anthony Darricarriére, Edvard Theil Kohn, Gilberto Simonaggio, Fabricio Domingues, Giovâni Silveira Peres (coordenador pela Vinhos da Campanha), Leonel Caliari, Pablo Martins, Pedro Candelária, Tauê Bozzetto E. Ham e Vanessa Medin, da Vinhos da Campanha; Celito Crivellaro Guerra, Jorge Tonietto (coordenador geral do GT) e Mauro Celso Zanus, da Embrapa Uva e Vinho; Ivanira Falcade, da UCS; Kelly Lisandra Bruch, do Ibravin; Renata Zocche, Rodrigo Lisboa e Suziane Jacobs, da Unipampa; Jaime Milan (assessoria).
O
que é a indicação geográfica?
A
IG é um sinal constituído por nome geográfico (ou seu gentílico) que indica a
origem geográfica de um produto ou serviço. Não certifica qualidade, certifica
origem. Apenas os produtores e prestadores de serviços estabelecidos no
território certificado (organizados em entidades representativas) podem usar a
IG. A espécie de IG chamada indicação de procedência (IP) (que é o caso da Campanha
Gaúcha) se
refere ao nome de um país, cidade ou região conhecido como centro de extração,
produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado
serviço. Já a espécie Denominação de Origem (DO) reconhece o nome de um país,
cidade ou região cujo produto ou serviço tem certas características específicas
graças a seu meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos.
Prezado
leitor ou leitora, brindo a isso: tim-tim. Aos poucos vamos percebendo a
importância de investir em nossos tesouros no fundo do quintal. Conheça nosso
projeto sobre os Tesouros no Fundo do Quintal aqui: https://www.youtube.com/channel/UCc4c2FU6Z88_XU_2I2lFbmA
terça-feira, 5 de maio de 2020
Por que o maior varejista da América Latina anuncia um pequeno vidrinho de pimenta produzida por índias Baniwa da Amazônia?
Por Rogerio Ruschel
Mais um conteúdo de qualidade exclusivo
de In Vino Viajas.
Prezado amigo ou amiga, a rede de
supermercados Pão de Açúcar tem milhares de produtos à venda. Mais de 99,99999%
são produtos que estão à venda também em concorrrentes, porque são produtos
globais, marcas internacionais feitos para ampla oferta. Mas então por que o Supermercado
Pão de Açucar também oferece – e faz propaganda na TV – de produtos pequenos, locais,
com volume de produção limitadíssimo, como este da foto de abertura, de Carol
Quintanilha/ISA, onde Selma da Silva Lopes, da tribo Baniwa, mostra um vidrinho
de pimenta Jiquitaia produzida pelas muheres de sua tribo? Porque estes
produtos que valorizam sua origem e a cultura de quem os produziu têm um respeitável
perfil de sustentabilidade socioambiental, de comércio justo e tem uma
característica importantíssima chamado Identidade Territorial.
Este e outros produtos à venda no Pão de
Açúcar são frutas, sementes, chás e castanhas da floresta tropical; molhos
“estranhos” como o de tucupi preto; farinhas, queijos regionais, geléias, pães
e outros – todos produzidos por famílias ou grupos comunitários e estão à venda em apenas 7 das 185 lojas do Pão de Açúcar
na cidade de São Paulo; até o final de julho/2020, serão 12.
Tata-se do programa “Caras do Brasil”, realizado
há mais de 20 anos pelo Pão de Açúcar, que tem
como objetivo “potencializar sabores e saberes brasileiros por meio de produtos
típicos de cada região, produzidos por pequenos produtores sustentáveis”. Identidade,
rastreabilidade, origem. Mas amiga ou amigo, me diga: qual a importância do
maior varejista da America Latina
investir na comercialização de produtos pequenos e desconhecidos, que
representam menos de 0,00000001% da oferta? Me parece que
são três razões: 1) eles expressam a política de sustentabilidade empresarial
da empresa; 2) estes produtos tem crescido em vendas a uma média mensal de 20%
ao mês e 3) ajudam a construir uma imagem positiva para a empresa, razão pela
qual, Segundo a assessorial de imprensa encaminhou informação, “a marca tem realizado comunicações
sensibilizadoras sobre o tema e os produtos para incentivar o consumo dos
mesmos por nossos clientes”.
Produtos com identidade territorial estão crescendo 20% por mes no
Pão de Açúcar
Desde a sua
criação, já passaram pelo programa produtos de mais de 100 pequenos negócios. O
Mel do Xingu, presente no portfólio desde o início, é um dos mais antigos. Não
conheço, mas deve ser mel de abelhas sem ferrão. A pimenta Jiquitaia, produzida por cerca de 80 mulheres
da tribo Baniwa, da Terra Indígena Alto Rio
Negro, no Amazonas, é um dos mais novos. Confesso que ainda não provei, mas
espero conhecer. Esta pimenta, uma
mistura de vários tipos de pimentas desidratadas com muitas cores e aromas, sabor
levemente defumado e alta picância, tem valor
cultural muito relevante para a nação indígena e foi tema de um comercial de
televisão do Pão
de Açúcar para homenagear o Dia Internacional das Mulheres de 2020.
Atualmente são 28 produtos de
12 produtores no portfólio, mas vão ser lançados tomate seco e molho de tomate
da região sul, crispy de tapioca da região nordeste e pasta de amendoim com
baru da região centro-oeste até o fim de julho. Você conhece baru? Pois vai
conhecer: o baru é uma castanha do cerrado brasileiro muito rica em vitaminas E
e ótima para quem tem colesterol. O baru não existe na Europa. A tapioca (ou
beiju) também não tem na Europa, porque é de origem indígena tupi-guarani. Ou
seja: são produtos de agricultura familiar, ainda considerados “caipiras” pela
elite das grandes cidades, com grande contribuição nutgricional, para a saúde e
para a economia de certos “cantões do mundo rural”. Eu suspeito que eles ainda só
não estão na Europa (ainda) porque ninguém havia investido neles. Agora eles
poderão ter a oportunidade de se apresentar para consumidores acostumados a
comprar produtos importados. E não custa lembrar que o
GPA é uma empresa francesa, e os franceses prestigiam seus agroprodutos de
produção familiar que são parte genuína da cultura de sua cultura.
“Caras do Brasil” investe em produtos com
identidade territorial
Estes produtos de terroir (como dizem os franceses) têm uma forte identidade cultural e territorial que será reforçada e protegida quando tiverem uma Identidade Geográfica - IG registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI. E vão ter que ter, cedo ou tarde, porque o Acordo Mercosul & União Europeia vai pressionar para que isso aconteça. IG é uma marca coletiva registrada que identifica, protege e valoriza produtos de um determinado território como Champanhe, Gruyére, Canastra, Bordeaux, Café do Cerrado Mineiro e outros que você conhece – e que só podem ser produzidos nestas regiões. Em sua esmagadora maioria são produzidos por famílias ou grupos comunitários no contexto da Agricultura Familiar.
Como para muitos brasileiros a Agricultura Familiar é invisível ou desconhecida, lembro que no Brasil temos mais de 4 milhões de propriedades de agricultura familiar, com 22 milhões de pessoas dependendo dela. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, estas famílias produzem cerca de R$ 300 bilhões, 33% do PIB agropecuário, todos os anos. O destaque são os alimentos como 70% do feijão, 34% do arroz, 87% da mandioca, 46% do milho, 38% do café, 21% do trigo, 60% da produção de leite, 59% do rebanho suíno, 50% das aves e 30% dos bovinos. E atenção, meu caro leitor ou leitora, não estou falando do “grande” agribusiness, a atividade de exportar matérias-primas primárias como commodities, sem nenhum valor agregado, como soja, cacau, café, laranja, algodão, etc.
Então volto à pergunta: por que o Grupo Pão de Açucar, uma empresa francesa de grande porte está investindo em produtos locais e valores culturais comunitários brasileiros como se fosse uma pequena empresa da sua cidade? Porque estariam “perdendo tempo” com produtores de pequeno porte? Porque vale a pena: o “Caras do Brasil” significa a oferta de produtos com um diferencial competitivo que nunca será alcançado pela concorrência, que é sua identidade única e exclusiva. Isso significa liderança.
O Pão de Açúcar reconhece a importância destes valores. Segundo a empresa, “A cultura regional brasileira é riquíssima e está presente – além da gastronomia, das nossas músicas, artesanatos e atividades do dia a dia – também nos alimentos e sabores brasileiros. Cada região brasileira – com sua geografia distinta e características ambientais diversas – compõe um panorama diverso e com potencial incrível de descobertas de sabores, histórias e saberes. Em cada região brasileira, buscamos produtos que representem essa riqueza.”
O
Pão de Açucar compra os produtos para vender e ter lucro, é óbvio, mas na
negociação pode incluir algum “incentivo
socioeconômico para pequenos(as) produtores(as) sustentáveis de produtos que
promovem a cultura local e geram valor para a comunidade.” Estes produtos que “promovem
a cultura local e geram valor para a comunidade” são especialmente artigos de
artesanato local e agroalimentos como frutas, geléias, queijos, doces, bebidas,
farinhas e outros. Produtos que costumo chamar de Tesouros do Fundo do Quintal,
porque estão próximos das pessoas mas muitos não os enxergam por miopia de
marketing, falta de atenção ou preguiça mesmo - mas que lideranças empresariais
como o Pão de Açucar estão vendo. Já produzi mais de 15 pequenos vídeos sobre
isso, interessantes e divertidos, veja aqui: https://www.youtube.com/channel/UCc4c2FU6Z88_XU_2I2lFbmA
Outras empresas que estão à frente valorizando
a origem e a identidade de produtos são os cortes de frango Sadia Bio, da Série Origens, que
oferecem
rastreabilidade ao consumidor e os cafés de terroir Rituais Cafés Especiais, uma série premium da
Três Corações, maior exportador brasileiro. Ambas são especialistas em
agroalimentos commodities de exportação, mas estão criando estes produtos para
agregar valor com a identidade territorial.
Espero em
breve entrevistar algum profissional de marketing do PÃODE AÇUCAR sobre esta
iniciativa do “Caras
do Brasil” para poder informar quais os benefícios proporcionados
para as mulheres Baniwa, e quais as dificuldades de fazer isso – que não deve
ser poucas. A
assessoria informou também que atualmente o Pão de Açucar tem uma página no
blog da marca dedicado ao Programa, mas uma reformulação do site está em pauta
para breve, com o detalhamento de ainda mais informações sobre os produtos,
produtores e outros assuntos e temas relacionadas. Espero que sim. As fotos são
do Pão
de Açúcar ou do Instituto Socioambiental – ISA.
Caso queira saber mais sobre o tema sugiro que leia meu livro “O
valor global do produto local – A identidade territorial como estratégia de
marketing”, publicado pela Editora Senac em abril/2019, o primeiro do Brasil
sobre o tema. Veja em
Para saber mais sobre a importância de
produtos com identidade territorial, acesse:
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Alimentos e bebidas com indicação geográfica valem € 75 bilhões para a agricultura familiar europeia, o valor de toda a agricultura brasileira.
Por Ana Soeiro, Managing Directora
da QUALIFICA/ oriGIn PORTUGAL e Vice-Presidente do oriGIn para a Europa; Edição
e comentários, Rogerio Ruschel
Meu prezado leitor ou leitora, a Comissão Europeia divulgou dia 20 de abril
de 2020, em Bruxelas, um relatório sobre o valor das Indicações Geográficas –
IG para os países do bloco. Você sabe: IGs são registros de territórios que
agregam valor aos produtos daquele território, porque criam diferenciais
exclusivos e elevam os preços; por exemplo, Roquefort para queijos, Borgonha
para vinhos. Os números são impressionantes: R$ 391 bilhões de Reais. Espero
que este artigo ajude a incentivar ainda mais nossos podutores rurais e
industriais a investirem em produtos com identificação de origem no Brasil que
ainda são muito poucos, e nada se sabe sobre eles. Ana Soeiro, Vice-presidente
da OriGin para a Europa, fez a tradução para o Português, veja a seguir.
“Os produtos agro-alimentares e as bebidas cujos nomes estão protegidos
pela União Europeia como “Indicações Geográficas” (IG) representam um valor de
vendas de 74,76 bilhões de euros, de acordo com um estudo publicado hoje (20/04/2020)
pela Comissão Europeia. Mais de um quinto desse valor resulta de exportações
para fora da União Europeia. O estudo constatou que o valor de venda de um
produto com um nome protegido é, em média, o dobro do valor de produtos
similares sem a qualificação. (Na imagem de abertura você vê os valores de
categorias de produtos).
Janusz Wojciechowski, Comissário
para a Agricultura da União Europeia: “As indicações geográficas protegem o
valor local a nível global”.
O Comissário para a Agricultura, Janusz Wojciechowski, disse: “As
indicações geográficas europeias reflectem a riqueza e a diversidade de
produtos que o nosso sector agrícola tem para oferecer. Os benefícios para os
produtores são claros. Eles podem vender produtos de maior valor para
consumidores que procuram produtos regionais autênticos. As IGs são um aspecto
essencial dos nossos acordos comerciais. Ao proteger produtos em todo o mundo,
impedimos o uso fraudulento de nomes de produtos, preservamos a boa reputação
dos produtos agro-alimentares e das bebidas europeus. As indicações geográficas
protegem o valor local a nível global”.
Os alimentos europeus são famosos por serem seguros, nutritivos e de
alta qualidade. Os métodos tradicionais de produção contribuem para o objectivo
da UE de se tornar também o padrão global de sustentabilidade na produção de
alimentos.
Os sistemas de qualidade da UE visam proteger os nomes de produtos
específicos para promover as suas características únicas, vinculadas à sua
origem geográfica e ao saber fazer incorporado na região. Esses nomes de
produtos fazem parte do sistema da UE de direitos de propriedade intelectual,
protegendo-os legalmente contra imitações e uso indevido. Os nomes dos produtos
agro-alimentares e dos vinhos são protegidos como Denominação de Origem
Protegida (DOP) ou como Indicação Geográfica Protegida (IGP) e os das bebidas
espirituosas como Indicações Geográficas (IG). A União Europeia também protege
as Especialidades Tradicionais Garantidas (ETG), destacando os aspectos
tradicionais de um produto sem estar vinculado a uma área geográfica
específica. O valor de venda das ETG dos e produtos agrícolas e dos géneros
alimentícios atinge 2,3 biliões de Euros.
O estudo baseou-se em todos os 3.207 nomes de produtos protegidos nos 28
Estados-Membros da UE no final de 2017 (até ao final de Março de 2020, o número
total de nomes protegidos aumentou para 3.322). Conclui-se que o valor de venda
de um produto com um nome protegido é, em média, o dobro do valor de produtos
similares sem qualquer qualificação.
Segundo o estudo, há um claro benefício económico para os produtores em
termos de marketing e de aumento de vendas, graças à alta qualidade e reputação
desses produtos e à disposição dos consumidores em pagar para obter o produto
autêntico.
As principais conclusões do
estudo são:
- Valor de vendas significativo : as indicações geográficas e as
especialidades tradicionais garantidas, em conjunto, representaram um valor
estimado de vendas de 77,15 bilhões de euros em 2017
correspondendo a 7% do valor total de vendas do sector europeu de
alimentos e bebidas estimado em 1.101 bilhões de euros em 2017. Os vinhos representaram
mais da metade desse valor (39,4 bilhões de euros), os produtos agrícolas e os
géneros alimentícios 35% (27,34 bilhões de euros) e as bebidas espirituosas 13%
(10,35 biliões de euros). Dos 3.207 nomes de produtos que estavam registados em
2017 (entre IGs e ETGs), 49% eram vinhos, 43% produtos agro-alimentares e 8%
bebidas espirituosas.
- Valor de vendas mais alto para produtos com nomes protegidos: o valor
de venda dos produtos cobertos pelo estudo foi, em média, o dobro do valor de
venda de produtos similares sem qualificação. A taxa de valor acrescentado foi
de 2,85 para vinhos, 2,52 para bebidas espirituosas e 1,5 para produtos
agrícolas e géneros alimentícios.
- Uma verdadeira política europeia: cada país da UE produz produtos
cujos nomes são protegidos a nível da UE e que servem como porta-estandartes
para o património culinário tradicional das regiões e como motores económicos
para o sector agro-alimentar nacional.
- Exportações de produtos com indicações geográficas: as indicações
geográficas representam 15,5% do total das exportações agro-alimentares da UE.
Os vinhos continuaram a ser o produto mais importante em termos de valor total
de vendas (51%) e do comércio extra-UE (50%). Os EUA, a China e Singapura são
os primeiros destinos para produtos com IG da UE, representando metade do valor
de exportação de produtos com IG.
- Para garantir que a política de qualidade da UE continua cumprindo da
melhor forma possível, foi lançada uma consulta pública on-line, entre 4 de
Novembro de 2019 e 3 de Fevereiro de 2020 para obter feedback das partes
interessadas sobre a política de Propriedade Intelectual. Entre as principais
conclusões, a maioria dos entrevistados concordou que os sistemas de qualidade
da UE beneficiam produtores e consumidores. O relatório "resumo
factual" fornece uma visão detalhada dos comentários recebidos da consulta
pública.
Cenário de fundo
As Denominações de Origem Protegidas (DOP), as Indicações Geográficas
Protegidas (IGP) e as Indicações Geográficas (IG) para bebidas espirituosas
garantem aos consumidores que os produtos em questão são genuinamente
produzidos na sua região de origem específica, usando o saber-fazer e as
técnicas incorporadas na região. A principal diferença entre a DOP e a IGP está
relacionada com as quantidades de matéria-prima proveniente da área
ou quais as fases do processo de produção que devem ocorrer na região
específica. As indicações geográficas famosas incluem, por exemplo, Bayerisches
Bier, Champanhe, Irish, Whiskey, Azeitonas Kalamata, Parmigiano Reggiano, Vodka
Polaco, Queso Manchego, Roquefort.
A especialidade tradicional garantida (ETG), por outro lado, destaca os
aspectos tradicionais, como o método de produção tradicional ou a composição
tradicional, sem estar vinculado a uma área geográfica específica. Exemplos de
ETG famosas são o Bacalhau de cura tradicional portuguesa, Amatriciana
tradizionale, Hollandse maatjesharing e Kriek.
A UE concluiu mais de 30 acordos internacionais que permitem o
reconhecimento de muitas indicações geográficas da UE fora da UE e o
reconhecimento de indicações geográficas de fora da UE na UE. As indicações
geográficas desempenham um papel cada vez mais importante nas negociações
comerciais entre a UE e outros países. A Comissão também dedica cerca de 50
milhões de euros por ano para promover produtos de qualidade na UE e no
mundo.
Para saber mais fale comigo rruschel@uol.com.br.
Veja a entrevista que Ana Soeiro concedeu ao In Vino Viajas
em novembro de 2019: http://www.invinoviajas.com/2019/11/o-brasil-tera-que/
Conheça
Tesouros no Fundo do Quintal, o primeiro web-canal sobre IGs http://www.invinoviajas.com/2019/12/chegou-tesouros-no-fundo-do-quintal/
Assinar:
Postagens (Atom)







