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quarta-feira, 22 de setembro de 2021

California lança espumante em garrafa com formato de pênis, especial para despedidas de solteiras


Por Rogerio Ruschel

 

Prezada amiga, esta mensagem é especial para você que gosta de vinho e de alegria com suas amigas. Ou muito criativo. Agora você pode comprar um espumante em uma garrafa no formato de um pênis – e um grande pênis, diga-se de passagem. Pois é, dois malucos criaram o produto especialmente para amigas se divertirem em festas de despedida de solteira!!!

 

No mundo do marketing de vinhos sempre que surgem ideias diferenciadas, mostramos aqui para nossos leitores. Por exemplo: um restaurante de Paris passou a servir vinho em mamadeiras, em 2015 foram lançados pirulitos eróticos com sabor de vinho e surgiram vinhos de cor azul.

 

Vinhos em mamadeira? Sim, em 2015 o bar-restaurante “Le Refuge des Fondus” em Montmartre, Paris, começou a servir vinho (francês, logicamente) em mamadeiras de plástico – e durante algum tempo tinha filas enormes para poder entrar. Os leitores de In Vino Viajas, sempre bem informados, leram sobre esta moda aqui:  https://www.invinoviajas.com/2015/06/junte-se-aos-parisienses-para-beber/

 

E pirulitos eróticos com sabor de vinho? Sim: em 2014 um fabricante de doces do Texas, Estados Unidos se tornou muito conhecida pelos sabores originais de seus pirulitos, feitos especialmente para jovens moderninhos que procuram novidades diferenciadas como pirulitos de cabernet sauvignon, chardonnay, amareto, irish cream – e acredite: pirulito com sabor de Leite Humano, isso mesmo. Os pirulitos eram anunciados por moças atraentes em poses muito eróticas que os leitores de In Vino Viajas podem conferir aqui: https://www.invinoviajas.com/2014/04/tirem-as-criancas-da-sala-chegaram-os/ 

 

Já em 2015 surgiu outra novidade: seis jovens empresários do Pais Basco, Espanha, desenvolveram e lançaram no mercado um vinho na cor azul, de um azul muito bonito que atraiu artistas e espantou as pessoas que o degustaram em testes cegos. E é claro que o leitor de In Vino Viajas ficou sabendo, veja aqui: https://www.invinoviajas.com/2015/08/jovens-espanhois-criam-vinho-de-cor/

 

Pois agora dois sujeitos da California tiveram uma ideia bem interessanteL um espumante especial para despedidas de solteira. O CEO da empresa, Matthew Shore, explica como surgiu a ideia: "Éramos dois pais em um parque, observando nossos filhos no parquinho, conversando sobre a quantidade ridícula de festas de despedida de solteiro em que nossas esposas compareciam, e a quantidade incrível de negócios que havia em tatuagens de pênis, óculos em formato de pênis, canudos em formato de pênis ... Foi então que as palavras que pensamos: e se as garrafas de espumante tivessem formato de pênis? Seria o Champenisi, o nome que demos para nosso produto, que foi criado a partir dessas palavras simples: champanhe (que não podemos usar por extenso porque é protegida) e pênis".

 

Foi assim que surgiu uma garrafa de espumante rosé (produzido no Vale do Napa) em forma de pênis, com o nome de 'Just the Tipsy', (em tradução literal, “Apenas o embriagado”...) que vem sendo comercializado como um vinho destinado a momentos de diversão e festas de despedida de solteira.

 

De acordo com Shore, ele ficou surpreso com a quantidade de vinícolas de Napa abertas à proposta. "Recebemos muitas respostas como 'Você está falando sério? Isso é uma piada?' Mas então, quando explicamos o que estávamos procurando, foi tudo muito positivo", disse ele. “As pessoas gostam da ideia, acham engraçado ... Definitivamente, algumas vinícolas dizem que não é para eles e que não querem se envolver em nenhuma parte do processo, mas com menos frequência essa é a reação."  Uma nota de degustação no site descreve o vinho como "suave, crocante e atraente com um final longo".

 

O Just the Tipsy está disponível exclusivamente no site da empresa, por $ 33,30 a garrafa de 750 ml (teor alcoólico de 12,5%). Viu? Mais uma novidade apimentada de In Vino Viajas para seus leitores - e leitoras!!!

 

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Chegou a Slow Wine Coalition: vinhos com sustentabilidade e crescimento social e cultural da zona rural

 

Por Rogerio Ruschel

Prezado leitor ou leitora, os conceitos do Slow Food finalmente chegaram à atividade da vitivinicultura. No dia 6 de julho de 2021 foi lançada a Slow Wine Coalition, a proposta de uma nova revolução do mundo vitivinícola, reunindo todos os protagonistas do setor em torno da consciência de que o vinho não pode mais ter apenas um papel hedonista, ligado ao prazer da degustação, mas seguirá cada vez mais o caminho de uma verdadeira sustentabilidade ambiental, da proteção da paisagem e do crescimento cultural e social das regiões vinícolas.

A Slow Wine Coalition, a nova rede global do Slow Food, nasceu graças à experiência e aos princípios que evoluíram, edição após edição, em torno do projeto do guia Slow Wine, tradicionalmente publicado pelo Slow Food na Itália. O primeiro grande evento da Coalition será em Bolonha, na Itália, de 26 de fevereiro a 1º de março de 2022. A versão em inglês é dedicada exclusivamente ao vinho americano, apresentando 300 vinícolas dos principais estados americanos produtores de vinho.

A Slow Wine Coalition pretende reunir todos os atores da cadeia do vinho – produtores, importadores, distribuidores, enotecários, restauranteurs, sommeliers, comunicadores, jornalistas e amantes do vinho – inspirados pela ideia do vinho bom, limpo e justo para todos. A Slow Food Coalition é baseada no Manifesto Slow Food por um vinho bom, limpo e justo, um decálogo de conceitos fundamentais sobre a função dos viticultores, sobre agronomia e enologia, estendendo a discussão a outras áreas, como: biodiversidade, valor do território e relação com as pessoas que trabalham no vinhedo e na adega.

Giancarlo Gariglio, o coordenador da Slow Wine Coalition diz que “O manifesto, apresentado em Bolonha (Itália), no dia 11 de outubro de 2020, durante o SANA Restart, é o resultado de um longo processo que atravessa toda a história do Slow Food. Inspirado nas reflexões de centenas de viticultores que se reuniram em Montecatini e Florença em 2009 por ocasião da segunda edição do “Vignerons d’Europe”, o manifesto não pretende ser um documento fechado, mas um ponto de partida sobre o qual discutir”. E completou: “As raízes da nossa associação, no início dos anos 80, estão nas videiras. Ao longo desses 40 anos, a associação cresceu e ampliou seus horizontes, mantendo o vínculo com o vinho, graças ao Slow Wine.

Os três pilares da Slow Wine Coalition são a sustentabilidade ambiental, proteção da paisagem e crescimento cultural e social da zona rural. Poluição, empobrecimento da biodiversidade devido ao uso de herbicidas e dessecantes, monoculturas nas áreas de maior valor, exploração da mão-de-obra, etc. são algumas das pragas que infelizmente ainda mancham o mundo do vinho, legado de uma antiga cultura agrícola que muitos produtores estão abandonando em favor de uma verdadeira revolução que está lentamente transformando as características desse setor. O caminho é longo e, sobretudo no início, é necessário um esforço coletivo liderado por quem já iniciou esse caminho.

Há muitas vinícolas que, na sequência de uma renovação agrícola geral, começaram experimentando e adotando sistemas sustentáveis de cultivo, praticando a agricultura orgânica e biodinâmica. No futuro, sobretudo à luz do combate à mudança climática, esse setor terá que acelerar e oferecer um exemplo virtuoso para todas as outras culturas, muitas vezes com margens econômicas menores.

E não é tudo: muitas vezes, os vinhedos melhores estão em colinas ou montanhas, em áreas íngremes, muitas vezes em regiões onde a uva é a única oportunidade de criar valor e manter as comunidades locais. Assim, a empresa vitivinícola moderna assume um papel central na defesa da paisagem, preservando sua beleza e integridade, e incentivando o desenvolvimento de um sistema turístico baseado na ecologia e na gastronomia.

A Slow Wine Coalition tem um calendário muito rico para os próximos meses. Já a partir de julho, o Slow Food ajudará a organizar encontros entre os primeiros protagonistas da Coalition na Itália e no exterior, que assinarão o Manifesto e falarão sobre os princípios inspiradores. 

O evento mais importante acontecerá em Bolonha, de 26 de fevereiro a 1º de março de 2022, com o Sana Slow Wine que apresentará a Slow Wine Fair, evento internacional dedicado ao vinho bom, limpo e justo. O evento, organizado por BolognaFiere com a direção artística do Slow Food, acolherá o primeiro encontro internacional da Slow Wine Coalition, uma oportunidade de troca e debate entre todos os atores da rede, na sequência dos quase 20 anos de experiência do Terra Madre. Durante os quatro dias da Slow Wine Fair, centenas de produtores de todo o mundo se reunirão para participar de palestras, debates, degustações e de uma exposição de milhares de rótulos do mundo inteiro.

Será que algum produtor, enólogo, enófilo, sommelier, distribuidor, revendedor ou jornalista brasileiro do setor vai participar deste evento? Quem viver, verá…

O Manifesto Slow Food por um vinho bom, limpo e justo, está aqui: https://slowinecoalition.slowfood.it/wp-content/uploads/EN_slow_food_wine_coalition_manifesto-1.pdf

 

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Conheça Calcatorium, o primeiro vinho de lagar rupestre de Portugal, que revive técnica ancestral dos romanos.

  

Por Rogerio Ruschel

Meu prezado leitor ou leitora, veja outra história de valorização do produto local e do patrimônio territorial – desta vez vindo de Portugal. Produtores portugueses de vinho recuperaram um processo único de vinificação de uvas do tempo dos romanos, o vinho de lagar rupestre. O processo foi oficialmente reconhecido em 2020 como método tradicional de Trás-os-Montes. O “Calcatorium”, como foi batizado este que é o primeiro vinho de lagar rupestre certificado e rotulado em Portugal, foi apresentado dia 13 de agosto de 2021, em Santa Valha, localidade do municipio de Valpaços, Distrito de Vila Real, provincia de Trás-os-Montes, no Nordeste de Portugal, onde foi produzido na vindima de 2018.

Esta tecnologia produtiva é ancestral. A ocupação romana na região se manteve por vários séculos, até o início do século V, quando povos Suevos, Vândalos e Alanos se instalaram, pondo fim ao domínio romano. Mas entre as heranças romanas ficaram os lagares rupestres, escavados em rochas, onde as uvas eram pisadas para extração do suco e produção de vinho. Calcatorium é o nome romano do local onde são colocadas e pisadas as uvas. Até agora cerca de 120 lagares de sete tipologias diferentes, escavados na rocha, já foram identificados no município de Valpaços.

 “O nosso objetivo é colocar Valpaços no mapa da enologia, da cultura e do turismo”, afirmou Augusto Lage, da Associação de Vitivinicultores Transmontanos (AVITRA). Estes vinhos assumem a designação de “vinho de lagar rupestre”, cabendo à Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes (CVRTM) as funções de controle da produção e do comércio, de promoção, defesa e certificação dos vinhos da região.

As uvas do “Calcatorium” foram colhidas numa vinha muito velha, com castas autóctones, brancas e tintas; a lagarada (o processo de amassamento com os pés) foi feita em lagares rupestres e, depois, o estágio dos vinhos foi feito em pipas antigas de carvalho de madeira, na adega do produtor local Nuno Miguel Neves.

Foram engarrafadas 260 garrafas de “Calcatorium” tinto e outras tantas de rosé. Todas elas estão numeradas e a primeira vai ser oferecida ao Presidente da República. “Nós hoje fizemos história, quer para a região quer especificamente para os vinhos de Trás-os-Montes”, afirmou Ana Alves, enóloga da CVRTM. “Esperamos, agora, que os produtores agarrem nesta possibilidade e que façam muitos mais vinhos de lagar rupestre na região de Trás-os-Montes”, afirmou a enóloga da CVRTM, acrescentando que vários viticultores já se mostraram interessados em avançar com a produção deste tipo de vinho. O propósito foi, segundo Ana Alves, fazer o lançamento do vinho, motivar os viticultores para aproveitaram a “ancestralidade e identidade da região” e fazerem um produto “de referência” para Trás-os-Montes.

Quanto ao lagar, o arqueólogo Pedro Pereira, explicou que o que foi usado para a produção do vinho é, a nível técnico, “um dos mais interessantes, porque ainda tem as zonas de estabelecimento de uma prensa mecânica lateralmente e uma série de veios escavados na rocha com outros intuitos para além da produção, como para o escoamento de água. Há também um castro romanizado aqui próximo, uma larga ocupação deste espaço pelo menos até à alta Idade Média. Aqui podemos dizer que será certamente medieval e com algum grau de certeza podemos dizer que poderá ter sido romano, de instalação inicial”, salientou.

Em 2018 foi criada a Associação Portuguesa de Lagares Rupestres (LAROUP) para incentivar “tanto o estudo como a proteção” deste patrimônio, estando previsto o arranque de uma inventariação nacional para breve. Augusto Lage defendeu ser necessário classificar os lagares rupestres, primeiro a nível municipal e, depois, nacional, de forma a proteger e preservar este patrimônio. O objetivo último, frisou, é a sua classificação como Patrimônio Mundial da Humanidade, uma candidatura que está a ser trabalhada em conjunto com a Galiza (Espanha).

Meu caro leitor ou leitora, Portugal recupera também outra tecnologia ancestral de produçnao de vinhos, o vinho de talha, produzido também pelos romanos, hea 2.000 anos atrás, especialmente na região do Alentejoe que “In Vino Viajas” acompanha há vários anos. Veja aqui: https://www.invinoviajas.com/?s=talha

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Queijos brasileiros com Indicação Geográfica ganham selos dos Correios; reconhecimento agrega valor a produtos com identidade local

 

Por Rogerio Ruschel, com conteúdo do Sebrae

Meu prezado leitor ou leitora, a mobilização pelo reconhecimento e agregação de valor a produtos brasileiros de base local e com Indicações Geográficas – IGs se amplia a cada dia e agora vai chegar até a sua correspondência: o Sebrae e os Correios lançaram dia 12 de agosto de 2021 um conjunto de selos artísticos homenageando os queijos brasileiros detentores de Indicação Geográfica.

Os Selos Especiais “Queijos do Brasil” contam com oito ilustrações de queijos produzidas de forma artesanal nas cinco regiões do país. Foram representados o Queijo do Marajó (PA), Queijo Manteiga (RN), Queijo Coalho (PE), Queijo Cabacinha do Araguaia (GO), Queijo Minas (MG), Queijo Artesanal Paulista (SP), Queijo da Região do Diamante (SC) e Queijo Artesanal Serrano (RS).

Segundo a assessorial de imprensa do Sebrae, o presidente do Sebrae, Carlos Melles, chamou atenção para a importância do reconhecimento dos produtos com Indicação Geográfica para fortalecer diversos segmentos da cadeia produtiva. “É com muita satisfação que o Sebrae, em mais uma parceria com os Correios, faz essa honraria a um produto genuinamente brasileiro. Temos trabalhado para fomentar os registros de Indicação Geográficas dos diversos produtos em que o Brasil possui excelência. Sabemos que isso beneficia o produtor, a região, a economia e o Brasil como um todo”, disse. Melles complementou afirmando que a homenagem agrega ainda mais valor ao trabalho dos produtores de queijo do país. “Temos queijos maravilhosos, da Canastra de Minas Gerais, o da Serra em Santa Catarina, o Queijo Coalho do Nordeste e tantas outras regiões produtoras homenageadas”, observou.

O presidente dos Correios, Floriano Peixoto Vieira Neto, destacou como a homenagem fortalece a cultura de valorização de produtos artesanais. “Agradeço ao Sebrae pela parceria no lançamento desses selos que reconhecem a importância do queijo para os brasileiros. É um produto muito bem aceito em todas as nossas regiões, sobretudo, são queijos de procedência reconhecida, com qualidade testada e aprovada”, disse. Segundo Vieira Neto, além da valorização dos queijos, ele espera que o lançamento dos selos aumente as vendas dos produtores e o envio de correspondências com os selos postais.

O presidente da Associação de Produtores de Queijo Canastra (Aprocan), João Carlos Leite, pontuou como a produção de queijos no Brasil está crescendo, além de agradecer pela homenagem da criação do selo arte. “É um prazer estar aqui. Agradecemos ao apoio incontestável que o Sebrae dá aos produtores de queijo e não podemos esquecer esse prestígio que os Correios nos concederam com o lançamento. Temos uma cultura queijeira no Brasil que está se tornando internacional. Imagina o produtor, além de uma Indicação Geográfica, poder falar que seu produto tem um selo dos Correios em sua homenagem. Isso agrega muito valor”, finalizou.

Se você tiver interesse em saber mais sobre queijos com IGs e procurar o site do INPI  - Instituto Nacional de Propriedade Industrial, o órgão brasileiro que regula e concede as IGs,  vai ficar decepcionado, porque além de não ser prático o site está desatualizado – uma pena.

Mas então meu querido leitor ou leitora, graças do Sebrae, agora você pode ter um pedacinho de queijo na sua carta de hoje. Ou quem sabe, no pacote da encomenda. Ainda bem que foi feito agora, porque em breve os Correios serão uma organização internacional e ninguém garante que vá haver interesse em promover produtos locais…

Saiba mais sobre queijos com IGs aqui: https://www.invinoviajas.com/?s=queijos

Brindo a isso – com um vinho brasileiro detentor de Indicação Geográfica. Tim-tim!!!

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Pirarucu de Mamirauá, o magnífico peixe da Amazônia, batiza a mais nova Denominação de Origem do Brasil

 

Por Rogerio Ruschel

Prezado amigo ou amiga, aos poucos estamos aprendendo a dar valor a nossos produtos de base local, aqueles que só determinado território tem e que consumidores de outras partes, até mesmo do exterior, adorariam conhecer. Na história de hoje tenho certeza disso, porque o pirarucu (Arapaima gigas), o gigantesco (e lindo) peixe da Amazônia foi reconhecido dia 13 de juho de 2021 como um patrimônio da região de Mamirauá. E posso garantir que é um patrimônio delicioso, porque já provei e gostei bastante.

Mamirauá é uma área de 11.137 km² estabelecida em 1996 no estado do Amazonas, região do médio Solimões, como área protegida do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, fomentada e supervisionada pelo Ministério da Ciiencia, Tecnologia e Inovações. O nome oficial é Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e se trata da maior reserva florestal do Brasil dedicada exclusivamente à proteção da várzea amazônica.

Os recursos pesqueiros na Reserva Mamirauá têm fundamental importância para o meio de vida das populações rurais da Amazônia, e são a principal fonte de proteína animal e de renda para as populações ribeirinhas. Por isso a conservação deste recurso - especialmente do pirarucu - através de seu manejo sustentável, é fundamental. Desde 1999, o manejo participativo da pesca de pirarucus ajudou a aumentar em aproximadamente 427% o estoque natural da espécie, nas áreas manejadas da Reserva Mamirauá.

O programa deu certo e agora o projeto acelera ainda mais. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu para a Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu de Mamirauá – FEMAPAM, a Denominação de Origem – DO Mamirauá para o pirarucu manejado de nove municípios do Amazonas (Alvarães, Fonte Boa, Japurá, Juruá, Jutaí, Maraã, Tefé, Tonantins e Uarini).

Com essa concessão, o número de Indicações Geográficas (IGs) registradas no INPI chega a 94, sendo 27 Denominações de Origem (18 nacionais e nove estrangeiras) e 67 Indicações de Procedência (todas nacionais).

A DO Mamirauá é a quarta IG de frutos do mar, mas a primeira de um peixe comestível: as outras são a DO Vierias da Ilha Grande, concedida em abril de 2021 para a Associação de Maricultores da Baía da Ilha Grande/RJ; a DO Camarões Costa Negra, concedida para a Associação dos Carcinicultores da Costa Negra/CE para Camarões marinhos cultivados da espécie Litopenaeus Vannamei, concedido em 2011 e a Indicação de Procedência Peixes Ornamentais de Rio Negro, da Cooperativa das pescadoras e pescadores de Peixes Ornamentais do Médio e Alto Rio Negro – ORNAPESCABR/AM, registro concedido em 2014.

 

Sobre a DO Mamirauá

De acordo com a documentação apresentada ao INPI, os fatores humanos, que envolvem boas práticas de pesca, abate, recepção e pré-beneficiamento do pirarucu, influenciam na qualidade final do produto, contribuindo para o aumento da durabilidade na prateleira. Além disso, o binômio tempo-temperatura no transporte do peixe entre o local da pesca e o flutuante para armazenagem contribui para o aroma agradável do produto.

Por sua vez, ainda segundo a documentação enviada ao INPI, também há relação entre os fatores naturais e as diversas características ou qualidades da carne do pirarucu. O alto índice de ácidos graxos (ômega 3) no pescado se deve à alimentação na área de várzea de Mamirauá. Além disso, o modo como o pirarucu vive na região, associado a uma alimentação rica em proteínas, propicia a formação de colágeno, contribuindo para a textura firme da carne.

Já o sabor suave se deve ao perfil lipídico do pirarucu, com altos índices de ômega 3, enquanto o aroma agradável decorre da ausência do óxido de trimetilamina (OTMA). Por fim, cabe ressaltar que a pigmentação vermelha diferenciada do peixe é adquirida pela ingestão de moluscos, principalmente da família Pomaceae, que obtêm tal pigmento ao se alimentarem de vegetais.

Dessa forma, segundo a documentação apresentada ao INPI, o resultado é um peixe com intensa coloração vermelha, alta concentração de proteínas e ômega 3, sabor suave, aroma agradável e leve, bem como textura boa, suculenta e firme.

Especificações e características:

O pirarucu de Mamirauá apresenta maior concentração de ômega 3 devido a sua alimentação variada (peixes, moluscos, crustáceos e macrófitas) e por encontrar-se na área de Mamirauá, sendo esta uma região de várzea com alagamento e extensão em toda a Amazônia. O pirarucu apresenta coloração avermelhada mais intensa decorrente do consumo de moluscos dessa localidade. Quanto aos aspectos sensoriais, a carne do pirarucu é muito saborosa, suave e levemente adocicada; possui aroma agradável, suave e textura é boa, suculenta, firme e resistente.

 

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Vinícola Aurora cria Gioia, marca exclusiva para vinhos com Indicações Geográficas


 Por Rogerio Ruschel

Meu estimado leitor ou leitora, outra boa novidade no portfólio dos agroalimentos brasileiros: parece que nosso setor vitivinícola está mesmo convencido de que a origem e a identidade dos produtos agrega diferencial de marketing e valor de mercado. A Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves, Rio Grande do Suol, sai na frente e lança a linha GIOIA, que, segundo informações que me enviaram, na tradução do italiano, significa “alegria”. “A nova marca apresenta produtos com garrafas numeradas e limitadas, que buscam a expressão máxima do terroir de cada local, elaborados exclusivamente em regiões demarcadas com Indicações Geográficas brasileiras, seja Indicação de Procedência (I.P) ou Denominação de Origem (D.O).“

Para a estreia da marca, que também comemora os 90 anos da vinícola, a Aurora elaborou dois produtos inéditos dentro do portfólio de mais de 220 itens: o Gioia Merlot 2018 D.O Vale dos Vinhedos, o primeiro vinho nobre da empresa (ou seja, com teor alcoólico de 14,1% a 16%), e o Gioia Sur Lie Nature I.P Pinto Bandeira 2016, o primeiro espumante sem dégorgement da Aurora. (Dégorgement é um processo no qual, depois da segunda fermentação de um espumante - que gera pressão interna - o gargalo é congelado, corta-se a tampa de metal e a própria pressão de dentro da garrafa expulsa a borra).

Segundo Renê Tonello, presidente do Conselho de Administração da Vinícola Aurora, “Há mais de um ano e meio estamos desenvolvendo este projeto que levará produtos de extrema qualidade ao consumidor. É apenas o início do caminho que a Aurora está explorando e que deve ser ampliado com novos produtos ícones. São rótulos complexos, que carregam estilos diferentes de outras linhas da vinícola, mas que irão agradar todos os públicos”, acredita.

A cooperativa caprichou: a linha GIOIA inclui embalagens marcantes dos dois produtos. Com acabamento bacana, os rótulos são modernos e alegres, trazendo a cor laranja como destaque, e caixa de seis unidades do Gioia Merlot 2018 D.O Vale dos Vinhedos em madeira. O vinho tem 26 mil garrafas numeradas e será comercializado em todo o país, em lojas especializadas e e-commerce parceiros.      

Ainda não desgustei, então inform o que está na ficha dos produtos: “elaborado no Vale dos Vinhedos – única região do Brasil com Denominação de Origem (D.O) – o Gioia Merlot 2018 D.O Vale dos Vinhedos é um produto com 15% de teor alcoólico e passagem de 12 meses por barrica de carvalho francês. De cor vermelha rubi intensa com traços violáceos, apresenta no olfato alta intensidade aromática, com expressivo caráter varietal da Merlot e excelente harmonia. É marcado pelos aromas de frutas como cereja e notas de carvalho, como caramelo, cacau, café e baunilha. No paladar é estruturado de taninos elegantes e aveludados, com grande volume de boca. A uva Merlot tem se mostrado muito capaz, resultando em excelentes produtos.” O enólogo-chefe da Vinícola Aurora, Flavio Zilio elogia a Merlot: “Serra Gaúcha tem uma relação muito grande com a variedade e no Vale dos Vinhedos é ainda maior. A Merlot é a uva tinta símbolo da nossa região”, pontua.

Já o segundo rótulo, o Gioia Sur Lie Nature I.P Pinto Bandeira 2016, terá apenas mil unidades. É um espumante em sua forma mais original, sem dégorgement e, consequentemente, sem dosagem pós-dégorgement de licor de expedição. Por não passar por este afinamento, a autólise das leveduras ocorre enquanto a garrafa mantém-se fechada, sendo o grande diferencial deste exemplar. O espumante continua envelhecendo por tempo indeterminado e a decisão de interromper esse processo é única e exclusivamente do consumidor, que decidirá o tempo de maturação da bebida, para apreciá-la conforme sua preferência. “A técnica conhecida pelo nome sur lie permite que a bebida permaneça em constante evolução, na presença de leveduras, até a abertura da garrafa, quando o espumante atinge sua plenitude”, explica Zilio.

Também não degustei, então repito o que a ficha informa: “O blend reúne Chardonnay (60%), Pinot Noir (30%) e Riesling Itálico (10%) rexultando em uma bebida de coloração amarelo claro, com perlage abundante e turbidez natural pela presença das leveduras. Com maturação mínima de 24 meses, esse espumante possui aromas que remetem à doçura de damascos e à robustez de amêndoas tostadas, com cremosidade bem presente. Toques elegantes de flores como a laranjeira se destacam, acompanhando seu paladar de acidez delicada. Harmoniza bem com ostras gratinadas, moqueca capixaba, ceviche de frutos do mar, carpaccio de polvo, canapés e pratos com carnes brancas”.

“A rainha das uvas brancas, a Chardonnay, representa 60% da composição deste sur lie, ao lado das variedades Pinot Noir e Riesling Itálico, formando uma trinca perfeita. As cultivares se adaptaram extremamente bem ao terroir de Pinto Bandeira, que já tem como vocação natural e excelência para elaboração de espumantes”, garante o enólogo-chefe da Vinícola Aurora. Pinto Bandeira, também na Serra Gaúcha, com altitude média de 730 metros acima do nível do mar, é a segunda região demarcada a conquistar a Indicação de Procedência (IP) no Brasil.

O espumante Gioia Sur Lie Nature I.P Pinto Bandeira 2016 está sendo vendido exclusivamente na Vinícola Aurora, na loja da unidade matriz, em Bento Gonçalves (RS), com envio para todo o país.

Recebo com muita atenção a entrada da Vinícola Aurora nos segmentos de maior valor dos vinhos. Brindo a isso.


Foto de Eduardo Benini

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Mais um, mais um, mais um: Vinhos de Altitude de Santa Catarina obtêm selo de Indicação Geográfica

 

Por Rogerio Ruschel

Meu prezado amigo ou amiga, está frio na serra catarinense, mas temos notícias quentes de lá. Como eu vinha monitorando aqui no  In Vino Viajas desde fevereiro em dois artigos, os Vinhos de Altitude de Santa Catarina conquistaram o selo de Indicação Geográfica (IG), concedido dia 29 de junho de 2021, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

 

Veja os artigos aqui:

·      Brasil vai ter mais três regiões vinícolas com certificação de origem; solicitações aceleram no INPI - https://www.invinoviajas.com/2021/02/brasil-vai-ter/

·      Livro da Epagri desvenda os segredos do terroir dos Vinhos de Altitude de Santa Catarina - https://www.invinoviajas.com/2021/02/livro-da-epagri/  

A qualidade dos vinhos finos produzidos na região foi identificada em amplo e rigoroso estudo da Epagri (veja matéria acima identificada) e reconhecida devido às características de solo, altitude, clima, variedades de uvas e por técnicas de cultivo. Inicia-se agora o prazo de 60 dias estabelecido pelo INPI para interposição de recurso da sociedade – o que certamente não vai acontecer. Ao final deste período a IG estará efetivamente estabelecida.

A conquista de Indicação Geográfica destaca que os Vinhos de Altitude produzidos na região são diferenciados dos outros produzidos no país, valorizando sua história e características únicas. Por meio do selo, os Vinhos de Altitude têm mais potencial de agregar valor econômico e conquistarem novos mercados. O registro da IG é dado aos produtos que apresentam uma qualidade única e características do seu local de origem. É o caso, por exemplo do “Vinho do Porto”, de Portugal e da “Champagne”, da região de Champagne, na França.

Os produtos reconhecidos são os vinhos finos, vinhos nobres, vinhos licorosos, espumante natural e vinho moscatel, e o brandy de Santa Catarina. São mais de 300 hectares de área cultivada, e mais de 1 milhão de garrafas produzidas anualmente. Esse reconhecimento começou há cerca de oito anos, quando o Sebrae/SC, em parceria com a AMURES, UFSC, Epagri, Embrapa, Secretaria Estadual de Agricultura da Pesca e do Desenvolvimento Rural e a Vinhos de Altitude – Produtores e Associados iniciaram o processo para conquista do selo de Indicação Geográfica para o produto. Foram desenvolvidas pesquisas por diferentes instituições que comprovaram o potencial das regiões de altitude de Santa Catarina para a produção de vinhos finos, agora comprovados pelo INPI.

Motivados por tradições familiares e paixões pessoais, há três décadas, empreendedores iniciaram a implantação da cadeia produtiva dos vinhos de altitude em Santa Catarina. Esse momento foi fomentado pelas pesquisas iniciadas pela Epagri naquela época, que permitiram o cultivo de uvas viníferas no Estado.  O resultado desta iniciativa vem produzindo vinhos com intensa coloração, definição aromática e equilíbrio gustativo, características reconhecidas pelo mercado consumidor. O Vale do Contestado e a Serra são as duas grandes regiões produtoras.

O selo do INPI reconhece os Vinhos de Altitude produzidos em área delimitada, que engloba municípios como Rancho Queimado, Anitápolis, Alfredo Wagner, Bom Retiro, Urubici, Bom Jardim da Serra, São Joaquim, Urupema, Painel, Lages, Capão Alto, Campo Belo do Sul, São José do Cerrito, Vargem, Brunópolis, Curitibanos, Frei Rogério, Monte Carlo, Tangará, Fraiburgo, Pinheiro Preto, Videira, Rio das Antas, Iomerê, Arroio Trinta, Santo Veloso, Treze Tílias, Macieira, Caçador, Vargem Bonita e Água Doce. São mais de 22 vinícolas associadas, e mais de 80 viticultores, que produzem os vinhos de uvas viníferas, que fazem parte do território delimitado.

O presidente da Vinhos de Altitude – Produtores e Associados, Humberto Conti, está muito feliz com o resutado de oito anos de estudos e afirma que a conquista para o selo foi possível graças a um esforço conjunto. “Foi um trabalho muito interessante, e que só vem para valorizar os produtos catarinenses, realizado em conjunto com vários parceiros e coordenado pelo Sebrae/SC com muita competência. É um reconhecimento de que produzimos um produto especial e de qualidade. Essa é uma grande conquista para Santa Catarina, diferenciando e mostrando o valor de nossos produtos”, ressalta.

Já o diretor técnico no Sebrae/SC, Luc Pinheiro, afirma a respeito que “Pensando em valorizar a gastronomia e a agricultura familiar catarinense, o Sebrae/SC, com outros parceiros, desenvolve ações que buscam valorizar produtos e serviços típicos e tradicionais das diferentes regiões do estado. Essa é a quarta Indicação Geográfica registrada em Santa Catarina, e conquistas como essa nos deixam muito orgulhosos, provando o valor que esse reconhecimento nacional e internacional tem para o desenvolvimento da economia local e para a sustentabilidade dos pequenos negócios. Com essa certificação, o produto deve ganhar ainda mais valor de mercado, promovendo a cadeia produtiva da região e estimulando o turismo e o desenvolvimento territorial”.

“A indicação geográfica é um processo belíssimo, que reúne várias contribuições. É um reconhecimento nacional e internacional, de que aquele produto é único e possui características únicas. Ficamos contentes quando um produto é reconhecido e os produtores podem se apropriar daquilo que sempre foi deles, apresentando Santa Catarina como referência de excelência em sua produção”, afirma Mara Rúbia Romeu Pinto Muller, da Secretaria Estadual de Agricultura da Pesca e do Desenvolvimento Rural.

“A concessão da IG coroa um trabalho de mais de 30 anos de pesquisa em torno da produção de vinhos finos em Santa Catarina”, lembra Edilene Steinwandter, presidente da Epagri. Ela destaca o trabalho multidisciplinar desenvolvido ao longo deste período, envolvendo experimentos com variedades de uvas viníferas, estudos ambientais, entre outros, que culminou no estabelecimento de uma cadeia produtiva organizada no Estado. Aliás, reforço a sugestão do leitor de bom gosto de In Vino Viajas conhecer este estudo em https://www.invinoviajas.com/2021/02/livro-da-epagri/ 

Além da conquista de Indicação Geográfica para os Vinhos de Altitude, o estado está representado por Indicações Geográficas de produtos como os Vinhos e Espumantes de Uva Goethe, dos Vales da Uva Goethe, a Banana da Região de Corupá e o Queijo Artesanal Serrano, no Campos de Cima da Serra.

A pesquisadora e engenheira agrônoma da Epagri, Cristina Pandolfo, reforça a importância da iniciativa. “Esse trabalho foi muito importante, envolvendo a cooperação de várias instituições, e demonstrando a competência da equipe da Epagri no desenvolvimento do trabalho de Indicação Geográfica. Foi um trabalho muito especial, que reuniu uma grande quantidade de informações, que também poderão ser utilizadas para outros tipos de estudos, demonstrando a riqueza das pesquisas e estudos realizados”, comenta.

“Essa conquista representa um avanço muito significativo, na medida em que teremos um selo que garante o padrão de qualidade do produto, e que também possibilita um grande avanço na gestão e estabelece um padrão da viticultura do território de Santa Catarina. A Indicação Geográfica também representa a organização de vinhateiros do território que se empenham a explorar o alto padrão dos vinhos produzidos na região”, afirma José Fernando da Silva Protas, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, uma das parceiras no processo que resultou nessa conquista.

Brindo a isso com Humberto Conti, Presidente da Vinhos de Altitude – Produtores e Associados. Parabéns!!!