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sábado, 21 de novembro de 2020

Saiba como a Itália promove seus produtos agroalimentares no Brasil – e porque e como vai continuar investindo

 

Por Rogerio Ruschel

Exclusivo – Entrevista com Ferdinando Fiori, Diretor da ITA - Italian Trade Agency 

Prezados amigo ou amiga, a Itália é um dos países europeus com mais tradição na produção, consumo e exportação de agroalimentos tradicionais, produzidos por agricultores familiares e empresas de pequeno ou médio ou porte. É o segundo país europeu que mais exporta estes produtos para o Brasil, e depois dos Estados Unidos, o Brasil é o mercado mais importante dos italianos nas Americas. A cultura italiana - especialmente por causa da gastronomia e dos vinhos - é muito querida e prestigiada no Brasil, onde vivem cerca de 28 milhões de descendentes - 13 milhões dos quais no Estado de São Paulo.

Sofri com amigos italianos por causa do choque do Covid-19, mas acredito que logo vão se recuperar. Por isso gostaria de saber: no que se refere a seus produtos, o que vai acontecer agora, no periodo de pós-pandemia Covid-19? Para descobrir e compartilhar com os leitores de In Vino Viajas, entrevistei Ferdinando Fiori, Diretor da ITA - Italian Trade Agency em São Paulo. Veja só o que ele nos informou.

R. Ruschel - Qual a política de promoção dos agroalimentos italianos no Brasil; quais as principais iniciativas realizadas nos últimos anos e qual será a política a partir de 2021, que deve ser o primeiro ano pós-Covid19 e pré-Acordo Mercosul X União Europeia.

 

Fernando Fiori - Os laços que unem Itália e Brasil remontam há quase 200 anos, tendo início com a vinda para o Brasil na segunda metade do século XIX de diversos artistas, intelectuais e estudiosos italianos (italianos no sentido que eram originários dos estados que compõem a atual Itália, cuja constituição atual é posterior – Rogerio: sobre isso veja nota (1) abaixo), por ocasião do casamento de D. Pedro II com a princesa das duas Sicílias, D. Teresa Cristina.

 

Esse embrião da forte presença italiana no quotidiano brasileiro tomou força com as corrente migratórias, primeiro para substituir a mão-de-obra escrava e, num segundo momento, para dar impulso à florescente indústria. Ao longo desses anos e tendo os italianos e descendentes residentes no Brasil atingindo uma população de mais de 28 milhões de pessoas, dos quais 13 milhões apenas no estado de São Paulo, foi inevitável a influência itálica na cultura brasileira e, em especial, à gastronomia do Brasil. (Rogerio: sobre este assunto veja nota (2), abaixo).

 

A culinária italiana está entre as mais apreciadas no Brasil (e no mundo) e isso se nota pelo grande número de restaurantes, pizzarias e cafés existentes no Brasil, especializados na culinária da Península, ainda que por vezes com adaptações de ingredientes e interpretações no modo de preparar ou de servir que se afastam (por vezes muito) do modo de ser italiano.

Essa receptividade aos Sabores da Itália é certamente devida à multiplicidade de pratos, mas também à simplicidade de como são feitos, com poucos produtos, mas de excelente qualidade. E é aí que entra o trabalho da ITA - Italian Trade Agency, ou seja, o de aliar a receptividade dos brasileiros à culinária italiana à promoção dos produtos feitos na Itália, por vezes segundo técnicas seculares e, em muitos casos, tuteladas por selos de qualidade (os chamados DOP, DOC, DOCG e IGP), aumentando o consumo dos mesmos. (Rogerio: veja nota (3), abaixo, sobre isso).

 

Entre essas ações, figuram as missões de compradores e jornalistas às principais feiras e distritos produtores italianos, entre os quais as feiras Cibus, Vinitaly, Interpoma e Macfrut, bem como como os distritos produtores de massas, Gragnano, ou de tomates, em Salerno, entre vários outros. Este ano, por causa do coronavirus, esses eventos ganharam contornos digitais, mas com o controle da pandemia, esperamos poder voltar aos encontros presenciais a partir do ano que vem, levando para a Itália uma centena de formadores de opinião que selecionam e trazem para o Brasil os produtos e sabores que serão consumidos por aqui numa área cada vez muito além do que São Paulo e outros grandes centros do Sul e Sudeste, sendo os produtos italianos também demandados no Centro-Oeste e em muitas cidades do Norte e Nordeste do país.

 

E não nos restringimos exclusivamente a levar compradores e formadores de opinião para a Itália. Também trazemos os produtores italianos para o Brasil, bem como reforçamos a imagem daqueles que já se encontram por aqui. Participamos, portanto, de feiras como Fispal Food Service e Wine South America, para citar apenas duas de relevância nacional, bem como organizamos ações de comunicação e promoção em pontos de vendas e canais de vendas eletrônicas. Esse é o caso da campanha Sabores da Itália, que este ano envolve a participação de 6 importantes cadeias de supermercados de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Brasília e Paraná, além do canal de vendas eletrônicas de vinhos, EVINO, com cobertura nacional.

 

Durante essas campanhas, apresentamos os genuínos sabores da Itália, ensinando como usá-los e oferecendo-os a preços promocionais, de modo que possam ser consumidos por um número cada vez maiores de brasileiros. Falando em ensinar, aliás, também realizamos cursos de formação para chefs e amantes da gastronomia e este ano, sempre impulsionados pelos efeitos da pandemia, lançaremos, durante a V Semana da Cozinha Italiana no Mundo, uma webserie em 7 capítulos, um para cada dia da semana, que vai de 23 a 29 de novembro, que ensinará 7 pratos da culinária italiana, da tradicional à contemporânea.

 

Aliás, a Semana da Cozinha Italiana no Mundo é um dos instrumentos que usamos, sob o comando do Ministério Italiano das Relações Exteriores, para promover a excelência da cozinha italiana e de seus produtos. Nessa semana, que acontece há 5 anos, sempre em novembro, todas as cidades do mundo nas quais há uma representação diplomática italiana, realizam ações para promover a cozinha italiana e seus elementos distintivos.   

  

Rogerio Ruschel - Qual a importância do mercado brasileiro para agroalimentos italianos, excluindo queijos e vinhos? E incluindo estes produtos?

Fernando Fiori- Nos 10 primeiros meses de 2020 o Brasil importou da Itália o equivalente a 169 milhões de dólares, projetando até dezembro algo em torno de 219 milhões de dólares, ou 2,7% de tudo o que o Brasil importa de alimentos e bebidas, inclusos queijos e vinhos. Essa cifra faz da Itália o segundo principal fornecedor dos brasileiros entre os países europeus, logo atrás de Portugal (4,8%), cujos laços com o Brasil são ainda mais antigos do que os mantidos com os italianos. Além do mais, o Brasil é o segundo principal mercado dos italianos nas Américas, depois dos Estados Unidos. As importações brasileiras de vinhos projetadas para 2020, provenientes da Itália, são de 34 milhões de dólares. As de queijo são de 3,4 milhões de dólares.

 

Rogerio Ruschel - Qual a importância dos produtos italianos (agroalimentos e não alimentos) com Identificações Geográficas? Em 2017, 20,4% dos produtos com IGs vendidos dentro da União Europeia eram italianos. E no mercado brasileiro?

Fernando Fiori - É difícil dissociar uma coisa da outra. Grande parte dos produtos provenientes da Itália são de origem controlada, até porque existem mais de 300, entre os alimentos e bebidas, e outros 400, entre os vinhos. (Veja abaixo como obter estas listas).

Rogerio Ruschel - Qual o impacto da pandemia do coronavirus sobre os agroalimentos italianos – produtores, produtos, consumidores internos e exportações?

Fernando Fiori - Em linhas gerais, podemos dizer que o impacto tem três vertentes: 1) impediu o funcionamento ou diminuiu a frequência em restaurantes, que são um importante canal consumidor dos produtos italianos; 2) a pandemia acabou provocando uma relevante desvalorização do Real (mais de 35% desde o começo do ano), o que também afetou o consumo dentro de casa de algumas categorias de produtos importados, particularmente num momento de incertezas, em que a garantia do emprego era incerta; 3) a rigorosa quarentena imposta na Itália fez com que o consumo dentro de casa disparasse, reduzindo a oferta de tais produtos para a exportação. Por conta disso, projeta-se para 2020 uma diminuição das importações provenientes da Itália em cerca 2,3%.

 

Rogerio Ruschel - Qual o impacto do Brexit sobre a exportação dos agroalimentos italianos, incluindo queijos e vinhos?

Fernando Fiori - Os efeitos do Brexit ainda não puderam ser sentidos. O Reino Unido permanece um importante mercado para os italianos, representando 8,5% de suas exportações de alimentos e bebidas (3,6 bilhões de dólares). Muito provavelmente, o quadro não deve mudar, pois acordos bilaterais certamente seguirão à saída do Reino Unido do bloco, a qual  ainda não foi 100% efetivada.

Rogerio Ruschel - Já é possivel dimensionar o impacto das super-taxações dos Estados Unidos (caso Boeing x Airbus) sobre a exportação dos agroalimentos italianos, incluindo queijos e vinhos?

Ronaldo Padovani - Não parecem ter tido impacto, pelo menos até o momento. Os Estados Unidos são o segundo maior mercado dos italianos no segmento de produtos alimentares e bebidas, com quota de 11,8%, inferior apenas à verificada com a Alemanha, que é de 17,3%. Os números projetam para 2020 um aumento das exportações do setor para os Estados Unidos em 3,9%, atingindo a importância de 5 bilhões de dólares.

 

Rogerio Ruschel - A Itália tende a aprovar o Acordo Mercosul X União Europeia?

Fernando Fiori - É ainda prematuro falar sobre isso. O que se pode dizer é que esse é um acordo em que todos tendem a ganhar.

 

As fotos são livro “Giro d’Italia”, de J.A. Dias Lopes, disponível gratuitamente em www.saboresdaitalia.com.br

 

Prezado leitor ou leitora: In Vino Viajas dispõe de uma lista com 305 agroalimentos italianos protegidos por DOP, DOC, DOCG e IGP; dispomos também de uma lista com 407 vinhos DOP e 118 Vinhos IGP. Todas as listas são atualizadas e oficiais. Caso queira uma cópia, solicite aqui pelo blogue.

 

Para saber mais:

(1) Talian, o idioma italiano que só existe no Brasil: http://www.invinoviajas.com/2015/10/veneto-trentino-e-toscano-veja-como/

(2) A cultura italiana na festa do filó italiano: http://www.invinoviajas.com/2014/01/filo-italiano-abre-vindima-2014-do-vale/

(3) O trabalho da Cittá del Vino - http://www.invinoviajas.com/2015/08/citta-del-vino/

Saiba mais sobre a Itália e seus produtos: http://www.invinoviajas.com/?s=italia

 

Vídeos curtos e divertidos sobre a cultura italiana no Brasil:

Filó Italiano: https://www.youtube.com/watch?v=dwkFIgAlDSA

Talian: https://youtu.be/cZb7RK6KuG0

 

Vinho de Talha ganha um Centro Interpretativo em Vidigueira, no Alentejo – e Portugal ganha uma atração enoturística de padrão global

 

Por Rogerio Ruschel

Meu prezado amigo ou amiga, no dia 11 de novembro de 2020 (Dia de São Martinho) em Vila de Frades, município de Vidigueira, no Alentejo, foi inaugurado o Centro Interpretativo do Vinho de Talha (CIVT), um Museu para preservar o patrimônio associado à tradição milenar de saber-fazer e para promover este produto único no mundo.

Através do CIVT, os visitantes conhecerão a tradição de fazer vinho de talha, uma prática de vinificação típica do Alentejo, que foi criada há mais de 2.000 anos pelos romanos e que o município quer candidatar a Património da Humanidade. O roteiro do Museu cobre as seguintes áreas: o Território, a História Milenar (São Cucufate), a Cultura da Vinha, o Processo do Vinho na Adega e a Taberna.

Segundo a Comissão Vitivinícola Regional do Alentejo (CVRA), em Portugal, "o Alentejo tem sido o grande guardião" do vinho de talha e tem "sabido preservar" esta prática de vinificação em grandes vasilhas de barro, conhecidas como talhas, que foi passada de geração em geração, "de forma quase imutável". O jornalista Carlos Cupeto do jornal Diário do Sul relata que na inauguração os convidados puderam ouvir uma mensagem do Presidente da República Marcelo Rebelo de Souza sobre o fato de Vidigueira estar “fazendo historia” – e de fato, está.

In Vino Viajas vem acompanhando este assunto há uns cinco anos e nossos leitores conhecem o trabalho que vem sendo feito para transformar o vinho de talha em um Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade reconhecido pela Unesco. Os leitores também souberam que em julho de 2018 vinte municípios e sete entidades alentejanas se comprometeram formalmente com o projeto; agora já são mais do que isso e In Vino Viajas continua em contato com os organizadores para informar seus leitores.

Foto de Luís Amado

Saiba mais aqui:

Candidatura do Vinho de Talha do Alentejo a Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade: http://www.invinoviajas.com/2018/03/exclusivo-concelho-de-vidigueira/

Vinho de talha vai ganhar um roteiro turístico: http://www.invinoviajas.com/2019/05/vinho-de-talha/

O vinho de Talha da Cooperativa da Vidigueira: http://www.invinoviajas.com/2018/02/lanca-um-vinho-de-talha/

 

 


Criação da Ametur – Associação Mundial de Enoturismo abre comemorações do Dia Mundial do Enoturismo 2020

 

Por Rogerio Ruschel

Uma video conferência com base em Torres Vedras, região de Lisboa, no dia 6 de novembro, reuniu lideranças do Enoturismo da Europa e da America do Sul e formalizou a criação da AMETUR - Associação Mundial de Enoturismo, que vai substituir a AENOTUR - Associação Internacional de Enoturismo. Esta substituição havia sido aprovada em Assembleia Geral da Aenotur realizada em 27 de julho de 2019, e foi formalizada agora. A escritura pública de constituição da AMETUR foi registrada e José Arruda, Secretário Geral da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), Vice Presidente da Iter Vitis Caminhos Culturais da Vinha e do Vinho e ex-vice-presidente da Aenotur, foi formalmente empossado como Presidente.

A data foi escolhida como parte das comemorações do Dia do Enoturismo realizado pela Rede Europeia de Cidades do Vinho – Recevin, desde 2009, no dia 8 de Novembro, como Dia Europeu do Enoturismo. Em 2016, a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) propôs que o âmbito desta comemoração fosse ampliado em parceria com a Aenotur, e passou a ser comemorado como o Dia Mundial do Enoturismo em vários paises da Europa e da America do Sul, como Brasil, Uruguai, Chile, Argentina, Portugal, Espanha, Itália e França.

Participaram do evento os ex-presidentes da Aenotur Luis Aragunde, de Cambados, Espanha e Ivane Favero, de Garibaldi, Brasil; Angelo Machado, presidente da Associação Rotas do Vinho de Portugal; Jorge Sampaio, da Rota dos Vinhos de Bairrada; Pedro Ribeiro, prefeito de Cartaxo e presidente da Associação de Municípios Portugueses do Vinho - AMPV; Enzo Giorgi, dirigente da Associazione Nazionale Cittá del Vino, da Italia; José Calixto, prefeito de Reguengos de Monsaraz e presidente da Recevin - Rede Europeia de Cidades do Vinho; Guillermo Barletta, do Centro de Estudos de Desenvolvimento Sustentável e Turismo da Universidade Nacional de Cuyo, Uruguai.

No evento transmitido pelo Zoom e pela página de facebook Municípios do Vinho, o presidente já empossado José Arruda convocou os dirigentes e associados da Ametur para participação do Oitavo Congresso Internacional da Ametur antecendo a Va Conferência Mundial de Enoturismo, evento da Organização Mundial do Turismo – OMT, que será realizado em fins de abril de 2021 em Reguengos de Monsaraz, a capital portuguesa dos vinhos.

Dia Mundial do Enoturismo no Brasil

O Dia Mundial do Enoturismo vem crescendo rapidamente: em 2017 foi comemorado em mais de 100 cidades de 14 países em tres continentes. O mesmo acontece no Brasil, com destaque para a Rota dos Espumantes, em Garibaldi, Rio Grande do Sul, criada em 2011. Naquele ano, a rota contabilizou a visita de 63.328 visitantes, número que saltou para 111.767 quatro anos depois – e em 2019 mais de 194 mil visitantes. A Cooperativa Vinícola Garibaldi foi responsável por 70% da visitação total à Rota dos Espumantes e promote retornar com toda a força com o fim da pandemia do Covid-19.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Portugal inova com concurso que premia vinhos e os territórios onde foram produzidos, promove as comunidades e vale por dois

 

Por Rogerio Ruschel

Veja porque o Concurso Cidades do Vinho 2020 de Portugal, da Associação de Municípios Portugueses do Vinho - AMPV mereceu a chancela da Presidência da República.

Meu prezado amigo ou amiga, existem muitos concursos para vinhos no mundo, dezenas deles, com ou sem quarentena. Mas você vai conhecer um concurso realmente diferente, que vale por muitos: o Concurso Cidades do Vinho 2020, da Associação de Municípios Portugueses do Vinho. Explico porque.

Quando um concurso premia um vinho, o destaque é dado ao rótulo (uva, safra e marca); depois à vinícola/adega, ao enólogo, ao produtor e bem depois de tudo isso poderá ou não ser apresentada alguma informação sobre o território no qual foi produzido.  E só vai ser citado se o território tiver uma IG – Identidade Goegráfica. E mesmo quando se destaca o vinho por causa do terroir, não se fala no território, só no clima, solo, vento, chuva, calor, etc..Quere dizer: mesmo que o terroir pertença, esteja inserido em um território, o território quase nunca é lembrado.

Pois o concurso da Associação de Municípios Portugueses do Vinho – AMPV é diferente. “O Concurso Cidades do Vinho é o único do mundo que associa vinhos e territórios, porque, para além dos produtores, estão também os municípios envolvidos. Esta ligação é importantíssima num setor onde a concorrência é enorme a nível mundial”, relata José Arruda, secretário geral da entidade e da Associação das Rotas dos Vinhos de Portugal (ARVP). Na foto abaixo, Pedro Ribeiro, presidente da AMPV.

Promover o território em conjunto com o vinho é uma das razões pelas quais o Concurso Cidades do Vinho 2020 de Portugal deu um passo para a frente em termos de inovação. Mas o concurso vai além disso: os participantes também vão se inscrever automáticamente (e de graça) no Concurso Internacional Città del Vino (com realização na tália, em maio de 2021) e os vinhos premiados vão integrar (de forma gratuita ) uma galeria exclusiva de vendas em uma platafroma de internet exclusiva, a smartfarmer.pt.

Mais ainda: o concuso português vai homenagear Paolo Benvenuti, criador e ex-diretor geral da Associação Città del Vino da Itália por muitos anos. Veja entrevista que fiz com Paolo em 2015 quando fomos palestrantes em um congresso internacional de enoturismo na Espanha: http://www.invinoviajas.com/2015/08/citta-del-vino/

Não satisfeitos, Pedro Ribeiro, presidente da AMPV, e José Arruda, secretário geral, criaram uma Comissão de Honra presidida por Vasco d'Avillez (ex-presidente da ViniPortugal e da Comissão Vitivinícola da Região dos Vinhos de Lisboa) composta por quase 90 prefeitos das cidades do vinho de Portugal e 30 personalidades ligadas ao setor do vinho, turismo, enoturismo e gastronomia.

Este show de integração e promoção da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) recebeu o apoio do presidente da Recevin - Rede Europeia de Cidades do Vinho, José Calixto, do presidente do Município de Lagoa, Luís Encarnação, e de Sara Silva, presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve – na foto acima.

Mas agora vem a cereja do bolo: a proposta é tão inteligente e universalizante dos interesses vitivinicolas portuqueses, que recebeu um apoio também inédito e altamente valioso: a chancela de Alto Patrocínio da Presidência da República, concedida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

José Arruda, secretário-geral da AMPV, Vice-presidente da Itir Vitis e presidente da Associação Mundial de Enoturismo (Ametur) dimensiona o valor desta gesto: “É com enorme satisfação que recebemos este valioso contributo de Sua Excelência o Presidente da República. Vem engrandecer ainda mais esta nossa iniciativa, reconhecer a importância deste concurso nacional para a promoção dos vinhos associados ao território e o trabalho que temos vindo a desenvolver em prol da afirmação de um setor tão fundamental para o nosso país, o setor do vinho, e de uma cultura associada ao vinho que está tão viva e presente e que é transversal a todo o território nacional”.

O concurso recebe inscrições até o dia 30 de outubro e vai ser realizado no Convento de São José, na cidade de Lagoa, Algarve, de 26 a 29 de novembro. A Comissão Técnica Científica é presidida pelo especialista e pesquisador António Curvelo Garcia e António Ventura será o presidente do Júri.

 

Cumprimento meus amigos portugueses e brindo a isso.

 


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Governo espanhol investe 26 milhões de Reais para promover alimentos da agricultura familiar no mercado externo

 


Por Rogerio Ruschel


Em setembro passado o governo da Espanha iniciou a campanha “Spain Food Nation”, um esforço promocional para promover e dar maior visibilidade aos alimentos espanhóis, principalmente azeitonas, azeite e vinho, que estão entre os produtos mais afetados pela crise da COVID-19 ou pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano.

Os Ministérios da Agricultura, Pesca e Alimentação e Indústria, Comércio e Turismo da Espanha se uniram em um acordo de 4 milhões de Euros para a realização de uma campanha promocional em cerca de vinte mercados internacionais para fortalecer a imagem externa do setor agroalimentar espanhol. O Brasil não é um dos alvos.

A campanha “Spain Food Nation” destaca a qualidade e excelência dos alimentos espanhóis e fornece aos agentes de mercado todas as informações necessárias para promover a comercialização internacional dos alimentos espanhóis.
Coordenada pelo ICEX (A cacex dos espanhóis), a campanha que começa esta semana e terá diferentes ações até junho de 2021, desenvolve a imagem da Espanha como um país que alimenta com segurança a Europa e o mundo.

 

Focado na promoção da azeitona e do azeite, do vinho ou do peixe, a campanha terá ainda atividades de destaque na qualidade diferenciada das carnes e produtos curados, frutas e legumes, vinagre, açafrão e outras especiarias espanholas. Será feita uma referência especial à sustentabilidade ambiental do país com a maior produção orgânica do mundo, à segurança alimentar dos produtos e à inovação aplicada à produção agroalimentar.

Além disso, serão destacados os valores empresariais do setor agroalimentar, revelados durante a crise da saúde. Valores que – segundo eles mesmos - têm estado evidentes no esforço que tem feito para garantir o corredor alimentar que tem assegurado o abastecimento na Espanha, na Europa e no resto do mercado externo, bem como na diversificação da sua produção em um momento de alta demanda global.

 

A campanha é dirigida a profissionais e consumidores de alto poder aquisitivo e terá como foco a geração de conteúdo para mídia internacional de grande prestígio (geral, estilo de vida e especializada) e a organização de eventos de relações públicas.


Os mercados onde a comunicação será mais intensa são Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Japão, Cingapura, China, Hong Kong e Coréia do Sul; seguido pela Suíça, Rússia, Holanda, países nórdicos, Irlanda, Taiwan e Oriente Médio. Para além da campanha publicitária, serão produzidos seis documentários para o canal de televisão Euronews, com veiculação em toda a sua plataforma digital, que transmite em 12 línguas e tem presença e alcance em 40 países de quatro continentes: Europa, América, África e na Ásia.

Também haverá ações em eventos organizados pelo ICEX, como o Foods from Spain Middle East and Southeastern Asia Tour, que será realizado no Vietnã, Indonésia, Malásia e Catar; Eat Spain, Drink Spain, no Reino Unido; as feiras de importadores Open Day 2020 Spanish Food & Wine Showroom, na China; ou a Semana do Vinho Espanhola, na Irlanda.

Pois é, meu caro leitor, é assim que se apoia a produção e venda de alimentos locais, pequenos, com identidade e orgiem. Tenho certeza que um dia o Brasil vai estar fazendo ainda melhor que os europeus.

Saiba mais sobre a Espanha em http://www.invinoviajas.com/?s=espanha

 


Conheça o curioso método ancestral de fazer pasta de tomate da Sicília

 


Por Giovanna Germani

 

Meu prezado leitor ou leitora, já imaginou fazer uma pasta de tomate utilizando como ingredientes principais os tomates e o Sol? Isso mesmo, o bom e velho Sol! Pois é o que Giovanna Germani nos apresenta aqui no In Vino Viajas. Giovanna, redatora para social mídia na agência bauc. é brasileira, mas ao que parece o sangue italiano da família Germani ainda se manifesta. Com a palavra, Giovanna.

 

“Recentemente viralizou nas redes sociais um vídeo feito pela autora italiana Elizabeth Minchilli em seu canal no Youtube sobre esse método tradicional (e muito curioso) de produzir pasta de tomate, ensinado na Escola Culinária Anna Tasca Lanz, da cidade de Vallelunga Pratameno, na Sicília. Esse método, por ser tradicional e encontrado apenas nesta parte do mundo, certamente é um produto com identidade e origem e pode ser considerado um grande tesouro no fundo do quintal dos italianos e um ótimo aliado para o comércio dessa parte da Itália. Confira abaixo um pouco do processo!

 

Assim que são colhidos, os tomates ficam de molho por dois dias inteiros (acima) antes de serem enxaguados em água fria e serem cortados ao meio para tirar qualquer impureza ou sujeira que possa ter ficado nas frutas. Logo em seguida, os tomates são colocados em um balde maior, são misturados com alguns temperos como cebola e folhas de louro e cozinhados para começarem a soltar o líquido que retém, o suculento molho de tomate. Essa é a parte mais simples do processo e muito provavelmente você mesmo já fez algo parecido nas deliciosas macarronadas de domingo com a família.

 

Mas é a partir daí que começa a parte diferenciada do processo de preparo de pasta de tomate siciliano. Logo em seguida, os tomates são deixados para secar por 20 minutos em vasilhas especiais como mostra a imagem abaixo.

 

Depois dos tomates serem passados por um moinho de alimentos que separam as peles e sementes da polpa e descansarem por um dia inteiro na sombra, o grosso da pasta é colocado, para a surpresa de todos, em cima de algumas mesas de madeira ao ar livre – veja mais abaixo.

 

Por três dias (isso mesmo, três dias!) o molho de tomate é deixado em cima das mesas e exposto à ação calorosa do Sol, enquanto os responsáveis pela produção espalham a pasta de tomate para drenar o restante da água que não foi retirada antes.

 

De acordo com Elizabeth, cinco mesas cheias de molho de tomate viram uma grande panela de pasta de tomate concentrado. Mesmo depois de já ter ficado três dias embaixo do Sol engrossando, a pasta de tomate final ainda é deixada de molho nas mesmas mesas de madeira por mais um dia antes de ser colocada em jarras e distribuídas para seus consumidores. Está terminado o mágico processo de colocar o calor do Sol dentro de um pote de tomate amassado para o saborearmos em nossas refeições!

 

Como você pode ter observado, este não é um processo comum de produção deste tipo de alimento e tem um valor intrínseco (e provavelmente das papilas gustativas, é claro) muito maior do que um extrato de tomate produzido em uma fábrica. Ele carrega a cultura da comunidade, talvez centenas de anos de saber-fazer. Ele realmente traz toda a história de sua manufatura, de quem fez o alimento e, em especial, onde foi produzido, o que faz toda a diferença para o consumidor.

 

Por isso, minha amiga e meu amigo, a pasta de tomate siciliana é um verdadeiro tesouro no fundo do quintal!”