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sábado, 12 de janeiro de 2019

Vinhateiros da Mantiqueira Paulista: Vinícola Entre Vilas, onde as uvas crescem entre amoras, lúpulos e framboesas, na calma da Frutopia


Por Rogerio Ruschel
Prezado leitor ou leitora, neste final de 2018 me refugiei em uma filial do Paraíso terrestre, na Mantiqueira Paulista, 180 Kms de São Paulo, um programa que rceomdno por ser criativo, diferente e muito relaxante. A Serra da Mantiqueira é um maciço montanhoso com mais de 500 Km de extensão que se espalha por 129 municipios de São Paulo, Rio de Janeiro e especialmente Minas Gerais, alcançando altitudes de até 2.798 metros. A parte paulista ocupa 30% e inclui a Pedra do Baú e as cidades de Campos de Jordão, Monteiro Lobato, Sao Bento do Sapucai, Pindamonhangaba, São Francisco Xavier e Santo Antonio do Pinhal (onde me hospedei na Quinta VistaBella Hospedaria), na denominada Região Turistica Mantiqueira Paulista.

A lista de atrações atende todos os tipos de visitantes: clima (que vai de 3 a 28 graus ao longo do ano); fauna e flora de mata atlântica e mata de araucária, com centenas de espécies de aves e orquideas; paisagens lindas com vales, riachos, bosques, montanhas, grutas, maciços florestais e jardins; cenários hipnotizantes como a Pedra do Baú e o Pico Agudo com vôos livres de 1.700 metros; arquitetura histórica em estações ferroviárias, palacetes, casas centenárias e igrejas coloniais; artesanato de qualidade com madeira, tecidos, barro, palha e flores; o Sítio do Pica-Pau Amarelo em Monteiro Lobato; museus como o de Felicia Leirner em Campos do Jordão (foto abaixo) e o curioso Museu da Mantiqueira (Muman), um museu virtual criado para preservar a memória cultural da comunidade de São Bento do Sapucai.
Uma das grandes atrações é a enogastronomia, onde pontuam delicias de comer & beber na forma da gastronomia caipira, geléias, conservas, frutas e mel; das trutas, carnes e fondues; cachaças, cervejas artesanais e chás; temperos, doces e salgados… E também queijos, azeites e vinhos – como os da Vinícola Entre Vilas, encravada na Frutopia. Explico.
Quando você estiver na região visite a Frutopia, uma iniciativa do engenheiro agrônomo Rodrigo Veraldi Ismael que vem construindo sonhos em São Bento do Sapucaí. Meu guia foi o amigo Victor Kiyhoara, da Concilife Mantiqueira, que está levando sua experiência de executivo da hotelaria e professor de turismo para a região. O Viveiro Frutopia é uma fazenda especializada na produção de mudas de frutas vermelhas e lúpulo para cervejas como Baden Baden e cervejeiros artesanais em um vale a 1600 metros acima do nível do mar. Com mais de 30 variedades de framboesas e amoras, a Frutopia é referência na produção de mudas e frutos e já tem fama internacional. Na foto abaixo estou com Rodrigo e Victor.
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Pois com os aprendizados do viveiro Frutopia, Rodrigo Ismael decidiu   investir na produção de uvas de castas viníferas e desde 2008 começou a vinificar uvas como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Shiraz, Malbec e Pinot Noir. Os Vinhos Entre Vilas são produzidos se beneficiando da altitude de mais de 1.600 metros e das grandes amplitudes térmicas da primavera e verão, que ajudam a tornar as cascas das uvas mais espessas, levando a um vinho concentrado e cheio de personalidade.
Os vinhedos são protegidos por uma cobertura de “tessuto non tessuto” - a mesma que Galvão Bueno utiliza nos vinhedos de Merlot da campanha gaúcha - e os cachos são ensacadas para enfrentar eventuais ataques de insetos, porque Rodrigo quer que seus vinhos sejam os vinhos o mais natural possivel. Quando vi isso de longe (como na foto acima) me pareceu que as videiras estavam produzindo pessegos, que como morangos, utilizam esta técnica…

A produção é artesanal, sem adição de sulfitos e a área de produção ainda é pequena, o que significa que, por enquanto os vinhos Entre Vilas ainda só estão disponiveis no restaurante próprio da vinicola. O restaurante trabalha com produtos locais e da estação e com o conceito de slowfood. Aliás, visitar a Entre Vilas e Frutopia requer que se vá sem pressa, para curtir o ambiente rústico mas qualificado, as boas cervejas e vinhos
Toda a pequena produção é consumida em poucas semanas o que repete um certo “clima” de Beuajolais noveau, porque os amigos fazem fila para comprar o que o Rodrigo produzir.  Para minha degustação Rodrigo Veraldi ofereceu um Shiraz 2015 de sua coleção privada, escondido para seu consume próprio. Um pouco frutado e com taninos médios mas com identidade, talvez por ser “quase orgânico”, um tinto seco escuro e concentrado, com notas terrosas, o shiraz me lembrou um pouco um Hermitage francês que havia bebido recentemente, que também se baseava nesta uva; um ótimo vinho das montanhas paulistas.

Na Mantiqueira Paulista ainda é possivel conhecer outros vinhateiros como a Vinícola Villa Santa Maria – que visitei e vou apresentar em breve – e as vinicolas Guaspari, em Espirito Santo do Pinhal e Ferreira, em Campos do Jordão e Piranguçú. E também produtores de azeite desta região, como a Oliq, onde fui recebido semana passada por um dos proprietários, o simpático Antônio Batista (foto acima), onde foi construido um receptivo simples, mas bem bacana e o lagar, com equipamentos de refino importados da Itália. Mas essas são outras histórias que vão ficar para outro dia.
 Saiba mais:
Frutopia e Vinhos Entre Vilas - https://www.entrevilas.com.br/vinicola
Uso da cobertura “tessuto non tessuto” de proteção dos vinhedos - http://www.invinoviajas.com/2017/08/a-vindima-magica-de-galvao-bueno/
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sábado, 8 de dezembro de 2018

Bueno Wines lança em Nova Iorque o Merlot Anima, o primeiro vinho brasileiro Gran Reserva, que desmente Michel Roland e confirma Fernando Pessoa.




Por Rogerio Ruschel, texto; fotos da Bueno Wine
Meu prezado leitor ou leitora, é preciso reconhecer que Galvão Bueno é um camarada corajoso. E bota corajoso nisso: sabe qual o grau de confiança que um produtor precisaria ter para apresentar seu novo vinho para os tres mais conhecidos, mais exigentes e mais temidos chefs do mundo? Pois é, no mínimo 1.000% de confiança no produto, porque se tiver menos do que isso pode perder o sono para o resto da vida e jogar fora anos de investimento e dedicação. 
Pois é, o cara é corajoso mesmo. Galvão Bueno e seu sócio, o milagroso enólogo italiano Roberto Cipresso, apresentaram o Anima, um Merlot Gran Reserva produzido em regime de sigilo absoluto durante quase cinco anos no terroir da Campanha Gaúcha, aos chefs Massimo Bottura, Joan Roca e Mauro Colagreco (os rapazes da foto abaixo) em um jantar exclusivissimo em Nova Iorque, dia 5 de dezembro. E sabe quem são estes três caras que degustaram, testaram e gostaram do Anima? Apenas os chefs Top números 1, 2 e 3 do Guia Michelin – aquele guia que constrói a fama (o equivalente a ganhar na mega-sena) ou destrói carreiras na área da enogastronomia a partir de uma pequena falha de concepção ou execução de um vinho ou uma receita.  

Pois eu entro nesta história desse jeito: ontem de manhã Galvão Bueno cumpriu a promessa que me havia feito em agosto de 2017 e me enviou uma garrafa desta raridade vinícola brasileira. Como na véspera eu tinha realizado um bem sucedido evento de lançamento de um livro de minha editora – um livro de padrão global sobre “O valor do mar”, com autores do Brasil e do exterior e mapas e fotos de alta qualidade – a chegada do Anima me pareceu uma mensagem quase divina de que coisas boas, feitas com coração, atraem coisas ótimas que também vêm do coração. Então, meu caro leitor ou leitora, minha Anima está em alto estado de elevação pelo belo e pelo delicioso.
Você e eu sabemos que o mundo do vinho é assim mesmo: grandes sonhos, grandes apostas, grandes riscos – e se tudo der certo – grandes resultados! Galvão Bueno confessa que ele é assim mesmo: “Trabalho motivado por paixões, por emoções, mas também por provocações”. Ou seja, encarando os riscos. Galvão tinha me dito mais de uma vez que queria comprovar a verdade de uma frase do enólogo frances Michel Roland que dizia que o problema do vinho brasileiro não é a qualidade, e sim, o preconceito. Pois o empresário, mesmo com a agenda de narrador esportivo na maior rede de televisão da America do Sul, encontrou tempo para criar o Anima por uma única razão: este é o assunto mais importante da vida dele, neste momento.

O novo merlot ganhou um nome que em latim significa alma e que representa o que Galvão e Cipresso acreditam ter conseguido colocar dentro da garrafa. Mais do que isso, o nome é uma homenagem à uva Merlot, a que, segundo eles, a que melhor representa a alma dos vinhos da Campanha gaúcha. Mas é justo informar que tem muito trabalho e investimento por trás desta coragem do Galvão. Para poder ser “um vinho da vitivinicultura de ponta no Brasil”, o Anima Gran Reserva foi tratado como um filho especial desde pequeninho – apesar de ser o 12o. rótulo da empresa. Para ele nascer e crescer forte e saudável, a Bueno Wines trouxe para o Brasil a tecnologia “tessuto non tessuto”, uma cobertura têxtil que deixa passar água e a evaporação, mas reflete o sol em um vinhedo e construiu uma central meteorológica própria, completa, exclusiva, única do Brasil. 

Se nasceu forte e saudável, o novo Anima Merlot Gran Reserva vai ser distribuído em berço esplêndido: a nova estrutura comercial própria, altamente seletiva, que a BW vem montando a partir da chegada de um novo sócio, Dougjas Delamar, em 2018. E também vai se beneficiar com a dedicação full-time da nova CEO, Leticia Galvão Bueno, filha e gestora dos negócios de Galvão, que está promovendo a revoilução. Galvão é o chairman e participa das principas decisões da empresa, especialmente as relacionadas aos produtos. Esta é a parte boa do negócio, aquela que Galvão Bueno realmente aprecia e à qual agora já pode se dedicar integralmente: os produtos. E ele fez algo realmkente bom. O Anima Merlot Gran Reserva é o primeiro vinho brasileiro denominado como Gran Reserva. É brilhante, de coloração rubi profundo, tem aroma de frutas negras maduras com cassis, baunilha e senti também tabaco e chocolate. É muito estruturado e permanece na boca de maneira aromática e persistente. Enfim, é o que se esperaria de um Merlot Gran Reserva de classe global. 

Galvão está tão animado com o Anima Marlot Gran Reserva que desenvolveu um rótulo com mensagem em realidade ampliada, que você lê com um app do seu telemóvel para assistir um video com uma mensagem animadissima dele. Como se diz no meu Rio Grande do Sul (onde Galvão usa alpargatas prá se sentir mais próximo da terra e das uvas) Galvão Bueno está mais feliz com o novo vinho que guri de bombacha nova! Ou, como estou em época de prestigiar o mar e os rios no meu livro novo, ele está tão feliz como lambari de sanga!

O Anima está à venda em Nova Iorque e no Brasil – mas aqui só no site da Bueno Wines e em regime de vendas antecipadas, por R$ 529, 90 a garrafa. Achou caro para um vinho brasileiro? Desminta Michel Roland - mostre que o brasileiro não tem preconceito com vinhos brasileiros - e confirme Fernando Pessoa, mostre que tudo vale a pena quando a alma não é pequena...

Saiba porque Galvão Bueno é apaixonado por vinhos: http://www.invinoviajas.com/2017/08/a-vindima-magica-de-galvao-bueno/
Veja como Leticia Galvão Bueno está dirigindo a Bueno Wines: http://www.invinoviajas.com/2018/11/leticia-galvao-bueno/
Conheça Roberto Cipresso, o enólogo da Buenjoi Wines: http://www.invinoviajas.com/2015/11/conheca-roberto-cipresso-o-criador-dos/

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Leticia Galvão Bueno, CEO da Bueno Wines, revela como está transformando um sonho do pai em um grande negócio empresarial

Por Rogerio Ruschel
Entrevista exclusiva. Minha estimada leitora ou leitor, muito se tem falado sobre o crescente protagonismo das mulheres no mundo dos vinhos, e hoje você vai conhecer um belo exemplo disso. Vai conhecer a história de Leticia Galvão Bueno - a moça sorridente da foto acima - que há tres anos assumiu o lugar do pai Galvão Bueno como CEO da Bueno Wines, no momento em que a empresa familiar decide se transformar em uma empresa de alto perfil e padrão internacional. E vai conhecer os primeiros resultados, tanto no processo produtivo quanto na distribuição e comercialização.
Formada em jornalismo e única filha mulher de Galvão, Leticia é responsável pela comunicação e pela gestão da carreira de negócios do pai há mais de 20 anos. Entre 2006 e 2010 dirigiu a We, agência de comunicação da Stock Car, responsável pela criação da plataforma digital e pelas ações promocionais da categoria no Brasil. Em 2010 fundou a The Aubergine Panda, uma agência digital de comunicação (muito bem sucedida, por sinal) e em paralelo, foi diretora de marketing da Bueno Wines. Até que em 2015 assumiu a cadeira principal.
 “Em seis meses vamos lançar nosso próprio vinho.”
Leticia relembra a história da Bueno Wines (BW) de seu ponto de vista. Em março de 2009 Galvão entrou na sua sala colocou duas garrafas de vinho de prova em cima da mesa e anunciou: “Em seis meses vamos lançar nosso próprio vinho.” Com a ajuda de Darci e Adriano Miolo e do enólogo Michel Rolland, Galvão havia decidido transformar seu sonho de em realidade. E o trabalho de Leticia súbitamente se tornou um desafio complexo, porque teria poucos meses para aprender sobre vinhos, planejar, criar e lançar uma marca de vinho ligado a uma personalidade pública. Assim, neste clima de correria foram lançados em 2009 o Bueno Paralelo 31, um corte bordalês que o Galvão sonhava, e o espumante Bueno Cuvée Prestige, em 2010 (foto abaixo).
O mercado gostou. Galvão também. Tanto que comprou sua área de vinhedo em Candiota – RS e começou a fazer vinhos com a ajuda da Miolo - e a partir de 2011 em parceria com o enólogo italiano Roberto Cipresso. O tal “sonho do Galvão” foi evoluindo de uma “brincadeira do Galvão Bueno para seus amigos famosos”como se dizia na época, para uma atividade que obrigou Leticia a se dedicar cada vez mais aos vinhos e cada vez menos a sua agência digital de comunicação.

”Vamos garantir a qualidade, o resto depois a gente resolve.” 
Então em 2015 a coisa piorou – ou melhorou, para quem gosta de desafios: os acionistas  decidiram transformar a Bueno Wines em uma empresa competitiva em termos globais. Tudo teria que ser feito, ou refeito, intensificado ou iniciado. Leticia recorda: ”Galvão disse “quero ter o melhor vinhedo do Brasil”, e como isso na vitivinicultura significa também ter vinhos premium, tivemos que tomar uma série de iniciativas, algumas muito mais emocionais do que racionais. A estratégia decidida era - e continua a ser até hoje - vamos garantir a qualidade, o resto depois a gente resolve.”
Entre as ações realizadas na Bellavista Estate (foto acima), na campanha gaúcha (foto abaixo), Leticia recorda “a adoção da tecnologia “tessuto non tessuto”, uma cobertura que deixa passar água, evaporar, mas reflete o sol, pioneira na vitivinicultura brasileira (veja em In Vino Viajas); a implantação de uma central meteorológica própria, completa, única do Brasil; um programa detalhado de acompanhamento e análise de 18 etapas do processo produtivo. No fronte de batalha de São Paulo vem sendo montada uma estrutura própria de distribuição, até então feita pela Miolo; a busca de mercados de valor com a exportação; a revisão da identidade da marca no portfólio de produtos e o lançamento de novos produtos como recentemente o azeite AZ 0.2. (Vem ai, segundo soube, um Merlot de alta qualidade, um Desirée branco e um rosé tranquilo, “com design da Provence”.) Galvão é o chairman e pazrticipoa das decisões da empresa, especialmente as relacionadas aos produtos – afinal, é o dono do sonho inicial.
Nesta reorganizacão, desde janeiro de 2018 a BW tem um novo diretor comercial, Douglas Delamar, também sócio, que vem trabalhando na distribuição e exportação. Atualmente a Bueno Wines produz cerca de 300.000 garrafas por ano, 95% do Brasil e 5% da Toscana e já é a segunda maior exportadora do Brasil. As vendas vão muito bem, crescendo cerca de 30% ao ano.  As metas estão sendo alcançadas e ultrapassadas trimestralmente, o que indica que a estratégia parece estar dando certo na parte mais importante: os produtos.

Produtos falando inglês e mandarim
Hoje a BW tem 11 rótulos vendidos no Brasil, entre os quais alguns campeões como o Bellavista Estate Pinot Noir (o melhor da casta na 7a. edição da Grande Prova de Vinhos do Brasil), o Bueno Paralelo 31, que coleciona medalhas de ouro no Brasil e exterior, e o espumante Cuvée Prestige D.O. medalha de ouro pela IWSC de Londres. A coleção de prêmios tem aumentado, mas para a CEO, a principal tarefa agora é o posicionamento. “Estamos trabalhando para substituir a imagem que existia de que o Galvão faz vinhos chics e porisso os vinhos do Galvão são bons, por outra, de que a Bueno Wines faz vinhos de alta qualidade.” diz. Leticia busca posicionar a empresa como ela a vê daqui a cinco anos: uma adega boutique produzindo 500 mil garrafas de vinhos de alta qualidade, por ano: “A mais importante do Brasil”, resume.
Posicionamento é mesmo a tarefa do momento. Leticia me recebeu em uma mesa coberta por planilhas de vendas e lay-outs que me pareceram, assim de soslaio, sobras de uma reunião com a agência de propaganda (na foto de abertura ela já tinha limpado a mesa…). E confirmou: depois de um ano de estudos e reflexão, neste momento a BW está começando a produzir os materiais que vão reforçar a marca institucional, no Brasil e no exterior. Delamar, o diretor comercial, me deu um folheto muito elegante, com a linha de produtos de exportação, com um detalhe interessante: está impresso em mandarim! O volume da exportação ainda é pouco mas é estratégico, diz Leticia. E complementa: “Escolhemos canais de distribuição adequados a produtos de maior qualidade – por exemplo, não estaremos em supermercados convencionais. A Bueno Wines vai começar a ser mais visivel para os clientes.” Como Leticia é ao mesmo tempo o cliente e a agência, a chance de dar certo é alta se ela for exigente com ela mesma.
Perguntas clássicas, respostas objetivas
Fiz as clássicas perguntas que se costuma fazer a uma mulher de sucesso (e que as minhas leitoras certamente esperam). Letícia tem respostas objetivas: Sente preconceito? “Não, como cresci com irmãos e sempre trabalhei e convivi em um ambiente masculino, o das corridas de automóveis, posso até sofrer preconceito mas não percebo.” Planeja algum tipo de produto com foco no público feminino? “Não, mulheres apreciam o mesmo que os homens em um vinho e devem ser tratadas como apreciadores da qualidade.” Mulheres tem mais sensibilidade para aromas? “Sim, ainda bem, e são mais exigentes, ainda bem”.
Os negócios da BW são múltiplos: na Itália, na serra e na campanha gaúchas e em São Paulo, sede da empresa. Ela ainda apoia atividades filantrópicas e participa de eventos como formadora (foto abaixo) Como faz para cuidar de tudo isso? “Com ajuda. Temos engenheiros, enólogos, gestores nas áreas-chave, vendedores, um sócio que cuida disso.” (Parte da equipe de campo está na foto abaixo). Adora comunicação e detesta planilhas financeiras, mas faz o que precisa ser feito.
Mãe da Vitoria, 22 e do Nicolas, 12 anos, Letícia tem conseguido equilibrar a vida profissional com a familiar. O que não é fácil, porque além da BW, e de outras atividades relacionadas a Galvão Bueno, ela continua atuante na Aubergine Panda, tocada com a ajuda de seu marido Daniel Trenche. Mas está conseguindo se superar, como outras mulheres vem fazendo na indústria. A Baronesa Philippine Rothschild teve que deixar suas atividades culturais em Paris para assumir a Mouton Rothschild, mas manteve sua “vida dupla”, levando a arte para os rótulos dos vinhos. Laura Catena, a 4a. geração da Catena Zapata, é médica, CEO da Bodega Catena Zapata, do Instituto mantido pela empresa e de sua própria adega, a Luca Winery em Mendoza, mas ainda continua sendo médica, de maneira voluntária.
Leticia faz parte deste grupo de mulheres que arranja tempo, arrisca o pescoço, não abre mão de conviver em família, tem amigos e faz seu próprio caminho. Gente que se dedica e leva fé. E por falar em fé: Leticia é devota de Nossa Senhora da Vitória. E creio que isso também vai ajudá-la a cumprir a promessa feita ao pai há alguns anos atrás: ”Vamos garantir a qualidade, o resto depois a gente resolve.” Acompanho esta empresa e posso garantir: sim, ela está resolvendo. Brindo a isso - tim-tim!
Saiba mais sobre os vinhos da Bueno Wines aqui: http://www.invinoviajas.com/2017/08/a-vindima-magica-de-galvao-bueno/
Conheça Roberto Cipresso, o enólogo e sócio da Bueno Wines aqui: http://www.invinoviajas.com/2015/11/conheca-roberto-cipresso-o-criador-dos/

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

As belezas de Santorini, Grécia, seus deliciosos frutos do mar e os curiosos vinhedos circulares da uva Assyrtiko

Por Liana John, edição de Rogerio Ruschel
Estimado leitor ou leitora, estamos com muita sorte: a talentosa jornalista Liana John esteve na Grécia e com grande gentileza brinda os leitores de “In Vino Viajas” com um delicioso relato sobre a paisagem, a cultura, os vilarejos, o povo, a gastronomia e os vinhos de Santorini. Nas fotos acima e abaixo, imagens surpreendentes dos vinhedos aos pés do Monte do Profeta, mas na matéria tem muitas outras. Com a palavra Liana John.

“Se for à Grécia, ponha os pés – e os olhos – na ilha de Santorini. Reserve uma mesa voltada para o lindíssimo pôr-do-sol na vila de Oia e prove o vinho branco local, devidamente acompanhado por polvo grelhado.
A bela paisagem de Santorini inclui punhados de casinhas brancas agarradas às bordas da cratera de um imenso vulcão – ainda ativo e fumegante – inundado pelas águas azuis do Mar Egeu. Onde não há casas e hotéis (como o da foto abaixo) estão os vinhedos, quase invisíveis aos leigos e distraídos. 
Ali se plantam vinhas de uva Assyrtiko, variedade local cultivada há séculos, com uma condução desconhecida em outras localidades: a base de cada parreira é enrolada em círculo, semelhante a um ninho (foto abaixo), de onde as ramas saem quase rentes ao chão. As justificativas para esse formato incluem a proteção contra os ventos constantes, a manutenção do calor no outono e inverno e o aproveitamento dos nutrientes do solo vulcânico, sobre o qual vingam muito poucas espécies nativas de plantas.
Devido a esta particularidade, de início é difícil reconhecer os vinhedos, quando se passeia pelos 76 km2 da ilha principal, onde vivem cerca de 15.500 habitantes. Só quando aprendemos o que procurar é que eles se mostram onipresentes, tanto em pequenos lotes urbanos (mais parecidos com terrenos baldios) como ao lado de algumas das 600 capelinhas de teto abobadado azul. Ou ainda nas encostas íngremes das montanhas do interior, com destaque para o Monte do Profeta Elias, onde fica o monastério de mesmo nome. Cercado pelos vinhedos dos monges, claro. 
Em um dos penhascos, com vista deslumbrante para o mar, fica a vinícola Santo Wines, uma união das cooperativas vinícolas do arquipélago, que reúne 1.200 produtores. Ali se fabrica nosso grego preferido: o Santorini Assyrtiko Grande Reserve, um branco seco diferenciado, no qual os aromas de frutas secas mediterrânicas se combinam aos minerais vulcânicos captados por vinhas centenárias e um toque de carvalho dos 12 meses de “envelhecimento” em barris franceses. Ali também se oferece um cardápio degustação e se pode comprar azeitonas e azeites gregos, além dos vinhos. Eles têm tintos, espumantes e vinhos doces (Vinsanto, abaixo), claro, mas as estrelas são os brancos.
O Grande Reserve pede frutos do mar de qualidade e nossa opção foi um polvo grelhado e fatiado, impecável, consumido à luz do famoso pôr-do-sol (abaixo) da vila de Oia (pronuncia-se “ia”). Cauda de lagosta, lagostins, camarões, ostras e mariscos também devem ficar perfeitos, se preparados à base de vapor, calor (da grelha) e ervas ou consumidos só com um limãozinho (no caso das ostras). Tudo pelo máximo sabor original, que tal vinho pede (e merece).
Antes ou depois da degustação, vale uma caminhada descompromissada pelas ruas de Oia, repletas de lojas de artesanatos e joias, com visadas e ângulos preenchidos pelo branco das construções, de uma arquitetura muito particular. Não faltam antigos moinhos de vento (abaixo) – de onde antes se obtinha energia – nem afrescos, cruzes e motivos cristãos ortodoxos, pontilhando o branco das paredes e tetos. Muitas casas e boa parte dos 70 mil leitos de hotel disponíveis em toda a ilha são trogloditas, isto é, cavados na rocha vulcânica.
A capital da ilha, Thira (pronuncia-se Fira), igualmente repleta de casinhas brancas à beira de precipícios, com certeza merece um dia de visita. O pequeno e muito bem organizado Museu Prehistórico é obrigatório: ali estão peças e afrescos (encantadores), recuperados da cidade portuária de Akrotiri, localizada no extremo sul da ilha. As escavações também podem ser visitadas, na ida ou na volta da Praia Vermelha (Red Beach), para quem gosta de águas frias, porém absurdamente transparentes. Na foto abaixo, exemplo de mosaico do Monasterio do Profeta Elias 
A antiga Akrotiri foi inteiramente soterrada por cinzas da erupção vulcânica ocorrida por volta do ano 1.650 antes de Cristo (sim, há uns 3.660 anos). Como em Pompeia, móveis e objetos de decoração permaneceram preservados sob as cinzas, revelando o incrível desenvolvimento da civilização minoica. Só não há pessoas, como na cidade italiana ao sopé do Vesúvio, cuja explosão aconteceu bem depois, no ano 79. Há sinais de que a população fugiu às pressas, levando seus tesouros e joias em ouro e bronze, provavelmente para morrer no mar, devido ao violento derrame de material piroclástico e consequente tsunami. A catástrofe provocada pelo vulcão de Santorini é estimada pelos especialistas como a pior dos últimos 10 mil anos! Na foto abaixo a ilha de Terasia, a outra ilha habitada do aequipélago de Santorini.

É possível passar por Santorini e só ter olhos para suas atrações, dos simpáticos burrinhos que carregam turistas morro acima aos incontáveis degraus das ruelas cheias de charme. É possível ignorar o vulcão ou as transformações por ele impostas à população habitante das encostas. Basta pegar um dos 500 cruzeiros marítimos e seguir a multidão de 750.000 turistas que anualmente ali desembarcam para um atribulado dia, no fim da primavera, durante todo o verão ou no início do outono. No total, contando também quem vai de avião e balsa, a pequena Santorini recebe 2,5 milhões de turistas por ano!
Para fugir aos congestionamentos de visitantes, no entanto, o melhor é ir um pouco antes ou logo depois da temporada de cruzeiros. Assim, dá para evitar filas e sentar num dos numerosos restaurantes voltados para a caldeira do vulcão, cercada do profundo azul do mar. Em voz moderada, pode-se pedir um pescado e degustar longamente outro vinho branco da mesma vinícola Santo Wines: o Santorini Nykteri Reserve, com 75% de uvas Assyrtiko, 15% Athiri, 10% Aidani.
Com um toque cítrico e grande personalidade, ele combina bem com aquela paisagem vertiginosa, em camadas de rochas vermelhas, pretas e cor de areia, pontilhadas de pedras-pomes, demarcando a catástrofe do passado. Então se entra em contato direto com Kronos, o deus grego do tempo, o mais jovem dos titãs, filho de Urano (Céu) e Gaia (Terra) e pai de Zeus, o imortal supremo do Olimpo. Dá até para imergir na mitologia e perder a noção das horas...”
Conheça o trabalho de Liana John (na foto acima, em Thira) aqui: http://conexaoplaneta.com.br/blog/category/bioconecta/ ou aqui: http://www.camirim.com.br/