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sábado, 5 de setembro de 2020

Porque a Três Corações investe em cafés de terroir, com identidade territorial e cultura comunitária? Porque é um ótimo negócio – saiba porque aqui.

 

Por Rogerio Ruschel

Prezado amigo ou amiga, a Três Corações, talvez o maior produtor brasileiro e um dos gigantes exportadores de café do Brasil, está investindo em produtos bem pequeninos, verdadeiramente de nicho, em paralelo às milhares de toneladas exportadas anualmente, que conquistaram o mundo. Afinal, porque faz isso? Porque é ótimo para os negócios – e vou explicar porque.

A Três Corações desenvolveu a marca Rituais Cafés Especiais para agregar valor a um produto que no mercado interno é vendido em seu maior volume como um produto generico, sem diferenciação aparente. Há uma boa probabilidade de que a iniciativa seja resultado da ótima experiência que a empresa vem obtendo com exportações, inclusive dentro do conjunto do trabalho da Denominação de Origem – D.O. Café do Cerrado Mineiro.

Trata-se de uma clara declaração de amor à valorização da identidade territorial, com foco na diferenciação dos terroirs.

Segundo o fabricante, os Rituais Cafés Especiais surgiram “para explorar sabores, aromas e texturas que envolvem e surpreendem, são uma jornada que conduz para um novo lugar.” E continua: “Para nós, a origem do café é seu próprio destino, e essa travessia transforma”. Trata-se de uma clara declaração de amor à valorização da identidade territorial, com foco na diferenciação dos terroirs. Neste caso a Três Corações já tem produtos de terroirs do Brasil (Cerrado Mineiro, Mogiana Pauista, sul de Minas, Orgânico) e de outros países com identidade geográfica consolidada como Java,  Etiópia, Kenia e Colombia.

Você pode dizer: OK, terroir já vem sendo explorado pelos vinhos, queijos e cafés. É verdade, terroir é fundamental para a Identidade Geográfico - IG ou Denominação de Origem - DO. Mas além da valorização destes terroirs, a empresa mantém uma linha vintage (excepcional e extemporânea) denominada “Microlotes do Projeto Florada”, com cafés criados para “reconhecer o trabalho de mulheres cafeicultoras de todo o Brasil”, como resultado de um concurso para agricultoras. É mesmo uma ótima ideia. E na sequência desta boa ideia, teve uma outra: contratou o Padre Fabio de Melo como embaixador do Projeto Floorada, em novembro de 2019. 

E olha o que ele diz: “Fui conhecer de perto o Projeto Florada no sítio da cafeicultora Luciene Mota, em Pedralva, e o que mais me encantou nesta imersão foi, além de conhecer a história e a família da Luciene, perceber a oportunidade que a 3 Corações proporciona a estas cafeicultoras. (…) Além disso, sou apaixonado por café, e saber quem produziu esta bebida e sua história, é o que o torna ainda mais especial”. De novo, uma declaração de amor à identidade territorial – ou, neste caso, uma oração…

O comercial pode ser visto aqui: https://www.facebook.com/cafe3coracoes/videos/1322746554571033/?v=1322746554571033

Para saber mais, sugiro a leitura de:

http://www.invinoviajas.com/2019/08/produtos-com-identidade/

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Pesquisa vai descobrir a identidade dos queijos artesanais paulistas

Quantos tipos de queijos você acredita que sejam produzidos no Estado de São Paulo?  50, 100? A Associação Paulista do Queijo Artesanal (APQA), criada há apenas quatro anos, estima que os 80 associados trabalhem com cerca de 200 tipos diferentes com leite de vaca, búfala, cabra, ovelha ou misto, boa parte feita com receitas trazidas do exterior. Mas, fora os dados da associação e de outras poucas fontes, pouco se sabe sobre a produção paulista, o que dificulta o aprimoramento de leis e a adoção de políticas públicas favoráveis ao setor.

A variedade de queijos artesanais produzidos no Estado de São Paulo é grande e por isso uma pesquisa está sendo feita para mapear o perfil da produção paulista de queijos artesanais. O trabalho, que vai levar cerca de 4 anos, está sendo feito pelo Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC) da Universidade de São Paulo (USP), por meio da Rede de Pesquisa em Queijos Artesanais Brasileiros (Repequab). O FoRC é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

À frente do projeto estão duas pesquisadoras: Gabriela Zampieri Campos e Mariana Medina Medeiros, pós-graduandas que atuam sob a orientação de Uelinton Manoel Pinto, professor do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, integrante do FoRC e um dos coordenadores da Repequab.

A FoRC fica aqui: https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/58574/forc-centro-de-pesquisa-em-alimentos

Os produtores podem acessar o questionário neste link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdoXM57d9jXT8_kZ3kgAAuT6V9FklwoHIq-pQdEpr42j45IFw/viewform

A informação é da Agência FAPESP. A foto é do Caminho Queijo Artesanal Paulista, que reúne oito produtores de SP. A edição é de Rogerio Ruschel

sexta-feira, 24 de julho de 2020

As vantagens dos vinhos com Denominação de Origem – e sua importância na Catalunha, Espanha

Por Rogerio Ruschel, com texto de Vinetur
Meu estimado leitor ou leitora, com muita frequência publico aqui no In Vino Viajas pesquisas, relatos e depoimentos mostrando a importância da identidade de um produto como agregador de valor. A União Europeia informa que pode chegar a mais de 350% no caso dos vinhos. O catalão Salvador Dali (na foto acima) amava os vinhjos de sua terra
Queijos, azeites, frios, doces, chás, biscoitos, cafés, mel, carnes que têm uma Indicação Geográfica (como Gruyére, Canastra, Pata Negra, Cerrado Mineiro, Bordeaux, Chianti) custam mais caro porque oferecem garantia de procedência e de processos produtivos que preservam sua qualidade. Vinhos são os principais beneficiários da agregação de valor com IPs – Indicações de Procedência ou DOs - Denominações de Origem.  O portal especializado Vinetur, da Espanha, publicou este texto que publico a seguir.
“O consumo de vinhos com Denominação de Origem tem inúmeras vantagens para o consumidor em relação à qualidade e garantias do produto que compra. O selo de uma Denominação de Origem garante o rigoroso controle e certificação dos vinhos protegidos, bem como a rastreabilidade do produto em todas as suas etapas de produção e elaboração.

As vinícolas registradas em uma Denominação de Origem comprometem-se a manter a mais alta qualidade possível, bem como a elaborar seus vinhos com as variedades de uvas admitidas em cada território e a Denominação de Origem, preservando a singularidade de cada região vinícola. No caso da Catalunha, eles preservam a diversidade das 11 denominações de origem de vinhos catalães. Dessa forma, o consumidor pode ter certeza de que os produtos adquiridos com o selo DO sempre terão padrões de qualidade estáveis ​​e características específicas que outros produtos sem essa distinção não possuem.

Mas, além da qualidade e rastreabilidade, as Denominações de Origem, com suas vinícolas, viticultores e viticultores, são uma ferramenta essencial para o equilíbrio territorial. Eles permitem que a população seja mantida no território - combatendo o despovoamento -, estimulam áreas mais desfavorecidas e mantêm o meio ambiente e a paisagem mediterrânea.
Na Catalunha, as 11 denominações de origem do vinho reúnem 10.000 viticultores e vinicultores de todo o território, além de 853 empresas de vinho que movimentam anualmente 1,6 bilhão de euros, segundo a agência da Generalitat Catalonia Trade & Investment.

Esses números dão uma dimensão aproximada da importância do setor vinícola na Catalunha, um setor que deve continuar se esforçando para ser o líder e líder da economia de um país onde o vinho DO catalão vende um total de 108.232.994 garrafas por um valor de € 332.601.929 nos mercados nacional e internacional, de acordo com o último relatório preparado pelo INCAVI com dados de 2018.
'Gaudeix del que es bo # ViCatalà'

Sob o lema Gaudeix de que é bo # ViCatalà, as 11 Denominações Catalãs de Origem do Vinho (DO Alella, DO Catalunya, DO Conca de Barberà, DO Costers de Segre, DO Empordà, DO Montsant, DO Penedès, DO Pla de Bages, DOQ Priorat, DO Tarragona e DO Terra Alta), com o apoio da Generalitat de Catalunya através do INCAVI, uniram forças para aproximar os vinhos catalães com denominação de origem do consumidor que mora na Catalunha.”

Texto publicado no portal www.vinetur.com dia 23 de julho de 2020
Saiba mais: Espanha investe na promoção da Denominação de Origem de seus vinhos - http://www.invinoviajas.com/2018/03/espanha-investe/

terça-feira, 7 de julho de 2020

Muita alegria e 2 mil anos de tradição esperam os visitantes nas festas da Abertura das Talhas e da Vitifrades, na Vidigueira, Alentejo, Portugal

Por Rogerio Ruschel
EXCLUSIVO – Entrevista com Luis Amado, ex-Presidente da Junta, vinicultor e  empresário de turismo de Vila de Frades.
Meu estimado leitor ou leitora, vou ajudá-lo a descobrir um precioso segredo que a aldeia de Vila de Frades, no Concelho (município) de Vidigueira, Alentejo, em Portugal, mantém preservado por 2.000 anos: o Vinho da Talha. É um segredo porque o vinho de talha que ainda é produzido como os romanos o faziam quando habitavam esta região da Peninsula Ibérica, só existe aqui. E é precioso porque se trata de um vinho fresco, saudável, com potente identidade territorial e por isso mesmo com muita agregação de valor, razão pela qual está na moda na Europa. Na foto de abertura, a alegria da abertura das talhas em uma das adegas familiares da região.
Vem comigo. E vou ajudá-lo a viver as duas melhores experiências turísticas que cercam o vinho de talha, em locais com o Selo Clean & Safe do Covid-19: o ritual festivo da Abertura das Talhas e a Vitifrades, a grande Festa do Vinho de Talha. Estes são eventos que integram o patrimônio cultural do vinho de talha que está sendo inscrito no Inventário Nacional do Patrimônio Cultural e Imaterial de Portugal e futuramente será candidato na Lista do Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade da Unesco.
Os leitores de In Vino Viajas sabem que gosto deste vinho e admiro o contexto cultural e patrimonial em que ele está inserido, razão pela qual tenho publicado vários artigos sobre o tema, cujos links você encontra no final desta entrevista. Para que você possa conhecer esta experiência como um turista privilegiado, entrevistei Luís José Roque Amado, produtor de vinho de talha em Vila de Frades e também diretor da Janelas do Turismo, agência de turismo. Presidente da Junta de Freguesia de Vila de Frades por três mandatos, Luis Amado foi também Membro da Assembléia Municipal de Vidigueira por quatro mandatos. Com a palavra, Luis Amado, o cidadão da foto abaixo.

In Vino Viajas - Existe alguma estimativa sobre o volume de produção de vinho de talha no Alentejo?
Luis Amado - A produção de vinho de talha divide-se em três gavetas diferenciadas, a primeira, dos produtores que nas suas adegas o produzem para consumo próprio e com amigos, numa vertente mais social; a segunda, dos produtores que com as suas adegas abertas vendem o vinho a garrafão, como aliás sempre foi costume; e a terceira, os produtores que já têm marca e vinho certificado e com rótulo próprio. Estes últimos, a estimativa de produção é calculada, já nos anteriores não é possível, porque depende muito das colheitas, e da vontade própria de cada um, por isso é muito variável.
In Vino Viajas - O que é a Abertura das Talhas e a celebração Vitifrades, as Festas Báquicas? É sempre na segunda quinzena de dezembro?
Luis Amado - A Abertura das Talhas é um ritual, ou costume popular que visa assinalar o vinho novo, o vinho de talha desse ano, que cada produtor ostenta com orgulho e assinala abrindo as talhas normalmente por altura do São Martinho, dia 11 de novembro, convidando amigos e brindando. Já a Vitifrades é a Grande Festa do Vinho de Talha e realiza-se em Vila de Frades há vinte e dois anos, realizando-se normalmente no segundo fim de semana de dezembro. O vinho de talha é servidom copos, como mostra a foto abaixo.
In Vino Viajas - Estas festas estão consideradas na calendário promocional do Turismo de Vidigueira, do Alentejo e do Turismo de Portugal?
Luis Amado - A Abertura das Talhas é um evento lançado e promovido pelas Janelas do Turismo há três anos, que tem tido como foco algumas adegas de Vila de Frades, com um programa cultural, provas de vinhos, petiscos e cante alentejano, mas só este ano irá integrar os canais de promoção do Turismo do Alentejo e do Turismo de Portugal, já que localmente tem sido muito difícil e é trabalhar mais por conta própria e sem os apoios necessários, mas com o tempo iremos fazer crescer o evento e coloca-lo em todos os calendários.
Já as Festas Báquicas, a Vitifrades, pela sua longevidade e enraizamento local é só por si uma fonte de referência e calendarizada na promoção dos eventos locais, embora eu ache que ainda um pouco ofuscada, atendendo à dimensão e importância do certame.


In Vino Viajas - Quais são as experiências e vivências dos quais os turistas podem participar?
Luis Amado - Além dos eventos que anteriormente foram mencionados, como a Abertura das Talhas e a Vitifrades, que já atraem muita gente a este território, o vinho de talha, a história e a tradição que está ligada ao seu processo de vinificação é só por si um veículo de chamamento e atrativo ao turista.
O facto de se proporcionarem momentos em pequenas adegas típicas, bebendo o vinho aparado da talha, ouvindo o próprio produtor a contar como produziu o seu vinho, a provar as melhores iguarias alentejanas, como uma linguiça caseira assada, umas azeitonas pisadas temperadas com orégãos e com pão da Vidigueira ainda cozido em forno de lenha, é um prazer que estas gentes não abdicam e que gostam de abrir a sua adega e por a melhor mesa para que os visita.
In Vino Viajas - Os turistas podem participar como jurados em concurso de vinhos de talha?
Luis Amado - Não. O concurso dos melhores vinhos de talha promovido pela Vitifrades já leva vinte e dois anos, abrangendo a região vitivinícola de Vidigueira, Cuba e Alvito e é o único concurso de vinhos de talha em todo o país. No mesmo participam todos os produtores que levam a concurso os seus vinhos em três categorias, o branco, o tinto e o palhete (rosé), ou petroleiro, como era vulgarmente conhecido esse vinho em Vila de Frades.
O concurso divide-se entre os três primeiros prémios e as menções honrosas e tem como jurados a organização do evento, alguns especialistas ligados aos vinhos, e todos os anos é escolhido um produtor local que daí constituem o júri numa prova cega que dá origem à atribuição dos prémios, que é um dos momentos altos da Feira e motiva aqueles que produzem vinho de talha.
In Vino Viajas - Existem pacotes turísticos organizados para esses eventos? A Janelas do Turismo organiza visitas de grupos a Vitifrades, saindo de Lisboa nesta época festiva?
Luis Amado - Sim, existem, muitos e variados programas durante o período do vinho de talha, entre novembro e janeiro, mas a Vitifrades, a Grande Festa do Vinho de Talha é promovida pela Associação de Desenvolvimento Local Vitifrades, que através da sua direção e promove o certame em dezembro.
 Já a Abertura das Talhas, é a agência Janelas do Turismo que promove, como atrás referi. Mas para os dois eventos, e restante época do vinho de talha, temos pacotes turísticos que vão brevemente ser apresentados através da nossa página de Facebook e que visam levar os grupos a conhecer a essência das adegas, os produtores e a diversidade dos vinhos de talha, sendo que a Abertura das Talhas, não é um evento de Feira, mas sim, um evento que permite uma rota vinhateira e turística pelas terras que ainda mantém viva a tradição deste vinhos.
In Vino Viajas - Qual a capacidade de recepção de alojamentos de Vila de Frades e na região?
Luis Amado - A capacidade de alojamento não é muito grande, mas no meu entender é suficiente, estendendo-se por Vila de Frades, Vidigueira, Cuba e Beja, sendo a mesma dividida entre os Hotéis e alojamentos locais, que permitem receber e alojar os turistas em ambientes distintos, tanto urbanos, assim como rurais, nalguns casos, com outras atividades lúdicas associadas ao período de estadia em Portugal.
In Vino Viajas - Quais as atrações complementares na região para um turista que venha de bem longe, como do Brasil? A Janelas do Turismo tem um pacote para este tipo de turista?
Luis Amado - Sem dúvida, nós temos esquematizados programas tanto para o visitante ocasional, como para o turista que vem por exemplo do Brasil. A região Alentejo é muito fértil em ofertas, que vai desde o vinho, como dos produtos locais de excelência, como o pão, os queijos de cabra e ovelha, os enchidos, o mel, o azeite e muitos outros. A gastronomia alentejana, a Villa Romana mais bem conservada do Mundo, São Cucufate, as figuras históricas de Vasco da Gama ou Cristóvão Colombo, que estão aqui separadas apenas por dez quilómetros de Vidigueira a Cuba, as paisagens vinhateiras, as aldeias históricas, o branco do casario, o cante alentejano, o dialeto alentejano e os passeios de barco no Grande Lago de Alqueva, o Maior Lago Artificial da Europa, fazem deste território, um destino predileto.
Saiba mais sobre o vinho de talha:
Rota turística do Vinho de Talhga: http://www.invinoviajas.com/2019/05/vinho-de-talha/

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Com a volta das viagens, turismo rural, ecoturismo e enoturismo vão deixar o coronaviurus perdido na paisagem



Por Rogerio Ruschel

Prezado amigo ou amiga, um dos segmentos econômicos que mais sofreu impactos negativos com a pandemia foi o turismo, que representa 8% do PIB mobiliza mais de 50 segmentos da economia e responde por mais de 7 milhões de empregos diretos e indiretos no Brasil. Como existem diferentes desejos de viajantes, existem vários tipos de turismo. Entre os mais concorridos estão o turismo de “sol e praia” e o turismo urbano convencional, aquele que arrasta multidões para visitar atrações em centros urbanos. Mas por causa do Covid-19 os tipos de turismo com potencial para retomada mais rápida são aqueles que se realizam em ambientes rurais, sem algomeração e em contato com a natureza como o turismo rural, o agriturismo, o ecoturismo, o enoturismo, o turismo de aventura e de esportes na nautreza.

Isso porque a retomada das atividades turísticas pós-Covid19 tende a ser realizada em espiral: o turismo será retomado inicialmente por passeios em transporte privado (automóveis), em cidades mais próximas do turista (porque a economia também sofreu), em destinos com menos pessoas, e irá se ampliando, aumentando aos poucos, até chegar às viagens internacionais lotadas feitas com transporte aéreo, como acontecia antes da pandemia Covid-19.

Mas enquanto não existir uma vacina segura contra o Convid-19 terão mais sucesso os destinos que buscarem atender a quatro “S”s: Segurança, Sustentabilidade, Solidariedade e Saudabilidade. Mas antes veja onde encontrar informações sobre o cenário Covid-19, que muda constantemente:

·      Levantamento da Secretaria de Turismo de Sâo Paulo, APRECESP e AMITESP, analisa a publicação  de decretos municipais  com medidas de prevenção  do Covid-19.  Veja aqui: https://bit.ly/setursp_analise_decretos_covid19
·      Relatórios da OMT – Organização Mundial do Turismo sobre países e restrições ao turismo podem ser encontrados aqui: www.unwto.org/news/covid-19-restrictions-on-tourism-travel
E agora veja como os segmentos estão se organizando para a volta das atividades. Lideranças do turismo Rural, incluindo Agroturismo, Turismo Rural da Agricultura Familiar e Turismo Rural de Base Comunitária realizaram debates pela internet e propuseram a criação de um Projeto Nacional de Desenvolvimento do Turismo Rural Brasil. A iniciativa, liderada pela especialista Andreia Roque, propõe políticas públicas setoriais e normas nacionais de procedimentos e protocolos de retomada do turismo e ampla divulgação das oportunidades de se fazer turismo em lugares abertos, sadios, sem algomeração e em contato com a natureza. Participei dos debates; participe também - #turismoruralconsciente

Quem também quer propor protocolos e iniciativas é a Catraca Livre, um site de notícias com foco em eventos culturais e temas como cidadania, educação, carreira, bem-estar, etc. Em parceria com a Interamerican Network, uma agência de comunicação e representação especializada em turismo, está realizando uma  pesquisa em países da America Latina para apontar caminhos  seguros e confiáveis  para a volta das viagens. Até 15/junho a pesquisa está em bit.ly/pesquisa_ Catraca_livre_turismo  
Outro setor que pode se beneficiar do “turismo em espiral” é o Enoturismo. Sandra Carvão, diretora de Inteligência de Mercado e Competitividade da Organização Mundial do Turismo me disse em entrevista exclusiva que o enoturismo tem uma grande capacidade de levar pessoas urbanas e com bom poder aquisitivo a visitar, se hospedar e comprar produtos em ambientes rurais. Isto é o que precisamos e que pode ser facilitado pelo Convid-19.
No Brasil o Enoturismo pode ser importante para mais de 5 milhões de brasileiros em pelo menos 150 municípios de 40 regiões de 10 Estados do Brasil. Em 2018 mobiloizou cerca de 1.200,000 turistas – e não só na serra gaúcha, como muitos pensam. Infelizmente não temos nenhuma entidade nacional de organização do enoturismo. Eu tenho escrito sobre isso há muitos anos e em 2017 publiquei uma proposta de Agenda do Enoturismo no Brasil – veja aqui:  http://www.invinoviajas.com/2017/12/em-2018-o-brasil/
Pouca coisa foi feita sobre esta agenda, e recentemente fiz um video relembrando a importância disso, veja aqui:  https://youtu.be/tGxBjuZEJOY
Mas estamos buscando conhecimento sobre isso fora do Brasil. A consultora de turismo Ivane Favero, ex-presidente da Associação Internacional de Enoturismo - Aenotur participa de um grupo de especialistas em enoturismo denominado International Wine Tourism Think Tank que planejam fazer propostas concretas aplicáveis a qualquer vinícola e destino de enoturismo do mundo, sob a nova realidade pós-Convid-19. No grupo estão representantes da Itália, França, Portugal, Espanha, Brasil, Argentina, Chile, México, Estados Unidos e África do Sul e a primeira iniciativa é a realização de uma pesquisa para conhecer a realidade do mercado, que espero em breve poder compartilhar. Se você trabalha com enoturismo, ajude a iniciativa: acesse https://es.surveymonkey.com/r/CV3TLX2?lang=pt
Na Itália, país que sofreu muito com o Covid-19, o enoturismo gerou mais de 2,65 bilhões de euros com 15 milhões de turistas em 2019. Os italianos trabalham em várias frentes para retomar o enoturismo no país, como com financiamentos para reconstruir a acessibilidade aos territórios e a rolagem de dívidas dos gastos turísticos e do enoturismo em 2020 para 2021. O programa é liderado pela Associação Nacional de Cidades do Vinho (a Città del Vino), fundada em Siena em 1987, que reúne 460 municípios. Floriano Zambon, presidente, explica que a retomada "...implica a necessidade de reconstruir e criar novos caminhos, ciclovias, rotas de enoturismo, letreiros, itinerários e experiências culturais, mas também infraestruturas de serviços e conexões digitais adequadas para os territórios mais rurais e desfavorecidos pelo fosso digital”. Um relatório sobre a situação está aqui: http://www.today.it/partner/adnkronos/economia/lavoro/citta-del-vino-enoturismo-volano-per-la-rinascita-dei-territori.html
Foto de abertura: O publicitário e fotógrafo Rodrigo Ruschel surpreendeu a neblina matinal sobre o rio Silveira, em São José dos Ausentes, na serra gaúcha. Nesta época não tinha Covid-19. Mas se tivesse, o tal coronavirus estaria perdido na paisagem, confuso no meio da neblina; bem feito!!!!!