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quinta-feira, 4 de julho de 2019

Ivane Fávero, presidente da Aenotur de 2017 a 2019, encerra mandato com longa lista de realizações

Por Rogerio Ruschel
Prezado leitor ou leitora, semana passada, dia 27 de junho de 2019 em Torres Vedras, Portugal, a brasileira Ivane Fávero presidiu a Assembleia Anual da Associação Internacional de Enoturismo (Aenotur) pela última vez e deu posse à nova diretoria eleita, presidida pelo português José Arruda. A Assembleia, realizada em conjunto com o 3º Congresso Europeu de Enoturismo, marcou o fim de um ciclo e o início de outro que inclui a criação de uma sede fixa em Portugal e um novo nome para a entidade: a Aenotur passa a se denominar Associação Mundial de Enoturismo (Ametur)
José Arruda é um dos fundadores da Aenotur (da qual era vice presidente) e vai acumular as novas funções com suas atribuições de Diretor da AMPV – Associação dos Municipios Portugueses do Vinho e Vice-Presidente da Iter Vitis, Les Chemins de Vin, organização que promove roteiros culturais relacionados a cultura do vinho em parceria com a UNESCO. Em breve os leitores de “In Vino Viajas” vão conhecer seus planos. Na foto abaixo Ivane e dois dos vice-presidentes, José Calixto, Presidente da  Recevin e José Arruda, director da AMPV. 
 
A Mestre em turismo Ivane Fávero encerra seu mandato com uma longa lista de realizações. Ex-secretária de turismo de Bento Gonçalves e Garibaldi – cidades gaúchas nas quais fez um trabalho primoroso – ela é consultora, Embaixadora da Cittá de Vino e ex-presidente da Associação Nacional de Secretários e Dirigentes de Turismo (Anseditur). Fez uma excelente gestão à frente da Aenotur, que eu, como associado e editor de “In Vino Viajas” faço questão de documentar. Veja a seguir.
Realizações de Ivane Fávero à frente da Gestão 2017/2019 da Aenotur:

1.     Criação da nova marca da Aenotur (com custo assumido pelo Ibravin – segue o Manual e as diversas aplicações da marca);
2.     Construção do novo site da Aenotur. Estruturado para que possa conter todas as apresentações dos Congressos de Enoturismo, bem como a memória e divulgação dos mesmos. Coleta de informações dos associados e inserção no novo site (segue orientação para manutenção do mesmo);
3.     Manutenção e ampliação na Fanpage da Aenotur (e também do Instagram);
4.     Realização do 7º Congresso Latino Americano de Enoturismo – em Bento Gonçalves (Foto abaixo);

1.     Realização do 3º Congresso Europeu de Enoturismo, com a AMPV, ARVP e o município de Torres Vedras;
2.     Realização das Assembleias da Aenotur;
3.     Apresentação na I Audiência Pública sobre Enoturismo, realizada na Câmara dos Deputados, no dia 18 de outubro. Na ocasião, representei o Ibravin e a Aenotur. Na pauta, desafios e oportunidades do enoturismo no Brasil;
4.     Redação de matérias e entrevistas, visando à promoção do enoturismo no Brasil e no mundo. Entrevistas para a imprensa, promovendo a Aenotur;
5.     Articulação para adesão do Chile (visita do Vice-Presidente e Secretário Geral da Aenotur) e de Las Heras – Mendoza (visita da Presidente);
6.     Colaboração ao Programa de Visita Técnica – Benchmarking em Enoturismo – do Sebrae RS, para Portugal, da qual participaram 15 vinícolas do RS/Brasil;
7.     Participação no Comitê do Enoturismo, junto ao Ibravin, e encaminhamento de avaliação para a criação de um departamento ou associação dos municípios enoturísticos brasileiros;
8.     Participação na Conferência Mundial de Enoturismo, promovida pela OMT, em Mendoza (22 a 24 de outubro de 2018), por meio de colaboradora do Ibravin;
9.     Criação do Dia Mundial do Enoturismo, a ser comemorado no segundo domingo de novembro, com ações sendo desenvolvidas por todos associados, por meio de parceria com a Rede Europeia de Cidades do Vinho – Recevin (12 de novembro de 2018);
10.  Participação no Dia do Vinho (29 de maio a 4 de junho de 2017);
11.  Participação no 1º Encontro Nacional das Confrarias do Vinho (6 e 7 de outubro - em Bento Gonçalves);
12.  Participação na Wine South America, promovida pela  Veronafiere, realizadora da Vinitaly, em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul. Realização de palestra;
13.  Participação no lançamento do Guia de Enoturismo Brasil e Uruguay;
14.  Estudos sobre o melhor formato para classificação da oferta enoturística das vinícolas; (Na foto abaixo o editor de In Vino Viajas é empssado como associado)

1.     Visita ao Uruguay – reunião com Ateu e Inavi (representantes)
2.     Representação do Ibravin/Aenotur no G30 Serra Gaúcha – grupo de empresários do setor do turismo;
3.     Participação no Acordo de Intenção de Cooperação Operação “Enoturismo: um mosaico de experiências”, de iniciativa de Portugal;
4.     Participação no VIII Fórum Mundial das Cooperativas Vitivinícolas, realizado em Bento Gonçalves;
5.     Posicionamento Aenotur uso do herbicida 2,4-D (comprometendo os vinhedos do RS):
6.     Articulação junto aos idealizadores da Zona Franca da Uva e do Vinho;
7.     Articulação para adesão dos municípios de Jundiaí e São Roque (São Paulo).
Pedi para Ivane Fávero deixar uma mensagem para meus leitores, veja a seguir.
“Encerro meu mandato como Presidente da Associação Internacional de Enoturismo - Aenotur, esta importante entidade mundial, representando o Ibravin, a quem agradeço pela indicação, com um sentimento de gratidão e alegria.
Realizamos muito, apesar das dificuldades financeiras e estruturais. Entre as principais realizações, destaco o 7º Congresso Latino Americano (Bento Gonçalves – RS – Brasil) e o 3º Congresso Europeu de Enoturismo (Torres Vedras – Portugal), muitas ações em nível nacional (Brasil), como a Audiência Pública na Câmara de Deputados e o apoio ao inovador projeto da Zona Franca da Uva e do Vinho. Além disso, idealizamos a nova marca da Aenotur e criamos um novo site e uma página no Facebook e Instagram.
Ampliamos o número de associados incluindo o Chile, Las Heras da Argentina, Jundiaí e São Roque de São Paulo (BR), Vale dos Vinhedos (Aprovale – RS – BR), Vinhos da Campanha (RS, BR), Campos de Cima da Serra (RS, BR), além de dois profissionais da área da comunicação que se associaram como colaboradores:  In Vino Viajas (Brasil) e Jornal dos Sabores (Portugal);
Também articulamos para o registro da Entidade em Portugal onde deverá estabelecer sede e assim poder captar recursos de projetos e associados.
Agradeço pela indicação para seguir com o mandato, mas como consultora autônoma entendo que é momento de uma entidade que colabora desde o início da fundação da Associação assumir. Chegou a vez de José Arruda, da Associação dos Municípios Portugueses do Vinho - AMPV ser o Presidente da Ametur. Sim, alteramos o nome para Associação Mundial de Enoturismo. Fico feliz que os presentes na Assembleia tenham acolhido minha sugestão e a aprovado por unanimidade. E outros avanços virão. VAMOS EM FRENTE!”.
Um brinde, Ivane. Um brinde Arruda.

domingo, 30 de junho de 2019

In Vino Viajas bate novo recorde de popularidade na América Latina com 380.826 acessos em Junho de 2019!



Por Rogerio Ruschel
Prezado leitor ou leitora, graças à sua preferência, meu trabalho de repórter e editor sobre os universos da cultura, do vinho, do turismo e dos produtos com identidade territorial foi plenamente recompensado e bateu novo recorde no mês de junho de 2019: foram 380.825 acessos no mês, ou 12.694 page-views por dia!!!
Trata-se de um novo recorde absoluto: In Vino Viajas se mantém certamente como o mais popular da America Latina nestes segmentos, entre os blogues independentes, que não pertencem a emissoras de TV ou grupos de comunicação, vinícolas ou portais de e-commerce de produtos em geral. 
São 7 anos escrevendo religiosamente e com profundo respeito pelo leitor: comecei este trabalho em 2012 com um blog na plataforma Blogspot (o que bateu recorde) e hoje mantenho também um segundo blogue, com o mesmo nome, na plataforma Wordpress. Vamos ver alguns números do blogue mais antigo.
Em 29 de maio de 2012 publiquei o primeiro post do meu blogue In Vino Viajas Blogspot: foi sobre uma visita que fiz à Borgonha e à capital desta região vinícola, a alegre, florida e simpática Dijon. De lá para cá publiquei mais de 500 posts – mas não são apenas posts, mas sim reportagens, entrevistas, histórias com começo, meio e fim, com pesquisa de dados e fontes e sempre muito conteúdo.
Pois o post mais acessado ultrapassou 100 mil acessos – para ser exato,– para ser exato, o número de page-views é de surpreendentes 105.166 page-views. É uma matéria publicada em setembro de 2014 sobre um calendário francês feito durante a vindima de 2013 na Domaine Marcel Lapierre, de Morgon, Beaujolais, França, com fotos que mostravam os proprietários, enólogos e funcionários (fixos e temporários) pelados – vamos dizer, discretamente nus. Homens e mulheres semi-nus, nada é de fato mostrado, mas não vou publicar nenhuma foto porque o Facebook fica querendo me tirar do ar, dizendo que é pornografia. Assim, para ver o material acesse http://invinoviajas.blogspot.com/2014/09/calendario-frances-mostra-enologos.html
Na sequência de posts de maior sucesso de público, vem um raciocínio divertido meu, resultado de uma visita a Piazza Armerina, lugarejo na Sicília, Itália  que se chama “Corrupção em Piazza Armerina? Mosaicos maravilhosos e uma tese maluca”, publicada em 19/11/2012, com 52.348 acessos.
Uma notícia que sensibilizou muita gente – “Gastronomia de luto: o maior chef do mundo se suicida por ter investido mais de 1 milhão de Euros na compra de vinhos e ser enganado”, publicada em 09/02/2016, vem em terceiro lugar, com 48.392 acessos.
Mas gosto muito do desempenho de uma matéria que escrevicom base em uma palestra que fiz em um Congresso Internacional de turismo na cidade do Porto, Portugal, no final de 2016. Acho que foi uma boia palestra porque depois dela recebi convite para dar algumas aulas na Universidade Portucalense. Trata-se de um artigo que pergunta “Porque a cultura popular brasileira, tão rica no folcore, música, artes, literature e culinária, continua invisivel no turismo?“. A pergunta ainda não tem resposta aceitável. Publicada em 05/01/2017, o artigo já foi lido por 39.694 leitores. Leia aqui: http://invinoviajas.blogspot.com/2017/01/porque-cultura-popular-brasileira-tao.html
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Meu caro leitor ou leitora, estou muito feliz com esses resultados. E acho que os leitores gostaram da fórmula, porque até agora estes posts já tiveram um total de 4.569.030 page-views – mais de 4,5 milhões de acessos!
Creio que escrever um blogue deveria ser um exercício para todos que procuram entender o mundo em que vivem e saber o que interessa ou não as pessoas. Muitas matérias que eu particularmente gosto acabam não tendo muita repercussão, enquanto outras, que citam pessoas famosas ou situações curiosas ou ridículas, acabam dando um salto para a frente. Por que isso acontece, nem sempre entendo.
Leio sobre estratégias sobre SEO, truques para aumentar a leitura, mas acabo não praticando muito disso, porque meu objetivo é apenas me divertir. E acho que está dando certo, porque In Vino Viajas é o blogue mais popular do segmento na America Latina, agora com um novo recorde: 380.825 acessos no mês de Junho de 2019.
Vamos brindar a isso?  
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quinta-feira, 13 de junho de 2019

Uruguai leva as festas juninas para dentro das vinícolas: é o enoturismo com los Fuegos de San Juan


Por Rogerio Ruschel
 
Meu prezado leitor ou leitora, no Brasil as festas juninas são comemoradas durante quase todo o mês de Junho (com o friozinho do inverno) em todo o país, mas especialmente no Nordeste, onde mobilizam milhões de pessoas, durante vários dias, em dezenas de cidades com música, alegria, comidas típicas e bebidas. As festas juninas também são comemoradas em várias outras regiões do Brasil, em escolas, comunidades católicas, bairros, associações comunitárias e também nas ruas.
As festas são dedicadas (ou feitas em homenagem de) São João, Santo Antônio (o casamenteiro) e São Pedro, e como o mês de Junho no Brasil é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados relacionados às festividades, é feita com milho como pamonha, curau, milho cozido, canjica, cuscuz, pipoca e bolo de milho, complementados por cachorro-quente, churrasquinho-de-gato, maria-mole, doce de abóbora, batata doce assada, pão de batata, pastéis juninos e outras delícias da chamada comida de rua. 

Dança-se forró, músicas chamadas “caipiras” e músicas de raiz folclórica, bastante animadas. E o que se bebe? Quentão (bebida feita com gengibre, pinga e canela), vinho quente, suco de milho verde, refrigerantes e cerveja. Em alguns lugares se bebe também vinho – vinho de mesa, aquele vinho delicioso vneidod em garrafões e que sofre precocnceito da elite que gosta muito dele mas não confessa.
Pois os uruguaios levaram as festas juninas, os Fuegos de San Juan, para dentro das vinícolas, incorporando a alegria as outras alegrias proporcionadas pelo enoturismo. Durante o fim de semana de 22 e 23 de Junho, uma dúzia de vinícolas irá acender fogueiras em comemoração à tradicional Noche de San Juan, um evento rico em histórias, rituais e momentos pitorescos.
Em junho no Uruguai também é o mês do Tannat e do Cordeiro, a combinaçãoo imbatível dos hermanos uruguaios, que associa um dos melhores vinhos tintos de identidade territorial do mundo com outro produto com forte identidade uruguaia: o cordeiro assado. Não dá vontade de pegar um avião e ir ao Uruguai? Dá, sim...
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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Bodegas Manzanos Haro Wine Park: a Espanha anuncia um gigantesco complexo turístico e cultural do vinho em Rioja

Por Rogerio Ruschel
Prezado leitor ou leitora, parece que nenhum país na Europa quer perder a corrida do turismo relacionado ao vinho, que está gerando dezenas de milhões de Euros nos países mais atentos. A Espanha anunciou semana passada sua entrada nesta corrida, veja aqui. Entre os grandes projetos, a França tem a Cité du Vin em Bordeaux e Portugal está construindo o Mundo do Vinho em Vila Nova de Gaia, Portugal.

O projeto espanhol será implantado em Haro, uma das cidades vinícolas mais importantes da região de Rioja, conhecida também por suas batalhas de rua com vinhos. O investidor é a Bodegas Manzanos, da família Fernández de Manzanos, agora na quinta geração, produtora de vinhos com as marcas Manzanos, Voché, Berceo, Primi Luis Gurpegui, Castillo de Enériz, Siglo, Las Campanas, Castillo de Olite e Pegaso. A adega é a terceira com produtos DO Navarra, e está entre as 10 maiores em vinhos com DOC Rioja. Veja como os espanhois valorizam suas Denominações de Origem aqui: http://www.invinoviajas.com/2018/10/vinhos-de-rioja-quien-eres/



O projeto se chama Bodegas Manzanos Haro Vinhos Park Hotel & Spa ou Haro Wine Park. Consiste na união de 2 prédios históricos com 3 novos: o Palacio de Tejada, um prédio de 1733 de três andares com estilo entre barroco e neoclássico – que vai receber três suites magistrais com 100 m2 cada uma; o prédio antigo da Bodegas Berceo, cuja fundação remonta a 1801, construído no Estilo Bordeaux, com 5 andares e com entradas remanescentes da Idade Média, e três novos prédios que serão construídos.

No térreo ficará a recepção do hotel, o bar de vinhos, uma loja e uma loja-conceito da Porsche (a família tem revendedores Porsche na Espanha). No primeiro andar estarão um museu do vinho (um espaço de 1.000 m2) que vai reviver a história da Rioja e a tradição vinícola da família Fernández de Manzanos desde 1890, além de um auditório para 150 pessoas. No segundo andar estará um terraço com bar de vinhos com o conceito Food & Drinks, onde o turista poderá desfrutar de tapas e da comida tradicional da região harmonizada com os melhores vinhos da Manzanos.


Nos outros prédios estarão unidades de vinificação para visitas, um sala de degustação multissensorial, um restaurante Chef da Espanha com 2 estrelas Michelin e 27 suites de 90 m2. No terraço no quarto andar estará o "Edifício Spiral", um edifício de vidro que será um elemento icônico do projeto, com um grande wine-bar e o ponto de partida para um tobogã que vai descer 15 andares. E para completar, o projeto inclui um spa com diferentes tipos de banhos e tratamentos e uma piscina infinita ao ar livre com vista para a Serra da Cantabria e para os vinhedos de Rioja Alta. Chega para você,meu amigo ou amiga?

Sobre o projeto já existente na França: a Cité du Vin (abaixo) é um imenso um museu do vinho na forma de um decanter com 55 m de altura e 14.000 m2 de área, com 19 salas de exposição, que levou 3 anos para ser construído e custou 81 milhões de euros; na verdade desde o início se posicionou como um parque temático e uma cidade do vinho. Além de um amplo programa de eventos, férias, seminários, congressos e mostras, a Cité du Vin oferece visitas educacionais, restaurantes, bares e uma adega de vinhos com mais de 14.000 garrafas. Saiba mais aqui: http://www.invinoviajas.com/2016/06/inauguracao-da-cite-du-vin-o-maior/


Já o Mundo do Vinho em Portugal é um grande complexo turístico e educativo com cerca de 30 mil m2 baseado na recuperação de armazéns abandonados no coração do centro histórico de Vila Nova de Gaia,  a cidade-espelho de Porto, em Portugal. O investimento de cerca de 100 milhões de Euros no O Mundo do Vinho – World of Wine (WoW) é da The Fladgate Partnership, dona do hotel 6 estrelas The Yeatman e de marcas de vinho do Porto como Taylor’s e Croft. Terá cinco museus temático sobre os vinhos portugueses, uma escola de vinhos, 12 espaços de restauração e um espaço para eventos e exposições temporárias. E vai inaugurar em junho de 2020, daqui a um ano. Saiba mais aqui: http://www.invinoviajas.com/2017/08/mundo-do-vinho/


Já publiquei mais de 60 matérias sobre a Espanha, veja aqui: http://www.invinoviajas.com/category/paises/espanha/

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Pesquisador da Amazônia questiona: o Açaí vai ser um produto de terroir ou uma commodity genérica da floresta?


Por Rogerio Ruschel
Estimado leitor ou leitora, em alguns momentos da história vive-se um momento no qual se vive uma oportunidade de manter ou perder o valor estratégico de um produto, uma comunidade, um país. Este é o momento do Açaí, e explico por quê.
O Açaí é hoje um dos produtos brasileiros com maior prestígio no mercado internacional de sucos saudáveis; em 2017 contribuiu com cerca de 600 milhões de Reais para a economia regional amazônica. Por seu potencial como alimento de elevado interesse já adotado pelas gerações X, Y e Z que buscam saúde e sabor, foi razão de uma disputa jurídica internacional ruidosa, alguns anos trás – foi registrado em 2003 como marca própria da empresa K.K. Eyela Corporation no Japão, e só retomada pelo governo brasileiro em 2007.
Pois agora o produto vive um momento de decisão sobre seu futuro: se vai ser “um vinho francês da Amazônia” e agregar valor de classe global, ou se vai virar uma “soja da floresta”. Esta decisão depende do grau de mobilização e providências de governos e comunidades diretamente interessadas; se não houver interesse agora, daqui a dois anos será tarde demais e caro demais reverter a percepção de valor. 
Quem faz o alerta é o Dr. Francisco de Assis Costa, economista, professor e pesquisador do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea) da Universidade Federal do Pará (UFPA) – na foto abaixo, sorridentemente capturado pelas lentes de Irene Almeida, da revista Pesquisa Fapesp. 

Segundo ele, “O método tradicional é bater o açaí sem atingir a capa de tanino em volta do caroço, que deixa um gosto desagradável. Esse cuidado foi fundamental no desenvolvimento da tecnologia local porque, se o batimento atinge o caroço mais fortemente, estraga o sabor do açaí para a cultura local. No entanto, uma tecnologia genérica, para polpa de frutas, não tem esse cuidado e bate o açaí mais fortemente, o que deixa o gosto diferente. As máquinas são mais rápidas, portanto mais rentáveis, e têm sido adotadas por empresas produtoras.”
O Prof. Assis Costa, Doutor pela Universidade Livre de Berlim e autor de 26 livros, entre os quais “A brief economic history of the Amazon: 1720-1970, de 2019”, em entrevista de março/2019 a Carlos Fioravanti, da Revista Pesquisa Fapesp 277, revela a situação que vive atualmente este fruto de palmeira: “O consumo de Açaí que surgiu recentemente em muitos lugares se orientou por sua condição de superalimento: as moléculas de antocianina é que importam; o sabor, derivado do teor de lipídios, não conta. A partir desse confronto se estabelecem os princípios de uma concorrência que poderá decidir aspectos importantes dessa economia. O Açaí será uma commodity genérica ou resguardará valor ligado ao seu terroir? Esta última possibilidade exige que ensinemos para o mundo o que é um bom Açaí, como os franceses e os italianos fizeram com seus vinhos.”
Então fica a pergunta, meu caro leitor ou leitora: o Brasil vai proteger o valor agregado da verdadeira identidade territorial do Açaí ou optar pela solução industrial passageira e comprometida apenas com lucro do volume máximo pela menor qualidade? Vamos exportar sabor ou volume? 
A foto acima, do Instituto Peabiru, registra uma das etapas de extração do Açaí que tem 100% de valor agregado da identidade cultural dos povos da floresta amazônica. Em nome do lucro rápido de atravessadores vamos triturar também essa cena?