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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Participe da 20a. edição do Concurso Internacional de Ilustrações Satíricas Spirito Di Vino di Veneza

Por Rogerio Ruschel

Estimado amigo ou amiga, se você é um desenhista, cartunista, criador gráfico ou artista plástico, gosta do mundo dos vinhos e tem bom humor, não perca esta chance: até o dia 10 de outubro de 2019 você pode inscrever sua ilustração na 20a. edição do Concurso Internacional de Ilustrações Satíricas Spirito Di Vino de Veneza.

O concurso é promovido pelo Movimento Turismo del Vino Friuli Venezia Giulia e aberto para artistas do mundo todo enviarem suas obras a respeito do mundo e cultura do vinho, afim e conscientizar os amantes do vinho sobre a necessidade de beber com responsabilidade.

Os desenhos satíricos podem ser feitos manualmente com qualquer técnica, preto e branco ou colorida, apenas no formato A3 com 1 cm de margem. Cada participante tem o direito de enviar apenas um trabalho. Os trabalhos devem ser enviados em cópia impressa e assinados no canto (frente) ou no verso da página.

A competição possui duas categorias divididas de acordo com a idade, sendo a primeira para artistas de 18 a 35 anos e a segunda destinada para ilustradores com mais de 36 anos. Os vencedores das duas categorias vão ganhar fama mundial e garrafas de vinho:
·      1º lugar = 75 garrafas de vinhos finos de Friuli 
·      2º lugar = 50 garrafas de vinhos finos de Friuli
·      3º lugar = 25 garrafas de vinhos finos de Friuli

Para participar os interessados devem enviar seus desenhos para o endereço Movimento Turismo del Vino Friuli Venezia Giulia - Via del Partidor, 7 – 33100 Udine (Italia), além de preencher e realizar upload da imagem participante no site do concurso que está aqui: http://www.spiritodivino.cloud/index.php/en/

A cerimônia de premiação será realizada durante o Festival Friuli DOC realizado na cidade de Udine, Itália. Dizem que é um show de alegria e bom humor – além de ótimos vinhos, evidentemente.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Moinho de Avis: a beleza a favor do vento na Serra do Montejunto em Vilar, Cadaval, uma simpática atração turística pertinho de Lisboa


Por Rogerio Ruschel
Meu prezado leitor ou leitora, uma das imagens mais tranquilizantes é estar em uma montanha e lá de cima olhar para um vale verdejante com casinhas, rios e vida urbana a seus pés. E se neste vale tiver também vinhedos e a seu lado existir um moinho de vento lindo, azul e branco, girando, girando e girando – isso sim é um momento tranquilizante. Tive um momento assim em Portugal e vou contar a seguir.
Os moinhos de vento foram inventados na China ou na Pérsia, no Século V, para bombear água para irrigação, e aos poucos foram sendo utilizados para movimentar moendas de grãos. Durante o período feudal na Europa os moinhos pertenciam aos senhores poderosos, e só podiam ser utilizados por servos ou camponeses mediante o pagamento de uma taxa abusiva. 
Talvez esta tenha sido a razão pela qual Miguel de Cervantes colocou há 400 anos atrás seu personagem “El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha” com seu cavalo Rocinante a lutar contra moinhos de vento – ele lutou bravamente contra estes gigantes malvados! Que na verdade, vistos de perto, são maravilhosas arquiteturas de madeira, como dá para ver abaixo.

Com a industrialização e os novos processos de moagem, os moinhos de vento instalados no topo das colinas perderam a sua missão principal de moer grãos de trigo para fazer farinha, mas nunca deixaram de ser locais simpáticos e até mágicos, que despertam a curiosidade de quem passa.

No Brasil temos poucos registros deles – e muita informação sobre os modernos moinhos de vento para produção de energia eólica, esses gigantes que perturbam a paisagem especialmente no Sul e no Norte. Nosso potencial é avaliado em 143 GW e esta potencialidade da energia eólica é quase uma vez e meia o que se produz atualmente de eletricidade no Brasil.




Em Portugal atualmente existem 26 moinhos de vento recuperados e alguns deles em condições de moer os cereais tal como era habitual há centenas de anos; ficam em Peniche, Cadaval Lourinhã, Torres Vedras, Sobral de Monte Agraço, Arruda dos Vinhos e Alenquer.

Em 2016 visitei um deles, em Cadaval, perto de Lisboa. E conheci Miguel Luis Evaristo Nobre – conhecido como Miguel Nobre - o único artesão certificado no oficio de restauro e manutenção de moinhos de vento em Portugal – e provávelmente o único que pode ensinar isso no idioma Porguguês. Ele opera moinhos de vento na Serra do Montejunto, Vilar, Cadaval, distante 72 Km de Lisboa, região com vinhedos de várias uvas, entre elas a Vilar. 

Sua empresa é a Arte ao Vento, dedicada ao restauro e manutenção de Moinhos de Vento. O local recebe visitantes, e com seu sobrinho Carlos Bernardino transformou uma pequena casa em um restaurante que oferece comida típica saborosa e uma vista espetacular da região. Bruno Gomes, gestor de turismo da Quinta do Gradil – a gloriosa adega que foi do Marquês do Pombal - foi quem me levou lá. Na foto acima, da esquerda para a direita, Bruno Gomes, Rogerio e Miguel Nobre (de camisa vermelha).


domingo, 1 de setembro de 2019

Um curso internacional sobre Indicações Geográficas para diferenciar produtos na multidão global de commodities

Por Rogerio Ruschel
Meu caro leitor ou leitora, em todos os momentos da vida você pode fazer escolhas; eu escolhi sempre continuar aprendendo. E esta semana minha escolha se transformou no Certificado de Conclusão do curso “Adding Value to the Origin of Products Through Geographical Indications (GIs)” sobre “Como agregar valor à origem dos produtos com a Indicação Geográfica - IG” expedido pela ITC SME Trade Academy, de Genebra, Suiça, a plataforma de capacitação internacional do International Trade Center (ITC).
Fiz o curso para me manter atualizado em termos internacionais e enriquecer a segunda edição do meu livro “O valor global do produto local – A identidade territorial como estratégia de marketing” publicado pela Editora Senac em maio de 2019. Entendo que me manter informado sobre este assunto é fundamental. Como com o Acordo Mercosul – União Europeia cerca de 350 produtos europeus de alta qualidade com identidade territorial (como Camembert, Gorgonzola, Bologna, Pata Negra, Conhaque, Champanhe…) vão competir entre si por preço dentro do território brasileiro, corremos o risco de ficar só assistindo.
Com o Acordo o preço dos produtos, especialmente agroalimentos (como café, queijo, vinho, frutas, doces, frios, carnes, tecidos, mel, artesanato, cachaça, couro, pedras, cacau, etc) vai gradativamente perder importância na decisão de compra. E então a valorização da personalidade de um produto através da identificação com um território – seja um Selo Senaf, Marca Coletiva, Identidade Geográfica ou Denominação de Origem – será (como sempre foi) o único elemento que de fato vai diferenciar, personalizar e agregar valor a um produto, tirando-o da competição de commodity no Mercado Global. Então estou me preparando para ajudar produtores brasileiros (especialmente os pequenos e oriundos da Agricultura Familiar) a se prepararem para este embate.

Um curso internacional
O International Trade Center (ITC) tem sede em Genebra, Suiça. Minha professora foi uma italiana com pos-graduação em propriedade intelectual e tive cerca de 30 colegas de todo o mundo, especialmente da America Latina e Ásia. Três deles (até agora) pediram cópia do meu livro (que enviei, certamente): o indiano Amod Salgaonkar, dirigente de uma ONG de Mumbai (Maharashtra); o vietnamita Ky Anh Tran, que trabalha no Vietnam National Office of Intellectual Property e Rebecca Ferderer, que não identificou seu pais de origem.
O curso foi feito em ingles e online em cerca de duas semanas. Investi umas 16 horas para assistir três aulas (todas com questionários próprios), avaliar um estudo de caso, fazer um trabalho de conclusão de curso (TCC) e finalmente fazer uma avaliação do curso.
Meu estudo de caso foi sobre a Denominação de Origem Chá Darjeeling, um produto da região do Norte de Bengala, India, e que tem uma Identidade Geográfica fortissimo, reconhecida praticamente no mundo inteiro. Tive que estudar a história da produção e mobilização, as características do produto, o processo de certificação, parte da legislação, estrutura oficial de monitoramento, controle e marketing, e os esforços para manter o Chá Darjeeling como a mais importante Denominação de Origem de chás do mundo. Muito know-how inglês, aprendi muito. 


Para fazer meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tinha que Identificar um produto em um país em desenvolvimento que pudesse se beneficiar do reconhecimento de IG; descrever o caminho da identificação para o reconhecimento como IG (elementos para se qualificar para o status da IG, etapas que precisam ser tomadas para estabelecer a IG e os principais atores que devem estar envolvidos no processo); e finalmente desenvolver uma estratégia de reconhecimento, proteção e promoção, para incentivar o desenvolvimento sustentável na área de origem.
Meu TCC foi sobre o Talian. O Talian, um idioma falado por cerca de 500.000 brasileiros e o segundo mais falado no Brasil no dia-a-dia de famílias segundo o IBGE, é falado exclusivamente no sul do país, e não encontrado na Itália de onde derivou – e Talian é a palavra italian sem o inicial "i".
O Talian é um idioma oficialmente reconhecido como "Referência Cultural Brasileira" pelo Ministério da Cultura (MinC) e como "Patrimônio Cultural" pelos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, resultante de 150 anos de miscigenação dos idiomas português, espanhol e indígena com os vários dialetos italianos existentes na Itália até 1859, trazidos imigrantes do Lazio, Lombardia, Veneto, Sicília, Piemone, Sardenha e muitos outros regiões da Itália. Estes dialetos vieram para o Brasil com os imigrantes e aqui continuaram sendo falados em família, enquanto desparaeciam na Itália por causa da unificação.
O Talian persiste no sul do Brasil em programas de rádio e WebTV, revistas, dicionários, cursos e programas educacionais – além de se o idioma “interno” de milhares de famílias. Nos municípios de Serafina Correia, Flores da Cunha, Parai e Nova Erechim o Talian é reconhecido localmente como idioma oficial, ao lado do português. Para saber mais sobre isso acesse http://www.invinoviajas.com/2015/10/veneto-trentino-e-toscano-veja-como/
O International Trade Center (ITC) foi criado em 1964 pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e Organização das Nações Unidas (ONU) e é a única agência de desenvolvimento totalmente dedicada ao apoio à internacionalização de pequenas e médias empresas (PMEs). Seu objetivo é apoiar as PMEs, especialmente das economias em transição, para que se tornem mais competitivas e se conectem aos mercados internacionais de comércio e investimento, aumentando a renda e criando oportunidades de emprego, especialmente para mulheres, jovens e comunidades pobres.
Como sou um pequeno empresário, vivo em uma economia de transição e quero ser mais competitivo, fiz o curso. E brindo a quem me permitiu isso: Deus – e o International Trade Center.
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sábado, 31 de agosto de 2019

Produtos com identidade territorial: uma aposta no futuro para ajudar nossa Agricultura Familiar a competir com importados globais

Por Rogerio Ruschel

A identidade territorial pode agrega valor, prestígio e competitividade aos produtos da agricultura familiar no Brasil

Meu prezado leitor ou leitora, com o Acordo Mercosul – União Europeia produtos agroalimentares europeus de alta qualidade com identidade territorial (como Camembert, Gorgonzola, Bologna, Pata Negra, Conhaque, Champanhe...) vão competir entre si por preço, dentro do território brasileiro – e corremos o risco de ficar só assistindo. Na Europa mais de 80% são produzidos por famílias e pequenos produtores. No Brasil também: a Agricultura Familiar produz 70% do feijão nacional, 34% do arroz, 87% da mandioca, 46% do milho, 38% do café e 21% do trigo; é responsável por 60% da produção de leite e 59% do rebanho suíno, 50% das aves e 30% dos bovinos. Conta com amplos programas de apoio com Microcrédito Rural, com o Programa Nacional do Fortalecimento da Agricultura Familiar - Pronaf e outros, como a compra para o programa de Merenda Escolar.

Mas centenas de produtos brasileiros oriundos da Agricultura Familiar sofrem com preconceito e só encontram compradores na Merenda Escolar e outros programas governamentais e conseguem distribuição apenas na feira de sua cidade, em postos de gasolina ao longo das rodovias ou em pequenos mercados. Por quê não poderiam ser tratados como seus similares europeus como delicias de qualidade global pelas quais deve-se pagar muito caro? A resposta é simples: os europeus investem em marketing de identidade territorial para agregar valor, porque já aprenderam que apenas financiar a produção não é suficiente nestes tempos de competição difícil em mercados globais.

Nossos produtores precisam aumentar a produtividade e a qualidade, claro, mas também a competitividade. E para isso é necessário ampliar sua percepção de mercado e investir em marketing que cria diferenciais, como por exemplo, como uma identidade própria, exclusiva – como o queijo Canastra. Como com o Acordo Mercosul – União Europeia o preço vai aos poucos perder importância na decisão de compra, a valorização da personalidade de uma Marca Própria e a identificação de um produto com um território - seja um Selo Senaf, Marca Coletiva, Identidade Geográfica ou Denominação de Origem – será (como sempre foi) o único elemento que de fato vai diferenciar, personalizar e agregar valor a um produto quase commodity no Mercado Global.


Oportunidade rara para a Agricultura Familiar

Valorizar produtos agrícolas locais, pequenos, caipiras é uma iniciativa que beneficiará diretamente cerca de 5 milhões de pequenos produtores familiares (20 milhões de pessoas), segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Também segundo o Mapa, a agricultura familiar tem um faturamento anual de US$ 55.2 bilhões, uma renda que corresponde a 33% do PIB agropecuário do Brasil.

Estamos trabalhando, mas precisamos acelerar. Em novembro de 2018 o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) criou o Selo Nacional da Agricultura Familiar (Senaf), para rastrear, identificar e promover produtos da agricultura familiar. Trata-se de uma espécie de IG – Identificação Geográfica; serão 6 tipos de Selos (Mulher, Juventude, Quilombola, Indígena, Sociobiodiversidade e Empresas) emitidos para cooperativas, associações agrícolas, agricultores e empresas com forte produção familiar. Cerca de 750 deles já foram entregues e podem ser encontrados no portal Vitrine da Agricultura Familiar (http://vitrine.mda.gov.br/), que se identifica como “um catálogo de produtos e serviços que explora o diferencial da agricultura familiar no que se refere às dimensões econômicas, sociais e ambientais” operado pela Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo, do MAPA (veja abaixo)



Essa iniciativa é muito bem vinda, mas mais uma vez não incentive a percepção de que produtores privados precisam aprender a competir. Não há oferta de cursos para capacitação em marketing, e por esta razão eles continuarão sem uma visão adequada do mercado Local, Regional e Global; não saberão como posicionar seus produtos e como fazer a gestão dos 4 Ps – Produto, Praça, Preço e Promoção. E sem saber estas coisas não estarão preparados para competir com seus concorrentes estrangeiros. Produtos que tiverem qualidade e se unirem com a comunidade e governo e com as cadeias produtivas das quais fazem parte, poderão investir na certificação de origem e agregar até 100% de valor ao produto final, que é o resultado de muitos exemplos.

O Acordo Mercosul - União Europeia é a oportunidade que sinaliza urgencia mudar este quadro. Imagine: um queijo do interior pernambucano ainda sem marca ou prestígio, competindo com um Camembert francês com preço quase similar; ou uma pretigiada geleia francesa que antes custava R$ 28,00 e agora custa R$ 18,00 competindo com uma geleia brasileira que custa R$ 16,00! Vai ser mesmo difícil estabelecer uma relação custo-benefício que derrube o preconceito que temos contra nossos produtos e valorize o produto nacional a ponto de construir preferência.


A hora é agora, até porque existe mais um importante fator positivo: Fernando Henrique Kohlmann Schwanke, Secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do MAPA, tem formaçnao refinada, é um especialista em certificação e marcas coletivas com experiência internacional, inclusive na ONU (FAO), tem percepção da importância das regras do mercado e certamente encontrará apoios para esta mobilização.

O quadro abaixo publicado na Revista de Economia e sociologia Rural de Junho/2012 mostra que o valor produzido por hectare é positivo para os agricultores familiares. Ao que parece, o que falta mesmo é agregar valor ao preço de venda. Enfim, meu caro leitor ou leitora, o elo que falta na corrente é aprender a fazer marketing como nossos concorrentes europeus para poder conquistar primeiro o consumidor brasileiro e depois o consumidor estrangeiro.





Certificação de origem como marketing

Vários produtos brasileiros demonstram que isso é possível e tem conquistado o mundo valorizado sua identidade territorial, com certificação da origem formalizada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), como o café do Cerrado Mineiro, os queijos Canastra, Serro e Araxá, o Pão de Queijo de Minas, a cachaça de Paraty e os espumantes de Pinto Bandeira. Estes são alguns dos 61 produtos brasileiros com certificação de origem (129 em processo de registro) que superaram preconceitos, inércia e a síndrome de que produtos importados são melhores do que os brasileiros. E os mesmos princípios se aplicam ao turismo de base comunitária, turismo comunitário e turismo com identidade.

Mas não basta buscar a certificação: muitas das comunidades que já se organizaram como Marca Coletiva, Identidade Geográfica ou Denominação de Origem simplesmente “esquecem” de comunicar ao mundo os diferenciais do seu produto e os benefícios que o consumidor vai ter com eles. Fazem 80% do trabalho e desistem na parte mais importante. A explicação é que marketing não faz parte do conhecimento tradicional de produtores rurais, especialmente os de pequeno porte. Mas temos que e podemos incluir cada vez mais conceitos de marketing nos programas de desenvolvimento e certificação do governo federal, estadual e municipal, de Sindicatos Rurais, Associações de produtores, Universidades, ONGs, entidades como Sebrae, Senar e Senac, Federações de Indústrias e outras entidades da sociedade civil interessados no nosso desenvolvimento como Nação.

Estas teses são apresentadas com muitos exemplos, depoimentos e cases, do Brasil e do exterior, no meu livro “O valor global do produto local – A identidade territorial como estratégia de marketing” (abaixo). Publicado em junho de 2019 pela  Editora Senac SP, é o primeiro livro do Brasil a apostar na valorização dos produtos locais e com identidade territorial e resulta de pesquisas, entrevistas, aulas e palestras que venho realizando há mais de 15 anos.


Precisamos apoiar a Agricultura Familiar brasileira para que ela possa acompanhar o restante do agribusiness do país. A Assembleia Geral da ONU declarou o período 2019-2028 como a Década da Agricultura Familiar, e segundo a FAO, a agricultura familiar também pode ser um aliado fundamental para salvaguardar a biodiversidade e o meio ambiente e promover sistemas alimentares sustentáveis ​​e resilientes.
E além disso não custa repetir: valorizar a identidade de produtos locais é uma poderosa ferramenta de sustentabilidade porque incentiva cadeias produtivas de base local, gera emprego e renda no território, promove o orgulho cidadão na comunidade, divulga o território e atrai turistas e investimentos.

Meu caro leitor ou leitora, se você quiser levantar esta bandeira, conte comigo.


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Conheça a gigantesca “Mother Vine”, a mais antiga vinha da América do Norte, com 400 anos, e seu vinho doce de uvas Scuppernong

Por Rogerio Ruschel
Prezado leitor ou leitora, aqui no “In Vino Viajas” já escrevi sobre várias vinhas antigas – veja no fim desta matéria. Agora você vai conhecer uma vinha antiga, talvez a mais antiga ainda produzindo uvas, do Novo Mundo: a Mother Vine. Ninguém sabe ao certo as origens desta videira que pode ter ajudado a produzir vinho durante séculos, mas certamente ela merece toda a reverência que recebe.
Com uma idade estimada em 400 anos, acredita-se que a Videira Mãe (Mother Vine), localizada em Manteo, na Ilha Roanoke, na Carolina do Norte, seja a mais antiga videira da América do Norte, e que teria sido plantada por nativos americanos croatas ou colonos da Colônia Perdida. Alguns afirmam que é a "mãe" de todas as videiras para uvas Scuppernong, uma fruta típica do estado da Carolina do Norte.
A uva Scuppernong representa uma grande variedade de muscadine, uma espécie de uva nativa do sul dos Estados Unidos. O nome cientifico é Vitis rotundifolia. Tem várias sub-espécies, mas geralmente tem uma cor esverdeada ou bronze e é semelhante em aparência e textura a uma uva branca, mas é mais redonda e maior e desde o início foi conhecida como a 'grande uva branca', veja acima.
Pois esta videira produz uvas que fazem um vinho adocicado muito gostoso. Quando Jack e Estelle Wilson compraram a propriedade que abrigava a Mother Vine em 1957, seus galhos emaranhados ocupavam mais de 8.000 metros quadrados. Depois de apará-la para poder construir uma casa, a videira ainda ocupa hoje um terço do seu jardim em Manteo, estendendo-se por 9,5 metros por 36,7 metros – veja na foto da capa.

Para compensar a extensa redução inicial, o casal se tornou seu “guardador” . Hoje o casal está com mais de 80 anos, e costumam receber visitantes para ver a extensa rede de galhos, e permitem que seus vizinhos colham e comam suas uvas. Em 2005, eles permitiram que uma vinícola local plantasse mudas da videira original em seu vinhedo e fizessem o vinho Mother Vine, um vinho doce e levemente ácido - veja acima.
Esta não é a mais antiga videira do mundo, titulo que pertence a Old Vine de Maribor, Eslovênia, abaixo. Veja outras videiras antigas já destacadas pelo “In Vino Viajas”:
·      Conheça a Old Vine de Maribor, Eslovênia, a videira mais antiga do mundo, com 510 anos, que continua produzindo uvas, vinhos e turismo
·      A com 450 a 500 anos da Quinta do Louredo, Minho, Portugal, que não tem documentos comprobatórios da idade - http://www.invinoviajas.com/2015/09/conheca-videira-com-500-anos-da-quinta/
·      Conheça o vinhedo de Gers, no sudoeste da França, com 200 anos comprovados, que foi reconhecido como monumento histórico nacional - http://www.invinoviajas.com/2014/11/vinhedo-frances-de-200-anos-vira/