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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O vinho brasileiro vai pular o carnaval nas Ilhas Canárias.

Por Rogerio Ruschel
Jaime Milan, consultor da Aprovale e coordenador do processo de certificação dos produtos da D.O. Vale dos Vinhedos, vai realizar degustações e palestras sobre as Denominações de Origem e Indicações Geográficas dos vinhos do Brasil nas Ilhas Canárias, Espanha, a convite da Universidad de La Laguna.
A participação de Milan vai ser na 5a. Edição do Curso de Especialistas en Gestión Enoturística y Análisis Sensorial de Vinos de la Universidad de La Laguna”, que se realizará entre 9 de janeiro e 30 de junho de 2019 e vai coincidir com o Carnaval. “Meu carnaval vai ser dando aulas sobre os vinhos do Brasil, no meio do oceano”, Jaime me disse. Enólogo com pós-graduação na França e economista, ex-presidente da Festa Nacional do Vinho (Fenavinho) e da União Brasileira de Viticultura (Uvibra), Jaime Milan vai ter o apoio do super-especialista em vinhos do Brasil Dr. Jorge Tonietto, da Embrapa Uva e Vinho para planejar a participação dos vinhos brasileiros.

Fiz a aproximação entre o Brasil e os espanhóis, atendendo a um pedido de Gabriel Santos García - um dos diretores da Aula Cultural de Enoturismo y Turismo Gastronómico - para indicar um professional brasileiro. Aliás, García me disse que esse é o começo de um relacionamento entre brasileiros e espanhóis, e outros eventos de intercâmbio deverão aproximar nossas Denominações de Origem com as das Ilhas Canárias.

 
Os espanhóis são meus amigos de outros carnavais: já escrevi sobre os vinhos canários (adorados por Saramago e Sheakespeare - http://invinoviajas.blogspot.com/2014/04/enologia-turismo-e-gastronomia-veja.html  ) e também sobre o papel da Universidade na valorização da indústria vinicola, veja aqui: http://invinoviajas.blogspot.com/2014/04/enologia-turismo-e-gastronomia-veja.html

Nas fotos, as videiras plantadas no solo de lava negra na paisagem lunar de Lanzarote e a fachada da Universidade de La Laguna, localizada em Tenerife, a maior das sete ilhas Canárias, que tem 23 faculdades e 3 Centros de Pesquisa, 45 programas de Graduação e 52 programas de Doutorado, 356 Laboratórios e 14 Bibliotecas.

Um brinde aos amigos que fazem novos amigos em torno do vinho.

 

domingo, 27 de janeiro de 2019

Mais delícias da Mantiqueira Paulista: os azeites da Oliq, os vinhos da Villa Santa Maria e a beleza da paisagem infindável

Por Rogerio Ruschel
Meu prezado leitor ou leitora, entre as visitas que fiz no final de 2018 na Mantiqueira Paulista, 180 Kms de São Paulo, estão produtores de vinho e de azeites. Em outra reportagem apresentei a Entre Vilas da Frutopia (veja aqui: http://www.invinoviajas.com/2019/01/vinhateiros-da-mantiqueira-entre-vilas/).Pois hoje vamos conhecer a Vinícola Villa Santa Maria e os azeites da Oliq – na foto acima a vista da Mantiqueira com os olivais da Oliq.
Só para lembrar, a Serra da Mantiqueira tem mais de 500 Km de extensão, ocupa 129 municipios de São Paulo, Rio de Janeiro e especialmente Minas Gerais, alcançando altitudes de até 2.798 metros. A parte paulista ocupa 30% inclui a Pedra do Baú e as cidades de Campos de Jordão, Monteiro Lobato, Sao Bento do Sapucai, Pindamonhangaba, São Francisco Xavier e Santo Antonio do Pinhal na denominada Região Turistica Mantiqueira Paulista.
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A Mantiqueira Paulista tem atrações para todos os tipos de visitantes, brasileiros e estrangeiros, porque oferece clima, fauna e flora diferentes, paisagens tranquilizadoras, arquitetura histórica, artesanato, museus, cultura e história, muita paz de espírito – e gastronomia. Entre as atrações a cuinária local oferece delicias de comer & beber na forma da gastronomia caipira, com identidade, das geléias, conservas, frutas e mel; trutas, carnes e fondues; cachaças, cervejas artesanais e chás; temperos, doces e salgados… E queijos, vinhos e azeites. Hoje vou apresentar uma das vinicolas e um olivicultor.  
Vinícola Villa Santa Maria

Na região da Mantiqueira jé existem muitos produtores de vinhos. Um dos que visitei foi a Villa Santa Maria, de São Bento do Sapucai, que produz assemblages e alguns varietais praticamente aos pés da Pedra do Baú. Os proprietários são Célia e Marco Carbonari. Não os conheci, mas soube pela gerente Aparecida Jucimara que eles começaram o projeto em 2004 vinificando na EPAMIG com a ajuda do professor Murilo Albuquerque Regina, e que em 2009 chegaram ao seu primeiro vinho, batizado de Brandina, nome da avó de Marco Carbonari.
Na propriedade de 90 hectares estão plantados cerca de 70.000 pés de Merlot, Syrah, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Sauvignon, Chardonnay e Viognier, dos quais 30.000 já produzindo cerca de 10.000 garrafas por ano, na quarta safra, e com colheita invertida, no inverno. Com as novas vinhas, até 2020 será viabilizada mais uma etapa do projeto: fazer a vinificação no local. O começo está bom: o primeiro varietal, um Syrah que degustei, ganhou medalha de prata em uma competição em Bruxelas.
 
--> Os investimentos também estão objetivando o enoturismo, e desde julho de 2018 os visitantes são recebidos num complexo com vista para a Pedra do Baú que inclui sala de degustação, loja, um deck com mesinhas no jardim e um restaurante gastronômico com 120 lugares. Aliás, o restaurante, chamado Bruscheteria da Villa, é estratégico para o turismo dar certo porque o acesso para a Villa Santa Maria é em terra batida, muito acidentado e cansativo; tenho certeza de que o visitante vai querer descansar um pouco antes de voltar... Mas as instalações e os vinhos são excelentes. O bonito deck (abaixo) me lembrou a adega Martin Codax de Cambados, Espanha, acho que por causa do espaço das mesas corporativas com tendas e ajardinados no entorno de pequenos espelhos d’água. Gostei da degustação, todos de tintos muito honestos e agradáveis. Eles aceitam cães e crianças e recomenda-se reserve - http://villasantamaria.com.br/pt/
Azeites Oliq

Na região você pode conhecer também produtores de azeites; visitei um deles, a Oliq, que se apresenta assim na internet: “os azeites OLIQ são produzidos na própria fazenda com azeitonas frescas, colhidas manualmente. Os pomares de OLIQ são cultivados na Serra da Mantiqueira, em altitude superior a 1.000 m, na divisa entre Minas Gerais e São Paulo.” Pois estive lá para conferir e conto como foi. Visitei os olivais e o lagar, degustei os azeites, conversei com as oliveiras (sim, eu converso com árvores) e com um dos donos, o seu Antonio Gomes Batista, mineiro de Itabirito, Minas Gerais (abaixo), que está apaixonado pela atividade. (Não quero ser fofoqueiro, mas ele me disse que também conversa com as oliveiras…). 

Esta árvore surgiu na face da Terra antes dos humanos e na região das atuais Siria e Palestina foram encontrados fósseis e vestigios de oliveiras em lagares com mais de 3.000 anos Antes de Cristo. Atualmente os maiores produtores mundiais estão em climas do Mediterrâneo como Espanha, Grécia, Portugal, Itália, Turquia e Tunísia, mas também em outros continentes como na América Latina, no Chile e Argentina. O Brasil é um grande consumidor e importador e já está produzindo azeites que podem competir com os do Mediterrâneo. Na verdade já tivemos um ciclo produtor de azeites nos anos 1960, mas somente agora, nos anos 2000 é que a produção começou a ser feita de maneira profissional no sul do Brasil e nos contra-fortes da Serra da Mantiqueira.

Escrevi duas reportagens sobre isso, veja aqui:

* Azeite de oliva: veja como esta indústria está brotando no Brasil e as oportunidades que já estão maduras -  http://www.invinoviajas.com/2014/05/azeite-de-oliva-veja-como-esta/

* Azeite de oliva “made in Brazil”: produção ainda pequena, mas que já está competindo em qualidade com produtores europeus - http://www.invinoviajas.com/2014/05/azeite-de-oliva-made-in-brazil-producao/
 
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Na Oliq fui recebido pelo simpático Antônio Batista no lagar Santantonio, onde ele e suas duas sócias construiram um receptivo simples, mas bem bacana e um lagar pequeno, mas com equipamentos de refino importados da Itália. Visitei lagares na Itália, e excetuando um produtor da Sicilia que ainda utilizava moenda de pedra movida por bois como parte da atração turística, os demais lagares eram semelhantes a este que vi na Mantiqueira.
Para frutificar, as oliveiras precisam de 400 horas de frio abaixo de 10 graus por ano, e por issso a atividade está se dando bem na Serra da Mantiqueira. E é necessário plantar várias espécies diferentes porque as oliveiras são plantas que, em geral, não se autopolinizam: uma variedade é polinizada por outra. Nas duas fazendas, a Santo Antônio do Bugre, em Bento do Sapucaí, que visiei, e a São José do Coimbra, os sócios vem trabalhando com as espécies arbequina, arbosana, grappolo, maria da fé, koroneiki, coratina e uma variedade ainda não identificada, apelidadade de “bicudinha”. As azeitonas arbequina, de origem catalã são as mais comuns no Brasil – e geralmente são comercializadas como varietais - na última safra da Oliq a arbequina estava com acidez de 0,1% - e a maria da fé é uma espécie brasileira.

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-->Mas a Oliq também vem desenvolvendo azeites com blends com acidez abaixo de 0,12% chamadas Seleção, bem como também azeites aromatizados com produtos de produção própria como com limão siciliano, alecrim, pimenta dedo de moça e café. E um estranho azeite de abacate que degustei mas não gostei. A Oliq investiu em um receptivo para os visitantes que inclui visita ao lagar (foto abaixo), uma área de degustação e uma loja com produtos próprios e de terceiros. A estrada para chegar lá é rústica, pode sofrer bastante com chuvas, e sugiro telefonar antes para ter certeza de que é um bom momento para visitar – veja aqui: https://www.oliq.com.br/visitas/
Na minha lista na Mantiqueira Paulista ainda falta apresentar pelo menos as vinicolas Guaspari, em Espirito Santo do Pinhal e Ferreira, em Campos do Jordão e Piranguçú. E outros produtores de azeite, mas isso é outra história, vai ficar para outra degustação.
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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Americanos e espanhóis dizem porque Jerez é um dos destinos enoturísticos do mundo que devem ser visitados em 2019

Por Tim McKirdy, do VinePair, e Redação de Vinetur, Espanha; editado por Rogerio Ruschel
Como você sabe, meu caro leitor ou leitora, Jerez, Sherry ou Xerez é um tipo de vinho fortificado com aguardente vínica, produzido com uvas Palomino (e um pouquinho de Pedro Ximenzez e Moscatel) e envelhecido com leveduras que só existem nestas regiões espanholas, no Território do Xerez (Marco del Jerez), delimitação que inclui municípios da Andaluzia como Xerez da Fronteira (Jerez de la Frontera), Sanlúcar, El Puerto, Trebujena, Chiclana, Puerto Real, Rota, Chipiona, Lebrija. Existem vários tipos de jerez, como os da foto abaixo.

O filósofo grego Estrabão registrou no livro III de sua série “Geografia”, que o cultivo da uva foi introduzido na região de Xerez da Fronteira pelos fenícios fundadores de Cádis por volta de 1100 a.C. Ou seja, o vinho Xerez tem uma cultura de mais de 3.100 anos, e dizem que é o mais antigo da Europa! Trata-se de um vinho único no mundo. E só para lembrar, a região é também a terra da música flamenco e do cavalo andaluz.
O VinePair, um conhecido site de vinhos, drinks e bebidas de Nova Iorque, recentemente publicou uma lista com os 10 destinos de enoturismo a visitar em 2019. A lista, preparada por Tim McKirdy, apresenta (em ordem decrescente, do 10o. ao 1o. lugar do “ ranking” sugerido pelo autor) a Moldávia, a Macedônia/Grécia, Valais/Suiça, Uruguai, Tasmania/Austrália, Israel, Elqui Vale/Chile, Provença/França, Finger Lakes/Nova Iorque/USA e em primeiro lugar, Jerez, Espanha – ou “Triângulo do Sherry” (o triângulo de envelhecimento xerez compost por Jerez, El Puerto e Sanlúcar), como o autor identifica. McKirdy completou sua lista dizendo que “Nós amamos Napa, Bordeaux e Toscana, mas queríamos destacar regiões além dos roteiros usuais. Dar um passo fora do caminho batido revela gemas escondidas e a oportunidade de produzir histórias instigantes do Instagram. ”



A atratividade da Andaluzia e seus vinhos acabou convencendo jornalistas e especialistas, que consideram o Sherry um dos melhores vinhos do mundo. Depois de ser incluída nas últimas três edições de 52 Places to Go do The New York Times, a web da VinePair agora se juntou à corrente de admiração. Esta lista, escolhida depois de analisar as tendências do turismo e os desenvolvimentos em todo o mundo, coloca o Marco de Jerez na posição número um dos 'dez primeiros' e recomenda visitar as regiões produtoras de Finger Lakes, em Nova York; Provence francês; o Vale do Elqui, no Chile; Israel, Tasmânia, na Austrália; Uruguai; Valais na Suíça; Macedônia; e, na décima e última posição do ranking, a Moldávia.
 O autor deste ranking, Tim McKirdy, está surpreso que, apesar de ser o favorito de profissionais e especialistas, o sherry ainda não aparecia com a popularidade de outras áreas produtoras como Napa Valley (Califórnia), Bordeaux (França) e Toscana (Itália). E mais ainda quando a Ruta del Vino e o Brandy del Marco de Jerez, dos quais o hotel Barceló Montecastillo faz parte, é a mais visitada do país, segundo o relatório elaborado pela Associação Espanhola de Cidades do Vinho (Acevin).
Neste sentido, para divulgar os vinhos de Jerez e pensar nos winelovers, o luxuoso resort de golfe Barceló Montecastillo concebeu a experiência do Enology Master. Graças aos enófilos que podem saborear em privado a vasta gama de sherries Lustau, graças à sua versatilidade tornaram-se uma referência no cocktail bar com vinho. Além disso, são vinhos que podem acompanhar um grande número de pratos, tanto da culinária tradicional quanto da cozinha mais vanguardista e internacional. Para provar isso, um par de alimentos está incluído no restaurante do hotel – venha conhecer a região e o mais antigo vinho do mundo.” 
Meu caro leitor ou leitora, lembro que entre as especialidades gastronômicas locais estão o gazpacho, tapas diversas, piparra, as migas, salmorejo, patatas a lo pobre e outras que combinam com os vários tipos de vinhos Jerez.  Um brinde aos amgios de Jerez!!

sábado, 12 de janeiro de 2019

Vinhateiros da Mantiqueira Paulista: Vinícola Entre Vilas, onde as uvas crescem entre amoras, lúpulos e framboesas, na calma da Frutopia


Por Rogerio Ruschel
Prezado leitor ou leitora, neste final de 2018 me refugiei em uma filial do Paraíso terrestre, na Mantiqueira Paulista, 180 Kms de São Paulo, um programa que rceomdno por ser criativo, diferente e muito relaxante. A Serra da Mantiqueira é um maciço montanhoso com mais de 500 Km de extensão que se espalha por 129 municipios de São Paulo, Rio de Janeiro e especialmente Minas Gerais, alcançando altitudes de até 2.798 metros. A parte paulista ocupa 30% e inclui a Pedra do Baú e as cidades de Campos de Jordão, Monteiro Lobato, Sao Bento do Sapucai, Pindamonhangaba, São Francisco Xavier e Santo Antonio do Pinhal (onde me hospedei na Quinta VistaBella Hospedaria), na denominada Região Turistica Mantiqueira Paulista.

A lista de atrações atende todos os tipos de visitantes: clima (que vai de 3 a 28 graus ao longo do ano); fauna e flora de mata atlântica e mata de araucária, com centenas de espécies de aves e orquideas; paisagens lindas com vales, riachos, bosques, montanhas, grutas, maciços florestais e jardins; cenários hipnotizantes como a Pedra do Baú e o Pico Agudo com vôos livres de 1.700 metros; arquitetura histórica em estações ferroviárias, palacetes, casas centenárias e igrejas coloniais; artesanato de qualidade com madeira, tecidos, barro, palha e flores; o Sítio do Pica-Pau Amarelo em Monteiro Lobato; museus como o de Felicia Leirner em Campos do Jordão (foto abaixo) e o curioso Museu da Mantiqueira (Muman), um museu virtual criado para preservar a memória cultural da comunidade de São Bento do Sapucai.
Uma das grandes atrações é a enogastronomia, onde pontuam delicias de comer & beber na forma da gastronomia caipira, geléias, conservas, frutas e mel; das trutas, carnes e fondues; cachaças, cervejas artesanais e chás; temperos, doces e salgados… E também queijos, azeites e vinhos – como os da Vinícola Entre Vilas, encravada na Frutopia. Explico.
Quando você estiver na região visite a Frutopia, uma iniciativa do engenheiro agrônomo Rodrigo Veraldi Ismael que vem construindo sonhos em São Bento do Sapucaí. Meu guia foi o amigo Victor Kiyhoara, da Concilife Mantiqueira, que está levando sua experiência de executivo da hotelaria e professor de turismo para a região. O Viveiro Frutopia é uma fazenda especializada na produção de mudas de frutas vermelhas e lúpulo para cervejas como Baden Baden e cervejeiros artesanais em um vale a 1600 metros acima do nível do mar. Com mais de 30 variedades de framboesas e amoras, a Frutopia é referência na produção de mudas e frutos e já tem fama internacional. Na foto abaixo estou com Rodrigo e Victor.

 
Pois com os aprendizados do viveiro Frutopia, Rodrigo Ismael decidiu   investir na produção de uvas de castas viníferas e desde 2008 começou a vinificar uvas como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Shiraz, Malbec e Pinot Noir. Os Vinhos Entre Vilas são produzidos se beneficiando da altitude de mais de 1.600 metros e das grandes amplitudes térmicas da primavera e verão, que ajudam a tornar as cascas das uvas mais espessas, levando a um vinho concentrado e cheio de personalidade.
Os vinhedos são protegidos por uma cobertura de “tessuto non tessuto” - a mesma que Galvão Bueno utiliza nos vinhedos de Merlot da campanha gaúcha - e os cachos são ensacadas para enfrentar eventuais ataques de insetos, porque Rodrigo quer que seus vinhos sejam os vinhos o mais natural possivel. Quando vi isso de longe (como na foto acima) me pareceu que as videiras estavam produzindo pessegos, que como morangos, utilizam esta técnica… 

A produção é artesanal, sem adição de sulfitos e a área de produção ainda é pequena, o que significa que, por enquanto os vinhos Entre Vilas ainda só estão disponiveis no restaurante próprio da vinicola. O restaurante trabalha com produtos locais e da estação e com o conceito de slowfood. Aliás, visitar a Entre Vilas e Frutopia requer que se vá sem pressa, para curtir o ambiente rústico mas qualificado, as boas cervejas e vinhos
Toda a pequena produção é consumida em poucas semanas o que repete um certo “clima” de Beuajolais noveau, porque os amigos fazem fila para comprar o que o Rodrigo produzir.  Para minha degustação Rodrigo Veraldi ofereceu um Shiraz 2015 de sua coleção privada, escondido para seu consume próprio. Um pouco frutado e com taninos médios mas com identidade, talvez por ser “quase orgânico”, um tinto seco escuro e concentrado, com notas terrosas, o shiraz me lembrou um pouco um Hermitage francês que havia bebido recentemente, que também se baseava nesta uva; um ótimo vinho das montanhas paulistas.

Na Mantiqueira Paulista ainda é possivel conhecer outros vinhateiros como a Vinícola Villa Santa Maria – que visitei e vou apresentar em breve – e as vinicolas Guaspari, em Espirito Santo do Pinhal e Ferreira, em Campos do Jordão e Piranguçú. E também produtores de azeite desta região, como a Oliq, onde fui recebido semana passada por um dos proprietários, o simpático Antônio Batista (foto acima), onde foi construido um receptivo simples, mas bem bacana e o lagar, com equipamentos de refino importados da Itália. Mas essas são outras histórias que vão ficar para outro dia.
 Saiba mais:
Frutopia e Vinhos Entre Vilas - https://www.entrevilas.com.br/vinicola
Uso da cobertura “tessuto non tessuto” de proteção dos vinhedos - http://www.invinoviajas.com/2017/08/a-vindima-magica-de-galvao-bueno/
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sábado, 8 de dezembro de 2018

Bueno Wines lança em Nova Iorque o Merlot Anima, o primeiro vinho brasileiro Gran Reserva, que desmente Michel Roland e confirma Fernando Pessoa.




Por Rogerio Ruschel, texto; fotos da Bueno Wine
Meu prezado leitor ou leitora, é preciso reconhecer que Galvão Bueno é um camarada corajoso. E bota corajoso nisso: sabe qual o grau de confiança que um produtor precisaria ter para apresentar seu novo vinho para os tres mais conhecidos, mais exigentes e mais temidos chefs do mundo? Pois é, no mínimo 1.000% de confiança no produto, porque se tiver menos do que isso pode perder o sono para o resto da vida e jogar fora anos de investimento e dedicação. 
Pois é, o cara é corajoso mesmo. Galvão Bueno e seu sócio, o milagroso enólogo italiano Roberto Cipresso, apresentaram o Anima, um Merlot Gran Reserva produzido em regime de sigilo absoluto durante quase cinco anos no terroir da Campanha Gaúcha, aos chefs Massimo Bottura, Joan Roca e Mauro Colagreco (os rapazes da foto abaixo) em um jantar exclusivissimo em Nova Iorque, dia 5 de dezembro. E sabe quem são estes três caras que degustaram, testaram e gostaram do Anima? Apenas os chefs Top números 1, 2 e 3 do Guia Michelin – aquele guia que constrói a fama (o equivalente a ganhar na mega-sena) ou destrói carreiras na área da enogastronomia a partir de uma pequena falha de concepção ou execução de um vinho ou uma receita.  

Pois eu entro nesta história desse jeito: ontem de manhã Galvão Bueno cumpriu a promessa que me havia feito em agosto de 2017 e me enviou uma garrafa desta raridade vinícola brasileira. Como na véspera eu tinha realizado um bem sucedido evento de lançamento de um livro de minha editora – um livro de padrão global sobre “O valor do mar”, com autores do Brasil e do exterior e mapas e fotos de alta qualidade – a chegada do Anima me pareceu uma mensagem quase divina de que coisas boas, feitas com coração, atraem coisas ótimas que também vêm do coração. Então, meu caro leitor ou leitora, minha Anima está em alto estado de elevação pelo belo e pelo delicioso.
Você e eu sabemos que o mundo do vinho é assim mesmo: grandes sonhos, grandes apostas, grandes riscos – e se tudo der certo – grandes resultados! Galvão Bueno confessa que ele é assim mesmo: “Trabalho motivado por paixões, por emoções, mas também por provocações”. Ou seja, encarando os riscos. Galvão tinha me dito mais de uma vez que queria comprovar a verdade de uma frase do enólogo frances Michel Roland que dizia que o problema do vinho brasileiro não é a qualidade, e sim, o preconceito. Pois o empresário, mesmo com a agenda de narrador esportivo na maior rede de televisão da America do Sul, encontrou tempo para criar o Anima por uma única razão: este é o assunto mais importante da vida dele, neste momento.

O novo merlot ganhou um nome que em latim significa alma e que representa o que Galvão e Cipresso acreditam ter conseguido colocar dentro da garrafa. Mais do que isso, o nome é uma homenagem à uva Merlot, a que, segundo eles, a que melhor representa a alma dos vinhos da Campanha gaúcha. Mas é justo informar que tem muito trabalho e investimento por trás desta coragem do Galvão. Para poder ser “um vinho da vitivinicultura de ponta no Brasil”, o Anima Gran Reserva foi tratado como um filho especial desde pequeninho – apesar de ser o 12o. rótulo da empresa. Para ele nascer e crescer forte e saudável, a Bueno Wines trouxe para o Brasil a tecnologia “tessuto non tessuto”, uma cobertura têxtil que deixa passar água e a evaporação, mas reflete o sol em um vinhedo e construiu uma central meteorológica própria, completa, exclusiva, única do Brasil. 

Se nasceu forte e saudável, o novo Anima Merlot Gran Reserva vai ser distribuído em berço esplêndido: a nova estrutura comercial própria, altamente seletiva, que a BW vem montando a partir da chegada de um novo sócio, Dougjas Delamar, em 2018. E também vai se beneficiar com a dedicação full-time da nova CEO, Leticia Galvão Bueno, filha e gestora dos negócios de Galvão, que está promovendo a revoilução. Galvão é o chairman e participa das principas decisões da empresa, especialmente as relacionadas aos produtos. Esta é a parte boa do negócio, aquela que Galvão Bueno realmente aprecia e à qual agora já pode se dedicar integralmente: os produtos. E ele fez algo realmkente bom. O Anima Merlot Gran Reserva é o primeiro vinho brasileiro denominado como Gran Reserva. É brilhante, de coloração rubi profundo, tem aroma de frutas negras maduras com cassis, baunilha e senti também tabaco e chocolate. É muito estruturado e permanece na boca de maneira aromática e persistente. Enfim, é o que se esperaria de um Merlot Gran Reserva de classe global. 

Galvão está tão animado com o Anima Marlot Gran Reserva que desenvolveu um rótulo com mensagem em realidade ampliada, que você lê com um app do seu telemóvel para assistir um video com uma mensagem animadissima dele. Como se diz no meu Rio Grande do Sul (onde Galvão usa alpargatas prá se sentir mais próximo da terra e das uvas) Galvão Bueno está mais feliz com o novo vinho que guri de bombacha nova! Ou, como estou em época de prestigiar o mar e os rios no meu livro novo, ele está tão feliz como lambari de sanga!

O Anima está à venda em Nova Iorque e no Brasil – mas aqui só no site da Bueno Wines e em regime de vendas antecipadas, por R$ 529, 90 a garrafa. Achou caro para um vinho brasileiro? Desminta Michel Roland - mostre que o brasileiro não tem preconceito com vinhos brasileiros - e confirme Fernando Pessoa, mostre que tudo vale a pena quando a alma não é pequena...

Saiba porque Galvão Bueno é apaixonado por vinhos: http://www.invinoviajas.com/2017/08/a-vindima-magica-de-galvao-bueno/
Veja como Leticia Galvão Bueno está dirigindo a Bueno Wines: http://www.invinoviajas.com/2018/11/leticia-galvao-bueno/
Conheça Roberto Cipresso, o enólogo da Buenjoi Wines: http://www.invinoviajas.com/2015/11/conheca-roberto-cipresso-o-criador-dos/