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terça-feira, 6 de novembro de 2018

Tudo sobre o Dia Mundial do Enoturismo no Brasil de 9 a 13 de novembro; aproveite para passear, comer, beber, contemplar e aprender sobre a cultura do vinho




Estimado leitor ou leitora, vamos compartilhar o interesse pela envolvente cultura do vinho com a celebração do Dia Mundial do Enoturismo. Como informa o Ibravin, “a festividade ocorre no segundo domingo de novembro, quando se comemorava apenas o Dia Europeu do Enoturismo, ação alusiva que incentivou produtores de outros continentes a aderirem a causa mundial. Nesta primeira edição, além do Brasil, países como Itália, França, Portugal, Espanha, Uruguai, Argentina e Chile também promovem atividades. A iniciativa é realizada pela Rede Europeia de Cidades do Vinho (Recevin) e foi introduzida no Brasil pela Associação Internacional de Enoturismo (Aenotur). A programação nacional contou com o estímulo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).

Para a estreia, empreendimentos da Serra e da Campanha Gaúcha e do Roteiro de São Roque, em São Paulo, se organizaram de forma individual e/ou através de apoio público e de entidades representativas. Neste ano, 17 ações nacionais em alusão a data serão promovidas de 9 a 13 de novembro. Na programação estão desde curso de cortes de carnes com almoço harmonizado, venda de vinho a preço de custo, exposição de arte em meio aos vinhedos, passeio de trator, degustações temáticas, exibição de filme em vinícola, sunset (festa realizada no vespertino) e até seminário de enoturismo. Para realizar atividades em homenagem ao Dia Mundial do Enoturismo, todo empreendimento que estiver inserido em roteiro pode promover ações em prol da iniciativa.

“O Ibravin estimula o setor para que vinícolas, hotéis, restaurantes e lojas localizados em roteiros enoturísticos comemorem e desenvolvam atividades específicas para a data. A participação brasileira no Dia Mundial do Enoturismo faz com que a gente se conecte a países tradicionais no turismo do vinho, mostrando que o Brasil também oferece boas opções enoturísticas e está inserido no mapa mundial da atividade”, explica Diego Bertolini, gerente de Promoção do Ibravin.

Confira abaixo algumas atividades realizadas nos municípios gaúchos de Bento Gonçalves, Garibaldi, Farroupilha, Flores da Cunha e Santana do Livramento e na cidade paulista de São Roque, em alusão ao Dia Mundial do Enoturismo, celebrado, neste ano, no próximo domingo (12). A programação está sujeita as alterações. Consulte os empreendimentos em caso de chuva.”   
   
BENTO GONÇALVES (RS)

Degustação de produtos ícones nos vinhedos
Onde: Vinícola Casa Valduga
Quando: dias 9 e 10, às 15h, e dia 11, às 14h
Valor: R$ 120 por pessoa
Descrição: Visitação na vinícola e degustação inédita em meio aos vinhedos de vinhos e espumantes ícones da marca (130 Blanc de Blancs, 130 Blanc de Noir, 130 Rosé, Gran Chardonnay D.O., Gran Raízes, Storia). O valor inclui uma taça de cristal. Máximo de 12 pessoas por grupo.
Reservas:
É necessário agendamento prévio pelo (54) 2105.3122  ou cursos@casavalduga.com.br

Passeio de trator pelos vinhedos
Onde: Vinícola Dom Cândido
Quando:
dia 10, às 10h, às 14h e às 16h
Valor:
R$ 70 por pessoa
Descrição:
Passeio de trator
até os parreiras, na companhia de um dos proprietários da vinícola. Serão apresentados os espaços da propriedade e a história familiar, com parada para apreciar a paisagem, com espumante e tábua de frios. No retorno, haverá uma degustação de seis rótulos de vinhos e espumantes na loja do empreendimento. O participante será presenteado com uma taça personalizada. A duração aproximada é de uma hora. Máximo de 10 pessoas por grupo.
Reservas: É necessário agendamento prévio pelo (54) 2521.3500, (54) 9.9976.8840 ou pelo
varejo@domcandido.com.br

Passeio terroir
Onde: Vinícola Cainelli
Quando: dias 10 e 11, das 9h30min às 11h e das 13h30min às 17h
Valor: R$ 50 por pessoa
Descrição
: Passeio a bordo do Winetuc, onde o visitante aprenderá sobre o que é terroir em meio aos vinhedos, conhecendo o solo e o clima local através do contato direto com nosso viticultor. No retorno, haverá uma visita ao museu centenário da vinícola para conhecer a história da família, seguida de degustação no deck com os vinhos que representam o terroir local. O passeio tem duração aproximada de 90 minutos.
Reservas:
É necessário agendamento prévio pelo (54) 3458.1441, (54) 9.9642.6245 ou pelo contato@vinicolacainelli.com.br

Visita ao museu e degustação
Onde:
Vinícola Cainelli
Quando: 11, das 9h30min às 11h e das 13h30min às 17h
Valor: gratuito
Descrição: em comemoração ao Dia Mundial do Enoturismo, a vinícola oferecerá a experiência de forma gratuita aos visitantes. Nesta opção, além de visitar o museu centenário da vinícola para conhecer a história da família, são degustados três rótulos entre oito variedades diferentes de vinhos e espumantes.
Reservas:
É necessário agendamento prévio pelo (54) 3458.1441, (54) 9.9642.6245 ou pelo contato@vinicolacainelli.com.br

Secreto de Los Asados       
Onde: Vinícola Lovara           
Quando: dia 10, das 10h às 14h       
Valor: R$ 200 por pessoa ou R$ 380 por casal        
Descrição: a vinícola promoverá um curso sobre a culinária dos pampas em meio ao vinhedos, seguido de almoço preparado em fogo de chão, harmonizado com vinhos e espumantes. Mais do que a história do churrasco e do povo gaúcho, o chef parrillero Demétrios Richter da Silva ensinará sobre qualidade da carne, mercado nacional e internacional, seleção genética dos animais, parrilla, fogo, cortes argentinos e uruguaios, ponto de cocção, desossa e sete tipos de cortes.                
Reservas:
É necessário agendamento prévio pelo (54) 2102.9005 ou eventos@lovara.com.br

Degustação Raridades       
Onde: Lidio Carraro Vinícola Boutique        
Quando: dias 10 e 11, às 9h 
Valor: R$ 120 por pessoa      
Descrição: Degustação de 12 produtos: seis das linhas Premium, três das Top Premium e três rótulos “Raridades”.  
Reservas: A
gendamento prévio até o dia 9, pelo (54) 2105.2555 ou pelo (54) 9.9600.8740

Exposição de arte
Onde:
Vinícola Miolo
Quando:
dia 11, das 11h às 17h
Valor:
entrada franca
Descrição:
exposição de fotografias e pinturas (aquarela) enológicas em meio aos jardins e vinhedos da vinícola.
Não é necessário fazer reserva.

Vinhos gaúchos a preço de custo
Onde: Restaurante GURI – Cozinha de Origem
Quando: dia 11, das 12h às 15h
Valor: entrada franca (apenas consumação)
Descrição: os clientes que optarem pelos pratos à la carte ou pelo Menu de Origem pagam preço de custo nos vinhos gaúchos ou levando rótulos brasileiros de casa não pagam a rolha.
Reservas: Agendamento pelo
(54) 3459.1084 ou pelo (51) 9.9525.0303

GARIBALDI (RS)

Dia Mundial do Enoturismo em Garibaldi         
Onde
: Vinícola Peterlongo    
Quando: dia 11, das 15h às 20h       
Valor: entrada franca
Descrição: vinhos, food trucks, shows e carros antigos estarão reunidos nos jardins da vinícola para celebrar o Dia Mundial do Enoturismo. O evento organizado pela Secretaria Municipal de Turismo e Cultura e pela Rota dos Espumantes brindará a data com o símbolo da cidade: o espumante. Serão vendidos os produtos das vinícolas Casa Pedrucci, Domno, Garibaldi, Peterlongo e Santa Bárbara. Haverá shows com os garibaldenses Eduardo Segabinazzi (15h), Lela Rosanelli (16h) e banda Mad Mary (17h). Em caso de mau tempo, o evento ocorrerá no interior da vinícola.       
Não é necessário fazer reserva.

Wine Movie
Onde:
Vinícola Peterlongo
Quando: dia 10, das 19h às 23h
Valor: antecipado, R$ 40. No local (sujeito à disponibilidade), R$ 50
Pontos de venda: varejo da Vinícola Peterlongo ou pelo site sympla.com.br
Descrição: Exibição do filme “Todos os caminhos levam a Roma”, nos jardins da vinícola (em caso de chuva, é realizado na parte interna). O ingresso inclui uma pipoca, uma taça personalizada e uma dose de vinho ou espumante. Haverá venda de produtos da marca e food truck.

10º Garibaldi Vintage        
Onde:
Centro Histórico de Garibaldi
Quando: dia 9, a partir das 19h        
Valor: entrada franca
Descrição: O evento possui a temática das décadas de 1920 a 1960 e encanta turistas e moradores. Ao longo da Rua Buarque de Macedo, o público pode encontrar gastronomia, espumantes e shows. A presença de diversos carros antigos e a caracterização de parte do público, lembrando o período homenageado, também são destaques.           

FLORES DA CUNHA (RS)

Spuntino in giardino
Onde:
Vinícola Casa Gazzaro
Quando:
dia 11, das 10h às 18h
Valor: R$ 30 a R$ 60 (inclui um rótulo e brusquetas)
Descrição: Com os dias quentes, cresce a vontade de desfrutar de atividades ar livre, que envolvam a natureza. Para aproveitar esse momento, a vinícola oferecerá na compra de um vinho ou espumante, seis brusquetas para serem saboreadas nos jardins da vinícola.
Reserva: agendamentos pelo (54) 3292.4455 ou (54) 9.9947.3145

Faça degustação e ganhe uma taça
Onde:
Vinícola Viapiana
Quando: dia 11, das 10h às 15h
Valor: R$ 25 (revertidos em compras no varejo da vinícola)
Descrição: em comemoração à data, o visitante que realizar o tour pela vinícola e fizer a degustação tradicional com cinco rótulos, ganha uma taça colorida.
Não é necessário fazer reserva.

Degustação às cegas
Onde:
Vinícola Panizzon
Quando: dia 10 (das 9h30min às 12h e das 13h às 17h), dia 11 (das 9h30min às 15h, sem fechar ao meio-dia), e dia 12 (das 9h às 11h45min e das 13h30min às 17h30min)
Valor:
gratuito
Descrição:
degustação às cegas de quatro vinhos para identificar a variedade de cada rótulo.
Não é necessário fazer reserva.

FARROUPILHA (RS)
Tasting Day
Onde: Vinícola Casa Perini
Quando: dia 10, das 16h às 22h
Valor: R$ 190 por pessoa
Pontos de venda: ingressos antecipados devem ser adquiridos no Empório Casa Perini em Farroupilha, no site
ticketmais.com.br, nas lojas Gang de Caxias do Sul e de Porto Alegre, na Academia Prime Fitness ou nas lojas Boarstore (Farroupilha) e Guria Guria (Bento Gonçalves)
Descrição: Sunset enogastronômico open bar e food nos jardins da vinícola. Mais de 30 rótulos de vinhos e espumantes, drinks e ilhas gastronômicas.

SANTANA DO LIVRAMENTO (RS)       

Seminário Binacional de Enoturismo     
Onde:
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul Riograndense (IFSul)       
Quando: dia 13, das 13h às 18h       
Valor: entrada franca            
Descrição: o evento aberto ao público busca estimular o incremento dos negócios vitivinícolas por meio do turismo e apostar no enoturismo como foco de experiências para os turistas nacionais e internacionais. A ideia é que as vinícolas explorem o turismo através de outras atividades, além da produção de vinhos e espumantes, com roteiros de charme, hotéis boutique e gastronomia, valorizando produtos regionais. A iniciativa é do Sebrae/RS, em parceria com o Senac, Ibravin e Festival Binacional de Enogastronomia.
Reservas: agendamentos até o dia 12, pelo (55) 3412.4694 ou pelo monicag@sebraers.com.br

SÃO ROQUE (SP)

Ganhe uma garrafa de vinho
Onde: Restaurantes Português e Italiano da Vila Don Patto
Quando: dias 10 e 11, das 11h30min às 17h30min
Valor: entrada franca (apenas consumação)
Descrição: as primeiras 10 mesas que chegarem em cada um dos restaurantes Português e Italiano da Vila Don Patto, em cada dia da ação, serão presentadas com uma garrafa de vinho.
Reservas: agendamento pelo (11) 4711.3001 ou pelo (11) 9.8804.6035

sábado, 27 de outubro de 2018

Aprendendo a tirar tanino forte de uva de casca fina: memórias “Pinot Noir” da turma 53 do curso de certificação da Sommelier School, em São Paulo


Por Rogerio Ruschel
Meu prezado leitor ou leitora, passei um fim de semana me sentindo uma uva Pinot Noir. Explico. Quanto mais tempo o sumo da uva tinta ficar em contato com a casca durante a fermentação, mais estrutura, com tanino e cor o vinho poderá ter. Algumas uvas, como a Pinot Noir, tem a casca mais fina e é necessário mais tempo de contato com o sumo para se obter cor e taninos. Pois isso foi o que aconteceu comigo - e provavelmente com alguns dos meus 16 colegas da turma 53 do curso Nível 1 do curso de Formação de Sommelier Internacional da ISG. No fim de semana estudei muito, fiquei por horas em contato com a apostila do curso para “pegar estrutura e tanino” e poder enfrentar a prova final. 
O curso da ISG - International Sommelier Guild, representada com exclusividade no Brasil pela Sommelier School de São Paulo, tem três níveis com dificuldades crescentes e é aceita internacionalmente, como me disse Marcelo Asnis, um dos diretores. Fiz o 1o. Nível – Intermediate Wine Certificate que tem 24 horas-aula e a degustação de 48 vinhos (alguns deles na foto abaixo). No final enfrenta-se uma prova com 60 questões e uma degustação cega onde temos que adivinhar tudo. O professor foi o jornalista Beto Duarte. O Nível 2 – 16 aulas (96 vinhos) e Nível 3 – 32 aulas (451 vinhos), qualifica e prepara os alunos para os títulos de “Master of Wine” e “Master Sommelier Internacional”. 

No início me parecia fácil, afinal há muitos anos leio, pesquiso, entrevisto, visito, degusto e escrevo sobre vinhos. Mas preferi passar pela “sessão Pinot Noir”.  A apostila do curso (aliás muito interessante e divertida de ler) tem quase 200 páginas e inclui não só as características das principais uvas, mas o perfil de solos e terroirs, o detalhamento de processos industriais, vocabulário especializado e um imenso conjunto de características dos vinhos. Que tal identificar uma uva a partir da descrição de suas bagas e cachos, pelo tipo de doença que pode enfentar ou sua preferência por tipo de solo? E saber quais as diferenças entre vinhos da mesma uva produzidos em uma região do Novo Mundo e do Velho Mundo?  Por isso tive que ler e reler a apostila de 200 páginas, repassar os slides e rever as fichas de degustação durante o fim de semana. No momento em que escrevo esta matéria ainda não tenho o resultado, porque a correção das provas é feita na sede da ISG, nos Estados Unidos. Mas acho que fui bem, vamos esperar. 

 Dividi esta experiência com 16 colegas (acima), com diferentes objetivos. Marcos Buturi, especialista em carnes, gestor da área de restaurantes da JBS, é um enófilo com grande capacidade olfativa e uma bela adega em casa, e fez o curso apenas por prazer pessoal, não pretende ser sommelier. “Vinho é uma eterna descoberta de novas experiências e sabores, é um prazer interminável, por isso quero conhecer melhor”, afirma. A bancária Fernanda Eiko Kinoshita também fez o curso por prazer pessoal, mas não descarta a possibilidade de fazer o Nivel 2 e trabalhar profissionalmente com vinhos.
O argentino Gustavo Gamarra é garçon em um restaurante italiano de São Paulo e acredita que o curso pode ajudá-lo profissionalmente. “Não penso em me tornar imediatamente um sommelier, porque nem todos os restaurantes podem ter um sommelier, mas se for um garçon promovido a maitre, fico mais próximo do sommelier”, diz. No sentido contrario, o brasileiro Guilherme Segantini morou na Argentina onde se apaixonou por vinhos, fez vários cursos, mas decidiu fazer o curso em São Paulo para ter um conhecimento mais amplo do mercado internacional. “Na Argentina até tres anos atrás era proibitivo importar vinhos, então só se trabalhava com vinhos argentinos; agora quero ampliar meus conhecimentos”. 

Mas o curso atende outros objetivos. O casal Luis Marcelo Pioli e Crisley Fernandes de Andrade Pioli moram em Jacutinga, no sul de Minas Gerais, onde produzem café. No municipio da “capital nacional da malha” e estância hidromineral, há tres anos estão trabalhando para produzir vinhos, o que deve se realizar a partir do ano 2020. Com assessoria dos agrônomos de sua equipe, plantaram Syrah, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir. Estão fazendo o curso para aperfeiçoar os conhecimentos e se preparar para as próximas etapas do negócio, porque, como diz Luis, “exportamos café e conhecemos pessoas do ramo, mas precisamos estudar muito para fazer vinhos com qualidade para mercados internacionais”. 

Georgio Robert também não pretende ser sommelier, mas como trabalha com vendas em uma importadora de vinhos, acredita que a certificação da Wine Certification vai ajudá-lo a atender melhor seus clientes e a abrir mercado para ser um educador sobre o assunto. E Marcia M. Novais, que atualmente trabalha em uma loja de shopping center, faz o curso para “agregar valor ao que gosto” como diz. E acrescenta: “Adoro vinhos. Vinho é muito criativo e eu adoro novidades. Quando você conhece vinhos tem menos pena de investir em qualidade.” Quando janta com o namorado, ela é quem escolhe o vinho, informa com uma indisfarçável alegria. 
O que com certeza aprendi no curso é que o mundo da vitivinicultura oferece possibilidades para pessoas de bom gosto de diversas maneiras. Brindo a isso e a todos que investem em conhecimento para melhorar sua vida, seja profissionalmente, seja emocionalmente. Caros companheiros e companheiras da 53, tim-tim!
 

sábado, 13 de outubro de 2018

In Vino Viajas ultrapassa a marca de 2,5 milhões de leitores, com 250.343 acessos em agosto, mais de 8.300 page-views por dia!


Por Rogerio Ruschel
Meu prezado leitor ou leitora, neste mes de outubro estou de aniversário e ganhei um belo presente dos meus leitores: conforme o site Easy Counter, que faz relatórios para a indústria da internet, meu blogue In Vino Viajas atingiu 2.508.224 page-views em pouco mais de seis anos! Veja o destaque na imagem de abertura.
Veja também, indicado por setas, que nos últimos dois meses os acessos foram de 250.343 em agosto (8.344 page-views por dia), e de 100.705 em setembro (3.356 page-views por dia). Apenas como referência, a Vinicola Aurora e a Miolo – duas das maiores vinicolas do Brasil - registraram cerca de 550 page-views diários no mes passado, e a Vinicola Garibaldi registrou 1.650 page-views/dia. Veja abaixo. 
Esta é mais uma prova de que bom jornalismo tem audiência e interesse, no mundo todo.
 

Atualmente In Vino Viajas está presente em duas plataformas:
1.      Na Blogspot, criado em maio de 2012 (www.invinoviajas.blogspot.com.br), sobre o qual publiquei os dados acima.
2.     na WordPress, criada em janeiro de 2017 para ser uma plataforma internacional (www.invinoviajas.com) que contém todo o conteúdo do blogue na plataforma blogspot além de outros. Atualmente são 536 reportagens publicadas, cerca de 14.000 acessos por mes, e continua crescendo.
Além dos milhares de leitores nos blogues In Vino Viajas em Português, também escrevo em uma coluna no portal especializado espanhol Vinetur. Em julho de 2018 publiquei uma entrevista exclusiva com José Peñin, criador e presidente do famoso Guia Peñin de vinhos da Espanha, que teve mais de 3.500 acessos em uma semana – veja aqui: https://www.vinetur.com/posts/3465-jose-penin-exclusivo-nuestro-gran-patrimonio-es-el-numero-de-vinas-viejas-de-variedades-autoctonas-el-negativo-es.html

Campanha ousada promove o vinho do Brasil para os brasileiros, do jeito que eles são: alegres, descontraídos, informais e divertidos

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Por Rogerio Ruschel
Meu prezado leitor ou leitora, proponho um brinde ao Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) que finalmente assumiu suas próprias pesquisas e se convenceu de que o vinho brasileiro pode (e deve) ter “a cara” dos brasileiros - e não mais utilizar a cartilha formal dos vinhos europeus.
Há séculos os produtores de vinhos europeus usam o marketing para transformar o vinho em uma bebida para “momentos especiais”, que deve ser consumida com alimentos especiais. Alegam que sofisticando o consumo se pode “agregar valor”, mas isso é capitalismo Brut com marketing Reserva para justificar preços abusivos e elitistas. Por exemplo: qual o argumento racional que justifica uma garrafa de vinho custar R$ 42.000,00?  Isso só é possivel quando atitudes emocionais superam a racionalidade. O problema é que a base de consumidores não está se renovando, e a indústria europeia só sobrevive porque mercados gigantescos como a China abriram os portões. E no Brasil há muito tempo  perdemos a batalha de mercado de vinhos finos de mesa para os importados, como mostra o quadro abaixo.

Os produtores dos Estados Unidos, especialmente da California, apostam muito mais em qualidade (e gastronomia, lazer e turismo) do que em sofisticação artificial com os tais “momentos especiais”. E em menos de 30 anos se transformaram no maior mercado consumidor do mundo, um dos que mais recebe enoturistas e um dos mais importantes países produtores. Eles entenderam que para aumentar a margem é preciso aumentar o volume, e para aumentar o volume é necessário conquistar novos consumiodores diariamente, simples assim. Já publiquei aqui no In Vino Viajas os resultados desta estratégia, veja o link no final do texto. E já publiquei também como funcionam duas armadilhas psicológicas da propaganda que enganam seu cérebro e fazem você comprar produtos e vinhos mais caros: o Efeito Placebo e o Efeito Halo, veja no fim deste texto.  
Pois pesquisas de vários lugares do mundo vem indicando que este caminho da superficialidade e sofisticação não está criando mercados e não se sustenta a longo prazo. Pesquisas também informam que as novas gerações de consumidores – Millenials e outros - estão preferindo bebidas mais econômicas e criativas, como as energéticas que “dão asas”. O Ibravin já sabia disso há muito tempo (algumas destas pesquisas estão em seu site desde 2008 - veja o link no fim deste texto), mas só agora decidiu enfrentar o comodismo.
Reconheço que o Instituto Brasileiro do Vinho está tomando uma louvável iniciativa ao romper a inércia e nadar contra a correnteza. O Instituto vai tomar uma série de iniciativas para promover o aumento da base de consumidores de vinho no Brasil, focando especialmente nos  Millennials, o grupo de consumidores nascidos nas décadas de 1980 e 1990 e responsáveis por 52% do poder de compra no mercado interno brasileiro.
O objetivo, conforme Oscar Ló, presidente, é “desmistificar o processo de escolha e consumo de vinho e levar uma mensagem mais leve, descontraída e menos burocrática da bebida”. Perfeito: na hora em que vamos retomar o crescimento, vamos criar novas relações conosco mesmo e talvez conseguir competir de verdade com a invasão do Mercosul. Cumprimento pela coragem porque o Ibravin vai enfrentar fogo amigo, mercado travado, produtores inertes – e especialmente a crítica de sommeliers, consultores e “blogueiros de vinho” que vivem de foografar “rótulos” importados recomendando harmonização com gastronomia esotérica. Eles vão chiar.
O gerente de Promoção do Ibravin, Diego Bertolini, informa que entre as estratégias para atrair este público estarão eventos de promoção para consumidores finais, ações com influenciadores e formadores de opinião (caso solicitem apoiarei) e uma campanha publicitária intitulada “Seu Vinho, Suas Regras”, que rompe conceitos de degustação formal do vinho, “impactando 55 milhões de pessoas só neste mês de agosto”. Está ótimo, boa sorte. Mas espero que o Ibravin insista na estratégia até que ela comece a dar resultados, o que leva tempo porque não se muda comportamento de consumo a curto prazo, especialmente depois de passar anos a fio dizendo o contrário e treinando garçons e sommeliers a sofisticarem a escolha do vinho nas mesas.
E quero lembrar também que uma comunicação e promoção de guerrilha, corajosa como essa, requer uma distribuição de guerrilha: não dá para competir com os “reservados” no território deles, que são as pontas de gôndola em supermercados que compram por containeres e operam por preço. Diego Bertolini do Ibravin vai ter que se esforçar para mobilizar os produtores brasileiros a também sairem do armário, digo da inércia, e criarem novas formas de distribuição, mais próximas dos Millenials.
O vídeo da campanha publicitária “Seu Vinho, Suas Regras” pode ser conferido no Facebook e no Instagram dos Vinhos do Brasil ou no canal do YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=czW1D2bjByw. A campanha é bacana, mas faço uma ressalva sobre os anúncios: eles mostram pessoas sozinhas, mocinhas simpáticas com garrafas. Ora, os Millenials se caracterizam por socializar em Grupos e vinho é bom quando se toma com amigos. Então porque mostrar o consumidor (ou consumidora) sozinha, como uma pessoa solitária? E precisava estar com um maldito canudinho, o vilão ecológico da hora?

Meu caro leitor ou leitora, beba o vinho que você quiser, quando quiser. Escolha seus vinhos com suas regras. O melhor vinho é aquele que você gosta, e que bebe com os amigos. E o mais confiável é aquele que agrega valor por representar os valores do território e da comunidade que o produziu - e não de uma corporação sem nome, sem pátria e sem alma. Brindo a isso.

Entrevista exclusiva com José Peñin, do Guia Peñin, uma lenda viva da vitivinicultura espanhola e europeia.


Por Rogerio Ruschel


EXCLUSIVO - Meu caro leitor ou leitora, mais uma vez In Vino Viajas faz jornalismo de qualidade com essa entrevista exclusiva com José Peñin, fundador e presidente do Guia Peñin, uma das mais importantes personalidades do vinho da Espanha e da Europa. Esta entrevista está disponível em espanhol aqui: http://www.invinoviajas.com/2018/07/jose-penin-nuestro-gran-patrimonio/



José Peñin, nascido em 1943 em Santa Colomba de la Vega, La Bañeza, León, e apreciador de vinhos com as uvas prieto picudo e mencía, da região de sua infância, é uma lenda viva da vitivinicultura espanhola e mundial, um pioneiro de grande respeito e credibilidade. Em 1975, com 32 anos, comprou um Land Rover e começou a percorrer as vinícolas da Espanha. Foi o primeiro a criar um lagar, o primeiro a criar um clube de vinhos, o primeiro a fazer um guia de vinícolas e também o primeiro a avaliar vinhos e colocá-los em um guia – a primeira edição foi publicada em 1990. Na foto de abertura, foto de Penin publicada por el blog “Dastatu Rioja Alavesa” durante una entrevista para fortalecer la Candidatura del Paisaje cultural del vino y el viñedo de La Rioja y Rioja Alavesa a Patrimonio de la Humanidad de la UNESCO.



Dizem que Peñin já degustou mais de um milhão de vinhos. Pode ser exagero, mas ele mesmo diz que já visitou quase todas as regiões vinícolas do mundo como um excelente escritor, palestrante, consultor, membro prestigiado de diferentes júris internacionais, e ganhador de inúmeros prêmios por sua atuação profissional de 40 anos na indústria do vinho. Atualmente o Guia Peñín tem uma equipe reconhecida de especialistas que avaliam cerca de 11.000 vinhos por ano e publicam os resultados em espanhol, inglês, francês e alemão. O guia é um dos mais importantes do mundo e tem sido utilizado como uma alavanca estratégica para a Espanha conquistar e manter seu lugar entre os três maiores países produtores e exportadores de vinhos do mundo. Este ano o Guia Peñin já realizou salões (mostras gigantescas de produtores espanhóis) em Nova Iorque, Tóquio, Moscou e México City, além dos Salões na Espanha; e em breve estará novamente na China.

In Vino Viajas é o primeiro veiculo de comunicação do Brasil a publicar uma entrevista exclusiva com o Mestre José Peñin, feito do qual muito me orgulho, com perdão dos meus estimados leitores. Veja a seguir.



R. Ruschel - Como surgiu a sua abordagem ao mundo dos vinhos? Foi inspirado pela família, por amigos da Faculdade ou por acaso? Você tem herdeiros com a mesma paixão?


José Peñin - Foi com alguns amigos que criamos um clube de vendas de vinho por correspondência, com entregas pelo correio, em 1975. A intenção era puramente comercial. Infelizmente, meus filhos não entraram nessa cultura em nível profissional.

R. Ruschel - Na trajetória de mais de 25 anos do Guia Peñin, quais são as principais dificuldades que você enfrentou para fazer o Guia Peñin se transformar no sucesso que você tem hoje? E quais foram os momentos mais gratificantes?


José Peñin - Tive muita sorte na primeira edição que foi paga por um grande banco espanhol. Esta iniciativa permitiu conhecer os vinhos espanhóis com avaliação de qualidade pelos consumidores. Eram tempos com pouca informação sobre marcas de vinho. Eu não queria criar um livro pessoal, mas um vademécum que orientasse o consumidor. Por esse motivo e desde então, contabilizamos duas vezes o número de marcas do segundo guia de vinhos da Espanha. Os momentos mais gratificantes foram verificar que as vinícolas assimilaram melhor as críticas do que eu pensava. Talvez tenha sido o modelo de crítica, em um país que, como o nosso, onde as formas são tão importantes quanto o conteúdo em si.



R. Ruschel - Você disse recentemente que os vinhos que mais te entusiasmam hoje são os das aldeias, os vinhos da terra. Por quê? Você pode destacar qualquer região, tipo de uva ou um produtor em particular?


José Peñin - Em geral, os vinhos que mais me entusiasmam são os das áreas mais selvagens, com vinhas velhas e que durante décadas não foram trabalhadas e, portanto, ainda são mais virgens. Eles são principalmente vinhedos em áreas mais acidentadas com mato e floresta, dificeis.


R. Ruschel - Atualmente, qual é a atividade que você mais gosta: degustar vinhos já consolidados, descobrir novos vinhos ou escrever sobre o mundo do vinho?


José Peñin - Sempre gostei de escrever e descobrir novos vinhos ou novas experiências de vinho, mais do que beber os vinhos já consolidados.

R. Ruschel - Você é o autor e/ou editor de muitos livros. Qual deles deu mais prazer em ver pronto? Qual é o livro que você gostaria de ter escrito e ainda não escreveu?


José Peñin - Talvez o livro que mais me satisfez foi “12 Grandes Bodegas”, um livro que se refere às vinícolas mais antigas da Espanha, ainda em atividade. O livro que estou escrevendo agora é sobre minhas lembranças de 43 anos no mundo do vinho. Não se esqueça que este período coincidentemente tem sido a revolução do vinho em todo o mundo, não só em Espanha.

R. Ruschel - Você visitou muitos territórios de produção de vinho. Na sua opinião, quais são as três regiões vinícolas mais bonitas da Espanha? E do mundo?


José Peñin - Na Espanha, por sua orografia variada, há muitas paisagens evocativas. É possível que El Priorat, na Catalunha e El Bierzo, em León ainda me fazem parar para contemplá-las.


R. Ruschel - Quais são os principais aspectos positivos, facilidades e oportunidades dos vinhos espanhóis no contexto internacional? E quais são os principais aspectos negativos, as dificuldades, limitações?


José Peñin - O aspecto positivo é a grande variedade de estilos e marcas de qualidade dos vinhos espanhóis. Temos uvas evinhos para todo tipo de envelhecimento, de variedade, para todo tipo de clima, para sua multiplicidade de solos e para nosso grande património, único do mundo, que é ter o maior número de vinhas velhas relacionadas com variedades autóctones. O aspecto negativo é que o produtor de vinho espanhol não sabe vender bem o seu produto.


R. Ruschel - Quais são os principais desafios que os vinhos da Espanha enfrentarão em geral, nos próximos 10 anos?


José Peñin -  Conseguir maior competitividade em relação a outros países na promoção e comercialização e também que as Comunidades Autônomas espanholas tenham um objetivo comum de promoção para evitar a promoção solitária.






Veja a imagem acima. José Peñin sempre teve independência intelectual e cresceu fazendo alianças, mas sem depender de favores das vinícolas. No caso em que é um vinho sem permissão para identificar o DO, em uma caixa, da borda da estrada: quantos sommeliers você sabe quem recomendaria um "pecado" tão grande em seu próprio blog?

Recentemente perguntado sobre o que o emociona mais neste mundo de vinho, Peñin respondeu: "O discurso sincero de pessoas que respeitam a paisagem. Respeitar a paisagem significa avaliar tudo o que a paisagem lhe proporciona. Tudo Árvores, arbustos, plantas silvestres e, acima de tudo, a videira. Que esta vinha é cultivada naquela paisagem selvagem é o que determina um caráter para o vinho que não tem um vinhedo geométrico, instalado com todas as precauções agronômicas ".

Brindo a José Peñin pelos valores que professa e por sua percepção, dedicação e coragem.


In Vino Viajas já publicou mais de 50 reportagens sobre cultura do vinho na Espanha. Algumas delas estão aqui:

Artigo de José Peñin sobre visitantes corporativos a adegas: http://www.invinoviajas.com/2018/06/jose-penin/

Entrevista com o Presidente da Asociación de Museos del Vino de España: http://www.invinoviajas.com/2018/04/a-los-museos/