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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Conheça os bastidores de uma avaliação de vinhos: acompanhe comigo o que aconteceu na Vinipax 2016 em Beja, Alentejo, Portugal



Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado leitor ou leitora, você sabe como funciona uma avaliação de vinhos, como se chega naquelas notas do tipo 91/100 ou 84/100? Se você gosta de vinhos mas não é sommelier(ére) ou enólogo(a), você é um enófilo(a) - e enófilos gostam não só de degustar, mas também de saber o que acontece no “mundo dos vinhos”. Uma das questões que sempre desperta a curiosidade dos leitores aqui do In Vino Viajas é saber como funciona uma avaliação de vinhos. Pois hoje vou contar. No começo de outubro estive em Beja, cidade portuguesa com cerca de 24.000 habitantes que é a capital do Baixo Alentejo, e que realizava sua grande feira anual, a Rural Beja. Além de visitar seis vinícolas (Paço do Conde, Monte da Capela, Herdade Grande, Herdade do Sobroso, Herdade dos Lagos e Ribafreixo), participei como jurado da Vinipax, a maior mostra e competição de vinhos do sul de Portugal. 
A comissão avaliadora da edição 2016 da Vinipax reuniu 23 jornalistas especializados da Federação Internacional de Jornalistas de Vinho (FIJEV - International Federation of Wine and Spirits Journalists and Writers) representando 14 países (eu era um deles) que avaliaram mais de 80 vinhos tintos, brancos e fortificados de produtores associados das Comissões Vitivinícolas do Tejo, Península de Setúbal, Alentejo e Algarve sob a coordenação do conhecido jornalista de vinhos Aníbal Coutinho, Diretor Técnico do evento (foto abaixo).

A sessão foi realizada em inglês, na parte da manhã, e durou cerca de quatro horas – veja o ambiente na foto abaixo. Os jurados ficaram em duplas nas mesas e foram divididos em dois grupos, para que cada um deles sempre esteja julgando um vinho, e o outro, um outro vinho diferente – e depois vice-versa. Evidentemente os vinhos foram identificados apenas por números, e não sabíamos qual rótulo estávamos avaliando.
A ordem de avaliação foi brancos, tintos e por fim vinhos fortificados ou adocicados – cada grupo separado por uma parada de 10 minutos. Antes de cada sessão os jurados degustaram um vinho fora de avaliação e compararam seus achados com os de Aníbal Coutinho, numa espécie de sintonização de avaliações.
Os jurados receberam várias fichas de prova que deviam ser preenchidas e entregues a coordenação. A avaliação obedece tres etapas: Visual, Aroma e Gosto. Na avaliação do Visual, o jurado avalia a Limpidez (e dá nota Zero ou Cinco) e a Tonalidade (notas de Zero a 10).
Na avaliação do Aroma são avaliadas a Pureza (notas Zero ou 10), Intensidade (notas de Zero a 10) e Qualidade (notas de Zero a 10).  Por fim o jurado experimenta o vinho para sentir o Gosto que tem quatro aspectos de avaliação: Pureza (notas Zero OU 10), Intensidade (notas de Zero a 20), Persistência (de Zero a 10) e por fim a qualidade do vinho, com notas de Zero até 15). Com esta metodologia de pontuação um vinho que tenha todas as melhores notas em tudo poderá somar 100 pontos – o máximo que um rótulo pode conseguir. E é assim que um vinho apresenta sua avaliação com notas 91/100 ou 87/100, etc.. Abaixo os vinhos brancos e os vinhos fortificados avaliados.



Ao fim da Terceira etapa (vinhos fortificados, moscatéis e similares), fizemos a foto oficial da comissão julgadora (abaixo) e pudemos conhecer os vinhos avaliados, comparando nossas notas com os produtos reais. Os vencedores foram o tinto Pai Chão, Grande Reserva Regional Alentejano 2013 da Adega Mayor, Campo Maior; o branco Monte da Peceguina, um Regional Alentejano 2015 da Herdade da Malhadinha Nova e nos fortificados o Casa Horácio Simões, um Moscatel Roxo, Superior DOC Setúbal 2005, da Casa Horácio Simões.

A Vinipax 2016 foi realizada na Pousada de São Francisco, um antigo convento transformado em um hotel cinco estrelas (detalhe na foto abaixo). Meus companheiros de comissão julgadora vieram da Alemanha, Brasil, Portugal, França, Espanha, Lituania, Polonia, Israel, Bélgica, Holanda, Reino Unido, Estonia e Estados Unidos. Do Brasil participaram tres jurados: Euclides Borges, Homero Sodré e eu.
Faço um brinde a Beja, a cidade da Pax romana, que você pode conhecer aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2016/08/conheca-os-melhores-vinhos-do-sul-de.html


(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas a partir de São Paulo, Brasil

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Conheça a oliveira com 2.856 anos, a árvore mais antiga de Portugal, que ainda produz olivas!


Por Rogerio Ruschel (*)

Meu prezado leitor ou leitora, mais de 800 anos antes de Jesus Cristo nascer, uma oliveira foi plantada por alguém que gostava de azeite – provavelmente por um soldado do Império Romano - em uma planície que hoje fica em Loures, um municipio cerca de 15 quilometros de Lisboa. A oliveira se chama “Portugal” e na verdade é anterior até mesmo a existência formal do país, que foi criado como Reino de Portugal, a partir do Condado Portucalense, em 1139.

Hoje a oliveira oliveira bravia é a última remanescente de um antigo olival próximo das ruínas do castelo de Pirescouxe no Bairro da Covina, Santa Iria de Azóia em Loures. De acordo com as medições técnicas, a oliveira tem um perímetro na base medindo 10,15 metros, uma altura que chega aos 4,40 metros e um diâmetro de copa que tem 7,60 por 8,40 metros. Para abraçá-la são necessários 5 homens.
Aliás, Portugal, tem também a azinheira com maior projeção de copa da Europa, em Lugar das Matas, Santarém; o carvalho mais antigo da Península Ibérica em Calvos, Braga, que tem 500 anos; e o eucalipto mais alto da Europa, com 72 metros, na Mata Nacional de Vale de Canas, Coimbra, que sobreviveu ao grande incêndio de 2005.

(*) Rogerio Ruschel é editor de In vino Viajas baseado em São Paulo, Brasil, aprecia e respeita árvores - novas ou antigas.

sábado, 8 de outubro de 2016

Dia do Enoturismo 2016 será comemorado em centenas de cidades europeias dia 13 de novembro; tema do ano é o consumo moderado


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu estimado leitor ou leitora: o Dia do Enoturismo Europeu, criado em 2009 pela Recevin, a Rede Europeia das Cidades do Vinho, uma entidade sem fins lucrativos que reúne mais de 700 municípios nos quais o vinho é econômicamente estratégico de 11 países europeus (Alemanha, Áustria, Bulgária, Eslovenia, Espanha, França, Grécia, Hungria, Itália e Portugal) será dia 13 de novembro em 2016. A cada ano que passa o evento se torna mais importante e mais difundido e vem crescendo a taxas significativas, mais de 300%, em apenas sete anos. Em 2015 foi comemorado ao longo de todo o mes de novembro em pelo menos 14 países da Europa, America do Norte e America do Sul, em um total de cerca de 1.000 eventos em 100 municípios.

O objetivo do Dia Europeu do Enoturismo é sublinhar a cultura e a tradição da terra e da cultura do vinho, que estão fortemente unidas à produção do vinho e dos produtos locais. Espera-se que em 2016 durante a semana e o mes de novembro sejam organizadas feiras com a participação de vários restaurantes e produtores de vinho locais e regionais, debates sobre o papel do vinho na alimentação e na sociedade, degustações e visitas livres a adegas e vinhedos, exibições de filmes e mostras de arte sobre a cultura do vinho, entre outras atividades. E este ano o foco da comemoração será a conscientização sobre a importância do consumo moderado do produto em cooperação com o programa da Wine in Moderation, associação sem fins lucrativos fundada em 2011 pelo sector vitivinícola europeu.

A Recevin oferece às cidades uma coalisão de interesses políticos e uma plataforma de intercâmbio de experiências, além dos ganhos de trabalhar em conjunto; na verdade a Recevin amplia o trabalho associativo dos países participantes que mobilizam municípios em seus paises, tais como a AMPV – Associação dos Municipios Portugueses do Vinho, a Cittá del Vino da Itália, a AIter Vitis da França, a Acevin da Espanha e outras. Aliás, por falar em Espanha, anote: as 26 Rotas do Vinho da Espanha estão realizando um concurso de fotografias para enoturistas válido até o dia 13 de novembro - veja mais na página http://www.wineroutesofspain.com/ver/4125/EstamosDeRutaRVE.html 
Na foto acima diretoria da Recevin em reunião de trabalho.
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas e acha que o Dia do Enoturismo deveria se chamar Dia da Cultura do Vinho

sábado, 1 de outubro de 2016

Turismo de Portugal é eleito o melhor Organismo de Turismo da Europa pelo terceiro ano consecutivo. O que podemos aprender com eles?


Por Rogerio Ruschel (*)
Em 2016 o turismo português gerou (até agora) 40 mil empregos e foi responsável por 17% das exportações do país. E a agência de desenvolvimento Turismo de Portugal venceu os World Travel Awards 2016 – os “Óscares do Turismo” – na categoria de Melhor Organismo Oficial de Turismo Europeu (Europe's Leading Tourist Board), pelo terceiro ano consecutivo. Além disso o Algarve foi o destino líder de praia da Europa; a TAP foi a companhia aérea lider da Europa para America Latina e para a África e editora da melhor revista de bordo da Europa e vários hotéis e spas portugueses foram vencedores em suas categorias - aliás, em todas as categorias de praia Portugal de novo deu show.

A eleição foi resultado de uma votação da qual participaram milhares de profissionais do setor de todo o mundo. Portugal foi distinguido com um total de 24 prêmios na edição de 2016 na categoria Europa, e 13 prêmios na categoria País. Os World Travel Awards existem desde 1993 e a Turismo de Portugal IP, integrado ao Ministério da Economia português, é a Autoridade Turística Nacional responsável pela promoção, valorização e sustentabilidade da atividade turística.

O presidente (foto acima) é Luis Araujo, jovem ex-administrador do grupo Pestana para a América Latina, ex-chefe de gabinete do Secretário de Estado do Turismo (Ministério do Turismo portugês) e formado em direito com várias especializações em hotelaria pela Universidade de Cornell; no Brasil o coordenador é Bernardo Barreiros Cardoso. Mas de onde vem tamanho desempenho de um pais que é menor do que o estado de Pernambuco? Da qualidade dos gestores, do respeito com que a atividade é tratada, da percepção de que o turismo é um bem público e do foco da organização. As referências e o ambiente competitivo de Portugal são os vizinhos, campeões em turismo, como França, Espanha e Alemanha. 

Baseado nesse ambiente Portugal tem que se esforçar para atrair turistas e seu Plano Estratégico Nacional do Turismo está integrado a um Programa de Qualidade com referenciais de qualidade para destinos, produtos, organizações e serviços turísticos – como por exemplo empresas, o alvo da apresentação acima. Desta forma o pequenino Portugal vem investindo com seriedade para se posicionar como destino de excelência no contexto nacional e internacional – e obviamente vem conseguindo.

Os órgãos federais de turismo de muitos paises, inclusive o Brasil poderiam estudar não só as práticas de boa gestão dos portugueses, mas também um pouco de sua inteligência estratégica. Por exemplo: colocar profissionais do ramo de turismo na gestão dos órgãos públicos. Sendo profissionais do ramo e não politicos, entenderiam porque a Turismo de Portugal participa de duas empresas - a Portugal Ventures e a Turismo Fundos. A Portugal Ventures é uma Sociedade de Capital de Risco que foca a sua política de investimento em projetos inovadores de base científica e tecnológica, bem como em empresas com projetos de expansão internacional e do setor do turismo. Os fundos totalizam aproximadamente €600 milhões. A Turismo Fundos administra, gere e representa três Fundos de Investimento Imobiliário, cuja intervenção tem possibilitado a modernização e redimensionamento da oferta hoteleira, demonstrando que o sector do turismo é uma área estratégica para o país. O capital é de 375 mil Euros e a Turismo de Portugal, I.P. tem 53%. Ou seja, além de políticas com visão de incentivo a longo prazo, atuam em mobilização de mercado, sem interferências ou achaques. 

In Vino Viajas publica regularmente estudos e estatísticas da Turismo de Portugal com referência ao enoturismo; por exemplo, veja aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/11/pesquisa-mostra-que-o-enoturismo.html
Mesmo sendo um órgão público, a Turismo de Portugal é eficiente e produtiva e por isso mesmo, meus caros leitores ou leitoras, faço um brinde aos portugueses que são pequenos no tamanho mas grandes no trabalho, e que acreditam, constroem - e colhem.
(*) Rogerio Ruschel é editor de in Vino Viajas a partir de São Paulo, Brasil, mas sempre que pode vai a Portugal para conhecer cada vez melhor este interessante país.


domingo, 25 de setembro de 2016

Especialista explica a importância do marketing como ferramenta para aproximar o vinho do consumidor - e não perder mercado


Por Rogerio Ruschel (*)

Entrevista exclusiva de Bruno Airaghi para In Vino Viajas – Meu prezado leitor ou leitora, mesmo que o vinho seja uma bebida charmosa, uma expressão cultural de uma comunidade, continua sendo um produto no mercado que disputa a preferência com outros milhares, e que precisa receber atenção de técnicas e ferramentas de marketing. Entrevistei um especialista no assunto para saber como isso se aplica ao vinho.  Bruno Airaghi tem uma experiência de mais de 20 anos com marketing de bebidas, tanto destilados quanto vinhos.

Nascido em em Milão, Itália, Bruno fez carreira no Brasil onde trabalhou 9 anos na Heublein (Johnny Walker, Smirnoff, Black & White) e 11 anos na Interfood (Santa Helena, Trapiche, Casal Garcia, Codorniu, Planeta, Remy Martin). Formado pela EAESP – Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas com especialização em Marketing, é diretor do Diretor de bares & restaurantes do Club Athletico Paulistano, escreve sobre vinhos e recentemente deu um curso sobre marketing de vinhos (foto abaixo) na Wine Senses, em São Paulo, a empresa de José Carlos e Joelma Santanita.

Rogerio - Você trabalhou com produtos destilados como uisque, vodca, conhaques. Quais as semelhanças e diferenças de gestão de marketing entre destilados e vinhos?
Bruno - São coisas diferentes. Nos destilados há um grande suporte de investimento em marketing pela sua cadeia produtiva - é mais rentável, inclusive (caso de vodkas).
O vinho é um produto que é fruto da terra, tradicional em sua produção com grandes investimentos em solo, adega, maquinário e pessoas na fase de colheita em especial. As semelhanças são relativas pois os dois, destilados e fermentados, prometem ao consumidor momentos especiais, elegância, requinte, bem estar etc.
O vinho ao meu ver supera o destilado, pois tem algo da alma, do lugar, do terroir enfim promove a curiosidade, harmonização com a comida, socialização entre as pessoas já que cada safra é algo distinto, parcelas de terra, altitude, etc constituem em algo único; assim, creio ser o vinho mais apaixonante. O destilado também busca suas origens, contudo é mais solitário e na maioria das vezes em nada contribui com a saúde. Fato é que trata-se de um produto mais rico de apelo mais fácil, sofrendo atualmente de uma queda (whisky) na curva de consumo por passar algo de um hábito antigo, meio fora de moda .

Rogerio - A principal tarefa do marketing é posicionar um produto. Isto é válido para vinhos?
Bruno - Como todo produto, o vinho também precisa ser posicionado para não se perder entre os concorrentes, que não são poucos. Posicionamento quanto ao preço, ao público almejado, ponto de venda, etc.

Rogerio - Qual dos elementos do produto tem maior importância em agregação de valor para um vinho? A origem, o terroir? O tipo de uva? O produtor? O preço?
Bruno - É um mix, contudo origem, produtor e preço são elementos que contribuem. Um vinho caro da Armênia, por exemplo muito bom, contudo só sendo um cientista para dar um adequado merecimento ao vinho. A casa vínicola empresta muito ao vinho quanto a tradição, valores familiares, suas conquistas  por isso algumas regiões dispensam apresentações (como da Itália, França , Espanha..)

Rogerio - O preço é um dos elementos mais subjetivos entre os 4 Ps do vinho. Como definir o preço e como gerenciar este assunto?
Bruno – Preço no Brasil é complicado, já que mais da metade do composto de preço é imposto, taxas etc. algo imexível, sem negociação . O preço é subjetivo a medida que cada importador/distribuidor tem suas planilhas de custos. A margem sabe-se que não é alta (em geral) no elo importador, já que paga a vista e recebe a prazo! No elo On Trade é onde o rotulo é mais valorizado, a margem é alta neste canal, dobrando o valor algumas vezes na carta, todavia é um "fenomeno" mundial, salvo algumas exceções. Portanto gerenciar preço é estar sempre atento a legislação, ao cambio e aos estoques e saber que atualmente é um item extremamente sensível do ponto de vista de mercado.

Rogerio - As indicacões relacionadas à produção (local, temperatura, acidez, grau alcoólico, uvas, etc) influenciam a compra?
Bruno - Neste particular as indicações no rótulo são importantes, contudo não podemos encarar isto como fator decisório em 100% dos casos. Os fundamentais são: Local/Origem, importante, por ex. Chile tem 53% de todos os vinhos finos importados no País.
Cepa: Cabernet Sauvignon, tinta mais conhecida e vendida no Brasil - é tiro certo para aqueles que buscam um vinho bom e descomplicado.

Rogerio - Qual a importância da Promoção de vendas para vinhos? Quais os tipos de promoção mais indicados? Quais os canais mais utilizados?
Bruno - No momento atual da Economia fazer promoção se tornou vital, ao menos o termo chama o consumidor, causa certa movimentação no varejo. O vinho não é exceção e no quadro atual o varejo, distribuidor precisam fazer girar a mercadoria em função de novas compras (fazer o caixa) a serem feitas visando safras novas , renovando estoques.
Existem momentos especificos que conhecemos muito bem, onde promoção de vinho é parte do calendário de inúmeras redes, enotecas, restaurantes, a saber: Inverno, Natal, Fim de Ano. São momentos mais propícios para o consumo, pela confraternização ... O modo mais indicado é quando sensibiliza o bolso, portanto rebaixa de preços, desconto por volume adquirido é o que aquece a demanda.

Rogerio - Qual a importância da internet na promoção e venda de vinhos? Porque?
Bruno - Hoje somos digitais, fazemos parte da rede social! Portanto a comunicação , a venda via mobile é fato. A internet é instantânea, assim para conquistar novos adeptos para o vinho é o clique fundamental! A versão disto é o E-commerce, com exemplos bem reais do sucesso desta modalidade (Wine.com.br ; Evino ...) estão aí , invadindo nossas telinhas com chamadas, promoções, clubes, degustações on line e por aí a fora. O sistema tradicional, com grandes equipes de vendas deverá dar lugar cada vez mais a praticidade, comodidade e conveniência via digital, lembrando que custos e sua redução implicam em ter uma versão ou plataforma digital de vendas. A influéncia desta nova era digital é transformadora de negócios, pelas vantagens que oferece numa sociedade cada vez ávida de informação e experimentação.

Rogerio - Como criar fidelidade a uma marca de vinho se, conforme a OIV anualmente são lançados cerca de 100 mil novos rótulos?
Bruno – Fidelização no vinho não é tarefa fácil.
 - Budget limitado da maioria das vinicolas para ações de fidelização.
- Importador/distribuidor não se interessa já que o brand não lhe pertence.
- O mercado é relativamente novo no Brasil, contudo quando veio ou quando abriu houve uma enxurrada, uma invasão desproporcional ao mercado, não facilitando as coisas.
- Consumidor em geral volúvel , muitas vezes vai pelo fator preço. Diante disso o que pode favorecer é o serviço prestado, como encantar o consumidor ?
   Oferecendo informações, dismitificando o vinho, sendo honesto, agradável , atendimento de nível , entendendo as dificuldades que o novo consumidor enfrenta diante de uma seção com 1000 rotulos.
Degustações são uma peça importante neste processo, viagens ás vinícolas, vivencia e experiência podem converter alguns dos tantos simpatizantes..


Rogerio - A base de consumidores do vinho está mudando, especialmente nos mercados maduros, porque os jovens estão preferindo bebidas energéticas. Como reverter isso?
Bruno - Os chamados millenials estão por aí e outros virão ... O mercado migra para oferta crescente de vinhos comportados e acessíveis, onde relação custo X beneficio será tão importante quanto o tipo da uva; portanto vinhos que se encaixam no paladar e não agridem o bolso terão cada vez mais espaço. As novas gerações estão, aos poucos, percebendo o valor do vinho, mas querem essa bebida ao seu modo, sem regras e princípios imutáveis. A sisudez do vinho cederá espaço para a flexibilidade. Hoje, variedades de espumantes e frisantes já estão fazendo a cabeça de uma boa parte de consumidores jovens. Exemplos:  Moet Ice Imperial, Bag in Box, Yellow Tail.
 
Rogerio - Qual a contribuição do enoturismo, do turismo do vinho, para a construção da imagem de marca, para a geração de fidelidade à marca e para a venda de vinhos?
Bruno - Contribuição total. Uma importante ferramenta de cultur , de bom relacionamento, de aprendizado. Ver, degustar in loco é uma experiência e tanto. O que se leva na memória em algum momento reverte em compra de um determinado vinho, não tenho dúvidas. É um álbum de fotografias!
 
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas e foi profissional de agência e professor de marketing em faculdades por muitos anos – mas continua sempre querendo aprender mais

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Calçando vinho: conheça os enotenis da Nike e Adidas, os calçados criados para desportistas que amam vinhos


Rogerio Ruschel (*)
Meu caro leitor ou leitora, se você gosta de vinhos e pratica esportes, fique atento: a Nike e Adidas, os gigantes do mundo dos calçados e das chuteiras, estão de olho nos seus pés. A estratégia dos fabricantes foi semelhante: lançar um modelo de tenis tematizado com o vinho (podemos chamá-los de “enotenis”?) para homenagear um atleta famoso que gosta de vinhos. Com um detalhe: ambos jogam (ou jogavam) nos Estados Unidos – um mercado gigantesco no consumo de vinhos e de tenis.


A Adidas foi a primeira. Em maio de 2016 a empresa alemã que tem 55.000 funcionários em 160 paises lançou a linha “Adidas Wine Pack” apresentada como uma homenagem a Kobe Bryant, ex-jogador de basquete do Los Angeles Lakers, onde fez história ao lado de Shaquille O’Neal. A coleção da Adidas tinha modelos nas cores branco e vinho, com detalhes em cortiça.

Segundo a Adidas, a homenagem foi feita porque assim como o vinho, o jogo de Bryant “melhorava ao longo dos anos”.  E tinha que ter um argumento como esse por uma razão muito simples: a Adidas tinha patrocinado Kobe entre 1999 e 2002, mas na época do lançamento Kobe Bryant era patrocinado pela concorrente Nike.

Pois quatro meses depois, em setembro de 2016, a norte-americana Nike deu o troco e lançou uma edição especial de tênis do modelo Tempo Legend 6 na cor Vinho, a predileta do atleta italiano Andrea Pirlo, que está nos Estados Unidos desde 2015, jogando no New York City.

Pirlo, considerado o melhor jogador do mundo quando a Italia ganhou a Copa do Mundo em 2006, jogou com Ronaldo na Internazionale em 1998, depois na Inter de Milão até 2011, de onde foi para a Juventus desacreditado, mas acabou sendo fundamental para levar o time ao bicampeonato italiano.

Hoje com 37 anos, Pirlo sempre foi um amante do vinho desde a infância em Flero, um pequeno vilarejo com 8.600 habitantes na Lombardia, Itália, onde passou a infância rodeado por vinhedos e vivendo pessoalmente a cultura do vinho – tanto que abriu uma vinícola chamada Pratum Coller – veja acima.

O tênis Nike Tiempo, tem a cor vinho com logotipo branco e o detalhe de quatro estrelas douradas no calcanhar (veja acima), em honra aos quatro títulos mundiais na Itália. No interior, o modelo simula a rolha de cortiça.
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas baseado em São Paulo, Brasil, gosta de vinhos e de caminhar um pouquinho, mas não necessariamente de fazer as duas coisas ao mesmo tempo