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terça-feira, 3 de março de 2015

Bozcaada, Turquia: vinhos da realeza, praias de sonho e 3.500 anos de aventuras citadas na ”Ilíada” de Homero e na “Eneida” de Virgilio


Por Rogerio Ruschel (*)
Dedicated to Rifat Diker - Com mais de 600.000 ha de vinhedos a Turquia está historicamente entre os 5 maiores produtores de uvas do mundo, mas só 2% desta uva produzida gera vinhos. E apesar de ser um dos paises originais da vitis vinífera, somente nos anos 1920 a indústria realmente aqueceu, incentivada por Kemal Atatürk, o fundador da república turca e seu primeiro presidente. 

E embora os turcos produzam muito vinho com cepas internacionais, muito pouco é exportado; a oportunidade tem surgido com vinhos de uvas autóctones, como as tintas Bozagkere, Okuzgozu, Papazkarasi e Kalecik Karasi, as brancas Narince e Semillon produzidas na Trácia e na Marmara, além da Anatólia Central. Veja abaixo um mapa com os queijos e vinhos da região de Dardanelos. 

Mas meu prezado leitor, hoje vamos conhecer Bozcaada (Tenedos da origem grega), uma pequena ilha citada nos clássicos Ilíada e Eneida, famosa na idade média pelo vinho Tenedian de Bozcaada produzido a partir das uvas autóctones Kuntra e Karalahna e que pode desaparecer se não for preservada - e esta tarefa tem o apoio de In Vino Viajas a partir de agora. No mapa abaixo veja a localização da ilha (com o nome Tenedos) e também um mapa turístico da Turquia.

Bozcaada é uma pequena ilha no norte do Mar Egeu, um distrito da província de Çanakkale, situada próximo à entrada do estreito de Dardanelos (veja mapa acima). Antigamente era conhecida por Tenedos; com este nome grego foi citada por Homero na Ilíada e por Virgílio na Eneida como o local onde os gregos teriam escondido seus navios para os troianos aceitarem o inusitado presente deixado na praia: um imenso cavalo de madeira. Aliás, na cidade de Çanakkale, no continente, está a estátua do Cavalo de Tróia (veja abaixo) utilizada no filme estrelado por Brad Pitt, para lembrar o turista de que as ruínas da antiga Tróia ficam a apenas 30 Km da cidade.

Até recentemente Bozcaada não era muito procurada por turistas que preferiam ficar no continente para visitar a Capadócia, as ruínas de antigas cidades gregas e romanas, os famosos terraços de Pamukkale, as maravilhas de Istambul e suas mesquitas e basílicas. Que, aliás, em breve vão estar aqui.

A ilha de Bozcaada fica a apenas 6 km de distância do continente, uma viagem de meia hora de ferry-boat. Bozcaada é um sítio natural e histórico de preservação e conservação. Na foto acima, uma das praias de pescadores da ilha e seus encantos de simplicidade. Embora nenhuma expedição arqueológica importante tenha sido realizada na ilha até o momento, sabe-se que ela tem uma história rica, carregada de heranças de todas as civilizações que já passaram por lá ao longo dos milênios como bizantinos, gregos, hititas, romanos, otomanos – foi até mesmo parte do Império Veneziano!

Cerca de 1.500 pessoas moram na ilha, mas no verão a população salta para cerca de 10.000 pessoas por causa do crescente número de turistas que aumenta a cada ano. O que os turistas procuram é a tranquilidade, as praias belíssimas, a gastronomia e os vinhos. As atividades econômicas são a viticultura e vinicultura, a pesca (muitas lulas e polvos que se tornaram símbolos da ilha) e cada vez mais o turismo. Abaixo um vinhedo ancestral de Bozcaada.
Viticultura e vinicultura são tradições seculares da ilha e não há praticamente nenhum habitante que não possua um vinhedo, ou que não saiba como fazer o vinho com as uvas Kuntra e Karalahna, da própria ilha. E evidentemente você como turista vai poder frequentar lojas especializadas, como a da foto abaixo, para provar todos eles… 

O turismo é crescente mas tem sido controlado: a permissão para a construção na ilha é bem restrita e o esforço para preservar a natureza vem sendo mantido em primeiro lugar. Mas se você é um dos felizardos que chegou lá, procure o Kemerbağ 29, um Guesthouse Vineyard que não fica muito longe do “centrinho” da ilha e da Fortaleza (abaixo). 

Kemerbag 29 é uma pousada com quartos que acomodam apenas um seleto grupo de convidados em um ambiente privativo dentro de vinhedos orgânicos certificados (abaixo), pomares de oliveiras, muitas árvores frutíferas, jardins, trilhas para caminhadas e muitos lugares secretos. A piscina é feita com pedras naturais e tem uma cachoeira que compete em beleza com o lindo mar de Bozcaada.

A pousada oferece refeições em buffet com produtos cultivados organicamente, geléias e conservas, queijos locais (que são muitos) e outras guloseimas da Turquia e de Dardanelos. E a ilha complementa a oferta gastronómica, com muitos restaurantes pequenos e charmosos.

Sentado em uma mesinha no fim da tarde, tomando um vinho que só vai encontrar lá, você vai lembrar que os gregos fizeram o mesmo há mais de 3.500 anos, inspirando Homero e Virgílio a escreverem os grandes épicos da humanidade. Um brinde a isso, meu caro leitor.

Meu prezado leitor: este texto foi editado por mim a partir de depoimentos e textos de Rifat Diker, um amigo no Facebook. Diker se formou em Direitos Humanos e Liberdade nos Estados Unidos e é especialista em queijos, vinhos, história e cultura da Turquia; mora em Istambul e administra a Kemerbag 29 na ilha de Bozcaada. Diker vem tentando preservar um produto de sua infância, o vinho Tenedian de Bozcaada, que por milhares de anos era o preferido da realeza europeia. In Vino Viajas abre este espaço a Rifat Diker, a quem dedico este post.

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(*) Rogerio Ruschel é jornalista em São Paulo, Brasil, já leu a Ilíada de Homero mas não conhece Bozcaada – ainda…



 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Secretária de Turismo e Cultura de Garibaldi, capital do espumante no Vale dos Vinhedos, propõe a criação da Associação Brasileira de Cidades e Rotas do Vinho


Por Rogerio Ruschel (*)
Exclusivo para In Vino Viajas – O primeiro passo para se aproveitar os benefícios do enoturismo (que são relevantes para dezenas de segmentos econômicos) é parar de pensar isoladamente. No turismo isso representa um dos principais vetores de nosso gigantesco desperdício de oportunidades de geração de renda, empregos e valorização da cultura. Os outros dois são a clássica incompetência de grande parte dos gestores públicos (quase sempre politicos não re-eleitos) e a permanente falta de visão de longo prazo, porque tudo é feito para promover a re-eleição do secretário ou do ministro, e não para beneficiar a comunidade.
Não gostaria de ser repetitivo, meu prezado leitor, mas anote isso: na Espanha cerca de 42.000 vinícolas receberam 2 milhões de visitantes, gerando 50.000 empregos em 2014! Só o enoturismo recebeu quase 1/3 do total de visitantes ao Brasil em 2013! E para que você não tenha dúvida, a Espanha (como França e Itália), recebem cerca de 50 milhões de turistas por ano enquanto o Brasil está estacionado em oito milhões há mais de uma década! Mendoza, na Argentina, nosso vizinho, recebe mais de 1 milhão de visitantes por ano – e um dos grandes motivadores, além da neve, é a indústria vinícola.


Por isso ao entrevistar Ivane Fávero (na foto de abertura), ativa secretária de Turismo e Cultura de Garibaldi, cidade da serra gaúcha integrante da DO Vale dos Vinhedos, e que é também vice-presidente da Associação Internacional de Enoturismo (Aenotur) para a América Latina, fiquei feliz em perceber que ela também lamenta o isolamento: segundo ela, é chegada a hora de se constituir uma Associação de Cidades do Vinho no Brasil”. A Aenotur (logotipo acima) foi criada em maio de 2014 na Espanha com uma série de propostas, e atualmente conta com associados no Uruguai, Argentina, Italia, Portugal, França e Espanha; o Brasil participa com oito associados, entre os quais cinco municípios da serra gaúcha; todos os demais paises (exceto a Espanha) participam através de entidades que representam mais de 500 cidades, porque eles já aprenderam que somente a união faz a força.

A Aenotur pretende valorizar o enoturismo em relação a outros produtos turísticos em termos locais e internacionais - e somar esforços tendo uma associação de cidades produtoras de vinho poderia ajudar bastante no Brasil, porque no Brasil o enoturismo é invisivel para o poder público. E esta é outra percepção de Ivane Fávera (na foto abaixo com o presidente da entidade José Arruda Lopes e o prefeito de Garibaldi, Antonio Cettolin) revelada nesta entrevista exclusiva ao In Vino Viajas – veja a seguir.


Com quase 12 meses de existência quais os principais resultados práticos da Associação Internacional de Enoturismo (Aenotur)?
Fávera: "A Aenotur já conta com 14 associados em 7 países, que representam mais de 500 “cidades do vinho” e associações de rotas do vinho. Assim, neste primeiro ano, nosso trabalhou focou-se na estruturação da Aenotur, com a busca de associados, a estruturação do Portal oficial de Aenotur na Rede Web e um portal -  www.winedestiny.com - que numa primeira fase será um Blog e, posteriormente, o portal internacional do enoturismo. Ademais se tem trabalhado na criação da Classificação Internacional de Enoturismo, que incluirá cidades, destinos e rotas do vinho para facilitar ao interessado no enoturismo a escolha do lugar a visitar e ajudar as cidades a desenvolverem uma oferta de serviços e produtos internacionais. Também se trabalhou na criação da identidade da própria associação. Para os próximos anos, deveremos ampliar o número de países/municípios associados."


Como estão os planos para a implantação anunciada de uma Escola Internacional de Turismo?
Fávera: "A Aenotur pretende implantar uma Escola Internacional de Enoturismo virtual. Neste sentido, vem desenvolvendo um espaço virtual que neste ano incorporará 4 tipos de oferta formativa: enoturística, enológica, turística e de formação transversal. Os recursos técnicos, humanos e financeiros viriam dos próprios associados, de acordo com o interesse de cada um. Já temos um grupo de experts trabalhando na geração de conteúdo específico em enoturismo. A intenção é ofertar um curso básico, igual para todos os países, e que seja a base mínima que todos os que trabalhem em enoturismo devam conhecer".

Porque o enoturismo brasileiro sofre tanto de pobreza promocional por parte de órgãos públicos e privados?
Fávera: "Tenho trabalhado, como Vice Presidente da Aenotur para a América Latina, no sentido de divulgar a associação e a importância de estarmos juntos com os principais destinos de enoturismo do mundo, mostrando a relevância deste segmento, ainda tão desvalorizado no Brasil. Até hoje, não temos uma linha sequer, no material do Ministério do Turismo ou da Embratur, vendendo o Brasil como destino de enoturismo, infelizmente. O Ibravin fez o Diagnóstico do Enoturismo Brasileiro e apoia o Salão do Enoturismo, junto ao Festival de Turismo de Gramado. É a única entidade que tem contribuído neste sentido. Entendo que os programas devam dar ainda mais destaque ao enoturismo, pois é o marketing mais efetivo do vinho brasileiro.
Com relação aos demais países, temos um grande número de “associados indiretos”, por meio das entidades que representam os destinos de enoturismo, como no caso de Portugal, Argentina e Uruguai, Itália ou Espanha. Esperamos que o feito de organizar o Congresso Latino Americano de Enoturismo (aqui – foto abaixo - e em outros países da AL) e o Congresso Internacional de Enoturismo (na Europa) possam servir para sensibilizar os organismos públicos brasileiros sobre o potencial deste segmento, tanto pelo número de turistas e divisas que atrai, quanto pela geração de emprego.”

Porque o Brasil não tem uma Associação de Cidades do Vinho? Quando e como poderemos ter uma entidade como essa?
Fávera: "Entendo que é chegada a hora de se constituir uma Associação de Cidades do Vinho no Brasil. Hoje temos vários municípios onde o vinho tem importância significativa, tanto econômica, quanto social e cultural, e estes precisam buscar o fortalecimento do segmento (vinho e enoturismo), por meio da união de esforços. Portugal é um bom exemplo da força deste tipo de associação, com a Associação de Municípios Portugueses do Vinho, associada à Aenotur. Possibilitar às vinícolas e às cidades do vinho conhecer outras experiências, o tipo de atividades que realizam e os problemas que podem encontrar, é um dos estímulos para a implantação da Associação Brasileira de Cidades e Rotas do Vinho. A Aenotur prevê, nos seus estatutos, um mecanismo para que, com a criação de uma associação com este escopo, esta passe a ser a representante do país na junta diretiva."

Quais os principais resultados do 4o. Congresso Latino Americano de Enoturismo de outubro de 2014?
Fávera: "A 4ª edição do Congresso Latino Americano de Enoturismo alcançou seus objetivos, que seriam de  discutir os fatores e segmentos que influem na competitividade e sustentabilidade da oferta enoturística, aproximando países enoturísticos da América Latina e Europa, enfatizando as boas práticas do setor. Também se apresentaram os principais elementos da oferta enoturística, que estão sendo incorporados na Classificação Internacional de Enoturismo, em elaboração pela Aenotur, com nossa participação. Neste encontro ocorreu, ainda, a assinatura do Termo de Adesão dos Associados da América Latina à Aenotur"

O que a Aenotur espera da 5a. edição do Congresso Latino Americano de Enoturismo, em setembro de 2015 no Uruguai?
Fávera: "O ano de 2015 reserva duas edições do Congresso. Uma Internacional, a acontecer em Portugal e Espanha, de 2 a 4 de julho, e outra no Uruguai, com o caráter Latino Americano que o evento tem desde sua primeira edição. Ambas vão debater a temática do mercado de enoturismo, a demanda, já que na edição anterior se abordou a oferta.  A Aenotur tem trabalhado, apoiando os promotores locais de cada edição, desde a elaboração da programação até a promoção dos eventos. Nestes Congressos, organizaremos assembleias da entidade.  Especificamente na Europa, se analisará o potencial emissor de enoturistas para o mundo dos seguintes países: Reino Unido, Alemanha, França, Rússia, China e Japão. Também se analisará, no âmbito da internet, o papel dos bloggers no desenvolvimento e atração de enoturistas."

Qual a contribuição da Aenotur para a valorização da cultura do vinho?
Fávera: "A Aenotur foi criada com o objetivo de valorizar a cultura do vinho, por meio da atuação, nos mais diversos países. O Ecomuseu da Cultura do Vinho Dal Pizzol já solicitou adesão à Aenotur. Os museus do vinho do mundo serão divulgados, de forma conjunta, favorecendo a visibilidade dos mesmos. Novos projetos estão sendo estimulados, igualmente.  Na Europa as associações de museus do vinho já estão avaliando a integração à Aenotur, quer seja diretamente ou por meio das cidades do vinho a que pertencem. Ademais, a Aenotur, através do conhecimento em inventariação do patrimônio vitícola que se tem realizado na Europa, incorpora o patrimônio natural, material e imaterial como elementos da Classificação Internacional de Enoturismo, fundamentais na atratividade de um destino enoturístico."
Fotos cedidas pela Secretaria de Turismo e Cultura de Garibaldi  

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·      Veja um exemplo de como o trabalho coletivo acelera o turismo em - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/10/rota-romantica-rio-grande-do-sul-brasil.html

·       Conheça os benefícios do enoturismo na Espanha em - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/10/rota-romantica-rio-grande-do-sul-brasil.html

·       Pesquisa da GWC mostra como o enoturismo contribui de diferentes formas com as comunidades - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/06/pesquisa-mostra-que-enoturismo.html

·       Conheça pesquisa da Associazione Nazionale Città del Vino da Itália sobre a importância do enoturismo - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/09/pesquisa-italiana-aponta-seis-razoes.html  

(*) Rogerio Ruschel é jornalista e entende que o desenvolvimento do enoturismo (e do turismo em geral) deveria ser uma tarefa urgente e coletiva no Brasil.


 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Como o vinho inspirou 10 personalidades da cultura universal como Hemingway, Hipócrates, Churchill, Alighieri, Oscar Wilde, Lorca, Eurípides e outros

-->Por Rogerio Ruschel (*)

Meu caro leitor: assim como você e eu, alguns dos mais importantes personagens da história da Humanidade (como Ernest Hemingway, acima e abaixo) gostavam de vinho e deixaram como legado grandes contribuições inspiradoras para a civilização, como por exemplo estas frases que reuni abaixo.
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"O vinho é a coisa mais civilizada do mundo" (Ernest Hemingway)
Antes de ser um escritor famoso, Hemingway foi correspondente de guerra em Madri durante a Guerra Civil Espanhola (1936/1939), época em que começou a beber vinhos de qualidade que o inspiraram a escrever sua primeira grande obra, “Por quem os sinos dobram”. Ganhou vários prêmios, entre os quais o Pulitzer (1953) e o Nobel de ˜Literatura (1954). Casou quatro vezes – e sem querer ser fofoqueiro, talvez esta tenha sido a razão para se suicidar nos Estados Unidos, em 1961.
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"Para saber a origem e qualidade do vinho não há necessidade de beber todo o barril" (Oscar Wilde)
Irônico como poucos, o irlandês
Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde (acima) teria dito esta frase para afirmar que o conhecimento deve ser calmo, lento, gradual, sem pular etapas. Autor do badalado romance “O retrato de Dorian Gray” e poeta com uma vida social bastante agitada, caracterizada pelas atitudes extravagantes, Wilde acabou preso e foi condenado a dois anos de prisão com trabalhos forçados, por "cometer atos imorais com diversos rapazes". E isto não é fofoca, é história. Dizem que por causa disso morreu logo depois em Paris, em 1900. Talvez tenha bebido todo o barril, nunca se sabe…
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"O vinho semeia poesia nos corações" (Dante Alighieri)
Quando Alighieri (acima, com Virgilio no Inferno, em tela de Delacroix) tinha apenas 12 anos,
sua família impôs seu casamento com Gemma Donati, prática comum naqueles tempos na Itália e em Florença, onde viviam. Ele teve pelo menos três filhos com a tal Gemma, mas o que entrou mesmo para a história foi aos 18 anos ter conhecido Beatrice Portinari, que se tornou o motivo e o tema da poesia e da própria vida do poeta. Com a morte da musa, Alighieri mergulhou na filosofia e na política, estudou medicina, perdeu disputas politicas e militares com o papa, foi exilado de Florença e morreu fora de sua terra natal em 1321. Sua principal obra, a Divina Comédia, é uma das obras-primas da Humanidade, e foi escrita no italiano vulgar da Toscana (e não em latim como os eruditos escreviam), e provavelmente bebendo muito daquele vinho "vulgar" da Toscana, que hoje chamamos respeitosamente de Chianti…
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"In Vino Veritas" (Plínio, o Velho)
Esta deve ser a frase mais repetida em ambientes de consumo de vinho. Plínio, o Velho ( 23 D.C – 79 D.C.) o mais importante naturalista romano, autor de “Naturalis Historia”, uma bojuda coleção de textos sobre o mundo natural, com 37 volumes! A frase virou um provérbio latino, que significa algo como "no vinho está a verdade”, talvez relacionado com a capacidade de vinho para desinibir as pessoas e fazê-las dizer a verdade.
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"Quanto mais você envelhece, mais quente o vinho fica; ao contrário de nossa natureza, quanto mais vivemos, mais frios vamos ficando" (Lope de Vega)
Félix Lope de Vega y Carpio (acima), poeta e dramaturgo espanhol falecido em 1635 foi autor de 426 comédias e 42 autos além de centenas de poemas. Ele pirou de vez quando ficou viuvo: tornou-se padre, foi nomeado oficial da Inquisição e ficou famoso pelos vários casamentos, inúmeras aventuras amorosas extra-conjugais e escandalosos romances – mesmo sendo padre. Ou seja: dá para ter uma idéia de como ele realmente gostava de vinho e procurava se aquecer…
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"O álcool me deu mais do que me tirou" (Winston Churchill)
Considerado um dos maiores bebuns da história, o primeiro ministro britânico que combateu o nazismo na Segunda Grande Guerra, também foi jornalista e escritor, tendo recebido o Prêmio Nobel de Literatura. As citações de Churchill, mesmo as mais geniais, sempre precisam ser analisadas em seu contexto, mas de qualquer maneira, pelo balanço de vida de Churchill, é bastante provável que um bom copo de vinho - e um bom charuto - tenham sido mesmo muito importantes, dando mais do que tirando.

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"Onde não há vinho não há amor" (Eurípedes)
Eurípides (acima), um dos mais importantes poetas gregos (morto em 406 A.C.), nos legou esta citação. Na Grécia antiga o vinho era considerado um elixir afrodisíaco; na verdade desde os tempos antigos o vinho tem sido associado com amor,  sensualidade e erotismo. Até hoje os publicitários buscam construir essa ligação do álcool com a sexualidade. Mas sejamos honestos: quando publicitários falam de vinho, o ambiente é romântico, mas quando falam de cerveja, é bandalheira mesmo, sacanagem da grande. O que, cá prá nós, revela bastante o caráter de cada bebida.

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"Gostaria de ser feito de vinho para poder beber até a mim mesmo" (Federico García Lorca)
Exagerado este rapazinho, não? Amante de vinhos de renome, o poeta e dramaturgo espanhol
Garcia Lorca de Granada (morto em 1936), cantou várias odes ao vinho em sua extensa obra literária. Socialista, homossexual e pintor, foi também compositor e pianista, amigo do cineasta Luís Buñuel e do pintor Salvador Dali. Pois é, parece que realmente gostava de vinho e bebia sempre bem acompanhado.
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"O vinho é uma coisa maravilhosamente apropriada para o homem, quando administrado com habilidade e uma boa medida" (Hipócrates)
O grego Hipócrates (acima), falecido em 377 A.C. e considerado o Pai da Medicina, sabia o que estava dizendo. Sua obra se caracterizou por rejeitar a superstição e as práticas mágicas da "saúde" primitiva, estabelecendo critérios e métodos científicos. Ele tinha razão: hoje centenas de pesquisas demonstram os benefícios do vinho para a saúde, quando bebido com parcimonia. Em homenagem a Hipócrates, nunca faça com o vinho o que alguns fazem com a cachaça, jogando fora um pouquinho, “para o santo”,  porque isso é superstição. E vinho custa caro...
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"Eu bebo porque eu tenho vergonha. Vergonha do que? De beber "(Antoine de Saint-Exupéry)
Esta frase está na principal obra O Pequeno Príncipe de Antoine Saint-Exupéry (acima). Não ia fazer comentários, mas não resisto:  meu caro leitor, você é eternamente responsável pela taça que te cativa....

(*) Rogerio Ruschele4dita este blog a partir de São Paulo, Brasil, onde também costuma brindar a grandes clássicos da literatura, ciência e arte universais