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quinta-feira, 10 de março de 2016

Vinhedos no cerrado de Goiás: surpresas com vinhos tintos premiados de Barbera e Syrah e experiências curiosas com fermentados de jaboticaba


Texto do site “Curta Mais” com edição de Rogerio Ruschel (*)
Prezado leitor ou leitora, você vai conhecer um pouco da produção vitivinícola do estado de Goiás graças a uma reportagem do Portal “Curta Mais” e da sugestão da leitora do “In Vino Viajas” Dora de Vera. Se você não for brasileiro, saiba que esta região fica no centro-oeste do Brasil e seu principal bioma é o cerrado, uma espécie de “bush”. O mapa acima, do jornal O Popular, apresenta os principais pólos vitivinícolas do estado de Goiás; o retângulo branco do lado direito é Brasilia, DF, capital do país. Lembro que em Goiás a vindima é realizada nos meses de agosto e setembro (no sul é em fevereiro e março). O portal “Curta Mais”, apresentou a seus leitores informações sobre a região e visitou quatro vinícolas; uma delas produz bebidas com jaboticabas, uma fruta deliciosa e bonita (abaixo um jaboticabal da empresa e um detalhe das frutas na árvore) que gera “fermentados” similares a vinho e a cachaça. Veja a seguir.

“Serras, montanhas, muito verde e um clima que remete ao aconchego: as vinícolas, regiões dedicadas ao cultivo e colheita de videiras em grande escala para a produção de sucos e vinhos, são atrações turísticas em muitas regiões da Europa e do Sul do Brasil e roteiros obrigatórios para amantes de vinhos e bons passeios. A boa notícia para os enófilos é que não é preciso viajar para longe para aproveitar o clima todo europeu e sulista das vinícolas: Goiás também tem vinícolas próprias, que produzem bebidas goianas com toques europeus em paisagens que valem a visita. Conheça agora 4 vinícolas goianas que vão te transportar para a Europa e prepare-se para uma experiência única.

Pireneus Vinhos e Vinhedos

Vêm lá do município de Cocalzinho de Goiás, às margens do Rio Corumbá, premiados vinhos produzidos aqui no cerrado com uvas europeias. Na Pireneus Vinhos e Vinhedos, do médico e sommelier Marcelo Souza (foto abaixo), são produzidos os vinhos Bandeiras e Intrépido: premiado com o título de melhor tinto pelo Anuário de Vinhos Brasileiro do Instituto Brasileiro de Vinhos de 2012, o Bandeiras é produzido com a italiana uva barbera, e recebeu o nome em homenagem aos bandeirantes, que descobriram a região onde as uvas são cultivadas. 

O Intrépido, por sua vez, é produzido com uvas francesas syrah, e representa a iniciativa corajosa e pioneira em produzir vinhos em uma região improvável. A safra acontece sempre nos meses de agosto e setembro, e é possível agendar visitas em grupos de até dez pessoas para conhecer os vinhedos e participar de degustação harmonizada com os vinhos. Abaixo, o Intrépidus 2011. Para maiores informações e agendamentos, é só entrar em contato pelo email pireneusvinhos@gmail.com

Fazenda Pireneus Vinhos e Vinhedos - Cocalzinho de Goiás, Serra dos Pirineus – a 129km de Goiânia. Informações: pireneusvinhos@gmail.com

Vinícola Serra das Galés

Localizada no município de Paraúna, a vinícola Serra das Galés é a responsável pela produção dos vinhos Cálice de Pedra rosado, branco e tinto, elaborados a partir de variedades das uvas Isabel, Violeta, Niágara e Lorena. Tanto os vinhos quanto a vinícola fazem homenagem à Pedra do Cálice, principal monumento natural de Paraúna e símbolo da Serra das Galés, localizada no município.
É possível visitar tanto a fábrica quanto a vinícola (o período ideal para conhecer a plantação são os meses de junho e julho, período das uvas), basta fazer agendamento prévio. Não é cobrada taxa e as visitas recebem até 35 pessoas. Na foto abaixo Valdir Cristofoli, gerente da Serra das Gales. Para visitar a plantação, é preciso ir de transporte próprio, já que ela fica a 40km da fábrica.
Vinícola Serra das Galés - Rodovia GO 320, s/n, km 1 – Setor Ponte de Pedra, Paraúna – GO - Informações: (64) 3556-1000

Fazenda & Vinícola Jabuticabal

A história da Fazenda & Vinícola Jabuticabal é antiga: em 1947, após a Segunda Guerra Mundial, Antônio Batista da Silva plantou os primeiros pés de jabuticaba na área que daria origem à vinícola. Mas, foi apenas em 2000 que a fazenda deu início ao processo de industrialização da jabuticaba, dando início às atividades da vinícola, e assim, produzindo fermentados e cachaça de jabuticaba. A fazenda é uma das maiores produtoras de jabuticaba do Brasil e do mundo, com mais de 38 mil pés, e é a única a aproveitar o fruto e transforma-lo em produtos industrializados, como o Javine, fermentado tinto produzido com jabuticaba, com 11% de teor alcoólico; e a Aguardente, cachaça derivada da destilação da casca da fruta. Na foto abaixo uma avenida com jaboticabeiras.
O espaço está aberto à visitação do público nos períodos de safra, que têm início em setembro. Na época, é possível passar o dia por lá e comer quantas jabuticabas puder. É permitido levar comida pronta e bebida para fazer piquenique às sombras das frondosas árvores. Vale tomar também um bom banho no Rio Dourado que conta com uma prainha de areia bem convidativa.
Fazenda & Vinícola Jabuticabal - Rodovia GO-319, KM 18, Distrito de Nova Fátima, Hidrolândia – GO - Informações: (62) 3505-9576

Vinícola Goiás

Conhecer a Vinícola Goiás é como dar um passeio pelas grandes colônias italianas aqui no centro-oeste e ser transportado no tempo e no espaço. Pioneiros no projeto do enoturismo no estado, a vinícola tem instalações, roteiros e paisagismo projetados especialmente para promover uma experiência única para os visitantes. Criada em 1998, a vinícola produz o suco natural Dell Nonno, elaborado com uvas Bordô e Isabel, sem aditivos químicos e conservantes na composição. A vinícola também comercializa uvas e geleias. Para conhecer, basta agendar uma visita por telefone.
 
Vinícola Goiás - Rua 1, s/n, Jardim Esmeralda, Itaberaí – GO - Informações: (62) 9934-4231

(*) “Curta Mais” é um portal de informações sobre Goias e uma plataforma multicanais de informações sobre serviços de utilidade para quem mora ou visita sua capital, Goiania e tem todos os direitos sobre esta reportagem que reproduzimos. Conheça o portal em http://www.curtamais.com.br/goiania/sobre-nos









sexta-feira, 4 de março de 2016

Aldeias vinhateiras de Portugal: veja como os portugueses valorizam o patrimônio cultural, a experiência turística e os ótimos vinhos das pequenas comunidades


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu caro leitor ou leitora, como você sabe o vinho é a expressão de uma comunidade, um terroir e um conjunto de tradições locais - e geralmente é o resultado de muitas décadas de aprendizado. No mundo todo é possivel encontrar pequenos vilarejos produzindo vinhos extraordinários. Em Portugal isto é uma realidade centenária e o país prestigia o patrimônio de suas aldeias (como a de Favaios, no Douro, acima) através de duas redes turísticas de aldeias e está lançando as bases de uma terceira organização, esta através da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) e de âmbito nacional. Conheça um pouco sobre isso a seguir.

A mais antiga é a ATA - Associação de Turismo de Aldeia, criada em 1999 para promover os territórios rurais em âmbito nacional, o que é feito pelo produto turístico “Aldeias de Portugal”. Atualmente as aldeias da rede são oito, estão localizadas nos municipios de Melgaço (onde fica a Aldeia Branda Aveleira, na foto acima), Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima e Vieira do Minho, na região dos Vinhos Verdes, no norte do país. Em cada aldeia há várias casas preparadas (com selo de qualidade, é claro) para receber turistas, com lugar para 2 até 6 pessoas. Na foto abaixo, a aldeia de Cabração, em Ponte de Lima;.

As Aldeias de Portugal realizam turismo no espaço rural, convidando o turista para uma estadia com total independência, numa casa rural, em plena natureza, e são promovidas turisticamente pela CENTER – Central Nacional do Turismo no Espaço Rural, uma agência especializada em Turismo Rural e Turismo de Habitação, que opera também as marcas Solares de Portugal e Casas no Campo. Abaixo a aldeia de Louredo, em Vieira do Minho. Saiba mais em http://www.aldeiasdeportugal.pt/PT/index.php

A outra rede integra o projeto das Aldeias Vinhateiras do Douro, denominação criada em 2001 e que atualmente é formada por seis aldeias que se destacam pela riqueza cultural e pelas paisagens únicas da região do Douro. São elas as Barcos, Favaios, Provesende (foto abaixo), Salzedas, Trevões e Ucanha e oferecem experiências únicas através do seu património, da sua gastronomia e da natureza envolvente.
A valorização turística foi reafirmada em 2007, ano em que foi realizada a primeira edição do Festival das Aldeias Vinhateiras nos meses de setembro e outubro, com jogos populares, artesanato ao vivo, música popular, degustação de produtos, espetáculos e festas nas ruas e muita animação temperadas pela gastronomia e pelo vinho locais – o que, meu caro leitor ou leitora, não é pouca coisa porque os vinhos são do Douro! Na foto abaixo a aldeia de Salzedas. Desde 2013 a rede tem um guia de turismo e sua gestão é feita pela Associação de Desenvolvimento Wine Villages – ADRAV Douro. Saiba mais em http://dourovalley.eu/aldeias_vinhateiras_1

Mas como os portugueses acreditam que sua cultura e tradição são elementos-chave de seu conceito de desenvolvimento como Nação, não vão parar por ai e fico feliz em compartilhar com você esta noticia: dia 26 de fevereiro de 2016 a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) deu o primeiro passo formal para a criação de mais uma rede de aldeias vinhateiras – e desta vez em âmbito nacional.

A proposta está baseada na experiência das Aldeias Vinhateiras do Douro que vem ajudando bastante na consolidação do turismo na região Norte de Portugal e pode reunir dezeas de aldeias em todo o país - a AMPV espera que até junho as aldeias interessadas já estejam participando do projeto. E só para lembrar, como a Associação de Municípios Portugueses do Vinho já coordena a Rede de Museus Portugueses do Vinho - que reúne entidades de cerca de duas dezenas de municípios associados e que está sendo consolidada neste ano de 2016 – fico imaginando o belo produto turístico que poderá ser criado quando as duas redes operarem em conjunto! Nas fotos acima e abaixo, imagens de vinícolas em Santar, concelho de Nelas.
A proposta da Rede Portuguesa de Aldeias Vinhateiras foi apresentada por José Arruda, Secretário-Geral da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) em reunião no Concelho de Nelas. Nelas, que realiza uma conhecida Feira do Vinho do Dão, é uma cidade que fica no Distrito de Viseu, pertencente a região demarcada dos vinhos do Dão, e vizinha da Serra da Estrela, onde são produzidos os badalados queijos da Serra da Estrela D.O.P. - Demoninação de Origem Protegida.  Na foto abaixo a aldeia de Branda da Aveleira, na freguesia de Gave, Concelho de Melgaço.

O objetivo da AMPV é promover o desenvolvimento sustentável de localidades onde o vinho tenha uma posição de destaque cultural e econômico. Como disse Arruda, "Entendemos que é importante promover a nível nacional uma rede de aldeias vinhateiras, baseando-nos numa experiência que foi feita no Douro, com seis aldeias vinhateiras. Esta rede terá muito a acrescentar em termos de oferta futura de enoturismo". Abaixo, foto da aldeia de Ucanha.
Entre os quase 70 municipios associados a AMPV, muitos deles poderão participar da rede de Aldeias Vinhateiras, como Vidigueira, Cartaxo, Palmela, Loures, Gouveia, Penalva do Castelo, Régua, Melgaço, Mealhada e a própria Nelas que deve participar através de sua Vila Histórica de Santar, aldeia reconhecida pela qualidade do vinho e pelo  valioso patrimônio cultural. Nelas realiza a Feira do Vinho do Dão, que conta já com 25 edições e que poderá ajudar a divulgar as atrações da vila de Santar. Abaixo, vinhedo na Rota dos Vinhos do Dão.


Na reunião estiveram representantes dos municípios de Vidigueira, Cartaxo, Palmela, Loures, Gouveia, Penalva do Castelo, Régua, Melgaço e Mealhada, que vão avaliar a participação. A Rede poderá ser constituída por aldeias e vilas de muitos dos 68 municípios associados à AMPV, e além da revitalização socioeconômica e da promoção dos vinhos locais, poderá ajudar na dinamização dos seus valores simbólicos como a ruralidade, autenticidade, patrimônio, natureza, tradições e gastronomia. Saiba mais sobre a AMPV em http://www.ampv.pt/


Trata-se de um projeto que vai preservar e promover a identidade cultural e potencializar o desenvolvimento econômico de pequenos núcleos comunitários. Eu acredito piamente que é nos pequenos núcleos comunitários do mundo que pode se encontrar os melhores representantes destas criaturas que chamamos de seres humanos. Por isso brindo aos amigos portugueses que estão trabalhando para homenagear o passado, vaalorizar o presente e construir o futuro através do respeito as aldeias vinhateiras.

(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, uma cidade com 11,32 milhões de habitantes que não é exatamente uma aldeia vinhateira



 


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Conheça o Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, o maravilhoso legado dos portugueses à cultura dos brasileiros

Por Rogerio Ruschel (*)
Meu caro leitor ou leitora, tenho muita alegria em apresentar a você uma das mais lindas bibliotecas do mundo que fica no Rio de Janeiro, tem mais de 170 anos e é um dos mais importantes legados portugueses aos brasileiros: o Real Gabinete Português de Leitura.
Fundado em 14 de Maio de 1837 por um grupo de 43 portugueses refugiados políticos no Brasil, na maioria comerciantes, o Gabinete Português de Leitura foi estabelecida no Rio de Janeiro para que os livros ajudassem a “iluminar o espirito” do jovem Império do Brasil, apenas 15 anos depois da Independência do país. Parecia uma boa idéia. E é, até hoje. Um exemplo disso é que a foto abaixo está exposta como um grande painel na empresa de auditoria PWC (PriceWaterhouseCoopers) em São Paulo, como um símbolo de informação de qualidade. E de fato é.
Hoje, aos 173 anos, localizado em pleno Corredor Cultural da Cidade Maravilhosa, é a mais antiga associação portuguesa no Brasil e se orgulha de ser uma das maiores bibliotecas da América Latina, uma das mais bonitas do mundo e foi a sede de outras instituições importantíssimas do Brasil como a Academia Brasileira de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
José Marcelino Rocha Cabral, advogado e jornalista, foi eleito primeiro presidente da instituição que funcionava inicialmente em um sobrado da Rua Direita (atual Primeiro de Março) e ocupou outras sedes até se instalar em 1887 na sede própria (foto acima) na antiga Rua da Lampadosa - que teve então seu nome mudado para Luís de Camões - e ganhou o titulo de Real no nome. O lançamento da pedra fundamental da sede definitiva, assistido por D.Pedro II, foi feito em 1880 durante a celebração dos 300 anos de Luis de Camões (abaixo, o busto de Camões).
O edifício, em estilo neomanuelino, foi projetado por Rafael da Silva e Castro inspirado em uma das alas do Mosteiro dos Jerônimos, de Lisboa. A inauguração em 1887 contou com a presença da Princesa Isabel e do Conde D´Eu. A fachada foi trabalhada por Germano José Salle em pedra de lioz em Lisboa e trazida de navio para o Brasil. As quatro estátuas que a adornam são de de Luís de Camões, Pedro Álvares Cabral, o Infante D.Henrique e Vasco da Gama e os nedalhões da fachada retratam  os escritores Fernão Lopes, Gil Vicente, Alexandre Herculano e Almeida Garrett.
Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, o Real Gabinete Português de Leitura é deslumbrante por dentro, totalmente banhado pela luz natural vinda de uma clarabóia de vidro colorido (acima). No salão de leitura destacam-se o lustre monumental e as belas mesas de jacaranda e num dos cantos, pode-se ver um belo busto de Camões que parece estar de vigia do acervo que tem mais de 350 mil volumes.
No segundo pavimento, cujo acesso é feito por uma elegante escada de ferro e mármore, encontra-se a Sala dos Brasões (acima e abaixo), que funciona como auditório. A sala ganhou esse nome por ser ornamentada por 36 brasões das cidades portuguesas da época, incluindo as colônias – veja alguns deles na foto abaixo.
A entrada é grátis e os serviços de consulta e leitura podem ser feitos de segunda a sexta feira, das 9:00 hs às 18:00 hs. Aproveite para reviver cenas de alguns filmes porque o prédio foi utilizado como locação para telenovelas, especiais de televisão e filmes, entre os quais “O Primo Basílio” (1988), de Daniel Filho; “Os Maias” (2001), de Luiz Fernando Carvalho; “O Xangô de Baker Street” (2001), de Miguel Faria Jr. (que também teve locações na Livraria Lello de Porto) e “Mad Maria” (2005), de Ricardo Waddington. Abaixo, o corredor do terceiro andar.
Concordo com o que foi publicado por uma revista portuguesa: “Pelo seu prestígio nos meios intelectuais, pela beleza arquitectônica do edifício da sua sede, pela importância do acervo bibliográfico e ainda pelas atividades que desenvolve, o Real Gabinete Português de Leitura é, a todos os títulos, uma instituição notável e que muito dignifica Portugal no Brasil.” De fato, brindo ao bom gosto e tenacidade dos portugueses que nos legaram esta heranca maravilhosa.

Conheça também a Livraria Lello, na cidade do Porto, Portugal, que com 110 anos é tida como uma das bonitas do mundo e lembra muito o o Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Acesse aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2016/01/em-porto-portugal-conheca-livraria.html

(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas a partir de São Paulo, Brasil, e gosta de bibliotecas e gabinetes de leitura em qualquer parte do mundo

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Enoturismo de primeira classe: Napa Valley, Califórnia, Estados Unidos, comemora os 40 anos do Julgamento de Paris com 40 eventos em vinícolas, hotéis e restaurantes


Por Rogerio Ruschel (*)

Como você sabe, meu prezado leitor ou leitora, o dia 24 de maio de 1976 entrou para a história da vitinicultura mundial por causa do “Paris Wine Tasting” ou “O Julgamento de Paris”, como é mais conhecido. Neste dia Steven Spurrier, um comerciante de vinhos da Inglaterra convidou juízes franceses para fazerem duas degustações às cegas em Paris; uma para avaliar vinhos Chardonnays de qualidade superior franceses e norte-americanos e outra para comparar vinhos tintos - vinhos de Bordeaux, da França contra vinhos Cabernet Sauvignon da Califórnia. Os jurados foram Aubert de Villaine, proprietário do Domaine la Románee–Conti, Odete Kahn, editora da Revista Le Revue du Vin de France, a critica Patricia Galacher e alguns sommeliers de restaurantes renomados da época (foto abaixo).

Na época os Estados Unidos era considerado um mercado produtor secundário de vinhos, em um contexto genérico de Novo Mundo – os grandes produtores premiados e elogiados eram os franceses. Pois é meu caro leitor ou leitora: mesmo com juízes franceses, o resultado surpreendeu a todos: os vinhos californianos ganharam dos franceses. O vencedor na primeira categoria foi o Chateau Montelena Chardonnay 1973 e entre os tintos, o californiano Stag’s Leap Wine Cellars venceu os Bordeaux com seu Cabernet Sauvignon. Veja abaixo os vinhos vencedores.

Só por curiosidade: a ordem dos vinhos foi entregue ao Sr. George M. Taber, que foi o único jornalista que aceitou cobrir o evento (na época Spurrier, convidou vários jornalistas para o evento, mas todos recusaram). Outra curiosidade: em 2006 Spurrier repetiu o desafio: uma degustação foi feita em Londres e na Califórnia simultaneamente e com os mesmos vinhos, com profissionais escolhidos de cada região, e para surpresa geral novamente a Califórnia venceu a competição. Na foto abaixo, uma cena do evento pintada pelo artista Gary Myatt.

Em comemoração ao 40º aniversário do Julgamento de Paris, a Visit Napa Valley organizou o Flavor Napa Valley, um grande conjunto de eventos do qual participam vinícolas, restaurantes e hotéis,. Entre os dias 16 e 20 de março  serão realizados 40 eventos que começam como um jantar sofisticadissimo no Silverado Resort & Spa (US$ 295.00 por pessoa), jantares e almoços em restaurantes com cardápios especiais, visitas especiais a vinícolas (entre as quais open-days no Chateau Montelena Winery, em Calistora, um dos grandes vencedores em Paris) e pacotes especiais em hotéis.  Para detalhes visite o site http://flavornapavalley.com/events/
O Filme “Julgamento de Paris” (Bottle Shock, no original em ingles – veja acima uma cena do mesmo) é do diretor Randall Miller. É um filme leve, divertido e livremente inspirado no histórico evento, é perfeito para assistir acompanhado de uma taça de vinho. Algum tempio atrás era fácil de encontrar na internet ou na Netflix.


Em 2014 Steven Spurrier organizou um confronto cego de espumantes brasileiros contra franceses, veja aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/03/o-julgamento-de-sao-paulo-ibravin-traz.html

(*) Rogerio Ruschel é editor de In VIno Viajas a partir de São Paulo, Brasil, mas escreve para leitores de bom gosto que estão em 129 países 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Conheça seu signo no Zodíaco Chinês e descubra qual o tipo de vinho que melhor harmoniza com a sua personalidade


Por Rogerio Ruschel (*)

Meu caro leitor ou leitora, você pode achar os chineses exóticos, mas eles tem mais de 4.000 anos de cultura e são quase 1,4 bilhão de pessoas. A história deles sempre esteve relacionada com os céus; as enchentes e as secas eram previstas astronomicamente desde o ano de 300 A.C. e foram os chineses que dividiram o ano em exatamente 365 ¼ dias no ano de 444 AC. Então devemos respeitar os chineses. Uma das estranhezas deles (ou das coisas diferentes deles) é o Zodiaco Chines. Os 12 meses do ano estão relacionados a 12 animais que ganharam os meses de presente de Buda por terem participado de uma festa e se comprometido a fazer o bem. Cada animal reina por um ano, começando em torno do dia 18 de fevereiro. Por exemplo, de 08/02/2016 a 27/01/2017, periodo no qual estamos, é o Ano do Macaco.

Pois bem, de acordo com o zodíaco chinês, o ano em que você nasceu tem muito a ver com o tipo de pessoa que você é vai se tornar. E essas características únicas não são apenas relacionáveis com você, mas também com outras coisas que o cercam – como por exemplo, com vinhos específicos Então um site especializado da Espanha - http://vinepair.com - publicou o que seria o vinho ideal para cada animal do zodíaco chinês. Por exemplo, eu nasci em 1952 e meu signo Dragão, um animal excêntrico, e meu vinho ideal é o Laranja, um vinho excêntrico – será?  Na sequencia, veja seu signo pelo ano de nascimento equal o vinho que melhor harmoniza com você.

Rato: Como um rato você é rápido, inteligente e incrivelmente versátil, assim como o vinho Malbec; embora nascido na França, o Malbec encontrou sua verdadeira casa na Argentina, mostrando sua versatilidade e sua capacidade de surpreender e encantar, assim como você.

Boi/touro: bois são conhecidos por sua perseverança em face do longo sofrimento, e as uvas Riesling na América tem experimentado o mesmo. Embora seja festejado na Alemanha, o Riesling tem sido negligenciado em outros mercados, como os EUA pelos consumidores que o consideram muito doce - mas a cada ano continua a perseverar e provar que as pessoas estavam erradas.

Tigre: você é conhecido por sua liderança e confiança, semelhante ao dos grandes vinhos de Bordeaux. Estes famosos vinhos tintos lideram o caminho no mundo do vinho há décadas, e sua confiança em seu produto com certeza não está diminuindo.
Coelho: Amigável e modesto, você está lá quando alguém precisa de você, e você não pede muito em troca, assim como o vinho Pinot Grigio. É um vinho branco que é fácil de apreciar, mas não se sente a necessidade de ser exibido sobre ele.

Dragão: Os dragões são excêntrico e criativos, traços que são compartilhados pelo vinho laranja. As pessoas levam um pouco de tempo para se acostumar com as excentricidades de vinho laranja, mas quemn estiver disposto a experimentá-los, vai se apaixonar põe ele.

Cobra: Você é inteligente e organizado, capaz de lidar com várias coisas ao mesmo tempo, da mesma maneira que um Châteauneuf-du-Pape que equaliza 13 diferentes variedades de uvas para se transformar em um vinho muito exclusivo.
Cavalo: Cavalos são ambiciosos e forte, assim como Zinfandel, um vinho tinto de primeira qualidade que sempre foi conhecido como o verdadeiro rei da Califórnia. Muitas vezes o Zinfandel (ou Primitivo da Puglia) pode ser um pouco forte demais, com um teor de álcool superior ao que você gostaria, mas depois de domado é um dos melhores vinhos que se conhece

Cabra: Elegantes e de bom gosto, cabras compartilham muito em comum com o Borgonha, um vinho tinto gostoso e elegante. Considerado por alguns como o Santo Graal do vinho tinto, um Borgonha tem um ar de classe e sofisticação, assim como a cabra.

Macaco: Você é conhecido por suas características impertinentes de não seguir regras, o que ocorre com os produtores de Super Toscanos. Como eles são rebeldes por natureza, vinhos Super Toscanos podem quebrar todas as regras; mas, como o macacos sabe, às vezes você tem que quebrar as regras para obter os melhores resultados.

Galo: Você não é apenas o primeiro a levantar todos os dias, mas também é corajoso, confiante e um pouco extravagante. Alguns podem até dizer que você é efervescente, o que faz você ser a combinação perfeita para Champagne. Pois é: ninguém ignora uma taça deste vinho, assim como ninguém pode ignorá-lo.

Cachorro: Você é leal, diligente e adaptável, assim como um dos vinhos tintos favoritos do mundo, o Merlot. Feito com uma uva que cresce bem em quase todo o mundo, Merlot raramente deixa você na mão, especialmente quando você mais precisa dele.

Porco: O porco é sociável e otimista; você pode até dizer que para o porco, tudo está sempre bem, tipo assim, rosé – e esta característica é o que torna este vinho a harmonização perfeita para quem nascer no signo destas criaturas simpáticas. 

(*) Rogerio Ruschel edita In Vino Viajas em São Pasulo, Brasil, e bebe vinhos que harmonizam com ratos, porcos, cavalos, macacos, cachorros, galos – sem nenhum preconceito