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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Conheça Daniel Martins, produtor de azeite de oliva biológico, surfista que limpa a praia e empreendedor sustentável premiado em Portugal


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado amigo ou amiga, o que tem dentro de uma garrafa de azeite biológico que não se encontra em uma garrafa de azeite comum? Ser um produto bio muda a identidade de um azeite? Quanto deve custar o produto biológico em relação a produtos convencionais, produzidos em larga escala? O que move uma pessoa jovem a investir em produtos biológicos que custam mais e dão muito mais trabalho? Como sou um contador de histórias, quero que você conheça alguém que vai nos ajudar com estas perguntas, o jovem produtor rural português Daniel Martins (foto acima) e sua Quinta da Serrinha (abaixo).

Daniel Martins é um jovem produtor de azeites finos biológicos na Quinta da Serrinha, em Alfândega da Fé, uma vila com 5.100 habitantes no Distrito de Bragança, Alto Trás-os-Montes, Portugal. Alguém até poderia dizer que ele está “escondido do mundo”, mas como a internet não tem fronteiras, ele acaba de se tornar meu amigo pelo Facebook e espero um dia conhecê-lo pessoalmente. Sei apenas que ele é um produtor biológico, jogador de volei de praia, surfista consciente que coleta lixo com os amigos (foto abaixo), que é engenheiro ambiental e foi um dos ganhadores Prêmio EDP Empreendedor Sustentável 2012.

Pois decidi compartilhar o comentário do Daniel sobre as dificuldades (mas também a alegria) de ser produtor biológico com meus leitores em 129 países porque sei que a maioria destes países importa azeites da peninsula ibérica e seria interessante conhecer este assunto. Mas também porque respeito o talento alheio e apoio produtos mais sustentáveis - e tenho certeza que você também. Com a palavra Daniel Martins (foto abaixo).

“Apesar da produção de cada oliveira ser bastante variável, parece-me bastante realista que a produção média de cada oliveira ronde meia saca, cerca de 15kg de azeitonas limpas. Tendo em conta agora um rendimento médio em azeite de 16%, ao qual se retiram 15% da chamada maquia (pagamento em azeite ao lagar que transforma as azeitonas em azeite), e para uma densidade comum de 0,92kg/L, obtemos cerca de 2,2L de azeite."

"Assim, uma familia que consome em média 4 garrafões de 5L por ano, cerca de 20L, precisa de cerca de 9 oliveiras. Essas mesmas oliveiras são plantadas, regadas, e só começam a produzir na melhor das hipoteses aos 5 anos de vida. Ocupam cerca de 144m2 cuidados de forma a permitir a saudável existência das mesmas árvores. É uma área que está reservada só para sí, para o seu azeite". Na foto abaixo Daniel apresenta seu azeite a avaliadores.

"Em agricultura biológica esses 144m2 são fertilizados através de estrume, sementeiras de plantas que fixam o azoto no solo e ainda pela destroçagem das ramas das podas. E no final existe uma certificadora que garante que as práticas estão dentro do modo de produção biológico. Ai, já me esquecia das deslocações, das análises quimicas e organolépticas do azeite, do design do rótulo e do embalamento. Ainda acha mesmo que o azeite, se for de qualidade, é caro?!” Na foto abaixo Daniel Martins em um workshop de cosmética natural.

Caro mesmo, meu caro amigo ou amiga, é um azeite sem identidade, qualidade e sabor. Mas a Quinta da Serrinha compra de terceiros e comercializa outros produtos como mel biológico de rosmaninho, vinho bio, queijo de ovelha, amêndoa bio, manteiga de karité biológica, cera de abelhas biológica e óleo de coco biológico – alguns destes produtos aparecem na foto abaixo.
A apresentação do azeite biológico vale a pena reproduzir, veja só: “O azeite Quinta da Serrinha provém de uma produção familiar de oliveiras transmontanas centenárias, em modo de produção biológico. Esta certificação, obtida no ano de 2013 e finalizando um processo que durou 2 anos, surge com o intuito de comprovar as boas práticas agrícolas aplicadas, não pondo em risco a biodiversidade animal e vegetal, assim como a saúde de quem consome o azeite.

A apanha da azeitona (na foto acima), a poda das oliveiras, a mobilização de terras, a tiragem de chupões, a sementeira de cobertura verde e a rega de estacas são tudo operações que empregam sazonalmente habitantes locais.  Ao comprar este azeite esta a contribuir para uma importante fonte de rendimento sazonal assim como a manutenção do olival típico da região, que não põe em causa os recursos naturais.”
Ainda não provei o azeite do Daniel, mas deve ser bom; se você quiser saber mais acesse o site  http://www.quintadaserrinha.com
Saiba mais sobre azeites de oliva no Brasil e sobre azeites que estão sendo produzidos no Brasil aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/05/azeite-de-oliva-made-in-brazil-producao.html e também aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/05/azeite-de-oliva-veja-como-esta.html
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, e gosta muito de azeite de oliva bem feito


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Veja como a certificação de origem preserva territórios, protege a identidade e valoriza as comunidades que pruduzem vinhos no Brasil


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu caro leitor ou leitora, como você sabe, o vinho tem identidade própria, herdada do território, do tipo de uva, do terroir e construída pela cultura da comunidade e pelo talento do produtor. Embora produza vinhos comercialmente desde 1875, o Brasil começou a se preocupar com a identidade de seus vinhos apenas há 15 anos, com a busca por uma certificação de origem. Só para termos uma referência, a Itália tem 403 vinhos com Denominações de Origem Controlada ou Denominação de Origem Controlada e Garantida e 118 com Indicações Geográficas e a certificação organiza o caos porque os italianos utilizam cerca de 500 diferentes tipos de uvas para produzir os vinhos certificados.  Na foto abaixo a geada na serra gaúcha, em foto do jornal Zero Hora.

Mas qual a importância disso? A certificação existe para garantir a reputação do vinho e identificar a região na qual ele é produzido - na atividade agrícola agregar valor ao produto original pode aumentar o lucro do produtor. Soja beneficiada, suco de uva puro congelado e tomate orgânico, por exemplo, são produtos com maior valor agregado do que seus similares convencionais. Pois na atividade agrícola que trabalha com especialidades enogastronômicas como vinhos, queijos, temperos, azeites, chás, carnes e outros alimentos, os produtos agrícolas tem outra dimensão: são considerados ativos fundamentais do patrimônio de uma comunidade e não só por seu valor econômico, mas também por sua importância social e cultural.

Assim, um vinho Chianti ou Bordeux ou uma garrafa de Champagne representam a expressão engarrafada de centenas de anos de pesquisas, experiências, melhorias e muito controle de qualidade. Uma Denominações de Origem - DO é a senha de uma identidade que se considera única por fatores  culturais, biológicos, do terroir ou climáticos. O sistema de classificação francês foi criado formalmente em 1935, com as AOCs (Apéllation d’Origine Controlée). Portugal tem a denominação de origem regulamentada mais antiga, feita para o vinho do Porto, criada em 1756. Quando estive na Borgonha francesa pude ver a seriedade com que fiscais vão aos vinhedos avaliar as uvas e certificar sua origem para avalizar seu valor.

Esta certificação no Brasil é feita na forma da licença de uso de uma Denominação de Origem (DO) ou Indicação de Procedência (IP) e a classificação exige o cumprimento de normas bastante restritas que abrangem desde o cultivo da uva até o engarrafamento do vinho. Veja a seguir as iniciativas do Brasil nesta direção, com dados e informações do Instituto Brasileiro do Vinho - Ibravin.

DO Vale dos Vinhedos
O Vale dos Vinhedos (no centro do mapa de turismo acima) foi a primeira região vinícola a buscar regras de certificação, recebendo a Denominação de Origem (DO) em 2012, 10 anos após a região alcançar o status de Indicação de Procedência (IP), pré-requisito exigido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) – órgão oficial  brasileiro de certificacões - para a concessão da DO. As uvas permitidas são Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Tannat, Chardonnay e Riesling Itálico; os Espumantes apodem usar Chardonnay, Pinot Noir e o Riesling Itálico. A Denominação de Origem Vale dos Vinhedos e a Indicação de Procedência (IP) Pinto Bandeira (mais abaixo) lançaram recentemente um cadastro georreferenciado de suas áreas feito pela Embrapa Uva e Vinho com o apoio do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). In Vinho Viajas divulgou, veja aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/11/saiba-como-o-georrerenciamento-de.html
 

IP Pinto Bandeira
Pinto Bandeira, município da serra gaúcha, teve sua vocação para a elaboração de espumantes reconhecida em 2010 pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) por meio da Indicação de Procedência (IP) para a região. Os produtos que recebem o selo da IP são previamente avaliados por um júri regulador, que verifica se os rótulos apresentam a qualidade mínima esperada e se trazem as características particulares dos vinhos e espumantes elaborados em Pinto Bandeira.

IP Altos Montes
Com 173,84 quilômetros quadrados, a Indicação de Procedência (IP) Altos Montes é a maior já certificada no Brasil. Abrange Flores da Cunha e Nova Pádua, na Serra Gaúcha, municípios que estão entre os maiores produtores de vinhos por volume do Brasil. Foi batizada assim por causa de seu relevo acidentado e pela altitude, que chega a 885 metros. O cultivo da uva na região é marcado pela ocorrência em pequenas propriedades e por empregar basicamente mão-de-obra familiar, o que não impediu que as vinícolas fizessem uso de alta tecnologia para elaborar vinhos cada vez melhores.
IP Vales da Uva Goethe
Única Indicação de Procedência (IP) relativa à vitivinicultura fora do Rio Grande do Sul até agora, os Vales da Uva Goethe compreendem a produção de vinhos brancos, espumantes ou licorosos a partir dessa variedade no Litoral Sul de Santa Catarina. O ponto de referência geográfico da IP é a cidade de Urussanga, mas se estende por outros sete municípios vizinhos. Obtida em 2011, a certificação de origem foi uma conquista da Associação dos Produtores da Uva e do Vinho Goethe da Região de Urussanga (Progoethe), entidade fundada para agregar vinicultores e desenvolver a imagem dessa casta.

IP Vinhos de Farroupilha
Em julho de 2015 os produtores que integram a Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin) viram a publicação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) do processo oficializando o certificado de registro da mais nova Indicação Geográfica (IG) de vinhos do país, a Indicação de Procedência (IP) Farroupilha para vinhos finos moscatéis. O trabalho foi feito pela Embrapa Uva e Vinho, que coordenou o projeto técnico.
E só para você ter certeza de que uma certificação é coisa séria, meu amigo ou amiga, saiba que o processo exigiu a preparação de um dossiê com a delimitação geográfica, a caracterização da vitivinicultura (vinhedos e vinícolas), os processos de produção, as características de qualidade química e sensorial dos vinhos, incluindo a comprovação do renome da região como produtora de vinhos moscatéis finos. No projeto, constou também a formulação do Regulamento de Uso da IP, estabelecendo os processos de produção exclusivos e obrigatórios, bem como do Sistema de Controle para a qualificação dos vinhos com o qualificativo da IP. 
O cultivo da uva está se expandindo no Brasil, como mostra o quadro acima. Outras três regiões brasileiras estão buscando certificações. Na Serra Gaúcha os Vinhedos de Monte Belo (através da Aprobelo) já ingressaram com pedido no INPI para a Indicação Geográfica de seus vinhos. Na região da campanha gaúcha a Vinhos da Campanha trabalha para o reconhecimento da zona produtora que abrange a fronteira do Brasil com o Uruguai. E no nordeste brasileiro os produtores ligados ao Instituto do Vinho Vale do São Francisco (VinhoVasf) buscam a certificação para o Vale do Submédio São Francisco (foto abaixo).

No Brasil vários produtos tem certificações no INPI como melões, queijos, carne bovina, cafés, chás, cachaça, couro, artesanato, arroz, pedras de gnaisse e até camarões da Costa Negra – saiba mais no site do INPI.
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas e certifica que seus textos são produzidos em São Paulo, Brasil.  As fotos tem origem no site do Ibravin - exceto uma delas que é certificadamente do jornal Zero Hora.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Congressos internacionais da Aenotur em 2015 inauguram sede da entidade e mobilizam profissionais, empresas e organizações em vários países.

Por Rogerio Ruschel (*)

Prezado amigo ou amiga. O desenvolvimento do enoturismo tem se acelerado nos últimos 5 anos e para que fique registrado, apresento nesta matéria um resumo das atividades da Aenotur (Associação Internacional de Enoturismo) no ano de 2015, dos quais tive a oportunidade de participar. Este artigo foi publicado também na edição de novembro de 2015 da revista da AMPV  (Associação dos Municípios Portugueses de Vinho) (ver foto abaixo), entidade que representa cerca de 80 municípios portugueses e que foi co-fundadora da Aenotur.
Como o enoturismo vem crescendo muito rapidamente em todas as regiões vinícolas do planeta, se mostrou necessária a criação de uma entidade que estabelecesse pontes de relacionamento positivo entre os vários continentes para facilitar a qualificação profissional e intercâmbios de mercado. Com esses objetivos a Aenotur foi criada em maio de 2014 e atualmente reúne cerca de 400 municípios, diretamente ou através de entidades associativas, em sete países (Argentina, Brasil, Uruguai, Portugal, Espanha, França e Portugal). A Aenotur realizou dois congressos internacionais de 2015 para debater aspectos de mercado, qualificação profissional, intercâmbio e expansão geográfica, dos quais participei como repórter e como palestrante.
O 4o. Congresso Internacional de Enoturismo – Europa foi realizado de 2 a 4 de julho na região do Minho e dos Vinhos Verdes, norte de Portugal (na cidade de Viana do Castelo com visitas técnicas a Ponte de Lima, Ponte da Barca, Melgaço e Monção) e Espanha (Cambados) pela Câmara Municipal de Viana do Castelo com o apoio da AMVP e da Xunta de Galícia e reuniu 22 palestrantes de Portugal, França, Itália, Espanha, Alemanha, Brasil, Argentina e Uruguai.
Cerca de 300 congressistas asssistiram a mais de 20 conferências sobre o perfil do enoturista, a oferta de produtos no mercado internacional e participaram de visitas técnicas a Museus e vinícolas da região. Na foto acima uma das mesas diretoras do evento e abaixo evento de congraçamento entre os participantes.
Entre os principais resultados registra-se a eleição da Diretoria 2015/2017 presidida pelo Eng.º José Maria Costa, Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo (no centro da foto abaixo) com diretores da AMPV (Portugal), Associação Iter Vitis (França), Cittá del Vino (Itália), do Brasil e do Uruguai.
Outro evento importante para a organização e seus associados foi a inauguração da sede da Aenotur em Viana do Castelo. A sede fica no edifício do Hospital Velho, na Praça da Erva, em pleno centro histórico da cidade, um patrimônio com mais de 800 anos, onde funcionou até final de 2014 um Posto de Turismo do Porto e Norte de Portugal. Veja as fotos abaixo.

 
Congresso na America Latina

A Aenotur é a primeira organização que busca estabelecer intercâmbio de conhecimentos e de mercado entre os paises europeus ibéricos e sul-americanos e na qual países da América Latina não são apenas assistentes, e sim protagonistas. A realização deste Congresso no Uruguai é uma das iniciativas para o estabelecimento destas pontes sobre o Oceano Atlântico.

De 16 a 18 de setembro foi realizada o 5o. Congresso Internacional de Enoturismo – Latinoamérica da Aenotur em Montevidéu, Uruguai, coordenado pela Associación de Turismo Enológico del Uruguay (Ateu) com o apoio da AMVP e do Ministério do Turismo do Uruguai. Veja foto do cartaz acima e a abertura do evento com a presença do Ministro Substituto do Turismo do Uruguai, na foto abaixo.
 Cerca de 280 profissionais participaram de mais de 20 horas de palestras apresentadas por especialistas da Argentina, Brasil, Chile, Estados Unidos, Espanha e Portugal com estudos de mercado, casos de sucesso, políticas públicas e modelos de capacitação. Nas fotos abaixo o grupo de palestrantes e organizadores em foto oficial e o congraçamento entre participantes em uma das visitas técnicas.
O evento marcou a aproximação da Aenotur com a América do Norte - através da Visit Napa Valley - e a mobilização para a criação de uma Rota do Turismo do Vinho na América do Sul.

Os próximos dois congressos da Aenotur serão realizados na Itália (julho 2016) e Argentina (setembro 2016). 
E de 7 a 9 de setembro de 2016 será realizada a primeira Conferência Mundial sobre Enoturismo pela Organização Mundial do Turismo (UNWTO da ONU), na região vinícola de Kakheti, na Geórgia – tombada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco e onde se acredita ter nascida a indústria do vinho há cerca de 8.000 anos atrás. Vamos até lá?  

A revista eletrônica da AMPV pode ser acessada em http://issuu.com/ampv/docs/boletim_amp_vinho_02/1
Saiba mais sobre o 4o. Congresso Internacional de Enoturismo – Europa aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/07/aenotur-encerra-o-4o-congresso.html
Saiba mais sobre o 5o. Congresso Internacional de Enoturismo – Latinoamérica aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/09/congresso-de-enoturismo-de-montevideu.html
(*) Rogerio Ruschel, é editor do blog In Vino Viajas e participou dos dois Congressos de 2015 a convite da Aenotur e pretende participar dos eventos que estão planejados para 2016 para manter seus leitores informados.



terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Surpresas enológicas: vinho para comer como sorvete, queijo, compota, geleia, caviar e até mesmo pirulito; conheça e saiba onde encontrar


Por Rogerio Ruschel (*)
Evidentemente o que todo enófilo como eu e você desejamos é degustar um vinho: apreciar a cor, saborear o aroma e finalmente sentir o sabor se espalhando pela boca. Esta é sempre uma oportunidade especial: beber um vinho, preferencialmente com amigos. Mas e se pudessemos também comer vinho? Muita gente já se fez e vai continuar fazendo essa pergunta e muitas respostas já estão no mercado. In Vino Viajas pesquisou e mostra para você algumas alternativas comestíveis para saborear vinho - se isso for possivel, é claro. Mas de qualquer maneira, meu caro leitor ou leitora, veja abaixo algumas opções de vinho para comer.

Vamos começar com delícias premium: vinho para comer em forma de caviar, compota ou chocolate.  Uma empresa de Portugal, a Sapientia Romanade, lançou recentemente um pacote de produtos que tem aroma e sabor de vinho, mas não têm álcool, e segundo informam, cada produto "mantêm os traços principais da casta que lhe deu origem". Trata-se do projeto "Wine to Eat" que desenvolveu produtos como caviar, geleias e trufas de chocolate feitos à base de vinho do Porto, de moscatel (de Setúbal?) ou de vinhos de castas monovarietais como a touriga nacional, o pinot noir ou chardonnay. A ideia é, segundo o coordenador do projeto, Ricardo Correia, o coordenador do projeto, levar os vinhos portugueses para "as colheres dos consumidores europeus".
Os produtos foram desenvolvidos pelo “chef” António Mauritti e resultaram da aplicação de técnicas avançadas de cozinha molecular. "Tudo aquilo que nós fazemos tem um aspecto inovador, são novas técnicas de gastronomia; o caviar é feito à mão. As trufas são cobertas e emulsionadas à mão e as geleias também são totalmente controladas à mão, não temos máquinas especiais", informou o cozinheiro. O caviar exigiu cinco anos de dedicação para chegar ao resultado final. Ele explica como foi feito: "Reduzimos o álcool do vinho, fazemos uma pequena adição de açúcar, adicionamos ingredientes, neste caso enriquecemos com cálcio e fazemos submergir num banho com gelificante. Quando as gotas caem dentro desse banho cria-se uma membrana de uma geleia muito fina que encapsula lá dentro o vinho. Ficamos com uma bolinha com vinho lá dentro para degustarmos”. Simples, não?  O caviar está abaixo.

A aposta principal da empresa portuguesa é o mercado internacional. A marca foi criada em inglês, o site é em inglês e o próximo passo vai ser desenvolver versões destes produtos com vinhos estrangeiros como Pinot Noir e Sangiovese. Em Portugal os produtos podem ser encontrados no aeroporto de Lisboa (foto abaixo), em lojas gourmet, mercearias finas, lojas de vinhos (garrafeiras) e podem também ser adquiridos online, aqui: http://www.winetoeat.com/products.html

Outro produto que sempre harmoniza muito bem com vinhos brancos ou vinhos colheita tardia é queijo, concorda? Eu também, mas uma queijaria de Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha, está fazendo queijos a base de vinho tinto para harmonizar consigo mesmos. E o tal do queijo acaba de ganhar um prêmio internacional. O queijo de vinho feito em Tenerife (foto abaixo) tem a aparência usual de um queijo, mas o sabor e a textura cativaram os jurados do concurso internacional World Cheese Awards, o mais prestigiado do setor, realizado em Outubro de 2015 em Londres, onde competiram 2.600 queijos de 33 países.

O queijo cottage com sabor de vinho da pequena produtora Quesería Montesdeoca foi premiado com a medalha de bronze – a mesma empresa também ganhou outro prêmio pelo seu leite de cabra defumado. O queijo com sabor de vinho tinto foi produzido pela família Montesdeoca na pequena aldeia de Tijoco Bajo, no município de Adeje, no sul de Tenerife, que tem apenas 1.500 habitantes. E acredite, meu prezado leitor ou leitora, os recursos da família são apenas um pedaço de terra, 1.200 cabras e muito talento para inovar.
Alberto Montesdeoca, de 30 anos e que dá duro como seus pais e irmãos explicou como chegaram ao queijo de vinho campeão:  "Com trabalho duro todos os dias". A base é um queijo “velho”, com cerca de 12 meses de maturação, que é colocado por duas semanas em um barril de vinho. Os jurados desconfiaram que não deve ser assim tão simples, mas não forçaram o produtor a entregar a receita. A produção é pequena, mas se você quiser provar tente comprar pelo site dos Montedeosca, aqui: http://www.quesosmontesdeoca.com/

 
E que tal sorvete de vinho? Esse é mais fácil, já vi alguma coisa parecida, mas a empresa norte-americana Mercer’s caprichou e desenvolveu sorvetes (foto acima) com sabores de várias uvas: merlot, cabernet com chocolate, zinfandel, porto, riesling, chardonnay, um “spice” que mistura várias uvas e finalmente um espumante, que segundo os fabricantes, tem mesmo pequenas bolhas…
Alguns dos sabores associam uvas a outros sabores como frutas, chocolate, cassis e muitos deles tem recomendações de harmonização – que eu, pessoalmente, penso que se trata apenas de uma estratágia de comunicação. Mas neste doido mundo do vinho, meu caro leitor ou leitora, não se deve duvidar de quase nada… A Mercer’s fica no estado de Nova Iorque e vende nos Estados Unidos e em alguns paises através de distribuidores como na Alemanha, Holanda, Canadá e México. Se você não está em nenhum destes paises tente comprar pela internet - http://www.mercersdairy.com/#!home/mainPage - embora talvez seja dificil garantir que você consiga receber o sorvete não desmanchado…

Mas se estiver em dúvida entre comer ou beber um vinho, anote esta: você pode chupar um vinho – na verdade, um pirulito com sabor de vinho. Pois é, esta também vem dos Estados Unidos.  A Lollyphile é um fabricante de doces nascida em San Francisco, Califórnia e crescida em Austin, Texas - Estados Unidos. Embora tenha apenas 6 anos se tornou muito conhecida nos Estados Unidos pelos sabores originais de seus pirulitos – e pela comunicação baseada em momentos de muita sensualidade - feitos especialmente para jovens moderninhos que procuram novidades diferenciadas. Como por exemplo, este instigante pirulito com sabor de vinho Merlot, na foto acima.

A loira da foto acima está degustando um pirulito de Chardonnay – dá para perceber, não? Outro dos novos sabores de pirulitos com sabor de vinhos é um clássico: cabernet sauvignon. Se você prestar atenção, vai ver que a morena abaixo está segurando um pirulito de cabernet sauvignon. Se você estiver em dúvida sobre qual sabor de vinho escolher, não tem problema: compre todos para degustar.

Se quiser saber mais sobre estes pirulitos acesse aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/04/tirem-as-criancas-da-sala-chegaram-os.html
Um brinde a criatividade em torno do vinho.
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas desde São Paulo, Brasil, e gosta de vinho para beber e para comer.