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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Drew Barrymore, a linda Pantera de Hollywood, lança seu vinho próprio, um romântico Pinot Grigio californiano com aromas de limão, pera e melão


Por Rogerio Ruschel (*)

Meu prezado leitor ou leitora, devo estar enganado mas às vezes acho que todo mundo gostaria de ter seu próprio vinho. Eu, pelo menos, gostaria – e provavelmente seria tinto e de médio corpo. Pois a atriz norte-americana Drew Barrymore também. Mas como ela tem dinheiro, já tem sua vinícola própria (a Barrymore Wines) e seu próprio vinho, o Barrymore Pinot Grigio.

Atriz bonita, competente e divertida, Drew Barrymore surgiu no mundo do cinema em 1982 com seu quarto filme como a Gertie, uma das meninas da familia que recebeu a visita do “ET – O Extraterrestre”. Na sequência fez filmes de ação divertidinhos, como uma das “As Panteras”, dos anos 2000, mas de fato encontrou o sucesso repetido com comédias românticas como “Juntos e Misturados” que estrelou em 2014, com Adam Sandler (na foto abaixo).

Pois a bonitinha de 41 anos é boa também nos negócios. Mãe de duas filhas, autora de um livro de fotografias, mobilizadora social e dona de uma marca própria de produtos de beleza e maquiagem, a Flower Beauty, em 2012 fez uma parceria com a vinicola californiana Carmel Road e em 2014 lançou seu próprio vinho com a uva Pinot Grigio, como uma “memória de fatos acontecidos em sua familia”, como informa o site.

Vendeu todas as primeiras 2.000 garrafas produzidas, é claro, mas sinceramente meu amigo ou amiga, até eu venderia porque se 2.000 garrafas é uma mixaria para qualquer produtor, imagine para uma estrela de Hollywood, não?

Os vinhos da Drew Barrymore são produzidos pelo enólogo Kris Kato, de Portland, que é também quem desenvolve os outros rótulos da Carmel Road, os tintos Panorama, Monterey e Drew’s Blend – todos baseados na uva Pinot Noir e os brancos Carmel Road Unoaked Chardonnay e Carmel Road Unoaked Riesling. Todos os vinhos tem preços entre 25 e 38 dólares. Só o Monterey Pinot Grigio vem assinado pela Barrymore Wines e a safra 2013 custa entre US$ 54.00 e US$ 97.00 a unidade, em lojas dos Estados Unidos.

Ainda não provei o vinho da Pantera de Hollywood, mas especialistas dizem que o Monterey Pinot Grigio de Barrymore apresenta sabores de limão, pêra asiática e melão, com uma mineralidade que é a marca registrada de vinhedos "rochosos" da região de Monterey, Califórnia. A própria atriz informa que o Pinot Grigio pode ser harmonizado com muitos pratos e que fica especial com nhoque na manteiga brown com sálvia e salada Caprese. Eu gosto da uva italiana Pinot Grigio (ou Pinot Gris) e vou ver se encontro alguma das 2.000 garrafas do vinho da Barrymore; se encontrar informarei você.

(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, e se lembra quando assistiu o filme ET.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Pesquisa na Espanha mostra que 91% dos turistas buscam informações sobre enoturismo em sites especializados e apenas 9% nos sites das vinícolas


Por Rogerio Ruschel (*)

Meu caro leitor ou leitora, a indústria do vinho é de importância estratégica na Espanha. A produção de vinhos é uma herança nacional, faz parte das famílias, da história e da cultura do país e do ponto de vista econômico representa uma das principais indústrias do PIB. Em 2013 a Espanha foi o maior produtor mundial de vinhos e em 2014 ficou apenas um pouquinho atrás da França – estes dois países estão constantemente trocando de posição, mes a mes.


Embora o enoturismo na França seja mais desenvolvido, na Espanha a atividade é também gigantesca: conforme dados da Acevin, a Associação Espanhola de Cidades do Vinho, cerca de 42.000 vinícolas receberam um pouco mais de 2 milhões de turistas em 2014, gerando cerca de 50.000 postos de trabalho nas 24 rotas de vinho certificadas (mapa acima e quadro abaixo). O movimento financeiro somente das 523 vinícolas e 29 museus associadas ultrapassou 42,5 milhões de Euros, algo como 161 milhões de Reais. Este número não inclui o faturamento de outros estabelecimentos que também fazem parte das rotas de turismo do vinho como hotéis, alojamentos, lojas especializadas e restaurantes.

 


A atividade é levada muito a sério e como existem centenas de opções de degustações nas 50 províncias espanholas e para encontrá-las era necessário pesquisar individualmente na internet, em 2013 uma empresa criou o primeiro software de geolocalização e georeferência de degustações de vinhos no país para facilitar a vida do enoturista. A empresa se chama Cata Del Vino e o portal (www.catadelvino.com) está se tornando uma espécie de Trivago do setor de vinho no pais. 
--> Na foto abaixo, La Rioja, que também está no Cata Del Vino, e ao longo da matéria veja alguns dos gráficos desta pesquisa.

--> Pois o portal realizou uma pesquisa em novembro de 2015 com cerca de mil enoturistas e resumo aqui alguns dos resultados que são interessantes. A começar pela praticidade de ter a vida facilitada por um buscador especializado que elimina dezenas de horas de pesquisa na internet. Agora esta obviedade foi dimensionada: 91% dos entrevistados reconhecem que buscadores e sites que informam sobre as atividades de enoturismo disponíveis nas datas procuradas são úteis para o planejamento da viagem. Buscar informação em sites especializados é a solução para resolver um grande problema, agora também dimensionado: 67% dos entrevistados afirmaram que não é fácil de encontrar as atividades de degustação nos sites das adegas.

A pesquisa reforçou também o que outros levantamentos e In Vino Viajas já vem informando: 93% dos entrevistados declararam ter interesse em comprar vinho nas vinícolas que visitam e 52% deles disseram que o motivo que os levou a visitar uma adega foi a oferta de preços dos vinhos (veja acima). Só para comparar: em 2014 a Great Wines Capital, associação que reúne os principais pólos de produção vinícola do mundo, divulgou uma pesquisa informando que cerca de 32% da produção de vinhos das adegas associadas era vendida no balcão, para turistas.


Embora 56% dos entrevistados reconheçam que o que os atrai é provar o vinho na vinícola onde ele é feito, 64% dos entrevistados disseram que a atração no enoturismo não é apenas conhecer as vinícolas e degustar vinhos, mas também visitar a região, a comunidade e seus arredores.

Outra coisa óbvia foi agora dimensionada por esta pesquisa da Espanha: 72% dos entrevistados admitem não entender a terminologia utilizada pelo produtor ou sommelier que coordenou a degustação de vinhos oferecidos no tour vinícola. E apenas 37% dos entrevistados disseram que o que mais valorizaram na visita à vinicola foi a explicação sobre o processo de vinificação e a degustação. O que ocorre é que a maioria dos enólogos e sommeliers acham que todas as pessoas tem o mesmo grau de interesse e de informação sobre o vinho que eles tem, o que certamente não é verdade. Eu, por exemplo – e talvez você – não tenho o menor interesse em saber dados técnicos de produção do vinho, e sim ver onde foi feito, por quem, e prová-lo. Vale repetir o que tenho dito: o enoturismo só vai ser viável quando for operado para turistas “normais”, e como uma atividade regional, e não apenas dentro de vinícolas e para turistas especializados em vinho.

Outros dados são interessantes. Os visitantes percebem que a visitação é um bom negócio: 87% dos entrevistados consideram que o turismo do vinho é muito bom para a imagem de marca dos vinhos e das vinícolas e 52% deles acreditam que o turismo do vinho é também economicamente rentável para as vinícolas visitadas. E 83% dos entrevistados disseram que recomendariam aos seus amigos e familiares o roteiro que fez.

A pesquisa da Cata Del Vino conclui resumindo que o enoturismo promove a cultura do vinho; aumenta o turismo no território; é uma nova forma de renda adicional para os produtores de vinho; aumenta o consumo de vinho por novos usuários; promove melhorias no ambiente e na infra-estrutura; melhora a imagem do vinho como produto e diversifica o turismo permitindo ajustes sazonais, porque é uma atividade que pode ser realizada o ano inteiro.

Então meu prezado leitor ou leitora, façamos um brinde à alegria de poder conhecer novas comunidades da cultura do vinho e à boa informação que podemos compartilhar aqui no In Vino Viajas: tim-tim!

(*) Rogerio Ruschel edita In Vino Viajas a partir de São Paulo, Brasi, mas pesquisa tudo sobre enoturismo, em todos os países que tenham informações 

 

 


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Conheça Daniel Martins, produtor de azeite de oliva biológico, surfista que limpa a praia e empreendedor sustentável premiado em Portugal


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado amigo ou amiga, o que tem dentro de uma garrafa de azeite biológico que não se encontra em uma garrafa de azeite comum? Ser um produto bio muda a identidade de um azeite? Quanto deve custar o produto biológico em relação a produtos convencionais, produzidos em larga escala? O que move uma pessoa jovem a investir em produtos biológicos que custam mais e dão muito mais trabalho? Como sou um contador de histórias, quero que você conheça alguém que vai nos ajudar com estas perguntas, o jovem produtor rural português Daniel Martins (foto acima) e sua Quinta da Serrinha (abaixo).

Daniel Martins é um jovem produtor de azeites finos biológicos na Quinta da Serrinha, em Alfândega da Fé, uma vila com 5.100 habitantes no Distrito de Bragança, Alto Trás-os-Montes, Portugal. Alguém até poderia dizer que ele está “escondido do mundo”, mas como a internet não tem fronteiras, ele acaba de se tornar meu amigo pelo Facebook e espero um dia conhecê-lo pessoalmente. Sei apenas que ele é um produtor biológico, jogador de volei de praia, surfista consciente que coleta lixo com os amigos (foto abaixo), que é engenheiro ambiental e foi um dos ganhadores Prêmio EDP Empreendedor Sustentável 2012.

Pois decidi compartilhar o comentário do Daniel sobre as dificuldades (mas também a alegria) de ser produtor biológico com meus leitores em 129 países porque sei que a maioria destes países importa azeites da peninsula ibérica e seria interessante conhecer este assunto. Mas também porque respeito o talento alheio e apoio produtos mais sustentáveis - e tenho certeza que você também. Com a palavra Daniel Martins (foto abaixo).

“Apesar da produção de cada oliveira ser bastante variável, parece-me bastante realista que a produção média de cada oliveira ronde meia saca, cerca de 15kg de azeitonas limpas. Tendo em conta agora um rendimento médio em azeite de 16%, ao qual se retiram 15% da chamada maquia (pagamento em azeite ao lagar que transforma as azeitonas em azeite), e para uma densidade comum de 0,92kg/L, obtemos cerca de 2,2L de azeite."

"Assim, uma familia que consome em média 4 garrafões de 5L por ano, cerca de 20L, precisa de cerca de 9 oliveiras. Essas mesmas oliveiras são plantadas, regadas, e só começam a produzir na melhor das hipoteses aos 5 anos de vida. Ocupam cerca de 144m2 cuidados de forma a permitir a saudável existência das mesmas árvores. É uma área que está reservada só para sí, para o seu azeite". Na foto abaixo Daniel apresenta seu azeite a avaliadores.

"Em agricultura biológica esses 144m2 são fertilizados através de estrume, sementeiras de plantas que fixam o azoto no solo e ainda pela destroçagem das ramas das podas. E no final existe uma certificadora que garante que as práticas estão dentro do modo de produção biológico. Ai, já me esquecia das deslocações, das análises quimicas e organolépticas do azeite, do design do rótulo e do embalamento. Ainda acha mesmo que o azeite, se for de qualidade, é caro?!” Na foto abaixo Daniel Martins em um workshop de cosmética natural.

Caro mesmo, meu caro amigo ou amiga, é um azeite sem identidade, qualidade e sabor. Mas a Quinta da Serrinha compra de terceiros e comercializa outros produtos como mel biológico de rosmaninho, vinho bio, queijo de ovelha, amêndoa bio, manteiga de karité biológica, cera de abelhas biológica e óleo de coco biológico – alguns destes produtos aparecem na foto abaixo.
A apresentação do azeite biológico vale a pena reproduzir, veja só: “O azeite Quinta da Serrinha provém de uma produção familiar de oliveiras transmontanas centenárias, em modo de produção biológico. Esta certificação, obtida no ano de 2013 e finalizando um processo que durou 2 anos, surge com o intuito de comprovar as boas práticas agrícolas aplicadas, não pondo em risco a biodiversidade animal e vegetal, assim como a saúde de quem consome o azeite.

A apanha da azeitona (na foto acima), a poda das oliveiras, a mobilização de terras, a tiragem de chupões, a sementeira de cobertura verde e a rega de estacas são tudo operações que empregam sazonalmente habitantes locais.  Ao comprar este azeite esta a contribuir para uma importante fonte de rendimento sazonal assim como a manutenção do olival típico da região, que não põe em causa os recursos naturais.”
Ainda não provei o azeite do Daniel, mas deve ser bom; se você quiser saber mais acesse o site  http://www.quintadaserrinha.com
Saiba mais sobre azeites de oliva no Brasil e sobre azeites que estão sendo produzidos no Brasil aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/05/azeite-de-oliva-made-in-brazil-producao.html e também aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/05/azeite-de-oliva-veja-como-esta.html
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, e gosta muito de azeite de oliva bem feito


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Veja como a certificação de origem preserva territórios, protege a identidade e valoriza as comunidades que pruduzem vinhos no Brasil


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu caro leitor ou leitora, como você sabe, o vinho tem identidade própria, herdada do território, do tipo de uva, do terroir e construída pela cultura da comunidade e pelo talento do produtor. Embora produza vinhos comercialmente desde 1875, o Brasil começou a se preocupar com a identidade de seus vinhos apenas há 15 anos, com a busca por uma certificação de origem. Só para termos uma referência, a Itália tem 403 vinhos com Denominações de Origem Controlada ou Denominação de Origem Controlada e Garantida e 118 com Indicações Geográficas e a certificação organiza o caos porque os italianos utilizam cerca de 500 diferentes tipos de uvas para produzir os vinhos certificados.  Na foto abaixo a geada na serra gaúcha, em foto do jornal Zero Hora.

Mas qual a importância disso? A certificação existe para garantir a reputação do vinho e identificar a região na qual ele é produzido - na atividade agrícola agregar valor ao produto original pode aumentar o lucro do produtor. Soja beneficiada, suco de uva puro congelado e tomate orgânico, por exemplo, são produtos com maior valor agregado do que seus similares convencionais. Pois na atividade agrícola que trabalha com especialidades enogastronômicas como vinhos, queijos, temperos, azeites, chás, carnes e outros alimentos, os produtos agrícolas tem outra dimensão: são considerados ativos fundamentais do patrimônio de uma comunidade e não só por seu valor econômico, mas também por sua importância social e cultural.

Assim, um vinho Chianti ou Bordeux ou uma garrafa de Champagne representam a expressão engarrafada de centenas de anos de pesquisas, experiências, melhorias e muito controle de qualidade. Uma Denominações de Origem - DO é a senha de uma identidade que se considera única por fatores  culturais, biológicos, do terroir ou climáticos. O sistema de classificação francês foi criado formalmente em 1935, com as AOCs (Apéllation d’Origine Controlée). Portugal tem a denominação de origem regulamentada mais antiga, feita para o vinho do Porto, criada em 1756. Quando estive na Borgonha francesa pude ver a seriedade com que fiscais vão aos vinhedos avaliar as uvas e certificar sua origem para avalizar seu valor.

Esta certificação no Brasil é feita na forma da licença de uso de uma Denominação de Origem (DO) ou Indicação de Procedência (IP) e a classificação exige o cumprimento de normas bastante restritas que abrangem desde o cultivo da uva até o engarrafamento do vinho. Veja a seguir as iniciativas do Brasil nesta direção, com dados e informações do Instituto Brasileiro do Vinho - Ibravin.

DO Vale dos Vinhedos
O Vale dos Vinhedos (no centro do mapa de turismo acima) foi a primeira região vinícola a buscar regras de certificação, recebendo a Denominação de Origem (DO) em 2012, 10 anos após a região alcançar o status de Indicação de Procedência (IP), pré-requisito exigido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) – órgão oficial  brasileiro de certificacões - para a concessão da DO. As uvas permitidas são Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Tannat, Chardonnay e Riesling Itálico; os Espumantes apodem usar Chardonnay, Pinot Noir e o Riesling Itálico. A Denominação de Origem Vale dos Vinhedos e a Indicação de Procedência (IP) Pinto Bandeira (mais abaixo) lançaram recentemente um cadastro georreferenciado de suas áreas feito pela Embrapa Uva e Vinho com o apoio do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). In Vinho Viajas divulgou, veja aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/11/saiba-como-o-georrerenciamento-de.html
 

IP Pinto Bandeira
Pinto Bandeira, município da serra gaúcha, teve sua vocação para a elaboração de espumantes reconhecida em 2010 pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) por meio da Indicação de Procedência (IP) para a região. Os produtos que recebem o selo da IP são previamente avaliados por um júri regulador, que verifica se os rótulos apresentam a qualidade mínima esperada e se trazem as características particulares dos vinhos e espumantes elaborados em Pinto Bandeira.

IP Altos Montes
Com 173,84 quilômetros quadrados, a Indicação de Procedência (IP) Altos Montes é a maior já certificada no Brasil. Abrange Flores da Cunha e Nova Pádua, na Serra Gaúcha, municípios que estão entre os maiores produtores de vinhos por volume do Brasil. Foi batizada assim por causa de seu relevo acidentado e pela altitude, que chega a 885 metros. O cultivo da uva na região é marcado pela ocorrência em pequenas propriedades e por empregar basicamente mão-de-obra familiar, o que não impediu que as vinícolas fizessem uso de alta tecnologia para elaborar vinhos cada vez melhores.
IP Vales da Uva Goethe
Única Indicação de Procedência (IP) relativa à vitivinicultura fora do Rio Grande do Sul até agora, os Vales da Uva Goethe compreendem a produção de vinhos brancos, espumantes ou licorosos a partir dessa variedade no Litoral Sul de Santa Catarina. O ponto de referência geográfico da IP é a cidade de Urussanga, mas se estende por outros sete municípios vizinhos. Obtida em 2011, a certificação de origem foi uma conquista da Associação dos Produtores da Uva e do Vinho Goethe da Região de Urussanga (Progoethe), entidade fundada para agregar vinicultores e desenvolver a imagem dessa casta.

IP Vinhos de Farroupilha
Em julho de 2015 os produtores que integram a Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin) viram a publicação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) do processo oficializando o certificado de registro da mais nova Indicação Geográfica (IG) de vinhos do país, a Indicação de Procedência (IP) Farroupilha para vinhos finos moscatéis. O trabalho foi feito pela Embrapa Uva e Vinho, que coordenou o projeto técnico.
E só para você ter certeza de que uma certificação é coisa séria, meu amigo ou amiga, saiba que o processo exigiu a preparação de um dossiê com a delimitação geográfica, a caracterização da vitivinicultura (vinhedos e vinícolas), os processos de produção, as características de qualidade química e sensorial dos vinhos, incluindo a comprovação do renome da região como produtora de vinhos moscatéis finos. No projeto, constou também a formulação do Regulamento de Uso da IP, estabelecendo os processos de produção exclusivos e obrigatórios, bem como do Sistema de Controle para a qualificação dos vinhos com o qualificativo da IP. 
O cultivo da uva está se expandindo no Brasil, como mostra o quadro acima. Outras três regiões brasileiras estão buscando certificações. Na Serra Gaúcha os Vinhedos de Monte Belo (através da Aprobelo) já ingressaram com pedido no INPI para a Indicação Geográfica de seus vinhos. Na região da campanha gaúcha a Vinhos da Campanha trabalha para o reconhecimento da zona produtora que abrange a fronteira do Brasil com o Uruguai. E no nordeste brasileiro os produtores ligados ao Instituto do Vinho Vale do São Francisco (VinhoVasf) buscam a certificação para o Vale do Submédio São Francisco (foto abaixo).

No Brasil vários produtos tem certificações no INPI como melões, queijos, carne bovina, cafés, chás, cachaça, couro, artesanato, arroz, pedras de gnaisse e até camarões da Costa Negra – saiba mais no site do INPI.
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas e certifica que seus textos são produzidos em São Paulo, Brasil.  As fotos tem origem no site do Ibravin - exceto uma delas que é certificadamente do jornal Zero Hora.