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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Conheça a Rodovia da Serra do Rio do Rastro em Santa Catarina, uma das mais lindas do mundo, que leva você aos vinhos de altitude do Brasil


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu caro leitor ou leitora, São Joaquim, em Santa Catarina, é a cidade mais fria do Brasil (quase todos os anos cai neve no inverno) e conhecida por ser um dos maiores pólos produtores de maçã do país – a Festa Nacional da Maçã é no mes de outubro. Mas São Joaquim é também conhecida por pelo menos outros três aspectos que In Vino Viajas relembra e que justificam a sua visita: pela produção de vinhos de altitude, pelo turismo rural de alta qualidade e porque para chegar lá você pode usar a belíssima estrada da Serra do Rio do Rastro, uma das mais lindas do mundo, como você pode ver nesta reportagem.

Pois é: além das belas e badaladas praias no litoral, o turismo em Santa Catarina também tem atrações no interior do estado, como o turismo dedicado à gastronomia (alemã e italiana), o turismo com experiências de vida rural, e mais recentemente o turismo dedicado à cultura do vinho, e já é um importante pólo produtor de vinhos do Brasil, disputando com São Paulo e Paraná. E com um detalhe: Santa Catarina tem se destacado na produção de vinhos finos de altitude, uma especialidade exclusiva no Brasil. Veja abaixo um vinhedo catarinense congelado, como na Europa.

O estado tem pelo menos quatro regiões vinícolas: a Serra Catarinense, o Vale do Contestado, o Vale Europeu e a Encantos do Sul – veja o mapa abaixo - e duas delas estão melhor preparadas para o enoturismo: o Vale do Contestado, com o Roteiro Vale da Uva e do Vinho (municípios de Videira, Tangará e Pinheiro Preto), e a Serra Catarinense, especialmente em São Joaquim, Lages e Urubici. 
Em São Joaquim estão localizadas pelo menos 15 vinícolas como a Leone di Venezia, a Sanjo, a Villaggio Conti, a Hiragami, a Villagio Bassetti, a Suzin e a Villa Francioni, a pioneira, mais conhecida de todas e que já coleciona premios internacionais para seus vinhos espumantes, brancos, tintos e rosés, além dos vinhos de sobremesa; eles  tem um excelente Colheita Tardia.

São Joaquim é considerada a Capital do Vinho em Santa Catarina, mas a região, que tem 37 vinícolas segundo a Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude (Acavitis), precisa ser percorrida de carro, porque merece ser degustada. E supondo que você esteja saindo da capital Florianópolis (via Tubarão, Orleans, Lauro Muller. Bom Jardim da Serra), para chegar lá, você vai passar pela SC-390, a estrada da Serra do Rio do Rastro. Na foto abaixo a possibilidade de relaxar na Vinícola Villaggio Grando, em Caçador, no meio-oeste catarinense.

 

 


Localizada no Sul do Estado, a estrada é um dos cartões-postais de Santa Catarina – São Joaquim fica a cerca de 60 Km da Serra. Com 12 Km e uma altitude que chega 1460 metros, a rodovia SC-390 liga a região serrana ao litoral e foi aberta em 1870 pelos primeiros moradores que a utilizavam para levar mercadorias no lombo de mulas. Hoje o turista percorre suas 284 curvas com subidas íngremes, curvas fechadas e adornada pela Mata Atlântica em automóveis modernos e confortáveis, mas como você vai subir devagar por ser mais seguro, certamente vai poder registrar sua beleza. Mesmo de noite, como na foto abaixo, a rodovia impressiona.

A SC-390 coleciona elogios internacionais – e na “safra 2015” já foram dois. Em abril de 2015 o The Guardian Travel, suplemento de turismo do mais importante jornal dos britânicos, incluiu a Rodovia da Serra do Rio do Rastro entre as 10 mais belas do mundo. E recentemente o portal espanhol 20 Minutos fez uma votação entre seus eleitores para escolher as rodovias mais espetaculares do mundo – e adivinha só: a rodovia catarinense ganhou  disparado, com 55.641 pontos, quase três vezes mais do que a segunda colocada, a Ponte de Storseisundet, na Rodovia do Atlântico, na Noruega – aliás, lindissima, veja abaixo.


Então agora você já sabe: quando você for para Santa Catarina relaxar, pesquisar e descobrir alguns dos vinhos mais interessantes do Brasil, vá com calma e tempo para ver as belezas naturais, gastronômicas e culturais da região e curtir a Serra do Rio do Rastro para tirar fotos que vão impressionar seus amigos brasileiros e estrangeiros. Eu brindo a isso.

(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, gosta de vinhos de altitude e se orgulha das belezas de seu país. As fotos da rodovia são de Guto Kurten.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Um conto de fadas do mundo dos vinhos: personagem de Clint Eastwood inspira um vinho em La Rioja, o ator gosta e se torna consumidor


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu caro leitor ou leitora, o mundo do vinho é mesmo surpreendente – eu diria mais, é positivamente supreendente. Veja esta história com dois "milagres", com cara de conto de fadas para adultos enófilos. Benjamín Romeo, enólogo e viticultor espanhol (na foto abaixo) começou a produzir vinhos em 1995 com 21 anos de idade, no subsolo do castelo de San Vicente de la Sonsierra (ao fundo da primeira foto e também na foto abaixo) em La Rioja, Espanha, com uvas produzidas na propriedade dos pais.


A primeira safra da empresa Bodegas del Contador saiu em 1996 e foi denominada La Cueva del Contador. Em 2001 Romeo “expandiu” a produção para a garagem de seus pais, que foi adaptada. Pois aí aconteceu o primeiro milagre: em 2004 e 2005 a revista do crítico norte-americano Robert Parker atribuiu o escore máximo (100 pontos) para o Contador, um segundo vinho de garagem de Romeo (abaixo), o que, evidentemente criou imediato prestígio internacional para a marca. Nunca antes um vinho espanhol tinha conseguido este feito, a pontuação máxima em dois anos seguidos!

A partir dai Benjamín Romeo encontrou apoio para realmente expandir a Bodegas del Contador. Em 2008 inaugurou o projeto de 5 milhões de Euros da nova adega, do arquiteto Héctor Herrera, que aproveitou os desníveis da área para o processo produtivo, fez paredes de cimento poroso para que aos poucos se enchessem de pó e colocou plantas no teto – tudo isso para fazer a adega mimetizar-se com o ambiente e não agredir visualmente os vinhedos e bosques da região.

Acontece que por trás do empreendedor tinha um ser humano – aliás, sempre tem. Romeo sempre gostou de cinema e era fã dedicado de Clint Eastwood, especialmente de seus filmes western e western-spaghetti, como os do diretor Sergio Leone na linha do "Era uma vez no Velho Oeste". Em um destes filmes Clint Eastwood fazia o papel de um padre que teve que pegar em armas para salvar uma comunidade que era vítima de sacanagens de um bando de bandidos. Aliás, Clint Eastwood é o tema de uma das barricas com personagens do mundo do cinema, de autoria dos designers de La Rioja Enrique Martín e Raúl San Cristóbal, que a Bodega Contador expôs no ano de 2013 e que você pode ver abaixo.

Pois Benjamin Romeo admirava tanto Clint Eastwood e seus filmes, que em 2012 ao fazer um projeto diferenciado – um “vinho de alta qualidade mas com preço mais justo por 60 deólares" - homenageou este personagem de Eastwood que também fazia justiça, chamando o vinho de Predicador (pregador, em espanhol). Veja nas fotos abaixo o personagem e o rótulo com o chapéu do padre, ao lado de outro produto da adega.

Nesta época a empresa já plantava uvas em cerca de 25 hectares – tudo orgânico e biodinâmico - produzia marcas como Contador, A Mi Manera, La Cueva del Contador e La Vinã de Andres Romeo (este com rótulo criado pelo próprio filho – veja na foto abaixo) com uvas tintas tempranillo e granacha e brancos como o Que Bonito Cacareaba (também abaixo) e exportava para vários paises, entre os quais os Estados Unidos.

Então aconteceu o segundo milagre: no começo de 2015 um norte-americano visitou a sua adega em La Rioja. Benjamin falou de sua admiração por Clint Eastwood, o visitante disse que era amigo pessoal do ator e levou algumas garrafas para ele experimentar. Tempos depois Benjamin recebeu uma mensagem de Eastwood dizendo que havia gostado muito do seu vinho e que passou a comprá-lo para beber regularmente. Enviou também uma foto com o vinho levado pelo amigo comum (que está na avertura desta reportagem) e marcaram de se conhecer pessoalmente, o que deve acontecer em abril de 2016, quando o espanhol vai visitá-lo nos Estados Unidos.

Tiro meu chapéu de Não-pregador para Benjamin Romeo, um sujeito simples, ecológico, dedicado, criativo e ousado. Pois é, meu caro amigo ou amiga, histórias como essa não acontecem com cerveja, cachaça ou refrigerantes, porque é o mundo vinho que aproxima pessoas interessantes, elegantes e de bom gosto. Ah, sim: o vinho Predicador, que nasce no solo argiloso de La Rioja e está na mesa de Clint Eastwood, pode ser encontrado no Brasil e em Portugal. Quem procura, acha.
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas a partir de São Paulo, Brasil, e gosta de cinema de qualidade – com ou sem Clint Eastwood.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Conheça Roberto Cipresso, o criador dos vinhos do Papa, dos 150 anos da Unidade Italiana e do Galvão Bueno - e seu desejo de fazer um belo evento cultural no Brasil


Por Rogerio Ruschel (*)
Exclusivo para In Vino Viajas - Meu prezado leitor ou leitora, uma das coisas boas de escrever sobre a cultura do vinho é que você conhece pessoas que além de talentosas e elegantes, tem cultura e bom gosto. O italiano Roberto Cipresso, enólogo da Bueno Wines, é uma destas pessoas. Fui apresentado a ele por Galvão Bueno com a seguinte frase: “Questo é il mio fratello italiano”- e de fato os dois se comportam como irmãos de verdade.

Roberto Cipresso é uma personalidade pública na Europa: um dos mais premiados enólogos de sua geração, é um professor disputado e querido, um pesquisador incansável dos mistérios da vitivinicultura e um emocionado defensor de causas culturais. Ele poderia estar vivendo da fama de ter sido convidado para fazer os vinhos do Papa João Paulo II, de ter criado o vinho comemorativo dos 150 anos da Unificação da Itália, ou de ser um dos poucos criadores de vinhos que conseguiu uma pontuação 99/100 de Robert Parker para um vinho argentino. E a foto abaixo prova que ele se aprofunda no seu trabalho...
Mas ele é um grande ser humano e quer aproximar os brasileiros dos italianos por uma das poucas coisas que supera qualquer diferença econômica, política ou social entre dois povos: a cultura. E In Vino Viajas revela com exclusividade que Roberto Cipresso gostaria de organizar um evento para destacar um dos aspectos mais interessantes e curiosos das duas culturas: os diferentes caminhos da evolução do idioma italiano dos dois lados do Oceano Atlântico desde a unificação da Itália nos últimos 150 anos. In Vino Viajas apoia causas que melhorem a qualidade de vida. Já publicamos a história de como dialetos vindos com os imigrantes se fundiram com o português para criar o talian, um idioma único que só existe no Brasil – veja como no fim desta reportagem. Mas antes eu o convido para conhecer Cipresso.

R. Ruschel: Onde você nasceu e cresceu? A família produzia vinhos?
R. Cipresso: Eu nasci em Veneto, em Bassano del Grappa, Provincia de Vicenza (foto acima), e foi aí que eu passei a minha infância e minha adolescência, embora durante alguns anos tenha estudado em Pádua. Meu pai era um amante de vinho, mas não teve muito sucesso neste ambiente, o mesmo com minha mãe. Minha formação superior foi no Instituto Agrícola de Pádua, e depois fiz um Mestrado em Viticultura e Enologia no Instituto de San Michele. Eu continuei a trabalhar por um período com o mesmo instituto, e através dele conheci um fabricante de Montalcino, Gianfranco Soldera, hoje proprietário da Case Basse. Em 1987 me mudei para Montalcino, inicialmente apenas para trabalhar com ele. (Abaixo, Montalcino)

R. Ruschel: Somo surgiu e como trabalha a Fattoria La Fiorita, a tua empresa vinícola? Como são os vinhos? Como se pude comprar teus vinhos no Brasil?
R. Cipresso: O nascimento da empresa La Fiorita remonta a 1992 quando com dois amigos tivemos a oportunidade de comprar terras em Montalcino; a empresa desde então tem se desenvolvido a partir deste pequeno grupo e a última vez que a estrutura corporativa mudou desde a fase inicial foi quando vendemos parte da propriedade para dois sócios de Nova York. La Fiorita produz Brunello di Montalcino a partir de uvas provenientes de dois crus diferentes, o Poggio  del Sole e o Pian Bossolino. No momento nossos vinhos não estão presentes no Brasil, mas o país é um mercado de grande interesse para nós, e esperamos em breve ser representados. (Abaixo, a propriedade dele, Poggio al Sole).

R. Ruschel: Como é a Winemaking? Que tipo de clientes e projetos você faz?
R. Cipresso: Winemaking é o nome do meu grupo de consultoria agronômica e vinho. Tem sua sede em Montalcino e temos colaborado com produtores em diferentes mercados, com diferentes realidades, da Itália e do exterior, entre as quais com projetos na Croácia, Romênia, Espanha, Turquia, Argentina, Brasil e outros paises. (Na foto abaixo o mestre ensinando a perceber aromas).

R. Ruschel: Como você recebeu os comentários de Robert Parker e a pontuação da Wine Advocate para os vinhos que você desenvolveu para a Bodega Achaval-Ferrer, da Argentina?
R. Cipresso: A Bodega Achaval-Ferrer conseguiu com seu trabalho e com os seus vinhos uma importante maneira de fazer o vinho na Argentina e tem contribuído com o desenvolvimento potencial deste setor no pais. Robert Parker avaliou a empresa considerando isso e recompensou seus vinhos com ótimas notas, sendo que a maior pontuação - 99/100 - foi atribuída ao Finca Altamira 2009.

R. Ruschel: Qual o segredo dos vinhos da Bodega Achaval-Ferrer?
R. Cipresso: Creio que essencialmente estes vinhos reforçam o terroir das uvas onde foram cultivadas, e nós apenas encorajamos a sua expressão o mais próximo possível nos seus vinhos, ao invés de, como era feito em muitos casos no passado na Argentina, tentar fazer um vinho imitando as escolhas de outros países como os Estados Unidos e o Chile. (Abaixo: Cipresso mergulhado no trabalho na Achaval-Ferrer).

R. Ruschel: Como você conhecer Galvão Bueno? Bueno me disse que vocês dois, mais do que sócios são irmãos de alma. Como você vê o futuro com a Bueno Wines?
R. Cipresso: Eu conheci Galvão Bueno há alguns anos atrás em Montalcino, e nós imediatamente entramos no mesmo comprimento de onda. A partir de nosso primeiro acordo comercial nasceu uma amizade muito sincera que vai além de fazer o vinho juntos. Nossos projetos relacionados ao vinho são feitas em duas grandes apostas: no vinhedo de Montalcino para a produção do Brunello Bueno-Cipresso, e a realidade brasileira na campanha gaúcha, com o projeto Bellavista.

“Toscana e Campanha Gaúcha são dois terroirs e duas empresas que a única coisa têm em comum é o mesmo sol”

R. Ruschel: Como você avalia o trabalho com a Bueno Wines na campanha gaúcha, na serra gaúcha e na Toscana? Dá para fazer algum paralelo entre estes tres terroirs?
R. Cipresso: Estes são projetos muito diferentes e como as qualidades do solo influenciam o tipo de produtos que podem ser obtidos, isto se torna fascinante porque a única coisa que as duas empresas têm em comum é o mesmo sol.

R. Ruschel: Como é o Projeto Winecircus, a cantina-laboratório? Quais os principais resultados? Quais são os planos futuros?
R. Cipresso: O Winecircus é minha adega experimental, algo assim como minha oficina de pesquisas.  Ela também tem sede em Montalcino e conta com uma forte equipe de profissionais que me apoiam. Aqui, as uvas se tornam alguns dos produtos que eu acabo produzindo (como o Brunello Bueno-Cipresso), mas ao mesmo tempo realizo meus experimentos e pesquisas que podem levar a minha própria linha de vinhos - La Quadratura del Carchio, Il Punto, Il Pigreco e l’Eureka. (Na foto abaixo, alguns dos produtos de Cipresso).

R. Ruschel: Como é o projeto Winetailor? Como funciona? Quais os principais resultados? Quais são os planos futuros?
R. Cipresso: Winetailor é a "construção" de um vinho "sob medida", o que em outros países é chamado de “vinho de garagem”. Existem muitos amantes do vinho que querem fazer um produto com a sua personalidade, sob encomenda, e não só a configuração da mistura, o tipo de vinho, mas também a embalagem. Como muitos não vão ter uma chance porque não possuem uma vinha e uma adega, eu os ajudo como consultor. É também uma forma de financiar e de desenvolver os produtos de micro-vinificação que pesquiso no Winecircus, apenas para fins de investigação, a partir de vinhas heróicas e variedades esquecidas. Então os fãs que vêm a mim como clientes para obter um vinho "sob medida", ao mesmo tempo que perseguem seus objetivos, financiam minhas pesquisas. E todos saem ganhando. (Na foto abaixo uma destas turmas de alunos e fãs.)

R. Ruschel: Como foi fazer o vinho do Papa? Como é este vinho?
R. Cipresso: É um vinho doce, obtido pela associação de diferentes variedades de uvas cultivadas em diferentes regiões do território italiano, e foi uma encomenda da Città del Vino, a Associação Italiana de Cidades do Vinho, em homenagem a João Paulo II por ocasião do Jubileu do ano 2000, uma atividade importante para os católicos, que se repete de 25 em 25 anos.
(Meu caro leitor: In Vino Viajas entrevistou Paolo Benvenuti, o diretor executivo da Associação Italiana de Cidades do Vinho, a Città del Vino; veja o link no fim desta matéria.)

“Tenho algumas garrafas do vinho da Unificação e gostaria de levar para os prefeitos de Garibaldi e de outros municípios do sul do país; seria também uma boa ocasião para realizar uma conferência sobre o vinho italiano, precisamente no dialeto Vêneto/Talian”


R. Ruschel: Como foi fazer o vinho dos 150 anos da Unificação da Itália?  Como é este vinho? Como você produz vinhos na serra gaúcha, como é possivel fazer uma ligação da Serra Gaúcha com a Unificação da Itália? 
R. Cipresso: O vinho para a celebração do 150º aniversário da unificação da Itália também nasceu em colaboração com a Associação de Cidades do Vinho da Itália, e foi produzido a partir de 150 variedade de uvas, cada uma representando uma região italiana. Tivemos que estudar com muito cuidado a fim de obter o melhor equilíbrio possível entre uvas, porque estávamos combinando diferentes histórias e peculiaridades culturais. Algumas dessas garrafas foram preservados e sonho um dia poder entregar algumas ao prefeito da cidade de Garibaldi e aos prefeitos das cidades vizinhas, nas quais o dialeto veneziano na sua versão talian ainda está vivo. Na verdade creio que esta seria uma boa ocasião para realizar uma conferência sobre o vinho italiano precisamente no dialeto Vêneto/Talian. Vamos realizar este evento?” Na foto abaixo, este repórter com Galvão Bueno e Roberto Cipresso.


Sobre o evento:
O idioma vêneto falado especialmente nas regiões vinícolas do sul do Brasil é considerado arcaico quando comparado ao vêneto falado atualmente na Itália. Dialetos como vêneto, piemontese, trentino e toscano falados na Itália antes da unificação do país, que vieram com os imigrantes, acabaram se fundindo entre si e misturando com o português para criar o Talian, o segundo mais importante idioma do Brasil, falado regularmente por cerca de 500 mil pessoas em 133 municípios brasileiros. Roberto Cipresso pensa em fazer uma conferência sobre o vinho italiano neste dialeto, eventualmente analisando seu uso na atividade vinícola. Saiba mais sobre o Talian aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/10/veneto-trentino-e-toscano-veja-como.html

Quando estive com Roberto Cipresso, me comprometi a ajudá-lo a realizar este evento. Ele pensa em fazê-lo em Garibaldi, na serra gaúcha, por causa da proximidade com a comunidade do Vêneto e da atividade vinícola, sendo que a conferência pode ser parte ao vivo e parte por internet. Acredito que poderemos contar com o apoio de Ivane Favero, secretária de Cultura e Turismo de Garibaldi. Quem mais poderia ajudar? Todo tipo de apoio será bem-vindo; comente aqui embaixo ou envie e-mail rruschel@uol.com.br que passarei para o Cipresso.

Se conseguirmos realizar o evento imaginado por Roberto Cipresso poderemos abrir uma Garrafa de vinho, ou uma “Garafa” (em Talian), uma “Botiglia” (em Vêneto Original) ou então uma “Bottiglia”, no italiano atual. 

Veja a entrevista com Paolo Benvenuti, diretor da Città del Vino em 
 
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas e aceita ajuda para ajudar Roberto Cipresso e suas ideias culturais.