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sexta-feira, 21 de março de 2014

Sting convida: deguste vinhos e faça sua festa na Villa Il Palagio, sua propriedade de 350 anos no coração da Toscana


Por Rogerio Ruschel (*)
O cantor ingles Sting pode dizer que já fez de tudo na vida. E com sucesso. No começo dos anos 1980 com sua banda Police já estava nas paradas de sucesso – e a música “Every Breath You Take”, de 1983, até hoje é lembrada com carinho. Compôs centenas de canções, gravou 15 discos, foi ator em16 filmes e em outros 14 filmes interpretou ele mesmo; foi ativista e ambientalista e filantropo. E desde o começo dos anos 2000, entre iniciativas beneficientes, Sting relaxa com sua familia (é casado com a atriz e  produtora Trudie Styler desde 1992 e tem quatro filhos - veja abaixo) na Villa Il Palagio, uma propriedade magnifica no coração da Toscana, onde produz vinhos, mel, geléias, frutas e outras delicias.

A Villa Il Palagio fica a 37 Km de Florença, na região da cidade medieval de Figline Valdarno (a 4 Km) que era conhecida na Idade Média como “o celeiro de Florença" porque produzia muito milho, grãos, vinho, óleo, açúcar de beterraba, pêssegos, damascos e cerejas. E veja só como é linda nos detalhes!

A propriedade tem cerca de 350 hectares, com grandes lagos e grande parte ocupada por florestas mantidas por Sting. A Villa foi da família Martelli desde o século XVI, no começo dos anos 1700; em 1819 eles a venderam para a Condessa Carlotta Barbolani de Montauto, que a manteve na família por cerca de 150 anos e aos poucos a foi incrementando com novos edifícios, um silo para grãos, uma fábrica de óleo e uma área de produção de vinho – veja abaixo uma foto aérea de parte da vila.

Quando Sting e sua mulher visitaram a propriedade em 1999, ela estava em estado de abandono. Não se sabe quanto Sting investiu na restauração, mas milhões de Libras Esterlinas e muitos anos depois a casa principal, os anexos e as terras voltaram à sua antiga glória.

Terras boas, uma horta com cinco hectares e muitas colmeias de abelhas permitiram a propriedade do século XVI voltar a ser uma fazenda produtora de mel, azeites e vinhos, entre os quais um respeitado vinho "biodinâmico" muito difícil de encontrar. Abaixo, Sting divulga seus vinhos em uma entrevista na televisão inglesa.

E por falar nisso, o primeiro vinho do cantor é de qualidade média (para vinhos toscanos): um blend de uvas sangiovese, cabernet sauvignon e merlot que recebeu o nome de uma de suas músicas, “Sister Moon”. Mas o grande rótulo de Sting, que custa perto de 40 Euros a garrafa, é o “When we Dance” (Quando nós Dançamos), feito com uvas Sangiovese e descrito por especialistas como "muito elegante e frutado”.

Investindo e curtindo, Sting e Trudie foram evoluindo: abriram uma loja de fazenda para vender os produtos cultivados na propriedade, incluindo vegetais, frutas frescas, queijos e salames. E a partir de 2013 esses produtos começaram a ficar disponíveis para encomenda pela internet com o mote “direto do coração da Toscana para sua porta”.

Pois no segundo semestre de 2013 Sting se rendeu: dizem que pressionado pelo afã tributário do governo italiano em crise, o cantor decidiu abrir mão de parte de sua privacidade e colocou seis casas da propriedade para alugar por valores na faixa de 7 mil Euros por semana, cada. (Abaixo, uma das casas onde os hóspedes ficarão).

Como informa a imobiliária contratada, os hóspedes também poderão utilizar a piscina grande, a área que tem um tabuleiro de xadrez gigante no jardim e poderão jantar na adega do Sting, forrada com "enormes barris antigos" (veja abaixo).

Além disso se você quiser fazer uma festa na Villa Il Palagio, poderá alugar por uma semana dependências que acomodam 50 pessoas para dormir, varandas com mesas e um salão para o evento por módicos 42 mil Euros – que dá cerca de 150 Mil Reais, o que é uma mixaria perto do valor que é cobrado aqui no Brasil. Mas se você tiver até 400 convidados não tem problema, porque a Villa pode recebê-los. Veja abaixo algumas das dependências.

Os brasileiros conhecem Sting por suas canções e pelo envolvimento com a luta ambientalista na Amazônia. Em 1988 Sting conheceu o cacique caiapó Raoni e o levou em seus shows mundo afora divulgando a campanha contra a construção da barragem de Kararaô (hoje, conhecida como Belo Monte); em 1989 fundou com sua mulher Trudie Styler e o cineasta belga Jean-Pierre Dutilleux a Rainforest Foundation, organização criada para sustentar os projetos de Raoni que até hoje apoia projetos no Parque do Xingu em parceria com o Instituto Sócio Ambiental (ISA). Na foto abaixo ele se re-encontra com Raoni em 2008. Quem planta, colhe – e no caso de Sting, literalmente. Um brinde a isso.

Para agendar ou comprar os produtos do Sting: http://www.palagioproducts.com/ 
(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e ainda vai beber um vinho do Sting nesta propriedade restaurada no coração das Toscana.


quinta-feira, 20 de março de 2014

As 10 mega-tendências no mundo do vinho para 2014, pela revista inglesa The Drink Business


Por Rogerio Ruschel (*)
A principal publicação europeia sobre bebidas alcoólicas, The Drink Business, da Inglaterra, publicou recentemente um artigo sobre dez grandes mega-tendências do mundo do vinho em 2014. Acompanhe a seguir.

• 2014 será um ano de descoberta, com os amantes do vinho na Inglaterra prontos para se encantarem por vinhos de regiões pouco conhecidas atualmente, como Bierzo da Espanha (foto acima, cacho de uvas Mencia, de Bierzo) e Campânia e Basilicata da Itália, passando por rótulos da Hungria e pelo Vinho Verde de Portugal (do Douro, foto abaixo), com participações também de vinhos diferenciados da Turquia e da China

• Teremos grande confiança na geração de Millennials

• O movimento de vinhos naturais continuará na crista da onda e sustentabilidade será um tema central de todos os níveis (abaixo, foto de Pilar Higuero, vinicultora orgânica espanhola)


• Um melhor equilíbrio entre a oferta e a demanda será acompanhado por uma mudança no consumo global

• 2014 será o ano da redescoberta de vinhos com a uva Chardonnay, tida como a rainha das uvas brancas (foto abaixo)
• A forma de fazer, os temas e enfoques de comunicação e marketing dos vinhos vão continuar mudando rapidamente, especialmente pela internet

• Vai cair o que na Grã-Bretanha é chamado "Wall of Wine", ou seja, a barreira invisível que divide o mundo do vinho da platéia de consumidores, que muitas vezes percebem o vinho como algo muito complexo e dificilmente acessível



• A China vai continuar a crescer como mercado consumidor (acima), a plantar uvas e a produzir vinhos (gráfico abaixo, dados de 2010)


• O limite entre o comércio direto dos fabricantes e as vendas no comércio retalhista convencional continuará a diluir-se

• Os principais problemas do vinho em 2014, nos principais mercados, virão do mundo da burocracia e da legislação com a pressão do lobby da defesa da saúde, e a necessidade de governos fazerem caixa taxando o “néctar de Baco”.
(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e gosta de surpresas todos os dias, todos os anos



segunda-feira, 17 de março de 2014

Rota do Vinho Stellenbosch da África do Sul tem novo blog e sorteia duas viagens incríveis; inscreva-se até 31 de março


 Por Rogerio Ruschel (*)
Considerada a “vovó” das rotas do vinho da África do Sul, a Rota do Vinho Stellenbosch American Express lançou um novo blog – o StellenBlog – como parte de sua campanha de marketing denominada “Stellenbosch Experience” (Experiência Stellenbosch) para expandir o enoturismo na região. 

E o novo blog está realizando um concurso que vai oferecer duas viagens para a região (com atividades escolhidas pelos vencedores entre uma grande lista oferecida) a serem usadas até o final de 2014, para quem concorrer até 31 de março; visite o blog e veja as regras em http://blog.wineroute.co.za/blog/entry/stellenbosch-bucket-list-competition

Com ótima localização – a apenas 40 minutos de carro da Cidade do Cabo, o que torna a região o centro perfeito para explorar a beleza e generosidade do Cabo Ocidental -  Stellenbosch tem forte sotaque holandês e pode ser considerado o destino ideal para famílias, porque vale quanto se paga e a hospitalidade é genuína e sorrisos não faltam.
E a região é considerada também a capital da gastronomia na África do Sul pela grande quantidade de sabores, cores e delicias para vários “tamanhos de bolsos”... Estive na África do Sul duas vezes e escrevi vários posts no In Vino Viajas – veja esse, por exemplo: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/06/cidade-do-cabo-o-charme-holandes-e-rota.html


Aliás, a Stellenbosch American Express Wine Routes acaba de conquistar o título de Melhor Grupo (Body) Promocional no Wine Awards Turismo 2014 da revista Drinks Internacional, uma das mais confiáveis ​​e respeitadas revistas de bebidas do mundo. E para completar, o jornal The New York Times diz que a Cidade do Cabo é a primeira cidade em um ranking de 52 lugares para visitar em 2014. Acho que minha dica é boa, não?
A Experiência Stellenbosch visa posicionar a região dos vinhedos de Stellenbosch como capital do turismo do vinho da África e uma das regiões de turismo do vinho mais interessantes do mundo e é resultado de um esforço coletivo das entidades de vinho e turismo como parceiros para projeção de suas marcas nos âmbitos nacional  e internacional.

As novas ações do StellenBlog são interativas e apresentam histórias de sucesso regionais e locais, a rica cultura deste destino e as comunidades da “Winelands”, com atualizações diárias sobre o que fazer em Stellenbosch. O blog (em inglês) é fácil e rápido de navegar e também possui contribuições regulares de blogueiros convidados; além disso transmite a beleza visual da área por meio de fotos e mensagens de vídeos da organizaçnao e de visitantes.

No negócio do turismo relacionado à produção e cultura do vinho, a autenticidade é essencial para o posicionamento da região com sucesso local e internacional. “Por isso o StellenBlog oferece ao povo de Stellenbosch uma voz e uma plataforma para contar suas histórias coloridas que atraem pessoas", explica Annareth Bolton, CEO da Rota do Vinho Stellenbosch American Express.
Além do lançamento do novo blog, outros elementos da campanha incluem forte presença digital, enriquecida em todas as redes de mídia social e uma inovadora campanha de turismo “bloggers top de enoturismo e viagem, estilo de vida e gstronomia”, com blogueiros nacionais e internacionais, entre abril e setembro.



Fonte: texto-base de Mariette Toit–Helmbold, publicado pelo Great Wine Capitals
(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e gosta muito da África do Sul





quinta-feira, 13 de março de 2014

Conheça Ferran Adrià, o lavador de pratos que decidiu nunca copiar ninguém, transformou a culinária em arte e foi o melhor chef do mundo 5 vezes


Por Rogerio Ruschel (*)
Respeito o talento de quem transforma seu trabalho em uma arte e suas limitacões em conquistas triunfantes – e apesar disso continua criativo e humilde - um Ser Humano. O catalão Ferran Adrià Acosta, gastrônomo, é um dos mais talentosos profissionais de nossa época e o melhor exemplo de vencedor. Nasceu e cresceu num bairro pobre de L'Hospitalet de Llobregat, perto de Barcelona, na Catalunha, Espanha, entre fábricas têxteis decadentes, estações ferroviárias de arrabalde e mercados livres, filho de um operário da construção civil e motorista e de uma cabeleireira. Na foto abaixo, Adriá cola mais uma reportagem de jornal sobre seu trabalho num painel de parede: neste caso, é uma reportagem de 12 páginas do jornal New York Times sobre seu trabalho e sobre a culinária moderna.

Adrià nunca pisou numa faculdade – só muitos anos depois, em quatro delas para receber títulos de doutor honoris causa – uma delas a Harvard, onde em 2010 fez o primeiro curso de gastronomia de alto perfil acadêmico do mundo. Na foto abaixo Adriá recebe seu titulo de Honoris Causa na Universidade de Barcelona. Tentou mas desistiu de ser jogador de futebol e entrou “no ramo” culinário aos 17 anos lavando pratos em um hotel para pagar uma viagem para Ibiza onde foi trabalhar como aprendiz de cozinheiro. Aos 25 anos já era o chef do restaurante elBulli com um sócio e jurou nunca copiar um prato de outro chef.

Então, se não podia copiar, teve que criar suas próprias receitas - e assim foi criado o mito. 
Desde essa época até o fechamento do restaurante em 2011, foram criadas no elBulli 1.846 pratos,  uma cifra cabalística que esconde outro segredo: 1846 é o ano de nascimento de um dos gurus da cozinha de Adriá, Auguste Escoffier, expoente da Moderna Cozinha Francesa, falecido em 1935. Veja a seguir fotos de algumas das maravilhosas criações de arte e sabor de Adrià.

Considerado o inventor da "cozinha da desconstrução”, Adrià é um artista que privilegia o visual, e o resultado final é lindo e delicioso. Quando esteve no Brasil em 2005 cozinhando para um grupo de privilegiados, o menu surpresa tinha caipirinha que se mastigava, pão de queijo gelado, bolacha que formiga a língua (“Leite Elétrico”, veja abaixo) e prato servido em balão inflado – além dos famosos ovos que explodem na boca.
Entre os conhecidos pratos do artista estão "Olivas Esféricas”, uma massa de azeitona em conserva de alho, alecrim e casca de laranja, gelatinosa por fora e líquida por dentro, que explode na boca; “Leite Elétrico”, uma bolacha de leite seca com pimenta de Schezuan, sobre a qual não se pode nem comer, nem beber nada durante um minuto – e depois disso ela faz formigar a língua e as bochechas, como se fossem leves choques elétricos. 

Já a “Trufa-nitro Coulant de Pistache” é uma grande bola de gude verde, que revela um abacate no ataque e um pistache no final e o “Pão de Queijo” é servido espumoso e gelado numa caixa de isopor e sobre esta massa se espalha, a gosto, framboesa fresca, nozes e cristais de frutas – e se come com colher, como sorvete...

O resultado da decisão de sempre criar novas receitas com ousadia é que foi eleito o melhor chef do mundo por cinco anos seguidos! E criando pratos em um restaurante (o elBulli em Roses, na Costa Brava, região de Barcelona) fora dos “grandes centros”, que se tornou o mais premiado e o mais importante centro criativo de culinária do planeta.

E acredite, meu prestigioso leitor: no auge da fama Ferran Adriá fechou o restaurante elBulli e agora, com o formato de uma Fundação sem fins lucrativos (com patrocinio da espanhola Fundação Telefonica) trabalha para transformar o "velho" elBulli em um centro de exposição, laboratório e capacitação de pessoas, um projeto com 5 mil metros quadrados com arquitetura de outro catalão “maluco”, Enric Ruiz-Geli (foto abaixo, Adriá com a maquete).

Uma das linhas de trabalho da Fundação é o elBulli DNA, um banco de dados sobre técnicas culinárias que Adrià classifica como o “mapeamento do genoma gastronômico” - do qual faz parte o quadro da foto abaixo. O projeto que também é educativo, contemplará a história da cozinha (incluindo livros antigos de culinária, que datam de 1650, digitalizados), processos criativos e culinários. “O importante é criar criadores de pratos”, afirma Adrià.
  E como talentosos tem alta tendência também à "loucura-que-renova-o-mundo", Adriá está criando a BulliPedia, uma enciclopédia de alimentos, gastronomia e nutrição na internet, seguindo o modelo da Wikipédia. Vai concentrar todo o conhecimento de Adriá sobre culinária. Sobre o perfil da BulliPedia, Adrià certa vez disse: “Se você busca aspargos no Google encontra 2,1 milhões de resultados. E o problema é que a Wikipedia tem pouca informação sobre gastronomia”, disse. O objetivo de sua wiki, segundo ele, “não é ter milhões de verbetes”, mas ser uma ferramenta para que as pessoas possam “compreender o significado de cozinha” e “compartilhar conhecimento e informação”. Veja abaixo anotações de Adriá sobre a BulliPedia.

“Não trabalho nem por ego, nem por dinheiro”, diz frequentemente o cozinheiro-artista. Me sinto obrigado a repetir, meu caro leitor: respeito profundamente o talento de um lavador de pratos que é convidado para expor receitas como arte nos melhores museus do mundo, cria um centro de pesquisa sobre alimentos no Massachussets Institute of Technology (MIT) (foto abaixo), o mais sofisticado centro de pesquisas em tecnologia do mundo, e ajuda jovens lavadores de pratos a desenvolver suas habilidades e carreiras. 

Respeito porque sei que pessoas que de fato tem talento se recusam a copiar e não tem medo de ser copiadas.  Gostou do assunto? Então veja a sensacional reportagem especial sobre Ferran Adrià, feita por talentosos jornalistas e fotógrafos do jornal espanhol El Pais em http://elpais.com/especiales/2014/ferran-adria/

(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e respeita o talento alheio.