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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Enoturismo bem feito: 10 dicas de especialista



Por Rogério Ruschel (*)

Encontrei na vinosfera - o universo internético do vinho - um conjunto de dicas muito interessantes do especialista espanhol em vinificação, marketing e promoção de enoturismo Carles Mera Margalet.

Se você é um turista, como eu – e não um responsável pelo marketing de uma bodega ou vinhedo - também pode aproveitar as dicas porque, se na sua visita perceber que o local não está seguindo estas dicas, o pacote turístico não está bem feito.


Abaixo seguem as 10 dicas no original em espanhol. Um brinde ao enoturismo bem feito.

1. Planificar un guión: Buscar un elemento, un hecho histórico, una leyenda, un personaje que sea el eje de la visita y nos ayude a articular una visita con interés.

2. Asociar una explicación a cada espacio. Hemos de tener claro qué queremos explicar, y para que esto ocurra hemos de estructurar un discurso, generar una explicación para cada sala o espacio que vayamos a visitar.

3. Definir los elementos clave de la visita: En cada espacio habrá un elemento clave que nos ayudará a explicar nuestro discurso, un elemento simbólico que nos articulará y clarificará la visita.

4. Bautizar cada servicio, cada visita. Un nombre es una idea, un concepto, y según como bauticemos nuestras visitas estamos generando unas expectativas. Si no generamos expectativas, el visitante no tiene interés.

5. Generar la participación del visitante: el elemento principal de la visita no es el recurso, sino el visitante, y por este motivo hemos de crear complicidad y buscar espacios donde interactuar con él, generando su participación de forma activa. El visitante quiere ser el protagonista.

6. Dinamizar diferentes visitas: todos los visitantes no son iguales, y por lo tanto hemos de crear diferentes tipos de visitas, adaptadas a las necesidades de los diferentes tipos de visitantes, en los que nos queramos centrar. Según el grado de conocimiento, según la edad, según el momento del año, diferentes criterios que nos harán de nuestra visita una experiencia única y singulares.

7. Crear algún recuerdo: todos queremos llevarnos algún recuerdo de nuestra estancia en cualquier espacio: Por ello debemos buscar algún objeto significativo, económico, diferencial y auténtico que se puedan llevar y que sea duradero, así siempre nos tendrán presentes.

8. Adaptar algún espacio significativo para que el visitante se pueda hacer una foto: es importante también facilitar que esta fotografía se pueda enviar por internet o que el visitante pueda interactuar con su red social. O incluso crear un aplicativo que pueda adaptarse a su móvil que inmortalice la visita.


9. Crear espacios para la experimentación: el visitante quiere vivir una experiencia, y por este motivo le daremos a degustar algún producto, un vino o cualquier producto identitario del territorio. En este momento crearemos un ambiente propicio para transmitir los valores de la marca, para incitarlo al consumo para hacerlo nuestro amigo y convertirlo en nuestro mejor embajador.

10. Calcular el tiempo: si nos excedemos en el tiempo la visita será un tostón, y si la acortamos mucho será un timo, el reloj será siempre nuestro mejor aliado. Una buena visita tiene que durar entre una hora y una hora y media. Podemos alargarla, pero siempre como un servicio complementario a la visita básica.

Outras dicas de Carles Mera, do blog  Enoturismo 2.0 - Vinexus Gastronomádas, podem ser encontradas em http://www.carlesmera.com

Este post é dedicado a Alfredo Cousandier, leitor que honra este blog, morador na serra gaúcha, o mais importante pólo produtor de vinhos do Brasil que acaba de ter a primeira DO (Denominação de Origem) brasileira, deferida pelo INPI em 11 de setembro: DO Vale dos Vinhedos, para vinhos e espumantes.

(*) Rogério Ruschel - rogerio@ruscheleassociados.com.br  - é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade - http://www.ruscheleassociados.com.br/


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Arquitetura grega: Agrigento e Segesta, na Sicilia




Por Rogério Ruschel (*)
A riqueza cultural e histórica da Sicília é tão surpreendente que na ilha italiana existem mais monumentos da Grécia Antiga do que na própria Grécia. Esta herança também se refere à cultura romana (como a casa romana mais bem conservada do mundo, em Piazza Armerina - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/11/corrupcao-em-piazza-armerina-mosaicos.html), e se mostra mais exuberante no Vale dos Templos, em Agrigento, e em Segesta, onde está o tempo dórico mais bem preservado do mundo - todos tombados como Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO.


Segesta tem uma história de mais de 25 séculos. Fundada como Egesta por elimianos, povos oriundos de Tróia (que fundaram também Erice, que você pode ver em http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/11/os-misterios-de-erice-sicilia.html), era uma cidade-estado em permanente conflito com a vizinha Selinunte e foi destruída por Cartago em 307 A.C., reconstruída, invadida pelo rei grego Pirro, do Épiro e Macedônia em 278 A.C. e finalmente rendeu-se aos romanos em 260 A.C., quando passou a se chamar Segesta e ganhou imunidade e liberdade, controlando um vasto território siciliano. 


Localizado em Calafatimi-Segesta, atual Província de Trapani, cerca de 70 quilômetros da capital Palermo, o templo grego de Segesta parece que foi construído “semana passada” e não no século 5 A.C e apresenta várias curiosidades. Implantado sobre o Monte Bárbaro perto do centro da cidade, o templo tem 6X14 colunas que não receberam acabamento, e mede 21 X 56 metros na base. Segundo especialistas, o teto nunca teria sido colocado e a estrutura teria ficado apenas nos pilares não trabalhados, provavelmente por causa da invasão por Cartago em 209 A.C. Não se sabe para qual divindade foi dedicado.


Outro fato que espanta os historiadores é que se trata de um templo grego construído em uma cidade cuja população (na época) não era grega. Embora o templo de Segesta seja a principal atração, o turista tem alguns “bônus”: na região foram encontradas ruínas de um castelo Normando do século XIII, de uma pequena igreja terninada de 1442 e dedicada a San Leone e de uma mesquita islâmica do século XII A.C., além de um anfi-teatro encravado na rocha, construído no século II A.C. durante um dos períodos de dominação romana (veja abaixo). Una grande confusione, catzo, uma extraordinária herança arquitetônica!

Agrigento

O outro grande templo grego da Sicília fica em Agrigento, uns 180 quilometros ao Noroeste de Segesta. Também uma cidade-estado poderosa, Agrigento foi fundada pelos gregos, conquistada pelos romanos em 210 A.C. e ao longo dos séculos foi ocupada por bárbaros, bizantinos e normandos. Agrigento é a terra natal do escritor e teatrólogo Luigi Pirandello (Prêmio Nobel de Literatura de 1934), cujo Museu você pode visitar (veja abaixo), e denominada pelo poeta grego Píndaro “a cidade mais bonita dos mortais”.

 
A grande atração turística aqui é o Valle dei Templi (o Vale dos Templos, foto abaixo), um conjunto de templos romanos e gregos com mais de 25 séculos, parte obrigatória de qualquer visita à Sicília – até mesmo daqueles roteiros de poucos dias na ilha inteira.


  A sensação é estranha: em uma área de uns 15 quilometros quadrados convivem pelo menos 18 ruínas de templos, igrejas, oratórios, necrópoles, aquedutos e santuários gregos e romanos, como os templos de Castor e Pólux, de Hércules, de Zeus, de Esculápio, de Vulcano – e o Templo da Concórdia, o mais bem preservado de todos, construído pelos gregos que teria sido utilizado como igreja cristã nos tempos romanos (veja abaixo).
O tempo tem outra dimensão aqui: você passeia pelo site histórico e ao caminhar 500 metros pode sair de um templo grego do Séc. 3 A.C. e chegar em um templo romano de 4 séculos depois.  Em Agrigento você passa por um túnel do tempo, conhecendo culturas diferentes separadas por vários séculos de história! 
Se você tiver tempo (e espero que tenha!), passe pelo menos meio-dia no centro histórico de Agrigento, onde estão 14 igrejas interessantes. Visite pelo menos a Catedral e Museu Diocesano e a Piazza Vittorio Emanuele, um bom lugar para almoçar. Quando estive lá visitei a propriedade da Vinícola Morgante, na região de Grotte, onde são produzidos vinhos finos da casta Nero D’Avola. Naquele ano o tinto Don Antonio havia recebido 90 pontos da revista “Wine Spectators e 92 pontos da revista “The Wine Advocates” que o considerou o melhor Nero d’Avola do mundo. 
E se for na alta temporada talvez valha a penas dar um pulo às Ilhas Pelagio (uns 180 quilometros de Agrigento), a meio caminho da Sicília (Europa) e a Tunísia (África), perto de Malta, para conhecer Lampedusa e provar seus frutos do mar.

Este post é dedicado a Maria Aparecida Martins, a Cida, que me honra com sua leutira e divulgação; ela adora Portugal mas tenho certeza de que não desgosta da Sicília.


Veja mais sobre a Sicilia:


Lenguaglossa, Moio Alcântara, Castiglione e Malvagnia:



Tindari e as montanhas Peloritani:




Pesquisa da Universidade de Catania:







(*) Rogério Ruschel - rogerio@ruscheleassociados.com.br  - é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade - http://www.ruscheleassociados.com.br/. Ruschel esteve na Sicília durante 30 dias, em 2005, pesquisando roteiros turísticos turísticos.



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Palermo - a cidade dos reis - e as colunas do claustro de Monreale


Por Rogério Ruschel (*)


Fundada cerca de 800 anos AC por fenícios vindos de Tiro (Líbano) com o nome de Ziz, a capital Palermo é a quinta maior cidade italiana, com cerca de 1 milhão de habitantes e o principal centro cultural, histórico e econômico da Sicília. Colonizada pelos gregos por mais de 200 anos (que lhe deram o nome de Panormos, que significa “todos os portos”), em 253 AC foi tomada pelos romanos durante as guerras púnicas. 


Durante séculos os romanos expandiram a cidade com igrejas, castelos e palácios, mas em 831 DC o então Império Romano Bizantino perdeu Palermo, sua jóia, para mouros sarracenos que transformaram as antigas igrejas cristãs em mesquitas. A imagem abaixo mostra com clareza esta sobreposição de culturas em um trecho do muro da cidade.

Como parte importante do Emirado da Sicília, Palermo se tornou a segunda mais importante cidade moura, atrás apenas de Bagdá, e ficou conhecida como a “Cidade dos Reis”. Além das mesquitas e das residências (que persistem na arquitetura da cidade), os árabes trouxeram também grande contribuição para a agricultura com a introdução do limão, laranja, cana de açucar, amoras, algodão, trigo e métodos de irrigação. 
 Igreja de São Cataldo

Somente em 1071 os normandos a conquistaram dos mouros, e durante muitos séculos Palermo foi uma das mais ricas cidades da Europa, rivalizando até mesmo com Londres. As comunidades moura, judia e cristã atraíram os muito poderosos (e ricos) do oriente e ocidente para a cidade, agregando ainda mais valor ao já rico acervo arquitetônico e cultural. Grande parte deste acervo (igrejas, museus e o Teatro Massimo) pode ser vista na região histórica central denominada “Quatro Cantos”, uma espécie de esquina e praça com 4 nichos nos pontos cardeais (veja um deles abaixo).

 
Na parte medieval da cidade (tão grande quanto as de Roma e Nápoles), o visitante que caminhar pelos 1.000 metros do Corso Calatafimi - talvez a rua com a herança histórica mais rica e variada da Europa – vai poder conhecer um cemitério púnico, belas residências romanas na Piazza Vittoria, palácios normandos como o Cuba e o Palácio Real, igrejas barrocas e perto dali, a Porta Nova. Um show de passeio!

Como uma das mais cosmopolitas cidades italianas, Palermo oferece boa infra-estrutura para hospedagem, passeios, compras e uma gastronomia de alta qualidade. Práticamente todas as culturas regionais sicilianas e italianas da gastronomia podem ser encontradas em Palermo. Além do porto, Palermo tem até praia! E se você quiser gastar algum tempo em compras, preste atenção nas cerâmicas, que são lindas (veja abaixo).


O mesmo se pode dizer dos vinhos – compre e beba. Na região de Palermo são produzidos vinhos das apelações DO (Denominação de Origem) e DOCs (Denominações de Origem Controlada) Marsala, Delia, Alcamo e Santa Margherita Belicce. Mas na cidade você vai encontrar lojas grandes que oferecem todas as 18 apelações registradas oficialmente na Sicília. O Marsala, produzido na região especialmente com as uvas brancas grillo, catarratto e inzolia, é um vinho fortificado (com teor alcóolico entre 17 e 18%) e em Palermo aprendi a tomá-lo como aperitivo, sobremesa, ou para acompanhar queijos, especialmente os de sabor mais forte como roquefort, gorgonzola e parmesão. Mas o vinho – como o azeite – também frequenta os cardápios em receitas inesperadas com carnes e massas. 

Monreale
Bem pertinho de Palermo (15 Kms) fica uma cidade bem charmosa que merece uma visita, nem que seja do tipo bate-volta: Monreale. Com a chegada dos mouros a Palermo no século IX, os cristãos foram obrigados a sair da cidade e seu lider, um bispo, se deslocou pelo vale “Concha de Ouro” da provincia de Palermo para criar Monreale. A viagem vale por várias raqzões, como por sua Catedral (o Duomo de Monreale), terminada em 1.182 e que mistura influências das culturas árabe, normanda, bizantina e românica, dedicada à Assunção da Virgem Maria (veja abaixo).

Mas Monreale tem mais a oferecer, como por exemplo as fachadas nas ruas; o Seminário dos Chierici, antiga residência normanda reformada nos séculos XVI e XVIII; a Praça Vittorio Emanuele defronte ao Duomo e o Claustro de Monreale.

O Claustro foi construido ao lado da Abadia, e muitos acreditam ser o mais bonito do mundo. Ele tem formato quadrangular e um jardim interno (veja foto abaixo) cercado por corredores com bancos em mármore (veja foto acima) e corredores com colunas e com uma fonte no centro. Fiquei encantado com o pátio e a grande sequencia de colunas que o cerca – creio que fotografei todas elas!

Pode parecer exagero, mas como gosto de detalhes, compartilho alguns detalhes das dezenas de colunas.




Palermo é uma cidade encantadora, mas tem problemas: a água é escassa e as vezes racionada, o trânsito é caótico e engarrafado como São Paulo e a poluição urbana é muito alta. Isto sem falar que, segundo consta, ninguém consegue ser um comerciante de porte médio para cima sem ter que se adaptar às regras da Máfia siciliana, nascida e crescida em Palermo. Mas como você vai estar só de passagem para Erice, Segesta, Cefalú, Trapani ou Agrigento (ou retornando para Roma), não se preocupe com isso.
Proponho um brinde à Cidade dos Reis e o convido para ver o próximo post que vai nos encantar com as maravilhas de Erice ou Segesta. 


Veja mais sobre a Sicilia:


Lenguaglossa, Moio Alcântara, Castiglione e Malvagnia:



Tindari e as montanhas Peloritani:




Pesquisa da Universidade de Catania:




(*) Rogério Ruschel - rogerio@ruscheleassociados.com.br  - editor deste blog é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade - http://www.ruscheleassociados.com.br/. Ruschel esteve na Sicília durante 30 dias, em 2005, pesquisando roteiros turísticos.











segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Catania: arquitetura, arte, erupções e terremotos


Por Rogerio Ruschel (*)

Segunda maior cidade da Sicília (320.000 habitantes) depois da capital Palermo, Catania nasceu como um porto e colônia grega no século VIII a.C. pelos calcideses. Por sua localização privilegiada (fica debruçada sobre o Mar Jônico em uma baía que permite abrigar barcos), ao longo do séculos foi ocupada por romanos, ostrogodos, bizantinos, árabes, normandos e outros povos. E cada um destes grupos deixou suas marcas e costumes na cidade e região.
 
Objeto do desejo de muitos invasores, Catania também sofreu com erupções do Etna tres vezes e foi parcialmente destruída por terremotos em 1169 e 1693. Desta história restaram importantes registros romanos como o teatro, reconstruído sobre outro grego que tem como data aproximadamente o V século a.C.. Também merece uma visita os restos do anfiteatro que data do IIo. século d. C., as termas do Indirizzo e a Rotonda (que atualmente é igreja de Santa Maria) e a necrópole romana e bizantina nos redores da praça Stesicoro.

Chamada de “cidade das artes”, Catania tem muitos palácios e igrejas barrocas escurecidas pela fuligem do Etna. Entre a arquitetura de interesse estão a Basilichetta (Século V–VI); de San Salvatore (Século VIII–IX; a Badìa di Sant'Agata e a igreja de Sant'Agata alla Fornace - San Biagio (Santa Ágata é padroeira da cidade); a igreja de  Santa Maria dell'Aiuto e dois prédios que visitei: o Duomo (do século XI, reconstruído no século XVIII - veja acima) e o Palazzo Ursino (hoje sede do Museu Comunale), construído por Federico II (1239-1250) mas logo depois modificado no século XVI (veja abaixo).
 
O simbolo da cidade é o elefante porque segundo uma lenda, elefantes de pedra eram colocados nas portas da cidade para assustar os invasores e o único que teria restado seria aquele colocado na "Fontana del Elefante" defronte ao "Palazzo dei Chiericci" (veja abaixo). 

Come-se bem em Catania, evidentemente, a começar pelas frutas, verduras e legumes produzidos no solo enriquecido por lavas ancestrais do Etna - fui conferir em uma feira livre, veja abaixo. Como cidade turística, Catania tem muitos hotéis e restaurantes de qualidade, nos quais pode-se comer frutos do mar, massas ou carnes com temperos especiais regados a um bom vinho Marsala ou um Etna, produzido na região.

Catania se situa aos pés do vulcão Etna e esta influência é visível na cidade. Foi destruída tres vezes pelo vulcão - nos anos 254, 1669, 1819 - e suas fachadas são escurecidas pela fuligem do vulcão. Além disso, depois do último terremoto (1689) foi reconstruída com as pedras negras da região do vizinho vulcão.
Da cidade se pode visitar o Parque do Etna, o maior vulcão ativo da Europa, que, com seus 3.329 metros de altura pode ser visto de longe. Graças à lava o solo da região é muito fértil e rico em minerais que valorizam plantações de pistaches, frutas e vinhedos que geram os vinhos tintos e rosés da denominação DOC Etna, produzidos a partir da uva Nerello, com um sabor bem diferenciado.
Pode-se chegar de carro a uma das muitas trilhas do Parque, mas a partir de certo ponto as visitas só podem ser feitas por guias e muitas vezes é proibido, como quando o vulcão “está em crise” ou no inverno. No parque está a Castanheira dos 100 Cavalos, da qual dizem que é a maior e mais antiga do mundo (com idade de 2000 anos) e que teria oferecido abrigo à rainha de Aragon (que reinou em Aragão, Espanha, entre 1137 e 1164) e sua cavalaria com 100 soldados durante uma tempestade.
De Catania peguei a bela auto-estrada A15 que atravessa a Sicília no sentido leste-oeste, passa por Enna e vai a Palermo e Monreale – cidades que você vai conhecer em outros posts, caro leitor. Por enquanto um brinde ao bom humor do vulcão Etna que ainda não conseguiu destruir Catania!

Este post é uma homenagem a Carlos Fioravanti, um dos mais premiados e globalizados jornalistas de ciência e tecnologia do Brasil, que prestigia In Vino Viajas como leitor assíduo.

(*) Rogério Ruschel - rogerio@ruscheleassociados.com.br  - é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade - http://www.ruscheleassociados.com.br/. Ruschel esteve na Sicília durante 30 dias, em 2005, pesquisando roteiros turísticos turísticos.