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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Durban, a Zululândia e Amarulas na África do Sul


Depois de conhecer Joanesburgo, andar em elefantes, fazer safaris congelantes, degustar vinhos locais e curtir uma vida de “buana” ingles, fui para Durban com os outros jornalistas brasileiros do grupo de fantur.


Durban, na costa do Oceano Índico, a pouco mais de 500 quilometros de Joanesburgo, tem uma população próxima de 1,1 milhão de habitantes, dos quais mais de 70% têm algum componente asiático/oriental no DNA (especialmente indianos, malaios e árabes). Principal cidade da Província de KwaZulu-Natal, que faz fronteira com Moçambique, Suazilândia e Lesotho – um Reino encravado dentro da África do Sul - Durban se debruça sobre o Oceano Índico e tem praias com água mais quentes do que Cidade do Cabo.  

 Vista parcial de Durban

É chamada também de Zululândia, por causa da predominância da etnia Zulu, a mais importante do país. Ao longo do litoral, tanto para o norte como para o sul, encontram-se muitas praias badaladas, com hotéis de luxo e nas quais, segundo dizem, pode-se pegar sol o ano inteiro. Come-se bem em Durban e pode-se beber qualquer um dos bons vinhos das regiões produtoras de Paarl, Stellenbosch e Franschhoeck. Além, é claro, de criar boas oportunidades para tomar gloriosos goles da Amarula, a bebida exclusiva da África do Sul que conquistou o mundo.

Hotéis modernos, como o Le Vendome, de Cidade do Cabo, estão em todo o litoral da Província de KwaZulu-Natal

Esta região também é muito rica em santuários selvagens, com florestas abertas, savanas, florestas sobre dunas no litoral, lagos e rios, que convivem com grandes plantações de árvores para a produção de papel e celulose, além de parques e reservas do governo. Visitei tres destes parques, em duas viagens. Em todos estes parques você pode fazer safáris fotográficos para registrar os “Big Five”, como é chamado o quinteto búfalo-leão-leopardo-rinocerante-elefante, além de dezenas de outros animais. Seguindo pelo litoral, mais ao norte, em direção a Suazilândia e Moçambique, é possivel ver muitos golfinhos e fauna e flora diferenciados. Esta é uma região onde aparecem os gigantescos tubarões brancos, e recusei uma oferta “tentadora” de mergulhar em uma gaiola par aver os bichos de perto…

Em dezenas de parques na África do Sul você pode abrir a janela da sua cabana para ver o amanhecer no bush

Como eu tinha interesse em ver comunidades zulus vivendo (quase) como antigamente, fui visitar a Shakaland, uma autêntica vila zulu a 170 quilômetros ao norte de Durban. Tomou um dia inteiro mas compensou. Além de visitar espaços de trabalho, convívio e lazer zulu, assisti a vídeos, shows com música, teatro e danças (incluindo as famosas moças com seios a mostra) e pude tirar muitas fotos. E, é claro, caro leitor, que comprei bugigangas e produtos artesanais diferenciados, produzidos no local, muitos dos quais jea haviam me dito que não encontraria nas lojas do aeroporto de Joanesburgo.

 
No local teria nascido o herói nacional Rei Shaka Zulu, considerado o fundador da Nação Zulu quando uniu centenas de tribos que combatiam entre si contra os invasores europeus. Me disse o guia que pude conhecer os descendentes do Rei… Na região foi construída em 1984 uma cidade cenográfica para a filmagem de uma série de televisão e de um filme – confesso que não vi nenhum dos dois. Posteriormente, em 1988 foi construído o Protea Hotel, baseado em cabanas e com serviços de alta qualidade administrados por ingleses.


Em Shakaland pude ouvir pessoas falando zulu e o curioso dialeto xhosa (as pessoas estalam a boca ao falar), dois dos 11 idiomas oficiais do país. Os demais são o inglês (que praticamente todos falam), o afrikâner (uma mistureba de idiomas, herança holandesa impossível de entender) e nove idiomas étnicos, falados em diferentes regiões do país.

De noite, com as pernas esticadas numa poltrona macia no bar do hotel, fiz uma pequena degustação de vinhos sul-africanos, antegozando a viagem que faria no dia seguinte para o Cabo da África do Sul, para conhecer uma das cinco regiões de vitivinicultura, parte da rota do vinho considerada a mais longa do mundo. Um brinde a isso, caro leitor e até o próximo post sobre a “Cidade do Cabo: o charme holandes”. 

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Saiba mais sobre a África do Sul em
·      África do Sul: aventura, safaris e pinotages - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/07/africa-do-sul-aventura-safaris-e.html  

·      Durban, a Zululândia e Amarulas na África do Sul - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/06/durban-zululandia-e-amarulas-na-africa.html

·      Cidade do Cabo, o charme holandes e a rota de vinho mais longa do mundo - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/06/cidade-do-cabo-o-charme-holandes-e-rota.html

·      Vida selvagem: luxo e mordomia na África do Sul - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/07/vida-selvagem-luxo-e-mordomia-na-africa.html


Por Rogerio Ruschel
Algumas fotos são cortesia da South Africa Tourism

segunda-feira, 2 de julho de 2012

África do Sul: aventura, safaris e pinotages

 
O ranger acendeu o holofote e levei um susto ao ver uma leoa enorme, agachada na escuridão, a menos de cinco metros de mim, os olhos brilhantes fixos em um grupo de gazelas a 50 metros de distância. Congelei ainda mais (era uma madrugada muito frio), porque com apenas um salto ela me alcançaria, já que o Land Rover era aberto.

   O repórter atendo na savana


Esta cena de safari fotográfico, emocionante e assustadora para quem está lá naquele momento, é inesquecível. Era a segunda vez que ia à África do Sul como jornalista convidado, já havia feito um safari deste tipo e sabia que o risco de um acidente é mínimo porque os animais não atacam seres humanos que estejam em veículos (ou elefantes). Mas a sensação de estar assim tão perto de animais selvagens, meu caro leitor, é uma imagem que gruda no cérebro para sempre, reforçada com o cheiro, a cor, os movimentos, os uivos e rosnares e as reações de susto das pessoas. 



Passeando em elefantes


O ano era 2005 e eu estava no Kapama Private Game Reserve, com 13.000 hectares, o maior de um único proprietário na região e um dos mais sofisticados da África do Sul, perto do aeroporto da cidade de Hoedspruit e próximo do mais importante parque de safari fotográfico do mundo, o Kruger National Park, na provincia de Limpopo, cerca de 450 Km de Joanesburgo. 

O Kapama estava inaugurando o lodge do Camp Jabulani (o parque tem quatro lodges) e passou a ser o primeiro a oferecer passeios com elefantes no país. A empresa importou 14 elefantes do Zimbabue, junto com os tratadores/guias que falam um idioma que os elefantes entendem (sim, além de gestos, alguns elefantes entendem até 64 palavras de comando, em inglês, como Stop, Go, Now, Run, etc.). 

O valoroso reporter, com o bonezinho vermelho, ficou com a ***** dolorida


No Kapama levei uma vida de artista de Hollywood, porque se come bem, dorme bem e bebe bem – turismo de primeira cla$$e! Fiz um passeio de umas duas horas pela savana (o “bush”) montado num elefante dócil, mas poderoso (eles arrancam galhos enormes de árvore para se alimentar, enquanto caminham), vendo e fotografando bufalos, zebras, javalis, girafas, antílopes, leopardos, hienas, rinocerontes e leões.


Voltei no fim da tarde ao ponto de partida, um acampamento montado ao lado de um lago onde fui recebido como um ingles em filmes dos anos 70: encontrei uma mesa grande com cadeiras, coberta por toalha de linho, com frutas, queijos, salgadinhos e espetinhos de carne de javali e veado e sucos, água, vinho e champanhe. Me senti o próprio "buana", meu caro leitor.

Lounge do Kapama


Estavam à disposição do grupo garrafas de vinhos riesling (brancos) e merlot, pinot noir e pinotage, uma cepa nativa da África do Sul, criada em 1925 através do cruzamento de Pinot Noir e Cinsaut, todos da região vinífera de Stellenbosch, que fica cerca de 30 minutos de carro da Cidade do Cabo. Optei pelo pinotage e bebi com calma, enquanto por perto rangers armados ficavam de olho nos rinocerontes que pastavam pelas redondezas. Na linha do horizonte pude acompanhar o maravilhoso por de sol na savana africana. Coisa de cinema.

Minha cabana no Kapama

Vinhos: herança holandesa e francesa

A África do Sul fabrica vinhos desde meados do século 17. Em 7 de abril de 1652, o holandês Jan van Riebeeck chegou ao país para instalar uma base para a Companhia da Índia Oriental Holandesa em Table Bay e logo percebeu que o clima era propício para a produção de vinhos. As primeiras cepas vieram de navio da França e a primeira safra foi produzida em 1659. Vinte anos depois foi fundada a nova cidade de Stellenbosch - que visitei - hoje o centro da produção de vinhos na África do Sul. 

 
Vinhedos e montanhas da região de Seidelberg Wine Estate, na Rota do Vinho de Cabo, na Provincia Western Cape, que visitei (Foto cortesia do South Africa Tourism)


No ano de 1688, fugindo de perseguições religiosas, protestantes franceses chegaram ao país trazendo know-how sobre vinicultura e se instalaram na região chamada “canto francês” (Franschhoek). A produção se expandiu no século 18 quando as Guerras napoleônicas cortaram o fornecimento de vinhos franceses à Inglaterra. Em 1886 uma doença dizimou os vinhedos e com o início da guerra anglo-bôer a indústria quase quebrou. A estabilidade só voltou no fim da Primeira Grande Guerra com o estabelecimento, em 1918, da Associação da Cooperativa de Vinicultores, ou KWV, que funciona até hoje, representando cerca de 5.000 produtores de vinho.


KWV Cathedral Cellar no Paarl Wine Emporium, na Rota do Vinho de Cabo, na Provincia Western Cape (Foto cortesia do South Africa Tourism)

Hoje a indústria do vinho sul-africana está dividida em cinco grandes regiões, mas a principal está situada na província do cabo leste, no sudeste da África. O clima mediterrâneo, quente e ensolarado, mas não muito quente, além das montanhas ricas em granito e ardósia que armazenam água, fazem dessa região, um ótimo cenário para a produção de vinhos de qualidade. Além da uva Pinotage (uma variedade quase exclusiva à África do Sul), são produzidos vinhos com uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Shiraz e Pinot Noir (tintas) e Chenin Blanc, Colombard, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling e Semillon (brancas). Vamos falar mais de vinhos sul-africanos em um próximo post, caro leitor.

Amanhecer no bush...

Além do safari

Embora mundialmente conhecidos, safáris fotográficos são apenas uma das atrações da África do Sul - e uma boa razão para conhecer este belo país. Os mais de 8 milhões de turistas que anualmente chegam a África do Sul – especialmente europeus e norte-americanos, além de visitantes do próprio continente – procuram também o encantamento das belas paisagens, a riqueza folclórica das etnias, o conforto de hotéis de qualidade internacional, a gentileza da hospitalidade e o valor cambial da moeda.

  O bush, onde a aventura acontece


Joanesburgo é a principal cidade do país, o portão de entrada dos vôos internacionais. Criada em torno da mineração de ouro, Joanesburgo (ou “Josbérg”, como eles chamam) é uma cidade grande, centro dos negócios do país e um dos principais do continente africano. Entre as atrações estão o Museu da África (bonito, com uma seção de Antropologia interessante), o novo Museu do Apartheid (que conta a história da intolerância racial do ponto de vista dos sul-africanos), a Gold Reef City (reconstrução da cidade do tempo dos pioneiros), e o bairro negro Soweto (sigla para South Western Township, criado no “apartheid” como uma cidade para negros), terra de dois Prêmios Nobel – Nelson Mandela e o Bispo Desmond Tutu. 

 Vista aérea de Joanesburgo


Na Provincia de Gauteng, próximo de Joanesburgo, estão as Sterkfontein Caves (hoje Patrimônio Histórico da Humanidade), onde foram descobertos os mais importantes achados paleontológicos do mundo.  Embora moderna e cosmopolita, com grandes hotéis internacionais, Joanesburgo não é bonita como Cidade do Cabo, não tem o poder político de Pretória, a capital, que fica a apenas 50 quilometros, não oferece paisagens maravilhosas como a das rotas vinícolas do Cabo, e não tem praias como a região de Durban ou o Garden Route. Joanesburgo, vizinha de Pretória, a capital, é o motor econômico do pais, mas não esgota a preferência dos turistas na África do Sul.

Aliás, Durban é o tema do próximo post, em breve aqui no blog. Por enquanto um brinde, caro leitor. Ou sawabona (você é importante para mim) como dizem os zulus!

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Saiba mais sobre a África do Sul em
·      África do Sul: aventura, safaris e pinotages - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/07/africa-do-sul-aventura-safaris-e.html  

·      Durban, a Zululândia e Amarulas na África do Sul - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/06/durban-zululandia-e-amarulas-na-africa.html

·      Cidade do Cabo, o charme holandes e a rota de vinho mais longa do mundo - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/06/cidade-do-cabo-o-charme-holandes-e-rota.html

·      Vida selvagem: luxo e mordomia na África do Sul - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/07/vida-selvagem-luxo-e-mordomia-na-africa.html



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pizzas, cafés e um Sforzato di Valtellina nas ruas de Milão

Saindo de Veneza, com duas horas e pouco de trem estávamos em Milão.
As pessoas que visitam Milão têm opiniões diferentes sobre o “agito”, mas comungam com o fato de que é uma cidade muito bonita. Ficamos num hotel perto da boca de um metrô para facilitar o embarque no aeroporto, no fim do roteiro. 




Nos 4 dias que passamos em Milão, entre uma pizza e outra com vinho da casa - ou de vez em quando um jantarzinho mais caprichado com um vinho "local" -  perambulamos pela cidade fugindo do calor abrasador. 

Estivemos no Castello Sforzesco, com belos pátios, e descansamos na sombra de seus jardins, fazendo um pique-nique de bolso, rapidinho, só com sanduíches pré-prontos e uma única garrafa de Sforzato di Valtellina, um DOCG badalado da Lombardia, num clima chique-pobre... Tiramos um dia inteiro – enquanto as pernas resistiram – para visitar a região central, onde está a Piazza del Duomo, uma catedral enorme (em obras de recuperação), que levou 500 anos para ser terminada. Dá para ficar uma hora só olhando as portas de bronze, onde baixos-relevos contam histórias fantásticas. 


 Pertinho dali está o Teatro Scalla – que, sinceramente, achei meio chinfrim perto de outros prédios históricos que tinha visto nos últimos 15 dias – e a badalada Galeria Vittorio Emanuele II, uma belíssima galeria comercial com quatro entradas em forma de cruz, piso com mosaicos ilustrados com signos do zodíaco (sim, pisei nas partes genitais do Touro, para dar sorte…), telhado de vidro e um belo domo central. Inaugurada em 1877, a Galeria tem cafés (onde está o Savini com o melhor café de Milão – e acho que também com a maior fila de espera dos cafés da cidade!) – lojas e restaurantes e uma livraria muito interessante.


Se alguém quiser saber das lojas de grife de Milão, não pergunte para mim. Sei que lá estão Versace, Valentino, Giorgio Armani, Salvatore Ferragno, Gucci e outras; passamos por perto, mas confesso que o máximo que fizemos foi tirar fotos para impressionar os amigos, enviando por e-mail.


Dois dias depois deixamos Milão em direção a Paris e São Paulo, trazendo mais de duas mil fotos e uma grande saudade dos momentos agradáveis fazendo pique-niques na Europa: nos terraços dos vignobles de Lavaux, em Lausanne, Suíça; dois ou três na paisagem ou na sombra de castelos na Toscana; sanduichezinhos em Veneza e no aeroporto Charles de Gaule enquanto nosso avião não partia para São Paulo. Onde chegamos amassados, de manhã cedo, mas nos vingamos abrindo uma champanhezinha francesa de noite.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cotoveladas em Veneza - e um Bardolino Superiore com russos

 
Continuando nosso roteiro de pique-niques pela Europa, (ver o blog Lago di Garda, meia ópera em Verona – e vinhos locais) em Milão pegamos um trem e fomos para Veneza, que ainda não conhecíamos. 


 
Veneza – ah! Veneza, você diria – estava lotada de turistas! Coisa de se acotovelar nos deques de embarque, fazer fila para comer um sanduíchezinho, fila para entrar em museus, fila para tirar fotos em qualquer lugar. Fizemos amizade com um casal de russos hospedados em nosso hotel – com quem dividimos um Bardolino Soperiore, um dos três DOCGs do Veneto no jantar - mas a dificuldade de comunicação não ajudou muito (eles não falavam inglês e meu russo estava desatualizado...) e por isto tivemos que nos virar lendo um guia comprado no Brasil e “seguindo o fluxo” dos turistas.


 
Ficamos num hotelzinho simpático – o San Moisé – em um quarto no segundo andar com uma janelinha charmosa que dava de frente para um canal gracioso. Por simpático quero dizer simples, bonito e econômico (375 Euros o casal, duas diárias – meu prezado, isto é econômico no verão veneziano!) a duas quadras de uma rua repleta de lojas de grife e a cinco quadras da gloriosa Piazza San Marco. 


 O único problema com o hotelzinho simpático é que durante o dia na frente do hotel se reuniam dezenas de camelôs africanos com enormes sacolas, provavelmente se escondendo da polícia da tal rua das lojas de grife, onde montavam suas barracas. E de manhã cedinho os românticos gondoleiros de Veneza se reuniam no tal canal de frente para a nossa janela – para fazer ruidosas faxinas nas gôndolas! Um charme! 

Mas a janelinha realmente vai ficar na nossa memória – na verdade, na memória de centenas de turistas, especialmente asiáticos, que passavam nas gôndolas e ao nos verem na charmosa janelinha, nos retratavam. Como eu posava para as fotos com um cálice de Bianco de Custoza na mão, acho que estou perpetuado em centenas de fotos de coreanos, japoneses e assemelhados!


 
Veneza é uma cidade realmente charmosa. Não vou enganar meu prezado leitor dizendo que visitamos dezenas de igrejas, palácios e museus, mas fizemos o obrigatório básico: a Praça de São Marcos, a Basílica, o Panteão de Veneza (aquela coluna com um leão), o Palácio dos Doges (Ducale), a Igreja de São Giovani. Tiramos fotos na Ponte dos Suspiros – suspirando para conseguir um pequeno espaço entre cotoveladas – e caminhamos ao longo do Grande Canal com suas lojinhas e pontes – especialmente a ponte Rialto. 


Não vimos os grandes mestres Tintoretto e Veronese, mas fizemos o glorioso passeio de barco no Grande Canal e fomos à tal da ilha Murano. Murano é interessante, sim, mas o turismo é baseado em 1) levar o turista para passar um dia inteiro; 2) levá-lo para visitar uma das inúmeras oficinas de fabricação de cristais (showzinho rápido, com um pouco de sorte você não paga para ver um cidadão assoprando um vidrinho derretido); e 3) fazer o turista gastar seu rico dinheirinho em lojas, dezenas, centenas de lojinhas de cristais de Murano e assemelhados. Minha mulher gostou muito, mas eu, sinceramente, teria ficado este dia em Veneza mesmo, talvez em uma fila para entrar no Museu dos Doges.


 
E não, não andamos de gôndola, porque 100 Euros para andar 15 minutos em canais com tráfego pesado com japoneses aboletados em barcos compridos, pilotados por displicentes ragazzi de camisas listradas, não estava em nossos planos (e orçamento) de turistas “em desenvolvimento”. Com este valor comprei 3 garrafas de Recioto de Siova, um DOCG muito agradável) que bebemos com prazer.

Mas foi uma visita maravilhosa, apesar de tudo isto. E continuaria em Milão, que você pode ver no blog “Fugindo do calor nas ruas de Milão“, em breve aqui mesmo. No próximo blog a gente continua. Por enquanto, um brinde, caro leitor. E antes que me esqueça: algumas das fotos desta série são de Marisa Boni Ruschel.





quarta-feira, 6 de junho de 2012

Lago di Garda, meia ópera em Verona e vinhos locais


Depois de Genebra, Chamonix, Portobelo, Lucca e de rodar cinco dias pelas colinas da Toscana bebendo chiantis e brunellos em piqueniques gloriosos (veja outros posts) minha mulher Marisa, eu e mais um casal abrimos o mapa e orientamos o valoroso Mitsubishi para o lago Garda (ou di Garda, como os italianos preferem).



O Lago Garda fica no nordeste da Itália, no Vêneto e Friuli, divisa com a Lombardia, uma região onde os romanos construíram muitas cidadelas e postos de guarda que hoje são cidades medievais como Vicenza, Treviso, Pádua e Verona. Como fica a meio caminho entre Veneza e Milão, e no caminho de quem vinha do norte da Europa pelos Alpes, a região de Garda sempre teve importância estratégica (para os romanos) e turística (para todo mundo).


Em Garda, além da evidente beleza da região, tínhamos pré-agendado assistir a uma ópera em Verona e visitar amigos em Peschiera del Garda. Além disso, ficaríamos a cerca de 1h30min de Veneza de trem, de onde deveríamos retornar para Milão, ponto final de nossos 15 dias de piqueniques italianos.



O Lago Garda é o maior da Itália e o quinto maior da Europa. Na parte sul forma planícies repletas de vilarejos tipicamente de férias; na parte norte começa a subir as fraldas dos Alpes, oferecendo florestas de pinheiros em penhascos e neve eterna: um show! É possível atravessá-lo na vertical e na horizontal com barcos a vapor, catamarãs, lanchas ou barcos menores – o que permite ver gloriosas mansões com jardins monumentais de frente para o lago. Ou rodeá-lo de carro, um roteiro que leva pelo menos dois dias para melhor aproveitamento.



Passamos três dias circulando entre Sirmione (com direito a um piquenique regado a brunellos e chiantis no parque defronte ao Rocca Caligera, um castelo medieval), Bardolino (sim, o do vinho), Gardone Riviera (onde não deu para visitar a casa art déco do poeta Gabriele d’Annunzio) e Peschiera, que foi nossa base. 


Meia ópera em Verona

Passamos um dia em Verona – bem pertinho de Garda – e foi inevitável: visitamos a Casa de Julieta na Via Capello (com centenas de bilhetes de amor enfiados por entre as pedras, por visitantes contemporâneos) e a Casa de Romeu, onde teoricamente teriam morado os personagens da trágica história escrita em 1520 por Luigi da Porto de Vicenza e imortalizada por William Sheakespeare. Dizem que tem até uma Tumba de Julieta, mas deixamos esta visita para outra oportunidade. 



Comemos sanduíches de pernil com azeites MUITO especiais e temperos de ervas na Piazza Erbe (que há mais de dois mil anos serve como Mercado de frutas e ervas) acompanhado, naturalmente de um Colli Bericci, um vinho local (servido em taças, mas muito bom) e perambulamos pela região visitando as lojinhas, o Palazzo Maffei e o Leão de Veneza no alto de uma coluna.  



Mas a razão principal de nossa passagem por Verona era assistir a ópera “O Barbeiro de Sevilha” na Arena di Verona, onde pagamos 24,50 Euros (por cabeça) para sentar numa pedra úmida e fria da “gradinata Settore D”, com uma velinha acesa na mão – e não me pergunte por quê, todo mundo tinha uma... Tão fria e tão úmida estava a noite que antes do fim do primeiro ato caiu uma forte chuva, torrencial mesmo, o evento foi cancelado e nós voltamos para o hotel molhados e frustrados!



Depois do frustrante “spettacolo”, levantamos âncora de Garda e fomos para Milão, onde o casal anfitrião nos deixou na estação de trem Centrale e voltou de carro para Genebra, encerrando suas férias. Estávamos agora por nossa própria conta, para a tal lua-de-mel “para semi-idosos” em Veneza. Deixamos duas malas enormes no “locker” e pegamos um trem Eurostar (54 Euros o casal, bilhete tarifa standard) para Veneza com quatro bolsas teoricamente “de mão”. A idéia era evitar chegar em Veneza com muitas malas porque o transporte por barcos na cidade, com muitos embarques e desembarques, exige um certo planejamento logístico.

Mas isto você vai ler em outro blog, a ser postado em breve, com o simpático nome de “Cotoveladas em Veneza”. Por enquanto, um brinde, caro leitor.