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terça-feira, 5 de junho de 2012

Parma, Lucca e San Giminiano: um brinde à beleza


Em Parma, um glorioso Albana di Romagna DOCG

Em nosso roteiro de piqueniques na Europa saímos de Chamonix pelo Valle D’Aosta e entramos na Itália pela região de Ivrea, onde pegamos a auto-estrada em direção a Alesandria e Piacenza, cortando o Piemonte – veja o blog Nos Alpes, degustando bordeaux,

 

O objetivo de dormir em Parma tinha uma motivação familiar: minha mulher Marisa e Suzana, sua irmã, queriam rever a propriedade onde bisavô delas havia morado, antes de migrar para o Brasil.

 



Visitamos a tal casa, o enorme Duomo com os afrescos de Antonio Correggio, o belo Batistério e fotografamos, sem visitar, o Palazzo Pilotta, por causa das grandes filas. 

 


Compramos duas garrafas de vinho (um Colli di Parma e um Albana di Romagna, o único DOCG – Denominazione di Origine Controllata i Garantita da Emillia-Romagna), uma grande fatia do melhor queijo parmesão, quase meio quilo do famoso presunto de Parma para comer na viagem e pegamos a estrada porque pretendíamos dormir em Lucca. Como todos os demais hotéis do roteiro, o hotel de Parma, com acesso pela auto-estrada A1, havia sido reservado pelo portal booking.com e tudo “batia” com o que estava no portal.



Embora tivéssemos planejado passar o dia inteiro em Lucca, no meio do caminho – na altura de La Spezia – decidimos fazer nosso almoço em Portofino, cidade litorânea próxima de Gênova, para curtir um programa tipicamente de turista “remediado”: ver os iates dos milionários da temporada. Acertamos em cheio: os iates estavam lá e nosso piquenique – o segundo do roteiro - no cais de Portofino, com a garrafa do Albana di Romagna teve que ser complementado com outra garrafa de um vinho regional, um Golfo de Tigullio – aliás, muito bom.


Portofino é um dos mais chiques balneários da Itália, e o turismo vive da beleza da enseada, da harmonia das simpáticas casas pintadas em cores pastéis e da fama de lugar para ricos. E de algumas lendas, como a de que na Igreja de San Giorgio estão relíquias de um famoso matador de dragões. Ou a lenda da Abbazia di San Fruttuoso, onde seguidores deste santo, no século 3, teriam naufragado e foram protegidos por três leões – ou ainda pela estátua de bronze do Cristo degli Abissi, que repousa no fundo do mar azul-claro e que protege os pescadores. 


Não pudemos conferir nenhuma destas lendas, mas saímos de Portofino com a certeza de que viajar sem estar em grupos de “pacotes turísticos” realmente tem vantagens de flexibilidade.

Chiantis sem nome na noite de Lucca


Retomamos a viagem e fizemos uma parada em Carrara, onde visitamos uma das muitas minas de exploração de mármore –o carro ficou coberto de pó branco, como, aliás, a cidade inteira sempre está. Chegamos à noite em Lucca, e ainda tivemos energia pra fazer uma caminhada fora das muralhas à procura de um restaurante com bons vinhos chianti (estava muito cansado e não anotei os nomes das duas garrafas), antes de desabar na (macia) cama do hotel, onde pagamos 85 Euros por casal. Estávamos oficialmente na Toscana.


Lucca foi fundada pelos romanos em 180 A.C. e ainda guarda o traçado medieval – pelo menos dentro das muralhas maciças que protegem a parte velha. Em Lucca nasceram o compositor de óperas Giacomo Puccini e também Alfredo Volpi, artista emigrado para o Brasil com grande sucesso por aqui. E em uma cidadezinha da região nasceu Carlo Collodi, o criador do Pinóquio em 1883, razão pela qual um dos brindes para turistas com maior oferta é o simpático boneco esculpido por Gepetto, que espichava o nariz quando contava uma mentira.


Pizza com Lambrusco di Sorbara

No dia seguinte passeamos a pé pelas ruas, especialmente pela Piazza San Martino, com seu Duomo do século 11 e arquitetura românica, e fotografamos as igrejas San Frediano e San Micchele in Foro – e é claro, visitamos as lojinhas de Via Fillungo, onde almoçamos pedaços de pizza com uma garrafa de Lambrusco di Sorbara de 6 Euros. Visitei o Museu de Histórias em Quadrinhos, enquanto meus parceiros de viagem faziam incursões pelas ruas da cidade e compravam queijos, vinhos, frios – e pinóquios!

A surpresa de San Gimigniano

Nosso roteiro nos levaria a San Gimigniano, uma pequena cidade medieval (cerca de sete mil moradores), um dos lugares mais encantadores da Toscana, embora esta frase seja difícil de dizer. A distância é curta (uns 60 quilômetros), e por isto evitamos as rodovias de maior movimento, optando passear com calma pela região do Chianti. Onde, aliás, fizemos nosso terceiro piquenique, degustando queijos, frios e duas garrafas de vinho “locais”: um Vernaccia di San Gimigniano e um Brunello de Montalccino – ambos DOCG da Toscana. 

De longe dá para ver as torres do vilarejo, o que o diferencia de outras cidades medievais. As torres (são 13) foram construídas por famílias poderosas nos séculos 13 e 14, e a cidade foi preservada por causa da mudança das rotas de peregrinação do norte da Europa para Roma e pela Peste Negra de 1348. 


Embora não figure nos roteiros para brasileiros, é um vilarejo muito popular junto a europeus, especialmente alemães, suíços e ingleses (e vimos também muitos orientais), porque fica muito próximo de Siena. Passamos o dia todo caminhando pela cidade: visitamos o Palazzo Vecchio del Podestà, na Piazza del Duomo; a Igreja Collegiata do século 11 – cujo teto tem belas estrelas pintadas – e o Museo Civico, de onde poderíamos subir na mais alta das torres, o que discretamente deixamos para outra viagem…


Seguindo um padrão típico das atrações medievais européias, nas ruas centrais, especialmente na Via San Giovanni, lojinhas simpáticas e restaurantes atraentes são locais ideais para os turistas descansarem as pernas – e gastarem seu rico dinheirinho. Nós deixamos o nosso, bebericando um bianco de pitigliano, enquanto o sol se punha nas colinas toscanas da vizinhança.

Ficaríamos mais quatro dias rodando pelas colinas da Toscana e bebendo chiantis, super-toscanos e brunellos antes de ir para o lago di Garda e daí para Veneza – mas isto é outra história que vai estar em outro post – Lago di Garda, meia ópera em Verona – e vinhos locais. Por enquanto, um brinde, caro leitor.

(*) Rogério Ruschel - rogerio@ruscheleassociados.com.br  - é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade, editor da revista eletrônica “Business do Bem – Economia, Negócios e Sustentabilidade” - http://www.ruscheleassociados.com.br/ .Ruschel fez estes pique-niques europeus por conta dele mesmo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Nos vinhedos de Lavaux, Suíça, um patrimônio da Humanidade

(*) Por Rogério Ruschel 

A Suíça é um pequeno país (41.285 K2, do tamanho do Espírito Santo), com uma população total menor do que a cidade de São Paulo (7,8 milhões de habitantes) e com um dos maiores PIBs per capita do mundo – US$ 42.600.00 em 2010. Neste território, encravado no coração da Europa, convivem quatro principais regiões linguísticas e culturais oficiais: alemão, francês, italiano e romanche – uma mistura de todos os outros e quase uma raridade. 


Os suiços de origem alemã (65% da população) predominam na economia e na política, em regiões como Basiléia, Berna (a capital) e Zurique, a capital industrial. Os franceses (18%) se concentram em Lausanne, Montreaux e Genebra, a cidade mais cosmopolita, com várias unidades da rede da ONU. Já os italianos (10%) ficam no entorno de Lugarno. Como me disseram várias pessoas, quem manda mesmo são os alemães, que consideram Genebra liberal em excesso…

Trata-se de um país diferenciado: até mesmo o governo é diferente, exercido pelo Conselho Federal composto por sete pessoas eleitas por duzentos membros do Conselho Nacional (uma espécie de Assembléia Legislativa) e pelos 46 Conselheiros Estaduais (uma espécie de Senado). Estes sete Conselheiros Federais elegem um Presidente (atualmente uma Presidenta) anualmente. Todas as decisões são tomadas por este grupo de sete pessoas e o Presidente tem poderes limitados. E sabe como é que a população participa? Através de referendos de nível federal ou dos cantões (estados) - e se um cantão perder no referendo de uma lei, pode simplesmente não aceitar aquela lei…

Pois parece que o sistema está dando certo. Atualmente a Suíça é a 23a. economia do mundo, mesmo sem ter grandes estoques de recursos naturais. Os fundamentos da economia são a indústria (química, farmacêutica, máquinas e equipamentos, tudo com alta tecnologia) e serviços financeiros como o de gestão de fortunas. Mas para simples turistas como eu, a Suiça é o pais dos queijos, chocolates e relógios. E - acredite ou não - de vinhos!
Vinhedos debruçados sobre o lago
Toda a Suíça é bonita. Conheço Berna, Zurique, Interlaken, um pouquinho da região italiana e a região do Lago Genebra. Pois este ano voltei a Genebra para visitar os vinhedos em terraço da região de Lavaux, tombados há quatro anos pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.
Trata-se de uma área no Cantão de Vaud com 14 vilas e pequenas cidades, com 40 Kms de frente para o Lago Genebra, entre Corseaux e Lutry, que concentra 830 hectares de vinhedos em terraços debruçados sobre o lago sempre azul. Um espanto de beleza! Os vinhedos, com altitude variando de 372 a 936 metros, tem a proteção de montanhas e a refrigeração dos ventos que entram pelo Lago Genebra vindos dos Alpes franceses e do Mont Blanc. Segundo consta, uvas vem sendo cultivados desde o século XI, quando foram introduzidas por monges – sempre eles!
Peguei um trem rápido em Genebra, desci em Vevey, um pouco antes de Montreaux, e dali, usando trens regionais S1, fui “pingando” em estações como St. Saphorin, Rivaz, Cully, Villete e Lutry, onde embarquei de volta para Genebra, no fim do dia. Como estava a pé, o segredo é descer da estação e caminhar pelos vinhedos até a cidadezinha, percorrer as ruas principais, documentar as atrações e voltar à estação para a próxima experiência. 

Para algumas das caminhadas aproveitei percursos de randonnées – trilhas entre 2 e 5 Kms sempre bem demarcadas. Todas as cidadezinhas têm encantos: em Grandvaux estão a Praça Corto Maltese (homenagem ao cartunista suíço natural da cidade) e a Maison de Bailli Mallardoz (que não visitei); em Lutry você pode passear pela cidade medieval e pode conhecer menires de 4.000 anos antes de Cristo; fotografar ruínas romanas em Savuit; conhecer a Villa “Le Lac:, projetada por Le Corbusier na década de 1920 e fazer sua fézinha em várias igrejas com 500 a 600 anos que surgem nas praças logo depois de virar a esquina numa ruela.

Degustando na Vinorama
Apesar de muito próximos (cerca de 40 Km entre Corseaux e Lutry) e terem basicamente os mesmos tipos de uvas, os vinhedos das diversas comunas geram produtos com diferentes sotaques por causa do solo que varia de arenoso ou argiloso a calcáreo. Nesta pequena área (repito: apenas 830 hectares de vinhedos), convivem oito diferentes denominações (as appellations): Chardonne, Saint-Saphorin, Calamin Grand Cru, Epesses, Dézaley Grand Cru, Vevey-Montreaux, Villette e Lutry. Cerca de 220 pequenos produtores, geralmente famílias, produzem vinhos e toda a produção é praticamente consumida na Suíça por falta de escala para exportação.

Em Rivaz fiz uma parada estratégica para conhecer a Lavaux Vinorama, uma grande loja inaugurada em maio de 2010 que comercializa 230 rótulos de 150 produtores regionais. Segundo Sandra Joye, diretora da casa, no Lavaux são produzidos vinhos brancos com duas fermentações a partir das castas Chasselas (68% da produção, uma cepa suíça Téoricamente oriunda do Egito), Pinot Gris, Viognier, Sauvignon, Chardonnay, Silvaner e Doral. Os tintos utilizam Malbec, Pinot Noir, Gammay, Merlot e Syrah.
Atendido pelo Luiz Alves, um garçon português, enfrentei uma degustação de brancos acompanhada de petiscos e salgadinhos. Provei DOCs Lutry (Cret de Plan), Calamin (um Grand Cru da L’Arpege), dois ou tres Saint Saphorin, um Villette de Les Echelettes, um Epesse da Cave Du Cypres e um Chardonne da La Bachanalle. Não sou um especialista e não diferenciei o sabor das denominações, mas registro que os que mais me agradaram foram vinhos chasselas da denominação Saint Saphorin. São vinhos que não conhecemos no Brasil e certamente não são valorizados como os vizinhos franceses, mas são muito bons – com 26 Francos Suíços, o equivalente a R$ 40,00 você compra um bom Grand Cru.
Na Vinorama assisti um filme que apresenta 12 meses na vida e labuta de uma família de produtores – um belo e comovente documentário como não vi em nenhum outro lugar, realmente interessante.
(*) Rogério Ruschel - rogerio@ruscheleassociados.com.br  - é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade, editor da revista eletrônica “Business do Bem – Economia, Negócios e Sustentabilidade” - http://www.ruscheleassociados.com.br/ .Ruschel viajou à Lavaux por conta dele mesmo.

Experimentando os sabores da Borgonha e Dijon


Para aproveitar milhagens que estavam por vencer e o convite de um casal de amigos, fui conhecer de perto os sabores de uma região francesa muito badalada: a Borgonha e sua capital Dijon, território dos poderosos Duques da Borgonha, no Departamento Côte-d’Or, localizada a 310 quilometros de Paris e cerca de 200 quilometros de Lyon.
Os primeiros habitantes datam da época do Neolítico e, cortada pelo canal da Borgonha e pelos rios Ouche e Suzon que contribuiram para o transporte e a geopolítica, Dijon atravessou os séculos testemunhando lutas pelo poder, invasões, incêndios (como o de 1.137, que destruiu grande parte da cidade) e mais recentemente, foi palco de cenas destrutivas da Segunda Grande Guerra.
Embora pequena, Dijon é uma cidade culturalmente importante, e seus cerca de 260.000 habitantes recebem bem os turistas atraídos por construções históricas do período medieval, pela gastronomia, pela mostarda – e evidentemente pelos vinhos borgonheses.

Alegre, florida e simpática, Dijon é facil de conhecer: basta caminhar pelas ruas animadas como a central Liberté e as ruas des Forges, de la Chouette e Verrerie (com muitos antiquários), que levam a visitas a igrejas como a Notre-Dame, a St. Michel – que virou foco de eventos universitários  - a St. Jean e a Catedral Saint-Bénigne com sua cripta do século XI.
As surpresas também estão em prédios e palácios como o majestoso Palais des Ducs et des Etats de Bourgogne com sua grande praça com chafarizes no solo, agitada no verão por shows e eventos; o antigo palácio de justiça; o prédio dos Correios (Poste Grangier); o Hôtel de Vogüe e o Hôtel de Ville. 

Embora seja tudo pertinho, valem paradas estratégicas de descanso para os pés em áreas verdes como a Place Darcy e o Parque e Museu de Ciências bem defronte à Gare Dijon Ville; em cafés e restaurantes com mesinhas nas calçadas (pelo menos em tempos menos frios) e nas lojas de produtos tradicionais para ver as muitas versões da mostarda - Dijon é considerada a capital mundial da mostarda, embora grande parte do produto seja importado, mas a região tem tradição na produção e na especialização: contei pelo menos 20 diferentes tipos de mostardas, algumas com ingredientes doces…  

Come-se muito bem em Dijon, que é considerada uma das capitais gastronômicas da Europa. Além da mostarda e das tradicionais especialidades francesas (pães e queijos de infindáveis sabores), Dijon é conhecida também pelo creme de groselha preta e do pain d’épice. E bebe-se bem, também, evidentemente, porque afinal de contas Dijon é a porta de entrada de uma das mais importantes regiões produtores de vinhos da França.
Embora os borgonhas não sejam tão famosos ou até mesmo tão badalados como os vinhos de Bordeaux, do Vale do Reno, da região de Champagne ou do Vale do Loire, oferecem boas surpresas – e atraem muitos turistas, entre os quais eu e minha mulher.
Existem muitas maneiras de conhecer a região vinícola da Borgonha e talvez a melhor seja passar alguns dias hospedado em alguma pensão ou hotel de vila, numa abadia ou num dos muitos chateaux. Mas como não tinha todo este tempo nem a grana necessária, me contentei em comprar um roteiro turístico mais convencional. Por 60 Euros e na companhia de um guia muito esperto e 3 australianos, gastei minhas 7 horas de turismo passeando entre os vinhedos plantados nas Colinas de Côte Chalonnaise e Mâconnais (dois distritos produtores) e em áreas e lojas de pequenos produtores em vilas como Gevrey-Chambertin, Nuits Saint-Georges, Vougeot e Givry, na região produtora Côte de Nuits. 


Evitei cidades maiores como Beaune, considerada a capital comercial do vinho na Borgonha, onde, segundo meu guia, a única coisa interessante para fazer seria visitar o Hôtel-Dieu, de 1443, com os Hospices de Beaune e seus vinhedos de 58 hectares, e gastar dinheiro nas lojas. Ficou para outra vez...
Como gosto de vinho mas não entendo quase nada, preferi fazer o roteiro de visita tradicional da Côte de Nuits, o que incluiu a visita a alguns vinhedos produtores de vinhos Grand Cru, na estrada entre Gevrey-Chambertin e Morey-St.Denis.
A indústria vinífera foi introduzida na região no século XVII e a especialidade da Borgonha é a uva Pinot Noir (cerca de 95% da produção), mas alguns produtores trabalham com a uva branca Chardonnay. O solo é argiloso, as suaves colinas permitem boa insolação e o clima continental é adequado para a formação de um bom terroir, que é como os franceses chamam o conjunto de condições de plantio da uva.
Aprendi que a grande maioria da produção é feita por pequenos produtores (especialmente familias), embora as áreas mais sofisticadas (como as de vinhos premier e grand cru) quase sempre pertençam a alguma familia mais poderosa. Descobri que “clos” – palavra que a gente vê em alguns rótulos – significa que o vinho foi feito com uma uma uva plantada em uma área murada, porque a grande maioria dos vinhedos é plantada em áreas abertas, sem separação entre os proprietários. E qual a vantagem? A uva fica mais protegida e dá um vinho melhor…
Também na linha da cultura inútil, aprendi que para poder ser classificada como grand cru, um vinho tem que ter critérios de qualidade que não vou nem tentar explicar porque os franceses não fazem muita questão que você entenda, desde que pague o preço pedido. Mas pelo que vi, uma das condições é que a uva seja mais beneficiada com açúcar, e para isso os produtores têm que cortar todos os cachinhos tenros das videiras para que cresçam apenas dois.
Tentei mas não consegui entender a sofisticada cultura local de produção, classificação e consumo dos vinhos. Áreas de produção literalmente uma ao lado da outra podem ter classsificações e denominações diferentes, ligadas à região ou à própria comunidade. É provável que o objetivo não seja este, mas na prática este sistema de certificação acaba se tornando um instrumento de marketing, porque impede que um bebedor de vinho não-especialista,m como eu, jamais consiga comparar dois vinhos produzidos literalmente a cinco metros de distância…
Mas se o seu objetivo é passar horas agradáveis em uma cidade muito interessante e fazer turismo enogastronômico, Dijon e a região da Borgonha oferecem isto com muito charme. E aproveite, porque um bom vinho pode custar entre 7 e 12 Euros (em lojas) e um grand cru pode ser encontrado a partir de 55 Euros – preços no mínimo 50% mais em conta do que os encontrados no Brasil.

Se você quiser saber mais sobre os sabores da Borgonha, acesse http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/05/feira-livre-de-dijon-produtos-naturais.html

(*) Rogério Ruschel - rogerio@ruscheleassociados.com.br  - é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade, editor da revista eletrônica “Business do Bem – Economia, Negócios e Sustentabilidade” - http://www.ruscheleassociados.com.br/ .Ruschel viajou à Borgonha Alsácia por conta dele mesmo.