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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Alentejo, Portugal: terra de vinhos bons, belezas mágicas e do primeiro hotel revestido com cortiça do mundo


Por Rogerio Ruschel (*)
Embora ainda não o conheça, o Alentejo mora no meu coração e está na minha lista de “locais a visitar o mais rápido possível”. E com certeza quero conhecer o cais palafítico de Carrasqueira, aldeia ribeirinha no Estuário do rio Sado, retratado na foto de António Laranjeira, acima. O Alentejo é uma região no sul de Portugal com planícies que se estendem do litoral até as serras de São Mamede e do Caldeirão, já na fronteira com a Espanha, ocupando cerca de um terço do território continental português – veja o mapa abaixo.

Com uma história de mais de 5.000 anos, o Alentejo tem inúmeros vestigios de ocupação pré-histórica – como o curioso Cromeleque do Xerex, perto de Monsaraz, construído cerca de 3.000 A.C., abaixo.

Alentejo foi um província romana importante – e do latim surgiu nosso idioma; foi ocupado pelos árabes que deixaram na região muitos depoimentos arqueológicos como castelos, pontes e mesquitas; foi reconquistada e se tornou independente, com grande participação da Igreja quando várias ordens religiosas se tornaram os maiores proprietários de terras onde produziam vinhos e sobreiros, árvore da qual se faz cortiça para tampar garrafas - abaixo, cena rural em Alqueva, com sobreiros. 

No Alentejo estão alguns dos atrativos turísticos mais interessantes de Portugal, tanto no litoral, com praias que sempre atraem portugueses, como as cidades de Évora (veja foto abaixo das muralhas da cidade) e Elvas - ambas tombadas como Patrimônio da Humanidade da Unesco. 

La estão também cidades que certamente estarão em qualquer roteiro de viagem na região como Santarém, Beja, Portalegre e Monsaraz – esta com uma de suas ruas retratada por Antonio Caeiro, abaixo.

Turistas brasileiros certamente vão perceber semelhanças arquitetônicas com cidades litorâneas brasileiras; como exemplo, veja abaixo uma foto de António Laranjeira da Praça Marquês do Pombal, na freguesia Porto Corvo, vilarejo litorâneo do concelho de Sines, no Alentejo – não poderia estar em Paraty-RJ ou em alguma praia de Florianópolis?
 
O Alentejo é terra de produção de azeites e de vinhos com identidade própria, produzidos em vindimas temperadas pelo clima do Mediterrâneo e com muita exposição ao sol, com uvas tintas como Alfrocheiro, Aragonez, Alicante Bouchet, Touringa Nacional e Trincadeira; Arinto e Antão Vaz (uvas brancas), além de cepas internacionais como Syrah, Cabernet Sauvignon e Chardonnay. Estes vinhos regionais bem aromáticos podem ser harmonizados com pratos típicos portugueses como a açorda alentejana, gaspacho, sopas de espargos, de poejos e de beldroegas e doces à base de amêndoas. Veja abaixo uma foto de um prato de carne de porco à lentejana, que leva mariscos (ameijôas).

Mas o Alentejo é também o maior produtor mundial de cortiça, que é feita a partir da casca do sobreiro, uma árvore de porte médio que é uma das riquezas naturais da região. Portugal, com 725.000 hectares de área plantada com sobreiros, produz cerca de metade da produção mundial que foi de cerca de 360.000 toneladas em 2011 - e quase tudo isso vem do Alentejo (veja abaixo uma foto da árvore e o mapa de plantio).

Pois foi nesta região, a menos de 20 minutos de Évora e 70 minutos do aeroporto de Lisboa, que foi implantado o Ecorkhotel - Évora, Suites & Spa, o primeiro hotel totalmente revestido com cortiça do mundo, que você vê abaixo.

Embora seja utilizada na decoração e como revestimento acústico e térmico em várias indústrias (como automobilística e de calçados), a cortiça nunca tinha sido aplicada na hotelaria deste jeito – e o local deveria realmente ser aqui, na fonte do produto, a região dos sobreiros.

O hotel foi todo pensando para ser sustentável no uso de energia, água, climatização e outros recursos. Com classificação 4 estrelas, oferece o que se deve esperar de um hotel moderno e teconológico: suites com Wi-Fi, frigobar e banheiro privativo - algumas com varanda e cozinha - e mordomias como piscina coberta, sauna, banho turco e massagens, ar-condicionado, TV de tela plana a cabo e restaurante de qualidade.

Então, meu caro leitor, se você ainda não conhece o Alentejo, agora tem mais uma razão. Junte-se a mim no desejo de em breve alentejar e façamos um brinde a isso: tim-tim.
Para ver mais fotos (maravilhosas) de António Laranjeira acesse http://www.facebook.com/antonio.laranjeira.127
Para saber mais sobre o Ecorkhotel acesse https://www.facebook.com/Ecorkhotel
Para saber mais sobre Portugal e Alentejo acesse

(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e adoraria conhecer o Alentejo; por enquanto apenas o conhece pela internet...







domingo, 4 de agosto de 2013

Viela Dourada do Castelo de Praga: 500 anos de mistérios, soldados, alquimistas, bandidos e intelectuais


Por Rogerio Ruschel (*)
O maior castelo do mundo, segundo o Guiness Book, é o Castelo de Praga, com 72,5 mil m² - declarado Patrimonio Mundial da Humanidade pela Unesco. Pessoalmente creio que é também uma das construções mais interessantes do mundo, porque é muito mais do que um castelo – vamos dizer assim, convencional - como tantos que você conhece na Europa: é uma coleção de atrativos muito loucos. Na foto abaixo o Castelo de Praga no alto da colina.

Construído em torno do ano 850 depois de Cristo pela Família Premysl (que dominaria a região por séculos) no alto da colina de Hrad como uma fortificação para proteger a margem esquerda da cidade em relação ao rio Vltava, ao longo dos séculos foi sendo ampliado e serviu de moradia para reis e rainhas; atualmente é o palácio do governo da República Tcheca.
 
A estrutura do castelo foi sendo ampliada e modificada ao longo dos séculos e hoje é composto por três páteos interiores que misturam todos os estilos arquitetônicos da cidade. E nestes páteos do Castelo de Praga estão inúmeras construções, entre as quais o Palácio Real e a Catedral de São Vito (veja abaixo).
 
Estão também a Torre da Pólvora, o Convento de São Jorge, o Palácio Lobkowicz, a Viela Dourada (ou Viela do Ouro) e a Torre Daliborka, uma prisão medieval, hoje um museu de memória das casinhas e de outras áreas do Castelo de Praga, inclusive, é claro, equipamentos de torturas e armaduras.
 
Em outros posts você vai conhecer o Castelo de Praga e estas construções em detalhes, mas agora quero falar sobre a Viela Dourada – veja abaixo.

A Viela Dourada foi construída no final do século 16 para servir de moradia aos 24 membros da guarda do Imperador Rodolfo II: era, vamos dizer assim, uma pequena senzala para que os guardas pudessem estar próximos do Imperador – veja lembranças destes guardas nas fotos abaixo. 


Mais ou menos um século depois as ruas foram tomadas por artesões e ourives que modificaram os prédios para poder instalar seus equipamentos. 

No século 19 a área entrou em decadência e as casinhas acabaram sendo tomadas por miseráveis e criminosos. No começo do século 20 o perfil dos moradores foi mudando, e boêmios e intelectuais acabaram se instalando por lá. 

Dois intelectuais nascidos na cidade que moraram na Viela Dourada foram o poeta Jaroslav Seifert, Premio Nobel de Literatura de 1984 e Franz Kafka, um dos escritores tchecos mais reconhecidos, que morou com a irmã por alguns meses na hoje identificada casa 22.
Originalmente as casas não tinham números, eram identificadas por símbolos e brasões e conhecidas pelos nomes como Casa do Carneiro de Pedra, Casa do Pobre Infeliz, Casa da Madona de Pedra, Casa da Estrela Azul e Casa das Cegonhas. Veja abaixo alguns dos brasões expostos no pequeno museu.
Muitas lendas cercam a Viela Dourada, até mesmo de fantasmas que movem coisas. Um das histórias é que a viela teria sido um local de prática de magia e de misteriosas pesquisas sobre Alquimia, o ramo da ciência ou bruxaria que pretendia transformar as coisas em ouro. 
 
Atualmente a Viela Dourada é um conjunto de pequenas lojas de lembranças para turistas e na parte superior das casinhas foi montado um pequeno museu de armaduras, roupas, brazões e outros equipamentos da idade média da região, a Boêmia central. Como é um lugar escuro propositalmente, as fotos não ficaram lá grande coisa, mas servem como registro. Eu mesmo, como vistante (abaixo), tinha que olhar bem de perto para poder ver detalhes.

Por enquanto é isso. Em outro post você vai conhecer um pouco mais sobre o Castelo de Praga. Até lá, um brinde à criatividade humana.

(*) Rogerio Ruschel rruschel@uol.com.br - é jornalista de turismo e consultor especializado em sustentabilidade e foi a Praga por conta dele mesmo.










domingo, 21 de julho de 2013

São José dos Ausentes: frio do brabo, comida da boa, paisagem da linda e aventuras de tirar o chapéu


Por Rodrigo Ruschel (*)
Um passeio com seu pai e seu sogro pode ser bom? Se for com o meus, pode ser ótimo! Além da excelente companhia dos meus amigos, tive a oportunidade de conhecer um dos lugares mais bonitos do Brasil, São José dos Ausentes – RS. Situado nos Campos de Cima da Serra, divisa do RS com SC, a cidade tem pouco mais de 3.000 habitantes. Conhecido pelo frio intenso que deixa os campos brancos de manhã (veja abaixo) o município oferece um grande número de pousadas e hotéis- fazenda, sendo o turismo o grande impulsionador da economia da região, além da pecuária e das madeireiras.

A viagem de Porto Alegre até a cidade já é um grande passeio. Passamos por paisagens e cidades lindas, como São Francisco de Paula e Cambará; desta última até São José dos Ausentes a estrada é toda de terra, passando por vales e morros, às vezes por pontes de madeira. Mas se preferir um roteiro mais confortável, pode-se ir até Bom Jesus e utilizar estrada asfaltada, o que aumenta a viagem em uns 60 km.

No trevo de acesso a São José dos Ausentes há um CIT Centro de Informações Turísticas, ali todos estão preparados para te ajudar, sabem onde ficam todas as pousadas e pontos turísticos, são informados sobre a temperatura, afinal 10 entre 10 visitantes estão atrás do frio, e se possível da neve! Além de informações o centro oferece alguns produtos feitos na região, geléias e sucos de mirtilo, produtos em couro, artesanato e lã, ainda tem um “mini-museu”, com algumas peças características da serra gaúcha.

A cidade oferece diversas pousadas, mas para vovenciar melhor a serra gaúcha recomendo ficar nas pousadas-fazenda, em sua maioria distantes do centro da cidade. Ficamos hospedados a 29km do centro, fazendo o chamado turismo rural, na fazenda Potreirinhos, (http://www.fazendapotreirinhos.com.br/) comandada pela Da. Nilda e pelo seu Chico, pessoas extraordinárias que não vão medir esforços para você ter a melhor estadia possível. Afinal, receber bem é uma tradição gaúcha levada muito a sério!

A região hoje é muito conhecida pela pesca da Truta arco-íris e pescadores do Brasil inteiro, e até do exterior vão até São José dos Ausentes praticar este esporte no Rio Silveira. Na pousada conhecemos três paulistas que estavam lá para pescar, sendo que um deles frequentava a pousada há mais de 15 anos. A atividade esportiva está tão desenvolvida que hoje representa uma atividade econômica muito importante, tendo havido até projetos, como o do Graxaim Carçado, do qual um dos idealizadores e incentivadores é o cartunista caxiense Iotti, que busca valorizar e divulgar o esporte.

São José dos Ausentes tem uma das vistas mais bonitas do Brasil; chegar no ponto mais alto do Rio Grande do Sul, o pico do Montenegro, com mais de 1.400 m e ver a imensidão até onde a sua vista alcança é indescritível. Estas paisagens deslumbrantes te convidam para outras duas grandes atividades, a caminhada e a cavalgada.

Existem grupos de caminhada que vão mensalmente para os Ausentes, como o grupo de Bento Gonçalves chamado Indiada Buena que promove caminhadas, acampamentos e aventuras em meio a natureza, uma grande oportunidade de conhecer os cânions, cachoeiras e outros cartões postais que a cidade tem para oferecer. E, é claro, cavalgadas.

A nossa grande aventura foi a cavalgada, fizemos duas nos dias em que estivemos lá, a primeira até a vista do Cachoeirão dos Rodrigues (acima), uma queda d’água com 28m, mas como havia chovido na noite anterior o volume de água estava muito alto e não pudemos passar sobre a cachoeira. A outra cavalgada foi até a Cachoeira do Dez (abaixo): saindo da pousada tivemos que atravessar o Rio Silveira, subir e descer diversos montes e morros. É uma queda d’água menor, mas não menos bonita, e uma cavalgada mais difícil, pois toda ela é feita no campo, com muita pedra.

Todas as refeições foram feitas na pousada, e a comida, meu caro leitor, é de tirar o chapéu! Pra quem gosta de boa comida campeira, não tem lugar melhor, e todas as pousadas oferecem o melhor da culinária caseira gaúcha, como carne de panela com pinhão (um toque especial da região), leitão a pururuca, matambre recheado, sopa de capeletti, trutas e o tradicional churrasco.

Para acompanhar este festival gastronômico tínhamos sempre à disposição algumas cachaças caseiras, como de bergamota (ou mexerica/tangerina para os não-gaúchos), zimbro e outras, porque com o frio é bom para dar uma esquentada e abrir o apetite. Além da cachacinha tipica as pousadas vendem água, refrigerantes, cerveja e vinhos - embora esteja na serra gaúcha, esta região não é produtora de vinhos, mas você vai encontrar os melhores vinhos gaúchos por lá.

Com estas comidas, paisagens e vinhos você pode tranquilamente passar os 1,7 °C negativos da primeira noite e os 4° negativos da segunda noite, além obviamente, de ficar ao redor de lareirias e estufas que aquecem todos os ambientes do salão da Pousada Fazenda Potreirinhos.

Se você gosta de frio, boa comida, paisagens deslumbrantes, vistas de tirar o fôlego e aventuras, não deixe de conhecer São José dos Ausentes.

Dica final: Passando por São Francisco de Paula você deve parar e almoçar na Galeteria da Dinda, onde além de ter o melhor capeletti da região, a pode saborerar um galeto inesquecível e o churrasco de pinhão, uma espécie de bolo de carne de vaca e porco com pinhão no meio, realmente uma delícia!
Com essa dica fica meu abraço, aqui de cima deste cavalo companheiro – um brinde, caro leitor.


(*) Rodrigo Ruschel (rodrigoruschel@hotmail.com) é publicitário, gaúcho dos quatro costados, afilhado do editor deste blog e gosta de experimentar novidades e aventuras; esteve em São José dos Ausentes por conta dele mesmo.




segunda-feira, 8 de julho de 2013

Um agradável passeio pelo terroir de Saint-Émillion

 
Por Rogerio Ruschel (*)

Além de mais importante, Bordeaux é a região vinícola mais complexa do mundo. Na verdade os produtores tiveram vários séculos para estudar o terroir (isto é, o conjunto de condições de produção como as características de cada uva, o solo, o clima, a insolação, o regime hídrico, a humidade do ar, etc.), aperfeiçoar os métodos de produção e sofisticar as condições de classificação. 
 
Mas basicamente existem cinco grandes áreas vinícolas cortadas por dois rios, o Gironde e o Dordogne, que se fundem na altura do Baixo Médoc e Pauillac, para chegarem juntos ao Oceano Atlantico. Veja no mapa abaixo. As regiões são chamadas genéricamente de “margem direita” e “margem esquerda” dos rios Gironde e do Dordogne. Saint-Émilion, Pomerol e Fronsac (entre outras denominações) ficam na margem direita do Dordogne, ou como os franceses preferem chamá-la, na Libournais, em referencia à antiga capital Libourne, que vem a ser o segundo centro comercial mais importante de comercialização do vinho Bordeaux.
 
Saint-Émillion é um vilarejo medieval de origem romana com menos de 2.000 habitantes, cerca de 40 Km de Bordeaux, muito bonito, altamente turístico.

O assentamento original de Saint-Émillion foi feito no século II em um planalto de calcáreo e argila, sobre rocha sólida de argila. Veja na foto abaixo a cor do solo, que é também a cor dominante da cidade e da região.
 
Menires de pedra indicam a presença de comunidades humanas até 5 séculos antes de Cristo, mas a primeira igreja católica data do século VII. Boa parte da cidade foi tombada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1999, especialmente por causa da maior igreja subterrânea da Europa, toda cavada em rocha no século 11, mas também pela região vinícola histórica que ainda continua produzindo.
 
A cidadezinha é cercada por parreirais de uvas Merlot e Cabernet Franc (especialmente) descem por encostas ingremes (as chamadas côtes), em direção a planicie onde fica Pomerol. 
 
Os franceses descrevem o terroir geral da região como “côtes et plateaux calcaires, hautes terrasses et basses plaines, rochers, sables, molasses et astéries.” Em outro post vamos apresentar a Saint-Émilion turística, agora vamos falar de vinhos.
 
O solo de rocha calcárea da região está todo perfurado: nos campos, para a construção de adegas dos châteux (veja aqui no post em http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/05/saint-emilion-visita-aos-subterraneos.html) e na cidade, onde uma das atrações turísticas é passear por catacumbas ou na igreja principal que foi esculpida um uma rocha sólida, em baixo da terra.
 
O curioso é que o principal restaurante da cidade, ligado a um hotel, fica no nível do solo, mas na verdade ele está em cima do telhado da igreja construida no sub-solo e você pode almoçar ao lado de pedaços da igeja que estão fora do solo – veja abaixo o terraço onde o restaurante está e na outra foto detalhes da "metade superior" da igreja, ao nivel das mesas do restaurante.
 
Existem cerca de 800 produtores na região, os chamados Chateaux (que não são necessáriamente castelos), e nos últimos 20 anos a maioria deles foi modernizada – tanto no campo quanto no tratamento industrial. 

No início da década de 90 surgiu o Chateau Valdandraud, o primeiro “microcuvée” de Bordeaux. Também chamados “vinhos de garagem”, os microvuvées são vinhos de autor, produzidos em tão pequenas quantidades que poderiam ser feitos até mesmo na garagem. Em 2012 o Chateau Valadraud, um vinho de garagem, se transformou num premier cru.
 
De maneira geral o vinho Saint-Émillion utiliza uvas Merlot (principalmente) as Cabernet Franc e Sauvignon, além de um pouquinho de Petit Verdot e Malbec/Pressac. 
 
É menos seco e mais “redondo” do que os Médoc, e exige menos tempo para amadurecer – uns 4 a 8 anos para a maioria dos rótulos. São prazeirosos de beber porque são mais leves e relativamente mais acessíveis do que outras denominações Bodeaux. Eu pessoalmente prefiro vinhos Saint-Émillion a Médoc.
 
A classificação de vinhos Bordeaux foi criada em 1855, mas os vinhos Sanit-Émillion ficaram de fora e só ganharam uma classificação própria em 1955. É uma das mais complicadas, polêmicas e confusas e prometia ser revisada de dez em dez anos acompanhando a evolução dos principais châteaux pelo Syndicat Viticole de Saint-Émilion, que segue severos critérios de qualidade e consistência, prestígio e preço dos vinhos.


A mais recente revisão foi feita em 2006, muitos produtores não concordaram, o assunto acabou na justiça. Dois anos depois foi promulgada uma nova classificação, selecionando dezoito Premiers Grands Crus Classés e sessenta e quatro Grands Crus Classés. Mas o termo Grand Cru Classé em Saint-Emilion na prática não significa o mesmo que se imaginaria de um Médoc.
 
Para horror dos produtores de Saint Emillion, muitos especialistas dizem que entre esses esses sessenta e quatro châteaux classificados em 2012 talvez só uma dúzia faça jus ao título, entre eles os produtos dos châteaux Berliquet, Pavie Decesse, Fonroque, Fombrauge, Clos de l´Oratoire, Couvent des Jacobins, La Dominique, Grand Mayne, La Serre e Clos des Jacobins.

Dois dos mais caros vinhos da região de Bordeaux, os Châteu Petrus e Le Pin, são da região da denominação Pomerol (veja no mapa, acima), mas continuam sem classificação oficial. Isto mostra que na verdade a classificação official ajuda, mas não é imperativa para o sucesso de um vinho. Veja o preço das várias safras dos Petrus e Margaux na tabela abaixo – um Petrus 1945 atinge o preço de 10 mil Euros em Bordeaux, imagine aqui!

 
Não posso beber um vinho com esse preço (ainda…), mas posso beber um “parente” dele e dizer que vi onde ele nasceu: numa maravilhosa região chamada Saint-Émillion. E falei com os “padrinhos” dele na Maison du Vin – veja foto abaixo.
 
Um brinde a isso caro leitor.

(*) Rogerio Ruschel rruschel@uol.com.br - é jornalista de turismo e consultor especializado em sustentabilidade; foi a Saint-Émillion por conta própria, e por isso não faz propaganda disfarçada de rótulos e escreve com independência.