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quinta-feira, 13 de junho de 2019

Uruguai leva as festas juninas para dentro das vinícolas: é o enoturismo com los Fuegos de San Juan


Por Rogerio Ruschel
 
Meu prezado leitor ou leitora, no Brasil as festas juninas são comemoradas durante quase todo o mês de Junho (com o friozinho do inverno) em todo o país, mas especialmente no Nordeste, onde mobilizam milhões de pessoas, durante vários dias, em dezenas de cidades com música, alegria, comidas típicas e bebidas. As festas juninas também são comemoradas em várias outras regiões do Brasil, em escolas, comunidades católicas, bairros, associações comunitárias e também nas ruas.
As festas são dedicadas (ou feitas em homenagem de) São João, Santo Antônio (o casamenteiro) e São Pedro, e como o mês de Junho no Brasil é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados relacionados às festividades, é feita com milho como pamonha, curau, milho cozido, canjica, cuscuz, pipoca e bolo de milho, complementados por cachorro-quente, churrasquinho-de-gato, maria-mole, doce de abóbora, batata doce assada, pão de batata, pastéis juninos e outras delícias da chamada comida de rua. 

Dança-se forró, músicas chamadas “caipiras” e músicas de raiz folclórica, bastante animadas. E o que se bebe? Quentão (bebida feita com gengibre, pinga e canela), vinho quente, suco de milho verde, refrigerantes e cerveja. Em alguns lugares se bebe também vinho – vinho de mesa, aquele vinho delicioso vneidod em garrafões e que sofre precocnceito da elite que gosta muito dele mas não confessa.
Pois os uruguaios levaram as festas juninas, os Fuegos de San Juan, para dentro das vinícolas, incorporando a alegria as outras alegrias proporcionadas pelo enoturismo. Durante o fim de semana de 22 e 23 de Junho, uma dúzia de vinícolas irá acender fogueiras em comemoração à tradicional Noche de San Juan, um evento rico em histórias, rituais e momentos pitorescos.
Em junho no Uruguai também é o mês do Tannat e do Cordeiro, a combinaçãoo imbatível dos hermanos uruguaios, que associa um dos melhores vinhos tintos de identidade territorial do mundo com outro produto com forte identidade uruguaia: o cordeiro assado. Não dá vontade de pegar um avião e ir ao Uruguai? Dá, sim...
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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Establecimiento Juanicó, em Canelones: a primeira cave subterrânea do Uruguai, com 150 anos, guarda vinhos e segredos que surpreendem visitantes e especialistas

Por Rogerio Ruschel (*)
Meu caro amigo ou amiga, a Establecimiento Juanicó é uma daquelas vinícolas que está na rota obrigatória de enófilos e turistas que visitam o Uruguai, por pelo menos três motivos: os vinhos são excepcionais; é um patrimônio arquitetônico e cultural com história e seviços de qualidade – o que inclui um restaurante afamado; e fica a apenas 38 quilometros de Montevidéu.

Estive lá com um grupo de especialistas de vários países durante um congresso internacional de enoturismo, e todos ficaram impressionados; embora os detalhes da decoração interna sejam considerados o ponto alto (além das caves subterrâneas), a beleza rústica e preservada dos tijolos centenários com charme inglês e as madeiras de grande beleza do prédio central são inesquecíveis.

Na verdade, antes de chegar aos prédios, uma portaria grande (foto abaixo, onde está este repórter) e uma estradinha de acesso rodeada de árvores e vinhedos já vai lhe dar as boas vindas. Aí você chega aos prédios. Alguns falam que o prédio central (onde funciona o restaurante, na foto abaixo) onde hoje são recebidos os visitantes, teria sido construído por  jesuítas mais de 250 anos anos atrás, mas o que se tem documentado é que em 1830 Don Francisco Juanicó construiu uma adega subterrânea que até hoje é insuperável para o envelhecimento de vinhos de alta qualidade por causa de seu ar condicionado natural. 

Desde esta data, ao longo de 150 anos a propriedade teve altos e baixos, vários proprietários e em 1979 – quando era do Estado uruguaio - a família Deicas, encabeçada por Juan Carlos Deicas, assumiu a Juanicó e começou uma pequena grande revolução. Na foto abaixo um dos ambientes decorado para evento especial.
A família investiu em novas cepas, novas tecnologias, equipamentos enoturismo, mas principalmente na mudança de mentalidade, o que vem transformando a empresa em uma organização com ampla linha de produtos e presente em diversos países, tanto da Europa quanto da Ásia e Rússia especialmente a partir de 1994, quando a Juanicó começou a colher resultados internacionais expressivos em premiações e na exportação. Hoje três gerações Deicas se auxiliam no comando das operações da vinícola.


O clima ajuda: o Uruguai está no paralelo 34, a mesma localização do Chile, de Mendoza na Argentina, Stellenbosch na África do Sul e Austrália, algumas das regiões vinícolas mais bem sucedidos do Novo Mundo, por causa do clima temperado, com temperatura média anual de 16,6° C e estações bem marcadas com verões quentes e invernos frios e geada significativa.

O solo é argiloso-calcáreo com boa drenagem e as uvas vão bem, especialmente a Tannat – ícone enológico do Uruguai - mas também as Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Shiraz e Pinot Noir (tintas) e as brancas Chardonnaym Sauvignon Blanc, Sauvignon Gris, Gewürztraminer e a Viognier. A empresa tem 240 hectares de vinhedos próprios e comopra uvas de outros 150 hectares de terceiros. 

Na cave subterrânea – a primeira do Uruguai, construída em 1830 – mais de 500 barricas de carvalho dormem no escuro, com vinhos que podem ficar de 3 a 36 meses dependendo da uva e da safra. Ali estão os futuros varietais reserva como o Don Pascual Reserve, o Família Deicas (foto abaixo) e o  Massimo Deicas Tannat que com 10 anos de guarda se mostra como um vinho de grande coloração roxa, aroma complexo e intenso de frutos negros, compota e alcaçuz com notas de carvalho. Entre os que lá degustei, este é um vinho que pode competir em prazer enológico – e está competindo, acredite – com similares Gran Cru de Bordeaux e brunellos montalcinos.
O passeio padrão inclui a área dos vinhedos, as adegas, os antigos edifícios de pedra e a adega subterrânea de 1830 e termina em uma degustação muito agradável. Se você quiser pode ver e fotografar pássaros, porque uma das opções oferecidas é o avistamento de mais de 40 espécies de aves a partir de um mirante estrategicamente construido entre os vinhedos e os bosques.

Wilson Torres Chávez, o atencioso e competente diretor de enoturismo da Juanicó (foto abaixo) me disse que podem ser organizados eventos para grupos que incluem churrascos com muitas carnes uruguaias (feitas pelo churrasqueiro que você na foto acima) e roteiros mais sofisticados que incluem queijos e azeites também produzidos pela Família Deicas, com degustações e jantares bastante seletivos com sobremesas como a da foto acima. Como você vai gostar, poderá comprar os vinhos na boutique, parcialmente mostrada na foto acima - e compre mesmo para nnao se arrepender depois. Apenas uma lembrança: o restaurante atende somente com reservas antecipadas. 

Saiba mais em http://juanico.com/?cat=56&lang=es  E boa viagem.

(*) Rogerio Ruschel é editor do In Vino Viajas a partir de São Paulo, Brasil e gosta muito de vinhos com identidade e sabor, como os tannat uruguaios da Juanicó.



segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Com o georreferenciamento de 100% da produção vinícola, Uruguai ganha competitividade no mercado internacional

Por Rogerio Ruschel (*)
A produção vinícola do Uruguai  é realizada por dezenas de pequenos produtores, eminentemente famílias, que colhem manualmente as uvas, e no contexto internacional é pequena: apenas 9.000 hectares no total. Mas o país está aproveitando isso para garantir uma vantagem mercadológica: até o fim do primeiro trimestre de 2015 o Uruguai vai finalizar o processo de georreferenciamento dos vinhedos de Canelones e Colonia, e com isso terá 100% de sua produção de vinho certificada desde a sua origem até a garrafa. Veja acima uma foto do vinhedo da vinícola Garzón, e abaixo o mapa de regiões vinícolas do Uruguai.
Com isso o Uruguai vai ser o primeiro país da América Latina com esta tecnologia de Agricultura de Precisão que permite aumentar  a produtividade e reduzir impactos ambientais. O georreferenciamento associa informações específicas a um endereço via GPS e permitirá agilidade operacional para os pequenos produtores e o desenvolvimento de políticas públicas, porque será possível saber aonde está a produção, qual o volume de produtos nas rodovias e para onde a indústria poderá ser ampliada. No caso uruguaio serão produzidos mapas digitais dos vinhedos e as suas características, como por exemplo o número de hectares, localização, história da colheita, idade do plantio, variedades, identificação de solos (terroirs), tipo de porta-enxerto utilizado e outros.  Veja abaixo coleta de dados em vinhedo no Vale dos Vinhedos, Brasil, e um exemplo simplificado de mapa.
Além disso o georreferenciamento poderá ser utilizado como uma importante ferramenta de mercado - a rastreabilidade – ao mostrar ao consumidor a história de cada garrafa. Explico: o resultado do georreferenciamento poderá ser colocado no rótulo do vinho na forma de um código QR (QR Code), que poderá informar o consumidor sobre a localização geográfica do vinhedo, a uva, os procedimentos produtivos agrícolas e industriais e outras informações, como por exemplo, aquelas relacionadas a turismo. O QR Code (exemplo na imagem abaixo) é um código que ao ser “lido” por um telefone celular é convertido em texto interativo que fornece informações diversas.
Na minha opinião, o georreferenciamento poderá agregar valor internacional aos vinhos das uvas Tannat (foto abaixo), do qual o Uruguai é o maior (e melhor) produtor mundial, e sua combinação perfeita, a harmonização com a carne de cordeiro (também abaixo). 
A valorização do vinho Tannat no mercado mundial ajudaria também a combater o processo de redução de pequenos produtores no país. Aliás, recentemente Virgínia Moreira Stagnari, diretora da Vinos Finos H Stagnari, uma vinícola familiar produtora de vinhos Tannat muito premiados (foto abaixo), declarou a uma revista seu desejo para o ano novo: “Que nenhuma vinícola familiar uruguaia desapareça em 2015”.
Inicialmente empregado para catalogar peças na produção de veículos, o QR Code hoje é amplamente utilizado também no controle de estoque em indústrias e comércio; no caso do vinho, poderá facilitar o gerenciamento do estoque para importadores, revendedores e restaurantes. O QR Code também permitirá que o Instituto Nacional do Vinho do Uruguai (INAVI) - entidade que está conduzindo o georreferenciamento - atualize seu banco de dados e possa garantir a autenticidade, qualidade e segurança alimentar dos produtos – e talvez incentivar ainda mais o enoturismo neste belo país. Abaixo, por de sol na Pousada CampoTinto, região de Carmelo.

No Brasil algumas regiões do Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha e em Santa Catarina, já foram georreferenciadas em ações do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Embrapa Uva e Vinho e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ou por iniciativas privadas. Argentina e Chile também tem regiões já georreferenciadas que tem permitido a preparação de mapas turísticos e de produção (veja abaixo um exemplo), que podem ser conhecidas no site http://www.winemaponline.com


 
 (*) Rogerio Ruschel é jornalista e edita este blogue baseado em São Paulo, Brasil; infelizmente ainda não conhece os vinhedos georreferenciados do Uruguai.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Pelos caminhos do Uruguai: degustando passeios, simpatia e vinhos muito além do Tannat


Por Tânia Canadá e Denis de Lima Silva (*)
Exclusivo para In V ino Viajas - Quando em visita ao nosso país vizinho Uruguai, tivemos a agradável possibilidade de fazer passeios agradáveis, visitar vinhedos (como o da foto abaixo) e degustar os vinhos típicos do pais. O Uruguai é principalmente conhecido pela elaboração de vinhos com a casta Tannat. Tradicionalmente são vistos como vinhos marcantes de sabor acentuado e em geral de complicada harmonização.

Nossa agradável surpresa foi verificar que os vinicultores uruguaios estão fazendo excelentes produtos não apenas para paladares acostumados as excêntricas características da uva Tannat. Há uma variedade de cortes e de rótulos que certamente vão agradar a toda uma gama de paladares, desde aqueles mais acostumados aos acentuados taninos até aqueles que preferem características mais amenas compatíveis com harmonizações mais abrangentes. Tudo isso muito diferente daquilo a que temos mais acesso aqui no Brasil em relação aos vinhos de nosso pais vizinho.

Dentre as degustações que fizemos, que serão todas objeto de artigos aqui no “In Vino Viajas”, gostaríamos de começar pelos vinhos da Bodega Bouza. A Bouza é uma produtora que tem parte de seus vinhedos e de seu processo de vinificação no arredores de Montevidéu, a bela capital. Numa agradável viagem rodoviária, a menos de uma hora da capital, chegamos aos vinhedos e à central da vinícola.

Além da tradicional visita guiada (com a simpática Srta. Lucia) onde passamos pela plantação e pelo processo de vinificação, fizemos um passeio bonito, tinha animais exóticos soltos na vinícola e gatinhos simpáticos com comportamento canino. Ao final do passeio, pudemos desfrutar de uma degustação de vários dos rótulos da vinícola que poderia ser acompanhado de um sortimento de petiscos ou de um delicioso almoço.

Optamos não pelo almoço (disponível no agradável restaurante local) mas sim pela degustação simples. Foram quatro rótulos acompanhados de azeite, pão e uma variedade de queijos - e como não poderia ser diferente, coroados por um excelente jamón.


Os rótulos degustados foram:
·      Branco - Albariño - Alcool em total equilíbrio, aromas intensos de frutas cítricas (abacaxi/pêra/pêssego) ótima finalização na boca excelente com queijos leves, um pouco caro para compra mesmo na vinícola;
·      Tinto - Merlot  - 8 meses de envelhecimento em barrica, bem equilibrado, pouco álcool e muito interessante com gorgonzola boa opção de compra;
·      Tinto - Tannat/Merlot - 8 meses de envelhecimento em barrica, bem desequilibrado, precisava de gordura para harmonizar bem, não seria hoje uma opção de compra, acredito que a opção final do Enólogo não me agradou;
·      Tinto Tannat 100% - 14 meses de envelhecimento em barricas americanas e francesas (alternando 50% de cada), aveludado, excelente equilíbrio na boca, corpo perfeito, excelente opção.

Todos combinaram perfeitamente com a variedade de petiscos colocada à nossa disposição, o que os torna boas opções para encontros sociais despretensiosos ou para acompanhamentos de jantares mais elaborados com vários pratos. Mas isso é assunto para outro post. Até lá, fica um brinde, caro leitor.
(*) Tânia Canadá é sommeliére formada pela ABS, consultora de vinhos, trabalhou em diversas importadoras do País, ministra aulas e capacitação para funcionários de hotéis e restaurantes. Denis de Lima Silva – é professor universiário, publicitário, fotógrafo nas horas vagas e um homem curioso no universo dos vinhos.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

O vinho é declarado bebida nacional do Uruguai e ganha status de alimento.


Por Rogerio Ruschel (*)

O Presidente da República do Uruguai, José Mujica, finalizou o começo de junho de 2014, um longo desejo do trade de vinho do pais vizinho, encabeçado pelo Instituto Nacional do Vinho (INAVI): o vinho uruguaio foi declarado bebida nacional. Desde 2011, o INAVI e o Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca têm trabalhado em conjunto para alcançar este decreto que reconhece o lugar que tem o vinho como alimento. O raciocínio – que o Brasil ainda não faz – é que vinho consumido com moderação em todas as faixas etárias, características e tipos, é um alimento que pode ser incluído como parte de uma dieta saudável porque contribui com a saúde.

O Presidente do INAVI José Lez (foto acima) formalizou o assunto dizendo: "Congratulamo-nos com a conclusão deste decreto, porque reconhece o vinho uruguaio como parte da cultura, do patrimônio e da identidade dos uruguaios".  O vinho uruguaio – conhecido internacionalmente como baseado na uva Tannat e harmonizado especialmente com cordeiro (foto abaixo) tem procurado competir em competições internacionais e tem ganho prêmios, justificando a merecida reputação dos vinhos com uma clara influência do Oceano Atlântico.  

O Uruguai tem aproximadamente 270 produtores espalhados pelo país, a maioria pertencente a pequenos produtores com tradições familiares, mas também existem grandes empreendimentos que produzem vinhos em larga escala. É possível encontrar bodegas bem próximas a capital uruguaia e ainda nos departamentos de Salto, Canelones, Maldonado, Colonia e Rivera. Existe um roteiro turístico formal, o “Caminho do Vinho”, gerenciado pela Asociación de Turismo Enológico del Uruguay, do qual participam 14 bodegas: Alto de la Ballena, Bouza Bodega Boutique, Bodega Marichal, Bodega De Lucca, Viñedos Santa Rosa, Bodegas Carrau, Bodegas Castillo Viejo, Antigua Bodega Stagnari, Bodega Varela Zarranz, Viñedo de los Vientos, Bodega Filgueira, Vinos Finos H. Stagnari, Establecimiento Juanicó e Bodega Spinoglio.

A Argentina ja tinha feito o mesmo: em 2013 o Senado argentino aprovou uma lei que formalizou o que o trade já dizia na prátca desde  2010, declarando o vinho como a "bebida nacional" e o mate (foto acima) como a "infusão nacional" argentina.
 
Acho que o presidente do Uruguai esperou a chegada de meus amigos brasileiros Denis Lima e Silva e Tania Canadá, enófilo e sommeliére, respectivamente, como turistas em solo uruguaio, para divulgar o decreto. Saiba mais sobre enoturismo no Uruguai em www.loscaminosdelvino.com.uy

(*) Rogerio Ruschel é jornalista e enófilo brasileiro, gosta de vinho Tannat e um dia vai passar pelo  nos 30 dias no Uruguai para ver se é verdade que lá se desfruta de uma das melhores qualidades de vida do mundo.