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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Saiba porque Madalena, vila da Ilha do Pico, nos Açores, um Patrimônio da Humanidade pela Unesco, foi eleita a Cidade Portuguesa do Vinho de 2017


Por Rogerio Ruschel (*)

Entrevista exclusiva com o Prefeito de Madalena e com o Presidente da CVRAçores sobre os planos da Cidade Portuguesa do Vinho de 2017.

Estimado leitor ou leitora. O território português do Arquipélago dos Açores tem uma origem conturbada e heróica: em uma região do Oceano Atlântico a cerca de 1.700 Km de Lisboa, a erupção de um vulcão fez surgir um amontoado de rochas com alguma terra. Na foto acima, o Museu do Vinho da Ilha do Pico e ao fundo a montanha do Pico, também abaixo.

Ao longo dos séculos as ilhas foram sendo colonizadas e hoje formam a Região Autônoma dos Açores, um conjunto de 9 ilhas e muitas ilhotas com cerca de 250.000 habitantes. A maior e mais populosa delas, a ilha de São Miguel e sua capital, Ponta Delgada, têm pelo menos a metade deste total. E a Ilha do Pico, onde está a montanha do vulcão do Pico, é a segunda maior e o Concelho de Madalena (município) tem cerca de 6.000 habitantes (foto abaixo).

Com uvas trazidas de Creta (Grécia) e da Sicília (Itália) conforme afirmam alguns historiadores, na Ilha do Pico foi implantada uma “indústria de vitivinicultura única no mundo, em solos que desafiam a sua própria definição, porque praticamente só existe rocha e muita pedra amontoada em muros que circundam as videiras para as proteger dos devastadores ventos salinos “, como resume Paulo Machado, presidente da Comissão Vitivinícola Regional dos Açores.
O trabalho com a vitivinicultura feito a partir do ano 1432 nesta ilha já teve vários reconhecimentos, entre os quais destaco dois: em 2004 a Cultura da Vinha da Ilha da Pico foi reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura; e semana passada, Madalena, sua capital, foi eleita como a Cidade Portuguesa do Vinho de 2017 pela Associação Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), derrotando outros cinco candidatos: Alenquer + Torres Vedras (Lisboa), Moura (Alentejo), Pinhel (Beira Interior) e Vila Nova de Foz Côa (Douro). Para os brasileiros descendentes de açorianos, especialmente no sul do país, destaco a mensagem do prefeito de Madalena, José António Soares, abaixo: ele informa que pretende promover os Açores no Brasil, especialmente em Santa Catarina.Na foto abaixo as curraletas, organização do solo com muro de pedras basálticas para proteger as videiras. Cada curraleta pode ter entre 6 e 10 videiras.

Para contar esta historia da Ilha do Pico, entrevistei as pessoas responsáveis pelas atividades da Cidade Portuguesa do Vinho de 2017: o prefeito da cidade e o presidente da associação dos produtores de vinho. Espero em breve apresentar a você aspectos do turismo no arquipélago, das tradições culturais e dos vinhos dos Açores, mas agora veja as entrevistas exclusivas que estas lideranças picoenses deram a “In Vino Viajas”.Na foto abaixo a igreja da Lajes do Pico.

Entrevista com José António Soares, presidente do Conselho de Madalena (prefeito)

R. Ruschel: Quais os compromissos assumidos pelo Município de Madalena por ocasião da candidatura, qual a programação planejada?
José António Soares: Ao formalizar a sua candidatura, o Município propôs-se dinamizar uma vasta panóplia de eventos ao longo do ano, que irão fazer da Madalena o principal núcleo da vitivinicultura na região e no país.
Das artes às ciências, dando enfase às singularidades da nossa terra, serão realizadas várias iniciativas destinadas a um público eclético e heterogéneo, abrangendo todas as faixas etárias. Desde a realização de workshops, conferências e tertúlias à apresentação de livros e realização de feiras, dezenas de eventos prometem animar o Município, que viverá o seu momento apoteótico em julho, nas Festas da Madalena, um dos mais importantes festivais açorianos, cuja edição de 2017 será dedicada ao Vinho.
Destaco ainda, a realização da Gala de Abertura da Cidade do Vinho em março, bem como a celebração de diversas efemérides, nomeadamente o Dia Europeu do Enoturismo e a Gala dos 10 anos da Associação de Municípios Portugueses do Vinho, que certamente permitirão refletir sobre o passado, o presente e o futuro do mundo rural e da vitivinicultura, celebrando a nossa mais intrínseca identidade.
R. Ruschel: Qual foi o orçamento apresentado por Madalena para promover-se como Cidade Portuguesa do Vinho 2017?
José António Soares: O orçamento previsto para a realização do evento é de 50 mil Euros. Na foto abaixo, o interior da igreja Santa Maria de Madalena.

R. Ruschel: Como se pretende realizar a promoção da cidade no exterior? Há interesse em promover Madalena e Açores no Brasil? E na América Latina?
José António Soares: A promoção da Madalena, do Pico e dos Açores além-fronteiras é fundamental para a Câmara Municipal, que tem vindo a envidar os seus melhores esforços em prol da afirmação do Município no exterior, sendo os resultados muito positivos, dado o crescimento exponencial do turismo no Concelho e na Ilha.
Neste sentido, a importância da diáspora como veículo de promoção é fundamental, tendo o Brasil um papel central, dada a dimensão e importância da comunidade açoriana aí residente, muito em particular no Sul, no estado de Santa Catarina.
R. Ruschel: Como o Município avalia os benefícios que os Açores e a Madalena poderão obter sendo a Cidade Portuguesa do Vinho em 2017?
José António Soares: A Cidade do Vinho é o evento mais importante da vitivinicultura em Portugal, e irá fazer da Madalena em 2017 o principal núcleo do setor na região e no país.
O evento, que se realiza pela primeira vez nos Açores, irá potenciar de forma incontornável o turismo, o enoturismo e todas as áreas de atividade a montante ou a jusante destes setores, alavancando o tecido empresarial local, e por conseguinte, toda a economia.
Fortalecendo a marca Madalena, Capital dos Açores da Vinha e do Vinho, o evento irá ainda reforçar de forma indelével o vinho como produto estratégico e singular do Concelho, associando-o ao património edificado e natural da Madalena, numa visão multidimensional, projetando o Município e a Ilha além-fronteiras.

R. Ruschel: Qual a entidade ou organização dos Açores responsável pela proteção e gestão do Património da Humanidade?
José António Soares: A Direção Regional do Ambiente e o Parque Natural da Ilha do Pico são as entidades responsáveis pela proteção e gestão da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, Património da Humanidade.
Entrevista com Paulo Machado, presidente da Comissão Vitivinícola Regional dos Açores

R. Ruschel: Qual foi a participação da CVRAçores no projeto? E como vai apoiar na realização dos eventos?
Paulo Machado: A CVRAçores colaborou como parceiro no projeto, disponibilizando informações e dados importantes para reforçar e fortalecer a candidatura. Nos eventos que se realizarão em 2017 a CVRAçores deverá apoiar as ações dedicadas à promoção dos vinhos certificados, nomeadamente feiras, concursos, debates, provas temáticas e dentro do seu campo de atuação, canalizar recursos para divulgar a Capital do Vinho dentro e fora da região.

R. Ruschel: Como a CVRA e/ou o Concelho avalia os benefícios que Madalena e os Açores poderão obter sendo a Cidade Portuguesa do Vinho 2017?
Paulo Machado: No entender da CVRAçores esta é uma oportunidade excelente para dinamizar e dar a conhecer ao país e ao mundo uma das mais singulares construções humanas ligadas à prática vitícola. O aumento do número de visitantes que se deslocarão ao Pico para conhecer a Cidade Portuguesa do Vinho trará dividendos diretos para os produtores de vinho, aumentando o reconhecimento dos vinhos locais, mas também para toda a indústria turística já instalada que concilia história, cultura, património, vulcanismo e diversas atividades marítimas.
Socialmente será muito importante, permitindo o reforço de uma identidade muito própria da população local, que tem uma ligação muito estreita com o vinho. Poucas regiões no mundo tem uma cultura vínica tão enraizada como aqui. Praticamente todas as famílias produzem uvas e vinhos pelo menos para autoconsumo e fazem das suas pequenas adegas o espaço primordial para receber e festejar com os seus amigos. Para a indústria vitivinícola local será a confirmação do excelente trabalho realizado nos últimos anos com forte investimento na melhoria da qualidade dos vinhos e no aproveitamento das especificidades locais (castas únicas, solos vulcânicos, clima marcadamente marítimo e imprevisível).

R. Ruschel: Qual o legado que a CVRAçores estima que vai ficar para a comunidade?
Paulo Machado: Acima de tudo ficará o fortalecimento da identidade de um povo que sobreviveu e criou riqueza em torno da indústria do vinho.
R. Ruschel: Como os produtores conciliam a produção de uvas (490 hectares) com as áreas classificadas pela Unesco na Ilha do Pico
Paulo Machado: A maioria da área em produção encontra-se dentro da zona classificada pela UNESCO, por também ser esta a de maior potencial vitícola e onde as uvas atingem melhor qualidade. As intervenções do homem são muito semelhantes às realizadas pelos primeiros viticultores 500 anos atrás, pois é impossível a mecanização. É um modo de cultivo ancestral, perpetuado ao longo de gerações.
Os viticultores respeitam muito o património que lhes foi legado e não havendo muitas possibilidades de intervir de forma diferente, acreditam que esta é a melhor forma de produzir uvas e resistir às adversidades climáticas. Na foto abaixo alguns dos vinhos dos Açores.

R. Ruschel: Como a denominação de Patrimonio da Humanidade pela Unesco agrega valor aos vinhos dos Açores?
Paulo Machado: A classificação da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha da Pico como Património da Humanidade é o reconhecimento de uma viticultura única no mundo, em solos que desafiam a sua própria definição, porque praticamente só existe rocha e muita pedra amontoada em muros que circundam as videiras para as proteger dos devastadores ventos salinos. Nestas condições as produtividades são muito baixas embora os vinhos tenham características únicas (salinos, minerais e muito frescos) que os tornam inigualáveis e de grande qualidade.
Poder em cada garrafa transmitir uma história heroica de sobrevivência e transformação de um terreno inóspito e improdutivo em fonte de riqueza, que é reconhecida pela UNESCO, é uma enorme valorização para os vinhos do Pico. 
Saiba mais sobre os vinhos dos Açores em http://www.cvracores.pt/

Rogerio Ruschel (*) publica este blog em São Paulo, Brasil, e sempre sonha em conhecer a Ilha de Pico e outros rincões da cultura do vinho reconhecidos como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Viticultura heróica, cultura exclusiva e paisagens impressionantes: campanha solitária mostra porque a Ribeira Sacra deve ser um Patrimônio da Humanidade da Unesco


Texto e edição de Rogerio Ruschel, com depoimentos e fotos Mar López Sotelo (*)

Exclusivo para In Vino Viajas. Meu caro leitor ou leitora, a diferença entre sonhar e realizar às vezes é só uma questão de fé – e de tempo. Mar López Sotelo é uma educadora social com mestrado em Tratamento Educativo da Diversidade e Estudos Antropológicos nascida em Monforte de Lemos, capital da Ribeira Sacra, uma região da Comunidade Autônoma da Galícia (mapa abaixo), no noroeste da Espanha, uma importante denominação de origem de vinhos com personalidade e qualidade.

Desde 2015 Mar López (foto abaixo) vem realizando uma pesquisa etnográfica do patrimônio cultural, tradicional e humano da região para preservar o seu legado. Um trabalho corajoso, porque a vindima é considerada uma das mais perigosas do mundo e como Mar me disse, “Subí y bajé por las increíbles pendientes de sus viñedos, me asomé a sus balcones, navegué por sus ríos, visité sus monasterios, admiré sus impresionantes meandros, recorrí sus bodegas, vendimié sus uvas y probé su vino en completo maridaje con su variada gastronomía, conocí a su gente y pude descubrir su cultura y sus tradiciones.”

A Ribeira Sacra foi candidata à classificação como Patrimônio Mundial da UNESCO em 2009, mas a candidatura não foi aprovada porque o governo espanhol decidiu ampliar as hidroelétricas construídas nos anos 1940 e 1950 no Rio Sil (visto de um mirante na foto abaixo) e isso descaracterizaria a região. Mas Mar López considera que os valores da Ribeira Sacra são superiores aos projetos do governo e criou um site e uma campanha pela internet para dizer porque. In Vino Viajas apoia o trabalho de pessoas que valorizam o patrimônio associado ao negócio da vinicultura como este e deseja que mais pessoas ajudem no que for possível, porque o vinho, meu caro leitor ou leitora, é muito mais do que está na taça. Por isso fiz esta entrevista exclusiva e passo a palavra a Mar López Sotelo – no delicioso espanhol da Galícia.

“Desde una de las laderas más impresionantes de las ribeiras del Sil, San Pedro de Amandi, cuna de la Denominación de Origen Ribeira Sacra, os voy a contar porque comencé a recorrer la Ribeira Sacra para mostrar a través de mis fotografías, porque debería ser nombrada Patrimonio de la Humanidad. Hace aproximadamente más de un año y como proyecto de superación personal, quise mostrar a mis amigos de las redes sociales porqué la Ribeira Sacra debía ser Patrimonio de la Humanidad y para ello creé un grupo de Facebook y una cuenta de Twitter, en dónde colgaría mis fotografías para promocionar y apoyar su candidatura para la UNESCO.” Na foto abaixo a Ermida de Santa Cristina de Ribas de Sil.

“En poco más de un año de recorrido y ya con más de 7.000 seguidores en ambas cuentas y de muchos lugares del mundo, me hizo tomar la decisión de que, además de realizar   los estudios etnográficos, llevaría a cabo una labor de transmisión, divulgación y promoción de esta hermosa tierra apoyando su candidatura de la UNESCO para que cada vez más personas pudieran conocer y disfrutar de la increíble belleza y la magia que esconde este paraíso a orillas de los ríos Miño y Sil. Ahora toda esta aventura la estoy recopilando en mi Blog personal http://redribeirasacra.blogspot.com.es/, para dejar constancia de todo el estudio etnográfico que estoy llevando a cabo. Cuando el importante periodista brasileño Rogerio Ruschel me pidió que escribiera este artículo me sentí halagada y agradecida por la oportunidad que me brindó de divulgar el espectacular patrimonio que tiene la Ribeira Sacra. Las imágenes que les muestro serán un pequeño ejemplo de porqué debe ser Patrimonio de la Humanidad y luego ustedes pueden opinar si es merecido o no, dicho privilegio…”
Los monasterios románicos en la Ribeira Sacra, dónde nace su tradición vitivinícola

“Posiblemente la tradición cristiana y vitivinícola entró en Galicia con las legiones romanas y los campamentos de esclavos que extraían el oro de las minas y de las arenas de estos ríos (lo confirman los restos paleocristianos encontrados en Pombeiro, que datan de la época de Constantino sobre el año 320). La Ribeira Sacra recoge la mayor concentración de monasterios de toda Europa, además de ser un área de importante concentración del románico rural de Galicia, con aproximadamente 36 iglesias catalogadas de gran valor monumental y por las que recibe su nombre, esparcidos por los impresionantes cañones del Sil y del Miño.”Pero no será hasta la época medieval cuando alcance su mayor auge, alrededor de estos centros espirituales y culturales se desarrollaba el cultivo agrícola y sus formas de explotación muy adaptadas al paisaje, sobre todo el de la vid, que acabarían determinando la singularidad y diversidad de la Ribeira Sacra y que formarán parte de su esencia.                                                             

La viticultura heroica en la Ribeira Sacra

“En las vertiginosas ribeiras del Miño y del Sil se localiza la Viticultura Heroica de la D.O. Ribeira Sacra, ésta se divide en cinco subzonas: Amandi, Chantada, Quiroga-Bibei, Ribeiras do Miño y Ribeiras do Sil. Fundamentalmente se elaboran tintos de la variedad Mencía, que da lugar a unos exquisitos y aromáticos vinos jóvenes de color cereza intensa, brillantes y con un filo púrpura, aunque también encontramos bodegas que producen vinos blancos de la variedad Godello, frescos y aromáticos de gran calidad.” Pequenos vagões como o da foto abaixo percorrem trilhos com até 80% de inclinação e 600 metros de profundidade para coletar as uvas durante a colheita.
“La distinción de Heroica, se debe a un conjunto de aspectos como el cultivo de la vid, el suelo, la orientación y pendiente de los viñedos, el clima, la adaptación de la vid a esas condiciones y sobre todo trabajo del viticultor. Las pendientes vertiginosas a veces de un 80% de sus viñedos y la dificultad de acceder a sus bancales, hacen que sean utensilios manuales los únicos medios que se pueden usar a la hora del cultivar la vid. Pero la única manera de comprender verdaderamente este oficio de héroes es visitando sus viñedos y sus bodegas y hablar con sus cosecheros, así que os mostraré algunos de los que mejor conservan el legado tradicional de la Viticultura Heroica en la Ribeira Sacra.”
Adegas y viñedos en la Ribeira Sacra

“Tuve la oportunidad de asomarme a los profundos acantilados de los Cañones del Sil con más de 500 metros en San Pedro de Amandi de la mano de Araceli Vázquez, una mujer emprendedora y heroica, propietaria de Adega Malcavada, que continua con la tradición familiar iniciada por su padre. Acceder con ella a través de un sinuoso sendero de unos dos kilómetros más o menos, para llegar a sus viñedos hace entender el término de Viticultura Heroica y del impresionante patrimonio humano que trabaja en esos viñedos. Cultivar los viñedos y hacer la vendimia de forma tradicional en estos escarpados bancales, dan una idea de porque el vino en la Ribeira Sacra tiene unas características que lo hace único y de un valor incalculable… La experiencia que viví con Adega Malcavada (fotos abaixo), hizo que esta tierra y su gente gocen de mi mayor respeto y admiración.“

Ribeira Sacra Del Miño
“Cuando llegamos a Vía Romana Adegas e Viñedos (abaixo) ya estaban cerrando, pero no importó, Luis Martín y Kris Pereira´s me abrieron sus puertas y me hicieron comprender la experiencia y tradición del cultivo de la vid…  Que la antigua vía romana, que da nombre a su bodega, pase por delante, asomarte a su balcón con vistas a la Ribeira Sacra del Miño y al Camino de Santiago de Invierno, contemplar sus viñedos desafiando al vértigo saboreando sus “vinos que no entienden de prisas,” convierten el Enoturismo en Vía Romana Adegas e Viñedos en un “placer de dioses”. El cultivo de su vino, su vendimia, su elaboración, su embotellado…todo un proceso que con gran pasión y profesionalidad hacen que visitar su bodega sea una aventura y experiencia inolvidable…”

Vendimia en la Ribeira Sacra
“Una mañana de septiembre recibí una llamada: “Vamos a vendimiar en los viñedos Mezquita de Amandi, vente…” Emilio, Diego y Juan Ángel de Adega Don Bernardino , supieron preservar la tradición que Don Bernardino les supo inculcar sobre el cultivo tradicional de sus viñedos y con ellos pude experimentar la Vendimia Heroica en la Ribeira Sacra y os puedo asegurar que es una experiencia única e inolvidable. No todos los viñedos disponen del carril para subir y bajar las cajas por laderas de más del 80% de pendiente, así que todo mi respeto y admiración por esos hombres valientes que honran con su esfuerzo a esta tierra y gracias a ellos podemos saborear este exquisito vino…”
Recorriendo la Ribeira Sacra a través de sus rios Miño y Sil

“No podemos hablar de la Ribeira Sacra y su Viticultura Heroica si no navegamos por los ríos que la forman, ya que, en muchas ocasiones, es a través de ellos, el único medio para transportan las uvas a las bodegas, haciendo uso de barcos especialmente adaptados para dicha función. Embarcaderos, “batuchos” (embarcaciones), bancales, acantilados, monasterios románicos…todos ellos forman parte de la esencia de la Viticultura Heroica en la Ribeira Sacra del Miño y en muchas ocasiones, es a través del río como podemos disfrutar de unas espectaculares imágenes que nos producen muchísima emoción y admiración por esta tierra y aunque en ocasiones nos parezca que estamos en los fiordos, estamos en la Ribeira Sacra. Navegar con Luisa Rubines de Quinta Sacra, fue toda una aventura y me permitió descubrir la verdadera magia que se esconde en cada recodo del río y ésta fue otra de las razones por la que apoyo su candidatura a Patrimonio de la Humanidad. Na oto abaixo os monastérios de Pedro de Rocas, Santo Estevo de Ribas de Miño, Santo Estevo de Ribas de Sil, Monasterio de las Bernardas, Santa Cristina de Ribas de Sil, San Miguel de Eire.”

“Navegar por los Cañones del Sil con Alejandro de Turismo de la Ribeira Sacra y descubrir entre un espeso bosque Santa Cristina de Ribas de Sil, uno de sus emblemáticos monasterios, hace que te quedes sin palabras. Para admirar los espectaculares y escarpados viñedos en la Ribeira Sacra del Sil hay que navegar por el río, así podremos impresionarnos con la visión de viñedos en terrenos agrestes que nos da la sensación que nos encontramos delante de coladas  glaciares y hacen que la Viticultura Heroica en la Ribeira Sacra tenga completamente justificado su nombramiento como Patrimonio de la Humanidad.”Abaixo, passarela em um bosque em Cristosende, Ourense.

Maridaje entre la gastronomía y el vino D.O. Ribeira sacra.

“Antiguas construcciones, que en tiempos sirvieron como alpendres para comer el pulpo en la feria de Chantada, ahora se han convertido en uno de los restaurantes más emblemáticos de la Ribeira Sacra. Roberto consiguió que Os Pendellos conserve la tradición en la elaboración de sus productos gastronómicos en perfecto maridaje con el exquisito vino D.O. Ribeira Sacra. Disfrutar de estos mangares en un marco tan tradicional y “enxebre”, hacen que esta aventura merezca la pena vivirla. Abaixo, Adegas e Vinhedos Don Bernardino, Santa Cruz de Brosmos.”

Casas rurales, dónde la cultura y tradicciones se mezclan en perfecta armonia.

“No se puede concebir la Ribeira Sacra sin sus casas rurales y Casa do Romualdo es uno de los mejores ejemplos, en dónde se puede disfrutar de un completo maridaje entre el vino, gastronomía, cultura, tradiciones y de un espectacular patrimonio humano… como dice su lema “A nosa casa e a vosa casa, se é que hai casas de alguén”. Jaime Sisa. Escuchar el sonido melancólico de la zanfoña de Francisco al calor de su “lareira” y una maravillosa charla entre amigos, fue otra de las razones que justificaron mi apoyo. “Abaixo a igreja de Santo Estevo de Ribas vista de um mirador do rio Sil.

Cultura y tradiciones en la Ribeira Sacra

“Recorrer la Ribeira Sacra una visita obligada, el Ecomuseo de Arxeriz (abaixo), en su interior encontraremos su historia, cultura y tradiciones además de poder admirar las excavaciones hechas en su castro, recuperadas y preservadas en su museo etnográfico por Xosé de Fión, un ejemplo admirable del patrimonio humano que tenemos en esta tierra. Gracias a él y a su Fundación, se está preservando este gran patrimonio etnográfico. Embarcaciones tradicionales (Batuchos) para trasladar las uvas a las bodegas a través del río Miño, antiguas cubas de grandes piezas de madera, pellejos, jarros y diferentes utensilios para el cultivo y la elaboración del vino, además de otros muchos elementos etnográficos, se pueden observar en Ecomuseo de Arxeriz y como me comentó su director José Antonio Quiroga, “ La Ribeira Sacra reconforta o espíritu, alimenta os sentidos e enriquece o coñocemento”

“Otro de los elementos tradicionales muy poco conocidos en la Ribeira Sacra  es el Entroido, tradición ancestral , que personas admirables, están haciendo grandes esfuerzos  para recuperarlo, divulgarlo y preservarlo y a las que me uní para apoyar dicha preservación. En Santiago de Arriba, Chantada, se viene celebrando el Entroido Ribeirao y en Salcedo, A Pobra do Brollón, O Oso (foto abaixo), ambos un gran valor etnográfico y que merece incluirse entre el gran patrimonio de la Ribeira Sacra.”

“Puedo llegar hasta el infinito escribiendo sobre el espectacular paraíso de la Ribeira Sacra para mostraros porqué debe estar incluida dentro de la exclusiva lista de la UNESCO, pero mi mejor argumento es invitaros a visitarla, para que descubráis su gran belleza y disfrutéis de este lugar tan mágico, porque solo así estoy completamente segura de que todos opinaréis igual que yo:  “ LA RIBEIRA SACRA DEBE SER PATRIMONIO DE LA HUMANIDAD”

Saiba mais:

Porqué la Ribeira Sacra debía ser Patrimonio de la Humanidad  - https://www.facebook.com/groups/833371596726070/

Rota do Vinho Ribeira Sacra, Galícia: turismo assustador na vindima mais perigosa do mundo - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/11/rota-do-vinho-ribeira-sacra-galicia.html
 
Seis Vinhedos Patrimônio da Humanidade: do Alto Douro de Portugal a Tokay, na Hungria - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/03/seis-vinhedos-patrimonio-da-humanidade.html

(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas desde São Paulo, Brasil e apoia o trabalho de todos que ajudam a preservar o patrimônio cultural, social, ambiental e econômico das comunidades da agricultura e do vinho. e um dia quer conhecer Ribera Sacra.





terça-feira, 14 de julho de 2015

Vive la France! Champagne e Borgonha agora são Patrimônios Culturais da Humanidade reconhecidos pela Unesco

Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado leitor ou leitora, temos mais dois bons motivos para comemorar com um brinde: reunido em Istambul, Turquia, o comitê da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) declarou dia 13 de julho de 2015 dois novos bens relacionados à cultura do vinho como Patrimônios Imateriais da Humanidade, os dois na França: as Colinas, Casas e Adegas da Champagnhe e os Climats, conjunto de terroirs da Borgonha. A Unesco assim descreveu os patrimônios tombados.

Colinas, casas e adegas de Champagne
A propriedade tombada abrange locais onde o método de produção de vinhos espumantes foi desenvolvido no princípio da fermentação secundária na garrafa desde o início do século 17 para sua industrialização no início do século 19. A propriedade é composta de três conjuntos distintos: as vinhas históricas de Hautvilliers, Ay e Mareuil-sur-Ay, Saint-Nicaise Hill, em Reims, e a Avenue de Champagne e Fort Chabrol em Epernay
Estes três componentes - a bacia de alimentação formada pelas ladeiras históricas, as unidades de produção (com suas caves subterrâneas) e os de vendas e centros de distribuição (as casas de champanhe, uma delas na foto acima) - ilustram todo o processo de produção de champanhe. A propriedade é um testemunho claro para o desenvolvimento de uma atividade artesanal muito especializada que se tornou uma empresa agro-industrial.

Climats, os terroirs da Borgonha 
Os climats são parcelas vitícolas (acima) rigorosamente delimitadas nas encostas da Côte de Nuits e Côte de Beaune, ao sul da cidade de Dijon. Eles diferem uns dos outros devido às condições específicas naturais, bem como os tipos de videira e foram moldadas pela cultura humana. Com o tempo eles vieram a ser reconhecidos pelo vinho de alta qualidade que produzem.
Esta paisagem cultural consiste em duas partes. Em primeiro lugar, as vinhas e as unidades de produção associadas, incluindo aldeias e a cidade de Beaune, que juntos representam a dimensão comercial do sistema de produção. A segunda parte inclui o centro histórico de Dijon, que encarna o impulso de regulamentação política que deu à luz o o sistema de terroirs. O site é um excelente exemplo de cultivo de uva e produção de vinho desenvolvido desde a Alta Idade Média.

Agora existem 9 regiões vinícolas na Lista de Patrimônios da Humanidade da Unesco, que no total tem 1031 sitios em 163 paises. São elas o Piemonte, Itália; Alto Douro, Portugal; Vinhas do Pico, Açores/Portugal; Saint-Emillion, França; Tokay, Hungria; Lavaux, Genebra/Suiça (foto abaixo); Mittelrhein, Alemanha; Champagne, França e Borgonha, França.

Além dos territórios, outros bens imateriais vinícolas também foram tombados como Patrimônio da Humanidade, como a “vite ad alberello”, técnica de 3.000 anos de cultivo de uvas da Ilha Pantelleria, Itália, considerada de alto risco e heróica; e o “Qvevri”, ancestral método de elaborar vinhos na Geórgia, com cerca de 8.000 anos, no qual as uvas são fermentadas em grandes ânforas de barro enterradas no solo – veja na foto abaixo. 
Relembro que a própria cidade de Bordeaux – a capital mundial do vinho - é um caso à parte neste assunto de Unesco: depois de uma severa reforma quase metade da cidade (1.808 hectares ou 18 quilometros quadrados)- foi tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em 2007. Trata-se do maior conjunto urbano protegido do mundo cercado pela mais importante região produtora de vinho do mundo.
Outros dois territórios vinícolas também buscam o reconhecimento das Unesco mas não foi este ano de 2015 que conseguiram. São eles o Território Bobal, que inclui vinhedos certificados com a DO Utiel-Requena, na Espanha, que re-encaminhou seu pedido em 2013 como "Paisagem Cultural", argumentando 27 séculos de produção vinícola ininterrupta na região. O outro território que pede reconhecimento da Unesco é a “Paisaje del vino y el viñedo de Rioja”, cujo pedido foi feito em 2013 pelo governo da Espanha a pedido da indústria vinícola do Pais Basco.

Saiba mais sobre Unesco e cultura do vinho em várias reportagens de In Vino Viajas, tais como:
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas e acredita que a cultura do vinho - como a cultura em geral - une pessoas e nações