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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

“Com vinho, surf e alegria, o Alentejo, em Portugal, é a California da Europa – mas mais econômica!” informa entusiasmado o jornal New York Post


Por Rogerio Ruschel (*)

Meu prezado leitor ou leitora, não me canso de repetir: Portugal em geral e o Alentejo (foto acima), Algarve, Lisboa e o Douro em particular, tem sido destaques como destinos turísticos na imprensa internacional. Entre outros destaques, o Alentejo foi tema de reportagens no canal CNN, que elegeu a região como uma das 15 melhores rotas de vinhos do mundo; do portal americano MSN, que considerou a região de Reguengos de Monsaraz como um dos oito locais mais românticos do planeta; e ainda o jornal ingles Financial Times, que dedicou três paginas à região. Nos últimos 90 dias o Alentejo esteve em alta nos Estados Unidos, onde foi tema de entusiasmadas reportagens no New York Post e na revista National Geographic. Veja abaixo.

O New York Post destacou a região através do título “Surf-and-wine-happy Portugal is the California of Europe – but cheap!, que em uma tradução livre e contextualizada pode ser entendida como “Com vinho, surf e alegria, o Alentejo em Portugal é a California da Europa – mas mais econômica!”. O jornalista diz que é difícil não se apaixonar pelo Alentejo com suas cidades históricas como Évora, Elvas e o Castelo de Monsaraz (foto abaixo), vinícolas diferentes, seus queijos de ovelha, a sua paisagem marcada por oliveiras, sobreiros e vinhas, e elegeu o hotel São Lourenço do Barrocal (segunda foto abaixo) como um dos expoentes máximos do destino.
Não quero ser repetitivo, mas eu venho dizendo a mesma coisa sobre o Alentejo em diversos artigos, e fui um dos primeiros jornalistas a apresentar o hotel São Lourenço do Barrocal, porque visitei-o pouco antes da inauguração, em março de 2016, quando tive como guia o proprietário, José António Uva, representante da oitava geração da família proprietária da fazenda onde está o hotel. Veja aqui a reportagem: Conheça o Barrocal, o hotel 5 estrelas localizado entre duas das maiores atrações do Alentejo, ao lado do maior lago artificial da Europa e abaixo do céu mais limpo do mundo - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2016/03/portugal-inaugura-hotel-5-estrelas.html
Já a National Geographic coloca o Alentejo entre os sete melhores lugares no mundo para observação de estrelas (stargazing). Os projetos de astroturismo que se desenvolvem em torno do Lago Alqueva e do primeiro sitio de turismo astronômico certificado do mundo, o Dark Sky Alqueva (fotos acima). Outras atrações são a variada oferta de opções de turismo rural, apontadas como fatores diferenciadores do destino. Novamente, meu caro leitor, não quero me exibir, mas uma das minhas reportagens sobre o Alentejo foi exatamente sobre o Dark Sky, veja aqui: Conheça Dark Sky Alqueva, o primeiro sitio de turismo astronômico certificado do mundo, nos campos do Alentejo, Portugal, em 15 belas fotos de Manuel Claro  - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/12/conheca-dark-sky-alqueva-o-primeiro.html

Segundo Vitor Silva, presidente, a “A Agência de Promoção Turística do Alentejo tem vindo a apostar numa política de promoção internacional do destino assente no convite e organização de inúmeras ‘press trips’, não só em meios mais especializados e ligados a temáticas como o turismo ativo ou de natureza, como também em midias generalistas”.

Pois é, não me canso de propor, mas aí vai de novo: um brinde ao Alentejo

(*) Rogerio Ruschel é editor de in Vino Viajas baseado em São Paulo, Brasil, mas poderia ser de Évora, Alentejo, Portugal.



 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Saiba porque Madalena, vila da Ilha do Pico, nos Açores, um Patrimônio da Humanidade pela Unesco, foi eleita a Cidade Portuguesa do Vinho de 2017


Por Rogerio Ruschel (*)

Entrevista exclusiva com o Prefeito de Madalena e com o Presidente da CVRAçores sobre os planos da Cidade Portuguesa do Vinho de 2017.

Estimado leitor ou leitora. O território português do Arquipélago dos Açores tem uma origem conturbada e heróica: em uma região do Oceano Atlântico a cerca de 1.700 Km de Lisboa, a erupção de um vulcão fez surgir um amontoado de rochas com alguma terra. Na foto acima, o Museu do Vinho da Ilha do Pico e ao fundo a montanha do Pico, também abaixo.

Ao longo dos séculos as ilhas foram sendo colonizadas e hoje formam a Região Autônoma dos Açores, um conjunto de 9 ilhas e muitas ilhotas com cerca de 250.000 habitantes. A maior e mais populosa delas, a ilha de São Miguel e sua capital, Ponta Delgada, têm pelo menos a metade deste total. E a Ilha do Pico, onde está a montanha do vulcão do Pico, é a segunda maior e o Concelho de Madalena (município) tem cerca de 6.000 habitantes (foto abaixo).

Com uvas trazidas de Creta (Grécia) e da Sicília (Itália) conforme afirmam alguns historiadores, na Ilha do Pico foi implantada uma “indústria de vitivinicultura única no mundo, em solos que desafiam a sua própria definição, porque praticamente só existe rocha e muita pedra amontoada em muros que circundam as videiras para as proteger dos devastadores ventos salinos “, como resume Paulo Machado, presidente da Comissão Vitivinícola Regional dos Açores.
O trabalho com a vitivinicultura feito a partir do ano 1432 nesta ilha já teve vários reconhecimentos, entre os quais destaco dois: em 2004 a Cultura da Vinha da Ilha da Pico foi reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura; e semana passada, Madalena, sua capital, foi eleita como a Cidade Portuguesa do Vinho de 2017 pela Associação Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), derrotando outros cinco candidatos: Alenquer + Torres Vedras (Lisboa), Moura (Alentejo), Pinhel (Beira Interior) e Vila Nova de Foz Côa (Douro). Para os brasileiros descendentes de açorianos, especialmente no sul do país, destaco a mensagem do prefeito de Madalena, José António Soares, abaixo: ele informa que pretende promover os Açores no Brasil, especialmente em Santa Catarina.Na foto abaixo as curraletas, organização do solo com muro de pedras basálticas para proteger as videiras. Cada curraleta pode ter entre 6 e 10 videiras.

Para contar esta historia da Ilha do Pico, entrevistei as pessoas responsáveis pelas atividades da Cidade Portuguesa do Vinho de 2017: o prefeito da cidade e o presidente da associação dos produtores de vinho. Espero em breve apresentar a você aspectos do turismo no arquipélago, das tradições culturais e dos vinhos dos Açores, mas agora veja as entrevistas exclusivas que estas lideranças picoenses deram a “In Vino Viajas”.Na foto abaixo a igreja da Lajes do Pico.

Entrevista com José António Soares, presidente do Conselho de Madalena (prefeito)

R. Ruschel: Quais os compromissos assumidos pelo Município de Madalena por ocasião da candidatura, qual a programação planejada?
José António Soares: Ao formalizar a sua candidatura, o Município propôs-se dinamizar uma vasta panóplia de eventos ao longo do ano, que irão fazer da Madalena o principal núcleo da vitivinicultura na região e no país.
Das artes às ciências, dando enfase às singularidades da nossa terra, serão realizadas várias iniciativas destinadas a um público eclético e heterogéneo, abrangendo todas as faixas etárias. Desde a realização de workshops, conferências e tertúlias à apresentação de livros e realização de feiras, dezenas de eventos prometem animar o Município, que viverá o seu momento apoteótico em julho, nas Festas da Madalena, um dos mais importantes festivais açorianos, cuja edição de 2017 será dedicada ao Vinho.
Destaco ainda, a realização da Gala de Abertura da Cidade do Vinho em março, bem como a celebração de diversas efemérides, nomeadamente o Dia Europeu do Enoturismo e a Gala dos 10 anos da Associação de Municípios Portugueses do Vinho, que certamente permitirão refletir sobre o passado, o presente e o futuro do mundo rural e da vitivinicultura, celebrando a nossa mais intrínseca identidade.
R. Ruschel: Qual foi o orçamento apresentado por Madalena para promover-se como Cidade Portuguesa do Vinho 2017?
José António Soares: O orçamento previsto para a realização do evento é de 50 mil Euros. Na foto abaixo, o interior da igreja Santa Maria de Madalena.

R. Ruschel: Como se pretende realizar a promoção da cidade no exterior? Há interesse em promover Madalena e Açores no Brasil? E na América Latina?
José António Soares: A promoção da Madalena, do Pico e dos Açores além-fronteiras é fundamental para a Câmara Municipal, que tem vindo a envidar os seus melhores esforços em prol da afirmação do Município no exterior, sendo os resultados muito positivos, dado o crescimento exponencial do turismo no Concelho e na Ilha.
Neste sentido, a importância da diáspora como veículo de promoção é fundamental, tendo o Brasil um papel central, dada a dimensão e importância da comunidade açoriana aí residente, muito em particular no Sul, no estado de Santa Catarina.
R. Ruschel: Como o Município avalia os benefícios que os Açores e a Madalena poderão obter sendo a Cidade Portuguesa do Vinho em 2017?
José António Soares: A Cidade do Vinho é o evento mais importante da vitivinicultura em Portugal, e irá fazer da Madalena em 2017 o principal núcleo do setor na região e no país.
O evento, que se realiza pela primeira vez nos Açores, irá potenciar de forma incontornável o turismo, o enoturismo e todas as áreas de atividade a montante ou a jusante destes setores, alavancando o tecido empresarial local, e por conseguinte, toda a economia.
Fortalecendo a marca Madalena, Capital dos Açores da Vinha e do Vinho, o evento irá ainda reforçar de forma indelével o vinho como produto estratégico e singular do Concelho, associando-o ao património edificado e natural da Madalena, numa visão multidimensional, projetando o Município e a Ilha além-fronteiras.

R. Ruschel: Qual a entidade ou organização dos Açores responsável pela proteção e gestão do Património da Humanidade?
José António Soares: A Direção Regional do Ambiente e o Parque Natural da Ilha do Pico são as entidades responsáveis pela proteção e gestão da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, Património da Humanidade.
Entrevista com Paulo Machado, presidente da Comissão Vitivinícola Regional dos Açores

R. Ruschel: Qual foi a participação da CVRAçores no projeto? E como vai apoiar na realização dos eventos?
Paulo Machado: A CVRAçores colaborou como parceiro no projeto, disponibilizando informações e dados importantes para reforçar e fortalecer a candidatura. Nos eventos que se realizarão em 2017 a CVRAçores deverá apoiar as ações dedicadas à promoção dos vinhos certificados, nomeadamente feiras, concursos, debates, provas temáticas e dentro do seu campo de atuação, canalizar recursos para divulgar a Capital do Vinho dentro e fora da região.

R. Ruschel: Como a CVRA e/ou o Concelho avalia os benefícios que Madalena e os Açores poderão obter sendo a Cidade Portuguesa do Vinho 2017?
Paulo Machado: No entender da CVRAçores esta é uma oportunidade excelente para dinamizar e dar a conhecer ao país e ao mundo uma das mais singulares construções humanas ligadas à prática vitícola. O aumento do número de visitantes que se deslocarão ao Pico para conhecer a Cidade Portuguesa do Vinho trará dividendos diretos para os produtores de vinho, aumentando o reconhecimento dos vinhos locais, mas também para toda a indústria turística já instalada que concilia história, cultura, património, vulcanismo e diversas atividades marítimas.
Socialmente será muito importante, permitindo o reforço de uma identidade muito própria da população local, que tem uma ligação muito estreita com o vinho. Poucas regiões no mundo tem uma cultura vínica tão enraizada como aqui. Praticamente todas as famílias produzem uvas e vinhos pelo menos para autoconsumo e fazem das suas pequenas adegas o espaço primordial para receber e festejar com os seus amigos. Para a indústria vitivinícola local será a confirmação do excelente trabalho realizado nos últimos anos com forte investimento na melhoria da qualidade dos vinhos e no aproveitamento das especificidades locais (castas únicas, solos vulcânicos, clima marcadamente marítimo e imprevisível).

R. Ruschel: Qual o legado que a CVRAçores estima que vai ficar para a comunidade?
Paulo Machado: Acima de tudo ficará o fortalecimento da identidade de um povo que sobreviveu e criou riqueza em torno da indústria do vinho.
R. Ruschel: Como os produtores conciliam a produção de uvas (490 hectares) com as áreas classificadas pela Unesco na Ilha do Pico
Paulo Machado: A maioria da área em produção encontra-se dentro da zona classificada pela UNESCO, por também ser esta a de maior potencial vitícola e onde as uvas atingem melhor qualidade. As intervenções do homem são muito semelhantes às realizadas pelos primeiros viticultores 500 anos atrás, pois é impossível a mecanização. É um modo de cultivo ancestral, perpetuado ao longo de gerações.
Os viticultores respeitam muito o património que lhes foi legado e não havendo muitas possibilidades de intervir de forma diferente, acreditam que esta é a melhor forma de produzir uvas e resistir às adversidades climáticas. Na foto abaixo alguns dos vinhos dos Açores.

R. Ruschel: Como a denominação de Patrimonio da Humanidade pela Unesco agrega valor aos vinhos dos Açores?
Paulo Machado: A classificação da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha da Pico como Património da Humanidade é o reconhecimento de uma viticultura única no mundo, em solos que desafiam a sua própria definição, porque praticamente só existe rocha e muita pedra amontoada em muros que circundam as videiras para as proteger dos devastadores ventos salinos. Nestas condições as produtividades são muito baixas embora os vinhos tenham características únicas (salinos, minerais e muito frescos) que os tornam inigualáveis e de grande qualidade.
Poder em cada garrafa transmitir uma história heroica de sobrevivência e transformação de um terreno inóspito e improdutivo em fonte de riqueza, que é reconhecida pela UNESCO, é uma enorme valorização para os vinhos do Pico. 
Saiba mais sobre os vinhos dos Açores em http://www.cvracores.pt/

Rogerio Ruschel (*) publica este blog em São Paulo, Brasil, e sempre sonha em conhecer a Ilha de Pico e outros rincões da cultura do vinho reconhecidos como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

sábado, 1 de outubro de 2016

Turismo de Portugal é eleito o melhor Organismo de Turismo da Europa pelo terceiro ano consecutivo. O que podemos aprender com eles?


Por Rogerio Ruschel (*)
Em 2016 o turismo português gerou (até agora) 40 mil empregos e foi responsável por 17% das exportações do país. E a agência de desenvolvimento Turismo de Portugal venceu os World Travel Awards 2016 – os “Óscares do Turismo” – na categoria de Melhor Organismo Oficial de Turismo Europeu (Europe's Leading Tourist Board), pelo terceiro ano consecutivo. Além disso o Algarve foi o destino líder de praia da Europa; a TAP foi a companhia aérea lider da Europa para America Latina e para a África e editora da melhor revista de bordo da Europa e vários hotéis e spas portugueses foram vencedores em suas categorias - aliás, em todas as categorias de praia Portugal de novo deu show.

A eleição foi resultado de uma votação da qual participaram milhares de profissionais do setor de todo o mundo. Portugal foi distinguido com um total de 24 prêmios na edição de 2016 na categoria Europa, e 13 prêmios na categoria País. Os World Travel Awards existem desde 1993 e a Turismo de Portugal IP, integrado ao Ministério da Economia português, é a Autoridade Turística Nacional responsável pela promoção, valorização e sustentabilidade da atividade turística.

O presidente (foto acima) é Luis Araujo, jovem ex-administrador do grupo Pestana para a América Latina, ex-chefe de gabinete do Secretário de Estado do Turismo (Ministério do Turismo portugês) e formado em direito com várias especializações em hotelaria pela Universidade de Cornell; no Brasil o coordenador é Bernardo Barreiros Cardoso. Mas de onde vem tamanho desempenho de um pais que é menor do que o estado de Pernambuco? Da qualidade dos gestores, do respeito com que a atividade é tratada, da percepção de que o turismo é um bem público e do foco da organização. As referências e o ambiente competitivo de Portugal são os vizinhos, campeões em turismo, como França, Espanha e Alemanha. 

Baseado nesse ambiente Portugal tem que se esforçar para atrair turistas e seu Plano Estratégico Nacional do Turismo está integrado a um Programa de Qualidade com referenciais de qualidade para destinos, produtos, organizações e serviços turísticos – como por exemplo empresas, o alvo da apresentação acima. Desta forma o pequenino Portugal vem investindo com seriedade para se posicionar como destino de excelência no contexto nacional e internacional – e obviamente vem conseguindo.

Os órgãos federais de turismo de muitos paises, inclusive o Brasil poderiam estudar não só as práticas de boa gestão dos portugueses, mas também um pouco de sua inteligência estratégica. Por exemplo: colocar profissionais do ramo de turismo na gestão dos órgãos públicos. Sendo profissionais do ramo e não politicos, entenderiam porque a Turismo de Portugal participa de duas empresas - a Portugal Ventures e a Turismo Fundos. A Portugal Ventures é uma Sociedade de Capital de Risco que foca a sua política de investimento em projetos inovadores de base científica e tecnológica, bem como em empresas com projetos de expansão internacional e do setor do turismo. Os fundos totalizam aproximadamente €600 milhões. A Turismo Fundos administra, gere e representa três Fundos de Investimento Imobiliário, cuja intervenção tem possibilitado a modernização e redimensionamento da oferta hoteleira, demonstrando que o sector do turismo é uma área estratégica para o país. O capital é de 375 mil Euros e a Turismo de Portugal, I.P. tem 53%. Ou seja, além de políticas com visão de incentivo a longo prazo, atuam em mobilização de mercado, sem interferências ou achaques. 

In Vino Viajas publica regularmente estudos e estatísticas da Turismo de Portugal com referência ao enoturismo; por exemplo, veja aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/11/pesquisa-mostra-que-o-enoturismo.html
Mesmo sendo um órgão público, a Turismo de Portugal é eficiente e produtiva e por isso mesmo, meus caros leitores ou leitoras, faço um brinde aos portugueses que são pequenos no tamanho mas grandes no trabalho, e que acreditam, constroem - e colhem.
(*) Rogerio Ruschel é editor de in Vino Viajas a partir de São Paulo, Brasil, mas sempre que pode vai a Portugal para conhecer cada vez melhor este interessante país.


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Conheça os melhores vinhos do sul de Portugal na RuralBeja, a maior feira rural da região, e ganhe de brinde castelos, museus e uma bela historia de amor


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado leitor ou leitora, imagine uma comunidade com mais de 2500 anos de história, implantada em uma grande planicie fértil repleta de construções megalíticas e vinhedos, sobreiros e olivais e com o céu mais claro do mundo. Imagine que, embora esta comunidade tenha uma clara vocação para a agricultura, seja uma cidade com castelos, uma vila romana incrível e belas atrações culturais como a Sala Capitulo do Museu Rainha Dona Leonor da foto acima. Pois esta comunidade se chama Beja, é a capital do Distrito de Beja e do Baixo Alentejo em Portugal, um excelente local para conhecer vinhos do centro e sul de Portugal. Na foto abaixo, panorâmica da Herdade dos Grous, uma das vinicolas de Beja.

Pois se você quiser conhecer Beja uma boa oportunidade é 6 e 9 de Outubro, quando a cidade estará em festa: é que todos os anos no mes de outubro esta comunidade se apresenta para visitantes de todo o mundo na RURALBEJA. Realizada pela prefeitura, a RURALBEJA é talvez a mais importante feira do sul de Portugal, que além do turismo cultural, vinhos, azeites e gastronomia, apresenta o Salão do Cavalo Lusitano, a Festa Brava (uma série de provas com touros), a Avibeja (mostra regional de aves), a Canibeja (feira de cães) e apresentações de um espetáculo pelo qual sou particularmente apaixonado, o Cante Alentejano.

Para um visitante que não é criador de animais, a principal feiras é a Vinipax, a grande mostra de vinhos do sul de Portugal. O diretor técnico da Vinipax é o enólogo Aníbal Coutinho, critico de vinhos dos jornais Diário de Noticias e Jornal de Notícias e autor de conhecidos guias de vinhos de Portugal, os das séries “Copo & Alma” e “Guia Popular de vinhos”. Pois Coutinho coordena também o Concurso Internacional de Vinhos "PREMIO FIJEV/VINIPAX" em parceria com a Federação Internacional de Jornalista e Escritores de Vinhos (FIJEV), provavelmente o mais importante desta região portuguesa; na edição 2015 cerca de 60 vinhos do Alentejo e das regiões de vinhos do Algarve e da Península de Setúbal competiram no concurso.

Mas nem só de vinhos vive o homem e Beja oferece turismo de qualidade. Fundada por celtas cerca de 400 anos AC, Beja foi invadida e colonizada por lusitanos e cartagineses; foi uma província do Império Romano por mais de 600 anos, do qual chegou a ser a sede de uma das quatro chancelarias da Lusitania (o nome do Império Romano na Península Ibérica), no tempo do imperador Augusto. Depois dos romanos, o território foi ocupado por visigodos, alanos e suevos. Entre os anos 714 e 1162 esteve nas mãos dos árabes, foi reconquistada pelos cristãos e finalmente se tornou uma cidade portuguesa em 1517. Como se não bastasse, Beja ainda sofreu com as invasões francesas entre 1807 e 1811, mas vamos deixar Napoleão pra lá.
Com 23.000 moradores (foto acima, a vidade vista do Castelo), Beja atrai milhares de visitantes com seu patrimônio histórico, religioso, cultural e gastronômico exclusivos. É uma cidade que foca na qualidade de vida e na valorização do tempo dos seus moradores, oferecendo lazer e cultura como parte dos serviços básicos, além de água, luz, esgoto, transporte e habitação. Dois exemplos são uma biblioteca especializada em historias em quadrinhos, ilustrações, cartuns e cinema de animação e o investimento em um projeto para ser uma referência regional e nacional no que diz respeito à sustentabilidade, até o ano de 2020. Na foto abaixo parte das ruinas da Vila Romana.

Os turistas geralmente dão preferência para o Museu Rainha Dona Leonor (também conhecido como Museu Regional de Beja) implantado nas dependências do antigo Convento da Conceição e tombado como Patrimônio Nacional desde 1922 (foto acima, a Sala do Capitulo); o Museu Jorge Vieira – Casa das Artes com obras do escultor lisboeta Jorge Vieira, um dos mais importantes do século XX de Portugal e o Espaço Museológico Rua do Sembrano, com foco na arqueologia e paleontologia.
 
Mas além dos museus, outra visita obrigatória é o Castelo de Beja, parte remanescente dos antigos muros de defesa da cidade construido pelos romanos entre o século III e o século IV (fotos acima); a Villa Romana dos Pisões, com cerca de 30 mil metros quadrados (foto abaixo), e igrejas e abadias, muitas delas.

E por falar em igrejas, foi em Beja que nasceu a freira Mariana Alcoforado (foto abaixo), em 1640, autora de cinco cartas de amor dirigidas ao Marquês de Chamilly (o bonitão da foto abaixo), um marechal do exército francês que lutou em Portugal durante a Guerra da Restauração. As tais cartas de amor da freira foram passadas para fora do convento por uma janela, “vazaram na rede”, como se diz nestes tempos de internet, e acabaram se tornando um clássico literário de amor proibido com o titulo de “Cartas Portuguesas”.     
 
Então já sabe, estimado leitor ou leitora: se você quiser conhecer os vinhos do sul de Portugal, se divertir, conhecer coisas bonitas e sentir no coração um vento que já soprou em amores clássicos, aproveite e visite a RuralBeja, em outubro; conheça detalhes aqui: http://www.cm-beja.pt/homepage.do2
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, e gosta de cavalos lusitanos, pássaros e cães, mas prefere vinhos e azeites.


segunda-feira, 30 de maio de 2016

Passeios inesqueciveis nos melhores trens do vinho do mundo – 1: a fabulosa Linha Ferroviária do Douro, em Portugal

Por Rogerio Ruschel (*)

Meu prezado leitor ou leitora, confesso: eu gosto de trens. Pode ser até infantil querer andar em um meio de transporte geralmente barulhento, lento, demorado e as vezes até poluente, mas os trens tem lá o seu charme turístico. E se eles estiverem integrados a um roteiro encantador, em algumas das regiões vinícolas mais lindas do mundo, é impossivel não gostar. Pesquisei cinco roteiros que vou apresentar para você, aos poucos: a Linha Ferroviária do Douro, Portugal;  o Trem do Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, Brasil; o Trem do Vinho do Napa Valley, California, Estados Unidos; os trens do vinho das Rutas de Vino da Galicia, Espanha e o Trem do Vinho do Vale de Colchagua, no Chile. Hoje vou apresentar o mais antigo deles, a Linha do Douro.

O Douro, no Norte de Portugal, foi a primeira região vinícola do mundo a ser uma Região Demarcada, em 1756, e sua beleza foi reconhecida pela Unesco, que a tombou como um Patrimônio da Humanidade em 2001.  O Rio Douro nasce na Espanha e desagua no Oceano Atlântico nas cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, depois de percorrer 897 kms. Passeios e cruzeiros no rio para poder ver e fotografar as vinícolas plantadas nos socalcos das colinas ao longo do rio (veja foto abaixo) movimentaram mais de 600 mil pessoas em 2014 – grande parte turistas.

O rio Douro tem importância histórica e estratégica para a indústria de vinhos do mundo e de Portugal e ao longo de pelo menos 2.000 anos foi uma importante estrada natural no norte de Portugal que permitiu o escoamento de uvas e barricas de vinhos do famoso vinho do Porto, desde os tempos dos romanos; na verdade, até o Século XIX o rio era a única via de comunicação na região até a criação de uma linha de trem e de estradas.

A Linha Ferroviária do Douro, com 203 km entre o Porto e Barca d´Alva, foi concluída em 1887 e em grande parte do seu percurso acompanha as margens do rio Douro. Como toda linha ferroviária, teve uma vida tumultuada: trechos foram fechados e reabertos, ramais foram cancelados, a ligação com a Espanha foi encerrada em 1985, algumas estações estão abandonadas, uma parte da linha foi duplicada e eletrificada - o que evita a fumaceira do trem na foto abaixo.

Mas o que importa hoje é que é uma atração turistica em uma das mais lindas regiões vinicolas do mundo. Em seus 203 quilometros os trens passam por 22 túneis e 35 pontes, muitas de tirar o folego, como algumas que mostramos aqui.

O trecho de Porto a Régua leva cerca de 2 horas e 25 minutos, e muitos pacotes turisticos associam trens e cruzeiros fluviais, com paradas estratégicas em vinicolas, restaurantes e regiões de lazer e compras. Veja na imagem abaixo um mapa das linhas na região e alguns dos paineis de cerâmica da estação de Pinhão.

O governo português tem planos para incrementar e internacionalizar a Linha Ferroviária do Douro, mas mesmo assim ela é já é um caminho-de-ferro com comboios que emocionam turistas – crianças e adultos, e que vai emocionar você. Para mais informações sobre os roteiros, preços e horarios, e bom pesquisar no portal de turismo do Douro, em http://www.douronet.pt/default.asp?id=98
Se você gosta de trens, veja minha viahem no topo de um trem, em 2005, no pico dos Andes do Equador (foto acima), na linha férrea Ferrocarril Transandino Nacional, a mais perigosa do mundo: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/02/no-teto-do-trem-no-topo-dos-andes-uma.html

(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas, gosta de trens e de quem gosta de trens, vinhos e aventuras