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terça-feira, 12 de julho de 2016

Conheça a Dona Odete, chefe de uma família de mulheres agricultoras que superou desafios e hoje encanta turistas na Estrada do Sabor, Garibaldi, na serra gaúcha


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado leitor ou leitora, vou contar uma historia que começa triste mas tem um final muito feliz – a historia da dona Odete Bettú Lazzari (foto acima) e sua corajosa família de mulheres. Era uma vez uma pequena propriedade na Linha São Jorge, uma comunidade no interior do município de Garibaldi, vizinha do Vale dos Vinhedos, na serra gaúcha, na qual vivia uma família de agricultores de origem italiana que vivia da produção e venda de uvas e leite. A região era linda (foto abaixo) e todos vivivam felizes.

Mas em 1997 aconteceu um problema: Danilo, o chefe da familia, faleceu e o mundo desabou nos ombros da viúva Odete que ficou com quatro filhas para sustentar. Numa comunidade como essa as mulheres são quase sempre coadjuvantes dos homens da casa, e ao longo de dois anos a viúva teve que vender as vacas leiteiras, os tratores, arrendar os parreirais e até pedir dinheiro emprestado para parentes para sustentar a família. Até a natureza parecia estar pesada, contra as mulheres da familia Lazzari.

Mas em 29 de novembro de 2001 o município de Bento Gonçalves, o Sebrae e a Atuaserra (organização privada) começaram a implantar a Estrada do Sabor, uma proposta para desenvolver o turismo rural na região e assim oferecer uma oportunidade de geração de emprego e renda para famílias rurais, com foco na agricultura e a agroindústria. Parecia que o céu começava a se abrir para a familia Lazzari (foto abaixo).
Além disso ao mesmo tempo se pensava em internalizar o turismo, isto é, aproveitar o fluxo de turistas que já visitavam as vinícolas grandes na cidade e outras atrações urbanas da região, o que de fato aconteceu. Hoje, quinze anos depois, o roteiro é um grande sucesso de crítica e público, muito bem organizado e sinalizado – e por isso mesmo muito frequentado.

Dona Odete Bettú Lazzari - hoje com 66 anos, abaixo – aceitou o convite para participar do projeto, imaginando poder gerar renda vendendo aquilo que ela e suas filhas sabiam fazer de melhor: refeições deliciosas com receitas secretas da família. 

Nos anos seguintes a vida foi uma dureza. As cinco mulheres (duas das filhas ainda adolescentes) enfrentaram todos os tipos de desafios: a falta de crédito oficial, o preconceito comunitário, a desconfiança dos vizinhos, a falta de estudos e a inexperiência em receber turistas e gerir um negócio. Dona Odete inventou a Osteria della Colombina que um dia seria um restaurante e começou oferecendo pique-niques no jardim da propriedade porque não tinha louças e toalhas; estes utensilios foram emprestadas pelo Hotel Casacurta e a secretária de Turismo e Cultura de Garibaldi, Ivane Favero, lembra que levou as louças para a casa da dona Odete em seu carro.

Pois as cinco mulheres venceram tudo isso e continuam vencendo: as filhas Rosangela, Raquel e Roselaine já estão casadas, formadas e tem empregos estáveis que ajudam o negócio da familia, e a filha mais moça, Raissa, com 27 anos - uma excepcional relações públicas formada em Enoturismo - é quem está mais presente no dia-a-dia da Osteria della Colombina ao lado da mãe. Rosangela, a filha mais velha, é técnica em agropecuária com habilitação em agro-indústria e estudou viticultura em Verona, Itália. E é uma das maiores incentivadoras da recuperação das receitas históricas da familia. Nas fotos abaixo Odete com duas das filhas e uma mostra dos produtos locais.


Pois é, meu caro leitor ou leitora, quinze anos se passaram, e este não é o final, mas já é feliz. Hoje a Osteria della Colombina é reconhecida no Brasil e exterior e serve de exemplo em programas de Turismo Rural na Agricultura Familiar. Dona Odete e suas filhas recebem grupos de até 35 pessoas que se emocionam com a experiência criativa, simpática e autêntica oferecida na Osteria, como degustar refeições típicas de imigrantes italianos (foto acima) em ambiente único, numa mesa comprida, no porão da casa da família, que ainda tem um piso de “chão batido“ (veja abaixo).

Só para você ter uma ideia dos dotes culináros da familia, anote: como minha visita foi individual e fora do horário de almoço, dona Odete teve que “improvisar”, cozinhando “algo simples”. Este “algo simples” da dona Odete começou com uma polenta brustolada na chapa como entrada (foto abaixo), acompanhada de alguns embutidos, capeletti in brodo e um risotto fantástico.

O cardápio official servido para os visitantes (R$ 60,00 com vinho da casa) inclui estes pratos acima e mais: carne lessa – carne de galinha caipira e gado cozidas na água com temperos não revelados.
Na continuação tem salada orgânica e deliciosa, uma porção generosa de nhoque de tres queijos com salaminho defumado; uma galinha ao molho vermelho de tomate da casa; carne de panela assada a moda antiga com bacon e salame – daquelas que tem sabor de panela realmente antiga - e uma fortaia, um tipo de omelete colonial italiano – veja na foto abaixo. 

E mais: dona Odete oferece aos visitantes uma sobremesa natural execepcional: muitos doces, geleias e compotas de frutas e sorvete de limão siciliano feito em casa. Meu caro leitor ou leitora, é simplesmente divino! E ainda existem receitas antigas resgatadas pela família, como a moranga recheada (foto abaixo), que fazem sucesso até mesmo além mar e que não pude conhecer! 

A familia oferece visitação à propriedade com trilhas entre pomares e parreirais, sempre no meio de uma deslumbrante paisagem; você se sente até mais leve depois do passeio! A familia mantém um pequeno e intimista museu com objetos antigos como utensílios domésticos e agrícolas, peças religiosas e fotografias, em uma réplica de casa de madeira da colonização italiana – veja nesta foto abaixo.

Como bons empreendedores a familia Bettú Lazzari já está “exportando” produtos como vinhos familiares (com uvas Montepulciano, Corvina e Malbec, ótimos, por sinal), tempero, doces de frutas como uvas, citricos, ameixas, pessegos, peras, figos, marmelos - em pasta, geleias, compotas e conservas, tudo feito com matéria prima orgânica produzida em casa – e certificada. Veja foto abaixo uma amostra. Dona Odete me disse que “aqui tudo saiu de nossa cabeça, pensamos coletivamente, nada é feito sozinho porque somos de uma familia de Cremona, da Itália” – com forte sotaque de quem sempre falou o italiano de Veneto, hoje chamado de talian.


Mas as cinco mulheres tem outra magia de encantamento: convidam o visitante a participar da "Oficina Mãos na Massa", a oportunidade do turista preparar sua própria “Colombina”, uma pombinha feita de massa de pão que repousa em uma embalagem tipo caixa de fósforo que as familias italianas faziam desde o sempre, para envolver as crianças na produção do pão nas familias. Tem gente que chora – e com razão, porque é um gesto simples mas cheio de significados de momentos que nnao conseguimos ter nas cidades grandes. Dona Oete me confessa: “Lidamos com o emocional das pessoas, os visitantes passeiam, fotografam, conversam, ouvem historias, ficam de duas a tres horas aqui, se emocionam, muitos choram escondido...”.
Pois é: em 15 de junho de 2016 a Osteria della Colombina completou 15 anos de história, data comemorada com o lançamento de um passeio autoguiado intitulado “Os Caminhos da Colombina” – veja abaixo a placa criada pela designer Rosana Marina. 

O roteiro, que sozinho já justifica uma visita a a Osteria della Colombina, oferece passeios entre pomares, vinhedos, hortas certificadas orgânicas, animais domésticos, belas paisagens, agroindústria, uma pequena vinícola de sonho e um museu familiar. A ideia, como me disse a dona Odete, é que o visitante se sinta em harmonia com este lugar como nós nos sentimos”.
Nós nos sentimos, dona Odete, eu me senti de verdade. A Osteria della Colombina que foi palco de uma tragédia familia, resisitiu e continua sendo um lar - só que agora para muito mais pessoas do que as cinco mulheres corajosas da familia Bettú Lazzari. Na foto abaixo eu recebo a energia positiva e tenho o privilégio de aprender sobre persistência, união e qualidade de ida com dona Odete e duas de suas valorosas filhas.

É necessário agendar a visita para viver esta emoção. Mais informações podem ser obtidas no fone (54) 3464 7755, em http://www.estradadosabor.com.br/odete_bettu ou pelo e-mail

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Para saber mais sobre turismo em Garibaldi acesse http://www.turismogaribaldi.com.br/
Em Garibaldi sugiro se hospedar no Casacurta Hotel - http://www.hotelcasacurta.com.br/

(*) Rogerio Ruschel é editor de in Vino Viajas em São Paulo, mas quando pode vai para a serra gaúcha para poder viver a verdadeira vida de quem sabe viver. 





sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Conheça a alcachofra, a elegante e deliciosa especiaria europeia já incluída na culinária brasileira, e sua maior festa no Brasil, em São Roque, na Grande São Paulo


Por Sandro Marcelo Cobello (texto) e Rogerio Ruschel (editor)*
Meu prezado leitor ou leitora, espero que você não esteja com fome porque vou falar de comida. Na verdade, de uma especiaria européia, uma exuberância gastronômica que a cada dia tem mais adoradores, uma flor comestível chamada alcachofra que na cidade de São Roque já faz parte da merenda escolar. E como sei que você tem bom gosto, anote para não esquecer: de 2 de outubro a 2 de novembro a alcachofra tem sua maior festa no Brasil, em São Roque, a 60 quilometros de São Paulo: no ano passado a cidade recebeu 80 mil pessoas em quatro fins de semana, que conheceram também licores, patês e molhos de alcachofra - um mundo de iguarias. Saiba mais no fim desta reportagem.

Como sei que você é exigente, para lhe apresentar a história da alcachofra, In Vino Viajas convidou um dos maiores especialistas sobre o assunto no Brasil, Sandro Marcelo Cobello, ex-secretário de turismo da cidade de São Roque e um conhecido consultor de Turismo Rural. Sandro é o tipo do cara que participa de eventos sobre turismo rural, enoturismo e faz palestras sobre alcachofra – além de prepará-las e comê-las muito bem porque se criou dentro de um restaurante especializado em alcachofras. Com a  palavra, Sandro Cobello.

“De origem mediterrânea, a alcachofra é uma flor comestível consumida no seu período de inflorescência (quando dá botão, veja acima), tem como principais produtores e consumidores países europeus como Espanha, Itália e França, mas também é  cultivada na África, e nas Américas, principalmente Estados Unidos, Peru e Argentina.

No Brasil foi introduzida pelos imigrantes europeus como produto para consumo próprio, e na região metropolitana de São Paulo, encontrou terreno ideal para cultivo. Hoje três cidades – Piedade, Ibiúna e São Roque – produzem 90% do cultivo nacional. Cada vez mais vem sendo procurada por pessoas de bom gosto e boas alcachofras – naturais ou em conserva – podem ser encontradas em feiras livres, supermercados e em bons restaurantes (abaixo, um quitute: alcachofra gratinada com queijo gorgonzola).

A alcachofra tem diversas variedades e a mais cultivada aqui no Brasil é a denominada “alcachofra-roxa-de-são-roque” que tem um tom característico roxo porque durante o período anterior a colheita ficam cobertas com jornal ou papel para adquirir esta charmosa coloração (veja na foto abaixo). Apesar de São Roque já não contar mais com as maiores áreas de cultivo, é a cidade que mantém a mais forte tradição do cultivo da flor, realizando uma festa enorme no mês de outubro. Na mesma região do conhecido Roteiro do Vinho, Gastronomia & Lazer da cidade também é possível visitar belas áreas de cultivo da flor bem como saborear uma infinidade de pratos, conservas e quitutes. Outra curiosidade: há mais de uma dezena de anos a cidade conta com área de cultivo do departamento de educação onde as merendeiras da cidade são preparadas para elaborar pratos com alcachofra para os alunos da rede pública.

Por se tratar de uma flor, o período de colheita é basicamente na Primavera (de setembro a novembro), mas com as novas técnicas de plantio já é possível ter a oportunidade de ver as lavouras de alcachofras cultivadas com carinho por produtores que após períodos de estagnação no cultivo de uvas, resolveram substituir seus vinhedos, tendo obtido interessantes resultados pelo forte valor comercial da flor. Alguns destes produtores desenvolveram formas de agregar valor com a instalação de empresas para elaboração de conservas (abaixo), congelados e derivados da flor que podem ser encontrados na Festa de São Roque.

Dois locais na Estrada do Vinho em São Roque se destacam com a alcachofra – Alcachofras Bom Sucesso e a Cantina Tia Lina. A Alcachofras Bom Sucesso conta com estrutura para visitação à área de plantio realizado pelos proprietários Ana Lídia e Juca, que atenciosamente recebem os visitantes e realizam também palestras, workshops e visita guiada a área de cultivo com possibilidade de conhecer um pouco da história dessa flor comestível bem como depois saber o modo de preparo e degustação de uma infinidade de produtos elaborados como patê de alcachofra, alcachofra em conservas no azeite, com condimentos, quiches, esfihas, sopas.

A Cantina Tia Lina é o primeiro restaurante do Roteiro do Vinho, implantado no ano de 1999. A “tia” Lina Sgueglia de Góes introduziu as alcachofras cultivadas na região em suas massas artesanais e risotos elaborados com todo esmero pela família e tendo o rondeli 4 queijos com fundo de alcachofra seu carro chefe e durante o período da safra da alcachofra de agosto à setembro conta com pratos elaborados com a flor da alcachofra como ao alho e óleo e recheadas – na foto abaixo, alcachofra a romana.

Durante os meses de julho a novembro, a agência de turismo receptivo de São Roque realiza um trabalho pioneiro de visita guiada as áreas de plantio de alcachofra onde será possível conhecer o processo de cultivo, elaboração de pratos e degustação de produtos feitos à base de alcachofra, bem como possibilidade de grupos organizados também para realização de almoços com pratos à base dessa flor ainda desconhecida pelos brasileiros, mas cada vez mais surpreende os mais diferentes paladares.

Pois vou acrescentar ao texto do Sandro o que um médico amigo meu me disse: por conter uma substância denominada cinarina (componente químico ativo que confere sabor amargo), a alcachofra estimula o aumento do fluxo biliar, melhorando as funções do fígado e ajuda a prevenir várias doenças hepáticas. A alcachofra também tem sido muito eficaz no combate as gorduras, e por isto ela é inclusa em muitas dietas para perda de peso.
Saiba mais sobre a Festa de Snao Roque que inclui a Festa da Alcachofra em: http://www.exposaoroque.com.br/index.html
 (*) Rogerio Ruschel é ditor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, e gosta muuuuuito de alcachofras. Sandro Marcelo Cobello, Consultor de Mercado em Turismo Rural: smcbrazil@hotmail.com e vinhodesaoroque@ig.com.br e fone 11-9-9697-1514 (Vivo)


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Conheça os 5 bares de vinho mais antigos do mundo; o campeão tem 580 anos e inspirou o astrônomo Copérnico a sonhar com planetas

Por Rogerio Ruschel (*)

Meu querido leitor ou leitora, acho que você vai concordar comigo que o vinho é a grande companhia para a celebração da vida – e isso desde 8.000 anos atrás. O vinho liberta o caráter das pessoas, permite o exercício da criatividade e, claro, revela a verdade. O astrônomo Nicolau Copérnico, que morava em um dos bares mais antigos do mundo - que você vai conhecer a seguir - desenvolveu a teoria do heliocentrismo enquanto degustava taças de vinho, e esta foi uma grande verdade que mudou o mundo! O site espanhol Vinopack fez uma lista dos cinco bares de vinhos mais antigos do mundo e eu pesquisei detalhes; veja o resultado a seguir.
Enoteca al Brindisi, Ferrara – Itália, de 1435

A Enoteca al Brindisi, de Ferrara, Itália (acima e abaixo), foi certificada pelo livro "Guinness dos Recordes” como o mais antigo bar de vinhos do mundo. Segundo registros, o bar teria sido construído em 1435 ao lado da Catedral de Ferrara.  Vou repetir: o bar abriu as portas em 1435, há 580 anos, quando o Brasil sequer havia sido “descoberto” pelos portugueses... Sua história é extraordinária e não pode ser ignorada, já que foi freqüentado por personagens do Renascimento como Copérnico, Ticiano, Ludovico Ariosto, Torquato Tasso e Benvenuto Cellini.
O primeiro nome do Bar foi Chiucchiolino, que em italiano vem de "jarro", que significa "bêbado". Cá para nós, para uma taberna, o nome não chega a ser muito extravagante. A história registra que o astrômo e matemático polonês Nicolau Copérnico morava em cima do bar e uma lenda diz que um dia, quando estava voltando para seu quarto, teve a brilhante idéia de que a Terra é que se movia ao redor do sol, e não o contrário como se pensava. Esta ideia revolucionária não é surpreendente porque, como se sabe, no vinho está verdade....

A casa oferece vinhos de toda a Itália e apesar do sucesso e da fama, continua  modestamente decorada, com mesas e bancos de madeira e muitas garrafas empoeiradas nas paredes.
 
Antigua Casa de Guardia, Málaga – Espanha, de 1840

Fundada em 1840 por Don Jose Guardia, a Antigua Casa de Guardiã (acima e abaixo) tornou-se uma instituição malaguenha por sua antiguidade e pela forma como produz e serv vinhos que se manteve inalterado ao longo nos últimos 179 anos. Trata-se de um bar de tapas, aquelas delicias espanholas que você come de pé, no balcão, pequenas obras de arte com queijos, azeitonas, frutos do mar, salames, picles, espetos de anchovas, atum e kebabs ou um prato clássico queijo de ovelha com tapas a 3 Euros.
Claro que o forte é o vinho - aliás, muito forte porque os vinhos Pajarete, Chavea, Moscatel, Lágrima, Guinda, Verdiales, Pedro Jiménez  e outros são servidos diretamente de imensas barricas de carvalho, como dá para ver na foto abaixo, por torneiras que datam de antes da Segunda Guerra Mundial!
O bar é um verdadeiro museu vivo com fotos de Pablo Picasso ou John Wayne, garrafas poeirentas, antiguidades e pinturas de figuras históricas de Málaga. É seguramente um lugar para turistas que procuram um lugar frequentado por moradores, que trata o vinho como um amigo a ser vinho apreciado. Tim-tim!


Réserve de Quasimodo, Paris – França, de 1869

O bar Réserve de Quasímodo (acima e abaixo) é uma atracão turística a poucos passos da Catedral de Notre Dame, em Paris.
Para chegar nele  você tem que perambular pelas ruas medievais estreitas atrás de Notre Dame, mas convenhamos, isso é parte do charme. (Desculpe, não resistiao comentário: pode beber tranquilo porque o Quasímodo, o corcunda, não está mais “dando expediente” na Catedral... ). Tem gente que diz que o bar teria sido aberto em 1240 como uma taberna – e então ele seria o mais antigo do mundo! - mas ninguém mostrou nenhuma evidência desta informação.

As fotos mais antigas do Réserve de Quasimodo são de 1869. Atualmente, seus proprietários, Nathalie e Christian, podem se gabar de ter o bar de vinhos mais antigos de Paris. Como é um típico bistrô, você vai encontrar aquele ambiente interessante, cardápios na parede, uma adega anexa com vinhos empoeirados para vender, pratos típicos da cozinha francesa a preços mais acessíveis e vinhos selecionados para deixar qualquer um mais feliz.
 
Antica Bottega del Vino, Verona – Itália, de 1890

Fundada em 1890 na cidade de Romeu e Julieta, acredita-se que a Antica Bottega del Vino (fotos acima e abaixo)tenha sido construída como uma pousada no século XVI. A poucas centenas de metros da Arena de Verona - e de uma das mais antigas feiras de ruas do mundo, que fica na rua que leva
à Arena - a Antica Bottega del Vino é um local histórico que já recebeu dezenas de artistas e personalidades importantes, todos bons apreciadores de vinho.
Além do serviço de restaurante e bar - com especialidades requintadas da culinária veronese - a adega anexa oferece cerca de 3.000 vinhos nacionais e internacionais. Muitas garrafas antigas preenchem as paredes do restaurante a titulo de decoração, mas a enorme adega certamente tem garrafas antigas para vender, se você tiver Euros para tanto.
Muitas das receitas do cardápio estão ligados aos vinhos locais, como a carne refogada com vinho Amarone com purê de batatas ou o filé de carne com Amarone com legumes cozidos. A cozinha já ostentou 2 estrelas Michelin por conta dos proprietários e cheffs, Elia e Matteo Rizzo, pai e filho.
Wine Bar Gordon, Londres – Inglaterra, de 1890

O Wine Bar Gordon (acima e abaixo) é um negócio familiar desde 1890, quando Angus Gordon, um dos últimos "viticultores livres" do país (comerciantes que podiam vender o seu vinho sem pedir licença) abriu sua loja no oeste de Londres. O prédio existe desde 1680 e foi usado como uma casa, armazém e, mais recentemente pelo wine bar, a “apenas” a cerca de 123 anos atrás. Dizem que Rudvard Kipling viveu ali por perto e nesta casa teria escrito boa parte do livro "The Light That Failed", publicado em 1891.
Pelo lado de fora a casa pode aparentar um estilo vitoriano, mas no interior respira-se algo mais do que o antigo, uma história de mais de um século sendo frequentada por personagens diferentes em uma caverna com barris e mesas de madeira com velas. Dizem que a culinária inglesa não é grande coisa, o que não é uma verdade absoluta; então fique sabendo que além do serviço de bar e restaurante, a casa oferece os vinhos produzidos pela família Gordon que lançou seu primeiro lote de vinho Chardonnay em 1985. Atualmente os Gordons são grandes produtores de vinho em cerca de 80 hectares de vinhedos perto da confluência dos rios Snake e Columbia, no Washington’s Columbia Valley.
(*) Rogerio Ruschel edita In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, cidade que não tem nenhum wine-bar com mais de 40 anos