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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Protegendo safras: engenheiros do Chile criam sistema anti-terremoto para proteger barricas e garrafas de vinhos, depósitos, máquinas e adegas no mundo inteiro


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu caro leitor ou leitora, infelizmente terremotos abalam famílias, vilarejos, comunidades e países com muita frequência. Não temos como evitá-los, mas podemos tentar reduzir seus danos. E eles ocorrem em todo o planeta; esta semana sacudiu a Nova Zelândia. Na Europa a Itália tem um histórico de terremotos e erupções vulcianicas de vários séculos, mas vem sofrendo muitos tremores neste segundo semestre de 2016. Em outubro o centro do país foi abalado por um terremoto que foi o mais intenso desde 2009, que deixou 159 mortos e milhares de desabrigados (fotos abaixo).
Além destas perdas, os estragos também estão no patrimônio cultural e arquitetônico e nas atividades regulares da agricultura, entre as quais a vitivinicultura. Entre as regiões vinícolas mais suscetíveis por terrremotos no país estão as áreas próximas dos Apeninos, a Toscana, Umbria, Marche, Emilia-Romana, Abruzos, Lacio e a Sicilia, que tem historias arrepiantes relacionadas com o vulcão Etna.Outros dois vulcões assustam os italianos: Vesuvio (no Golfo de Nápoles) e o Stromboli, na ilha Stromboli.
Já na America do Norte a principal vítima no setor vinícola é a California. Um terremoto em agosto de 2014 causou perdas milionárias à indústria vinícola em Napa Valley – como dá para ver na foto que abre este matéria e até mesmo lojas de vinhos, como a da foto abaixo. O que a seca de dois anos não havia conseguido prejudicar, o terremoto fez em segundos, destruindo milhares de barris de vinho. Especialistas avaliaram que as perdas chegaram à cifra de 1 bilhão de dólares, em um setor que movimenta mais de 13 bilhões de dólares por ano. Entre os produtos em estoque a colheita de 2013 foi uma das mais afetadas, mas a de 2012, tida como Vintage, ficou praticamente intacta porque se encontrava em pallets de carga e bem acondicionada, pronta para a distribuição. 
Na America do Sul o Chile é quem sofre com os terremotos mais destruidores porque o país se encontra em área de elevada tensão e instabilidade geológica propiciada pelo choque direto das placas tectônicas de Nazca, posicionada sob o Oceano Pacífico, e a Sul-americana, posicionada na América do Sul. O maior terremoto da história recente ocorreu justamente no Chile, na cidade de Valdívia, em 1960. Naquele ano, a intensidade alcançou os 9,5 graus na Escala Richter, provocou mais de 2.000 mortos, em uma das maiores catástrofes naturais da história da humanidade. 
Em 27 fevereiro de 2010 um terremoto com magnitude de 8,8 desabrigou mais de dois milhões de pessoas e afetou diversas áreas de vitivinicultura que tiveram suas plantações e adegas afetadas. Pelo menos um em cada quatro tanques de aço inoxidável com vinho foram afetados, resultando numa perda de 125 milhões de litros, o equivalente a 12,5% da produção em 2009. Algumas infra-estruturas, especialmente das regiões de Maule e Rapel, localizadas perto do epicentro, tiveram danos gigantes; o vinho é a principal indústria de duas das regiões mais próximas ao epicentro do terremoto, Maule e Bio-Bio (mapa abaixo).
Pois no fim de outubro de 2016 os vitivinicultores destas regiões em todo o globo terrestre ouviram uma boa noticia: um grupo de pesquisadores da Universidade Católica do Chile desenvolveu um sistema de isolamento sísmico para recipientes de líquidos especificamente concebido para proteger os depósitos dos vinhos de terremotos. O sistema consiste de um conjunto de dispositivos flexíveis que são instalados nos suportes do reservatório, o que produz um efeito isolante. A idéia é que a energia do terremoto seja absorvida pelo isolamento dos dispositivos de vibração que isolam os dois movimentos no solo: horizontal e vertical, numa adaptação dos sistemas já utilizados em edifícios com grande altura que tem um sistema pendular de balanço vertical. O sistema, de acordo com os pesquisadores, pode ser dimensionado para o tamanho e peso que forem necessários e poderá também proteger os equipamentos e máquinas industriais em geral. Os criadores esperam que os equipamentos comecem a ser entregues aos compradores em 2018.

(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas a partir de São Paulo, Brasil, onde não há terremotos, a não ser os provocados por politicos



sexta-feira, 13 de maio de 2016

Surpresas criativas nas montanhas do Chile: um vinho envelhecido com meteorito de Marte e outro usado para fazer sacrificios a deuses Incas

Por Rogerio Ruschel (*) 
 
Meu prezado leitor ou leitora é realmente muito dificil promover a identidade de um vinho quando se sabe que todos os anos cerca de 100 mil diferentes marcas (rótulos) são lançadas no mercado, no mundo todo! Como sou um profissional de marketing e quero ajudar meus leitores, publico aqui no “In Vino Viajas” histórias de produtos que buscam construir esta diferenciação, como no surpreendente caso destes dois vinhos chilenos. Vem comigo.
Em San Vicente de Tagua Tagua, Chile, um grupo de pequenos empreendedores e empresários se uniu para oferecer opções de turismo, enogastronomia e aventura em torno de uma promessa para o visitante: usufruir do caminho das lendas. San Vicente de Tagua Tagua fica na provincia de Cachapoal, região de Libertador Bernardo O`Higgins (fotos acima e abaixo), distante cerca de 140 km ao sul da capital Santiago, e tem cerca de 40.000 habitantes.
Uma destas lendas é recente mas é realmente curiosa, especialmente para winelovers como eu e você: a produção de um vinho que foi envelhecido com um meteorito vindo de Marte! Você leu certo: o escocês Ian Hutcheon, radicado no Chile há mais de 15 anos e diretor do Observatorio Astronômico Tagua Tagua, buscava uma ideia para atrair clientes para aquela região e misturou duas grandes paixões - vinho e astonomia - e em parceria com a Vinicola Tremonte criou o vinho Meteorito, lançado em 2012.
 
O tal meteorito é um fragmento de apenas 10 centimetros de uma rocha vinda provavelmente do cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter, que caiu em solo chileno 4.500 anos atrás, como informou a imprensa chilena. O escocês  astrônomo Hutcheon teve a ideia de "envelhecer" um vinho com o tal meteorito. "Um pouco de vinho é colocado em um barril de carvalho e o meteorito é colocado junto e fica envelhecendo por 12 meses. Em seguida, este substrato vínico é misturado com vinho pronto Cabernet Sauvignon, criando-se o vinho Meteorito”.  Quem explica esse estranho processo produtivo é a Vinicola Tremonte, uma vinícola da região que diz que tem seus vinhedos “alcançando o céu, mas as raizes tocando em uma mina de ouro”.
Não provei o tal do vinho com “acentos marcianos” e desafio até mesmo meu amigo paulistano perito em aromas Renato Frascino (aliás, Embaixador do vinho chileno no Brasil) a identificar o “aroma de meteorito” deste vinho. Não deve ser excepcional, mas como marketing funciona – tanto que eu escrevi e você está lendo esta história. O Meteorito é um cabernet sauvignon, teve sua primeira safra no ano 2010 e pode ser comprado no Observatorio de Tagua Tagua por cerca de R$ 40,00.  Se voce for até lá, aproveite porque além da degustação de vinhos com e sem meteoritos, você vai poder assistir apresentações de aventuras no espaço em formato 3D, ouvir palestras e observar planetas com telescópios computadorizados.
Na mesma região de San Vicente de Tagua Tagua o turista também pode conhecer a Ruta del Sacrificio, uma trilha que seria o caminho da fé de uma comunidade de indios Inca na região há mais de 500 anos (foto acima). Nesta rota o turista pode conhecer e beber o vinho “Sacrificio”, que segundo informam os produtores, é um vinho adequado para oferecer a deuses incaicos. A brincadeira é a seguinte: o turista sobe a montanha de Montecruz com um mapa do tesouro na mão e desenterra sua garrafa de vinho – o Cabernet Sauvignon Montecruz Gran Reserva. Bom marketing, divertido.
No roteiro o turista tem outros benefícios: pode observar as grandes aves da região (a águia Mora e o condor Andino), pesquisar fósseis de dinossauros e de seres humanos (como o do cidadão da foto abaixo, habitante do Cemiterio de Cuchipuy) e passear por trilhas dos Incas nas montanhas da região – que aliás é muito bonita. 
Outra empresa da região, a Winkul Trips oferece passeios all-inclusive de bicicleta para conhecer os patrimônios natural, arqueológico, humano, ecológico e enológico da região, em lugares “onde é impossivel chegar de automóvel” como prometem. É claro que você vai ter onde degustar a ótima comida regional chilena (são quatro restaurantes) e onde se hospedar (cinco hoteis, hostels e pousadas). Mas se você preferir pode se hospedar em um grande hotel 5 estrelas, famoso por receber VIPs: o Viña Vik Millahue que tambem produz vinhos. Mas isso já é outra história.
No Alentejo, Portugal, você também pode fazer turismo aastronômico em meio a vinhedos belissimos, veja aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/10/lembrancas-da-melhor-regiao-vinicola-do.html
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, e acredita em deuses incas e meteoritos chilenos




terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Cinco vinícolas modernas e supreendentes na Austrália, Chile, Itália, França e Portugal para você colocar na sua lista de desejos

Por Rogerio Ruschel (*)

Meu prezado leitor ou leitora, no mundo do vinho, não basta ser bom, tem que ser impressionantemente bom. Nos países que levam a sério o negócio do vinho, as atividades ligada ao turismo e visitação se tornaram tão importantes do ponto de vista econômico (na Espanha, França e Estados Unidos pode representar até 30% do faturamento da vinícola) que as vinícolas vêm se reinventando. Hoje uma vinícola é concebida para ser quase um museu arquitetônico que vende imagem, vinhos e serviços turísticos como gastronomia, degustações, cursos, palestras, debates, eventos, as vezes hospedagem e até desfiles de moda. In Vino Viajas tem apresentado este lado “fashion” e “cool” das vinícolas e hoje vamos conhecer cinco novas empresas, duas delas no chamado “novo mundo” do vinho: Chile e Austrália.
Moorila Estate Winery, Hobart, Tasmania, Austrália

A Moorila (fotos de abertura desta matéria e acima) está localizado em Hobart, a capital da ilha da Tasmânia, na Austrália. Foi construída em 1958 pelo italiano-australiano Claudio Alcorso, ex-negociante da indústria textil e comerciante de tecidos. 

A fábrica de cerveja (micro-cervejaria) tem como diretor o australiano Owen Johnston e suas pilsen, ale e dark ale, pale ale são embaladas em garrafas com embalagens criadas pelo artista Australiano John Kelly. 
 
Petra Winery, Suvereto, Toscana, Itália


“Uma vinícola única em um lugar único, Petra recebe do céu e da terra um misterioso segredo, e a terra e o céu retransmitem este segredo através da produção de vinhos que tem a alma Toscana de Maremma e o espírito que fala dos segredos de uma língua antiga”. 


Meu prezado leitor ou leitora, você pode achar essa frase de apresentação da empresa um pouco exagerada, mas tudo que cerca a Petra Winery (ou Vini Petra, em italiano) é mesmo diferenciado. 

A vinicola está localizada perto da antiga cidade toscana de Suvereto, nas colinas de Val di Corniama na Toscana, e com vista para o Mar Tirreno. os proprietários, Vittorio e Francesca Moretti, Terceira geração da familia, encomendaram o projeto ao arquiteto suíço Mário Botta. Concluída em 2003, a vinícola Petra tem características arquitetônicas realmente surpreendentes, com muito acabamento em pedra rosa de Verona.


Lapostolle Clos Apalta, Vale de Colchagua, Chile


Em 1994, Alexandra Marnier Lapostolle, uma descendente da família Marniertradicional no mundo do vinho francês e de bebidas como o famoso licor Grand Marnier - e seu marido Cyril de Bournet começaram o cultivo de uvas e produção de vinho no Vale de Colchagua, o mais fértil no Chile. Dez anos depois o projeto foi completado com a construção de um armazém central em uma colina com vista para os vinhedos.



Lapostolle Clos Apalta, projetado pelos arquitetos da Amercanda, foi construido por uma estrutura de madeira, vidro e aço com seis andares e se parece com um um ninho de pássaro empoleirado na encosta da montanha. Além da elegancia e beleza externa, uma parte da obra foi construída debaixo da terra o que permite que a vinícola conserve a temperatura e umidade de maneira natural.


Junto com instalações para degustação dos vinhos (especialmente dos Casa Grand selection Cuvée Alexandra e Clos Apalta), Lapostolle oferece culinária de alta qualidade no restaurante próprio e hospitalidade no exclusivo hotel Lapostolle Residence que na verdade é um conjunto de 4 casas com piscina que oferece a tranquilidade de um entorno natural e aromatizado.  

Château Cheval Blanc, Saint Emilion, Bordeaux, França


A Cheval Blanc está situada em Saint Emilion, na região vinícola de Bordeaux, na França, e tem uma longa tradição de qualidade: em 1955 foi um dos poucos chateaux franceses a receber a qualificação de Premier Grand Cru Classé (A) quando da organização das classificações vinícolas de Saint Emilion.



Christian de Portzamparc, o arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker de 1994, foi contratado para fundir sua nova adega com a sua paisagem histórica (património). Só para lembrar, Christian de Portzamparc é o autor do projeto Cidade das Artes, um complexo cultural localizado no Rio de Janeiro, inaugurado em 2013, e que é a sede da Orquestra Sinfônica Brasileira.


A inspiração de Portzamparc veio dos tanques de fermentação de cimento usados pelo enólogo da empresa; a partir disto o arquiteto criou uma estrutura coberta com um dossel de concreto branco. De longe, o telhado em forma de onda aparece como uma escultura curvilínea pairando sobre os vinhedos circundantes, um belo espetáculo visual. E, é c laro, você está em Saint-Emillion, a linda cidadezinha de Bordeaux - foto abaixo


L'and Vineyards - Portugal


A Vinicola L'and Vineyards está localizada a 4 km de Montemor-o-Novo, Alentejo, perto da cidade de Évora, um dos muitos Patrimônios da Humanidade pela Unesco de Portugal, apenas a 45 minutos do Aeroporto de Lisboa.


O prédio foi projetado pela Promontory, empresa com sede em Lisboa, e concluída em 2011. O exterior branco da adega e do hotel são inspirados pelas casas caiadas de branco típicas da região do Alentejo.
 

O hotel é lindo e imponente. Os interiores são sóbrios e luxuosos. Simples e minimalista, com detalhes em madeira e pedra natural, a decoração das salas transmite paz e conforto.

O projeto é de um wine-resorts, com dez suites que dispõem de tetos retráteis, permitindo aos hóspedes desfrutarem  das magníficas noites estreladas na área – snao as Sky View Suites. Noites, aliás, que podem ser aprecidadas no Dark Sky Alqueva, o primeiro sitio certificado de turismo astronômico do mundo (foto acima)  – veja em http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/12/conheca-dark-sky-alqueva-o-primeiro.html

(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas desde São Paulo, Brasil, e coleciona belezas ligadas ao mundo do vinho para compartilhar com os amigos e amigas que o honram comos leitores