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domingo, 9 de novembro de 2014

Microvinhas: os benefícios de produzir vinhos que são eco, micro, top e show




Por Rogerio Ruschel (*)
Por causa das maravilhas facilitatórias da internet, dia 8 de novembro de 2014 fiz uma palestra por skype num curso que se realizava no Centro Cultural de El Teular, no Campus de Cocentaina da Universidade de Valência  Espanha. Era uma turma de 50 alunos (veja abaixo) de toda a Espanha que estão aprendendo para compartilhar a tecnologia e o know-how de produção de vinhos em eco-micro-vinhedos sustentáveis por toda a Europa. Foi um momento interessante porque distante milhares de quilômetros estou participando ativamente de uma pequena, criativa e revolucionária mobilização para compartilhar ideias para um mundo melhor.

A base do curso é a experiência de um projeto chamado “Microvinhas”, realizado no vilarejo de Muro de Alcoy, região de Valência, que está produzindo vinhos que chamo de eco, micro, top e show porque são de altíssima qualidade (top) em minifúndios de 1 hectare (micro), com 100% de práticas sustentáveis e lucrativas (eco), e com base nas propostas da “economia do bem comum” (show) do economista sueco Christian Ferber  – aquele que impressionou os milionários “socialmente sensíveis” em Doha, no ano passado. Veja abaixo um banner do curso.

O projeto Microvinhas é uma iniciativa que está surpreendendo os meios vinícolas europeus desde que foi divulgado pelo jornal inglês The Guardian, no começo de 2014, e foi seguido pela BBC, CBS, TVE, USA Today e pelos jornalões de muitas capitais européias. Modéstia a parte, “In Vino Viajas” fez três reportagens sobre o projeto ANTES de vários destas mídias, a partir de maio de 2014 (veja uma das telas abaixo). Como estas matérias tiveram grande leitura (no Brasil e no exterior) e tenho mais de 20 anos de experiência como professor universitário, os organizadores do curso me convidaram para ser um dos professores. Minha contribuição foi a de especialista em marketing e comunicação para produtos com sustentabilidade socioambiental que está convivendo com o “universo” do vinho; trata-se de uma combinação de experiências não muito comum, e acho até que sou o único desta espécie no Brasil, embora isso pareça não importar muito por aqui.

Na palestra fiz uma avaliação dos impactos positivos do processo produtivo das “microvinhas” (veja o resumo no slide que abaixo) e avaliei algumas condições para que pudéssemos ter no Brasil minifúndios produzindo vinhos de alta qualidade, de maneira sustentável – e dando lucro. Infelizmente não pude apresentar casos brasileiros reais porque a assessoria de imprensa do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) não atendeu o pedido de ajuda do In Vino Viajas mesmo sabendo que seria para divulgação internacional; e por outro lado a ajuda das atenciosas jornalistas da empresa Conceito.Com, de Bento Gonçalves, que faz assessoria de imprensa para várias empresas, não chegou a tempo.

Como este assunto é complexo e respeito o limite de minha competência, pedi e recebi muita ajuda de muitos profissionais do ramo, a quem agradeço. Raphael Allemand, de EOC International e InterBeaujolais no Brasil me ajudou com exemplos de microvinhedos franceses; Andréa Junqueira e Lidia Hartlo, de Etc Vinos, do Brasil forneceram dicas da Alemanha e Áustria; peguei exemplos de uma palestra do Prof. David Bernardo López Lluch, da Escuela Politécnica Superior de Orihuela, de Valencia, que encontrei na internet. Pedi depoimentos exclusivos para Lizete Vicari, produtora brasileira de eco-micro-vinhos (foto abaixo); Jefferson Sancineto Nunes, enólogo e engenheiro que é o “pai” do vinho biodinâmico no Brasil; Sonia Denicol, blogueira, sommeliére e professora; e Juan Cascant, diretor do projeto Microvinhas e um dos criadores deste movimento todo que agora está atravessando o Oceano Atlântico desde Valencia e – acho eu - ancorando em território brasileiro.

Gostaria de ter compartilhado também a opinião da Lis Cereja, da Enoteca Saint Vin Saint (que não chegou a tempo); da francesa Caroline Putnoki, da Cap’Amazon e dos brasileiros Peter Wolfenbutter, Didu Russo, entre outros que são minhas referências neste ramo vinícola. Gostaria de ter tido a contribuição de algum especialista em minifundios para esclarecer dúvidas sobre uma lei que tramita no Congresso Nacional sobre a produção de vinho “colonial” e “familiar” em minifúndios no Brasil, que me parece contrariar o potencial da atividade. O curso reuniu 22 professores altamente especializados (veja foto abaixo) de cinco universidades espanholas (Madrid, Valencia e Alicante, entre elas) e 50 alunos. O curso vai até dia 17/11/2014, parte em salas de aula e parte em vinhedos.

Como consultor em sustentabilidade e jornalista fiquei muito feliz por poder ajudar esta pequena, criativa e revolucionária mobilização para compartilhar estas idéias futuristas. Acho que meus amigos da “tribo” da sustentabilidade vão ficar orgulhosos com este companheiro aqui; mas não sei como vão reagir os amigos da “tribo” dos grandes vinhos, gente que acredita que só grandes vinícolas tem o dom divino da qualidade… E teria muita curiosidade em trocar idéias com especialistas da "tribo" dos minifundios.
 
Mas o que eu gostaria mesmo é que a produção de vinhos eco, micro, top e show (de alta qualidade, com valores socioambientais superiores, produzidos em minifundios, com lucro) fosse discutida no Brasil, onde minifundio é coisa de pobre sem tecnologia, sem mercado e sem prestigio – um sub-mundo sem valor para a elite que prefere o modelo de exportação de recursos naturais. Seria muito didático se lideranças sociais e do poder público que trabalham com minifundios vissem o quanto pode ser lucrativo um minifundio eco-sustentavel como o da vinicola Romané-Conti, que numa área de menos de 2 hectares produz o melhor (e mais caro!) vinho da Borgonha, nos últimos 400 anos, sempre por uma família! Me parece que, se for aprovada do jeito que está, a lei que tramita no Senado (veja resumo abaixo) pode ser muito boa para fabricantes de equipamentos de vinificação, mas seria inviável para  vinicultura sustentável familiar.


Espero que um dia possamos discutir isso no Brasil porque podemos ser uma nação poderosa a partir de nossos recursos naturais e talento. Gostaria um dia de ver um case brasileiro deste tipo ser conhecido por jornalistas, sendo apresentado na Plataforma Liderança Sustentável do Ricardo Voltolini, ao lado de grandes corporações; sendo alvo de uma reportagem socioambiental da Amelia Gonzalez; de um livro do Vilmar Berna; de um evento do Sebrae ou de uma matéria na revista Ideia Sustentável da Claudia Piche. Vamos ter que trabalhar muito mas vamos chegar lá porque esta pequena revolução do vinho eco, micro, top e show vai se tornar grande e inexorável – ou então o planeta vai mesmo para o lixo.

Saiba mais sobre Microvinhas aqui:
Sobre o curso: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/10/microvinhas-curso-inovador-na-espanha.html

Saiba mais sobre sustentabilidade:
·      Turismo e sustentabilidade: como beber desta fonte harmonizando benefícios - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/11/turismo-e-sustentabilidade-como-beber.html
·      Microvinhas: curso inovador na Espanha sobre vinicultura sustentável e de alta qualidade em minifúndios tem participação de especialista brasileiro - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/10/microvinhas-curso-inovador-na-espanha.html

·      Microvinhas: os benefícios de produzir vinhos que são eco, micro, top e show - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/11/oportunidades-e-dificuldades-para-o.html

·      MicroVinya: a revolução dos minifúndios sustentáveis de Alicante, Espanha, com vinhedos centenários recuperados e vinhos com poderosa identidade social - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/05/microvinya-revolucao-dos-minifundios.html

·      Coisa de chines: um mega hotel ecológico e futurista numa pedreira desativada - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/08/coisa-de-chines-um-mega-hotel-ecologico.html

·      Os impactos do Réchauffement de la Planète (a versão francesa do Aquecimento Global) no mundo do vinho - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/01/os-impactos-do-rechauffement-de-la.html

·      Jovens empreendedores espanhóis e portugueses fazem sucesso produzindo pranchas de surf com rolhas de cortiça recicladas - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/07/jovens-empreendedores-da-espanha.html

·      Fique esperto: saiba como a rolha de cortiça preserva os aromas do seu vinho e os recursos do nosso planeta - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/08/fique-esperto-saiba-como-rolha-de.html

·      Bird&Wine: degustar vinhos e observar aves, a inteligente proposta de enoturismo da Rota do Vinho Utiel-Requena, Espanha - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/02/bird-degustar-vinhos-e-observar-aves.html

·      Enoturismo inteligente na Andaluzia, Espanha, propõe “paternidade responsável” de vinhas com “sigue tu cepa” - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/09/enoturismo-inteligente-na-andaluzia.html

·      Associazione Vino Libero: um manifesto italiano pela produção de vinhos com identidade, honestidade e sustentabilidade - http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/02/associazione-vino-libero-um-manifesto.html

(*) Rogerio Ruschel mora e trabalha em São Paulo onde edita este blog e sonha com um Brasil mais justo e equilibrado
 



sexta-feira, 23 de maio de 2014

Azeite de oliva “made in Brazil”: produção ainda pequena, mas que já está competindo em qualidade com produtores europeus


Por Rogerio Ruschel (*)

Em outubro de 2013 a Proteste - Associação de Consumidores testou 19 marcas de azeite extra-virgem portugueses, espanhóis e francesas vendidas no mercado brasileiro.  As marcas são tantas que é uma escolha difícil para o consumidor no supermercado. Várias delas foram identificados como fraudadas e o produto melhor avaliado de todos, acredite, foi o único brasileiro no grupo - veja detalhes mais adiante. Para quem acompanha o setor, isso não é surpresa, porque o Brasil é um produtor ainda minúsculo, mas estamos começando a competir com os importados – e o espaço para empreendedores entrarem no negócio é muito grande, veja a seguir. 

Azeite de oliva é um alimento que acompanha o homem há milênios. Temos registros de que a azeitona apareceu na Ásia Menor e que seu cultivo remonta ao período helênico, iniciado provavelmente na ilha de Creta em 3.500 a.C, o que daria cerca de 5.500 anos de experiência com a fruta e o azeite. Na foto abaixo um “frantoi” centenário que fotografei na Sicilia.


Ao longo dos séculos a azeitona tem sido utilizada como alimento e o azeite, porque tem longa durabilidade, podia viajar nos barcos em longas viagens. O azeite também foi usado como remédio, fonte de energia e protetor contra o frio. As oliveiras são uma das plantas citadas na Bíblia Sagrada, e azeites eram utilizados em diversos rituais religiosos no mundo árabe. Na Mesopotâmia era usado até mesmo como ferramenta de guerra: nas batalhas os soldados se besuntavam com azeite para ser mais difícil serem agarrados!


Da Grécia a oliveira foi introduzida na Península Ibérica durante o domínio árabe. Na Sicilia, Itália, conheci e fotografei uma oliveira que diziam ter mais de 8 séculos de idade, quase contemporânea dos templos em ruínas ao seu lado… - veja a foto abaixo.


Da Grécia e também pelas mãos dos árabes, a oliveira acabou encontrando solo propício em Portugal (hoje o segundo produtor mundial), se alastrou para a toda a península ibérica e da Espanha (hoje o primeiro produtor mundial) veio com os conquistadores para a Argentina e Chile, na América do Sul. E da Argentina chegou ao Brasil uns 20 anos atrás, entrando pelo Rio Grande do Sul, região do Brasil que tem o melhor clima e terroir para azeitonas e que se tornou o principal pólo produtor do pais. É no Rio Grande do Sul que fica a principal entidade que congrega e apóia produtores brasileiros - a Associação de Olivicultores de Caçapava do Sul – AOC (http://www.olivicultura-rs.com.br ). Veja no mapa abaixo os melhores climas para oliveiras no,mundo.


É também da região central do Rio Grande do Sul, em Cachoeira do Sul, que vem o melhor exemplo de que azeite de oliva no Brasil tem ótimo potencial para quem queiser entrar no ramo. O produtor rural José Aued (que é engenheiro) começou a cultivar oliveiras em 2005 e em 2010 produziu a primeira safra com as variedades arbequina e arbosana, com apenas 800 litros. Já em 2011 a produção passou para 6 mil litros e em 2012 foram 22 mil litros, tudo isso em apenas 12 hectares, que agora já são 26 hectares. E estão produzindo mudas para vender para terceiros - veja na foto abaixo. 


O azeite dos Aued já está à venda em oito Estados com a marca Olivas do Sul e recentemente foi a única marca de azeite de oliva fabricado no Brasil identificado realmente como extra-virgem em uma pesquisa da Proteste – lembramos o teste a seguir. E isso acontece porque, como explica Enilton Coutinho, agrônomo da Empresa Brasileira de Pesquisa e Extensão Agropecuária (Embrapa), “Existe um mercado totalmente aberto para o azeite. O Brasil importa 100% deste produto, ele faz bem à saúde e apresenta uma rentabilidade interessante. A renda líquida chega a aproximadamente R$ 20 mil por hectare, então é um bom atrativo para os investidores”.



Nesta pesquisa da Proteste - Associação de Consumidores que testou 19 marcas de azeite extra-virgem portugueses, espanhóis e francesas vendidas no mercado brasileiro, apenas oito marcas apresentaram qualidade de extravirgem e outros sete (Borges, Carbonell, Beirão, Gallo, La Espanhola, Pramesa e Serrata) são apenas azeites virgens. Dos quatro testes que a entidade já realizou com esse produto em mais de dois anos, este realizado em outubro de 2013 foi o que encontrou o maior número de fraudes contra o consumidor (será porque aumenta ada vez mais a venda destes produtos e a cada dia chegam novas marcas ao mercado?) Mas o mais importante é que a marca de azeite de oliva com melhores indicadores foi a brasileira Olivas do Sul, dos Aued, que tem apenas tres anos de mercado.... Veja abaixo o quadro-resumo da revista.

O mercado de azeites no Brasil apresenta vendas de aproximadamente 40.000 t/ano, similar à Austrália e superior ao Canadá; somos o 10o. maior consumidor no mundo. A produção mundial foi de 3,6 milhões de toneladas de azeite em 2013, e o Brasil contribuiu com apenas 600 toneladas – mas estamos aprendendo rápido. Os brasileiros estão começando a conhecer e apreciar os diversos tipos de azeites provenientes principalmente de Portugal, Itália, Espanha e Argentina, mas também da França e da Grécia - e em alguns anos talvez não precisemos mais importar o produto. Sim, porque estamos recém-começando, mas evoluímos muito no cultivo de oliveiras e aprendemos rápido a fazer azeites de qualidade. Os gráficos abaixo mostram uma série histórica de consumo de azeites e azeitonas nos últimos 20 anos.



Para oferecer uma informação adequada a seus leitores, In Vino Viajas entrevistou um pequeno produtor do Rio Grande do Sul - na verdade um casal de produtores, Ricardo e Monica Ruschel, ele um jurista e ela uma professora de arte, que são um exemplo típico de um perfil de investidor neste setor no Brasil. Como na Itália, Portugal, Grécia e Espanha, os pequenos produtores – geralmente famílias – podem não ser os grandes exportadores, mas são eles que ajudam a manter a produção de azeites com personalidade, exatamente como acontece com vinhos. Veja a continuação desta história em outro post aqui em breve, quando vamos contar a história de quem está acreditando (e já vendo retorno) em transformar o Brasil em um produtor de azeitonas e azeite de oliva.

(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e gosta muito de azeites de qualidade em culinária de qualidade

 

sábado, 21 de setembro de 2013

Lençóis Maranhenses, Brasil: um deserto tropical com lagoas que secam, peixes que “surgem” e turistas que se encantam



Por Rogerio Ruschel (*)

O suor escorria da testa e misturado com o protetor solar 30 irritava meus olhos teóricamente protegidos por óculos escuros. Depois de 12 quilometros sacolejando e escorregando em uma estrada de areia grossa, agarrado onde podia em uma Toyota de 14 lugares, e de mais de 1 quilometro subindo e descendo dunas de até 6 metros, eu estava  quase desistindo.
 
E cá prá nós: só não desisti porque ao meu lado um casal de velhinhos japoneses continuava incentivando Jully, a neta de 8 anos, a não desistir. Estávamos, Marisa, minha mulher e eu, quase chegando à Lagoa do Peixe, no Parque Nacional Lençóis Maranhenses, uma área federal protegida e clássico destino de turismo ativo, na região nordeste do Brasil.

O roteiro que fazíamos era considerado leve, mas como era fim de temporada de verão, no mes de dezembro, as lagoas Azul e Bonita, as mais próximas do ponto onde costumam estacionar as Toyotas, estavam vazias – as lagoas ficam cheias entre maio e agosto. Mas valeu a pena, porque o visual é muito bonito e o banho - com água até o peito e cercado de peixinhos - é recompensador. 

Com seus 155 mil hectares, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é uma atração encantadora: um deserto tropical com oásis e centenas de lagoas formadas pelas chuvas e alimentadas pelo lençol freático, das quais 90% são temporárias e 70% têm peixes - e é verdade, porque eu vi.  Cientistas explicam que quando as lagoas secam ovos e larvas de peixes ficam no solo úmido, e quando a água volta, os peixinhos nascem. Como nunca viu peixes “chovendo” esta deve ser a única explicação viável…

O roteiro em Lençóis tem como entrada a cidade de Barreirinhas (abaixo), a 250 quilometros de São Luis do Maranhão e pode incluir trilhas avulsas, um passeio pelo rio Preguiças, o sobrevôo da região e uma "flutuação" em rio em Cardosa - além de boa gastronomia e da visita a lojinhas de artesanato em palha (especialmente buriti), madeira e tecidos.

O passeio pelo rio Preguiças (abaixo), feito num catamarã de 65 lugares na temporada, é demorado mas bonito, margeado por manguezais e bordado por palmeiras, brilhantemente azul no sol forte e vermelhão no fim da tarde. Embora sejam apenas 38 quilometros de Barreirinhas até a foz no oceano, a viagem pode demorar até 3 horas, o que é demais. 

No caminho visita-se Vassouras, ponto de acesso aos "Pequenos Lençóis" - região desértica que fica ao lado direito do rio e fora do Parque Nacional - onde foi construido um bar-restaurante como ponto de apoio para pescadores (e turistas), no qual a atração principal é conviver com um bando de macacos-prego, entre os quais o Pepe, que encanta os turistas com olhos suplicantes por bananas. E que encantou este repórter, como você pode ver nesta foto abaixo.

Outro ponto de parada é o vilarejo de Mandacaru (abaixo), onde o atrativo é subir os 160 degraus de um farol para ter uma maravilhosa vista panorâmica da região (abaixo) - com o sacrifício de enfrentar uma temperatura de até 40 graus Celsius na areia. 

Mais cinco minutos e se chega ao ponto final do passeio, o vilarejo de Caburé, uma ponta de areia de cerca de 400 metros que separa o rio Preguiças do mar, e onde foram construídas várias pousadas com boas opções de lazer como passeios com barco "voadeira" até a foz, uns 5 quilometros, piscina refrescante e gastronomia regional, simples mas deliciosa. 

A volta proporciona boas fotos ao por-do-sol para os que resistirem ao cansaço e preguiça sem pegar no sono. 

Embora arriscado porque o aeroporto de Barreirinha não é homologado, fiz um sobrevôo da região com um Cessna 210H, com asas superiores, para cinco lugares, mas acho que dei azar. Adentramos os Lençóis até o rio Negro, quase no centro do Parque Nacional, sobrevoamos o rio Preguiças e embora tenha tirado algumas fotos, me arrependi porque o avião era apertado e quente e fiquei desejando que pousasse logo…

(*) Rogerio Ruschel é jornalista e esteve em Lençois Maranhenses em 2005 a convite da CVC Turismo