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sábado, 2 de abril de 2016

Prefeito alentejano assume a presidência da Rede Europeia de Cidades do Vinho - RECEVIN


Meu estimado leitor ou leitora, o mundo do enoturismo, da cultura do vinho e do turismo de qualidade da Europa vai falar português pelos próximos três anos: José Calixto, Prefeito da cidade Reguengos de Monsaraz, no Alentejo, Portugal, foi eleito neste primeiro dia de Abril de 2016 o novo Presidente da RECEVIN – Rede Europeia de Cidades do Vinho, sucedendo ao italiano Pietro Iadanza. Na foto acima, Calixto, no centro, preside sua primeira reunião. A eleição foi realizada durante a Assembleia Geral da RECEVIN, em Valdobbiadene, localidade que em conjunto com Conegliano lidera o grupo de 15 cidades da região italiana do Prosecco Superiore que ostentam o título de Cidade Europeia do Vinho 2016.

A candidatura de José Calixto foi preparada com muita consistência e apresentada pela AMPV - Associação de Municípios Portugueses do Vinho, através dos dirigentes Pedro Ribeiro, presidente e José Arruda, secretário-geral, e foi aprovada pelo Conselheiros na Assembleia Geral da RECEVIN por causa do sucesso das comemorações de Reguengos de Monsaraz como a Cidade Europeia do Vinho durante o ano de 2015. O mandato de José Calixto terá a duração de três anos e junto com ele os prefeitos de Cartaxo, Lamego e Palmela assumem três vice-presidências da RECEVIN – o que é mais uma demonstração da capacidade de mobilização da AMPV e de gestão dos portugueses nesta atividade. Na foto acima parte da comitiva portuguesa em Conegliano.

A RECEVIN representa 800 cidades de toda a Europa que tem atividade vinícola de grande relevância econômica, social e cultural, através das associações nacionais de cidades do vinho que existem na maioria dos 10 países membros da rede: Alemanha, Áustria, Bulgária, Eslovênia, Espanha, França, Grécia, Hungria, Itália, Portugal e Sérvia (veja mapa abaixo). Entre as propostas para seu mandato, José Calixto afirmou que pretende “estabelecer uma estrutura de acesso aos fundos comunitários, constituir as Rotas do Vinho da Europa e trabalhar o enoturismo com todos os parceiros europeus, criar uma rede de Museus do Vinho da Europa e uma grande base de dados dos territórios vinhateiros da Europa”.

Conheço José Calixto e sou testemunha que é um grande líder, motivador, um camarada que “briga” por sua comunidade; acho que esta energia cantagiou os dirigentes da RECEVIN. Ainda não falei com ele depois da eleição, mas sua assessoria me informou que o novo Presidente da RECEVIN tem como objetivos “promover os interesses comuns das regiões vitícolas na economia europeia, reforçar a representação das diversas regiões junto das instituições europeias e posicionar um espaço/grupo de trabalho em Bruxelas que vise a defesa dos territórios produtores de vinho e, simultaneamente, valorize e aumente a dimensão da rede”. Na foto abaixo José Calixto com o Presidente de Portugal, Professor Marcelo Rebelo de Sousa.

José Calixto quer também “trabalhar em parceria com a AENOTUR para liderar um projeto mundial de enoturismo, consolidar institucionalmente a RECEVIN e rever e aperfeiçoar os seus estatutos, implementar estratégias que promovam o aumento de países e cidades europeias associadas da RECEVIN e criar instrumentos que aportem visibilidade para a rede”.

Pois eu acho que a agenda da nova diretoria da RECEVIN deveria incluir alguns temas de interesse estratégico como por exemplo:
1.     Apresentar os principios do Vademecum e da Carta Europeia de Enoturismo como modelo de melhores práticas na primeira Conferencia Mundial sobre Enoturismo da Organização Mundial do Turismo, na Georgia, de 7 a 9 de setembro de 2016
2.     Criar um banco de boas práticas e de estudos sobre mudanças climáticas associado a um concurso de Melhores Práticas de Gestão pela Sustentabilidade entre associados,  para identificar e valorizar iniciativas;
3.     Adotar perfil técnico pró-ativo além de político e realizar programas locais e regionais de cursos, eventos, seminários, jornadas técnicas e workshops para acelerar processos de transferência de conhecimentos entre associados
4.     Ampliar o Dia Europeu do Enoturismo para um período maior (mes do enoturismo) e para outros países das Americas, África do Sul e Australia, em parceria com a Aenotur e organizações nacionais de vinho e de turismo


 A cada ano o Alentejo vem ampliando seu reconhecimento no mundo do turismo europeu. Em 2014 foi eleita a melhor região vinícola do mundo para visitar pelos leitores do jornal USA TODAY, entre outros iníumeros prêmios. Ter sido a Cidade Europeia do Vinho em 2015 trouxe para a cidade portuguesa Reguengos de Monsaraz grande visibilidade na midia internacional e boas oportunidades de negócios para a cadeia de turismo da região e do Alentejo. (Na foto acima, Calixto posa com os palestrantes da Conferencia Internacional do Vinho e da Vinha, um dos muitos realizados em 2015). O número de visitantes cresceu 17,5% em relação a 2014 e em todo o ano foram registradas 160 mil visitas turísticas. A Igreja de Nossa Senhora da Lagoa, uma das atrações da vila medieval de Monsaraz, recebeu o maior número de visitantes registrados, 78.212 turistas.

Cerca de 60% dos visitantes eram portugueses e os demais 40% de 50 nacionalidades de paises distantes como Japão, Nova Zelândia, Argentina, China, África do Sul, Israel, Índia e Austrália – além do Brasil. O know-how promocional adquirido em 2015 será agora expandido pelos próximos três anos para cerca de 800 cidades europeias do vinho, uma tarefa que vai exigir  muita dedicação da equipe do prefeito e presidente José Calixto. Brindo a isso e desejo muito sucesso a todos!

Quer saber mais sobre o Alentejo? Digite Alentejo no espaço para Search/Procura, embaixo do nome do blogue: você vai encontrar muitas histórias interessantes. Ou então acesse aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2015/10/lembrancas-da-melhor-regiao-vinicola-do.html
(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo Brasil, mas tem a cabeça no melhor dos mundos - o das boas ideias


domingo, 27 de março de 2016

Conheça Cartaxo, a terra do vinho e da uva, do mais antigo Museu do Vinho de Portugal, da Festa do Vinho de Maio e sede da AMPV


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado amigo ou amiga, cartaxo é o nome de um pássaro em Portugal. Mas é também uma cidade, uma bela cidade portuguesa no Distrito de Santarém, cerca de 70 quilometros de Lisboa, que vem arrancando elogios de visitantes ilustres há séculos: Gil Vicente, o primeiro grande dramaturgo portugues em 1530 dizia que Cartaxo era uma das povoações mais bonitas de Portugal e Almeida Garrett, o impulsionador do teatro no país, também era fã da região, já nos anos 1840. Na foto abaixo o Mercado municipal.

Pela vizinhança com Santarém, Cartaxo (foto aérea, abaixo) certamente tem raizes bem antigas. A historia registra que o nome Cartaxo foi dado pela Rainha Santa Isabel, mulher do rei Dom Dinis. Aliás, Dom Dinis em 1.320 criou uma política pública que podíamos copiar no Brasil, 700 anos depois: ele isentou os agricultores de impostos por cinco anos se plantassem uvas para a produção de vinho!

Indo a Cartaxo aproveite para visitar Santarém, a capital do gótico português, cidade cuja fundação data de cerca de 800 anos AC e é citada nas mitologias greco-romana e cristã – veja abaixo foto da Igreja do Seminário de Santarém.

Cerca de 65% do território de Cartaxo é ocupado pela agricultura - especialmente pela vitivinicultura, realizada na região desde o século X com uvas tintas e brancas, atualmente uma sub-região com a DOC Ribatejo. A uva está até mesmo no brazão da cidade (veja abaixo) e a Adega Cooperativa do Cartaxo, com uma área de cerca de 1.000 hectares, na qual produz cerca de 7 milhões litros de vinho por ano, é a mais conhecida produtora da região – veja seus vinhos na foto abaixo.


Cartaxo é a sede da AMPV – a Associação que congrega cerca de 60 dos Municipios Portugueses do Vinho: em Cartaxo estão o presidente, Pedro Magalhães Ribeiro, também prefeito de Cartaxo e o secretário geral, José Arruda.


Lá está também o Museu Rural e do Vinho do Cartaxo, criado em 1984, o mais antigo museu sobre a temática do vinho e do mundo rural existente em Portugal. Ele fica na Quinta das Pratas, com cerca de 20 ha que recriam uma propriedade agrícola portuguesa do século XX, com adega restaurada e uma taberna, um espaço de convívio no meio rural – veja as fotos abaixo.

Cartaxo está na Rota dos Vinhos do Tejo (DOC Ribatejo) e tem várias festas ligadas a agricultura e ao vinho, além de participar ativamente do Dia do Enoturismo, em novembro, como mostra o cartaz abaixo.

Desde 1988 a cidade realiza uma conhecida Festa do Vinho, no começo de maio, evento que em 2015 reuniu cerca de 50 expositores e incluiu apresentação de novos vinhos, provas guiadas, seminário técnico, concursos, música, danças e gastronomia da melhor qualidade que ajudam a promover a fama da “Capital do Vinho”, uma mobilização criada pela Câmara Municipal em 2002 para dinamizar a atividade vinícola no municipio.

Outras duas festas ligadas ao vinho animam o calendário cultural de Cartaxo: a Festa das Vindimas e a Festa dos Fazendeiros. A Festa das Vindimas é realizada há mais de três décadas no mes de outubro em Vila Chã de Ourique, e um dos pontos altos é o Cortejo das Vindimas que sai às ruas mostrando as principais tarefas rurais montadas em carros alegóricos - como o alegre cidadão da foto abaixo.

De dois em dois anos, desde 1956, se realiza a Festa dos Fazendeiros no Domingo de Pascoela, um dos eventos mais típicos da freguesia de Pontével e do concelho (município) do Cartaxo. É uma festa popular na qual se apresentam tradições rurais e agrícolas, através do cortejo de carros alegóricos e da decoração de janelas e fachadas das casas da vila.

Estando em Cartaxo pense além do vinho e aproveite para conhecer o patrimônio cultural da cidade que deve incluir a Igreja Matriz de São João Batista (1522) veja foto acima e o vizinho Cruzeiro do Senhor dos Aflitos, do primeiro quartel do século XVI, tombado como Monumento Nacional e composto por uma imagem do Senhor dos Aflitos crucificado, esculpido em pedra, uma obra de grande valor artístico. Faça uma visita a Igreja de Nossa Senhora da Purificação, em Pontével, a Aldeia da Palhota, em Valada e ao Palácio dos Chavões, em Vila Chã de Ourique.

E não se esqueça de provar as delícias gastronômicas com o vinho da região, como o pão de trigo ou de milho, migas e magusto; os peixes sável, fataca e enguia além das tradicionais sardinhas assadas e do bacalhau; as carnes de porco, galinha ou coelho, toucinho e os chouriços.  Na foto acima, lombos de bacalhau com broa e chouriço, uma delicia, meu caro leitor ou leitora.
Então já sabe: boa viagem e bom apetite.

(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, e pretende visitar Cartaxo e Santarém em breve.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Aldeias vinhateiras de Portugal: veja como os portugueses valorizam o patrimônio cultural, a experiência turística e os ótimos vinhos das pequenas comunidades


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu caro leitor ou leitora, como você sabe o vinho é a expressão de uma comunidade, um terroir e um conjunto de tradições locais - e geralmente é o resultado de muitas décadas de aprendizado. No mundo todo é possivel encontrar pequenos vilarejos produzindo vinhos extraordinários. Em Portugal isto é uma realidade centenária e o país prestigia o patrimônio de suas aldeias (como a de Favaios, no Douro, acima) através de duas redes turísticas de aldeias e está lançando as bases de uma terceira organização, esta através da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) e de âmbito nacional. Conheça um pouco sobre isso a seguir.

A mais antiga é a ATA - Associação de Turismo de Aldeia, criada em 1999 para promover os territórios rurais em âmbito nacional, o que é feito pelo produto turístico “Aldeias de Portugal”. Atualmente as aldeias da rede são oito, estão localizadas nos municipios de Melgaço (onde fica a Aldeia Branda Aveleira, na foto acima), Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima e Vieira do Minho, na região dos Vinhos Verdes, no norte do país. Em cada aldeia há várias casas preparadas (com selo de qualidade, é claro) para receber turistas, com lugar para 2 até 6 pessoas. Na foto abaixo, a aldeia de Cabração, em Ponte de Lima;.

As Aldeias de Portugal realizam turismo no espaço rural, convidando o turista para uma estadia com total independência, numa casa rural, em plena natureza, e são promovidas turisticamente pela CENTER – Central Nacional do Turismo no Espaço Rural, uma agência especializada em Turismo Rural e Turismo de Habitação, que opera também as marcas Solares de Portugal e Casas no Campo. Abaixo a aldeia de Louredo, em Vieira do Minho. Saiba mais em http://www.aldeiasdeportugal.pt/PT/index.php

A outra rede integra o projeto das Aldeias Vinhateiras do Douro, denominação criada em 2001 e que atualmente é formada por seis aldeias que se destacam pela riqueza cultural e pelas paisagens únicas da região do Douro. São elas as Barcos, Favaios, Provesende (foto abaixo), Salzedas, Trevões e Ucanha e oferecem experiências únicas através do seu património, da sua gastronomia e da natureza envolvente.
A valorização turística foi reafirmada em 2007, ano em que foi realizada a primeira edição do Festival das Aldeias Vinhateiras nos meses de setembro e outubro, com jogos populares, artesanato ao vivo, música popular, degustação de produtos, espetáculos e festas nas ruas e muita animação temperadas pela gastronomia e pelo vinho locais – o que, meu caro leitor ou leitora, não é pouca coisa porque os vinhos são do Douro! Na foto abaixo a aldeia de Salzedas. Desde 2013 a rede tem um guia de turismo e sua gestão é feita pela Associação de Desenvolvimento Wine Villages – ADRAV Douro. Saiba mais em http://dourovalley.eu/aldeias_vinhateiras_1

Mas como os portugueses acreditam que sua cultura e tradição são elementos-chave de seu conceito de desenvolvimento como Nação, não vão parar por ai e fico feliz em compartilhar com você esta noticia: dia 26 de fevereiro de 2016 a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) deu o primeiro passo formal para a criação de mais uma rede de aldeias vinhateiras – e desta vez em âmbito nacional.

A proposta está baseada na experiência das Aldeias Vinhateiras do Douro que vem ajudando bastante na consolidação do turismo na região Norte de Portugal e pode reunir dezeas de aldeias em todo o país - a AMPV espera que até junho as aldeias interessadas já estejam participando do projeto. E só para lembrar, como a Associação de Municípios Portugueses do Vinho já coordena a Rede de Museus Portugueses do Vinho - que reúne entidades de cerca de duas dezenas de municípios associados e que está sendo consolidada neste ano de 2016 – fico imaginando o belo produto turístico que poderá ser criado quando as duas redes operarem em conjunto! Nas fotos acima e abaixo, imagens de vinícolas em Santar, concelho de Nelas.
A proposta da Rede Portuguesa de Aldeias Vinhateiras foi apresentada por José Arruda, Secretário-Geral da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) em reunião no Concelho de Nelas. Nelas, que realiza uma conhecida Feira do Vinho do Dão, é uma cidade que fica no Distrito de Viseu, pertencente a região demarcada dos vinhos do Dão, e vizinha da Serra da Estrela, onde são produzidos os badalados queijos da Serra da Estrela D.O.P. - Demoninação de Origem Protegida.  Na foto abaixo a aldeia de Branda da Aveleira, na freguesia de Gave, Concelho de Melgaço.

O objetivo da AMPV é promover o desenvolvimento sustentável de localidades onde o vinho tenha uma posição de destaque cultural e econômico. Como disse Arruda, "Entendemos que é importante promover a nível nacional uma rede de aldeias vinhateiras, baseando-nos numa experiência que foi feita no Douro, com seis aldeias vinhateiras. Esta rede terá muito a acrescentar em termos de oferta futura de enoturismo". Abaixo, foto da aldeia de Ucanha.
Entre os quase 70 municipios associados a AMPV, muitos deles poderão participar da rede de Aldeias Vinhateiras, como Vidigueira, Cartaxo, Palmela, Loures, Gouveia, Penalva do Castelo, Régua, Melgaço, Mealhada e a própria Nelas que deve participar através de sua Vila Histórica de Santar, aldeia reconhecida pela qualidade do vinho e pelo  valioso patrimônio cultural. Nelas realiza a Feira do Vinho do Dão, que conta já com 25 edições e que poderá ajudar a divulgar as atrações da vila de Santar. Abaixo, vinhedo na Rota dos Vinhos do Dão.


Na reunião estiveram representantes dos municípios de Vidigueira, Cartaxo, Palmela, Loures, Gouveia, Penalva do Castelo, Régua, Melgaço e Mealhada, que vão avaliar a participação. A Rede poderá ser constituída por aldeias e vilas de muitos dos 68 municípios associados à AMPV, e além da revitalização socioeconômica e da promoção dos vinhos locais, poderá ajudar na dinamização dos seus valores simbólicos como a ruralidade, autenticidade, patrimônio, natureza, tradições e gastronomia. Saiba mais sobre a AMPV em http://www.ampv.pt/


Trata-se de um projeto que vai preservar e promover a identidade cultural e potencializar o desenvolvimento econômico de pequenos núcleos comunitários. Eu acredito piamente que é nos pequenos núcleos comunitários do mundo que pode se encontrar os melhores representantes destas criaturas que chamamos de seres humanos. Por isso brindo aos amigos portugueses que estão trabalhando para homenagear o passado, vaalorizar o presente e construir o futuro através do respeito as aldeias vinhateiras.

(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, uma cidade com 11,32 milhões de habitantes que não é exatamente uma aldeia vinhateira



 


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Veja porque Lagoa, no Algarve – que tem uma das praias mais lindas do mundo - foi eleita a Cidade do Vinho 2016 de Portugal


Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado leitor ou leitora, anote: Lagoa, uma pequena cidade com menos de 6.000 habitantes na região do Faro, no Algarve, bem no sul de Portugal, vai aparecer com mais frequência em publicações de enoturismo e turismo neste ano de 2016. É que ela foi eleita a Cidade do Vinho de Portugal 2016 pela AMPV – Associação dos Municípios Portugueses do Vinho.
Lagoa substitui Reguengos de Monsaraz, do Alentejo, que foi a Cidade do Vinho 2015 – e que apresentei aos leitores em vários reportagens. Para vencer a concorrência da AMPV, Lagoa apresentou um grande projeto envolvendo quase todos os municípios do Algarve e uma centena de instituições ligadas ao mundo do vinho, da gastronomia, do turismo, da agricultura, dos negócios e do desenvolvimento em geral.

Desidério Silva, Presidente da RTA - Região de Turismo do Algarve, informou que o enoturismo complementa a oferta turística da região e que “em 2016 todo o Algarve estará em festa para celebrar a gastronomia e os vinhos do maior destino turístico português”.  E o projeto apresentado promete realizar um grande conjunto de eventos e iniciativas de cultura, esportes, gastronomia, patrimônio e turismo durante 2016. Evidentemente In Vino Viajas vai acompanhar e documentar tudo para você.
O município é considerado um centro da agricultura no Algarve; sua outra mais importante atividade econômica é o turismo, especialmente ao longo da costa, nas áreas de Carvoeiro e Ferragudo, que alia patrimônio histórico, identidade regional, gastronomia supimpa e muitas praias ensolaradas (abaixo) – entre as quais a praia da Marinha, de prestigio internacional, na foto acima - e campos de golfe como o Gramacho e o Pinta, que fazem parte do Pestana Golf Resort, e o Campo do Vale de Milho com nove buracos. 


O Convento de São José (detalhe do claustro, abaixo), construído em 1738, na parte histórica de Lagoa é o ícone da cidade. No jardim do convento está um menir proveniente da região de Porches, com origem entre 5000 a 4000 A.C. Hoje o convento é o Centro Cultural da cidade e sedia exposições de pintura, fotografia e escultura, concertos e peças de teatro, palestras e pequenas feiras. 

Outros patrimônios arquitetônicos e históricos são o Castelo de São João do Arade, de 1643, no bairro Ferragudo (foto abaixo); o Forte com a capela da Nossa Senhora da Rocha, também denominado Castelo de Porches, que aparece em registros do ano 1250, também abaixo; e a igreja de Nossa Senhora da Luz, no centro da cidade, reconstruída em finais do século XVIII após o terremoto de 1755, que mantém a porta original do século XVI. 


A cidade fica a apenas 7 quilometros do litoral e tem tradição vinícola ancestral, que foi perdida mas está em recuperação. O Algarve é uma das regiões mais quentes de Portugal, favorecendo a produção de vinhos brancos e rosés frescos e atraentes com as uvas Siria, Arinto, Perrum, Malvasia Fina, Manteúdo e Negra Mole e e tintos aromáticos e elegantes especialmente com as uvas Touriga, Alicante, Castelão, Aragonez, Trincadeira e Negra-Mole. Existem quatro DOCs na região: Lagos, Portimão, Lagoa e Tavira, mas os melhores vinhos estão na denominação genérica de Vinho Regional Algarve porque têm regras mais flexíveis e fazem blends das castas autorizadas com ótimas surpresas.

Lagoa já teve uma produção muito maior do que atualmente e sedia quatro vinícolas - outras três vão iniciar a produção em 2016. Uma das vinícolas, a Quinta dos Vales (acima e abaixo) em Estômbar, é uma combinação de adega com um centro de arte montado no coração dos vinhedos. A vinícola recebe muitos visitantes que procuram os bons vinhos e exposições de escultura moderna. 

A Única - Adega Cooperativa da Lagoa (foto abaixo) tem 64 anos, vários rótulos com premios internacionais e também organiza degustações de vinhos e visitas guiadas às vinhas; no verão aproveita seus mais de 26.000 metros quadrados de área e realiza a Feira Fatacil onde é possivel conhecer os maiores produtores da região e também a produção de artesanato, turismo, agricultura, comércio e indústria do Algarve – além, é claro, de degustar a gastronomia local.


Foi de Lagoa e da vizinha Tavira que no final do século XIX, quando a filoxera devastou os vinhedos da região do Douro (bem como de quase toda a Europa), milhares de pipas de vinho foram enviadas para Gaia, para que o Douro não parasse de produzir os vinhos do Porto.

O Algarve, bem no sul do país, é frequentemente citado como um dos melhores lugares do mundo para morar depois de aposentadoria; quando você for conhecer suas atrações enotrísticas, saiba que a Rota dos Vinhos do Algarve tem quatro roteiros e muitos vinhos para provar. 
In Vino Viajas já solicitou entrevista com o prefeito de Lagoa, o Sr. Francisco Martins, que com certeza vai nos atender porque os portugueses são sempre educados e atenciosos. Assim você e os demais leitores de 129 países que me prestigiam com sua leitura, vão poder acompanhar as iniciativas da Cidade do Vinho 2016 de Portugal.

Para saber mais sobre as rotas de vinhos, veja o que já publicamos sobre o Algarve aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2014/10/algarve-portugal-eleito-o-melhor-lugar.html 


(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, e espera conhecer Lagoa e a região do Algarve em 2016.