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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Um brinde ao novo e melhor: In Vino Viajas começa 2017 com nova imagem, em novo endereço, mais moderno, mais elegante e com mais serviços; este é o último post aqui.

 
Por Rogerio Ruschel (*)
Estimado leitor ou leitora: bem-vindo ao Ano Novo de 2017 e ao novo In Vino Viajas. Depois de quatro anos e meio de crescimento seguro e rápido, In Vino Viajas vai começar o ano mais bonito, mais moderno, mais elegante, mais dinâmico e com mais serviços em um novo endereço que você vai conhecer em http://www.invinoviajas.com/ Hoje In Vino Viajas tem leitores em 136 países, especialmente no Brasil, Estados Unidos e Portugal, pessoas de bom gosto que apreciam histórias que divertem, informam e sensibilizam – veja abaixo o quadro com os 5 países com maior número de visualizações.
No novo endereço as mudanças começam pela plataforma, de Blogspot para Wordpress, o que vai permitir mais agilidade na publicação e melhor leitura em aparelhos móveis como celulares, tablets e smartwatches e em equipamentos convencionais como desktops, notebooks e handhelds. Eu, que sou o editor, vou ganhar uma série de novos recursos para trabalhar e isso aos poucos vai se transformar em muitas novidades para os leitores.
Alem das facilidades operacionais, o novo In Vino Viajas será uma plataforma de internet incorporando vários recursos que vão dinamizar o jornalismo de qualidade que o levou a ser o mais importante site de cultura do vinho da America Latina, entre os quais:
·      um canal próprio no Youtube para que possamos transmitir eventos e festas populares, publicar cursos, fazer matérias on-the-road e entrevistar pessoas que fazem a cultura do vinho mais dinâmica e mais importante para todos;
·      um endereço exclusivo no Instagram para publicar imagens, quadros e estatísticas para profissionais, mostrar as melhores fotos de nossas viagens e publicar as fotos dos nossos leitores que queriam compartilhar suas lembranças;
·      uma plataforma de captação, formatação e envio de endereços eletrônicos de leitores e pessoas interessadas na cultura do vinho, no enoturismo e no turismo de qualidade que vai permitir o compartilhamento de reportagens jornalísticas na forma de newsletters e revistas eletrônicas;
·      canais próprios no Facebook e Twitter para estreitar relacionamento com amigos e leitores, todos pessoas de muito bom gosto que viajam por lugares incríveis e que poderão compartilhar sua alegria de viver.
Até o fim de novembro de 2016 In Vino Viajas havia publicado 430 reportagens e atingido o número de 33.882 acessos por mes – veja o quadro abaixo.
Com estes novos canais vamos poder ampliar o leque de cobertura, aumentar a base de leitores, atender segmentos específicos de interesse e oferecer serviços de jornalismo, comunicação e promoção de maneira mais objetiva para comunidades, entidades representativas, empresas e instituições associativas, setoriais e de desenvolvimento. Atualmente já oferecemos alguns desses serviços e estes novos recursos nos ajudarão a manter a independência econômica que se traduz em jornalismo independente, profissional e de qualidade. Entre estes serviços estão:
·      Ampliação da oferta de cursos e palestras do editor, Prof. Rogerio Ruschel (na foto abaixo), em eventos regionais, congressos, seminários e wortkshops. Temos feito isso na America Latina e na Europa abordando temas como por exemplo: estatísticas com os melhores indicadores dos resultados do Enogastroturismo; planejamento estratégico de marketing do Enoturismo; como o marketing de território pode agregar valor ao patrimônio comunitário; lições de sucesso no marketing do Turismo; casos de sucesso no uso das mídias sociais na Promoção de Vinhos, Enoturismo e Turismo Cultural; ideias para promover um destino nas midias sociais; histórias divertidas e interessantes de 8.000 anos de cultura do vinho no mundo;
·      Publicação de reportagens contratadas. Eu mesmo, como editor, ou jornalistas de In Vino Viajas vão visitar, pesquisar, entrevistar e fotografar os patrimônios humano, histórico, cultural, econômico e social de uma região e publicar reportagens que serão lidas pelos milhares de leitores do site, mas que poderão ter um alcance multiplicado, com baixo custo, com o aproveitamento do material jornalístico nos canais de YouTube, Instagram, Facebook, Twitter e nas publicações especiais e revista eletrônica;
·      Publicação de livros impressos e e-books de caráter técnico para profissionais, como por exemplo, um livro com nossa palestra com “50 ideias promocionais bem sucedidas em enoturismo em todo o mundo” ou guias de viagens diferenciadas em regiões de alto interesse turístico ou estratégico para a cultura do vinho no mundo. O primeiro e-book sobre "5 delícias de Paris" já está disponível para você baixar, e é grátis!
Em eventos internacionais In Vino Viajas é referido como um exemplo de storytelling no jornalismo da cultura do vinho. Já publiquei 430 reportagens contando historias sobre vinhedos, vinhos, queijos, gastronomia, azeite de oliva, frios, temperos e produtos alimentícios típicos. Pesquiso no mundo inteiro, entrevisto profissionais, dirigentes e lideranças relacionadas à cultura do vinho, vinhos, enoturismo e turismo de qualidade.
Escrevo também sobre patrimônio histórico rural e urbano, arquitetura, parques, jardins, museus e eventos culturais que animam as pequenas comunidades ou agitam as grandes cidades, porque sei que isso tem valor para quem se ama e ama seu país. Como os tchecos, turcos, norte-americanos, italianos e outros cidadãos que estavam acessando In Vino Viajas ao mesmo tempo como mostra a imagem abaixo.

Escrevo sobre arquitetura de vinícolas, bares e lojas de vinhos interessantes ou curiosas; sobre novidades de enologia e viticultura e sobre marketing, para compartilhar boas ideias entre os leitores que produzem, distribuem ou vendem serviços como turismo ou produtos como vinhos e azeites. Escrevo sobre as belezas do Brasil e fico muito feliz quando vejo que pessoas do mundo inteiro lendo sobre meu país – como, por exemplo, um leitor do Uzbequistão, na Ásia Central, lendo sobre o Mercado Ver-o-Peso, de Belém do Pará (abaixo).

Escrevo sobre meio ambiente, impactos ambientais, estratégias e produtos mais sustentáveis; vinhos biológicos, orgânicos, biodinâmicos e naturais e vejo que a cada dia mais leitores querem se informar e mais organizações querem debater esse assunto, o que me leva a fazer palestras como em um curso sobre vinhos eco, micro, top e show na Universidade de Valência, Espanha, em 2015.

In Vino Viajas tem sido, desde 2012, um contador de histórias, um storyteller. E agora, a partir deste início de 2017 iniciamos esta nova fase com um site mais moderno, mais elegante, mais abrangente e com mais serviços para continuar contando estas histórias que tem conquistado o carinho de milhares de leitores, no mundo inteiro.
Obrigado pelo prestígio. Agora convido você a vir comigo e olhar para o futuro. Conheça já o novo site em http://www.invinoviajas.com/ 
Saúde!
 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Leite fresco 24 horas em caixas automáticas e hortas orgânicas na creche comunitária: conheça duas ideias sustentáveis de vilarejos de Rhone-Alpes, França


Por Rogerio Ruschel (*)
Estimado leitor ou leitora, como você sabe, o foco de In Vino Viajas é o vinho e as historias que o cercam - a cultura do vinho. Mas você e eu também gostamos de queijos e alimentos orgânicos – e estes produtos vêm da terra. Então vou mostrar duas pequenas grandes ideias criativas com foco na sustentabilidade que conheci na região francesa de Rhone-Alpes, bem perto da fronteira com a Suiça. Uma delas você está vendo na foto acima: uma caixa automática de leite fresco, o que se poderia chamar de uma vaca eletrônica.

A caixa automática está implantada na rua central de Saint Gennis Poully, um vilarejo com 8.500 moradores no Departamento de Ain, Cantão de Ferney-Voltaire, em Auvergne-Rhone-Alpes, França. A caixa automática é abastecida todos os dias as 6:00 horas da manhã e pode ser comprada a qualquer momento. Um litro de leite fresco e cru, que sai geladinho de uma torneira acionada pelo comprador, custa em torno de R$ 4,00 incluindo a garrafa de vidro (veja detalhes acima e abaixo).

Não sei se eles tem uma cooperativa para a produção e entrega do leite, ou se é uma empresa que compra e explora o ponto de venda automático; o que importa é que o leite fresco está disponível a qualquer momento para moradores e visitantes e era muito gostoso!

A igreja de Pouilly-St-Genis apareceu pela primeira vez nos mapas religiosos no atlas histórico de G. Debombourg com o nome latino de Pulliam, na época do segundo reinado de Bourgogne, entre os anos de 879-1032.  E se hoje a igreja não é significativa, outra atração turística de Pouilly-St-Genis são os painéis pintados nos prédios; veja acima e abaixo alguns deles.


Pouilly-St-Genis fica no sopé do Jura, a cadeia de montanhas que fica na fronteira com a Suíça, na área transfronteiriça de Genebra. Por isso grande parte do CERN, o acelerador de partículas de Genebra e maior laboratório de pesquisa de física fundamental do mundo, está localizado no território do vilarejo desde meados da década de 1960. O experimento ALICE está localizado na periferia da cidade, e a entrada principal para o campus primário do CERN (Meyrin) e para o experimento ATLAS estão localizados apenas a 3 km do centro de St Genis. Isto tudo aquece a economia local. Visitei o CERN (foto abaixo), que você pode conhecer aqui: http://invinoviajas.blogspot.com.br/2013/10/conheca-o-cern-o-acelerador-de.html
E por falar em  economia local: a caixa automáticva de leite foi fabricada em Chênex, uma pequena comunidade próxima de Pouilly-St-Genis, na região de Rhone-Alpes, no departamento de Haute-Savoie, a uns 8 Km da fronteira com a Suíça. A comunidade de Chênex foi fundada na Idade Média, com o primeiro registro no ano de 1344 e tem como principal atividade a agricultura e o turismo relacionado com a qualidade de vida já que é cercada por áreas verdes. Tudo muito ecológico, muito verde, como a foto abaixo mostra. 

Pois para harmonizar a vida ecológica que os “Chênexiennes” são obrigados a ter, o município decidiu potencializar o principal recurso que tinha – terra para plantar – e criou as hortas comunitárias. As hortas ou jardins familiares, como eles chamam oficialmente, são áreas de 25 m2 a 50 m2 de propriedade pública ao lado da creche municipal, cedidas por um pequeno valor aos moradores interessados em plantar alimentos orgânicos. Veja o cartaz promocional abaixo. Cada “inquilino” deve implementar uma cultura que atenda sua família e que possa trocar com outros, oferecendo o que eles chamam de “uma melhor convivência comunitária.” E obviamente é proibida a venda ou qualquer atividade comercial. Simples e criativo, não? 

Mas aqui está o melhor: porque fazer hortas? Os  “Chênexiennes” acreditam que as hortas criam laços sociais entre os cidadãos porque promovem celebrações e intercâmbios porque os participantes se comprometem e a respeitar outros jardineiros, seus vizinhos na comunidade. Alem disso a ideia incentiva a produção e o consumo de produtos orgânicos, promove o relacionamento entre diferentes gerações e ainda disponibilizam as crianças da creche uma ferramenta didática. Isso é o que eu chamo de pequena grande ideia de quem olha para o futuro.

Um brinde a isso – com leite e vinho!

(*) Rogerio Ruschel é editor de In Vino Viajas e divulga ideias sustentáveis, mesmo que sejam pequenas


 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

In Vino Viajas revela o conteúdo que está por trás das elegantes gravatas borboleta de Didu Russo, o apaixonado descomplicador de vinhos do Brasil


Por Rogerio Ruschel (*)
EXCLUSIVO - Meu prezado leitor ou leitora, Didu Russo, o elegante cavalheiro da foto acima, é um dos mais conhecidos críticos de vinhos do Brasil, porque além de ter conteúdo, é apaixonado pelo que faz. Didu abandonou uma carreira no mundo das comunicações para trabalhar com vinhos e hoje, quase 20 anos depois, como ele mesmo diz, “consegui conquistar espaço sendo eu mesmo e sem precisar concessões, mesmo vivendo de publicidade. Não vendo vinho e não trabalho para nenhum produtor ou importador.” Eduardo (Didu) Russo, casado e pai de tres filhos, é culto, gentil e educado e trabalha para ajudar consumidores e profissionais a conhecer e valorizar vinhos bons, vinhos brasileiros e vinhos naturebas – talvez nesta ordem. Didu Russo me concedeu esta entrevista exclusiva em duas etapas - numa delas (foto abaixo) ele estava sem uma de suas mais de 100 gravatas borboleta – uma raridade.

Ruschel - Você é um profissional de marketing e comunicação, trabalhou em emissoras de TV e na maior editora da America Latina. Quando saiu e porque?
Didu - Sou oriundo da área de marketing e comunicação. Trabalhei por trinta anos em veículos de comunicação na Editora Globo, Editora Manchete, Gazeta Mercantil, Editora Abril, SBT e TV Record, além de ter tido uma produtora de vídeo. Deixei o mercado por absoluto tédio com a invasão de jovens burocráticos e com a excepcional falta de ética que invadiu a publicidade nos anos 90. O que era charmoso, pagava bem e tinha uma certa ética, descambou, pagando mal, perdendo o charme e com devoluções de comissões de agência para o cliente ou funcionário do cliente e levando o mercado a viver de bonificações das emissoras/editoras. Me desencantou demais e até hoje me incomoda ver a expressão "Marketing" usada como sinônimo de engodo. Mas foi bom pois fui para o vinho onde sou muito feliz. Na foto abaixo, em foto de Gladstone Campos.

Ruschel - O que você tem a ver com a Fecomércio?
Didu - Sou Diretor do Cecomercio, que é o Centro do Comercio, um braço da Fecomercio que tem mais liberdade de ação. Lá fui convidado a usar a entidade para o vinho, já que o comercio de São Paulo representa mais de 50% do consumo nacional da bebida. Então criamos o Comitê do Vinho que fez muito sucesso com os Debates do Vinho Fecomercio em 2012 com a questão do Selo Fiscal e em 2013 com a questão das Salvaguardas. Acho que cumprimos nosso papel. Hoje o Comitê do Vinho infelizmente foi suspenso, pois de um lado a Fecomercio estava preocupada em ter mais gente do comércio do vinho na entidade - o que não aconteceu - e de outro lado o Comitê não teve a adesão do setor, como acontece sempre no vinho. Todos gostam de ver alguém carregando o piano, mas poucos o carregam; neste caso foram muito poucos os que se mantiveram participantes.


Ruschel - Desde quando você trabalha com vinhos? O que ainda gostaria de fazer? Hoje você trabalha apenas com vinhos?
Didu - Meu trabalho com o vinho começou em 1998 com um bar de vinhos que abri antes da hora e quebrou, porque eu vendia 32 vinhos em taça, até Barolo tinha em taça! Claro que não funcionou em 1998, estava muito a frente, porém lá nasceu a Confraria dos Sommeliers (que reúne os principais Sommeliers de SP mensalmente para degustar algum tema); lá nasceu um curso, o “Nem Leigo Nem Expert, que virou livro impresso (esgotado) e em versão áudio livro (disponível) e lá nasceu o Didu Russo, colunista de Vinhos. Hoje meu trabalho no vinho se resume a fazer palestras, editar meu site www.didu.com.br <http://www.didu.com.br> , o que não é pouco, uma vez que todos os dias tenho no mínimo um post, escrever artigos para várias publicações e participar de degustações, almoços, jantares, eventos, feiras, viagens, etc. Eu adoro o mundo do vinho pois consegui conquistar espaço sendo eu mesmo e sem precisar concessões, mesmo vivendo de publicidade. Não vendo vinho e não trabalho para nenhum produtor ou importador.

O Brasil poderia ter instantaneamente dez vezes mais consumidores do que tem, mas o setor não se mexe para isso e a imprensa do vinho ídem, usando termos sofisticados, fazendo da bebida um mundo de Barões e Marqueses, coisa absolutamente distante da realidade.

Ruschel - O que é descomplicar o vinho?
Didu - Descomplicar o vinho para mim é falar com quem não sabe nada de vinho, sem espantá-lo. O Brasil poderia ter instantaneamente dez vezes mais consumidores do que tem, mas o setor não se mexe para isso e a imprensa do vinho ídem, usando termos sofisticados, fazendo da bebida um mundo de Barões e Marqueses, coisa absolutamente distante da realidade. O mundo do vinho não tem que ser sofisticado, tem que ser do complemento alimentar. Uma taça por refeição.

Ruschel -  Voce é um grande incentivador de vinhos ecológicos, biodinâmicos, naturais, mais sustentáveis. Os naturebas são melhores (em sabor) do que os vinhos convencionais?
Didu - Sou mesmo um grande incentivador e apreciador de vinhos naturebas. Principalmente os biodinâmicos que "secondo me..." é a forma mais inteligente do ser humano lidar com a agricultura. Aqui é preciso separar as coisas e o assunto é longo, não vou cansar os seus leitores com isso, mas biodinâmicos são vinhos numa categoria acima dos outros. Orgânicos já são um caminho, mas biodinâmicos são bem acima em termos de sinceridade e sotaque do local. Os naturais, se forem de vinhedos biodinâmicos então são o supra sumo para mim atualmente, pois a ausência de SO2 adicionado, apenas o produzido pela própria fermentação da uva, refletem a realidade do lugar, do ano e do produtor. Inimitável e nunca se repetirá. Eu adoro isso num vinho, a sinceridade. Na foto abaixo algumas das gravatas borboleta do Didu descansam ao sol...

Ruschel - Isso já acontece em outros lugares do mundo?
Didu - Sim, no mundo todo se verifica esse caminho. Há inclusive várias feiras de vinhos assim, até a Vinitaly abriu espaço para o ViviT onde se encontram produtores naturebas de todo mundo. O segmento que mais cresce no mundo hoje, e não é só no vinho, é esse, o dos Orgânicos, Biodinâmicos e Naturais, embora já exista muita coisa falsa por aí por conta do modismo. Mas para mim é um movimento irreversível, pois o jovem lúcido quer consumir coisas puras e autênticas.

Ruschel - O Brasil já tem bons vinhos assim?
Didu- Sim, o Brasil tem vinhos assim que têm chamado a atenção de grandes craques do mundo do vinho, como Pierre Overnoy e Josko Gravner, por exemplo. Posso citar de cabeça os vinhos da Era dos Ventos, de Alvaro Escher e Luiz Henrique Zanini; do Atelier Tormentas, do Marco Danielle; do Eduardo Zenker das Vinhas da Loucura (este o mais livre e criativo de todos); da Marina Santos, da Vinha Una (a mais séria e dedicada, biodinâmica na raiz); da Lizete Vicari do Dominio Vicari; do De Lucca, do Vinhedo Serena, o primeiro vinhedo biodinâmico do Brasil; dos biodinâmicos da Santa Augusta de Santa Catarina; os do paulista Entre Vilas, para citar alguns. Sim, temos ótimos e vamos ter muitos mais.

Ruschel -  Você é pai da Lis Cereja, sócia da Enoteca Saint Vinsaint. Você tirou a roupa para promover uma iniciativa da filha. Como foi isso? Foi bom pra você? Recebeu criticas?
Didu - Hahahaahahaaaa… não, não sou pai da Lis e nem sou dono da Enoteca Saint Vin Saint. Eu sou sogro da Lis Cereja, bem que queria ter uma filha como ela. Linda, aplicada, inteligente, bem formada, cozinha como poucos, adora os Naturebas e vive como Natureba com seu marido Ramatis, este sim meu filho, o que está com a a galinha no colo naquela foto que fez tanto sucesso, ou ao menos grande repercussão… (veja foto acima). Eu já era para ter saído no ano anterior, mas estava viajando. Mas foi super tranqüilo, nós rimos a valer, não tenho o menor problema com isso não, porém tenho consciência que chocou muita gente, muitos me acham meio doido e sei que muitos têm uma inveja danada. Me divirto com isso. Para você ter uma idéia, a foto em minha página pública do facebook teve mais de cinco mil acessos em dois dias e ninguém fez um comentário sequer… hahahahhaaa acho que chocou a muitos. Nós nos divertimos e foi bom para promover a Feira de Naturebas que só cresce. Na foto abaixo Didu com seus tres filhos.

Ruschel - Qual a verdadeira vocação do Brasil em vitivinicultura? Quais as uvas; quais os produtos; quais os canais; quais os mercados?
Didu - Eu acredito que o Brasil tem um potencial enorme em vitivinicultura, seja nos vinhos convencionais, seja nos Naturebas. A aptidão para espumantes é clara e confirmada na performance do segmento que sempre cresce e é o primeiro a ser elogiado por qualquer estrangeiro. Os Moscatéis deveriam ser pormocionados mais e os produtores deveriam perder a vergonha que têm desse produto. Para o europeu ele oferece menos dulçor e maior álcool que os Asti, eles adoram. Nos vinhos tintos começamos a desistir de copiar os vinho que não são. Antes queriam ser chilenos e começam a ver que seu caminho é o frescor e a fruta, acho que isso trará muito sucesso a eles. Os Naturebas, como disse anteriormente, têm grande potencial e vão crescer muito acredito. Com o tempo os consumidores vão procurar vinhos que reflitam seu lugar. Isso terá muito valor.

Porém considero que o Brasil precisa se assumir como um novo local para vinhos. Não podemos imitar, temos que ter orgulho de nosso sotaque. Não há cabimento querer fazer um vinho que não tem aptidão do clima ou solo. Os vinhos que se está conseguindo com poda invertida estão apresentando ótimos resultados; agora mesmo acabo de voltar do Concours Mondial Bruxelles Edição Brasil, onde um dos medalhados foi um syrah feito com poda invertia em Campos do Jordão! Quem poderia imaginar isso? É o ser humano se adaptando ao local dentro de seu conhecimento. Há limites, não se pode querer produzir vinho onde não haja aptidão, acredito.

Considero que se deve tentar tudo e vender ao mundo essa curiosidade, esse inusitado, esse exotismo. Penso que o estrangeiro quer se surpreender com algo autêntico, bom, mas que tenha personalidade. O Rio Sol, dos portugueses da ViniBrasil é um desses casos. Disse a eles que se fosse jovem, seria representante deles na Europa e ficaria rico. Explico: eles snao produzidos em um lugar onde é a poda e a irrigação que determinam a safra e em uma fazenda dividida em 25 parcelas, onde a cada 15 dias se tem uma colheita! Eu iria fazer uma caixa com 12 safras do mesmo vinho, do mesmo ano. Quem tem isso? Um Rio Sol Syrah 2012/Janeiro, um 2012/fevereiro e assim por diante. Que consumidor de vinhos não iria querer conhecer isso? Quem pode oferecer isso?

Aroma como xixi de gato do Sauvignon Blanc de Bordeaux é legal e o picles de Farroupilha é defeito? O animal em Bordeaux é legal, mas o bacon do Zenker é defeito?


Então acredito que estamos engatinhando no mundo vinho por aqui. Não sabemos nada de nosso terroir. Os vinhos do Zenker têm em seu primeiro ano um traço de aroma de bacon!? Depois desaparece… Também os vinhos de De Lucca que apresentam um traço de picles!? Seria Terroir dele? Se o vinho usa as próprias leveduras e não tem interferência, acredito que sim, mas quem sabe? O que se estudou de lá? Mas os críticos torcem o nariz e preferem decretar que se trata de defeito para não saírem de sua zona de conforto de uma roda de aromas desenvolvida no século passado para vinhos de Bordeaux. Ora, eu pergunto: Quer dizer que aromas como xixi de gato do Sauvignon Blanc de Bordeaux é legal e o picles de Farroupilha é defeito? Que o animal em Bordeaux é legal, mas o bacon do Zenker é defeito?  Secondo me falta humildade da crítica. Falta humildade para se aprender com o vinho brasileiro. Terroir não é algo que todos conhecem e muito menos que replica Bordeaux. Há que estudar, testar e conhecer - e isso leva séculos. Mas vejo enorme potencial para nossos brasucas.


Ruschel - Qual o melhor terroir do Brasil? Você acredita que o Brasil tem muitos terroirs ainda não conhecidos, como no Estado de São Paulo?
Didu - Acho que qualquer pessoa que decrete um "melhor terroir" brasileiro está sendo inconseqüente. Não temos história para isso. Quem conhece o terroir de São Bento do Sapucaí? Lá o Rodrigo Veraldi produz diversas castas, com cultivo orgânico e com cobertura de plástico na época de chuvas para não ter que lançar mão da poda invertida, seus vinhos são de leveduras indígenas (algo que considero fundamental para se poder discutir terroir), muito poucos conhecem, mas é uma amostra. Porém em São Paulo há um estudo da Embrapa feito a pedido do SPVinho, entidade que deverá incentivar e apoiar o desenvolvimento do vinho paulista que mostra a similaridade de clima de 90% do Estado de São Paulo, com zonas conhecidas e famosas da Europa. (Veja este mapa acima). Aliás, o primeiro vinho comercial brasileiro foi o de Bras Cubas, feito no bairo do Tatuapé. Agora será feito um cruzamento com informações do solo e será montado um mapeamento disso. Por tanto, considero que somos um bebê engatinhando e com grande futuro. O Brasil, acredito, vai quebrar muitos paradigmas do vinho.
-->Ruschel - Quais as tres grandes políticas públicas que o Brasil precisa para obter competitividade na produção de vinhos?
Didu - Acredito que o governo brasileiro poderia fazer muito pelo vinho: Como você me pediu tres, diria:
a) Desburocratizar o setor considerando o Vinho como Alimento
b) Reduzir ao menos a 1/3 os valores dos 22 tributos que oneram o produtor do vinho e encarece a bebida ao consumidor final
c) Promover uma campanha pública de esclarecimento sobre a importância de se consumir 1 taça de vinho por refeição – até por questões de saúde
Com essas tres iniciativas não tenho dúvidas que nos tornaríamos um dos maiores produtores e consumidores de vinho do planeta, inclusive o vinho de mesa.

Com essas tres iniciativas não tenho dúvidas que nos tornaríamos um dos maiores produtores e consumidores de vinho do planeta, inclusive o vinho de mesa.

Ruschel - O que é enoturismo prá você? Como deve se realizar – na adega e/ou na comunidade? Deve ser restrito aos vinhos ou abranger o ambiente cultural?
Didu - Considero que enoturismo deva ser um conjunto da cultura local nas regiões produtoras de vinho e suas belezas naturais, sua gente, suas diversas atrações. Gastronomia, Cultura, Vinho, Beleza Natural é um conjunto de valores que todo turista procura no mundo todo. Não acho que apenas as vinícolas sejam o eixo do enoturismo, embora acredito que o governo poderia incentivar a construção de pequenas pousadas nas vinícolas. É um outro negócio que pode ajudar o produtor na receita e na divulgação de seu vinho. Imagine você ter em todas as vinícolas da Serra um cantinho como o da Don Giovani?… Seria melhor não? Mas lembro, é outro negócio.

(*) Rogerio Ruschel é editor do In Vino Viajas a partir de São Paulo e respeita e valoriza o talento dos outros.








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