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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Conheça o vinho Malvasia que nasce na paisagem lunar de Lanzarote, Ilhas Canárias e encantou Sheakespeare e Saramago


Rogerio Ruschel e Oihana Eraso (*)
Lanzarote é a ilha mais oriental do arquipélago das Canárias, uma das regiões autônomas da Espanha e destino turístico muito badalado para espanhóis, portugueses, franceses, alemães e outros europeus – mesmo estando a mais de 1.000 Km de distância do continente europeu.

Como é de origem vulcânica (na última grande erupção vulcões despejaram lava de maneira continua entre 1730 e 1736) e fica a aproximadamente 100 Km de Marrocos, na África, grande parte do solo é árido. 

Como outros produtos agrícolas, as videiras foram plantadas no solo de lava negra e tem a vantagem de que a rocha de lava fina (Picon) tem uma grande capacidade de armazenamento de humidade noturna, o que que bons vinhos mineralizados, especialmente vinhos brancos, e dentre eles, o da uva malvasia vulcânica, um vinho adocidado muito badalado, conhecido também por Canárias. Veja a capa do guia abaixo que mostra o posicionamento de marketing dos vinhos locais, como “A essência do vulcão no seu cálice”...

Oihana Eraso, jornalista de Bilbao, País Basco, Espanha (abaixo, mostrando o solo negro), que edita um programa de televisão e o blogue e revista eletrônica Agroviajeros.com sobre turismo, vinhos, gastronomia e cultura local, esteve em Lanzarote e inspirou este post. 

Ela lembra que “el vino procedente de la uva malvasia conquistó al mismísimo Shakespeare. En Enrique IV se lee: "Por mi fe que habéis bebido demasiado vino canario. Es un vino maravillosamente penetrante y que perfuma la sangre antes de que se pueda decir: ¿qué es esto?".

Oihana lembra também que “la malvasia es una variedad de uva perfectamente adaptada al medio. Es pequeña y de gran equilibrio, sabor y perfume que luego traslada al vino. Es precisamente esta uva la que da el matiz al vino de Lanzarote, fundamentalmente blanco dorado.” Mesmo que o Malvasia seja o mais famoso e importante, em Lanzarote são produzidos pelo menos seis diferentes tipos de vinhos: vinhos brancos, rosés e tintos com pelo menos 9% de teor alcoólico; vinhos espumantes com 10%;  um vinho de uvas maduras com 13% e finalmente um vinho licoroso com 15% de graduação alcoólica.

Qualquer vinho destes pode harmonizar com comidas tipicas: os frutos do mar com vinho branco e, como conta Ohiana Eraso, vinhos brancos e tintos podem ser harmonizados com um assado exclusivo de lanzarote, o assado ao vulcão. Isso mesmo, os moradores utulizam o calor vulcânico das profundidades da terra para fazer fogões como este "frango ao vulcão" da foto abaixo.
Para produzir as uvas, os viticultores fazem cavas, buracos de cerca de 3 metros de profundidade com 2/2,5 metros de diâmetro e plantam a videira lá dentro (veja acima), contando que suas raízes se fixem no solo mais profundo. Muitas vezes o buraco é acompanhada por uma estrutura de pedra que atua como uma mureta protetora da videira - o que na França é chamado de “clos” – veja abaixo.

Este sistema criou uma paisagem única em Lanzarote, paisagem esta que atinge o seu pico em La Geria, um Parque Nacional com mais de 5.500 hectares com plantio de uvas que parece uma paisagem lunar (veja abaixo); e o Parque Nacional de Timanfaya, que fizeram com que a Unesco atribuísse a Lanzarote o estatuto de Reserva da Biosfera em 1993.

Esta forma de cultivo não permite o uso de máquinas e como as tarefas são realizadas manualmente (veja abaixo), não dá para promover grandes plantios, o que levou os produtores a optar pela qualidade ao invés da quantidade.  

Esta qualidade é protegida por uma  DO – Denominação de Origem própria, diferente de outras Dos das Ilhas Canárias. A DO Lanzarote foi oficializada em 1993 e a partir de 2008 o Conselho Regulador da Denominação de Origem Vinhos de Lanzarote se tornou uma empresa de direito público “com personalidade jurídica e plena capacidade de cumprir as suas finalidades públicas e privadas voltadas para a gestão da denominação, e sua representação, defesa, segurança, pesquisa e desenvolvimento de mercado e promoção, bem como a prestação de serviços relacionados com essas atividades.” 

As atrações turísticas da ilha vão além de roteiros de vinho e incluem paisagens atraentes e praias como Puerto del Carmen, Costa Teguise e Playa Blanca (acima), gastronomia de alta qualidade com frutos do mar e vinho local e a prática de esportes de ação na natureza como vela, mergulho, windsurf, caminhadas, pescaria, golfe e outros, em locais surpreendentes como Los Hervidores, abaixo.

Se você tiver a sorte de abrir um Malvasia Vulcânico DO Lanzarote, faça um brinde ao mais célebre habitante da ilha, o português José Saramago, Prêmio Nobel da Literatura, em 1998, que gostava muito dos vinhos da terra. Eu proponho um tim-tim aos escritores Sheakespeare e Saramago.
(*) Rogerio Ruschel é jornalista e enófilo brasileiro e Ohiana Eraso é jornalista na Espanha




9 comentários:

  1. Que lugar fantástico! O vinho mesmo deve ser uma delícia, afinal com tanta agitação vulcânica e uma terra para lá de rica em minerais, o sabor só poderia ser especial. Abraço!

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    1. O sabor é bem mineral, mas ao mesmo tempo frutado, Thiago. Grato pea leitura. Abs

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  2. Muito boa a matéria, parabéns....

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    1. Obrigado pelo prestigio da leitura, Anônimo

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    1. É mesmo fantastico, Richard. Grato pelo prestigio da leitura. Abs

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  4. Muito bom o artigo.vivo aqui na Espanha e tive a chance de degustar ...ė realmente interessante. Mais ainda o tipi di cultura que assemelha a de Pantelleria na Itália em solo tem vulcânico

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    1. Obhrigado, Alberto. O vinho é excelente mesmo. Abraços

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  5. Muito bom o artigo.vivo aqui na Espanha e tive a chance de degustar ...ė realmente interessante. Mais ainda o tipi di cultura que assemelha a de Pantelleria na Itália em solo tem vulcânico

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