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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

8.000 anos de Cultura do Vinho: a dura vida por trás do rótulo


Por Rogerio Ruschel (*)
O homem, o cavalo, o terroir e a vinha. Um desafio e um trabalho duro e cansativo para preparar a terra sem machucá-la, romper o primeiro gelo que se acumula no solo do inverno para ter brotos de vinha na primavera, uvas no outono – e vinhos maravilhosos o ano inteiro. 

A dura vida para produzir uma garrafa de vinho se repete no mundo inteiro: na serra gaúcha, nas colinas de Greve in Chianti e nas montanhas da Croácia, Hungria e Geórgia; nas margens dos rio Douro e Reno; nos horizontes planos de Castilla y Leon, nos vales chilenos e nas montanhas de Mendoza - e agora até mesmo em vales com nomes impronunciáveis da China. E em 98% das propriedades quem está dando duro são familias, porque em 8.000 anos de Cultura do Vinho a melhor tecnologia ainda continua sendo a dedicação à uva e o talento dos homens.


As fotos me lembraram isso. Não sei o nome do trabalhador destas fotos que estavam publicadas no perfil de Pascal Marchand no Facebook, com uma legenda simples: Le travaux de décembre dans nos vignes (o trabalho no vinhedo em dezembro). Também não conheço Pascal Marchand. Um leitor espanhol do In Vino Viajas me enviou o link; acessei e me deparei com estas imagens que representam muito bem os 8.000 anos de Cultura do Vinho, o que está por trás de um rótulo, dentro de uma garrafa. 


Pelo que descobri, Pascal é produtor de vinhos, sócio e Régisseur Général (gerente geral) na Domaine Marchand-Tawse de Nuits Saint George, uma pequena comunidade da Côte d’Or, na Borgonha, França. Segundo um jornalista francês, Pascal nasceu em Montreal, Canadá, e aos 22 anos de idade, em 1985, “o menino prodígio canadense francês tomou as rédeas da Clos des Epeneaux em Pommard, e se tornou uma sensação da noite para o dia.

Em poucos anos Pascal tornou a desconhecida Clos des Epeneaux em um sucesso internacional; em 2006 foi convidado para ser gestor de um investimento em 90 hectares de um grande grupo frances no Domaine de la Vougeraie (e 90 hectares é um tamanho surpreendente para a Borgonha!) onde continuou fazendo sucesso. Mas como pessoas de talento não se cansam, em 2011 Pascal se associou a Moray Tawse, da Tawse Winery de Niagara, uma das mais importantes produtores de vinhos do Canadá, para fazer a Maison Marchand-Tawse.
Pascal (acima) mora em Beaune, Borgonha, e ganha a vida produzindo vinhos ao lado de seus 5.600 vizinhos, que é a população total de Nuits Saint George, o simpático vilarejo da foto abaixo, sem a neve de inverno, que ainda não tive o prazer de conhecer.

Enviei uma mensagem a Pascal, pedindo que escrevesse um pequeno texto para eu compartilhá-lo com meus leitores ao lado das fotos, porque queria mostrar como a poesia sobre a Cultura de Vinho pode ser concreta e suada. Pascal ainda não respondeu porque deve estar ocupado com as atividades de janeiro no vinhedo de Nuits Saint George – ou quem sabe cuidando de suas preciosas garrafas na adega (abaixo).


Porisso, meu caro leitor, quando você abrir uma garrafa de vinho, permita-se sentir novos aromas na taça: aromas de inverno, de famílias trabalhando, de esperanças, de suor do trabalho duro e um aroma difícil de perceber que persiste há 8.000 anos: o carinho pela terra, por um cavalo e por uma muda de videira!

Este post é dedicado a Rinado Dal Pizzol, vinicultor gaúcho de quinta geração e intelectual incorrigível, criador do Ecomuseu da Cultura do Vinho (a mais completa unidade de preservação e educação da cultura do vinho do Brasil), pesquisador e autor de livros e representante da America Latina na Association for Culture and Tourism Exchange (ACTE), que conduz a campanha para o reconhecimento da Cultura do Vinho como Patrimônio Imaterial da Humanidade. 

Se você quiser mais sobre Pascal Marchand, veja o perfil dele em https://www.facebook.com/pascal.marchand.94
 
(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e acredita que o trabalho não cansa quando você gosta dele

 


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